Analgésicos para dores de cabeça
Para a maioria das crises comuns, o remédio mais seguro é um analgésico simples ou anti-inflamatório, tomado cedo e em poucos dias por mês. Não existe um único melhor remédio, e usar quase todo dia é o erro mais perigoso.
- Para dor de cabeça comum, o analgésico de primeira linha costuma ser paracetamol ou dipirona; em crise de enxaqueca, um anti-inflamatório (como ibuprofeno ou naproxeno) ou um triptano costuma funcionar melhor. Não há um único “melhor remédio para dor de cabeça”.
- O analgésico funciona melhor quando tomado cedo na crise e na dose adequada. Atrasar a dose, em geral, reduz o efeito.
- Usar analgésico em 10 a 15 dias por mês ou mais pode transformar a dor episódica em cefaleia por uso excessivo de medicamentos: o remédio passa a manter a dor. Dor de cabeça frequente é sinal para investigar a causa, não para aumentar a dose.
- Doses, escolhas e combinações de analgésico para dor de cabeça são definidas pelo médico assistente, conforme o tipo de cefaleia, as doenças associadas e os outros remédios em uso.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
- 10 a 15dias de analgésico por mês: limite a partir do qual cresce o risco de dor por uso excessivo
- < 2 diaspor semana é o teto prático de uso seguro de analgésico para a maioria das pessoas
- 0papel da cefalexina e de outros antibióticos no tratamento da dor de cabeça comum
- 30 a 60 mintempo para o analgésico oral começar a agir; tomar cedo costuma render mais
O que faz um analgésico e qual escolher
Um analgésico é um remédio cuja função é reduzir a dor. Para a dor de cabeça, ele alivia a crise, mas não corrige a causa de uma dor que se repete. Por isso a primeira pergunta não é “qual o analgésico mais forte?”, e sim “que tipo de dor de cabeça é esta?”.
As cefaleias mais comuns têm respostas diferentes ao analgésico. A cefaleia tensional, aquela dor em aperto, como uma faixa ao redor da cabeça, costuma ceder a um analgésico simples. A enxaqueca, com dor pulsátil, em geral de um lado, acompanhada de náusea e incômodo com luz e som, responde melhor a um anti-inflamatório ou a um medicamento específico, o triptano.
Já dores de cabeça raras, como a cefaleia em salvas, têm tratamento próprio e não respondem ao analgésico comum. Escolher o remédio para dor de cabeça começa, portanto, pelo diagnóstico, detalhado na nossa página sobre tipos de dor de cabeça.
Há ainda três princípios que valem para quase todo analgésico de dor de cabeça e que mudam o resultado mais do que a marca escolhida:
Cedo, dose cheia, poucos dias
Tomar logo no início da crise, na dose adequada para o seu caso, e reservar o analgésico para os dias de dor de verdade. Hidratar-se e descansar somam ao efeito.
Dose tarde e uso diário
Esperar a dor ficar forte para tomar, subdosar, e usar analgésico quase todo dia. O uso frequente é o caminho mais rápido para a dor virar crônica.
“Cefalexina serve para dor de cabeça, é um remédio forte que tenho em casa.”
Cefalexina é um antibiótico, indicado para infecções bacterianas. Não tem ação analgésica e não trata dor de cabeça comum. Tomar antibiótico sem indicação não alivia a cefaleia e expõe a efeitos adversos e à resistência bacteriana.
As classes de analgésico para dor de cabeça
A seguir, as principais classes pelo nome do princípio ativo (a substância, e não a marca). Conhecer a classe ajuda a entender por que dois remédios “diferentes” às vezes são a mesma coisa, e por que combinar produtos sem orientação pode levar a doses repetidas do mesmo princípio.
Paracetamol (acetaminofeno)
É o analgésico e antitérmico de primeira escolha para dor leve a moderada, inclusive a cefaleia tensional, por ter bom perfil de segurança gástrica e poder ser usado em muitas situações em que o anti-inflamatório é contraindicado. O ponto de atenção é o fígado: doses elevadas ou uso somado a outros produtos que também contêm paracetamol (muitos remédios de gripe e combinações o trazem) podem causar lesão hepática grave. Quem consome álcool com frequência ou tem doença do fígado precisa de cautela redobrada. Respeitar a dose diária máxima orientada pelo médico é essencial.
Dipirona (metamizol)
Muito usada no Brasil como analgésico e antitérmico para dor leve a moderada, costuma ser eficaz na cefaleia tensional e em crises de enxaqueca leves. Tem boa tolerância gástrica. O efeito adverso raro, porém sério, é a agranulocitose (queda acentuada de um tipo de glóbulo branco), que exige procurar atendimento diante de febre alta, dor de garganta intensa ou feridas na boca durante o uso. Pode também baixar a pressão, sobretudo por via injetável.
Anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, naproxeno, cetoprofeno, diclofenaco, nimesulida)
Os anti-inflamatórios não esteroidais costumam ser a melhor opção isolada para a crise de enxaqueca e também aliviam a cefaleia tensional. Agem reduzindo a produção de prostaglandinas, mediadores ligados à dor e à inflamação. São eficazes, mas têm riscos relevantes com o uso repetido: irritação e sangramento gástrico, elevação da pressão arterial, retenção de líquido e sobrecarga dos rins, além de risco cardiovascular com uso prolongado.
Devem ser evitados ou usados com muita cautela em quem tem doença renal, úlcera, hipertensão mal controlada, insuficiência cardíaca, ou na gestação, sobretudo no terceiro trimestre. Tratamos a classe em detalhe no guia de remédios para dor.
Cafeína (como adjuvante)
A cafeína não é um analgésico por si só, mas, associada ao paracetamol, à dipirona ou a um anti-inflamatório, pode potencializar o alívio em algumas pessoas, razão pela qual aparece em várias combinações de farmácia para dor de cabeça. O reverso é importante: a própria cafeína em excesso, e a sua retirada abrupta, podem desencadear dor de cabeça, e produtos com cafeína estão entre os mais associados à cefaleia por uso excessivo. Em pessoas com dor frequente, o uso diário de combinações com cafeína costuma ser desaconselhado.
Triptanos (sumatriptana, naratriptana, zolmitriptana e outros)
Os triptanos não são analgésicos comuns: são medicamentos específicos para a crise de enxaqueca. Atuam em receptores de serotonina, contraindo vasos cranianos dilatados e reduzindo a liberação de neuropeptídeos inflamatórios. Funcionam melhor quando tomados no início da crise.
São contraindicados em quem tem doença coronariana, AVC prévio, hipertensão não controlada ou certos quadros vasculares, e exigem prescrição. Não servem para a dor de cabeça comum do dia a dia, e seu uso também precisa ser limitado em dias por mês.
Antieméticos como adjuvantes (metoclopramida, bromoprida, domperidona)
Os antieméticos não são analgésicos, mas têm papel definido na crise de enxaqueca, em que a náusea é frequente. A metoclopramida faz duas coisas úteis: controla a náusea e o vômito e, por acelerar o esvaziamento gástrico, melhora a absorção do analgésico ou do triptano tomado por via oral, justamente quando a crise reduz a motilidade do estômago e prejudica o efeito do remédio. A bromoprida e a domperidona têm uso semelhante para a náusea.
O ponto de atenção da metoclopramida e da bromoprida são os efeitos extrapiramidais (movimentos involuntários, inquietação), mais comuns em jovens e com doses repetidas, o que limita o uso continuado. São adjuvantes do tratamento da crise, escolhidos pelo médico, e não um remédio para a dor de cabeça em si.
Opioides fracos: codeína e tramadol
A codeína (frequente em combinação com paracetamol) e o tramadol são opioides usados em dor moderada a intensa. Para dor de cabeça, porém, não são a escolha recomendada. Aliviam pouco em relação ao risco, causam sonolência, náusea, constipação e dependência, e estão fortemente associados à cefaleia por uso excessivo e à cronificação da dor. Respondendo a uma busca comum (“codeína 30mg para que serve”, ou codeina 30mg): é uma dose de codeína usada em algumas combinações para dor, mas, na dor de cabeça, opioide é exceção, sob prescrição e por tempo curto, jamais como remédio de prateleira para crises repetidas.
O “melhor remédio para dor de cabeça” não é o mais forte, e sim o mais adequado ao seu tipo de dor, usado cedo, na dose certa e em poucos dias por mês. Para a maioria, isso significa paracetamol, dipirona ou um anti-inflamatório, não opioide nem antibiótico.
Comparativo rápido das classes
A tabela resume para que cada classe costuma servir e o principal cuidado. As escolhas mudam conforme as suas doenças e os outros remédios em uso.
| Classe (princípio ativo) | Quando costuma ajudar | Principal cuidado |
|---|---|---|
| Paracetamol | Cefaleia tensional; dor leve a moderada; quando o anti-inflamatório é contraindicado | Toxicidade hepática em dose alta ou somada a outros produtos com paracetamol |
| Dipirona | Cefaleia tensional; enxaqueca leve; febre associada | Risco raro de agranulocitose; pode baixar a pressão |
| Anti-inflamatórios | Crise de enxaqueca; cefaleia tensional moderada | Estômago, rins, pressão e risco cardiovascular; evitar na gestação tardia |
| Cafeína (adjuvante) | Potencializa o analgésico em algumas combinações | Excesso e retirada causam dor; alto risco de uso excessivo |
| Triptanos | Crise de enxaqueca, tomados cedo | Contraindicados em doença cardiovascular; exigem prescrição |
| Antieméticos (metoclopramida) | Náusea na crise; melhoram a absorção do abortivo oral | Adjuvantes, não analgésicos; risco de efeitos extrapiramidais |
| Opioides (codeína, tramadol) | Raramente indicados na dor de cabeça | Dependência, sonolência e cefaleia por uso excessivo; só sob prescrição |
| Antibióticos (ex.: cefalexina) | Não tratam dor de cabeça comum | Sem ação analgésica; usar antibiótico sem indicação é prejudicial |
Repare em um detalhe prático: muitos produtos de prateleira são combinações (por exemplo, analgésico mais cafeína, ou paracetamol mais codeína e cafeína). Sem orientação, é fácil tomar o mesmo princípio ativo em mais de um remédio ao mesmo tempo, ou abusar da combinação dia após dia. Esse é justamente o terreno da cefaleia por uso excessivo de medicamentos, o tema da próxima seção.
O analgésico que vira o problema: cefaleia por uso excessivo
Aqui está o ponto mais importante de toda a página, e o que diferencia o conselho de um médico da dor da simples recomendação de “tome um analgésico”. Quando a dor de cabeça é frequente e a pessoa passa a tomar analgésico em muitos dias do mês, o próprio remédio pode perpetuar e até intensificar a dor. É a chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos (antes chamada de cefaleia de rebote).
O limite prático é conhecido: o risco cresce quando se usam analgésicos simples ou anti-inflamatórios em 15 dias ou mais por mês, ou triptanos, opioides e combinações (sobretudo com cafeína ou codeína) em 10 dias ou mais por mês, por mais de três meses. O quadro típico é o de alguém que toma comprimido quase todo dia, sente alívio parcial e breve, e acorda com dor de cabeça já no início da manhã, num ciclo que se retroalimenta. A solução não é trocar por um analgésico mais forte: costuma exigir, com acompanhamento médico, a retirada planejada do remédio em excesso e a introdução de um tratamento preventivo e não medicamentoso da causa.
Se você precisa de analgésico para dor de cabeça em mais de dois dias por semana, de forma constante, isso já é um sinal para procurar avaliação, antes que o remédio passe a manter a dor. Detalhamos o quadro na página sobre cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
Algumas observações recorrentes no consultório, úteis para reconhecer o problema antes que ele se instale:
Quem chega com cefaleia por uso excessivo quase nunca se vê como alguém que “toma muito remédio”. A frase comum é “só tomo quando dói”, e dói todo dia, então o comprimido também é diário, sem a pessoa perceber o padrão. É por isso que a primeira pergunta da consulta não é qual remédio você usa, e sim em quantos dias do mês você usa algum.
O que mais surpreende o paciente é a inversão de lógica: aceitar passar alguns dias com a dor sem remédio, durante a retirada planejada, para que a cabeça volte a responder. Depois de meses tomando analgésico todo dia, “ficar sem” soa contraintuitivo, e a piora inicial precisa ser avisada para que ninguém desista no meio.
Os produtos que mais aparecem nessa armadilha costumam ser as combinações de prateleira com cafeína e as que trazem codeína, justamente os que parecem mais “fortes” e funcionam por menos tempo, puxando para a dose seguinte mais cedo.
Quase toda lista de “melhor remédio para dor de cabeça” foca em qual comprimido escolher e ignora a variável que mais decide o desfecho: a frequência. Um analgésico mediano usado em poucos dias por mês protege mais a sua cabeça do que o analgésico “ideal” usado quase todo dia, porque é o número de dias de uso, e não a potência da molécula, que dispara a cefaleia por uso excessivo. Na prática, o paciente que melhora costuma ser o que conseguiu reduzir os dias de remédio, mesmo mantendo o mesmo analgésico simples de sempre.
É por isso que a frase “qual o melhor remédio para dor de cabeça?” muda de sentido quando a dor é diária. Nesse cenário, o melhor remédio não é nenhum analgésico de crise: é o diagnóstico correto do tipo de cefaleia e um plano de prevenção, que pode incluir medicação preventiva (decidida pelo médico) e, com destaque, as terapias não medicamentosas que tratam o gatilho muscular e a sensibilização da dor.
Além do comprimido: o tratamento da dor de cabeça que se repete
O analgésico resolve a crise de hoje. Quem tem dor de cabeça frequente precisa de algo que reduza o número e a intensidade das crises, para depender menos de remédio. Esse é o foco do tratamento multimodal e não cirúrgico que conduzimos na clínica: técnicas que atuam sobre a musculatura tensa do crânio, do pescoço e da face, sobre os pontos-gatilho miofasciais que disparam e mantêm a dor, e sobre os sistemas que modulam a dor no sistema nervoso. Boa parte das cefaleias tensionais e uma parcela das enxaquecas têm forte componente cervical e miofascial, exatamente o terreno em que essas terapias agem.
Diagnóstico e diário da dor
Definir o tipo de cefaleia, identificar gatilhos e contar os dias de dor e de uso de analgésico; é o que orienta todo o resto.
Crise bem tratada, uso limitado
Analgésico adequado ao tipo de dor, tomado cedo e em poucos dias por mês, evitando o uso excessivo.
Terapias não medicamentosas
Acupuntura, agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho para o componente miofascial cervical.
Prevenção e casos refratários
Medicação preventiva quando indicada e, em quadros selecionados, toxina botulínica, sempre com reavaliação por metas.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
Modulam a dor por mecanismos centrais: ativação de vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e liberação de opioides endógenos, com redução da excitabilidade dos circuitos da dor. Na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. Há evidência de boa qualidade para a profilaxia da enxaqueca e da cefaleia tensional, com recomendação em diretrizes como opção para reduzir a frequência das crises e a necessidade de analgésico. No contexto desta página, esse é o ponto que importa: o objetivo da acupuntura aqui não é cortar a crise de hoje, é diminuir quantos dias de dor o paciente terá no mês e, com isso, reduzir a quantos comprimidos ele precisa recorrer.
Para enxaqueca e cefaleia tensional o ciclo costuma ser de oito a doze sessões semanais, e a leitura de sucesso é feita no diário da dor: caem os dias de cefaleia e cai o número de analgésicos por mês. Na clínica, a acupuntura médica é ato médico, conduzida por fisiatras e acupunturiatras, o que permite combiná-la com a revisão da medicação de crise e da prevenção na mesma consulta, em vez de tratar a dor de cabeça como um problema só de comprimido.
Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho
A musculatura do trapézio superior, dos suboccipitais, do temporal e do masseter costuma abrigar pontos-gatilho que referem dor para a cabeça: o suboccipital projeta dor para a região da nuca e da têmpora, o trapézio superior costuma reproduzir a dor lateral da cabeça, e o temporal e o masseter alimentam a dor que muita gente confunde com problema de vista ou de mandíbula. Esses pontos participam tanto da cefaleia tensional quanto de boa parte das enxaquecas. No agulhamento seco, a agulha busca exatamente essa banda tensa para reproduzir a dor referida do paciente e provocar a resposta de contração local, reduzindo a atividade elétrica espontânea da placa motora; quando se acerta o ponto que reproduz a dor de cabeça habitual, o alívio costuma vir junto. Quando o ponto é resistente, a infiltração com anestésico local (ou soro fisiológico) interrompe o ciclo dor-espasmo-dor.
Depois da sessão é comum a cabeça doer um pouco mais por um a dois dias antes de melhorar. O alívio sustentado aparece ao longo das sessões, não em uma única aplicação, e a meta é reduzir a frequência das crises de cabeça.
Toxina botulínica para casos refratários
Reservada a quadros selecionados, com destaque para a enxaqueca crônica (dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês), em que a toxina botulínica tipo A tem indicação e protocolo estabelecidos. Ela bloqueia a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e reduz a liberação periférica de neuropeptídeos nociceptivos (como CGRP, substância P e glutamato), com efeito antinociceptivo que vai além do relaxamento muscular. Não é primeira linha, não trata a crise aguda e não se aplica à dor de cabeça comum esporádica. O efeito começa em 2 a 4 semanas e dura cerca de três a quatro meses, com benefício cumulativo entre ciclos.
Medicação preventiva, papel definido pelo médico
Diferente do analgésico de crise, a medicação preventiva é tomada todos os dias para reduzir a frequência das crises em quem tem dor de cabeça frequente. As classes mais usadas incluem certos betabloqueadores, alguns antidepressivos em dose baixa (como amitriptilina), determinados anticonvulsivantes (como topiramato) e, na enxaqueca, opções mais recentes voltadas ao CGRP. A indicação, a escolha e a dose são sempre do médico, com atenção a outras doenças e medicamentos. O objetivo é claro: menos crises significam menos analgésico e menor risco de cronificação.
Reabilitação, postura e gatilhos
Fechando o plano, a abordagem ativa: correção de postura e ergonomia (sobretudo do uso de tela e celular), exercício regular, sono de qualidade, hidratação, manejo do estresse e identificação dos gatilhos individuais por meio do diário da dor. Essas medidas reduzem a base de tensão muscular cervical e a sensibilização que sustentam boa parte das dores de cabeça, e potencializam o efeito de todas as outras técnicas.
Mapear e organizar
Iniciar o diário da dor, ajustar o tratamento da crise, limitar o uso de analgésico e tratar pontos-gatilho ativos.
Reduzir a frequência
Ciclo de acupuntura ou eletroacupuntura e terapias adjuvantes; introdução de prevenção quando indicada. A frequência das crises costuma começar a cair.
Reavaliar por metas
Comparar os dias de dor e de analgésico com o início; ajustar o plano. Sem a resposta esperada, rever o diagnóstico.
Medimos os dias de dor por mês, os dias de uso de analgésico e a intensidade numa escala de 0 a 10, além do impacto na rotina. A meta é reduzir a dor e a dependência de medicação a um nível que não limite a vida. O panorama completo do tratamento da enxaqueca está no guia de enxaqueca.
Sinais de alerta: quando não é hora de analgésico
A maioria das dores de cabeça é benigna, mas alguns sinais indicam que a conduta não é tomar um remédio e esperar, e sim procurar avaliação sem demora. Procure atendimento, e não um analgésico, se notar qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Dor de cabeça súbita e explosiva, a “pior dor da vida”, que chega ao máximo em segundos a minutos.
- Dor de cabeça com febre alta e rigidez de nuca, ou com confusão mental e sonolência.
- Dor acompanhada de fraqueza, dormência, alteração da fala, da visão ou perda de equilíbrio.
- Dor de cabeça nova após os 50 anos, ou após trauma na cabeça.
- Dor de cabeça que piora de forma progressiva ao longo de dias ou semanas, ou que acorda à noite.
- Dor em pessoa com câncer, imunossupressão, gravidez ou uso de anticoagulante.
Cada item aponta para uma causa que muda a urgência: dor explosiva pode sugerir sangramento; febre com rigidez de nuca levanta infecção do sistema nervoso; déficit neurológico pede investigação imediata. Nessas situações, o analgésico apenas mascara o problema. Diante de qualquer um desses sinais, sobretudo a dor súbita e intensa com sintomas neurológicos, a conduta é buscar emergência, acionando o SAMU 192 se necessário.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Qual o melhor remédio para dor de cabeça?
Não existe um único melhor remédio para dor de cabeça (melhor remedio para dor de cabeça), porque depende do tipo de cefaleia. Para a dor tensional comum, costuma-se começar por um analgésico simples, como paracetamol ou dipirona. Para a crise de enxaqueca, um anti-inflamatório (como ibuprofeno ou naproxeno) ou um triptano tende a funcionar melhor. O remédio rende mais quando tomado cedo, na dose certa, e em poucos dias por mês. Como o melhor analgésico varia, a escolha é definida pelo médico assistente.
O que é um analgésico, e qual o melhor analgésico para dor de cabeça?
Analgésico é o remédio cuja função é reduzir a dor. Para dor de cabeça, os mais usados são paracetamol, dipirona e os anti-inflamatórios. O melhor analgésico para o seu caso depende do tipo de dor, das suas doenças e dos outros remédios em uso. Opioides como a codeína não são recomendados para dor de cabeça de rotina, e antibióticos não têm efeito analgésico.
Cefalexina serve para dor de cabeça?
Não. A cefalexina é um antibiótico, indicado para infecções bacterianas, e não tem ação analgésica. Ela não trata dor de cabeça comum. Tomar antibiótico sem indicação não alivia a cefaleia, expõe a efeitos adversos e contribui para a resistência bacteriana. Para dor de cabeça, o caminho é o analgésico adequado ao tipo de dor, sempre com orientação médica.
Codeína 30mg serve para dor de cabeça? Para que serve a codeína?
A codeína é um opioide fraco usado em dor moderada a intensa, às vezes em combinação com paracetamol. Para dor de cabeça, porém, não é a escolha recomendada: alivia pouco em relação ao risco, causa sonolência, constipação e dependência, e está fortemente associada à cefaleia por uso excessivo de medicamentos. O uso de opioide na dor de cabeça é exceção, sob prescrição e por tempo curto, nunca como remédio de prateleira para crises repetidas.
Tomo analgésico para dor de cabeça quase todo dia. Tem problema?
Sim, é um sinal de alerta. Usar analgésico em muitos dias do mês (em geral 10 a 15 dias ou mais) pode causar cefaleia por uso excessivo de medicamentos, em que o próprio remédio passa a manter e até intensificar a dor. A solução não é um analgésico mais forte, e sim procurar avaliação para diagnosticar a causa, retirar o medicamento em excesso de forma planejada e iniciar um tratamento preventivo. Veja a página sobre uso excessivo de analgésicos.
Posso combinar dois analgésicos para dor de cabeça?
Apenas com orientação médica. Muitos produtos de farmácia já são combinações, e é fácil tomar o mesmo princípio ativo (por exemplo, paracetamol) em mais de um remédio ao mesmo tempo, aumentando o risco de toxicidade. Combinar anti-inflamatórios entre si soma os riscos para estômago, rins e pressão. A combinação certa, quando indicada, é definida pelo médico.
Referências3 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Ailani J, Burch RC, Robbins MS. The American Headache Society Consensus Statement: Update on integrating new migraine treatments into clinical practice. Headache. 2021;61(7):1021-1039. acessar
- Stephens G, Derry S, Moore RA. Paracetamol (acetaminophen) for acute treatment of episodic tension-type headache in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2016;2016(6):CD011889. acessar
- Chiang CC, Schwedt TJ, Wang SJ, Dodick DW. Treatment of medication-overuse headache: A systematic review. Cephalalgia. 2016;36(4):371-386. acessar
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Iniciar, trocar ou suspender qualquer medicação para dor de cabeça, inclusive a preventiva, deve ser feito exclusivamente pelo médico assistente.
