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Acupuntura em doenças inflamatórias intestinais

Doenças inflamatórias intestinais

Várias condições, que são caracterizadas por processos inflamatórios do sistema digestivo, em especial do intestino delgado e do intestino grosso, são coletivamente conhecidas como doença inflamatória do intestino.

Dois principais tipos dessas doenças são a colite ulcerativa e doença de Crohn. Estima-se que, em 2010, essas doenças causaram a morte de 34.000 pessoas. Devido à gravidade dos sintomas e complicações do tratamento com medicamento à longo prazo, os pacientes muitas vezes procuram por métodos de tratamento alternativos.

Em um estudo realizado na Noruega foi comprovado que o uso da medicina complementar e alternativa é comum entre as pessoas que sofrem de doenças inflamatórias do intestino, o que corresponde a 49% de pessoas referente ao ano anterior em que o estudo foi realizado. Na Espanha, 23% dos pacientes, que sofrem de doenças inflamatórias intestinais utilizam métodos alternativos.

Como a fisiologia e patologia do sistema digestivo são consideradas condições importantes na medicina chinesa, os pacientes muitas vezes se voltam para técnicas originárias desse sistema, por exemplo, a acupuntura e tratamento moxa.

Em 2013, uma meta-análise de 43 estudos clínicos controlados em relação à eficácia da acupuntura e tratamento moxa de doenças inflamatórias intestinais foi publicada. Nove dos dez estudos analisados compararam a eficácia da acupuntura e tratamento sulfassalazina. Os resultados mostraram que a acupuntura e tratamento moxa são terapias mais eficientes do que o uso de medicamentos como sulfassalazina. Na análose, os autores discutem as principais diferenças em termos de qualidade de estudos específicos. Além disso, eles também apresentaram os resultados de três estudos:

  • Zhou e Jin conduziram um experimento em 220 pacientes, comparando a eficácia da terapial oral sulfassalazina. Em um grupo de teste, a eficácia foi de 84,5% e foi significativamente maior do que no grupo de controle, que foi de 68,2%.

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

“Acupuntura + Moxa é mais eficaz do que a farmacoterapia (sulfasalazina) no tratamento de doenças inflamatórias dos intestinos”

84,5%

Acupuntura + Moxa

68,2%

sulfassalazina

  • Stefanie Joos e sua equipe publicaram os resultados de dois estudos bem desenhados. A primeira mostra a eficácia da acupuntura no tratamento da doença de Crohn. Foi identificada que a acupuntura reduziu melhor o índice de atividade da doença do que a falsa acupuntura (250 +/- 51 de 163 +/- 56 em comparação com 220 +/- 42 de 181 +/- 46). Em ambos os grupos, a qualidade de vida dos pacientes melhorou. Além disso, no grupo tratado com acupuntura o nível de alfa-1-glicoproteína ácida foi significativamente reduzida.
  • Outro trabalho realizado pela equipe de Stefanie Joos relacionou o uso da acupuntura no tratamento da colite ulcerosa. Do mesmo modo, como no caso da doença de Crohn, a acupuntura provou ser mais efetiva do que a falsa acupuntura na redução do índice de atividade de colite de 8,0 +/- 3,4 a 4,2 +/- 2,4 em comparação com 6, 5 +/- 3,2 para 4,8 +/- 3,9. A qualidade de vida melhorou em ambos os grupos, favorecendo o grupo de acupuntura.

Os resultados discutidos são semelhantes a uma meta-análise realizada anteriormente sobre os resultados de 11 estudos clínicos, realizados por uma outra equipe de pesquisa, que concluiu que a acupuntura e tratamento moxa são mais eficientes no tratamento da colite ulcerosa que a farmacoterapia ocidental. Além disso, o número de efeitos colaterais é menor.

Em 2010, uma equipe com um inimigo bem conhecido da acupuntura como membro, Edzard Ernst, publicarou uma meta-análise sobre a eficiência do tratamento moxa no tratamento da colite ulcerosa. A análise incluiu 5 estudos, os resultados sugerem que o tratamento moxa é melhor do que o tratamento convencional; no entanto, devido à falta da qualidade dos estudos e por todos eles terem sidos conduzidos na China, o método não foi recomendado.

Doenças inflamatórias intestinais – Mecanismos

Como foi apresentado no trecho anterior do artigo, a eficácia de acupuntura e tratamento moxa em doenças inflamatórias dos intestinos é mais elevada do que a farmacoterapia moderna. Os pesquisadores tentam descrever os mecanismos moleculares de elevada eficácia dos métodos discutidos. Para fazer isso, eles utilizaram estudos em animais, bem como, estudos em pacientes.

O World Journal of Gastroenterology publicou uma descrição de um estudo muito interessante realizado em ratos, em que foi induzida a colite ulcerativa. Após a implementação do tratamento moxa percebeu-se a remissão de alterações histológicas (inchaço da mucosa, erosão e formação de úlceras). Além disso, a infiltração da parede do intestino por células inflamatórias também foi diminuída; além disso, a aparência das glândulas intestinais melhorou. O que é o mais interessante, observou-se um novo epitélio que cobria  a úlcera, o que demonstra a indução na reparação de processos. Um dos objetivos do experimento foi estudar a influência do tratamento moxa na flora bacteriana intestinal. Com base nos testes genéticos, foi comprovado que o chumbo no tratamento moxa aumenta o nível de bactérias fisiológicas tais quais Bifidobacterium e Lactobacillus, consideravelmente reduzida em ratos com colite ulcerosa. Ao mesmo tempo, o número de bactérias patológicas, tais como Bacteroides fragilis, e Escherichia coli também foram reduzidas. O nível de citocinas pró-inflamatórias Interlecuine-12 e TNF-α foi reduzida.

Estudos anteriores realizados em ratos trouxeram resultados semelhantes. Em ambos foi utilizado a eletro-acupunctura e tratamento moxa e causaram alterações histológicas, tais como a infiltração da parede do intestino por células inflamatórias e infiltração de liquidação de neutrofilia e inchaço. Da mesma forma que o estudo discutido acima, a acupuntura e tratamento moxa resultaram em melhores processos de reparação. O nível de citocinas pró-inflamatórias de IL-1β, IL-6 e TNF-α foi significativamente reduzida. A apoteose da neutrofilia foi também ativada.

Os resultados são semelhantes aos outros estudos realizados em ratos nos quais também foi comprovado que o tratamento moxa tem uma influência positiva no processo de reparação do epitélio intestinal, e a redução da pro-inflamatória TNF-α, e os seus receptores (TNFR1 i TNFR2) na mucosa intestinal.

Semelhante influência do tratamento moxa na regeneração da parede intestinal foi descrito em outro artigo publicado em 2011. Como no caso dos estudos anteriores, observou-se a redução do número de células de epitélio intestinal apoptóticas e regeneração ativada de danos causados por um processo inflamatório. Além disso, percebeu-se um aumento significativo de ocludine, Claudine-1 e ZO-1 (proteínas que constituem junções intracelulares sólidas responsáveis pela selagem intestinal).

Além de testes com animais, a influência do tratamento moxa em pacientes com colite ulceritive foi também verificado. No estudo publicado em 2009, a influência do tratamento moxa na redução da expressão de ARNm de citocinas pró-inflamatórias de IL-8 e de ICAM-1 e também na ativação de um processo reconstitutivo da parede intestinal foi observada pelos autores.

  • reversão de alterações histológicas:
  • inchaço das membranas mucosas
  • erosão do epitélio,
  • úlceras
  • redução da infiltração da parede intestinal por células inflamatórias
  • indução da regeneração da parede intestinal (cobrindo ulcerações com epitélio)
  • ↑ quantidade de bactérias fisiológicas
  • ↑ expressão de ocludine, Claudine-1 e ZO-1 – proteínas compostas por junções sólidas intracelulares.
  • total ↓ de bactérias patológicas
  • ↓ níveis de citocinas pró-inflamatórias (IL-1β, IL-6, IL-12, TNF-α i)
  • ↓ apoptose de células de epitélio intestinal

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  • Tenho retocolite ulcerativa há 4 anos. Mas estou em crise há 2 meses muito aguda, gastroenterocolite tratada com antibiótico, não resolveu. Agora Mesacol 1200mg, Sulfassalazina 1g, Prednisona 40 mg diariamente.
    Crises de muita diarreia e cólica.
    Gostaria de tentar está opção que desconheço. Tenho 64 anos.
    Aguardo retorno.
    Grata.

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