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Enxaqueca com ou sem aura: Qual a diferença?

A enxaqueca com aura ocorre em 25 a 30% dos pacientes com enxaqueca.

A enxaqueca é uma doença neurológica, com forte influência genética.

Ela se divide em dois subtipos principais: enxaqueca sem aura e enxaqueca com aura. A aura é um conjunto de sintomas neurológicos reversíveis que podem preceder ou acompanhar a dor de cabeça.

É importante saber que uma pessoa pode ser diagnosticada com ambos os tipos, apresentando crises com aura em algumas ocasiões e sem aura em outras.

Fases Comuns de uma Crise de Enxaqueca

Clique em cada fase para entender melhor o processo.

Durante uma crise de enxaqueca prolongada, os sintomas vão muito além da dor de cabeça. É comum haver náuseas, irritação gástrica e uma sensibilidade exacerbada à luz, sons e cheiros.

Para cerca de um terço das pessoas com enxaqueca, esses sintomas podem ser precedidos ou acompanhados por um fenômeno neurológico conhecido como aura. A aura mais típica se manifesta como alterações visuais, como ver manchas coloridas, luzes cintilantes ou linhas em zigue-zague. Embora possa ser uma experiência desconcertante, especialmente na primeira vez, entender que se trata de parte do processo da enxaqueca é o primeiro passo para um manejo adequado.

Entendendo o Processo da Enxaqueca

Como a Enxaqueca Acontece (Fisiopatologia)

A enxaqueca é uma desordem complexa do sistema nervoso. Durante uma crise, ocorre uma ativação anormal do nervo trigêmeo, um dos principais nervos sensoriais da cabeça.

Essa ativação leva à liberação de substâncias químicas chamadas neuropeptídeos (como a substância P e o CGRP). Essas substâncias causam uma inflamação neurogênica ao redor dos vasos sanguíneos das meninges (membranas que revestem o cérebro).

O resultado é uma cascata de eventos: dilatação dos vasos, ativação de receptores de dor (nociceptores) e o envio de sinais de dor intensa para o cérebro. O CGRP, em particular, tornou-se um alvo importante para medicamentos preventivos modernos.

Detalhes sobre a Enxaqueca com Aura

Conhecer os detalhes da enxaqueca com aura ajuda a diferenciá-la de outras condições e a buscar o tratamento correto.

Sintomas da Aura

Alterações visuais são as mais comuns: ver pontos cegos (escotomas), luzes piscando, linhas em zigue-zague ou visão embaçada. Sintomas sensoriais incluem formigamento ou dormência que começa em uma mão e sobe pelo braço até o rosto. Dificuldades temporárias com a fala (afasia) também podem ocorrer.

Fase da Dor de Cabeça

Após a aura (ou concomitantemente), inicia-se a dor de cabeça típica da enxaqueca: geralmente unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a severa, agravada por atividades físicas rotineiras. Frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia.

Duração e Frequência

A aura individual geralmente dura entre 5 e 60 minutos e é totalmente reversível. A dor de cabeça subsequente, se não tratada, pode persistir de 4 a 72 horas. A frequência das crises varia muito de pessoa para pessoa.

Gatilhos Comuns

Estresse, alterações hormonais (como no ciclo menstrual), certos alimentos (queijos maturados, vinhos tintos, adoçantes), jejum prolongado, distúrbios do sono (dormir pouco ou demais), estímulos sensoriais fortes (luzes brilhantes, odores intensos) e mudanças climáticas. Identificar gatilhos pessoais é uma parte chave do controle.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, baseado na história detalhada dos sintomas descrita pelo paciente. Em alguns casos, especialmente para descartar outras condições neurológicas (como AVC ou epilepsia), o médico pode solicitar exames de imagem, como ressonância magnética do crânio.

Princípios do Tratamento

O manejo envolve duas frentes: Tratamento Agudo (para abortar a crise em andamento) e Tratamento Preventivo (para reduzir a frequência, duração e intensidade das crises futuras). A escolha da estratégia depende das características das crises e do perfil do paciente.

Cuidados e Prevenção Não-Farmacológica

Além da medicação, medidas comportamentais são fundamentais: manter regularidade no sono e nas refeições, praticar atividade física regular e moderada, gerenciar o estresse (com técnicas como mindfulness ou terapia cognitivo-comportamental), e manter um diário da enxaqueca para identificar padrões e gatilhos.

O que é aura?

enxaqueca com aura

O termo “aura” se refere a sintomas neurológicos focais e transitórios que surgem antes ou durante a dor de cabeça da enxaqueca. Ela atua como um sinal de alerta do sistema nervoso.

Os sintomas são totalmente reversíveis, durando tipicamente de 5 a 60 minutos. Eles costumam se desenvolver gradualmente e são, na maioria das vezes, unilaterais (afetam um lado do corpo ou do campo visual). Aproximadamente 15 a 20% das pessoas com enxaqueca experimentam auras.

Tipos Comuns de Aura Visual

Selecione uma opção para visualizar uma representação do sintoma.

A imagem da aura selecionada aparecerá aqui. Esta é uma representação simplificada para fins educacionais.

Diferença entre Enxaqueca com Aura e Sem Aura

Qual a diferença entre enxaqueca com aura e sem aura?

A diferença central está na presença ou ausência dos sintomas neurológicos reversíveis da aura. Em ambos os tipos, a fase da dor de cabeça e os sintomas associados (náusea, fotofobia, etc.) são semelhantes.

Além disso, existe a enxaqueca silenciosa ou aura sem cefaleia, onde a pessoa experiencia os sintomas de aura, mas não desenvolve a dor de cabeça subsequente. Isso é mais comum em pessoas acima dos 50 anos.

Os sintomas típicos da fase de dor de cabeça, comuns aos dois tipos de enxaqueca, incluem:

  • Dor latejante, geralmente em um lado da cabeça, que piora com movimento.
  • Náuseas e, possivelmente, vômitos.
  • Sensibilidade extrema à luz (fotofobia), ao som (fonofobia) e, às vezes, a odores.
  • Visão turva ou dificuldade de concentração.
  • Tensão ou rigidez nos ombros e pescoço.

A Diferença Está na Aura

A aura é o elemento que distingue os subtipos. Ela pode ser:

Auras Visuais (as mais comuns)

  • Pontos cegos (escotomas).
  • Luzes piscantes, cintilações ou estrelas.
  • Linhas em zigue-zague ou em forma de fortificação.
  • Visão embaçada ou com “ondulações”.
  • Perda parcial do campo visual (visão em túnel).

Outros Tipos de Aura (menos frequentes)

  • Aura Sensorial: Formigamento ou dormência (parestesias) que se espalha de um membro para o rosto.
  • Aura de Fala/Linguagem: Dificuldade para encontrar palavras ou articular a fala (afasia).
  • Aura Motora (Muito rara): Fraqueza muscular temporária em um lado do corpo (hemiparesia).
  • Aura do Tronco Cerebral: Tontura, vertigem, zumbido, dificuldade de coordenação.
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Preciso de exames diferentes?

enxaqueca em mulheres

O diagnóstico da enxaqueca com ou sem aura é primariamente clínico. Em muitos casos, exames de imagem como ressonância magnética ou tomografia computadorizada não são necessários se a história for típica e o exame neurológico for normal.

Entretanto, o médico pode solicitar exames em situações específicas, como:

  • Primeira ocorrência de aura, especialmente após os 40 anos.
  • Características atípicas da aura (dura mais de 60 minutos, fraqueza muscular acentuada).
  • Mudança significativa no padrão habitual das suas enxaquecas.
  • Exame neurológico com alterações.

O objetivo é descartar outras condições graves que podem imitar uma aura, como AVC, AIT (ataque isquêmico transitório) ou problemas oculares. Uma avaliação oftalmológica também pode ser útil em alguns casos.

Atenção: Se você experimentar sintomas de aura pela primeira vez, ou se os sintomas forem diferentes dos seus episódios habituais, procure avaliação médica para um diagnóstico adequado.

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Enxaqueca com aura e sem aura são tratadas de forma diferente?

O tratamento da enxaqueca é baseado no controle dos sintomas e na prevenção de crises futuras.

Os princípios fundamentais do tratamento são similares para os dois tipos de enxaqueca.

O objetivo principal é controle da dor e dos sintomas incapacitantes durante a crise (tratamento agudo), e diminuir a frequência, duração e intensidade das crises a longo prazo (tratamento preventivo).

A escolha entre um tratamento agudo ou preventivo depende da frequência das crises, do grau de incapacidade que causam e da resposta do paciente aos medicamentos. Um plano de tratamento personalizado, feito em conjunto com um médico, é essencial para um bom resultado.

Tratamento Agudo da Crise de Enxaqueca

Usado para interromper uma crise em andamento. Deve ser tomado ao primeiro sinal da dor, para maior eficácia.

Analgésicos Simples e Anti-inflamatórios

Paracetamol (acetaminofeno) e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como ibuprofeno, naproxeno ou diclofenaco. Indicados para crises leves a moderadas. Uso excessivo pode levar à cefaleia por uso excessivo de medicamentos.

Triptanos

Classe específica para enxaqueca (ex.: sumatriptano, rizatriptano, eletriptano). Agem contraindo os vasos sanguíneos cerebrais e bloqueando as vias da dor. São a primeira linha para crises moderadas a severas. Contraindicados em pacientes com histórico de doença cardiovascular.

Derivados do Ergot

Menos usados hoje (ex.: ergotamina, diidroergotamina). Podem ser opção quando os triptanos não são eficazes ou disponíveis, mas têm mais efeitos colaterais e contraindicações.

Antiêméticos

Medicamentos para náusea e vômito (ex.: metoclopramida, domperidona). Auxiliam no controle desses sintomas e podem melhorar a absorção de analgésicos orais.

Tratamento Preventivo (Profilático) da Enxaqueca

Indicado quando as crises são frequentes (geralmente mais de 4 dias de dor por mês), muito incapacitantes ou não respondem bem ao tratamento agudo. O uso é diário ou conforme prescrição, por um período prolongado.

Beta-bloqueadores

Como propranolol e metoprolol. São medicamentos para pressão arterial que se mostraram muito eficazes na prevenção da enxaqueca, embora o mecanismo exato não seja totalmente compreendido.

Antidepressivos

Certos antidepressivos, em doses mais baixas que as usadas para depressão, são eficazes na prevenção. A amitriptilina (tricíclico) e a venlafaxina (ISRSN) são exemplos. Atuam modulando neurotransmissores como serotonina e noradrenalina.

Anticonvulsivantes

Topiramato e valproato de sódio. Estabilizam a atividade elétrica das células nervosas e são opções potentes para prevenção, especialmente em casos mais difíceis de tratar. Podem ter efeitos colaterais que requerem monitoramento.

Anticorpos Monoclonais anti-CGRP

Classe de medicamentos biológicos modernos (ex.: erenumab, fremanezumabe, galcanezumabe). Bloqueiam especificamente a ação do peptídeo CGRP, uma molécula-chave no processo da enxaqueca. São administrados por injeção mensal ou trimestral e representam um avanço significativo no tratamento preventivo.

Toxina Botulínica (Botox®)

Aprovado especificamente para enxaqueca crônica (15 ou mais dias de dor por mês). Aplicado em múltiplos pontos dos músculos da cabeça e pescoço a cada 3 meses. O mecanismo exato de ação na enxaqueca ainda está sendo estudado.

Estratégia de Tratamento: Agudo vs. Preventivo

Esta tabela ajuda a entender quando cada abordagem é mais indicada.

Tratamento Agudo (da Crise) Tratamento Preventivo (Profilático)

OBJETIVO: Interromper ou aliviar uma crise já em andamento.

QUANDO USAR: Ao primeiro sinal da dor de cabeça ou da aura.

EXEMPLOS: Analgésicos, Triptanos, Anti-inflamatórios.

OBJETIVO: Reduzir a frequência, duração e intensidade das crises futuras.

QUANDO USAR: Diariamente ou conforme prescrito, independente de ter dor naquele dia.

EXEMPLOS: Beta-bloqueadores, Anticorpos anti-CGRP, Topiramato.

Ambas as estratégias podem ser usadas em conjunto, conforme a necessidade e prescrição médica. O uso excessivo de medicamentos agudos pode piorar a enxaqueca.

Estratégias de Tratamento

Caracteristicas da Enxaqueca

Personalização é Fundamental

Não existe um tratamento único para todos. A escolha do medicamento ideal depende de um diálogo detalhado com o médico, considerando a frequência e intensidade das crises, os sintomas associados, as condições de saúde do paciente (como hipertensão ou depressão) e o perfil de efeitos colaterais.

Acompanhamento Médico Regular

Após o início de um tratamento, especialmente o preventivo, é crucial retornar ao médico para avaliar a eficácia e tolerância. Ajustes de dose ou mudança de medicamento são comuns até se encontrar a melhor opção para cada pessoa.

Abordagem Integrada

O tratamento mais eficaz combina medicação com mudanças no estilo de vida. Identificar e gerenciar gatilhos pessoais, manter rotinas de sono e alimentação, praticar atividade física regular e usar técnicas de manejo do estresse potencializam os efeitos dos medicamentos.

Tratamentos Não-Farmacológicos de Apoio

Técnicas como biofeedback, terapia cognitivo-comportamental para dor, acupuntura médica e fisioterapia motora especializada podem ser excelentes coadjuvantes no controle global da enxaqueca, auxiliando na redução da tensão muscular e na modulação da percepção da dor.

É importante abordar fatores de risco e comorbidades associadas à enxaqueca, como depressão, ansiedade, distúrbios do sono (como apneia e ronco), e obesidade. Tratar essas condições frequentemente melhora o controle da enxaqueca.

Um ponto de atenção específico para a enxaqueca com aura é o risco ligeiramente aumentado de acidente vascular cerebral isquêmico (AVC), especialmente em mulheres jovens que fumam e usam anticoncepcionais hormonais combinados (com estrogênio). Portanto, é essencial que mulheres com enxaqueca com aura discutam este risco com seu ginecologista e neurologista para escolher o método contraceptivo mais seguro.

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Enxaqueca com Aura e Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Estudos epidemiológicos mostram uma associação entre enxaqueca com aura e um risco relativo aumentado de sofrer um AVC isquêmico, principalmente em mulheres. O risco absoluto, no entanto, permanece baixo para a maioria das pessoas.

Fatores que podem potencializar este risco incluem: tabagismo, uso de anticoncepcionais hormonais com estrogênio, terapia de reposição hormonal e hipertensão arterial não controlada.

Orientação importante: Se você tem enxaqueca com aura, converse com seu neurologista e ginecologista sobre esses fatores. Adotar um estilo de vida saudável (não fumar, controlar a pressão, fazer atividade física) é a melhor forma de minimizar qualquer risco cardiovascular.

Procure atendimento de emergência se: Os sintomas de aura durarem mais de 60 minutos, forem significativamente diferentes dos seus episódios habituais ou forem acompanhados de fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar ou desequilíbrio agudo.

Resumo sobre Enxaqueca com Aura

A enxaqueca é uma condição neurológica comum, genética e potencialmente incapacitante. A enxaqueca com aura, que afeta cerca de 25-30% dos pacientes, é caracterizada por sintomas neurológicos reversíveis (visuais, sensoriais ou de fala) que precedem ou acompanham a dor de cabeça.

O diagnóstico é clínico, e o tratamento eficaz requer uma estratégia dupla: medicamentos para abortar a crise aguda e, quando indicado, tratamento preventivo para reduzir a carga da doença a longo prazo. Uma abordagem integrada, que inclui mudanças no estilo de vida e manejo de gatilhos, é essencial para o controle.

Qualquer pessoa com sintomas novos de aura deve passar por avaliação médica para confirmação do diagnóstico e exclusão de outras condições neurológicas.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

2 Comentários

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  • Achei interessante este artigo por responder em parte ao meu caso. Há cerca de 2 anos comecei a ter uma perturbação visual que consiste inicialmente com uma perturbação na nitidez da visão e depois começa com um ponto tremeluzente no centro do olho que vai abrindo em circulo incompleto, até desaparecer pelas laterais. Este processo dura cerca de 15 a 20 minutos e aparece cerca de uma vez por mês com intervalos irregulares, e em poucos episódios duas vezes no mesmo dia.
    Frequentei vários especialistas da visão e nunca se chegou a que houvesse ligação com estes casos.
    Agora ao ler este artigo concluo que se trata de enxaquecas com aura embora sem qualquer tipo de dor de cabeça. Suponho que esteja relacionado com uma situação epilética que vivi durante vários anos após um acidente de automóvel com a manifestação única de ausências temporárias.

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