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Joelho · Articulação

Artrite no joelho: sintomas, diagnóstico e tratamento

A maioria das artrites de joelho é, na verdade, artrose: desgaste da cartilagem que piora ao usar e melhora ao repousar. Uma minoria é artrite inflamatória, como a reumatoide ou a gota.

Resposta direta
  • “Artrite no joelho” reúne dois quadros distintos: a artrose (desgaste da cartilagem, de longe a mais comum) e a artrite inflamatória (reumatoide, gota e outras), bem menos frequente.
  • A artrose dói ao usar o joelho e melhora com repouso, com rigidez matinal curta; a artrite inflamatória traz rigidez matinal longa, calor e inchaço que persistem mesmo parado.
  • O tratamento da gonartrose é conservador e multimodal, com fortalecimento e controle de peso como base; a artrite inflamatória precisa de reumatologista para tratar a doença de fundo.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Artrose ou artrite inflamatória: dois problemas diferentes

A palavra “artrite” significa apenas inflamação de uma articulação, e é por isso que ela confunde. No joelho, ela costuma se referir a dois processos com causas, exames e tratamentos distintos: a osteoartrose, que é desgaste, e a artrite inflamatória, que é uma doença que ataca a articulação.

A osteoartrose do joelho (também chamada de gonartrose, artrose ou “desgaste”) é o problema articular mais comum a partir da meia-idade. A cartilagem que reveste o fêmur e a tíbia perde qualidade e espessura, o osso embaixo reage formando osteófitos (os “bicos de papagaio”), e a articulação fica menos lubrificada e mais sensível à carga. Há um componente inflamatório de baixo grau, mas o motor do quadro é mecânico: a dor surge ao usar o joelho e cede com o repouso.

A artrite inflamatória é outra história. Aqui o problema parte do sistema imune ou do metabolismo, não do desgaste. Na artrite reumatoide, o sistema imunológico ataca a membrana sinovial (o revestimento interno da articulação), que incha, esquenta e, com o tempo, corrói a cartilagem e o osso; costuma afetar várias articulações dos dois lados, em especial mãos e punhos.

Na gota, cristais de ácido úrico se depositam na articulação e disparam crises de dor intensa, súbita, com vermelhidão e calor. Existem ainda a artrite psoriásica, as espondiloartrites e a artrite séptica (por infecção), esta última uma urgência.

Mito

“Artrite e artrose são a mesma coisa, e as duas significam que o joelho está se desgastando.”

Fato

Artrose é desgaste mecânico da cartilagem. Artrite inflamatória é uma doença do sistema imune ou do metabolismo que inflama a articulação. O tratamento de cada uma é diferente, e por isso o diagnóstico vem primeiro.

Dois pontos que mudam a abordagem da artrite no joelho

O rótulo “artrite no joelho” esconde duas doenças diferentes, com tratamentos opostos: de um lado o desgaste mecânico (artrose), que melhora com fortalecimento e carga bem dosada; de outro a inflamação imune ou por cristais (reumatoide, gota), que exige reumatologista e medicação de fundo. O diagnóstico define o tratamento. Na artrose, a parte que mais alivia não age na cartilagem: fortalecer o quadríceps e tirar carga do joelho mudam a dor sem mexer no desgaste, enquanto a cartilagem perdida não se reconstrói com remédio nem com injeção. Por isso a glucosamina, vendida como quem “regenera o joelho”, tem evidência fraca e inconsistente: ela mira justamente onde menos se consegue agir.

Fisioterapeuta avaliando o joelho de uma paciente sentada na maca em sala de fisioterapia
Reabilitação na clínica Avaliação do joelho durante consulta de fisioterapia

Sintomas de artrite no joelho

Ilustração editorial de perna de corredor em movimento com destaque terracota no joelho
A dor que piora ao caminhar, subir escadas e apoiar peso e um dos sintomas mais típicos da artrite de joelho

Os sintomas de artrite no joelho variam conforme a causa, mas alguns padrões orientam bastante. Na artrose, a queixa central é dor mecânica: piora ao caminhar, subir e descer escadas, agachar e levantar de uma cadeira baixa, e alivia ao sentar. É comum sentir o joelho “travar” ou estalar (crepitação), uma rigidez curta ao levantar de manhã ou após ficar muito tempo parado (em geral abaixo de 30 minutos), e perda gradual de flexão e extensão. O inchaço, quando aparece, costuma ser discreto e ligado ao esforço.

Na artrite inflamatória, o padrão se inverte. A rigidez matinal é prolongada, com frequência acima de uma hora, e o joelho costuma estar quente, inchado e dolorido mesmo em repouso ou à noite. Há sinais sistêmicos possíveis, como cansaço, febre baixa e acometimento de outras articulações.

Na gota, a crise é dramática: dor que surge em horas, vermelhidão intensa e o joelho (ou o dedão do pé) muito sensível ao toque. Reconhecer esses sinais é o que define o quadro “artrite no joelho sintomas” que muitos pacientes pesquisam, e é também o que separa um problema de desgaste de uma doença que pede tratamento específico.

  • Dor mecânica. Piora ao usar o joelho e alivia ao repousar: típica da artrose.
  • Rigidez matinal longa. Acima de uma hora, com calor e inchaço persistentes: sugere artrite inflamatória.
  • Crepitação. Estalos e sensação de atrito ao mover, comuns no desgaste da cartilagem.
  • Crise súbita e vermelha. Dor intensa que surge em horas, com vermelhidão: pensar em gota ou infecção.

Como diferenciar artrose de artrite inflamatória

Render 3D de perna com joelho destacado em vermelho e zoom da articulação mostrando cartilagem desgastada e meniscos sobre as superfícies ósseas do fêmur e tíbia
Na artrose o desgaste da cartilagem expõe o osso e estreita o espaço articular, sinal que ajuda a separar artrite de outras dores de joelho

A distinção começa na história e no exame, antes de qualquer imagem. O ritmo da dor é a pista mais útil: dor que piora com o uso e melhora com o repouso aponta para artrose; dor e rigidez que pioram com o repouso e melhoram com o movimento, mais o padrão de várias articulações inflamadas, apontam para uma artrite inflamatória. A tabela abaixo resume as diferenças que mais pesam na prática.

Artrose (osteoartrose) versus artrite inflamatória no joelho
CaracterísticaArtrose / gonartroseArtrite inflamatória (ex.: reumatoide, gota)
MecanismoDesgaste mecânico da cartilagemAtaque imune (reumatoide) ou cristais (gota)
Ritmo da dorPiora ao usar, melhora ao repousarPiora em repouso e à noite, melhora ao movimentar
Rigidez matinalCurta, em geral abaixo de 30 minutosProlongada, com frequência acima de 1 hora
Calor e inchaçoDiscretos, ligados ao esforçoMarcantes, com a articulação quente e tensa
DistribuiçãoLocalizada, joelho(s) que sofrem cargaVárias articulações, muitas vezes dos dois lados
Sinais sistêmicosAusentesPossíveis: cansaço, febre baixa, mal-estar
Faixa típicaMais comum após a meia-idadeQualquer idade; reumatoide é mais frequente em mulheres

Quando a história sugere inflamação, os exames ajudam a confirmar. Provas inflamatórias como VHS e PCR, o fator reumatoide e o anti-CCP (mais específico para artrite reumatoide), e o ácido úrico orientam a hipótese; na suspeita de gota ou de infecção, a análise do líquido aspirado da articulação é decisiva. A radiografia mostra bem a artrose, com redução do espaço articular, osteófitos e esclerose do osso, mas, como em outras articulações, o achado de imagem precisa combinar com o quadro clínico para ter peso. Vale o mesmo princípio do laudo da coluna: trata-se o paciente, não o exame isolado.

Em uma frase

Dor que piora ao usar o joelho fala a favor de desgaste; rigidez longa pela manhã, com calor e inchaço que não cedem ao repousar, fala a favor de inflamação e pede avaliação do reumatologista.

Sinais de alerta

A maior parte da dor articular do joelho é benigna e responde ao tratamento conservador. Alguns sinais, porém, indicam que a avaliação não deve esperar, porque mudam a conduta:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Joelho muito quente, vermelho e inchado, com dor intensa e febre: pode ser artrite séptica (infecção), uma urgência.
  • Inchaço súbito e importante, sobretudo após trauma, ou incapacidade de apoiar o peso na perna.
  • Rigidez matinal prolongada com várias articulações inflamadas ao mesmo tempo.
  • Bloqueio do joelho (trava e não estende) ou sensação de falseio que o derruba.
  • Perda de peso sem explicação, suores noturnos ou história de câncer.

O sinal mais urgente é a suspeita de infecção: um joelho agudamente quente, vermelho e muito doloroso, com febre, exige avaliação imediata, porque a artrite séptica pode lesar a articulação rapidamente. Crises de gota e surtos de artrite reumatoide também merecem atenção precoce, e a febre com poliartrite sempre precisa ser investigada antes de assumir que se trata de desgaste.

Assista: Joelho Inchado? Descubra as Causas e Como Tratar!

Tratamento da artrite no joelho

O tratamento depende da causa. Na artrose do joelho, ele é conservador, multimodal e individualizado, e não existe técnica que reconstrua uma cartilagem já gasta: o objetivo é reduzir a dor, recuperar a função e descarregar a articulação, adiando ou evitando a cirurgia. Na artrite inflamatória, o eixo é tratar a doença de fundo com o reumatologista; as medidas a seguir somam-se a esse tratamento para controlar a dor e preservar o movimento, mas não substituem a medicação que freia a doença. A base, nos dois casos, é ativa.

A

Artrose (gonartrose)

Desgaste degenerativo da cartilagem. O eixo é conservador: fortalecer, controlar o peso e modular a dor para descarregar a articulação e adiar a cirurgia.

→ reabilitação ativa + técnicas de consultório
I

Artrite inflamatória

Artrite reumatoide, gota e quadros afins, em que uma doença de fundo corrói a articulação.

→ tratar a doença com o reumatologista; reabilitação soma, não substitui
ReabilitaçãoProcedimentosMedicamentos

Fortalecimento e controle de peso

A base do tratamento da gonartrose: fortalecer quadríceps e glúteos e reduzir a carga sobre o joelho. Cada quilo a menos alivia várias vezes esse valor na articulação ao caminhar.

Forte6–12 sem

Acupuntura e eletroacupuntura

Boa evidência na artrose de joelho; rende sobretudo em quem precisa poupar anti-inflamatórios. Modula a dor por vias inibitórias e opioides endógenos.

Moderadaciclo de 4–6 sessões

Laser de alta intensidade e agulhamento seco

Laser de alta intensidade como adjuvante por fotobiomodulação; agulhamento seco nos pontos-gatilho do quadríceps e gastrocnêmios quando há dor miofascial referida ao joelho.

Moderadaséries de sessões

Infiltração e viscossuplementação

Infiltração com corticoide nas fases de mais inflamação; ácido hialurônico em casos selecionados. Recursos pontuais, sempre somados ao exercício.

Limitadacasos selecionados

Medicação adjuvante

Paracetamol, anti-inflamatório oral ou tópico por períodos curtos e duloxetina em casos selecionados, para baixar a dor e permitir o exercício. Detalhada na seção medicamentosa.

Moderadaadjuvante

Reumatologia e cirurgia

A artrite inflamatória vai ao reumatologista; o ortopedista entra quando a artrose é avançada e incapacitante, em decisão compartilhada.

Forteencaminhamento
Primeira linhainiciar aqui
Fortalecimento de quadríceps e glúteosControle de pesoEducação e baixo impacto
Segunda linhase a dor não cede
Acupuntura / eletroacupunturaLaser de alta intensidadeAgulhamento secoanti-inflamatório tópico ou curto curso
Refratáriocasos selecionados
Infiltração intra-articularViscossuplementaçãoEncaminhamento ao ortopedista

Reabilitação, fortalecimento e controle de peso: a base

O que é
Programa ativo individualizado e supervisionado (na clínica, um paciente por sala): fortalecimento progressivo de quadríceps, glúteos e cadeia posterior, ganho de amplitude de movimento e controle motor, com exercícios de baixo impacto como bicicleta e atividades na água, e terapia manual como adjuvante; em paralelo, o controle de peso.
Mecanismo
O joelho com artrose dói em parte porque está mal protegido: um quadríceps fraco deixa a articulação sem amortecimento e a sobrecarga acelera o desgaste. Fortalecer redistribui a carga e dessensibiliza ao movimento. Ao caminhar, a força que passa pelo joelho é várias vezes o peso do corpo, de modo que perder peso reduz de forma amplificada a carga articular e a dor.
Evidência
Forte É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na artrose do joelho, e o eixo de todo o resto; recomendação de primeira linha em todas as principais diretrizes.
O que esperar
Resposta gradual ao longo de semanas; o programa é mantido depois do alívio para preservar a função e reduzir crises.
Indicações
Praticamente todos os casos de gonartrose, em qualquer grau, e também a artrite inflamatória estável, somado ao tratamento de fundo.
Limitações
Não reconstrói a cartilagem já gasta; o resultado depende da regularidade.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

O que é
Entre as modalidades de consultório, a que tem melhor suporte na osteoartrose de joelho, uma das articulações mais estudadas para a técnica. Na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência é ligada às agulhas em torno da interlinha articular e do quadríceps.
Mecanismo
Modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; a eletroacupuntura tende a recrutar mais esses sistemas.
Evidência
Moderada Ensaios e diretrizes a recomendam como adjuvante no controle da dor da gonartrose.
O que esperar
Tratamento em ciclos curtos, com sessões semanais e reavaliação franca por volta da quarta a sexta sessão: se a dor ao subir escada e a distância caminhada sem parar não mudaram, a acupuntura sai de cena. O alívio, quando vem, é progressivo e some aos poucos depois do ciclo.
Indicações
Onde mais rende é em quem precisa poupar anti-inflamatórios: o idoso com hipertensão, doença renal ou gastrite, em que o anti-inflamatório oral é arriscado. Técnica detalhada na página sobre acupuntura no joelho.
Limitações
Não interrompida quando não há resposta, vira rotina indefinida sem ganho; o fortalecimento mantido entre as sessões é a parte que de fato segura o resultado.

Laser de alta intensidade e agulhamento seco

O laser de alta intensidade atua por fotobiomodulação, com efeito analgésico e anti-inflamatório em profundidade e estímulo metabólico celular, e entra como adjuvante na reabilitação da artrose, aplicado em séries de sessões com alívio progressivo. Há um detalhe que escapa quando se fala só de “cartilagem”: boa parte da dor do joelho artrósico não vem da articulação, e sim da musculatura que a protege e que entra em sobrecarga. O quadríceps (sobretudo o vasto medial), o tensor da fáscia lata e os gastrocnêmios acumulam pontos-gatilho que projetam dor para a frente e para a face interna do joelho e perpetuam o ciclo dor-espasmo-dor, às vezes simulando a própria gonartrose. Quando esse componente está presente, o agulhamento seco nesses músculos ajuda: a agulha, ao buscar a banda tensa, dispara uma contração breve e involuntária (a resposta de contração local) que reduz a atividade elétrica anormal da placa motora e a liberação de substâncias álgicas no ponto.

Infiltração articular e viscossuplementação

O que é
A infiltração intra-articular com anestésico e corticoide e a viscossuplementação, que injeta ácido hialurônico na articulação. Por vezes os procedimentos são guiados por ultrassom para maior precisão.
Mecanismo
O corticoide controla o componente inflamatório local e abre uma janela para avançar a reabilitação; o ácido hialurônico melhora a viscoelasticidade do líquido articular.
Evidência
Limitada Recursos para casos selecionados de gonartrose, quando a dor não cede ao plano de base ou em fases de mais inflamação.
O que esperar
A infiltração costuma aliviar por semanas; a viscossuplementação, por semanas a meses.
Indicações
Casos que não respondem bem às medidas de base ou fases com mais inflamação.
Limitações
São recursos pontuais, sempre combinados com o exercício para sustentar o resultado, e não substituem a base ativa do tratamento.

Medicação, papel adjuvante

Na artrose, analgésicos simples como o paracetamol e anti-inflamatórios (orais ou em gel tópico) por períodos curtos ajudam a controlar a dor e a permitir o exercício, sempre com atenção a estômago, rins e pressão, em especial em idosos. A duloxetina pode ser considerada na dor crônica do joelho em casos selecionados. Na gota, o tratamento é específico e cabe ao médico: controle da crise e, depois, redução do ácido úrico. Na artrite reumatoide, o reumatologista usa medicamentos que modificam a doença, como o metotrexato e os imunobiológicos, que vão muito além do alívio da dor e freiam a progressão.

A indicação, a dose e a duração são sempre definidas pelo médico, com efeitos adversos e comorbidades em conta; nunca recomendamos marca, apenas o princípio ativo. A medicação alivia e abre espaço para a reabilitação, mas não substitui a base ativa. O detalhamento por classe está na seção sobre tratamento medicamentoso, mais adiante.

Semana 1 a 2

Controle inicial

Reduzir a sobrecarga, controlar a dor da fase aguda e iniciar mobilidade e ativação do quadríceps, mantendo-se ativo dentro do tolerável.

Semana 3 a 8

Progressão

Fortalecimento progressivo, controle de peso e técnicas em clínica; a dor costuma começar a ceder e a função a melhorar.

Após 8 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e consideram-se infiltração, viscossuplementação ou encaminhamento.

0–10
A resposta é medida em escala de dor, distância caminhada e função ao subir escadas e levantar da cadeira; o plano muda conforme a leitura, não por inércia.
Da prática clínica

Algumas coisas se repetem no consultório de quem trata gonartrose. A primeira é o descompasso entre a radiografia e a dor: chegam joelhos com laudo de “artrose grave, osso com osso” caminhando bem, e outros com desgaste discreto na imagem e dor que tira o sono. Tratar o laudo, e não a pessoa, leva a cirurgias precoces e a medo desnecessário. A segunda é o quadríceps: é a alavanca que mais muda o quadro e a que mais se abandona, porque fortalecer dói um pouco no começo e a melhora leva semanas, enquanto o anti-inflamatório alivia hoje; quem atravessa esse início costuma destravar a evolução. A terceira é saber a hora de parar de tratar só a dor: um joelho que amanhece muito rígido por mais de uma hora, quente, inchado, ou junto de outras articulações, não é “artrose que piorou”, e insistir em analgésico atrasa o reumatologista e o controle de uma doença que corrói a articulação. E surpreende muito paciente ouvir que perder peso e fortalecer aliviam tanto ou mais que a injeção que ele veio buscar, e que a injeção, sozinha, costuma render pouco.

Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia

A reabilitação ativa é o eixo do tratamento da artrose de joelho e a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança. As diretrizes internacionais (OARSI, ACR e ESCEO) colocam exercício, controle de peso e educação no centro de qualquer plano, antes de injeção ou cirurgia. Estas modalidades são conduzidas na clínica, individualizadas e supervisionadas, com um paciente por sala; o que muda é a ênfase, ajustada ao padrão de dor, à força disponível e ao objetivo funcional de cada pessoa.

Fortalecimento e cinesioterapia
Forte
Controle de peso
Forte
Terapia manual (adjuvante)
Moderada
Pilates clínico
Limitada
RPG
Limitada

Fortalecimento e cinesioterapia: a base

Exercício terapêutico progressivo e individualizado, com foco no fortalecimento de quadríceps e glúteos, ganho de amplitude e treino de controle motor, conduzido por fisioterapeuta. O joelho com artrose dói em parte porque está mal protegido: fortalecer redistribui a carga, melhora o controle e dessensibiliza ao movimento; os glúteos controlam o alinhamento e reduzem o estresse em valgo. Resposta gradual ao longo de 6 a 12 semanas, com baixo impacto (bicicleta, água) na fase inicial; o programa é mantido em casa após o alívio. Indicado em praticamente todos os graus de gonartrose e na artrite inflamatória estável, somado ao tratamento de fundo. Não reconstrói a cartilagem, e o resultado depende da regularidade.

Forte6–12 sem

Controle de peso

Redução e manutenção do peso como parte estruturada do tratamento, associada ao exercício e, quando indicado, ao acompanhamento nutricional. Ao caminhar, a força que atravessa o joelho é várias vezes o peso do corpo; ao subir escadas, mais ainda, e cada quilo a menos reduz de forma amplificada a carga articular. Há ainda um componente metabólico: o tecido adiposo libera mediadores inflamatórios. Efeito dose-dependente; mesmo reduções de 5 a 10 por cento do peso já aliviam de forma perceptível, e a combinação de dieta e exercício supera qualquer das duas isoladamente. Exige adesão a longo prazo e não substitui o fortalecimento, que protege a articulação independentemente do peso.

Forte5–10% do peso

Reeducação Postural Global (RPG)

Método que trata o corpo por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo global sustentadas. Na artrose de joelho, o encurtamento de cadeias posteriores (isquiotibiais e tríceps sural) e a retração de flexores do quadril alteram a marcha e sobrecarregam a articulação. A RPG aplica posturas sob contração isométrica excêntrica, recrutando a cadeia inteira para devolver comprimento e equilíbrio e melhorar a distribuição de carga. Sessões individuais com posturas mantidas por minutos; ganho progressivo ao longo de semanas. Entra como técnica complementar, não como substituta do fortalecimento. Não reverte o desgaste e exige execução precisa. Detalhada na página sobre Reeducação Postural Global.

Limitadacomplementar

Pilates clínico

Pilates terapêutico, no solo ou em aparelhos (Reformer, Cadillac), adaptado à articulação e à dor. Trabalha controle motor e estabilização a partir da musculatura profunda do tronco e dos membros, fortalecendo quadríceps e glúteos em amplitudes controladas e de baixo impacto, com consciência para sustentar postura e marcha fora da sala. Indícios de benefício sobre dor e função em estudos pequenos, com literatura mais robusta na dor lombar. Funciona melhor como complemento e progressão do fortalecimento. Exercícios mal adaptados podem sobrecarregar o joelho doloroso, daí a supervisão clínica e a progressão individualizada.

Limitadaprogressão

Terapia manual e fisioterapia adjuvante

Mobilizações articulares e técnicas de tecidos moles, associadas a recursos como crioterapia e à orientação de meios auxiliares de marcha (bengala no lado contrário). A terapia manual reduz dor e rigidez e melhora a mobilidade segmentar a curto prazo, criando uma janela para o exercício avançar; a bengala diminui a carga sobre o compartimento mais afetado. Tem evidência de benefício de curto prazo combinada ao exercício, e atua como adjuvante, nunca isolada. Efeito transitório quando isolada; a manipulação de alta velocidade não tem papel na articulação artrósica e exige cautela no idoso.

Moderadacurto prazo

Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica

A cirurgia faz parte do caminho de uma minoria das pessoas com artrose de joelho, mas é uma parte real e, quando indicada, decisiva. Estas opções não são realizadas em nossa clínica, cuja atuação é a reabilitação e o manejo não cirúrgico da dor; o quadro abaixo cobre quando elas entram e a quem procurar. A indicação cirúrgica é feita pelo ortopedista, em decisão compartilhada, e nasce do cruzamento entre a dor, a perda funcional, o grau de desgaste e a resposta a um tratamento conservador completo e bem conduzido.

Conservador · 1ª escolha

Reabilitação e manejo da dor

  • Fortalecimento de quadríceps e glúteos e controle de peso, a base do tratamento
  • Técnicas de consultório: acupuntura, laser de alta intensidade, agulhamento seco
  • Infiltração e viscossuplementação em casos selecionados
  • Modular a dor e recuperar a função sem operar — o caminho da grande maioria
VS

Cirúrgico · exceção

Quando a dor é refratária e incapacitante

  • Gatilho: dor incapacitante refratária e perda de função que limitam caminhar, dormir e a vida diária, apesar de meses de tratamento bem feito
  • Joelho que trava, falseia ou tem deformidade progressiva pesa na decisão
  • Não se opera uma radiografia: há grande desgaste com pouca dor, e o inverso
  • Indicação do ortopedista, em decisão compartilhada

O procedimento de referência na artrose avançada é a artroplastia total do joelho (prótese), e cada opção entra num cenário próprio. O quadro abaixo resume quando cada uma é considerada.

Opções cirúrgicas na artrose de joelho e quando são consideradas (decisão do ortopedista)
Quando considerarProcedimentoO que esperar
Artrose avançada de mais de um compartimento, com dor incapacitante refratária ao tratamento conservador completoArtroplastia total do joelho (prótese total)Bom alívio da dor e ganho funcional na maioria; internação e reabilitação ao longo de semanas a meses; durabilidade da prótese de muitos anos
Desgaste limitado a um único compartimento (em geral o medial), com bom alinhamento e ligamentos íntegrosArtroplastia unicompartimental (prótese parcial)Recuperação em geral mais rápida que a prótese total e preservação do restante da articulação; depende de seleção criteriosa
Paciente mais jovem e ativo, com artrose de um compartimento associada a desalinhamento do eixo (joelho varo ou valgo)Osteotomia tibial ou femoral de realinhamentoTransfere a carga para o compartimento preservado e adia a prótese; recuperação ao longo de meses até a consolidação óssea
Bloqueio mecânico verdadeiro (joelho que trava por alça de menisco), e não a artrose em siArtroscopia seletiva (apenas para o problema mecânico)Resolve o bloqueio mecânico pontual; sem benefício comprovado para tratar a artrose, motivo pelo qual não é indicada de rotina

Fora da cirurgia, há frentes que não conduzimos na clínica e que completam o cuidado:

Doença de fundo

Reumatologista

Conduz a artrite inflamatória: na artrite reumatoide, medicamentos modificadores da doença (metotrexato, imunobiológicos) que freiam a progressão e preservam a articulação, com tanto mais ganho quanto mais cedo iniciados; na gota, o controle da crise e a redução do ácido úrico a longo prazo.

Artrose avançada

Ortopedista

Indica e realiza a cirurgia (prótese, osteotomia, artroscopia seletiva), em decisão compartilhada, quando a dor é incapacitante e refratária ao tratamento conservador completo.

Suporte mecânico

Órteses e palmilhas

Joelhos com deformidade ou instabilidade podem se beneficiar de órteses e palmilhas confeccionadas por profissional habilitado.

Para a grande maioria das pessoas com gonartrose, o caminho é o oposto da cirurgia: fortalecer, controlar o peso, modular a dor e recuperar a função sem operar. Nosso papel é reconhecer o momento de encaminhar, explicar o quadro e seguir ao lado do paciente na reabilitação. Se a sua dor não é exatamente de “artrite”, vale conhecer os quadros vizinhos, como a condromalácia patelar (dor na frente do joelho, ligada à cartilagem da patela) e a bursite anserina (dor na face interna, logo abaixo do joelho). Quando a dor articular envolve também o quadril, o guia de dor no quadril aprofunda a abordagem.

Tratamento medicamentoso da artrite no joelho

Nenhum remédio reconstrói a cartilagem gasta da artrose. O papel da medicação é adjuvante e sintomático: baixar a dor a um nível que permita avançar na reabilitação, que é o que de fato sustenta o resultado. A indicação, a dose e a duração são sempre do médico assistente, em geral por períodos curtos e com a menor dose eficaz. Na artrite inflamatória, o tratamento de fundo é outro e cabe ao reumatologista.

Classes medicamentosas na artrose de joelho
ClassePara quêEvidênciaO que esperar
ParacetamolAnalgésico simples para dor leve a moderada, por períodos curtos; costuma ser a primeira tentativa em quem não tolera anti-inflamatóriosLimitadaBenefício modesto na artrose, mas perfil de segurança favorável quando respeitadas a dose e as contraindicações (hepatopatia, uso de álcool)
Anti-inflamatórios oraisIbuprofeno, naproxeno e similares para a dor mecânica e fases de mais inflamação, por curtos períodosModeradaEficazes, mas exigem atenção a riscos gastrintestinal, renal e cardiovascular, sobretudo no idoso e em hipertensos ou com doença renal; evitar uso prolongado e usar a menor dose eficaz
Anti-inflamatório tópicoDiclofenaco em gel sobre o joelho; boa primeira escolha por ser articulação superficial, em especial no idosoForteUma das melhores relações entre benefício e segurança na gonartrose, recomendado por diretrizes (ACR/OARSI); alivia a dor com absorção sistêmica muito menor que a do comprimido
DuloxetinaInibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina para a dor crônica da artrose, sobretudo com sensibilização central ou dor difusa associadaModeradaConsiderado em casos selecionados, por modular as vias descendentes de controle da dor; titulação progressiva e atenção a náusea, sonolência e boca seca
Infiltração e viscossuplementaçãoCorticoide intra-articular para o componente inflamatório local em fases de crise; ácido hialurônico para a viscoelasticidade do líquido articularLimitadaRecursos pontuais, detalhados na seção de tratamento na clínica, sempre combinados com o exercício; corticoide com alívio de semanas
Opioides e suplementosOpioides reservados a exceções; glucosamina e condroitina não substituem as medidas de baseLimitadaOpioides por tempo curto e sob rigoroso controle, pelo risco de tolerância e dependência, não são tratamento da dor crônica da artrose; glucosamina e condroitina têm evidência fraca e inconsistente

Na artrite inflamatória, o manejo medicamentoso é conduzido por especialista e vai muito além do alívio da dor. Na artrite reumatoide, o reumatologista usa medicamentos modificadores da doença, como o metotrexato e os imunobiológicos, que freiam a progressão e preservam a articulação, tanto mais eficazes quanto mais cedo iniciados. Na gota, trata-se a crise e, depois, reduz-se o ácido úrico a longo prazo. Em qualquer cenário vale a mesma regra: o remédio alivia e abre espaço para o trabalho ativo, mas não substitui a base de exercício, e qualquer ajuste é feito exclusivamente pelo médico assistente.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre artrite e artrose no joelho?

Artrose (ou gonartrose) é o desgaste mecânico da cartilagem, que dói ao usar o joelho e melhora com o repouso: é o quadro mais comum. Artrite inflamatória, como a reumatoide ou a gota, é uma doença do sistema imune ou do metabolismo que inflama a articulação, com rigidez matinal prolongada e calor mesmo em repouso. O tratamento de cada uma é diferente, por isso o diagnóstico vem primeiro.

Quais são os sintomas de artrite no joelho?

Na artrose: dor que piora ao caminhar, subir escadas e agachar, estalos (crepitação), rigidez curta ao levantar e perda gradual de movimento. Na artrite inflamatória: rigidez matinal acima de uma hora, joelho quente e inchado que dói mesmo parado, e às vezes várias articulações afetadas e cansaço. A gota dá crises súbitas e intensas, com vermelhidão.

Artrite no joelho tem cura?

A artrose não tem cura, porque o desgaste da cartilagem não se reverte, mas o tratamento conservador controla muito bem a dor e a função na maioria dos casos, com fortalecimento e controle de peso como base. A artrite reumatoide não tem cura, mas tem tratamento eficaz que controla a doença e preserva as articulações quando iniciado cedo. As crises de gota se resolvem e podem ser prevenidas com o controle do ácido úrico.

O que é bom para artrite no joelho?

O que mais ajuda na artrose é o exercício de fortalecimento (sobretudo do quadríceps), o controle de peso e atividades de baixo impacto. Acupuntura e eletroacupuntura têm boa evidência no joelho, e laser, infiltração e viscossuplementação somam-se em casos selecionados. Na artrite inflamatória, o essencial é o tratamento da doença de fundo com o reumatologista. A escolha do medicamento cabe ao médico.

Caminhar faz mal para quem tem artrite no joelho?

Na artrose, manter-se ativo faz bem: o repouso prolongado enfraquece o quadríceps e piora a dor. Caminhar e fazer exercícios de baixo impacto, com carga ajustada por um profissional, ajuda a proteger a articulação. Em fases de muita inflamação ou de crise, a carga é reduzida temporariamente. O equilíbrio entre movimento e descanso é individual e deve ser orientado.

Quando devo procurar um reumatologista?

Quando há sinais de artrite inflamatória: rigidez matinal prolongada, várias articulações inchadas e quentes ao mesmo tempo, sinais sistêmicos como cansaço e febre baixa, ou exames com provas inflamatórias e anticorpos alterados. Quanto antes a artrite reumatoide é tratada, melhor a proteção das articulações. Um joelho agudamente quente, vermelho e muito doloroso com febre é urgência e exige avaliação imediata.

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Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Fransen M; McConnell S; Harmer AR; Van der Esch M; Simic M; Bennell KL. Exercise for osteoarthritis of the knee: a Cochrane systematic review. British journal of sports medicine. 2015. doi:10.1136/bjsports-2015-095424. PMID:26405113.
  2. Zhu S; Qu W; He C. Evaluation and management of knee osteoarthritis. Journal of evidence-based medicine. 2024. doi:10.1111/jebm.12627. PMID:38963824.
Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Distinguir artrose de artrite inflamatória e definir a conduta dependem de exame e, muitas vezes, de exames complementares; o plano de cada joelho é individualizado em consulta.

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