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Fibromialgia é autoimune?

Será que a fibromialgia é autoimune? Esta é uma dúvida comum não só entre pacientes e familiares de pacientes, mas entre a própria comunidade científica, que vem estudando intensamente a doença ao redor do mundo. 

A fibromialgia é uma patologia marcada pela dor crônica e generalizada associada a diversos outros sintomas, fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivo-comportamentais, principalmente.

Embora se trate da condição clínica reumatológica mais estudada, é ainda pouco compreendida. A dúvida em relação ao caráter autoimune da doença gerou diversas pesquisas, e alguns estudos sugerem a participação de mecanismos autoimunes em sua gênese ou evolução.

Você consegue imaginar as suas células atacando o seu corpo? É isso que acontece nas doenças autoimunes. Por algum motivo, os leucócitos não conseguem diferenciar células saudáveis e normais de possíveis invasores, como bactérias e vírus, e passam a tentar proteger o corpo de si mesmo. 

Existem mais de 100 doenças autoimune conhecidas, dentre as mais famosas podemos citar o lúpus e o diabetes tipo 1. Essas condições afetam de 3 a 5% da população e possuem um forte fator hereditário.

Continue a leitura e entenda melhor a relação entre a fibromialgia e a autoimunidade. Diversas hipóteses vem tentando elucidar se a fibromialgia é autoimune, e embora ainda contraditórias, merecem a nossa atenção. 

Para saber mais sobre a fibromialgia, clique aqui. 

A doença autoimune é caracterizada por um ataque do próprio organismo a si. 

O sistema imunológico tem como função proteger o corpo contra agentes invasores e substâncias estranhas e perigosas. Contudo, em alguns casos, passa a agir de maneira incorreta, identificando os tecidos do corpo como elementos invasores e produzindo anticorpos anômalos, células imunológicas que atacam as células do indivíduo. 

Essa reação é chamada autoimune e leva a inflamação e ao dano tecidual, constituindo assim o que é denominado doença autoimune.

A fibromialgia pode ser autoimune

A fisiopatologia da fibromialgia ainda é pouco compreendida, dentre as diversas hipóteses que tentam explicar a origem da doença estão distúrbios no processamento da dor, disfunções neuroendócrinas, causas psicoemocionais e alterações imunológicas.

Como uma tentativa de responder a nossa pergunta, “fibromialgia é autoimune?”, discorreremos a seguir sobre alguns estudos recentes envolvendo a participação de mecanismos imunológicos na gênese e evolução da doença. 

Os principais parâmetros imunológicos considerados são: concentração plasmática de autoanticorpos, de citocinas inflamatórias e de subpopulações linfocitárias.

Autoanticorpos

Autoanticorpos são anticorpos, células responsáveis por proteger o corpo, que acabam sendo dirigidos a tecidos do próprio organismo por não diferenciar proteínas próprias e estranhas.

Foram descritos dois anticorpos como possíveis biomarcadores da fibromialgia, o anti~68/48 KD e o anti~45 KD. 

O primeiro teria relação com subgrupos de doentes que apresentam excesso de sono, e o segundo com indivíduos que, dentre as manifestações clínicas da doença, possuem sintomas cognitivos como amnésia de curta duração e/ou dificuldades de concentração.

Uma pesquisa mais recente realizada por cientistas do King’s College London e da University of Liverpool, ambos no Reino Unido, e do Karolinska Institute em Estocolmo, Suécia, reafirmou a ligação entre os sintomas da fibromialgia e os anticorpos do indivíduo. 

Os pesquisadores injetaram anticorpos de pessoas doentes em ratos e os animais se tornaram mais sensíveis a estímulos desagradáveis, além de ficarem mais fracos e se moverem menos. 

Por outro lado, as injeções de anticorpos de controle saudáveis ou mesmo o soro de portadores da doença após a remoção de anticorpos não tiveram efeitos. 

De acordo com a pesquisa, é possível que essas células liguem-se aos gânglios da raiz dorsal, neurônios que transmitem sinais sensoriais do sistema nervoso periférico para o sistema nervoso central. 

Citocinas

As citocinas são proteínas capazes de afetar o comportamento de células próximas portadoras de receptores. Elas podem possuir características pró-inflamatória, como é o caso das IL-1, IL-2, IL-6, IL-8, fator de necrose tumoral (TNF), interferon gama (IFNγ) e IL-17, ou mesmo o inverso, ter ação anti-inflamatória, a exemplo das IL-4, IL-10 e IL-13.

Por causa disso, essas substâncias são frequentemente associadas a indicadores de atividades imunológicas, o que fez delas alvos de pesquisas que buscavam compreender a relação entre reações autoimunes e a fibromialgia. 

Níveis aumentados de citocinas pró-inflamatórias, bem como a redução dos níveis de proteínas anti-inflamatórias foram identificados em pacientes fibromiálgicos.

Em 2011, por exemplo, uma metanálise de 25 artigos que abordavam justamente o envolvimento das citocinas com a doença concluiu que os níveis de  IL-1, IL-6 e IL-8 encontram-se significativamente aumentados no organismos dessas pessoas. 

Linfócitos ativados

Os linfócitos, células responsáveis pela defesa do corpo, fazem parte do grupo de leucócitos, mais conhecidos como glóbulos brancos. Assim como os autoanticorpos e as citocinas, eles podem ter alguma relação com os sintomas da fibromialgia. 

Diversos estudos demonstraram níveis aumentados de linfócitos B, linfócitos B CD19high, linfócitos B CD19low e de células natural killer CD56+ CD3-  e CD16+ CD56+CD3- em pacientes fibromiálgicos. 

Outros pesquisadores apontaram ainda a presença de níveis elevados de fator antinuclear (FAN), que de tão altos, foram comparadores aos encontrados em portadores de artrite reumatoide. 

Assim, ao que tudo indica, há desregulação dos mecanismos imunomodulatórios, e esse pode ser um dos fatores desencadeadores dos sintomas da doença.

É ou não é autoimune?

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Apesar dos avanços nas pesquisas, as informações a respeito da doença ainda são contraditórias. Até então, a fibromialgia não é considerada uma doença autoimune. 

Embora estejam presentes irregularidades no sistema imunológico em pacientes que sofrem com fibromialgia, é preciso esclarecer que existe mais de um tipo de disfunção imunológica e o caso pode não necessariamente de autoimunidade.

Os dois maiores argumentos contra o caráter autoimune da doença são: 

1 – A fibromialgia não causa inflamação nos locais afetados;

2 – Não existem evidências suficientes que indiquem danos aos tecidos corporais.

Sem falar que em muitos casos a fibromialgia aparece associada a outras condições, inclusive a distúrbios autoimunes, o que torna o seu diagnóstico bastante complexo.

Infelizmente ainda não temos uma resposta assertiva se a fibromialgia é autoimune.

Conclusão

Infelizmente ainda não temos uma resposta assertiva se a fibromialgia é autoimune. Porém, existem sim alguns indícios de que a doença tenha relação com alterações no sistema imunológico, o que explica inclusive porque pessoas com lúpus ou artrite reumatoide, ambas doenças auto-imunes, têm maior probabilidade do que outras pessoas de desenvolver a doença.

Os avanços nas pesquisas em relação às causas da fibromialgia são importantíssimos para um melhor diagnóstico e controle dos sintomas. Continuemos aguardando e acompanhamento os estudos realizados pela comunidade científica ao redor do mundo. 

Para saber mais sobre a fibromialgia, leia também: “Fibromialgia: causas, sintomas e tratamento”

Clinica Hong Jin Pai Sao Paulo e1621991307344

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Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

2 Comentários

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  • esclarecedor.bem direcionado.
    sofri bem até que um abençoado reumatologista
    a reconheceu .Isso em 1997.
    Hoje vivo bem, relativamente.
    Debaixo de medicaçao e com meus limites,minhas crises de dor ( dois a 3 dias em que ela me pega e procuro me isolar)
    depois volto à vida extremamente cansada.É LUTA CONSTANTE.

    • Maria, boa noite. Infelizmente a fibromialgia ainda é muito desconhecida pelos profissionais de saúde e também população em geral. A fibromialgia não tem cura, mas tem tratamento. Postamos recentemente um vídeo no YouTube explicando um pouco mais sobre a patologia. Deixe suas dúvidas e comentários no vídeo. Você pode acessar o vídeo aqui. A fibromialgia tem diversos tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. Um médico fisiatra ou especialista em dor pode te ajudar. Atenciosamente, Equipe Dr. Marcus

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