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Síndrome da Fadiga Crônica

A síndrome de fadiga crônica (SFC) define-se como fadiga de longa duração, grave, incapacitante, sem fraqueza muscular demonstrável.

O problema é mais comum entre as mulheres de 40 a 50 anos. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA são quase 2,5 milhões de pessoas vivendo com a condição no país. 

Infelizmente, ainda não há cura para a doença, contudo, os tratamentos são muito úteis para alívio dos sintomas.

Introdução

A síndrome da fadiga crônica é uma doença caracterizada pela fadiga extrema, que não pode ser explicada por nenhuma condição médica subjacente.

O cansaço excessivo é um problema que acomete a muitas pessoas atualmente, a ele pode estar relacionado à má alimentação, ao estresse do dia-a-dia no trânsito, no trabalho, em casa, À  intensidade de exercícios físicos, de atividades laborais, Às inúmeras tarefas que devem ser cumpridas em pouco tempo.

Quando a causa do cansaço é uma destas supracitadas, basta adaptá-las de uma forma que alivie o cansaço. No entanto, há pacientes que apresentam este cansaço excessivo sem uma causa específica, apresentando-se como um sintoma de determinadas patologias, como depressão, obesidade, dependência química, doenças autoimunes, doenças endócrinas, doenças cardiorrespiratórias ou  neurológicas.

Assim, é preciso identificar as causas da fadiga, avaliar os sintomas para descobrir do que se trata e então, se necessário seja feito um tratamento adequado.

A fadiga sem causa necessária pode indicar a síndrome da fadiga crônica. É a este tema que este texto se dedica, explicando do que se trata, as causas, os sintomas e o tratamento para esta síndrome. Portanto, continue a leitura para entender mais.

O que é a Síndrome da Fadiga Crônica?

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A síndrome da fadiga crônica é caracterizada principalmente pela fadiga extrema sem causa específica que sirva de explicação médica, ou seja, sem relação com um fator que realmente desencadeie cansaço físico ou mental e sem melhoras apresentadas após repouso.

Caracteriza-se, portanto, como uma enfermidade do sistema nervoso, apesar de também ser considerada uma doença multissistêmica, já que se relaciona ao aspecto psicológico, muscular, cardiovascular, etc.

Devido ao seu caráter multissistêmico, existe falta de consenso na medicina para a explicação definitiva desta patologia, e com isso, a epidemiologia da mesma também se torna difícil de determinar.

No entanto, de forma geral, estima-se que no Brasil são aproximadamente 150 mil casos por ano, com maior incidência entre as mulheres e as idades de 50 a 60 anos.

Causas da Síndrome da Fadiga Crônica

As causas da síndrome da fadiga crônica ainda não foram totalmente definidas, mas as possíveis causas mais consideradas são infecções e distúrbios psicológicos.

Em geral, acredita-se em uma combinação de fatores, já que as causas isoladas não afetam todos os pacientes. Isto é, não são todas as pessoas que enfrentam a mesma infecção ou o mesmo distúrbio psicológico que desenvolve a síndrome.

Assim, a combinação de fatores envolve os seguintes aspectos:

Fatores psicogênicos: os estresses diários, as cargas emocionais não elaboradas devidamente, problemas nas relações interpessoais, depressão, etc;

Fatores endócrinos: desequilíbrio hormonal, principalmente o aumento do nível de hormônios produzidos no hipotálamo (glândula localizada no centro do encéfalo) , na hipófise (localizada na parte inferior do encéfalo) e nas glândulas suprarrenais (situada acima dos rins);

Fatores imunológicos: alteração no sistema imunológico no sentido de enfraquecimento imune, tornando a pessoa mais vulnerável a infecções e outras agravantes. Observa-se predisposição de pessoas portadoras de doenças autoimunes no desenvolvimento da síndrome da fadiga crônica;

Fatores externos: infecções por vírus são fatores externos ao organismo que podem estar relacionados com o desenvolvimento da síndrome, pois é comum pacientes relatarem ter passado por doenças virais antes de apresentar os sintomas da síndrome, a saber: gripe, resfriado, sinusite e outras viroses.

Enfim, observa-se que a combinação destes fatores ou da maioria deles é o que origina o desenvolvimento da síndrome da fadiga crônica.

Analisando esta questão, podemos entender que o paciente estando vulnerável devido a algum fator, seja devido ao enfraquecimento imune, ao desequilíbrio hormonal ou à vulnerabilidade psicológica, ele torna seu organismo suscetível a desenvolver a síndrome.

Além disso, vale enfatizar que mulheres são mais predispostas, bem como indivíduos que se encontram na idade de 30 a 50 anos.

Sintomas da Fadiga Crônica

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Além da fadiga extrema, a síndrome apresenta outros sintomas os quais devem ser considerados para fins diagnósticos. Confira abaixo a lista onde estão elencados os principais sintomas da síndrome da fadiga crônica:

  • Mialgia (dores musculares);
  • Artralgia (dores nas articulações);
  • Inflamação de garganta: geralmente este sintoma relaciona-se com a baixa da imunidade característica da síndrome;
  • Alterações cognitivas: perda de memória, comprometimento da concentração e da atenção;
  • Alteração do sono: o sono é insuficiente e intermitente sempre, ou seja, não importa quanto tempo o paciente tenha dormido, não haverá sensação de reposição energética;
  • Exaustão extrema: mesmo sem a realização de exercício físico ou esforço mental, a sensação de cansaço extremo é constante;
  • Dores de cabeça: devido à alteração hormonal, principalmente das glândulas encefálicas;
  • Febre: em alguns casos, o organismo se encontra tão instável, que a homeostase fica comprometida, assim pode ocorrer episódios de febre mesmo sem haver infecção;
  • Irritabilidade: mesmo se o fator psicológico não for um fator de causa da síndrome da fadiga crônica, ele poderá ser encontrado como um fator de consequência, pois o paciente passa a lidar com diversas alterações;
  • Confusão: outra conseqüência que pode apresentar no quadro é a confusão, principalmente se o paciente se mantiver em repouso por longos períodos, perdendo noção de tempo e espaço;
  • Fraqueza: assim como a exaustão, o paciente sente-se fraco fisicamente, mesmo sem ter realizado atividade física;
  • Intolerância ortostática: o paciente não é capaz de permanecer muito tempo em pé anatomicamente e sem apoio.

Para fins diagnósticos, o médico irá avaliar tais sintomas supracitados e o histórico de eventos antecessores.

Não há um exame específico para a confirmação da síndrome, porém o médico poderá solicitar alguns exames complementares com a finalidade de descartar outras patologias ou para investigar o nível hormonal e a qualidade imunológica.

A partir do diagnóstico, o profissional poderá te encaminhar para o especialista competente para que o tratamento da síndrome da fadiga crônica seja iniciado adequadamente.

Falaremos mais sobre o diagnóstico da Síndrome da Fadiga Crônica a seguir. 

Diagnóstico

Nem sempre sentir-se cansado é anormal. Além disso, como vimos, mesmo a fadiga excessiva pode ser sintoma de diversas doenças, desde infecções a distúrbios psicológicos.

A consulta médica é essencial para a identificação da causa subjacente ao sintoma. Assim, se a fadiga for muito forte e persistente, sem nenhuma explicação, deve-se procurar um médico o quanto antes. 

Quem procurar? Você pode estar pensando. Você pode começar consultando um clínico geral. Se necessário, ele fará o encaminhamento para alguma das seguintes especialidades, de acordo com as possíveis causas: 

  • Otorrinolaringologista
  • Pneumologista
  • Infectologista
  • Reumatologista
  • Neurologista
  • Psicólogo
  • Psiquiatra
  • Médico do sono

Vá à consulta preparado

A Síndrome da Fadiga Crônica é um problema complexo, difícil de diagnosticar. Para facilitar o processo, recomendamos que você vá à consulta preparado. 

Faça uma pequena lista dos sintomas e procure anotar ainda o tempo de duração dos mesmos, bem como a regularidade. 

O médico te fará algumas perguntas, esteja pronto para responder questões como: 

  • A fadiga crônica vem acompanhada de outros sintomas? Quais?
  • Qual a intensidade de seus sintomas?
  • Você tem tido problemas de memória e concentração?
  • Você tem tido problemas para dormir?
  • Você já foi diagnosticado com alguma outra condição de saúde? Qual?
  • O quanto os sintomas apresentados têm prejudicado sua qualidade de vida e sua rotina?
  • Você se sente depressivo e ansioso com frequência?
  • Qual a frequência de seus sintomas? Eles são recorrentes ou ocasionais?
  • Você tomou alguma medicação? Qual foi o resultado? 
  • Você está em tratamento para alguma comorbidade?

Exames 

Não há nenhum teste específico para o diagnóstico da Síndrome da Fadiga Crônica. Como os seus sintomas são similares aos de diversas outras doenças, normalmente são realizados mais de um exame, que buscam a identificação da causa do cansaço.  

O diagnóstico diferencial inclui: distúrbios do sono (insônia, apneia do sono e síndrome das pernas inquietas, por exemplo), anemia, diabetes, disfunções da tireoide (hipertireoidismo e hipotireoidismo), depressão, ansiedade, transtorno bipolar e até esquizofrenia.

Normalmente é realizado um exame físico completo e uma boa pesquisa a respeito do histórico de saúde do paciente. Os exames eliminam outras possibilidades, e por isso apontam para a suspeita de SFC. 

Contudo, em geral, o principal critério para o diagnóstico da doença é a descrição e a presença de oito principais sinais e sintomas característicos.

Quanto aos exames laboratoriais, se prescritos, são estes: 

  • Hemograma  – Para pesquisar anemia ou alterações dos leucócitos
  • Velocidade de hemossedimentação – Um indicador não específico de inflamação
  • TSH (hormônio estimulante da tireoide) e outros exames relacionados, porque hipotireoidismo pode causar sintomas semelhantes aos da síndrome de fadiga crônica
  • Exames do ferro – Para pesquisar carência de ferro ou outras anormalidades
  • Urinálise – Para pesquisar infecção ou alterações dos elementos excretados na urina

Tratamento da Fadiga Crônica

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A síndrome da fadiga crônica é uma patologia que geralmente não possui cura, mas possui tratamento, sendo possível conviver com os sintomas, com melhora da qualidade de vida e do o prognóstico se o paciente aderir corretamente ao tratamento.

O tratamento que realmente apresenta resultados e melhora na qualidade de vida inclui a psicoterapia e atividade física e em alguns casos a intervenção medicamentosa. A acupuntura pode ser um importante adjuvante no tratamento de sintomas secundários como ansiedade, insônia, mialgia e stress.

A psicoterapia consiste no tratamento psicológico clínico, realizado por um psicólogo e que visa à elaboração das questões emocionais, bem como à melhora da qualidade dos relacionamentos, à identificação de ganhos secundários com a condição, à elaboração de problemas no trabalho, à intervenção nas comorbidades, isto é, identificar outras afecções, como a depressão, visa também à intervenção cognitiva, buscando recuperar a qualidade da memória, da concentração e atenção. Enfim, a psicoterapia é de suma importância na amenização dos sintomas e na melhora da qualidade de vida.

A atividade física ajuda na estabilização do nível hormonal, homeostático, na circulação sanguínea, que auxilia na melhora dos sintomas. No entanto, não é recomendado a realização de exercícios sem acompanhamento médico e sem profissional da área física (educador físico ou fisioterapeuta), tampouco a realização de atividades intensas, com cargas altas e que exigem muito esforço. Vale acrescentar, ainda, que no início a prática de atividade física pode dar a sensação de piora dos sintomas da síndrome da fadiga crônica, porém, com o tempo, o efeito é revertido.

É fundamental que o tratamento seja multiprofissional, de forma que una as intervenções tanto do nível psicológico como do nível orgânico, para que o tratamento seja integral e não segmentado. Só assim haverá resultados eficazes para uma melhora na qualidade de vida.

A administração de medicamentos poderá contemplar o tratamento para o alívio dos sintomas, ou seja, alguns pacientes podem ser recomendados a utilizar antidepressivos ou ansiolíticos, bem como anti-inflamatórios para amenizar as dores nas articulações e nos músculos.

Em muitos casos, é importante que seja feita a reposição ou o reequilíbrio hormonal, ou seja, quando é detectado que o nível de algum hormônio está alterado, este deve ser restabelecido através de medicamento. Geralmente os hormônios que se encontram descompensados são o cortisol, a serotonina, a adrenalina e a noradrenalina.

Em muitos pacientes, a acupuntura pode ser uma importante aliada no tratamento de distúrbios secundários que podem piorar o prognóstico da doença, tais como mialgias e atralgias inespecíficas, outras dores musculares, sintomas de ansiedade, insônia, depressão e stress, pela liberação de neurotransmissores como a serotonina.

Convivendo com a Síndrome da Fadiga Crônica 

Como vimos, não há cura para a SFC. A solução é o tratamento, que minimiza os sintomas e as causas, e protege a qualidade de vida do doente. 

Existem também algumas importantes medidas de autocuidado que podem fazer a diferença para quem convive com o problema. 

Relaxe e controle o estresse: o estresse é seu inimigo, e aqui estamos falando tanto do estresse físico como emocional. Por isso, recomendamos que tenha um plano para evitá-lo, tire tempo para relaxar e não deixe de fazer atividades que te dão prazer. 

Melhore seus hábitos de sono: a insônia é um dos fatores desencadeadores da condição. Para evitar problemas com o sono, faça a higiene do sono, durma sempre no mesmo horário, prepare um ambiente confortável em seu quarto, corte a cafeína, o álcool e a nicotina de sua rotina e aprenda a gerenciar melhor o seu tempo. 

Tenha uma rotina estável: organize bem suas atividades ao longo do dia para que você consiga fazer tudo com calma, tranquilidade e sem estresse. 

Alimente-se bem e pratique atividade física moderada: manter o seu corpo sadio e em forma é muito importante. Quanto ao exercício, procure acompanhamento especializado para que um profissional possa te passar exercícios de acordo com a sua condição. 

Se você está sempre se sentindo ultracansado, como realizar atividade física?

Atividade física e a Síndrome da Fadiga Crônica

O mal-estar pós esforço é um sintoma comum de quem sofre com esta condição, ou seja, fazer determinados esforços pode piorar o seu estado não só por algumas horas, como também pelos dias seguintes. 

Para se ter noção, algumas pessoas não conseguem sequer sair da cama quando exageram no exercício, o que atrapalha suas atividades diárias e pode gerar prejuízos no trabalho. 

As dicas para manter o corpo ativo e em forma sem piorar a Síndrome da Fadiga Crônica, são: 

Vá com calma

Comece devagar e vá controlando o seu ritmo gradualmente. Inicia com atividades simples, e sinta seus limites mentais e físicos antes de evoluir. 

Fique sempre atento à intensidade do esforço exigido e a posição, avaliando quais delas podem contribuir para sinais e sintomas. 

Diante de qualquer sensação de dor ou cansaço em excesso, pare imediatamente. 

Sempre conte com a ajuda e a orientação de um profissional da área. Ele te ajudará a escolher os melhores exercícios e ainda acompanhará a sua evolução. 

Prefira exercícios leves e de baixo impacto

Caminhada, ioga, alongamento e pilates são ótimas opções para pacientes com SFC. Exigem menos do corpo, embora trabalhem bem a musculatura e a articulação. Treinos de forças leves também são aconselhados. 

Conclusão

Em síntese, a síndrome da fadiga crônica, é uma patologia que abrange diversos sistemas do organismo, de forma que esta síndrome comprova a integração existente que deve ser considerada no estudo do corpo e mente humana, estudar e tratar de forma segmentada além de reducionista é ineficaz.

Assim, os estudos acerca desta enfermidade não estão totalmente avançados ainda, mas já se pode considerar a importância da multidisciplinaridade no tratamento da síndrome da fadiga crônica, isto é, o encaminhamento à psicoterapia, à atividade física e ao tratamento médico adequado.

Esta última se responsabiliza pela medicação dos sintomas de dor, imunológicos e hormonais, bem como pelos exames diagnósticos, enquanto as outras disciplinas se responsabilizam pela reabilitação da qualidade de vida.

Enfim, se trata de uma doença sem causa determinada e sem cura específica, porém é uma doença com a qual é possível conviver e viver bem. No entanto, para isso, é preciso que o paciente tenha uma boa adesão ao tratamento.

 

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  
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