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Cefaleia · Enxaqueca

Enxaqueca com aura e sem aura: o que muda

A diferença entre os dois subtipos não está na intensidade da dor, e sim na presença de sintomas neurológicos focais e totalmente reversíveis que antecedem a crise.

Resposta direta
  • A enxaqueca sem aura é a forma comum: a crise começa direto pela dor (em geral pulsátil, de um lado, que piora com esforço), acompanhada de náusea e incômodo com luz e som. Os critérios pedem ao menos 5 crises de 4 a 72 horas com essas características.
  • A enxaqueca com aura acrescenta sintomas neurológicos focais e totalmente reversíveis (visuais, sensitivos ou de fala) que se instalam em 5 a 60 minutos e antecedem ou acompanham a dor. Cerca de 1 em cada 3 pessoas com enxaqueca tem aura.
  • A aura não torna a crise mais perigosa por si só, mas é um marcador de risco vascular discretamente maior. Isso muda condutas concretas: contraindica anticoncepcionais com estrogênio e reforça a necessidade de parar de fumar.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Os dois subtipos e seus critérios

A enxaqueca é um diagnóstico clínico, definido por critérios padronizados, e não por exame de imagem. O que separa os dois subtipos não é a gravidade da dor: é a presença, ou não, da aura.

A classificação usada na prática define a enxaqueca sem aura (a forma comum, em torno de dois terços dos casos) por um conjunto reprodutível de características: pelo menos cinco crises, cada uma com duração de 4 a 72 horas sem tratamento, com ao menos duas das quatro características de dor e ao menos um sintoma associado. Esse desenho importa porque é o que distingue a enxaqueca de uma cefaleia tensional ou de uma dor de cabeça secundária.

Duração
Crise de 4 a 72 horas sem tratamento (ou tratada sem sucesso).
Características da dor (≥ 2)
Localização unilateral; caráter pulsátil (latejante); intensidade moderada a forte; piora com a atividade física rotineira (ou faz a pessoa evitá-la, como subir escadas).
Sintomas associados (≥ 1)
Náusea e/ou vômito; ou fotofobia (incômodo com luz) e fonofobia (incômodo com som) juntas.
Frequência mínima
Ao menos 5 crises com esse padrão, sem que se explique melhor por outro diagnóstico.

A enxaqueca com aura tem uma exigência a mais: ao menos duas crises com um ou mais sintomas de aura totalmente reversíveis. A dor que segue pode ou não preencher todos os critérios acima; em alguns casos a aura vem sem dor nenhuma. Não são quadros opostos: a mesma pessoa pode ter, ao longo da vida, crises com e sem aura, e isso é esperado.

  • 1 em 3pessoas com enxaqueca têm aura
  • 4 a 72 hduração da crise de dor
  • 5 a 60 mininstalação de cada sintoma de aura
  • 90%das auras são visuais
Dr. Marcus Yu Bin Pai entrevistado no programa de televisao Você Bonita falando sobre dor
Na mídia Dr. Marcus Pai em entrevista no programa Você Bonita.

A aura por dentro e seus três tipos

A aura não é a dor. É um fenômeno neurológico próprio, com uma causa identificada. Por trás dela está a depressão alastrante cortical (descrita por Leão, em 1944): uma onda de despolarização intensa dos neurônios e da glia, seguida de um período de silêncio elétrico, que avança pela superfície do córtex a uma velocidade de cerca de 3 milímetros por minuto.

É essa marcha lenta pelo tecido que explica a característica mais típica da aura, e que a diferencia de um evento vascular: os sintomas evoluem gradualmente, ao longo de 5 a 60 minutos, em vez de surgirem de uma vez e máximos. Quando a onda cruza o córtex visual (lobo occipital), surgem os sintomas visuais; ao alcançar o córtex somatossensorial, vem o formigamento; ao atingir as áreas da linguagem, a fala se altera.

Cada sintoma de aura, isoladamente, dura de 5 a 60 minutos e é totalmente reversível, e esse é o ponto que a define. Quando há mais de um (visual seguido de sensitivo, por exemplo), eles vêm em sequência, um começando enquanto o outro termina, e o conjunto pode se estender um pouco mais. A dor de cabeça, quando vem, costuma surgir durante a aura ou nos 60 minutos seguintes ao seu fim. A aura típica reúne três formas de sintoma, com o traço comum da instalação gradual e da reversão completa:

  • Aura visual (a mais frequente). Começa como um pequeno ponto cintilante perto do centro da visão que cresce devagar, formando um arco em zigue-zague com bordas brilhantes em ângulos (o espectro de fortificação) e, por dentro, uma área de visão apagada, o escotoma cintilante. O padrão afeta o mesmo campo visual nos dois olhos, ainda que a pessoa o atribua a um lado, porque tem origem no córtex, não no olho. É um sintoma positivo: a pessoa vê algo a mais, em vez de só perder parte da visão.
  • Aura sensitiva. Formigamento ou dormência (parestesia) que tipicamente começa na mão e sobe lentamente pelo braço até atingir o rosto, em especial o canto da boca e a língua, de um lado do corpo. Essa marcha ao longo de minutos, exatamente como a frente cortical avança, é o que a distingue de uma dormência súbita.
  • Aura de fala e linguagem. Dificuldade para encontrar palavras ou para articular a frase (afasia ou disfasia transitória): a pessoa entende o que quer dizer, mas tropeça na produção. Costuma ser breve e some quando a crise se resolve.
Pérola clínica

A pista mais confiável da aura de enxaqueca é o tempo: ela se instala em minutos e some em até uma hora, e os sintomas marcham de uma área para outra. Um déficit que aparece de forma instantânea e máxima, sem essa progressão, sugere outra origem (como um evento isquêmico) e pede avaliação imediata, não espera. Sintomas negativos puros (perda de um campo visual, sem o brilho que cresce) também merecem atenção.

Por que vem a dor: o sistema trigeminovascular

Ilustração de uma cabeça aberta no topo com o cérebro exposto, atravessado por um martelo, machado, faca, dardo, flecha, revolver e uma bomba acesa, sobre fundo amarelo
A dor da enxaqueca costuma ser pulsátil e intensa, como se a cabeça estivesse sendo atingida por todos os lados.

Se a aura nasce no córtex, a dor da enxaqueca nasce em outro lugar: no sistema trigeminovascular. Os vasos das meninges (a membrana que envolve o cérebro) são inervados por terminações do nervo trigêmeo. Quando essas fibras são ativadas, liberam neuropeptídeos inflamatórios, e o principal deles é o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina).

O CGRP dilata os vasos meníngeos e amplifica a transmissão da dor, gerando uma inflamação neurogênica estéril. O sinal sobe pelo gânglio trigeminal e pelo núcleo trigeminocervical até o tálamo e o córtex, onde é percebido como a dor pulsátil.

Entender esse circuito não é detalhe acadêmico: é o que organiza o tratamento moderno. A fotofobia e a fonofobia refletem a hiperexcitabilidade dessas vias; a náusea envolve conexões com o tronco encefálico. E a descoberta do papel do CGRP é justamente o que deu origem aos medicamentos mais recentes, descritos na seção de tratamento. Em parte das pessoas, a depressão alastrante cortical (a aura) pode funcionar como um dos gatilhos que ativam esse sistema, conectando os dois fenômenos, mas a maioria das crises de dor ocorre sem aura nenhuma.

Em resumo, dois mecanismos

Aura = depressão alastrante cortical (uma onda lenta de despolarização pelo córtex). Dor = ativação do sistema trigeminovascular com liberação de CGRP e inflamação neurogênica das meninges. São fenômenos distintos, que podem ou não acontecer juntos numa mesma crise.

Aura, risco vascular e decisões práticas

Este é o ponto em que ter ou não aura muda condutas concretas. A enxaqueca com aura está associada a um aumento discreto do risco de AVC isquêmico (acidente vascular cerebral por obstrução), sobretudo em mulheres jovens. É importante dimensionar: o risco relativo é maior, mas o risco absoluto de uma mulher jovem e saudável permanece baixo. O que transforma esse achado em algo clinicamente relevante é a combinação com outros fatores, que se somam de forma mais que aditiva.

Por isso, a presença de aura pesa em duas decisões objetivas, que o médico avalia caso a caso:

Contracepção

Evitar estrogênio

A enxaqueca com aura é considerada uma contraindicação ao uso de anticoncepcionais combinados (com estrogênio), pelos critérios de elegibilidade da OMS, justamente porque o estrogênio soma ao risco vascular. Em geral preferem-se métodos só com progestagênio ou não hormonais.

Tabagismo

Parar de fumar

O cigarro potencializa o risco vascular e, junto com aura e estrogênio, a soma é especialmente desfavorável. A cessação do tabagismo é uma das medidas mais úteis e concretas para quem tem enxaqueca com aura, com benefício que vai muito além da dor de cabeça.

Fora dessas duas frentes, controlar pressão arterial, glicemia e colesterol e manter atividade física regular são parte do mesmo cuidado vascular. Vale reforçar o que isso não significa: a aura, por si só, não indica que cada crise seja um mini-AVC nem que a enxaqueca esteja “danificando o cérebro”. Significa apenas que alguns fatores de risco merecem atenção redobrada.

Mito

“Enxaqueca com aura é sempre mais grave do que sem aura.”

Fato

A aura não torna a crise mais perigosa por si só. Ela tem, porém, implicações práticas: contraindica anticoncepcional com estrogênio e reforça a necessidade de cessar o tabagismo e cuidar dos fatores de risco vascular.

Sinais de alerta da aura

A grande maioria das auras é benigna, mas alguns padrões mudam a conduta e pedem avaliação sem demora. Cada um aponta para uma hipótese diferente que muda a investigação. Procure atendimento se notar qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • A primeira aura da vida, principalmente após os 50 anos.
  • Aura que dura mais de 60 minutos ou que não reverte por completo.
  • Sintoma de aura que ocorre sempre do mesmo lado, repetidamente.
  • Início súbito e máximo do sintoma, sem a marcha gradual típica.
  • Sintoma negativo puro (perda de campo visual sem o brilho que cresce).
  • Dor de cabeça súbita e muito intensa, a pior da vida (em estalo).
  • Fraqueza de um lado do corpo, alteração da consciência, febre com rigidez de nuca ou aura após trauma na cabeça.

Uma aura prolongada, sempre do mesmo lado, ou que aparece pela primeira vez na idade madura levanta a necessidade de afastar causa vascular ou estrutural; um déficit instantâneo e a dor em estalo exigem descartar evento agudo, como hemorragia. Vale notar que fraqueza verdadeira de um lado do corpo não faz parte da aura típica e configura um subtipo distinto (a enxaqueca hemiplégica), que sempre exige avaliação. Na ausência desses sinais, e quando o padrão repete auras já conhecidas, o quadro costuma ser a enxaqueca com aura, conduzida de forma conservadora.

Assista: Enxaqueca dá tontura? Enxaqueca dá náuseas? Quando me preocupar?

Tratamento na clínica: o arsenal multimodal

O tratamento da enxaqueca com aura segue a mesma lógica da enxaqueca em geral, com uma ressalva sobre o momento de medicar (detalhada na seção de fármacos). A aura, em si, costuma não precisar de medicação própria: é breve e reverte sozinha. O que conduzimos na clínica é a parte intervencionista e de modulação da dor, dentro de um plano individualizado, multimodal e não cirúrgico, integrado à farmacoterapia e às medidas de estilo de vida.

A meta é dupla: reduzir a frequência e a intensidade das crises e, sempre que possível, diminuir a dependência de analgésicos, evitando a cefaleia por uso excessivo de medicação. As técnicas abaixo são procedimentos médicos, indicados caso a caso conforme o perfil da enxaqueca (episódica ou crônica), as comorbidades e a resposta. Cada uma compõe o plano, ao lado dos fármacos descritos adiante.

ReabilitaçãoProcedimentosMedicamentos

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Recurso preventivo (não abortivo): reduz a frequência das crises ao longo de semanas; não interrompe a crise nem encurta a aura.

ForteSéries semanais

Agulhamento seco de pontos-gatilho pericranianos

Inativa pontos-gatilho miofasciais do trapézio superior, suboccipitais, ECM e temporal que alimentam o componente cervical da crise.

ModeradaAdjuvante

Estimulação elétrica nervosa percutânea (PENS)

Agulha + corrente sobre trajetos pericranianos e cervicais (região do nervo occipital maior) quando há componente cervicogênico relevante.

LimitadaCiclo de sessões

Toxina botulínica (PREEMPT) e bloqueio occipital

Reservada à enxaqueca crônica refratária; o bloqueio do nervo occipital abre janela de alívio nas crises refratárias e na sobreposição cervical.

ForteCiclos · 3–4 meses
Crisereconhecer e abortar
Aura como avisoAmbiente calmoAbortivo no início da dor
Prevenção · crises frequentessomar ao plano
AcupunturaProfilaxia oralMedidas de estilo de vidaComponente cervical
Crônica / refratáriacasos selecionados
Toxina botulínica (PREEMPT)Bloqueio occipitalAnti-CGRP (encaminhar)

Acupuntura médica e eletroacupuntura

O que é
Recurso preventivo, não abortivo: não interrompe uma crise instalada nem encurta a aura; busca reduzir a frequência ao longo de semanas. Na clínica, é feita por médicos acupunturistas, que podem revisar o quadro vascular e o diagnóstico no mesmo atendimento.
Mecanismo
Três frentes que conversam com a fisiopatologia: ativação das vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal, e bulbo rostral ventromedial) que modulam o núcleo trigeminocervical; redução da hiperexcitabilidade cortical (o terreno da depressão alastrante); e atenuação do componente miofascial cervical que alimenta a convergência trigeminocervical. Na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais os sistemas opioides endógenos.
Evidência
Forte Das mais robustas entre as técnicas com agulha na enxaqueca: revisão Cochrane e ensaios maiores mostram redução dos dias de crise frente à acupuntura simulada e ao cuidado usual, com efeito comparável ao de profiláticos orais e melhor tolerância, o que sustenta a recomendação do NICE para profilaxia em contextos selecionados.
O que esperar
Nada na primeira sessão; o benefício preventivo aparece de forma cumulativa. O plano se organiza em séries semanais, com reavaliação do diário de cefaleia por volta de seis a oito semanas, o mesmo horizonte usado para julgar a profilaxia medicamentosa.
Limitações
Desconforto ou pequena equimose no ponto; cautela no uso de anticoagulantes. Adjuvante à farmacoterapia e às medidas de estilo de vida.

Toxina botulínica e bloqueios para casos refratários

O que é
Para a enxaqueca crônica (dor em 15 ou mais dias por mês, por mais de três meses) que resiste ao tratamento, a toxina botulínica tipo A pelo protocolo PREEMPT (injeções em pontos fixos da cabeça e do pescoço). O bloqueio do nervo occipital (anestésico, com ou sem corticoide) é recurso adicional em crises refratárias e na sobreposição com dor cervical.
Mecanismo
Além de bloquear a liberação de acetilcolina, reduz a liberação periférica de neuropeptídeos nociceptivos (entre eles o próprio CGRP, a substância P e o glutamato), com efeito antinociceptivo que vai além do relaxamento muscular. O bloqueio occipital oferece uma janela de alívio para avançar o tratamento ativo.
Evidência
Forte Papel consolidado na enxaqueca crônica pelo protocolo PREEMPT.
O que esperar
O efeito começa em 2 a 4 semanas e dura cerca de três a quatro meses, com benefício cumulativo entre ciclos.
Limitações
A escolha do produto, das doses e dos pontos cabe ao médico. A toxina é reservada à enxaqueca crônica, não à episódica.

Agulhamento seco de pontos-gatilho e PENS

Boa parte de quem tem enxaqueca carrega pontos-gatilho miofasciais ativos na musculatura pericraniana e cervical (trapézio superior, suboccipitais, esternocleidomastóideo e temporal): o trapézio superior refere dor para a têmpora e a região retro-orbitária, e os suboccipitais para a nuca e o topo da cabeça, justamente o trajeto que muitos descrevem como o início da crise. No agulhamento seco, a agulha no ponto-gatilho desencadeia a resposta de contração local, reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e diminui a aferência nociceptiva que converge para o núcleo trigeminocervical. Não é tratamento da aura nem da crise aguda; costuma haver alívio da rigidez e da dor referida na própria sessão ou nos dias seguintes, com dor leve no ponto por um a dois dias, e o ganho se sustenta com reabilitação cervical. A PENS soma uma corrente elétrica por agulhas percutâneas sobre trajetos pericranianos e cervicais (entre eles a região do nervo occipital maior): promove neuromodulação periférica e segmentar, recrutando os mecanismos da comporta no corno dorsal e as vias inibitórias descendentes. Evidência Moderada para o agulhamento seco e Limitada e de menor porte para a PENS na enxaqueca. Ambas são adjuvantes criteriosos, indicadas quando há claro componente miofascial ou cervicogênico, e não na enxaqueca pura; cautela em anticoagulados.

Crise

Reconhecer e abortar

Identificar a aura como aviso, repousar em ambiente calmo e usar o abortivo orientado quando a dor começa.

Semanas 1 a 4

Estruturar o plano

Diário de cefaleia, ajuste de gatilhos e início de profilaxia ou acupuntura quando as crises são frequentes.

Após 8 a 12 semanas

Reavaliar

Mede-se a resposta pela redução de dias de dor por mês; sem o resultado esperado, troca-se a estratégia em vez de insistir na mesma.

Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, o número de dias de dor por mês registrado no diário e o impacto na rotina por questionários validados de impacto. A meta é reduzir a frequência e a intensidade a um nível que não limite a vida, e nem sempre eliminar as crises por completo. Para entender quanto tempo cada fase costuma durar, veja o guia sobre quanto tempo dura a enxaqueca; para a visão completa de causas, fases e tratamento, consulte o guia sobre o que é enxaqueca.

Da prática clínica

Observações recorrentes no consultório:

  • A aura quase sempre assusta mais do que a dor. Quem vê o zigue-zague brilhante crescer no campo visual pela primeira vez costuma temer um derrame ou um problema nos olhos; descrever o padrão (luz que cresce devagar, dos dois olhos, sumindo em até uma hora) tranquiliza mais do que qualquer exame, e o exame de imagem, quando se faz, é para afastar outras causas, não para confirmar a enxaqueca.
  • A pergunta sobre anticoncepcional raramente é feita. Muitas mulheres com aura usam pílula combinada há anos sem que ninguém tenha cruzado os dois fatos; é frequente que a conversa sobre trocar o método, e sobre parar de fumar, seja a parte da consulta com maior impacto na saúde a longo prazo, mais até do que a escolha do remédio para a dor.
  • Quem trata cedo trata com menos. Há um hábito de “aguentar para ver se passa” e medicar só quando a dor já está forte; nesse ponto o abortivo rende menos e exige dose maior. Reconhecer a crise no começo, e usar a aura como aviso, costuma ser a mudança que mais melhora o controle, sem trocar de medicamento.
  • O pescoço aparece com frequência. Boa parte de quem chega com enxaqueca tem o trapézio e os suboccipitais tensos e dolorosos, e a pressão nesses pontos reproduz a dor que a pessoa atribuía só à cabeça; tratar esse componente cervical não cura a enxaqueca, mas costuma reduzir o pano de fundo de dor sobre o qual as crises se instalam.
A aura como informação acionável

A aura é benigna em si, mas carrega duas consequências práticas. A primeira: a aura é um marcador de risco vascular que muda uma decisão concreta de contracepção, porque somada ao estrogênio dos anticoncepcionais combinados eleva o risco de AVC isquêmico em mulheres jovens, o que torna esses métodos contraindicados (critérios da OMS). A segunda: o momento de medicar muda o resultado; tratar a crise logo no início rende mais do que esperar a dor crescer, e a aura serve exatamente como o aviso que permite agir cedo. A aura orienta a escolha do método contraceptivo e marca a hora certa de usar o abortivo.

Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia

As medidas não farmacológicas não são acessórias na enxaqueca: são a base preventiva sobre a qual todo o resto se apoia. Não abortam a crise nem competem com o triptano, mas, somadas, reduzem a frequência das crises, melhoram a tolerância e diminuem a necessidade de medicação. Funcionam como adjuvantes preventivos dentro do plano multimodal.

O ponto de partida é a regularidade. A enxaqueca é um cérebro sensível a variações, e a maior parte do que se pode fazer fora do consultório consiste em reduzir oscilações que servem de gatilho. Isso significa hábitos estáveis, identificação dos próprios gatilhos e técnicas de autorregulação, descritas abaixo. A escolha e a ordem dependem do perfil de cada pessoa, e nenhuma medida isolada resolve: o efeito vem do conjunto, mantido ao longo do tempo.

Medidas comportamentais e de estilo de vida

Hábitos que estabilizam o ambiente interno e elevam o limiar de disparo: sono regular (horários estáveis, inclusive nos fins de semana, evitando privação e excesso), hidratação e regularidade das refeições (previnem desidratação e hipoglicemia), exercício aeróbico graduado (30–40 min, 3–5×/semana) e manejo do estresse (o pico e o alívio súbito — a crise de fim de semana — são gatilhos). A cafeína pede constância: em excesso, de forma irregular ou na abstinência, é gatilho frequente.

ModeradaRotina contínua

Diário de cefaleia e identificação de gatilhos

Instrumento central: registra frequência, intensidade, possíveis gatilhos, fase do ciclo menstrual e uso de medicação. Transforma impressões em padrões e evita dois erros opostos: ignorar gatilhos reais e impor restrições alimentares amplas e inúteis. Gatilhos variam muito de pessoa para pessoa; a abordagem é individual, não uma lista universal de proibições.

ForteFerramenta base

Biofeedback, TCC e treino de relaxamento

O biofeedback ensina a perceber e regular respostas fisiológicas (tensão muscular pelo EMG, temperatura periférica) por sinais em tempo real; a TCC e o relaxamento trabalham a resposta ao estresse e os pensamentos que amplificam a dor. Reduzem a hiperreatividade autonômica e a tensão pericraniana e elevam o limiar de disparo. Úteis quando há estresse, ansiedade ou tensão associados, e quando se busca reduzir a carga de medicação, como na gravidez. Limitação: disponibilidade e adesão.

ModeradaAprendizado regular

Fisioterapia e RPG para o componente cervical e tensional

Dirigida ao componente musculoesquelético: cinesioterapia cervical e escapular, terapia manual, correção postural e RPG, com indicação médica. O aferente cervical (suboccipitais, trapézio superior, elevador da escápula, ECM) converge no núcleo trigeminocervical com as fibras trigeminais — reduzir a sobrecarga muscular e melhorar postura e mobilidade diminui esse componente somatossensorial. A RPG trabalha por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo mantidas. Isoladamente não trata a enxaqueca pura; entra como adjuvante quando há claro componente cervical ou tensional, com benefício gradual e de magnitude variável. Mais em dor no pescoço que causa dor de cabeça.

ModeradaSe há componente cervical
Exercício aeróbico regular
Forte
Biofeedback e terapias comportamentais
Forte
Sono, hidratação e refeições regulares
Moderada
Fisioterapia/RPG (componente cervical)
Moderada

Essas medidas reduzem a frequência, mas em geral não bastam sozinhas em quadros frequentes ou incapacitantes, situação em que se somam à profilaxia. A resposta é gradual, ao longo de semanas a meses, e depende de constância.

Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica

A enxaqueca não tem tratamento cirúrgico estabelecido. A chamada cirurgia de descompressão de pontos-gatilho (liberação de ramos nervosos pericranianos) é discutida em alguns serviços, mas permanece sem evidência sólida e fora das recomendações das principais diretrizes, e não a indicamos nem realizamos. Não existe procedimento cirúrgico que cure a enxaqueca. O que existe, para os casos mais difíceis ou refratários, é um conjunto de opções especializadas e de neurologia da dor, descrito abaixo.

Conservador · 1ª escolha

Plano multimodal e não cirúrgico

  • Abortivo da crise no início da dor e profilaxia oral quando as crises são frequentes
  • Medidas de estilo de vida, diário de cefaleia e identificação de gatilhos
  • Acupuntura preventiva e técnicas de modulação da dor
  • Toxina botulínica (PREEMPT) na forma crônica e bloqueio occipital
  • Tratamento do componente cervical e tensional
VS

Cirúrgico · sem indicação

Descompressão de pontos-gatilho

  • Liberação de ramos nervosos pericranianos, discutida em alguns serviços
  • Permanece sem evidência sólida e fora das diretrizes
  • Não indicamos nem realizamos
  • Nenhum procedimento cirúrgico cura a enxaqueca

Fora da cirurgia, essas opções entram em discussão quando a enxaqueca se torna crônica ou refratária (falha de várias classes de profilaxia bem conduzidas), quando há uso excessivo de medicação a ser revertido, ou quando as comorbidades limitam as escolhas habituais. Algumas são conduzidas na nossa clínica e outras por outros serviços.

Especialista · prevenção

Anti-CGRP injetáveis

Os anticorpos monoclonais contra a via do CGRP (erenumabe, galcanezumabe, fremanezumabe, eptinezumabe) são a profilaxia mais específica, em injeção mensal ou trimestral. Indicados sobretudo na enxaqueca de difícil controle ou após falha de profiláticos orais; prescritos por especialista, com custo e acesso ainda limitantes.

Clínica · enxaqueca crônica

Toxina botulínica (PREEMPT)

A toxina botulínica tipo A, pelo protocolo PREEMPT (31 pontos fixos da cabeça e do pescoço), tem papel consolidado na enxaqueca crônica (15 ou mais dias de dor por mês). É um procedimento médico, realizado em ciclos a cada três meses; descrito em detalhe na seção do arsenal da clínica, acima.

Especialista · adjuvante

Neuromodulação não invasiva

Dispositivos como o estimulador do nervo trigêmeo (eTNS, supraorbital), a estimulação não invasiva do nervo vago (nVNS), a estimulação magnética transcraniana de pulso único (sTMS) e a neuromodulação elétrica remota (REN) têm registro para uso agudo e/ou preventivo. Boa segurança, efeito de magnitude modesta; conduzidos por serviços de neurologia, em geral fora da nossa clínica.

Quando encaminhar

Especialista em cefaleia

O encaminhamento ao neurologista ou ao especialista em cefaleia se justifica diante de enxaqueca refratária a várias profilaxias, dúvida diagnóstica, enxaqueca hemiplégica ou com aura atípica, e candidatos a anti-CGRP ou a procedimentos especializados.

Os anti-CGRP trouxeram um avanço real para quem não respondia aos profiláticos clássicos, com boa tolerância, mas não funcionam em todos e exigem acompanhamento; a toxina botulínica é eficaz na forma crônica, não na episódica, e age em ciclos cumulativos, não de imediato; a neuromodulação é segura e útil como adjuvante, sobretudo quando se quer poupar medicação, porém com efeito mais modesto e isolado raramente suficiente. Cada opção se soma à profilaxia oral, à abordagem não farmacológica e às técnicas de modulação da dor descritas nas seções anteriores. Quando o caso ultrapassa o que conduzimos na clínica, o encaminhamento é para quem executa o procedimento.

Tratamento medicamentoso

A farmacoterapia da enxaqueca tem duas frentes distintas: abortar a crise de dor e reduzir a frequência das crises recorrentes. A prescrição, a dose, a duração e o ajuste são definidos pelo médico assistente, com atenção às comorbidades, às interações e à gravidez. Antes das classes, um princípio inegociável que organiza tudo: não usar analgésico em excesso.

Alerta · cefaleia por uso excessivo de medicação (CUEM)

O uso frequente de abortivos pode transformar a enxaqueca em uma dor de cabeça quase diária, a cefaleia por uso excessivo de medicação. Os limiares de risco são de 15 ou mais dias por mês para analgésicos simples e anti-inflamatórios, e de 10 ou mais dias por mês para triptanos, opioides, derivados do ergot e combinações. Esse é um dos principais motivos para indicar profilaxia e um dos riscos que mais a abordagem não farmacológica ajuda a evitar.

Tratamento da crise (abortivo)

O objetivo é interromper a crise o quanto antes, porque quanto mais cedo se trata, maior a chance de resposta e menor a dose necessária.

Classes abortivas da crise
ClassePara quê / mecanismoEvidênciaO que esperar e limitações
Anti-inflamatórios
naproxeno, ibuprofeno, cetoprofeno
Reduzem a inflamação neurogênica; eficazes em crises leves a moderadas, sobretudo no início.ModeradaRisco gastrointestinal, renal e cardiovascular com uso frequente; não devem virar rotina diária.
Triptanos
sumatriptana, rizatriptana, naratriptana, zolmitriptana
Abortivos específicos: agonistas 5-HT1B/1D. O 5-HT1B contrai os vasos meníngeos dilatados; o 5-HT1D inibe a liberação de CGRP nas terminações trigeminais.ForteContraindicados em doença coronariana, AVC prévio e hipertensão não controlada (componente vasoconstritor). Detalhe da aura: orienta-se tomar quando a dor começa, não durante a aura.
Gepantes
rimegepante, ubrogepante
Antagonistas do receptor de CGRP de uso oral. Bloqueiam a via da dor sem vasoconstrição.ModeradaOpção quando o triptano é contraindicado por risco cardiovascular. Classe mais recente, com custo e acesso ainda limitantes.
Ditans
lasmiditana
Agonista seletivo do receptor 5-HT1F, que inibe a via trigeminal sem ação vasoconstritora (não age no 5-HT1B).ModeradaÚtil em quem tem contraindicação vascular ao triptano; pode causar tontura e sonolência e exige cautela ao dirigir.
Antieméticos
metoclopramida, bromoprida
Controlam a náusea e melhoram a absorção do abortivo oral, somando ao efeito analgésico.ModeradaAdjuvantes do abortivo; usados conforme náusea e vômito da crise.

Por que estas classes e quando: anti-inflamatórios e antieméticos costumam bastar nas crises leves a moderadas; o triptano é a escolha específica nas crises moderadas a fortes que não respondem ao anti-inflamatório; gepantes e a lasmiditana são as alternativas quando há contraindicação cardiovascular ao triptano. Qualquer que seja a escolha, o tratamento precoce e o teto de dias de uso no mês são tão importantes quanto a molécula.

Tratamento preventivo (profilaxia)

Indicado quando as crises são frequentes (em geral a partir de 4 dias de dor por mês com impacto, ou antes disso se forem muito incapacitantes), quando o abortivo não basta ou é mal tolerado, ou para evitar a CUEM. A meta é reduzir a frequência e a intensidade, não necessariamente zerar as crises, e a escolha é guiada pelas comorbidades, pelo perfil de efeitos e pela tolerância.

Classes profiláticas
ClassePara quê / mecanismoEvidênciaO que esperar e limitações
Betabloqueadores
propranolol, metoprolol
Profilaxia clássica de primeira linha, com bom equilíbrio entre eficácia e custo e a melhor relação evidência-acesso. O propranolol é frequentemente o ponto de partida.ForteCautela em asma, bradicardia e hipotensão; podem cursar com fadiga.
TopiramatoAnticonvulsivante com boa evidência; útil quando há sobrepeso a evitar. Modula a excitabilidade neuronal (canais de sódio, potenciação GABA, inibição do glutamato).ForteParestesias, alteração do paladar, perda de peso e impacto cognitivo; é teratogênico, ponto crítico em mulheres em idade fértil.
AmitriptilinaAntidepressivo tricíclico em dose baixa, útil sobretudo com insônia, cefaleia de tensão associada ou outra dor crônica. Atua modulando vias monoaminérgicas da dor.ModeradaEfeitos anticolinérgicos (boca seca, sonolência, constipação) limitam a dose.
Candesartana / flunarizinaCandesartana: antagonista do receptor de angiotensina, opção interessante em quem também tem hipertensão. Flunarizina: bloqueador de canal de cálcio, escolhido conforme comorbidades.ModeradaCandesartana com boa tolerância; flunarizina com atenção a sedação, ganho de peso e sintomas extrapiramidais no uso prolongado.
Anti-CGRP (injetável)
erenumabe, galcanezumabe, fremanezumabe, eptinezumabe
Profilaxia mais específica: neutralizam a via do CGRP de forma contínua, por injeção mensal ou trimestral, com início de efeito em semanas. Há ainda os gepantes preventivos orais (atogepante diário, rimegepante).ForteBoa tolerância. Reservados sobretudo aos casos de difícil controle ou após falha de orais; limitação principal é o custo e o acesso.

A profilaxia leva de 8 a 12 semanas para mostrar seu efeito pleno e não deve ser julgada antes disso; considera-se resposta uma redução de cerca de 50% nos dias de dor por mês. Quando uma classe falha em dose e tempo adequados, troca-se de classe, em vez de simplesmente repetir. Para um panorama das classes de analgésicos e seus cuidados, veja o nosso guia de remédios para dor.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre enxaqueca com aura e sem aura?

Na enxaqueca sem aura, a mais comum, a crise começa direto pela dor (pulsátil, de um lado, com náusea e incômodo com luz e som; crise de 4 a 72 horas). Na enxaqueca com aura, a dor é precedida ou acompanhada por sintomas neurológicos reversíveis que se instalam em 5 a 60 minutos. A mesma pessoa pode ter os dois tipos de crise, e a aura não torna a enxaqueca mais grave por si só.

O que é a aura da enxaqueca?

É um conjunto de sintomas neurológicos totalmente reversíveis (visuais, sensitivos ou de fala) causados por uma onda lenta de despolarização no córtex, a depressão alastrante cortical. Por isso instalam-se aos poucos, ao longo de 5 a 60 minutos, e marcham de uma área para outra. O sintoma mais comum é o visual: luzes em zigue-zague e um ponto cego que cresce. Para o panorama completo, veja o guia sobre o que é enxaqueca.

Enxaqueca com aura aumenta o risco de AVC?

A enxaqueca com aura associa-se a um aumento discreto do risco de AVC isquêmico, sobretudo em mulheres jovens; o risco absoluto, porém, permanece baixo numa pessoa saudável. O que torna isso prático é evitar fatores que se somam: por isso a aura contraindica anticoncepcionais com estrogênio e reforça a importância de não fumar e de controlar pressão, glicemia e colesterol.

É possível ter aura sem dor de cabeça?

Sim. É a aura sem cefaleia, mais comum com a idade e em quem já teve enxaqueca com aura antes. Quando o padrão é antigo, conhecido e igual às auras anteriores, costuma ser benigno. A primeira vez, porém, sempre merece avaliação para afastar outras causas, já que sintomas neurológicos transitórios têm vários diagnósticos.

Posso tomar triptano durante a aura?

Em geral orienta-se tomar o triptano quando a dor começa, e não durante a aura, por cautela com o componente vasoconstritor da classe. Quem tem contraindicação cardiovascular ao triptano pode ter alternativas sem vasoconstrição, como os gepantes ou a lasmiditana. A escolha cabe ao médico, conforme o quadro e as comorbidades.

Quanto tempo dura a aura?

Cada sintoma de aura costuma durar de 5 a 60 minutos e desaparecer por completo. Quando há sintomas em sequência, o conjunto pode se estender um pouco mais. Uma aura que passa de 60 minutos ou não reverte deve ser avaliada sem demora. A duração das fases da crise é detalhada em quanto tempo dura a enxaqueca.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Lucas C. Migraine with aura. Revue neurologique. 2021. doi:10.1016/j.neurol.2021.07.010. PMID:34384631.
  2. Grodzka O; Dzagoevi K; Rees T; Cabral G; Chądzyński P; Di Antonio S; Sochań P; MaassenVanDenBrink A; Lampl C; European Headache Federation School of Advanced Studies (EHF-SAS). Migraine with and without aura-two distinct entities? A narrative review. The journal of headache and pain. 2025. doi:10.1186/s10194-025-01998-1. PMID:40229683.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 11 min

Este texto tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica de cada caso. Definir o subtipo de enxaqueca, pesar o risco vascular da aura diante da contracepção e montar o esquema agudo e preventivo são decisões individualizadas, tomadas em consulta. Iniciar, ajustar ou suspender qualquer medicamento cabe exclusivamente ao seu médico assistente.

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  • Achei interessante este artigo por responder em parte ao meu caso. Há cerca de 2 anos comecei a ter uma perturbação visual que consiste inicialmente com uma perturbação na nitidez da visão e depois começa com um ponto tremeluzente no centro do olho que vai abrindo em circulo incompleto, até desaparecer pelas laterais. Este processo dura cerca de 15 a 20 minutos e aparece cerca de uma vez por mês com intervalos irregulares, e em poucos episódios duas vezes no mesmo dia.
    Frequentei vários especialistas da visão e nunca se chegou a que houvesse ligação com estes casos.
    Agora ao ler este artigo concluo que se trata de enxaquecas com aura embora sem qualquer tipo de dor de cabeça. Suponho que esteja relacionado com uma situação epilética que vivi durante vários anos após um acidente de automóvel com a manifestação única de ausências temporárias.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

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