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Overtraining: descubra os sintomas e cuidado com os exageros no treino

A síndrome de overtraining é um problema que ocorre quando o atleta faz mais exercícios do que seu corpo é capaz de se recuperar, acompanhada de sintomas físicos, fisiológicos, cognitivos, sociais e psicológicos.

Nos últimos anos, o hábito de praticar atividade física se tornou mais comum, cada vez mais presenciamos o surgimento de novas academias de musculação, dança, pilates, crossfit, lutas e diversas outras modalidades e este é um sinal de que há demanda, há pessoas buscando exercitar-se, o que é muito bom.

A prática de atividade física traz vários benefícios para a saúde, proporciona qualidade de vida, bem-estar físico, social e psicológico. Assim, é importante manter um equilíbrio e respeitar os limites do organismo.

Assim como o déficit, tudo o que é em excesso também pode ser muito prejudicial. Acontece que o organismo é muito adaptável, ele responde quimicamente e fisicamente aos estímulos, à pratica de exercício e, por isso, o organismo se condiciona facilmente, o que é uma excelente habilidade do corpo humano, o problema é quando este condicionamento físico e químico traz uma dependência.

Ao contrário do sedentarismo, há pessoas que desenvolvem uma prática exacerbada de atividade física, a isto se dá o nome de overtraining, patologia que se divide em dois tipos: a forma simpática e a forma parassimpática. Para entender cada tipo, devemos entender antes os sistemas nervoso simpático e o sistema nervoso parassimpático.

O Sistema Nervoso Simpático (SNAS) e o Sistema Nervoso Parassimpático (SNAP) constituem o Sistema Nervoso Autônomo (SNA). A diferença básica entre o SNAS e o SNAP é que o primeiro tem ação excitatória e o segundo tem ação inibitória, assim, ambos funcionam em harmonia, procurando manter o estado homeostático. Ambos os Sistemas podem inervar os mesmos órgãos, porém cada um exerce uma função diferente no órgão, devido aos receptores de neurotransmissores de cada sistema.

O SNAS libera noradrenalina e apresenta receptores adrenérgicos, já o SNAP libera acetilcolina e apresenta receptores colinérgicos.

Assim, o SNAS é responsável pela preparação para “luta ou fuga”, apresentando, portanto, o aumento da frequência cardíaca em situações que se percebe necessário, bronquiodilatação, desvio do fluxo sanguíneo para o sistema musculoesquelético, aumento da pressão arterial, dilatação da pupila, aumento da glicemia, etc.

O SNAP, por sua vez, é responsável pela restauração e manutenção, isto envolve o repouso, digestão, diminuição da pressão, contração da bexiga, relaxamento dos esfíncteres, diminuição da frequência cardíaca, ereção, diminuição da pupila.

Enfim, pode-se perceber que as funções de cada sistema são antagonistas entre si e é devido à ação antagonista desempenhada pelo SNAS e SNAP que se torna possível a homeostase.

Continue a leitura para saber mais a respeito do overtraining e descubra quais os sintomas.

O que é overtraining?

A tradução literal de overtraining é “treinamento exagerado” e este termo resume bem do que se trata. Também conhecida como Síndrome do Excesso de Treinamento, então, de forma mais específica, consiste na exigência do corpo sem a permissão de recuperação adequada entre um treino e outro. Isto envolve a sobrecarga de peso ou de intensidade, excesso de estímulo ou repetição e frequência de treinos, ou ainda, um aumento brusco da intensidade ou da frequência dos treinos.

Tratava-se de uma condição muito comum aos atletas de alto nível, que se forçavam ao treino mais intenso durante as temporadas de competição, porém atualmente, se tornou uma condição comum a pessoas comuns, que praticam atividade física sem fins profissionais, isto pode ser explicado pela busca do corpo perfeito, principalmente nas estações mais quentes do ano.

O overtraining é, portanto, considerado uma doença, a qual pode ser dividida em dois tipos diferentes: o simpático e o parassimpático.

-Overtraining simpático: consiste no estímulo do sistema nervoso simpático. Caracterizado pela prevalência de estímulos exagerados e alta intensidade, o que desencadeia um retardamento da recuperação, pois o tempo de recuperação do músculo não é respeitado, isto é, rompe-se fibras musculares antes das fibras rompidas na prática anterior serem reconstruídas.

-Overtraining parassimpático: refere-se à inibição, função do sistema nervoso parassimpático. Caracterizado por ocorrência de fraqueza muscular, falta de energia e falta de condições de mobilidade.

Sintomas do overtraining

Os principais sintomas do overtraining são cansaço excessivo, fadiga, irritabilidade, dores nas articulações, queda da imunidade, dificuldade para dormir, alteração do humor, desânimo, dificuldade na execução dos exercícios que antes eram possíveis – tanto em relação à carga como à intensidade.

Vimos que a doença é dividida em dois tipos, no entanto, apenas o tipo simpático apresenta sintomas, enquanto que o tipo parassimpático é assintomático. Veja então, os sintomas do overtraining na forma simpático:

  • Fadiga;
  • Alteração do sono;
  • Alteração do apetite;
  • Perda de peso;
  • Sudorese (inclusive noturna);
  • Aparecimento de olheiras;
  • Dor de cabeça;
  • Alteração da frequência cardíaca;
  • Alteração da pressão arterial;
  • Aceleração do metabolismo;
  • Aumento da temperatura corporal;
  • Pigmentação rosada ou vermelha da pele;
  • Aceleração da respiração;
  • Aumento da sensibilidade tática e olfática;
  • Queda da coordenação motora;
  • Queda da capacidade de reação motora;
  • Tremor.

Consequências do overtraining

Além da sintomatologia, o overtraining pode desencadear outros sinais indiretos, isto é, diversas consequências à saúde, como lesões musculoesqueléticas, microtraumas, edemas, impotência funcional, osteocondrites, fraturas decorrentes do estresse motor, miosites, rupturas de ligamentos, tendinopatias, etc.

Pode haver também, comprometimento na saúde mental do indivíduo, devido à desestabilização do funcionamento normal, isto é, a alteração de apetite, de sono, as dores musculares e de cabeça influenciam na qualidade de vida, bem como a percepção de falha pode influenciar a forma como o indivíduo se relaciona não somente com a atividade física, mas também com as falhas nas demais áreas da vida. Além disso, vimos que ocorre uma alteração nos estados de humor, o que pode desencadear transtornos de humor, como episódios depressivos, ansiedade, transtorno bipolar, etc.

Causas do overtraining

A causa do overtraining é ainda desconhecida, mas acredita-se que há predisposição individual, de forma que as motivações subjetivas façam parte do processo de desenvolvimento da doença. Por exemplo, a motivação de um atleta próximo a uma competição pode levá-lo a treinar em excesso sem permitir que seu corpo recupere adequadamente, desencadeando os processos químicos e fisiológicos que caracterizam o overtraining, outro exemplo seria a motivação de uma pessoa que ao exercitar-se com muita frequência e mudar os estímulos, começa a sentir-se dependente das reações químicas que ocorrem durante a atividade física e, portanto, não permite o descanso, já que o mesmo causaria “abstinência”.

Um dos efeitos do overtraining está relacionado ao nível de neurotransmissores e outros hormônios, os principais que sofrem alteração são a glutamina, a serotonina, a ureia, cortisol e testosterona.

Outro fator que pode estar relacionado com o desenvolvimento desta síndrome são outras condições de saúde, como a obesidade, anemia e outras condições psicológicas, como compulsão e dependência química.

Tratamento do overtraining

É importante que treinadores, professores de academia e personal trainers fiquem sempre atentos aos alunos e atletas para que seja possível identificar os sinais de overtraining e a partir disso, indicar para a consulta médica e avaliar os níveis hormonais, o metabolismo, a frequência cardíaca, enfim, e então fazer o diagnóstico adequado, para que o tratamento seja efetivado.

Inicialmente, o tratamento do overtraining deve voltar-se para o repouso, para que o corpo recupere de forma adequada, mas para que a recuperação dos músculos seja efetiva, o repouso deve ser associado a uma alimentação balanceada, rica em proteína, minerais, vitaminas e fibras, bem como hidratação adequada.

Assim que o corpo tiver se recuperado, os músculos estarão preparados para reiniciar a rotina de exercícios, porém – desta vez – de forma equilibrada, dando o devido tempo de recuperação entre os treinos, com carga e intensidade adequados, bem como com orientação de profissional capacitado.

Uma equipe profissional deve compor o tratamento da síndrome, a saber: fisioterapeuta, nutricionista ou nutrólogo, médicos, psicólogo.

A fisioterapia contribui no tratamento da síndrome no que tange a prevenção do agravamento dos sintomas, bem como a recuperação gradual da força, antes da retomada da rotina de treinos, bem como na reabilitação dos casos em que ocorrerem lesões ou rompimentos nas articulações.

Já o nutricionista ou nutrólogo contribui com o tratamento, pois faz-se necessária uma dieta adequada para que as necessidades de proteína e demais nutrientes sejam supridas e assim, os músculos, ossos, ligamentos, corrente sanguínea e demais sistemas consigam retomar a homeostase e desempenhar suas funções normalmente.

A equipe médica inclui ortopedista, cardiologista, neurologista, pneumologista, psiquiatra, enfim, o especialista que fará parte da equipe profissional do tratamento dependerá de cada caso, porém recomenda-se a realização de exames de todos os sistemas correlacionados com o overtraining.

O psicólogo, por sua vez, poderá contribuir com o aspecto emocional e com as consequências da síndrome na vida social, nas mudanças de humor, prevenindo o desenvolvimento de transtornos psicológicos. A psicoterapia também pode contribuir com a elaboração dos fatores que podem motivar à compulsão, investigar possíveis causas comportamentais, bem como modificar o comportamento e relacionar a síndrome com demais problemas na vida social, no trabalho, na família.

Conclusão

O overtraining tem se tornado cada vez mais comum entre as pessoas que frequentam academias de diversas modalidades, porém é muitas vezes negligenciado devido à falta de atenção nos alunos e atletas, de forma que a síndrome passe despercebida e haja diagnóstico equivocado, sugerindo que os sintomas apresentados, como vimos, podem ser indicativos de outras doenças e quando verificado que não se tratava de outra patologia, a pessoa retorna aos treinos e, com isso, várias das consequências vistas neste artigo podem ser desencadeadas.

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