A dor localizada no lado direito do abdômen, logo abaixo da caixa torácica (hipocôndrio direito), é uma queixa frequente entre corredores. Clinicamente denominada Dor Abdominal Transitória Relacionada ao Exercício (ETAP), ou popularmente “pontada do corredor”, ela geralmente não indica doença grave, mas sim uma resposta fisiológica do organismo ao esforço.
Trata-se de um desconforto em “costura” ou “faca” que surge tipicamente durante atividades de impacto como a corrida, especialmente em iniciantes ou após aumento abrupto de intensidade. Embora seja benigna na maioria dos casos, quando recorrente ou intensa, requer avaliação médica para exclusão de patologias como cálculos biliares, hérnia de hiato ou alterações diafragmáticas.
O mecanismo da dor
🧠 Entenda o Mecanismo da Dor
Clique para ver como o ligamento freno-hepático causa a dor na corrida:
Estado de Repouso
O diafragma (músculo respiratório) e o fígado movem-se harmonicamente. O ligamento freno-hepático, uma estrutura fibrosa que os une, está relaxado, sem tração.
A ETAP ocorre devido à interação complexa entre fatores mecânicos e circulatórios. Anatomicamente, o fígado está preso ao diafragma pelo ligamento freno-hepático. Durante a corrida, especialmente com a respiração rápida e superficial, o diafragma sobe para permitir a inspiração exatamente quando o impacto do pé no solo faz o fígado descender. Este movimento oposto estica o ligamento, causando dor.
Paralelamente, ocorre uma redistribuição sanguínea: o sangue é desviado do tronco para os músculos periféricos (pernas e braços), reduzindo o aporte de oxigênio ao diafragma (isquemia transitória). A combinação da tração mecânica com a hipóxia muscular resulta no espasmo doloroso característico.
Fatores predisponentes incluem:
1. Carga digestiva inadequada: Alimentos sólidos, especialmente ricos em gordura ou fibras, e bebidas hiperconcentradas em açúcar ou muito geladas distendem o estômago e intestino, empurrando o fígado contra o diafragma e aumentando a tração.
2. Hiperventilação descoordenada: Respirar de forma rápida e superficial (torácica) sem sincronia com a passada aumenta a frequência de tração do ligamento.
3. Descondicionamento do core: Músculos abdominais e diafragma não adaptados ao esforço contraem de forma desordenada, piorando o desconforto.
4. Alterações posturais: Exageros na curva lombar (hiperlordose) ou rotações torácicas aumentam a pressão intra-abdominal e modificam o posicionamento do fígado.
Principais causas e fatores de risco
Fatores mecânicos e circulatórios
Início abrupto da atividade: Acelerar rapidamente sem aquecimento adequado impõe mudanças bruscas na demanda de oxigênio do diafragma. O músculo respiratório não se adapta à nova frequência contrátil imediatamente, resultando em hipóxia local e espasmo.
Respiração torácica inadequada: Utilizar apenas os músculos acessórios do pescoço e peito, sem ativar o diafragma, aumenta a tensão na cúpula diafragmática. A falta de coordenação entre a passada (ciclo de corrida) e o ciclo respiratório — como expirar sempre no mesmo pé — concentra o impacto no momento de máxima tração do ligamento.
Fatores digestivos e metabólicos
Ingestão prévia inadequada: Consumir alimentos sólidos 1-2 horas antes da corrida mantém o estômago distendido, elevando o fígado e tensionando o ligamento freno-hepático. Bebidas hiperosmolarizadas (sucos concentrados, refrigerantes) ou muito geladas retardam o esvaziamento gástrico e podem irritar o nervo frênico.
Desidratação ou hipoglicemia: Embora menos comuns, distúrbios eletrolíticos podem predispor a cãibras do diafragma e músculos intercostais.
Fatores posturais e estruturais
Desalinhamentos vertebrais: Hipercifose torácica ou hiperlordose lombar alteram a biomecânica diafragmática. Rotações da coluna torácica comprimem o espaço costo-diafragmático.
Fraqueza do core: Ausência de estabilidade do tronco faz com que o diafragma trabalhe também como estabilizador postural, sobrecarregando-o além da função respiratória.
Condições médicas subjacentes (menos comuns)
Quando a dor é persistente, surge em repouso ou não cessa com a interrupção do exercício, deve-se investigar patologias do trato gastrointestinal superior (refluxo gastroesofágico, gastrite, úlcera péptica) ou hepatobiliar (cálculos na vesícula, esteatose hepática). Alterações diafragmáticas, como hérnias de hiato pequenas, podem se manifestar apenas durante o esforço físico intenso.
Quando suspeitar de patologia: Se a dor durar mais de 30 minutos após parar de correr, estiver associada a náuseas intensas, vômitos, febre, icterícia (amarelamento da pele) ou irradiação para o ombro esquerdo (diferente do padrão típico do lado direito).
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da ETAP é essencialmente clínico, baseado na história característica: dor em pontada no hipocôndrio direito durante o exercício, que cessa com a redução da intensidade ou repouso. O médico realizará exame físico completo, palpando a região subcostal para identificar pontos de tensão muscular (músculos intercostais e diafragma).
Quando os sintomas são atípicos ou recorrentes, exames complementares são solicitados para exclusão diagnóstica:
- Ultrassonografia abdominal: Visualiza cálculos biliares, alterações no fígado ou líquido livre.
- Endoscopia digestiva alta: Investiga refluxo, gastrites ou úlceras se houver sintomas digestivos associados.
- Hemograma e bioquímica: Enzimas hepáticas (TGO, TGP), amilase e lipase (pâncreas), e função renal.
- Eletrocardiograma: Em casos selecionados, para descartar origem cardíaca quando a dor irradia para o braço.
Na Clínica Dr. Hong Jin Pai, oferecemos avaliação multidisciplinar com médicos especialistas em Dor e Fisiologia do Exercício, utilizando avaliação postural detalhada e análise da biomecânica respiratória para diferenciar a ETAP de outras causas.
Al. Jau 687 – Jardim Paulista, São Paulo/SP
Equipe do Grupo de Dor da Neurologia e Ortopedia – HC-FMUSP
Agendar avaliação: (11) 99160-4480
🔍 Diagnóstico Diferencial Interativo
Responda para entender se é ETAP (benigna) ou se precisa de avaliação médica:
Características dos sintomas
A dor da ETAP apresenta características distintivas que a diferenciam de outras condições:
Qualidade da dor: Descrita como “pontada”, “costura”, “faca” ou “corte”. Não é uma dor em peso, queimação ou cólica difusa.
Localização: Em 70% dos casos, afeta o hipocôndrio direito (embaixo das costelas do lado direito), devido à posição do fígado. Pode ocorrer no lado esquerdo (baço) ou central (epigástrio), mas menos frequentemente.
Irradiação: Pode irradiar para o ombro direito (via nervo frênico) ou para a região lombar.
Intensidade: Varia de moderada a severa, suficiente para forçar a redução do ritmo ou interrupção da atividade.
Sintomas associados: Sensação de falta de ar superficial, espasmos visíveis ou palpáveis na musculatura intercostal, e ocasionalmente náuseas leves (raramente vômitos).
Evolução temporal: Instalação gradual nos primeiros 10-15 minutos de exercício intenso, piora com a manutenção do ritmo, e resolução completa em 2-5 minutos após redução da intensidade ou repouso.
O que fazer imediatamente: Reduza drasticamente o ritmo (trote leve ou caminhada), nunca pare abruptamente do esforço máximo para repouso completo, pois a mudança brusca pode piorar o espasmo.
🏃 Protocolo de Alívio Imediato (Stop-Press-Breathe)
Siga estes passos durante a corrida quando sentir a pontada:
Reduza para trote leve ou caminhada rápida. Não pare abruptamente do sprint para repouso zero.
Com os dedos, pressione firmemente a região dolorosa abaixo das costelas (direita) durante a expiração. Mantenha por 10-20 segundos.
Faça uma inspiração profunda pelo nariz, prenda o ar por 3-5 segundos (isso estica o diafragma), expire lentamente pela boca com os lábios semi-fechados.
Eleve os braços acima da cabeça e incline o tronco para o lado oposto da dor (esquerdo) alongando o espaço intercostal direito. Caminhe enquanto alonga.
Se a dor for frequente ou não aliviar com estas medidas, existe tratamento especializado.
Clínica Dr. Hong Jin Pai – (11) 99160-4480Opções de tratamento
Quando a dor é recorrente ou interfere no rendimento atlético, o tratamento vai além das medidas imediatas. Na Clínica Dr. Hong Jin Pai, oferecemos abordagem multidisciplinar personalizada:
Tratamentos manuais e físicos
Acupuntura Médica: Técnica comprovada para relaxamento do diafragma e músculos intercostais. Estimulação de pontos específicos (como Puncção do Meridiano do Fígado e Vesícula Biliar) reduz a tensão do ligamento freno-hepático e modula a dor via sistema nervoso central. Indicada para casos recorrentes ou quando há componente espástico muscular.
Dry Needling (Agulhamento Seco): Indicado para pontos-gatilho miofasciais nos músculos intercostais e diafragma. A inserção de agulhas finas promove relaxamento local, aumento da circulação sanguínea e inibição do ciclo espasmo-dor.
RPG (Reeducação Postural Global): Corrige desalinhamentos vertebrais (escoliose, hiperlordose) e alonga cadeias musculares que comprimem o diafragma. Melhora a capacidade expansiva torácica.
Pilates Terapêutico: Fortalecimento do CORE (músculos profundos do abdômen e diafragma) em salas individuais, ensinando controle respiratório dinâmico durante movimentos de impacto. Foca na sincronização respiratória com a marcha/corrida.
Terapias tecnológicas
Ondas de Choque: Aplicadas na região subcostal quando há inflamação crônica do ligamento freno-hepático ou inserções tendíneas irritadas. Estimula neovascularização e reparação tecidual.
Laser de Alta Intensidade (HILT): Efeito anti-inflamatório e analgésico profundo para o tecido conjuntivo e muscular, acelerando a recuperação entre sessões de treino.
PENS (Estimulação Elétrica Percutânea): Para casos de dor neuropática persistente, bloqueia sinais dolorosos nos nervos intercostais.
Conduta médica e orientações
O médico especialista pode prescrever relaxantes musculares de curta duração em casos agudos, além de orientar sobre nutrição pré-exercício (evitar alimentos sólidos 2-3h antes) e hidratação adequada (evitar bebidas hiperconcentradas ou geladas).
Al. Jau 687 – Jardim Paulista, São Paulo/SP
Equipe especializada do Grupo de Dor da Neurologia e Ortopedia – HC-FMUSP
Atendimento individualizado em salas privativas
Estratégias de prevenção
A prevenção da dor embaixo da costela baseia-se em três pilares: preparo digestivo adequado, condicionamento respiratório e fortalecimento do core.
Preparação digestiva e hidratação
- Aguarde 2 a 3 horas após refeições leves (4h após refeições pesadas) antes de correr.
- Evite alimentos ricos em gordura, fibras excessivas ou proteínas de difícil digestão nas 6h anteriores à corrida.
- Prefira carboidratos de absorção moderada (banana, pão branco com mel) se necessitar de energia rápida.
- Hidrate-se com água ou isotônicos diluídos; evite bebidas muito geladas ou hiperconcentradas em açúcar durante o exercício.
Técnica respiratória e ritmo
- Pratique respiração diafragmática (abdominal) e não apenas torácica superior.
- Sincronize a respiração com a passada: experimente expirar quando o pé esquerdo toca o solo (se a dor é do lado direito), reduzindo a tração no ligamento freno-hepático no momento de impacto.
- Inicie o treino gradualmente: 10-15 minutos de aquecimento em ritmo leve antes de acelerar.
- Mantenha boa postura: evite curvar-se para frente (compressão abdominal) ou hiperextender a lombar.
Fortalecimento específico
- Inclua exercícios de CORE que trabalhem o diafragma (respiração com exercícios de estabilização).
- Fortaleça os oblíquos e intercostais com rotações controladas.
- Melhore a mobilidade torácica (rotações da coluna) para permitir expansão completa sem compensações lombares.
Se apesar destas medidas a dor persistir sendo frequente, consulte nossa equipe para avaliação da biomecânica respiratória e postural.
Tratamentos não cirúrgicos: Acupuntura Médica, Dry Needling, RPG, Pilates Individual, Ondas de Choque, Laser de Alta Intensidade e PENS.
Agende: (11) 99160-4480

AL. JAÚ 687 – JARDIM PAULISTA – SÃO PAULO – SP
Clínica de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica
Clínica médica especializada localizada na região dos Jardins, próximo à Av. Paulista, em São Paulo — SP.
Centro de Dor, com médicos especialistas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Tratamento por Ondas de Choque, Infiltrações, Bloqueios anestésicos e Acupuntura Médica
Dor tem Tratamento – Centro de Dor e Acupuntura Médica em São Paulo – SP
Médicos Especialistas em Dor e Acupuntura do HC-FMUSP
Os especialistas em medicina da dor são médicos especialmente treinados e qualificados para oferecer avaliação integrada e especializada e gerenciamento da dor usando seu conhecimento único e conjunto de habilidades no contexto de uma equipe multidisciplinar.
O tratamento da dor visa reduzir a dor, abordando o impacto emocional da dor, ajudando os pacientes a se moverem melhor e aumentando o bem-estar por meio de uma variedade de tratamentos, incluindo medicamentos, fisioterapia, acupuntura, ondas de choque e procedimentos minimamente intervencionistas.
Se você está vivendo com uma dor persistente há mais de 3 meses, provavelmente está sentindo dor crônica.
Nossos médicos especialistas em controle da dor em São Paulo trabalham em estreita colaboração com outros especialistas como parte de uma equipe multidisciplinar para fornecer uma abordagem holística e um resultado ideal para a dor crônica, seja qual for a causa.
As técnicas usadas no controle da dor dependerão da natureza e gravidade da dor, mas nossos especialistas em dor têm experiência para ajudar com a dor.

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01.Tratamento conservador de dor
Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisioterapia, Infiltrações, Bloqueios Anestésicos, Toxina Botulínica. -
02.Excelência em um só lugar
A avaliação e tratamento da dor é a especialidade de nossos Médicos especialistas em Dor. -
03.Tratamento individualizado
Plano de tratamento com medicamentos, terapias minimamente invasivas e fisioterapia.
Atendemos todos os Planos de Saúde pelo Reembolso.
O reembolso ou livre escolha é uma opção de atendimento a usuários de planos de saúde que não está vinculada à rede de prestadores contratados ou cujo procedimento específico não está contratado.
Não atendemos diretamente por convênio. Nosso foco é um atendimento especializado no paciente. Assim, separamos pelo menos 60-90 minutos para consulta, exame e avaliação do paciente.
O processo na maioria das vezes é digital (pelo Smartphone, tablet ou computador) é simples. O valor reembolsado corresponde a uma tabela de valores da própria operadora e pode cobrir todo o procedimento ou parte dele. Lembrando que a parte não reembolsada pode ser abatida no imposto de renda pessoa física (IRPF).
Clínica Dr. Hong Jin Pai – Centro de Dor, Acupuntura Médica, Fisiatria e Reabilitação.
Al. Jaú 687 – São Paulo – SP
Atendimento de segunda a sábado.

