AVISO: NOVO LOCAL DE ATENDIMENTO - Rua Saint Hilaire 96 (a 5 minutos da clínica antiga), de segunda a sábado. Maiores informações, entrar em contato via WhatsApp

Síndrome da Fadiga Crônica

A síndrome de fadiga crônica define-se como fadiga de longa duração, grave, incapacitante, sem fraqueza muscular demonstrável.

 

 

Introdução

A síndrome da fadiga crônica é uma doença caracterizada pela fadiga extrema, que não pode ser explicada por nenhuma condição médica subjacente.

O cansaço excessivo é um problema que acomete a muitas pessoas atualmente, a ele pode estar relacionada a má alimentação, o estresse do dia-a-dia no trânsito, no trabalho, em casa, a intensidade de exercícios físicos, de atividades laborais, as inúmeras tarefas que devem ser cumpridas em pouco tempo.

Quando a causa do cansaço é uma destas supracitadas, basta adaptá-las de uma forma que alivie o cansaço. No entanto, há pacientes que apresentam este cansaço excessivo sem uma causa específica, apresentando-se como um sintoma de determinadas patologias, como depressão, obesidade, dependência química, doenças autoimunes, doenças endócrinas, doenças cardiorrespiratórias ou doenças neurológicas.

Assim, é preciso identificar as causas da fadiga, avaliar os sintomas para descobrir do que se trata e assim, se necessário seja feito um tratamento adequado.

A fadiga sem causa necessária pode indicar a síndrome da fadiga crônica. É a este respeito que este texto se dedica, explicando do que se trata, as causas, os sintomas e o tratamento para esta síndrome. Portanto, continue a leitura para entender mais sobre esta agravante.

 

Name

O que é a Síndrome da Fadiga Crônica?

A síndrome da fadiga crônica é caracterizada principalmente pela fadiga extrema sem causa específica que sirva de explicação médica, ou seja, sem relação com um fator que realmente desencadeie cansaço físico ou mental e sem melhoras apresentadas após repouso.

Caracteriza-se, portanto, como uma enfermidade do sistema nervoso, apesar de também ser considerada uma doença multissistêmica, já que se relaciona ao aspecto psicológico, muscular, cardiovascular, etc.

Devido ao seu caráter multissistêmico, existe falta de consenso na medicina para a explicação definitiva desta patologia e com isso, a epidemiologia da mesma também se torna indefinida, isto é, não existindo uma delimitação para definir a doença a estimativa de casos fica comprometida.

No entanto, de forma geral, estima-se que no Brasil são aproximadamente 150 mil casos por ano, com maior incidência entre as mulheres e as idades de 19 a 60 anos.

 

fadiga cronica

Causas da Síndrome da Fadiga Crônica

As causas da síndrome da fadiga crônica ainda não foram totalmente definidas, mas as possíveis causas mais consideradas são infecções e distúrbios psicológicos.

Em geral, acredita-se em uma combinação de fatores, já que as causas isoladas não afetam todos os pacientes. Isto é, não são todas as pessoas que enfrentam a mesma infecção ou o mesmo distúrbio psicológico que desenvolve a síndrome.

Assim, a combinação de fatores envolve os seguintes aspectos:

Fatores psicogênicos: os estresses diários, as cargas emocionais não elaboradas devidamente, problemas nas relações interpessoais, depressão, etc;

Fatores endócrinos: desequilíbrio hormonal, principalmente o aumento do nível de hormônios produzidos no hipotálamo (glândula localizada no centro do encéfalo) , na hipófise (localizada na parte inferior do encéfalo) e nas glândulas suprarrenais (situada acima dos rins);

Fatores imunológicos: alteração no sistema imunológico no sentido de enfraquecimento imune, tornando a pessoa mais vulnerável a infecções e outras agravantes. Observa-se predisposição de pessoas portadoras de doenças autoimunes no desenvolvimento da síndrome da fadiga crônica;

Fatores externos: infecções por vírus são fatores externos ao organismo que podem estar relacionados com o desenvolvimento da síndrome, pois é comum pacientes relatarem ter passado por doenças virais antes de apresentar os sintomas da síndrome, a saber: gripe, resfriado, sinusite e outras viroses.

Enfim, observa-se que a combinação destes fatores ou da maioria deles é o que origina o desenvolvimento da síndrome da fadiga crônica.

Analisando esta questão, podemos entender que o paciente estando vulnerável devido a algum fator, seja devido ao enfraquecimento imune, ao desequilíbrio hormonal ou à vulnerabilidade psicológica, ele torna seu organismo suscetível a desenvolver a síndrome.

Além disso, vale enfatizar que mulheres são mais predispostas, bem como indivíduos que se encontram na idade de 30 a 50 anos.

 

FADIGA CRONICA

Sintomas da Fadiga Crônica

Além da fadiga extrema, a síndrome apresenta outros sintomas os quais devem ser considerados para fins diagnósticos. Confira abaixo a lista onde estão elencados os principais sintomas da síndrome da fadiga crônica:

Mialgia (dores musculares);

Artralgia (dores nas articulações);

Inflamação de garganta: geralmente este sintoma relaciona-se com a baixa da imunidade característica da síndrome;

Alterações cognitivas: perda de memória, comprometimento da concentração e da atenção;

Alteração do sono: o sono é insuficiente e intermitente sempre, ou seja, não importa quanto tempo o paciente tenha dormido, não haverá sensação de reposição energética;

Exaustão extrema: mesmo sem a realização de exercício físico ou esforço mental, a sensação de cansaço extremo é constante;

Dores de cabeça: devido à alteração hormonal, principalmente das glândulas encefálicas;

Febre: em alguns casos, o organismo se encontra tão instável, que a homeostase fica comprometida, assim pode ocorrer episódios de febre mesmo sem haver infecção;

Irritabilidade: mesmo se o fator psicológico não for um fator de causa da síndrome da fadiga crônica, ele poderá ser encontrado como um fator de consequência, pois o paciente passa a lidar com diversas alterações;

Confusão: outra conseqüência que pode apresentar no quadro é a confusão, principalmente se o paciente se mantiver em repouso por longos períodos, perdendo noção de tempo e espaço;

Fraqueza: assim como a exaustão, o paciente sente-se fraco fisicamente, mesmo sem ter realizado atividade física;

Intolerância ortostática: o paciente não é capaz de permanecer muito tempo em pé anatomicamente e sem apoio.

Para fins diagnósticos, o médico irá avaliar tais sintomas supracitados e o histórico de eventos antecessores.

Não há um exame específico para a confirmação da síndrome, porém o médico poderá solicitar alguns exames complementares com a finalidade de descartar outras patologias ou para investigar o nível hormonal e a qualidade imunológica.

A partir do diagnóstico, o profissional poderá te encaminhar para o especialista competente para que o tratamento da síndrome da fadiga crônica seja iniciado adequadamente.

 

Causas e tratamento da fadiga crônica

Tratamento da Fadiga Crônica

A síndrome da fadiga crônica é uma patologia que geralmente não possui cura, mas possui tratamento, sendo possível conviver com os sintomas, com melhora da qualidade de vida e do o prognóstico se o paciente aderir corretamente ao tratamento.

O tratamento que realmente apresenta resultados e melhora na qualidade de vida inclui a psicoterapia e atividade física e em alguns casos a intervenção medicamentosa. A acupuntura pode ser um importante adjuvante no tratamento de sintomas secundários como ansiedadeinsônia, mialgia e stress.

A psicoterapia consiste no tratamento psicológico clínico, realizado por um psicólogo e que visa à elaboração das questões emocionais, bem como à melhora da qualidade dos relacionamentos, à identificação de ganhos secundários com a condição, à elaboração de problemas no trabalho, à intervenção nas comorbidades, isto é, identificar outras afecções, como a depressão, visa também à intervenção cognitiva, buscando recuperar a qualidade da memória, da concentração e atenção. Enfim, a psicoterapia é de suma importância na amenização dos sintomas e na melhora da qualidade de vida.

A atividade física ajuda na estabilização do nível hormonal, homeostático, na circulação sanguínea, que auxilia na melhora dos sintomas. No entanto, não é recomendado a realização de exercícios sem acompanhamento médico e sem profissional da área física (educador físico ou fisioterapeuta), tampouco a realização de atividades intensas, com cargas altas e que exigem muito esforço. Vale acrescentar, ainda, que no início a prática de atividade física pode dar a sensação de piora dos sintomas da síndrome da fadiga crônica, porém, com o tempo, o efeito é revertido.

É fundamental que o tratamento seja multiprofissional, de forma que una as intervenções tanto do nível psicológico como do nível orgânico, para que o tratamento seja integral e não segmentado. Só assim haverá resultados eficazes para uma melhora na qualidade de vida.

A administração de medicamentos poderá contemplar o tratamento para o alívio dos sintomas, ou seja, alguns pacientes podem ser recomendados a utilizar antidepressivos ou ansiolíticos, bem como anti-inflamatórios para amenizar as dores nas articulações e nos músculos.

Em muitos casos, é importante que seja feita a reposição ou o reequilíbrio hormonal, ou seja, quando é detectado que o nível de algum hormônio está alterado, este deve ser restabelecido através de medicamento. Geralmente os hormônios que se encontram descompensados são o cortisol, a serotonina, a adrenalina e a noradrenalina.

Em muitos pacientes, a acupuntura pode ser uma importante aliada no tratamento de distúrbios secundários que podem piorar o prognóstico da doença, tais como mialgias e atralgias inespecíficas, outras dores musculares, sintomas de ansiedade, insônia, depressão e stress, pela liberação de neurotransmissores como a serotonina.

 

Terapia para fadiga crônica

Conclusão

Em síntese, a síndrome da fadiga crônica, é uma patologia que abrange diversos sistemas do organismo, de forma que esta síndrome comprova a integração existente que deve ser considerada no estudo do corpo e mente humana, estudar e tratar de forma segmentada além de reducionista é ineficaz.

Assim, os estudos acerca desta enfermidade não estão totalmente avançados ainda, mas já se pode considerar a importância da multidisciplinaridade no tratamento da síndrome da fadiga crônica, isto é, o encaminhamento à psicoterapia, à atividade física e ao tratamento médico adequado.

Esta última se responsabiliza pela medicação dos sintomas de dor, imunológicos e hormonais, bem como pelos exames diagnósticos, enquanto as outras disciplinas se responsabilizam pela reabilitação da qualidade de vida.

Enfim, se trata de uma doença sem causa determinada e sem cura específica, porém é uma doença com a qual é possível conviver e viver bem. No entanto, para isso, é preciso que o paciente tenha uma boa adesão ao tratamento.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).
Send this to a friend