Principais causas de dor nas articulações: conheça as 6 doenças mais comuns
A dor articular pode surgir de diversas condições, desde desgaste natural até processos inflamatórios. Identificar a origem é o primeiro passo para um tratamento eficaz, que alivia a dor, restaura a mobilidade e melhora a qualidade de vida.
Este artigo detalha as seis patologias que mais frequentemente causam dor nas articulações, explicando suas características, sintomas e as principais opções de tratamento médico disponíveis.

1. Artrite Reumatoide
A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença autoimune sistêmica e crônica. Isso significa que o sistema de defesa do corpo ataca erroneamente as membranas sinoviais, um tecido fino que reveste e lubrifica as articulações, causando inflamação, dor e, com o tempo, danos à cartilagem e ao osso.
Diferente do desgaste comum, a AR geralmente se manifesta de forma simétrica (nos dois lados do corpo) e inicia-se nas pequenas articulações das mãos e dos pés, podendo depois progredir para punhos, cotovelos, joelhos e quadris.
Sintomas Característicos:
- Dor, inchaço e calor nas articulações afetadas.
- Rigidez matinal prolongada (dificuldade para movimentar as juntas ao acordar, que pode durar mais de uma hora).
- Fadiga intensa, mal-estar e, por vezes, febre baixa.
- Nódulos reumatoides (caroços firmes sob a pele, geralmente em áreas de pressão como os cotovelos).
Diagnóstico e Tratamento:
O diagnóstico é clínico e laboratorial, podendo incluir exames de sangue (como Fator Reumatoide e anti-CCP) e de imagem (raio-X, ultrassom).
O tratamento tem dois objetivos principais: controlar a inflamação (aliviar a dor e o inchaço) e modificar o curso da doença (impedir a progressão e os danos permanentes). É realizado por um médico reumatologista e pode incluir:
- Medicamentos Modificadores da Doença (DMARDs): Como o Metotrexato, são a base do tratamento, agindo no sistema imunológico.
- Agentes Biológicos: Medicamentos mais recentes que bloqueiam alvos específicos da inflamação (ex: anti-TNF, anti-IL6).
- Anti-inflamatórios e Corticoides: Usados por períodos controlados para alívio rápido dos sintomas durante crises.
O tratamento precoce e contínuo é fundamental para preservar a função das articulações e evitar deformidades.
2. Artrose (Osteoartrite)
A Artrose é a doença articular degenerativa mais comum. Trata-se do desgaste progressivo da cartilagem articular, o “amortecedor” que recobre as extremidades dos ossos dentro da articulação. Com o tempo, esse desgaste leva ao atrito direto entre os ossos, causando dor, inflamação e limitação do movimento.
Ao contrário da Artrite Reumatoide, a artrose não é uma doença inflamatória sistêmica. É um processo localizado, frequentemente associado ao envelhecimento, sobrecarga, obesidade ou traumas prévios.
Sintomas Característicos:
- Dor de caráter mecânico: Piora com o movimento e melhora com o repouso.
- Rigidez de curta duração: Após períodos de inatividade (como ao levantar-se de manhã ou de uma cadeira).
- Inchaço leve e sensibilidade ao redor da articulação.
- Crepitações ou rangidos (estalos) durante o movimento.
- Dificuldade progressiva para realizar atividades como subir escadas ou caminhar.
Diagnóstico e Tratamento:
O diagnóstico é baseado no exame clínico e confirmado por raio-X, que mostrará o estreitamento do espaço articular e a presença de osteófitos (bicos de papagaio).
O tratamento é multidisciplinar e focado no controle dos sintomas e na manutenção da função:
- Medicamentos: Analgésicos (como paracetamol) e anti-inflamatórios para controle da dor e da inflamação pontual.
- Condroprotetores: Como sulfato de glicosamina e condroitina, podem ajudar em alguns casos a retardar a progressão do desgaste.
- Infiltrações (Viscosuplementação): Injeções de ácido hialurônico dentro da articulação para lubrificar e amortecer o impacto.
- Infiltrações com Corticoides: Para alívio potente e temporário da inflamação em crises agudas.
- Controle de Peso e Exercício: Fundamental para reduzir a carga sobre as articulações e fortalecer a musculatura de suporte.
- Cirurgia: Em casos avançados, pode ser indicada a artroscopia ou a artroplastia (prótese).
Artrite Reumatoide vs. Artrose: Entenda as Diferenças
Muitas pessoas confundem essas duas causas comuns de dor articular. Esta tabela compara suas principais características.
| Característica | Artrite Reumatoide | Artrose |
|---|---|---|
| Natureza da Doença | Doença autoimune (o corpo ataca a própria articulação). | Doença degenerativa (desgaste da cartilagem). |
| Idade de Início | Qualquer idade, mais comum entre 30-50 anos. | Mais comum após os 50 anos. |
| Rigidez Matinal | Prolongada (dura mais de 1 hora). | Curta (dura menos de 30 minutos). |
| Dor | Melhora com o movimento, piora com o repouso prolongado. | Piora com o movimento e melhora com o repouso. |
| Articulações Acometidas | Mãos, punhos, pés (geralmente simétrico). | Joelhos, quadris, coluna, mãos (pontos de carga). |
| Sintomas Sistêmicos | Sim (fadiga, febre, mal-estar). | Não (dor geralmente restrita à articulação). |
3. Tendinite
A Tendinite é a inflamação de um tendão, a estrutura fibrosa que conecta o músculo ao osso, transmitindo a força do movimento. É frequentemente causada por movimentos repetitivos ou sobrecarga (esforço excessivo).
Sintomas Característicos:
- Dor localizada e pontual no trajeto do tendão, que piora com o movimento específico e à palpação.
- Inchaço leve e, às vezes, calor na região.
- Sensibilidade e possível crepitação (estalido) ao movimentar o tendão.
- Fraqueza ou dificuldade para realizar o movimento que envolve o tendão afetado.
Principais Tipos e Locais Comuns:
- Epicondilite Lateral (“Cotovelo de Tenista”): Inflamação dos tendões do cotovelo.
- Tendinite do Manguito Rotador: Afeta os tendões do ombro.
- Tendinite Patelar (“Joelho do Saltador”): No tendão abaixo da patela (rótula).
- Tendinite de Aquiles: No tendão que liga a panturrilha ao calcanhar.
Tratamento:
O tratamento é conservador na maioria dos casos e visa reduzir a inflamação e permitir a cicatrização do tendão:
- Repouso Relativo: Evitar atividades que desencadeiam a dor, sem imobilização total.
- Crioterapia: Aplicação de gelo no local por 15-20 minutos, várias vezes ao dia.
- Medicação: Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) por períodos curtos para controle da dor e inflamação.
- Infiltrações com Corticoides: Pode ser indicada pelo médico para casos mais resistentes, com aplicação precisa no local da inflamação.
- Terapias por Ondas de Choque: Tratamento não invasivo que estimula a regeneração do tecido tendíneo.
- Retorno Gradual à Atividade: Com orientação para corrigir gestos ou sobrecargas que causaram o problema.
Casos de ruptura completa do tendão podem necessitar de intervenção cirúrgica.

4. Bursite
A Bursite é a inflamação da bursa, uma pequena bolsa cheia de líquido sinovial localizada entre ossos, tendões e músculos. Sua função é reduzir o atrito e amortecer o impacto durante o movimento.
Pode ser causada por trauma direto, pressão repetitiva, movimentos excessivos ou como complicação de outras doenças (como gota ou artrite reumatoide). A bursite infecciosa (causada por bactérias) é menos comum, mas mais grave.
Sintomas Característicos:
- Dor localizada que piora com movimento ou pressão sobre a área.
- Inchaço visível e sensação de “caroço” ou “bola” de líquido.
- Vermelhidão e calor na pele sobre a bursa inflamada.
- Dificuldade e dor ao movimentar a articulação próxima.
- Em casos infecciosos: febre e mal-estar geral.
Locais Mais Comuns:
- Ombro (Bursite Subacromial): A mais frequente.
- Cotovelo (Bursite Olecraniana): Popularmente conhecida como “cotovelo de estudante”.
- Quadril (Bursite Trocanteriana): Causa dor lateral no quadril.
- Joelho (Bursite Pré-Patelar): Conhecida como “joelho da empregada”.
Tratamento:
O tratamento depende da causa (infecciosa ou não-infecciosa).
- Bursite Não-Infecciosa:
- Repouso e proteção da área.
- Gelo e elevação do membro.
- Anti-inflamatórios.
- Infiltração com Corticoides: Muito eficaz para alívio rápido da inflamação quando a bursite é estéril.
- Drenagem (aspiração) do líquido acumulado, se necessário.
- Bursite Infecciosa: Requer tratamento médico urgente com antibioticoterapia (oral ou intravenosa) e, muitas vezes, drenagem cirúrgica do pus.
A maioria dos casos de bursite não-infecciosa responde bem ao tratamento em poucos dias ou semanas.
Tendinite e Bursite: Estruturas Afetadas
Embora ambas causem dor ao redor das articulações, afetam estruturas diferentes. Clique nos botões para visualizar.
5. Fibromialgia
A Fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada, caracterizada por uma hipersensibilidade do sistema nervoso central à dor (chamada de sensibilização central). Não é uma doença articular propriamente dita, mas causa dor difusa que frequentemente é sentida nas regiões das articulações e músculos.
Sintomas Característicos (além da dor):
- Dor difusa por mais de três meses, em ambos os lados do corpo, acima e abaixo da cintura.
- Pontos dolorosos específicos (tender points) que doem à palpação leve.
- Fadiga incapacitante e sono não reparador (acorda cansado).
- Problemas cognitivos (“fibro fog”): dificuldade de concentração e memória.
- Sintomas associados: ansiedade, depressão, dores de cabeça, síndrome do intestino irritável.
Diagnóstico e Tratamento:
O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do paciente e na exclusão de outras doenças. Não há exames laboratoriais ou de imagem específicos para confirmá-la.
O tratamento é multifacetado e personalizado, com foco em melhorar a qualidade de vida:
- Medicamentos:
- Moduladores da Dor Neuropática: Duloxetina, Milnaciprano, Pregabalina. São a base do tratamento farmacológico.
- Analgésicos e relaxantes musculares para uso pontual.
- Terapias Não-Farmacológicas:
- Exercício Físico Gradual: Caminhada, hidroginástica, alongamento.
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Para lidar com a dor crônica.
- Acupuntura Médica e Dry Needling: Podem ajudar no controle da dor e relaxamento muscular.
- Técnicas de relaxamento e mindfulness.
O manejo eficaz envolve uma equipe multidisciplinar, muitas vezes coordenada por um reumatologista ou médico da dor.
Guia de Sintomas: Qual doença pode ser?
Selecione seus sintomas para ver quais das condições descritas podem estar relacionadas. Esta ferramenta é apenas para educação e não substitui um diagnóstico médico.
Seus Sintomas:
Condições Possíveis:
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Dificuldade para identificar a causa da sua dor articular? Busque uma avaliação especializada.
Conclusão
Como vimos, a dor articular pode ter diversas origens, desde processos inflamatórios sistêmicos como a Artrite Reumatoide e a Gota, até condições degenerativas como a Artrose, ou relacionadas a estruturas específicas como Tendinite e Bursite. A Fibromialgia, por sua vez, representa um quadro complexo de dor generalizada.
Entender essas diferenças é crucial, pois o tratamento adequado para cada uma é distinto e deve ser sempre orientado por um médico especialista.
Quando Buscar Ajuda Médica:
- Dor articular que persiste por mais de duas semanas.
- Inchaço, vermelhidão ou calor em uma ou mais articulações.
- Dificuldade para realizar movimentos habituais.
- Rigidez matinal prolongada.
- Dor acompanhada de febre ou mal-estar geral.
O diagnóstico preciso é o primeiro passo para controlar a dor, preservar a função das articulações e recuperar sua qualidade de vida.
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