Hérnia de disco no pescoço: sintomas, tratamento e quando se preocupar
A hérnia de disco cervical pode comprimir uma raiz nervosa e irradiar dor ao braço, mas quase sempre melhora sem cirurgia. O alerta é a mielopatia cervical. Veja mecanismo, sintomas, diagnóstico e tratamento.
- Hérnia de disco no pescoço é o nome popular da hérnia de disco cervical: o disco se desloca e pode comprimir uma raiz nervosa, gerando dor cervical que irradia para o braço (cervicobraquialgia), com formigamento ou fraqueza.
- Os níveis mais comuns são C5 a C6 e C6 a C7, porque concentram a maior parte do movimento do pescoço.
- A maioria melhora sem cirurgia, com tratamento conservador e multimodal. A exceção é a mielopatia cervical (compressão da medula), que pede avaliação sem demora.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
O que é a hérnia de disco cervical

A coluna cervical são as sete vértebras do pescoço, de C1 a C7, e entre elas ficam os discos intervertebrais, amortecedores que dão mobilidade e absorvem carga. Uma hérnia de disco no pescoço acontece quando o núcleo gelatinoso do disco (núcleo pulposo) atravessa o anel de fibras que o contém (ânulo fibroso) e se projeta para fora.
Esse deslocamento importa por uma razão anatômica: no pescoço, o disco fica muito próximo de duas estruturas nervosas. De cada lado saem as raízes nervosas que formam os nervos do braço, e ao centro passa a medula espinhal. Quando o material herniado se projeta para o lado (hérnia posterolateral, a mais comum), tende a comprimir uma raiz e a dor desce pelo braço. Quando se projeta para o centro (hérnia central), pode tocar a medula, e o quadro muda de natureza, como será visto no sinal de alerta de mielopatia.
Vale distinguir o vocabulário do laudo, porque cada palavra descreve um grau diferente de deslocamento, e não necessariamente uma gravidade maior de dor. Abaulamento ou protrusão é uma saliência ampla e contida do disco. Extrusão é quando o material ultrapassa o ânulo de forma mais focal. Curiosamente, hérnias maiores e extrusas costumam ter melhor chance de reabsorção espontânea ao longo do tempo do que pequenas protrusões, o que ajuda a entender por que tantos casos melhoram sem operar.
| Termo | O que descreve | Leitura clínica |
|---|---|---|
| Abaulamento discal | Saliência ampla e contida do disco para além da borda da vértebra | Achado frequente; muitas vezes assintomático |
| Protrusão | Projeção focal do disco, com base larga, ainda contida pelo ânulo | Pode comprimir raiz se houver pouco espaço; depende do quadro |
| Extrusão | Material que ultrapassa o ânulo de forma focal | Pode causar dor radicular; tende a reabsorver com o tempo |
| Compressão radicular / estenose foraminal | Hérnia (ou osteófito) que estreita a saída da raiz | Explica dor e sintomas no braço quando combina com o exame |
| Compressão medular / sinal na medula | Contato ou impressão sobre a medula espinhal | Sinal de alerta: avaliar mielopatia sem demora (ver «Sinal de alerta: mielopatia cervical») |
“Tenho uma hérnia de disco no pescoço, então vou precisar de cirurgia mais cedo ou mais tarde.”
A maioria das hérnias cervicais com dor no braço melhora com tratamento conservador em semanas a poucos meses, e muitas reabsorvem sozinhas. A cirurgia fica reservada a situações específicas, como mielopatia ou déficit que progride.

Por que C5-C6 e C6-C7 são os níveis mais comuns

A hérnia cervical não aparece por acaso em qualquer ponto do pescoço. Ela se concentra nos níveis que mais se movem e mais sofrem carga: a transição entre a quinta e a sexta vértebras (C5 a C6) e entre a sexta e a sétima (C6 a C7). Juntos, esses dois segmentos respondem pela maior parte da flexão, extensão e rotação do pescoço, o que acelera o desgaste do disco e favorece a fissura do ânulo por onde o núcleo pode escapar.
Essa anatomia tem uma consequência prática útil: o nível da hérnia costuma corresponder a um padrão reconhecível de sintomas no braço, porque cada raiz inerva uma faixa específica de pele, músculos e reflexos. Identificar onde está o formigamento e qual movimento enfraqueceu ajuda o médico a prever o nível comprometido antes mesmo da ressonância, e a confirmar depois se a imagem combina com o exame.
| Nível do disco | Raiz afetada | Para onde a dor e o formigamento costumam ir |
|---|---|---|
| C4 a C5 | Raiz C5 | Ombro e face lateral do braço; fraqueza ao elevar o ombro |
| C5 a C6 | Raiz C6 | Braço lateral, antebraço, polegar e indicador; fraqueza ao dobrar o cotovelo |
| C6 a C7 | Raiz C7 | Parte de trás do braço, dedo médio; fraqueza ao estender o cotovelo |
| C7 a T1 | Raiz C8 | Borda interna do antebraço, dedo mínimo; fraqueza da mão |
Um gesto que ajuda no consultório: muitas pessoas com hérnia cervical aliviam a dor do braço ao apoiar a mão sobre a cabeça (sinal do abdutor do ombro). Esse detalhe simples da história sugere componente radicular e orienta o exame, mesmo antes de qualquer imagem.
Sintomas: do pescoço ao braço
O quadro clássico combina dois componentes. Há a cervicalgia, a dor local no pescoço, muitas vezes com rigidez e limitação para virar a cabeça. E há a dor irradiada para o braço, chamada de cervicobraquialgia ou dor radicular cervical, que costuma ser o sintoma mais incômodo e o que leva a pessoa a procurar atendimento. Essa dor segue o trajeto da raiz comprimida e pode vir acompanhada de parestesia (formigamento ou dormência), sensação de choque e, em parte dos casos, fraqueza em um grupo muscular específico.
A dor radicular tem características que a diferenciam de uma dor muscular comum. Costuma ser descrita como em queimação ou em choque, desce pelo braço num trajeto definido, e piora com manobras que estreitam a saída da raiz: estender o pescoço, inclinar a cabeça para o lado da dor ou tossir. O alívio ao elevar o braço acima da cabeça, já citado, reforça a origem radicular. Quando a dor desce para o braço com esse padrão, o tema é tratado em profundidade na página sobre cervicobraquialgia.
- Dor no pescoço. Cervicalgia com rigidez, que piora ao virar ou estender a cabeça.
- Dor que desce pelo braço. Em trajeto definido, conforme a raiz comprimida; costuma ser o sintoma dominante.
- Formigamento e dormência. Parestesia em uma faixa da mão ou do antebraço, mapeando o nível.
- Fraqueza localizada. Em um movimento específico, como dobrar ou estender o cotovelo.
Algumas hérnias cervicais altas, próximas de C2 a C3, podem contribuir para dor de cabeça de origem cervical, um quadro com avaliação própria, abordado na página sobre hérnia de disco cervical, sintomas e dor de cabeça. Já a dor cervical sem irradiação para o braço, sem sinais neurológicos, costuma ter outras causas mais frequentes que a hérnia, como o componente miofascial e postural, detalhadas no guia sobre dor no pescoço e quando se preocupar.
O exame neurológico do braço diz mais do que a ressonância. É a correspondência entre o nível que a imagem mostra e o trajeto da dor que confirma o diagnóstico, não a hérnia isolada no laudo.
Dr. Marcus Yu Bin Pai · Médico fisiatra, área de atuação em Dor
Sinal de alerta: mielopatia cervical
Aqui está a diferença que muda a conduta. Enquanto a compressão de uma raiz causa dor no braço e tem, em geral, evolução benigna, a compressão da própria medula espinhal é outra história. Chama-se mielopatia cervical e, por afetar a via que comanda braços e pernas, exige avaliação especializada sem demora. Não é uma dor mais forte: é um conjunto de sinais neurológicos diferentes, que muitas vezes começa de forma sutil e indolor.
Os sinais que levantam a suspeita de mielopatia envolvem perda fina de função; a dor pode até estar ausente. Uma alteração da marcha, com sensação de desequilíbrio ou de andar inseguro, é típica. A perda de destreza das mãos, com dificuldade para abotoar a camisa, segurar moedas ou escrever, é outro sinal característico.
Podem surgir formigamento nas duas mãos, sensação de aperto em faixa no tronco e, ao exame, os chamados sinais piramidais (reflexos exaltados, sinal de Hoffmann positivo, alterações que o médico pesquisa). Diante desse quadro, a investigação com ressonância e a avaliação por especialista não devem esperar.
Procure avaliação urgente se houver
- Alteração da marcha: andar inseguro, desequilíbrio, sensação de pernas pesadas.
- Perda de destreza das mãos: dificuldade para abotoar, escrever ou segurar objetos pequenos.
- Formigamento ou dormência nas duas mãos ao mesmo tempo.
- Fraqueza nas pernas, ou nos quatro membros, que progride.
- Alteração do controle da urina ou das fezes.
- Dor após trauma significativo no pescoço, ou febre e perda de peso sem explicação.
Esses sinais não significam que toda hérnia cervical seja perigosa, longe disso. Eles servem para separar o quadro comum e benigno (dor no braço por compressão de raiz) daquele que pede atenção imediata (sinais de comprometimento da medula). Reconhecer essa fronteira é o ponto mais importante deste artigo: a hérnia que dói no braço quase sempre se trata sem operar; a hérnia que afeta a medula precisa ser avaliada rapidamente por um especialista em coluna.
Como se faz o diagnóstico
O diagnóstico da hérnia cervical é, antes de tudo, clínico. Começa pela história (onde a dor começa, para onde irradia, o que piora e o que alivia) e pelo exame físico neurológico do braço: força de cada grupo muscular, sensibilidade por faixa de pele e reflexos. Manobras específicas, como a de Spurling (extensão e inclinação da cabeça para o lado sintomático, que reproduz a dor no braço), ajudam a confirmar a origem radicular.
A ressonância magnética (RM) é o exame de escolha para confirmar a hérnia, identificar o nível e mostrar a relação com a raiz e com a medula, sem usar radiação. A leitura, porém, segue a mesma regra de ouro de toda a coluna: a imagem só fecha o diagnóstico quando o achado coincide com o lado e o nível dos sintomas. Hérnias e desgaste cervical são achados muito comuns em pessoas sem nenhuma dor, sobretudo após os 40 anos, de modo que uma hérnia na ressonância, isolada, não basta para explicar a queixa nem para indicar cirurgia. A eletroneuromiografia pode ser útil em casos selecionados, para confirmar e localizar o comprometimento da raiz ou afastar outras causas, como a síndrome do túnel do carpo.
| Quadro | Padrão típico | Pista que diferencia |
|---|---|---|
| Hérnia cervical (radicular) | Dor do pescoço que desce pelo braço em trajeto de raiz | Piora ao estender e inclinar o pescoço; segue um nível (C6, C7) |
| Síndrome do túnel do carpo | Formigamento na mão, polegar a anelar, pior à noite | Sem dor cervical; melhora ao sacudir a mão; sinal no punho |
| Dor miofascial do trapézio | Dor no pescoço e ombro, sem trajeto de nervo no braço | Pontos-gatilho à palpação; sem déficit neurológico |
| Tendinopatia do ombro | Dor no ombro ao elevar o braço | Piora com o movimento do ombro, não do pescoço; sem formigamento |
Tratamento: conservador primeiro
A notícia central é encorajadora: a hérnia de disco cervical com dor no braço, sem mielopatia e sem déficit progressivo, tem história natural favorável. A maioria das pessoas melhora de forma significativa ao longo de seis a doze semanas com tratamento conservador, e parte das hérnias reabsorve espontaneamente. Por isso a estratégia é multimodal, não-cirúrgica e individualizada, com a reabilitação ativa como base e as demais técnicas somando-se a ela conforme a apresentação e a resposta.
Educação e ajuste de carga
Entender a história natural favorável, ajustar postura no trabalho e no sono e manter-se ativo dentro do tolerável, sem repouso prolongado.
Reabilitação cervical e mobilização neural
Base do plano: controle motor dos flexores profundos, estabilização escapular e deslizamentos que dessensibilizam a raiz irritada.
Acupuntura e eletroacupuntura
Atua sobre o componente miofascial cervical e a modulação central da dor, como adjuvante da reabilitação ativa.
Agulhamento seco
Inativa os pontos-gatilho do trapézio, elevador da escápula e suboccipitais que somam um segundo gerador de dor.
Bloqueio radicular ou peridural cervical
Em casos selecionados de dor radicular intensa: abre uma janela de alívio para avançar a reabilitação, sob orientação por imagem.
Medicação adjuvante
Analgesia e neuromoduladores para o componente neuropático, controlando sintomas enquanto a reabilitação atua na causa (ver «Tratamento medicamentoso»).
Reabilitação cervical e mobilização neural: a base
- O que é
- Reabilitação ativa e individualizada: recuperação do controle motor do pescoço, com ativação dos flexores profundos cervicais (flexão craniocervical), estabilização da cintura escapular e fortalecimento progressivo, somados à mobilização neural.
- Mecanismo
- Ganhar força e controle para que o pescoço tolere a carga do dia a dia; os deslizamentos suaves do nervo reduzem a sensibilidade da raiz irritada e recuperam a mobilidade do braço sem provocar a dor. A terapia manual entra como adjuvante.
- Evidência
- O exercício terapêutico associado à terapia manual reduz a dor cervical e recupera função, com magnitude variável entre estudos; é a intervenção com melhor relação entre evidência e segurança na dor cervical, inclusive de origem radicular. Moderada
- O que esperar
- Resposta gradual ao longo de semanas. Atendimento individual, um paciente por sala, com o programa mantido depois do alívio para reduzir recorrências.
- Indicações
- Praticamente todos os casos sem indicação cirúrgica imediata.
- Limitações
- Exige adesão e progressão bem dosada; carga excessiva numa fase muito irritativa pode exacerbar a dor temporariamente.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
- O que é
- Ato médico, conduzido por médicos com titulação na área, com a mesma anamnese e exame neurológico que orientam todo o plano. Programa-se em geral um ciclo de oito a dez sessões, uma a duas por semana.
- Mecanismo
- Pontos na musculatura paravertebral cervical, no trapézio e na região suboccipital atuam por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, somados à ativação de vias inibitórias descendentes e à liberação de opioides endógenos. Na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas.
- Evidência
- Nível moderado para a dor cervical crônica, com recomendação de diretrizes em contextos selecionados; o ganho mais consistente aparece quando entra como adjuvante da reabilitação ativa, e não isolada. Moderada
- O que esperar
- Alívio cumulativo, e não de uma sessão para a outra; reavaliação formal por volta da quarta sessão para decidir se a estratégia merece continuidade.
- Indicações
- Útil quando o espasmo cervical e a dor referida do trapézio dominam o quadro, e quando o objetivo é poupar medicação neuropática num paciente que não a tolera bem.
- Limitações
- Não substitui a reabilitação ativa; o benefício consistente vem da combinação. Atua sobre o componente miofascial e a modulação da dor, não sobre a hérnia em si.
Agulhamento seco e bloqueios guiados
Quem tem hérnia cervical raramente tem só a dor da raiz: o trapézio superior, o elevador da escápula e os suboccipitais reagem à postura antálgica e desenvolvem pontos-gatilho, com dor referida que sobe para a nuca ou desce para a escápula e que muitas vezes persiste depois que a dor radicular já cedeu. No agulhamento seco, a agulha é avançada no ponto-gatilho até disparar a resposta de contração local, associada à queda do tônus da banda tensa e a efeito analgésico local e segmentar. O alvo é esse componente miofascial perpetuante, nunca a raiz ou a hérnia em si. Costuma haver dor leve no ponto por um a dois dias, e o resultado se consolida quando o agulhamento abre espaço para o exercício.
No pescoço e na cintura escapular a margem anatômica é estreita, com a cúpula pleural e os grandes vasos por perto, de modo que a técnica exige conhecimento topográfico preciso e profundidade controlada. Quando a dor radicular é intensa e não cede ao plano de base, o bloqueio radicular ou peridural cervical, com anestésico e por vezes corticoide sob orientação por imagem, interrompe temporariamente a condução nociceptiva e a inflamação ao redor da raiz; o objetivo é abrir uma janela de alívio para avançar a reabilitação, em casos selecionados e sempre com avaliação dos riscos.
O que esperar ao longo do tempo
Controle da crise
Reduzir a dor radicular, ajustar carga e postura, iniciar mobilidade suave e mobilização neural, mantendo-se ativo dentro do tolerável.
Progressão
Fortalecimento dos flexores profundos e da cintura escapular, técnicas em clínica; a dor no braço costuma começar a ceder.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, ou diante de qualquer sinal de alerta, revê-se o diagnóstico e consideram-se procedimentos guiados ou avaliação cirúrgica.
Medimos a intensidade da dor (escala de 0 a 10), a presença de déficit no exame neurológico e o trajeto do formigamento no braço, com a meta de controlar a dor e recuperar a função do braço e do pescoço. Quando a curva esperada não se confirma por volta da sexta semana, reabre-se o raciocínio diagnóstico, confere-se se o déficit progrediu e ajusta-se a estratégia.
O corpo costuma resolver boa parte do problema sozinho: hérnias cervicais, sobretudo as extrusas, com frequência reabsorvem ao longo de semanas a meses, e a dor radicular do braço tende a ceder junto, mesmo sem nenhum procedimento sobre o disco. A decisão de operar não nasce da imagem, mas de uma lista curta e específica, a compressão da medula (mielopatia), o déficit neurológico que piora de forma objetiva e a dor radicular que persiste apesar de um tratamento conservador bem conduzido. Confundir o achado da ressonância com a gravidade do caso é o erro que mais leva a operações desnecessárias.
Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia
A reabilitação ativa não é um complemento opcional na hérnia de disco cervical: é a base do tratamento conservador e a intervenção com melhor relação entre evidência e segurança. O objetivo não é apenas aliviar a dor do momento, mas recuperar o controle do pescoço para que ele tolere a carga do dia a dia, dessensibilizar a raiz irritada e reduzir a chance de recorrência. As modalidades a seguir são pilares oferecidos na clínica, conduzidos de forma individual, e prescritos conforme a fase do quadro e a resposta de cada pessoa. Nenhuma substitui as outras: elas se somam dentro de um plano único.
Fisioterapia e cinesioterapia cervical
Exercício terapêutico graduado, adaptado à fase da hérnia (irritativa, de progressão, de manutenção). Ganha força e controle motor, dessensibiliza o sistema ao movimento e corrige fatores posturais que perpetuam a irritação da raiz. Resposta gradual; começa suave na crise e progride conforme a tolerância. Limitação: exige adesão e progressão bem dosada; carga excessiva numa fase muito irritativa pode exacerbar a dor temporariamente.
Estabilização cervical profunda e mobilização neural
Reeducação dos flexores profundos do pescoço (longo do pescoço e longo da cabeça) pela flexão craniocervical, somada à estabilização escapulotorácica (trapézio inferior, serrátil anterior). A mobilização neural, com deslizamentos suaves do nervo ao longo do braço, reduz a mecanossensibilidade da raiz irritada e recupera amplitude sem provocar a dor radicular. Mantido após o alívio para prevenir recidiva.
RPG · reeducação postural global
Trata o corpo por cadeias musculares, com posturas mantidas de alongamento ativo e contração isométrica de caráter excêntrico nas cadeias encurtadas. Busca alongar a cadeia posterior e a musculatura suboccipital, reequilibrar a relação entre cintura escapular e pescoço e reduzir a sobrecarga sobre C5 a C7. Limitação: integra-se ao fortalecimento e à estabilização, não os substitui; a evidência é mais robusta para o exercício terapêutico em geral.
Pilates clínico
Exercício de controle motor e estabilização, com supervisão e adaptado ao quadro cervical (não a aula genérica). Trabalha o centro de força e a estabilização do tronco e da cintura escapular, dando ao pescoço uma base estável. Bem tolerado e sustentável a longo prazo, para fases de progressão e manutenção. Limitação: exercícios mal dosados ou em hiperextensão cervical podem incomodar; daí a supervisão clínica.
Terapia manual
Técnicas de mobilização articular e de tecidos moles pelo fisioterapeuta, que reduzem dor e rigidez por modulação neurofisiológica e abrem uma janela para o exercício ativo. Limitação: manipulação cervical de alta velocidade exige cautela e avaliação criteriosa; o efeito isolado tende a ser de curta duração se não houver exercício associado.
Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica
A cirurgia tem indicação clara, porém restrita, na hérnia de disco cervical. Essas opções não são realizadas em nossa clínica, cujo foco é o tratamento não cirúrgico, multimodal e individualizado da dor.
Conservador · 1ª escolha
Tratamento não cirúrgico, multimodal
- Indicado na maioria: dor no braço sem mielopatia e sem déficit progressivo.
- História natural favorável; parte das hérnias reabsorve sozinha.
- Reabilitação ativa como base, com técnicas em clínica e medicação adjuvante.
- Melhora costuma vir em 6 a 12 semanas.
Cirúrgico · exceção
Reservado a três cenários
- Mielopatia cervical (compressão da medula, sinais da seção «Sinal de alerta: mielopatia cervical»).
- Déficit neurológico que progride de forma objetiva.
- Radiculopatia incapacitante e persistente, refratária a tratamento conservador completo e bem conduzido.
- A imagem isolada não indica cirurgia: é a correspondência entre o quadro clínico e o achado que orienta a decisão.
Quando a cirurgia está indicada, as duas técnicas mais usadas para a hérnia cervical abordam a coluna pela frente do pescoço, com bom acesso ao disco e à descompressão da estrutura neural. A escolha entre fixar o segmento (artrodese) ou preservar o movimento (artroplastia) depende da idade, do número de níveis, da qualidade do disco e da avaliação do cirurgião de coluna. A decisão é sempre compartilhada, com o quadro clínico no centro da escolha.
Há ainda modalidades conduzidas por outros especialistas que não fazem parte do escopo da clínica, como a abordagem cirúrgica por via posterior (laminectomia ou laminoplastia) em mielopatias multissegmentares, indicada e realizada por equipes de cirurgia de coluna. Nosso papel, nesses casos, é reconhecer os sinais que pedem essa avaliação e encaminhar sem demora quando há indicação. O tratamento que oferecemos é o conservador.
Tratamento medicamentoso
O medicamento tem papel adjuvante na hérnia cervical: alivia e abre espaço para a reabilitação, mas não substitui a base ativa nem altera, por si só, a história natural favorável da maioria dos casos. A prescrição é sempre individualizada, com classe, dose e duração definidas pelo médico, ponderando efeitos adversos e comorbidades. Como a dor radicular tem forte componente neuropático, a escolha dos fármacos difere da dor puramente mecânica. Para uma visão geral das classes usadas na dor, veja o guia de remédios para dor.
| Classe | Para quê | Evidência | O que esperar e limites |
|---|---|---|---|
| Anti-inflamatórios | Fase aguda, por períodos curtos, sobre o componente inflamatório e nociceptivo da dor | Moderada | Alívio na crise; limitados por efeitos gastrointestinais, renais e cardiovasculares. Uso pontual e com cautela em quem tem comorbidades. Paracetamol tem efeito modesto na dor radicular. |
| Neuromoduladores | Componente neuropático: antidepressivos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina, duloxetina) e gabapentinoides (gabapentina, pregabalina) | Limitada | Modulam a transmissão e a sensibilização da dor; benefício variável na radiculopatia e titulação gradual. Sonolência, tontura e boca seca são comuns no início. |
| Relaxantes musculares | Espasmo muscular associado, de curto prazo | Limitada | Papel limitado; a sonolência é o efeito mais frequente e limita o uso diurno. Não são tratamento de manutenção. |
| Corticoide oral em curso curto | Crise radicular intensa, por poucos dias, pelo efeito anti-inflamatório sobre a raiz | Limitada | Evidência de benefício a médio prazo é limitada e o uso é pontual, pesando contraindicações (diabetes, hipertensão, entre outras). Não se usa de forma prolongada. |
Nenhum desses fármacos resolve a hérnia: eles controlam sintomas enquanto a reabilitação atua sobre a causa funcional e a história natural segue seu curso. Por isso a medicação entra sempre dentro de um plano multimodal, é reavaliada conforme a resposta e tem a menor dose e duração eficazes como meta.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Hérnia de disco no pescoço tem cura ou precisa de cirurgia?
A maioria das hérnias de disco cervical com dor no braço melhora de forma significativa com tratamento conservador ao longo de semanas a poucos meses, sem cirurgia, e muitas reabsorvem sozinhas. A cirurgia fica reservada a situações específicas, como mielopatia (compressão da medula), déficit neurológico que progride ou dor incapacitante que persiste apesar de tratamento conservador completo. O caminho é definido em consulta, a partir da sua história e do exame.
Quais são os sintomas da hérnia de disco cervical?
O quadro típico combina dor no pescoço (cervicalgia) com dor que desce pelo braço em trajeto definido (cervicobraquialgia), além de formigamento, dormência e, às vezes, fraqueza em um movimento específico. A dor costuma piorar ao estender ou inclinar a cabeça para o lado afetado. Sinais como alteração da marcha e perda de destreza das mãos apontam para mielopatia e pedem avaliação sem demora.
Quais os níveis mais comuns da hérnia cervical?
Os níveis mais frequentes são C5 a C6 e C6 a C7, porque concentram a maior parte do movimento do pescoço e, portanto, da carga sobre o disco. O nível costuma corresponder a um padrão de sintomas no braço: a raiz C6 leva sintomas ao polegar e indicador, e a raiz C7 ao dedo médio, por exemplo.
O que é mielopatia cervical e por que é um sinal de alerta?
Mielopatia cervical é a compressão da própria medula espinhal pela hérnia ou pelo desgaste, num nível acima da compressão isolada de uma raiz. Manifesta-se por alteração da marcha, perda de destreza das mãos, formigamento nas duas mãos e sinais neurológicos ao exame. Por afetar braços e pernas, exige avaliação especializada sem demora, com ressonância. É a principal exceção à regra de que a hérnia cervical melhora sozinha.
Qual exame confirma a hérnia de disco no pescoço?
A ressonância magnética (RM) é o exame de escolha: mostra a hérnia, o nível e a relação com a raiz e a medula, sem radiação. Ainda assim, a imagem só fecha o diagnóstico quando combina com a sua história e o exame neurológico, porque hérnias e desgaste cervical são achados comuns mesmo em pessoas sem dor. Por isso o diagnóstico é, antes de tudo, clínico.
Como dormir com hérnia de disco cervical?
O objetivo é manter o pescoço alinhado com a coluna, sem flexão nem rotação forçada. Em geral, dormir de lado ou de costas, com um travesseiro de altura adequada que preencha o espaço entre o pescoço e o colchão, costuma ser mais confortável; dormir de bruços tende a sobrecarregar o pescoço. O ajuste é individual e faz parte das orientações de carga dentro do tratamento.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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