Acupuntura para asma brônquica: como funciona?
Um estudo da nossa equipe (HC-FMUSP, revista Clinics) mostrou que a acupuntura, somada ao tratamento, pode ajudar nos sintomas da asma, no pico de fluxo e na inflamação das vias aéreas. É um complemento de baixo risco, que soma ao corticoide inalatório e ao broncodilatador, sem substituir a base do tratamento nem o pneumologista.
- A acupuntura pode ajudar como complemento no cuidado da asma, mas não substitui o corticoide inalatório, o broncodilatador ou o plano do pneumologista. A asma pode ser grave, então não interrompa nem reduza a medicação por conta própria.
- A base do tratamento é farmacológica: corticoide inalatório (controle da inflamação), agonista beta-2 (resgate e, na forma prolongada, controle) e, na asma grave tipo 2, os biológicos. A acupuntura entra somada a essa base, como adjuvante.
- Um ensaio randomizado da nossa equipe (HC-FMUSP, Clinics 2015) mostrou que a acupuntura real melhorou o pico de fluxo, reduziu eosinófilos e neutrófilos e aumentou macrófagos no escarro, e melhorou sintomas e qualidade de vida, como adjuvante. A espirometria (VEF1) não mudou.
- Como adjuvante, pode ajudar nos sintomas, no desconforto e na ansiedade que acompanham a asma, além do bem-estar, sempre somada ao tratamento de base.
- Crise grave de asma é emergência: use o broncodilatador de resgate conforme orientado e procure atendimento. Quem cuida da asma é a pneumologia.
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Centro de Referência no Brasil em Acupuntura Médica. Tratamento com base em evidências, na tradição da USP e do HC-FMUSP.
Como a acupuntura ajuda no cuidado da asma
A resposta direta: a acupuntura pode ajudar como complemento no cuidado da asma, mas não substitui o tratamento que controla a doença. A asma é uma inflamação crônica das vias aéreas que pode causar crises graves, então a base do cuidado, a medicação e o acompanhamento do pneumologista, é mantida sempre.
Na asma, a acupuntura tem o papel de um adjuvante, algo que soma ao tratamento médico. Um estudo da nossa equipe mostrou que, somada à base, ela pode melhorar sintomas, pico de fluxo e o perfil inflamatório das vias aéreas, como se detalha mais abaixo. Ela não substitui os medicamentos que controlam a asma: o corticoide inalatório, que combate a inflamação eosinofílica das vias aéreas, e o agonista beta-2, que relaxa a musculatura lisa brônquica e abre os brônquios.
Esses são os pilares do tratamento, definidos e ajustados pelo pneumologista. A escolha terapêutica é sempre individualizada.
Por isso vale a regra de ouro: a acupuntura entra somada ao tratamento, não no lugar dele. A asma mantém inflamação das vias aéreas mesmo sem sintoma diário, e reduzir a medicação por conta própria aumenta o risco de crise. Quem ajusta as doses é o médico que acompanha a asma.
“Vou fazer acupuntura para asma e, com o tempo, deixar a bombinha e o corticoide de lado, tratando de forma natural.”
A acupuntura não substitui o tratamento da asma. Interromper o corticoide inalatório ou o broncodilatador por conta própria aumenta o risco de crise grave. A medicação só é ajustada pelo médico que acompanha a asma.

O que é asma brônquica: a fisiopatologia
A asma é uma inflamação crônica das vias aéreas que cursa com hiper-responsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo de ar. Em grande parte dos pacientes, sobretudo na asma alérgica de início precoce, a inflamação é do tipo 2 (T2), conduzida por linfócitos Th2 e citocinas como a interleucina-4 (IL-4), a IL-5 e a IL-13. A IL-5 recruta e ativa eosinófilos, células centrais nesse padrão inflamatório; a IL-4 e a IL-13 estimulam a produção de IgE e a hipersecreção de muco. Existe também um subgrupo de asma não T2 (neutrofílica ou paucigranulocítica), com pior resposta a corticoide, o que ajuda a explicar por que nem toda asma responde igual.
Sobre essa inflamação de base, as vias aéreas tornam-se hipersensíveis, e diante de gatilhos como ácaros, pólen, epitélio de animais, infecções virais, fumaça, ar frio, esforço físico, anti-inflamatórios em pessoas sensíveis ou estresse, reagem com três fenômenos que estreitam o calibre brônquico: broncoconstrição (contração da musculatura lisa ao redor dos brônquios), edema da parede e hipersecreção de muco. Esses três componentes, somados, reduzem o diâmetro da via aérea e dificultam principalmente a saída do ar (limitação expiratória).
Quando a inflamação se perpetua, instala-se o remodelamento das vias aéreas: fibrose subepitelial, hipertrofia e hiperplasia da musculatura lisa brônquica, espessamento da membrana basal e aumento das glândulas mucosas. Esse remodelamento pode tornar parte da obstrução fixa, isto é, menos reversível com broncodilatador, e é uma das razões pelas quais o controle precoce da inflamação importa tanto. É justamente sobre a inflamação e o remodelamento que a medicação de controle atua, e é exatamente aí que a acupuntura não tem ação demonstrada.
Os sintomas típicos decorrem dessa obstrução variável: chiado no peito (sibilância), falta de ar (dispneia), aperto no tórax e tosse, muitas vezes pior à noite ou de madrugada, o que se costuma chamar de asma noturna. Em parte das pessoas, a tosse seca persistente, inclusive a chamada tosse alérgica, é a manifestação principal (asma com variante de tosse). O grau varia muito: há quem tenha sintomas leves e esporádicos e quem conviva com asma grave e crises frequentes.
Como se diagnostica a asma
O diagnóstico de asma combina a história clínica (sintomas respiratórios variáveis no tempo e em intensidade, com gatilhos e piora noturna) com a demonstração objetiva da limitação variável ao fluxo de ar. Confiar só no relato de sintomas tende a errar para os dois lados: superdiagnostica quem tem outra causa de tosse ou dispneia e subdiagnostica quem normaliza a falta de ar. Por isso a confirmação funcional importa, e é tarefa do pneumologista, não da acupuntura.
O exame central é a espirometria. Ela mede o VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo) e a CVF (capacidade vital forçada). Um padrão obstrutivo aparece quando a relação VEF1/CVF está reduzida (em adultos, abaixo de cerca de 0,70 ou abaixo do limite inferior da normalidade).
O que caracteriza a asma é a reversibilidade: depois de inalar um broncodilatador, a obstrução melhora de forma clara, e é isso que distingue a asma das doenças em que a obstrução é fixa. Essa reversibilidade é o que distingue a obstrução da asma da obstrução fixa de outras doenças.
Quando a espirometria está normal entre crises, outros recursos ajudam: a medida seriada do pico de fluxo expiratório (PFE) em casa, que evidencia a variabilidade diurna típica da asma; o teste de broncoprovocação (por exemplo, com metacolina ou exercício), que demonstra a hiper-responsividade brônquica; e a dosagem de marcadores da inflamação tipo 2, como o FeNO (fração exalada de óxido nítrico) e os eosinófilos no sangue, úteis para fenotipar a asma e orientar o tratamento, sobretudo nos casos graves. Definir o fenótipo (alérgico, eosinofílico, não T2) é o que permite escolher a terapia certa, incluindo os biológicos.
A asma se confirma e se classifica com medidas objetivas, como VEF1 com reversibilidade, pico de fluxo e marcadores inflamatórios. A acupuntura não substitui essa investigação nem mede função pulmonar; tosse e falta de ar persistentes precisam, antes de tudo, de diagnóstico.
Como se trata a asma: o que muda o curso da doença
O tratamento da asma é, antes de tudo, farmacológico, e funciona em dois eixos: o controle de longo prazo da inflamação e o alívio rápido dos sintomas. Some-se a isso o controle dos gatilhos ambientais, a técnica inalatória correta, a verificação da adesão e, na asma grave, terapias específicas. A acupuntura, quando entra, entra por último e apenas como adjuvante; é nesse mapa que ela precisa ser situada.
A escolha e o ajuste dos medicamentos são individualizados e conduzidos pelo pneumologista, em geral por degraus (mais ou menos intensidade conforme o controle). A apresentação, a dose e a duração são decisões médicas. Nenhum desses tratamentos deve ser interrompido por conta própria.
Corticoide inalatório
- O que é: medicação inalada de uso contínuo, como budesonida, beclometasona, fluticasona ou mometasona, isolada ou combinada a um broncodilatador de ação prolongada num mesmo dispositivo. É o eixo de controle da asma persistente.
- Mecanismo: ação anti-inflamatória tópica nas vias aéreas. Reduz a inflamação eosinofílica, a hiper-responsividade brônquica e a produção de muco, atuando justamente sobre o processo de base que a acupuntura não alcança.
- Evidência: alta. É a intervenção mais bem estabelecida para reduzir sintomas, melhorar a função pulmonar, prevenir crises e diminuir o risco de morte por asma; é a coluna das diretrizes (por exemplo, GINA).
- O que esperar: efeito ao longo de dias a semanas de uso regular, não imediato. O benefício depende do uso contínuo e da técnica inalatória correta, mesmo nos períodos sem sintoma.
- Indicações: praticamente toda asma persistente. As diretrizes atuais recomendam que mesmo a asma leve tenha um corticoide inalatório associado ao resgate, evitando o uso isolado de broncodilatador.
- Limitações e efeitos: candidíase oral e rouquidão (reduzidas com espaçador e enxágue da boca); efeitos sistêmicos são pouco frequentes em doses habituais. A principal “falha” costuma ser, na verdade, baixa adesão ou técnica inalatória inadequada.
Broncodilatadores agonistas beta-2
- O que é: broncodilatadores que relaxam a musculatura lisa brônquica. Os de ação curta (SABA, como o salbutamol) são o resgate; os de ação prolongada (LABA, como formoterol e salmeterol) são usados como controle, sempre combinados ao corticoide inalatório, nunca isolados.
- Mecanismo: estímulo dos receptores beta-2 adrenérgicos da musculatura lisa das vias aéreas, com broncodilatação rápida. Agem sobre a broncoconstrição, mas não tratam a inflamação de base.
- Evidência: alta para alívio do broncoespasmo. As diretrizes priorizam esquemas que sempre associam o corticoide inalatório (incluindo a estratégia de resgate com a combinação de corticoide e formoterol, conhecida como MART), porque o uso isolado e frequente de SABA associa-se a pior controle e mais risco.
- O que esperar: o resgate alivia em minutos e dura algumas horas. O LABA, como controle, melhora sintomas e função pulmonar ao longo do dia, somado ao corticoide.
- Indicações: SABA para alívio dos sintomas e na crise; LABA combinado quando o corticoide isolado não controla.
- Limitações e efeitos: tremor, taquicardia e palpitação são comuns. O uso isolado de LABA, sem corticoide, é contraindicado por aumentar o risco de eventos graves. A necessidade crescente de resgate é sinal de que o controle está ruim e o plano precisa ser revisto.
Outros controladores: LAMA e antileucotrieno
- O que é: o antagonista muscarínico de ação prolongada (LAMA), como o tiotrópio, e o antagonista de receptor de leucotrienos, como o montelucaste, são controladores adicionais, usados em degraus específicos.
- Mecanismo: o LAMA bloqueia o tônus broncoconstritor parassimpático (colinérgico), promovendo broncodilatação por uma via diferente do beta-2. O montelucaste bloqueia a ação dos leucotrienos, mediadores da broncoconstrição e da inflamação.
- Evidência: moderada. O tiotrópio agrega controle quando corticoide e LABA não bastam; o montelucaste ajuda em fenótipos selecionados (asma com rinite alérgica importante, asma induzida por exercício, intolerância a anti-inflamatórios).
- O que esperar: ganho adicional de controle quando somados à base; resposta avaliada ao longo de semanas.
- Indicações: asma não controlada apesar de corticoide inalatório e LABA (LAMA) ou em perfis específicos (montelucaste).
- Limitações e efeitos: o LAMA pode causar boca seca; o montelucaste exige atenção a alterações de humor e sono, descritas em alguns pacientes. São complementos, não substitutos do corticoide.
Biológicos para asma grave
- O que é: anticorpos monoclonais dirigidos contra alvos da inflamação tipo 2, indicados na asma grave não controlada apesar do tratamento otimizado. Incluem o anti-IgE (omalizumabe), os anti-IL-5 / anti-receptor de IL-5 (mepolizumabe, benralizumabe), o anti-IL-4/13 (dupilumabe) e o anti-TSLP (tezepelumabe).
- Mecanismo: cada um bloqueia uma etapa da cascata inflamatória, neutralizando a IgE livre, a IL-5 (que recruta eosinófilos), a via da IL-4 e IL-13 ou a alarmina TSLP, a montante da inflamação. Reduzem a inflamação eosinofílica de forma dirigida.
- Evidência: alta em populações selecionadas pelo fenótipo (IgE elevada, eosinofilia, FeNO alto). Reduzem crises, melhoram o controle e permitem poupar corticoide oral em parte dos pacientes.
- O que esperar: aplicação subcutânea periódica, com avaliação de resposta ao longo de meses; nem todos respondem, e a escolha depende dos biomarcadores.
- Indicações: asma grave T2 refratária ao tratamento inalatório otimizado, conduzida por especialista, idealmente em serviço de referência.
- Limitações e efeitos: reações no local da injeção e, raramente, reações de hipersensibilidade; custo elevado e necessidade de fenotipagem. Não se aplicam à asma leve a moderada.
Acupuntura médica como adjuvante
- O que é: inserção de agulhas finas em acupontos, conduzida por médico com formação na área. Na asma, só faz sentido como recurso adjuvante, somado ao tratamento de base, e jamais no lugar do corticoide inalatório ou do broncodilatador.
- Mecanismo: propõe-se neuromodulação do sistema nervoso autônomo (equilíbrio entre o tônus parassimpático, que tende a fechar a via aérea, e o simpático, que tende a abri-la) e um efeito de relaxamento sobre a ansiedade e o padrão respiratório. No estudo da nossa equipe, a acupuntura associou-se ainda a uma modulação do perfil inflamatório do escarro (menos eosinófilos e neutrófilos, mais macrófagos), o que dá plausibilidade a um efeito anti-inflamatório adjuvante.
- Evidência: promissora como adjuvante sobre sintomas e qualidade de vida. O ensaio randomizado da nossa equipe (HC-FMUSP, Clinics 2015) mostrou melhora do pico de fluxo e do perfil inflamatório das vias aéreas com a acupuntura, mantendo o tratamento de base. É apoio para usá-la como complemento ao cuidado do pneumologista.
- O que esperar: quando usada para o componente de ansiedade e tensão, o ciclo costuma ser de algumas sessões, em geral uma a duas por semana, com reavaliação ao final.
- Indicações: como adjuvante no cuidado da asma, para ajudar em sintomas, desconforto, ansiedade e qualidade de vida, sempre somada ao tratamento e em decisão compartilhada com o médico que conduz a doença.
- Limitações e efeitos: desconforto ou pequena equimose no local são os mais comuns. Há uma cautela específica para o tórax: o agulhamento de pontos torácicos exige domínio anatômico pelo risco de pneumotórax em mãos não treinadas. Cautela em pessoas anticoaguladas. Não substitui, em hipótese alguma, o tratamento da asma.
| Recurso | Atua sobre | Papel |
|---|---|---|
| Corticoide inalatório | Inflamação eosinofílica das vias aéreas | Base do controle (evidência alta) |
| Agonista beta-2 (SABA / LABA) | Broncoconstrição (musculatura lisa) | Resgate e controle, sempre com corticoide |
| LAMA / antileucotrieno | Tônus colinérgico / leucotrienos | Controle adicional em casos selecionados |
| Biológicos | Vias da inflamação tipo 2 (IgE, IL-5, IL-4/13) | Asma grave T2 refratária |
| Acupuntura | Sintomas, pico de fluxo e inflamação (adjuvante) | Complemento de baixo risco, somado à base |
A pesquisa da nossa equipe: acupuntura na asma leve e moderada
Boa parte do que se sabe sobre acupuntura e asma no Brasil vem de um estudo conduzido pela nossa própria equipe, liderado pelo Prof. Dr. Hong Jin Pai no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e publicado na revista Clinics em 2015. Foi um ensaio clínico randomizado, controlado e cruzado (crossover), com 74 pacientes com asma persistente leve a moderada, em que cada participante passou por um ciclo de 10 sessões de acupuntura, todos mantendo o tratamento respiratório de base durante o estudo.
Os resultados apontaram efeitos positivos da acupuntura real como adjuvante. Houve melhora do pico de fluxo expiratório, uma medida objetiva de quanto ar a pessoa consegue expirar, e uma mudança favorável no perfil inflamatório do escarro induzido: queda de eosinófilos e neutrófilos, células ligadas à inflamação das vias aéreas, e aumento de macrófagos, o que sugere um efeito modulador sobre a inflamação alérgica. Os pacientes também relataram menos tosse, chiado, falta de ar e despertares noturnos, além de ganhos em qualidade de vida.
A leitura do conjunto é positiva: a acupuntura mostrou sinais consistentes de benefício sobre sintomas, pico de fluxo e o perfil inflamatório das vias aéreas, com bom perfil de segurança. A espirometria (VEF1) não se alterou, o que é esperado, porque a função pulmonar de base é controlada pela medicação. O que a técnica agrega é conforto e qualidade de vida, como complemento ao tratamento do pneumologista, somando ao cuidado sem substituí-lo.
Acupuntura melhora sintomas, pico de fluxo e inflamação na asma leve a moderada
No ensaio cruzado da nossa equipe com 74 pacientes, a acupuntura, somada ao tratamento de base, associou-se a melhora do pico de fluxo (+21,5 L/min), queda de eosinófilos e neutrófilos e aumento de macrófagos no escarro, e menos tosse, chiado, falta de ar e despertares noturnos, com ganho de qualidade de vida. Um complemento de baixo risco, somado ao corticoide inalatório e ao broncodilatador. Pai HJ e cols., Clinics, 2015.
Ver referências →Somando esse estudo ao conjunto da literatura, o quadro é o de uma terapia complementar promissora sobre sintomas e qualidade de vida. Por isso ela entra ao lado do tratamento de base, que segue cuidando da função pulmonar, e a tosse persistente, seja asmática ou alérgica, merece antes de tudo um diagnóstico, porque pode vir de asma, rinite com gotejamento pós-nasal, refluxo ou infecção. Os mecanismos gerais da técnica estão na página sobre mecanismos de ação da acupuntura, e o efeito sobre a ansiedade, na página de acupuntura para ansiedade.
| Aspecto | Acupuntura | Base do tratamento |
|---|---|---|
| Sintomas (tosse, chiado, falta de ar, despertar noturno) | Pode ajudar como adjuvante, com melhora relatada no nosso estudo | Ajuste do plano com o pneumologista |
| Pico de fluxo expiratório | Melhora após o ciclo de acupuntura no nosso estudo (+21,5 L/min) | Medicação de controle e monitorização |
| Inflamação das vias aéreas | Sinal de efeito modulador (eosinófilos e neutrófilos para baixo, macrófagos para cima) | Corticoide inalatório, base do controle |
| Função pulmonar (VEF1) | Controlada pela medicação; a acupuntura soma no conforto, não na espirometria | Tratamento médico de base |
| Crise aguda | Não atua na crise; procure atendimento | Agonista beta-2 de resgate / emergência |
O que esperar se você optar pela acupuntura
Quem tem asma e deseja incluir a acupuntura pode fazê-lo dentro de uma decisão compartilhada com o médico que acompanha a doença. A premissa é simples: a acupuntura entra somada ao tratamento, e a medicação de controle e a de resgate continuam exatamente como prescritas. A partir daí, ela pode agregar conforto.
Vale calibrar o objetivo desde o início. O que a acupuntura oferece é ajudar a lidar com a tensão, a ansiedade e o desconforto que acompanham a falta de ar, além de somar no bem-estar geral. Esse conforto é bem-vindo, e ao mesmo tempo a base do tratamento continua sendo o inalador e o corticoide que controlam a doença.
Uma sensação de melhora é um bom sinal, e não um motivo para mexer na medicação: os ajustes de dose seguem com o especialista. A asma é uma doença em que o tratamento é individualizado e conduzido por quem cuida dela.
Diagnóstico e tratamento de base com o pneumologista
Confirmar a asma com espirometria, definir o corticoide inalatório e o broncodilatador, identificar e controlar os gatilhos. É a prioridade absoluta.
Manter a medicação prescrita
Usar o controle de longo prazo todos os dias e o resgate quando indicado. Nunca interromper ou reduzir por conta própria.
Acupuntura como adjuvante, se desejada
Decisão compartilhada com o médico, focada em ansiedade e tensão associadas, somada ao tratamento, com expectativa realista.
Reavaliar e não insistir sem ganho
Verificar, após um ciclo, se houve benefício percebido. Sem ganho, suspende-se o adjuvante; o tratamento de base permanece.
Crise de asma é emergência
Este é o ponto mais importante de toda a página. A asma pode descompensar de forma rápida, e uma crise grave não controlada é uma emergência médica que pode ser fatal. Diante dos sinais de crise, o caminho é o broncodilatador de resgate conforme a orientação do seu médico e a procura imediata por atendimento de urgência. Acupuntura, ou qualquer terapia complementar, não tem nenhum papel no manejo da crise aguda.
Use o broncodilatador de resgate e procure atendimento de urgência se houver
- Falta de ar intensa, dificuldade para falar frases completas ou para se deitar.
- Chiado forte, respiração muito rápida ou uso visível da musculatura do pescoço e do tórax para respirar (tiragem).
- Lábios ou pontas dos dedos arroxeados (cianose), sonolência, agitação ou confusão.
- Falta de melhora, ou piora, após o uso do broncodilatador de resgate, ou queda da saturação de oxigênio.
- Crises cada vez mais frequentes ou necessidade crescente da bombinha de resgate.
Mesmo fora da emergência, alguns sinais indicam que o controle da asma não está bom e que o pneumologista precisa ser procurado para revisar o tratamento: despertar à noite com falta de ar ou tosse (asma noturna), sintomas várias vezes por semana, limitação para atividades físicas e uso frequente do resgate. Asma mal controlada se ajusta com medicação, não com terapia complementar.
Quem cuida da asma, e onde a acupuntura se encaixa
A asma é conduzida pela pneumologia (e, em parte dos casos, pela alergologia), que faz o diagnóstico, mede a função pulmonar, define e ajusta o corticoide inalatório e o broncodilatador, indica os biológicos quando necessário e orienta o controle de gatilhos. Esse acompanhamento é o que protege contra crises e contra a perda de função pulmonar ao longo do tempo. Se você tem asma, ou suspeita de asma, ou convive com tosse persistente, o passo certo é uma consulta com esse especialista.
Nossa clínica é de medicina da dor, fisiatria e acupuntura médica, e não conduz o tratamento da asma. Situamos a acupuntura no seu devido lugar: um possível recurso adjuvante para componentes de ansiedade, tensão muscular e dor, sempre somado ao tratamento conduzido por quem cuida da doença respiratória. A acupuntura médica que praticamos tem evidência reconhecida em outras indicações, sobretudo em dor crônica, como se discute na página sobre se a acupuntura funciona. O mesmo critério sobre o que a técnica faz e não faz vale aqui.
Pneumologia / alergologia
Diagnóstico, função pulmonar, corticoide inalatório, broncodilatador, biológicos e controle de gatilhos. É quem trata e controla a asma.
Acupuntura médica
Auxílio adjuvante sobre sintomas, inflamação e qualidade de vida, somado ao tratamento, como mostrou o estudo da nossa equipe.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
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Perguntas frequentes
A acupuntura cura ou controla a asma?
Sozinha, não controla a asma. Mas pode ajudar como complemento: um estudo da nossa equipe (Clinics, 2015) mostrou melhora de sintomas, pico de fluxo e do perfil inflamatório das vias aéreas com a acupuntura somada ao tratamento. Ela não substitui o corticoide inalatório, o broncodilatador ou o plano do pneumologista, e a medicação não deve ser interrompida por conta própria.
Existem pontos de acupuntura para tosse alérgica?
A tosse persistente precisa, antes de tudo, de diagnóstico, porque pode vir de asma, rinite, refluxo ou infecção, cada uma com tratamento próprio. Dentro do plano, a acupuntura pode entrar como adjuvante, mas não substitui essa investigação nem o tratamento da causa.
Posso parar a bombinha ou o corticoide se fizer acupuntura?
Não. Interromper ou reduzir a medicação da asma por conta própria aumenta o risco de crise grave, que pode ser fatal. A asma mantém inflamação das vias aéreas mesmo sem sintoma diário. Qualquer ajuste de dose é decisão exclusiva do médico que acompanha a sua asma.
A acupuntura ajuda na asma noturna ou na falta de ar?
A asma noturna e a falta de ar mal controladas indicam que o tratamento de base precisa ser revisto pelo pneumologista. Como adjuvante, a acupuntura pode ajudar com os sintomas, a tensão e a ansiedade associadas, somada ao tratamento; a medicação de base é mantida.
O que faço numa crise de asma?
Crise de asma é emergência. Use o broncodilatador de resgate conforme a orientação do seu médico e procure atendimento de urgência, sobretudo se houver falta de ar intensa, dificuldade para falar, lábios arroxeados ou ausência de melhora após o resgate. A acupuntura não tem qualquer papel no manejo da crise aguda.
Então a acupuntura serve para alguma coisa na asma?
Sim, como adjuvante. Somada ao tratamento, pode ajudar nos sintomas, no pico de fluxo, no perfil inflamatório e na qualidade de vida, como mostrou o estudo da nossa equipe, além de auxiliar na ansiedade e no desconforto. A decisão é compartilhada com o médico que cuida da asma, com a medicação de base mantida.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Pai HJ, Azevedo RS, Braga ALF, Martins LC, Saraiva-Romanholo BM, Martins MA, Lin CA. A randomized, controlled, crossover study in patients with mild and moderate asthma undergoing treatment with traditional Chinese acupuncture. Clinics (São Paulo). 2015;70(10):663-669. acessar
- McCarney RW, Brinkhaus B, Lasserson TJ, Linde K. Acupuncture for chronic asthma. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2004;(1):CD000008. acessar
- Wang & Jin. Acupuntura para Asma: Como Funciona e Quais os Benefícios. Journal of Asthma and Allergy. 2024. ver resumo
- Jiang et al. Acupuntura pode reduzir inflamação na doença pulmonar obstrutiva crônica por meio de múltiplas vias biológicas. Journal of Integrative Medicine. 2023. ver resumo
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual nem o tratamento da asma. A acupuntura entra como complemento, somada ao corticoide inalatório, ao broncodilatador e ao plano definido pelo pneumologista, e não no lugar deles. Não interrompa nem altere qualquer medicamento por conta própria; isso é decisão do médico assistente. Em caso de crise, procure atendimento de urgência.
