CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

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Acupuntura · Dor

Como a acupuntura funciona e alivia a dor

A agulha estimula o sistema nervoso e aciona os circuitos de controle da dor do próprio corpo: fibras que modulam o sinal na medula, no tronco encefálico e no cérebro, com liberação de opioides endógenos. Aqui está como isso acontece e onde a acupuntura mais ajuda.

Resposta direta
  • A acupuntura alivia vários quadros de dor por um caminho neurofisiológico bem descrito: a agulha estimula nervos e o próprio corpo libera substâncias que reduzem a dor.
  • Ela ajuda sobretudo na dor crônica musculoesquelética e na enxaqueca, e costuma render mais quando somada a exercício e reabilitação, dentro de um plano multimodal.
  • O objetivo é controlar a dor e recuperar a função; a indicação é definida em avaliação médica.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Como a acupuntura ajuda na dor

Três silhuetas humanas sobrepostas em ciano, magenta e amarelo cobertas por pontos e canais de acupuntura com códigos como ST, BL, RN e GB.
Os pontos de acupuntura seguem trajetos corporais mapeados, ponto de partida para entender o que de fato acontece sob a pele.

A acupuntura ajuda em um conjunto definido de quadros de dor, e ajuda por mecanismos fisiológicos que hoje podem ser descritos com detalhe. A pergunta clínica útil é em quais condições ela mais alivia, com que magnitude do benefício e como se integra ao restante do tratamento.

A resposta vem da fisiologia e dos estudos clínicos. A acupuntura deixou de ser uma caixa-preta: sabemos por quais fibras nervosas o estímulo entra, em que estações do sistema nervoso ele é processado e quais neurotransmissores entram em jogo.

Na prática, a agulha produz analgesia real e mensurável, clinicamente útil para muitos pacientes, e o efeito é maior quando a acupuntura se soma ao tratamento de base, como o exercício orientado. É exatamente assim que ela entra na nossa rotina, dentro de um plano multimodal de dor: alivia o suficiente para que a pessoa volte a se mover, e o movimento consolida o ganho.

A-delta
Fibra nervosa que o estímulo recruta primeiro
6 a 10
Sessões no ciclo inicial, com reavaliação
3 alvos
Medula, tronco encefálico e cérebro
Adjuvante
Some-se ao exercício, não o substitui
Em uma frase

A agulha ativa vias inibitórias da dor e libera opioides do próprio corpo. O efeito é específico e demonstrado em estudos de imagem cerebral e de mecanismo: é o sistema nervoso trabalhando a favor do alívio, não uma resposta de sugestão.

Medica apresentando aula sobre opioides em auditorio para plateia sentada
Em congressos Aula sobre opioides no auditorio

Como a acupuntura age: a fisiologia, do local ao cérebro

Render de perfil de cabeça humana com o cérebro destacado em regiões coloridas de vermelho, amarelo e verde sobre fundo preto.
O estímulo da agulha viaja até o sistema nervoso central, onde modula a percepção da dor e a liberação de neurotransmissores.

Para entender como a acupuntura age, é útil seguir o estímulo desde a pele até o cérebro. Tudo começa quando a agulha, manipulada ou conectada a uma corrente elétrica de baixa frequência, ativa receptores e fibras nervosas no músculo e na pele. A partir daí, o efeito se organiza em três níveis que atuam ao mesmo tempo.

  1. Nível local (tecido)

    A inserção e o estímulo da agulha liberam mediadores como adenosina, bradicinina e óxido nítrico no tecido, aumentam o fluxo sanguíneo local e desencadeiam um pequeno reflexo axonal. No músculo, o agulhamento de um ponto-gatilho provoca a resposta de contração local e reduz a atividade elétrica anormal da placa motora.

  2. Nível segmentar (medula)

    O estímulo das fibras A-delta entra pelo corno dorsal da medula e ativa interneurônios inibitórios. É o mecanismo de comportas: a entrada sensorial da agulha “fecha a porta” para os sinais de dor que chegam por fibras mais lentas, reduzindo a transmissão no mesmo nível segmentar.

  3. Nível supraespinhal (tronco e cérebro)

    O sinal sobe e ativa o sistema de controle descendente da dor, na substância cinzenta periaquedutal e no bulbo rostroventromedial, que devolve à medula vias inibitórias usando serotonina e noradrenalina. Em paralelo, libera-se beta-endorfina, encefalina e dinorfina, os opioides endógenos que reduzem a percepção dolorosa.

Há ainda um quarto componente, muito comentado em buscas por acupuntura e nervo vago: parte dos efeitos autonômicos da acupuntura, em especial a de pontos do pavilhão da orelha (auriculoterapia) e de alguns pontos de membros, envolve a modulação do sistema nervoso autônomo, com participação de reflexos que incluem o nervo vago. É uma via promissora, sobretudo para sintomas ligados ao estresse e à regulação visceral, e a usamos como apoio quando faz sentido para o quadro.

Que a beta-endorfina participa do efeito é bem estabelecido: experimentos clássicos mostram que a naloxona, um bloqueador dos receptores opioides, reduz a analgesia da acupuntura, o que confirma a participação direta do sistema opioide endógeno. Estudos de neuroimagem por ressonância funcional, por sua vez, mostram que a acupuntura modula a atividade de áreas cerebrais envolvidas no processamento da dor e da emoção, como a ínsula, o cíngulo e o sistema límbico. Para um detalhamento desse circuito neural, veja a nossa página sobre os mecanismos de ação da acupuntura.

O que entra em jogo

Vias e mensageiros

Fibras A-delta, interneurônios da medula, controle descendente com serotonina e noradrenalina, e opioides endógenos (endorfina, encefalina, dinorfina).

Onde a agulha age

Sistema nervoso

O alívio é neurofisiológico e mensurável. Muitos acupontos clássicos coincidem com regiões ricas em terminações nervosas e pontos motores do músculo, e é por aí que a agulha aciona as vias de controle da dor.

Por que a via neural importa

Muitos acupontos clássicos coincidem com regiões de alta densidade de terminações nervosas, com pontos motores do músculo e com trajetos de nervos. É por isso que a agulha gera analgesia: ela recruta essas vias sensoriais e motoras, ativando os circuitos de inibição da dor no território tratado.

A consequência prática é direta: como o mecanismo é neural, o que mais importa é recrutar a via certa naquele território. Daí a sobreposição entre acupuntura e agulhamento seco, que trabalha o músculo diretamente, e o uso de corrente na eletroacupuntura para reforçar o estímulo. Ler a acupuntura como neurofisiologia explica com precisão tanto o que ela faz quanto onde ela mais ajuda.

Ponto-chave clínico

Como a analgesia da acupuntura depende de vias do sistema nervoso, ela costuma render mais quando o sistema é estimulado de forma adequada: por isso usamos eletroacupuntura em muitos quadros de dor crônica, e por isso a resposta aparece ao longo de um ciclo de sessões, e não de uma só.

O que a acupuntura alivia na dor crônica

Diagrama do mecanismo de analgesia da acupuntura: agulha libera adenosina, que atua no receptor A1 e reduz o sinal de dor
Estudos medem a alta de adenosina no local da agulha, base bioquímica que ajuda a explicar o efeito analgésico local.

Na dor crônica, a acupuntura alivia a dor com um efeito que costuma se manter por meses após o fim do tratamento, um benefício consistente e bem documentado em grandes revisões com muitos milhares de pacientes. É onde a técnica tem o melhor lastro, e por isso ela ocupa um lugar bem definido no tratamento da dor.

A força da recomendação é maior em algumas condições: na dor lombar crônica, na dor cervical, na osteoartrite de joelho, na cefaleia tensional e na profilaxia da enxaqueca. Nesses quadros, a acupuntura entra com bom suporte, somada ao exercício e à reabilitação.

Vale entender por que a acupuntura ajuda: o alívio é coerente com a fisiologia descrita acima. Tocar e penetrar a pele com a agulha já gera estímulo nervoso, e é esse estímulo, potencializado quando se escolhe a via certa e se usa corrente, que aciona as vias inibitórias da dor. Quanto melhor o estímulo alcança essas vias, maior o benefício, e por isso a técnica e a escolha dos pontos importam.

+
Alivia a dor crônica com efeito clinicamente relevante e duradouro
Rende mais quando somada a exercício e reabilitação

A acupuntura tem um escopo bem definido: ela é um recurso de controle da dor, não um substituto de medicação essencial nem um tratamento de doenças orgânicas graves, de fertilidade ou de emagrecimento. Fora do território da dor, ela pode oferecer alívio sintomático como apoio, sempre com o encaminhamento ao especialista da área.

Acupuntura para que serve: onde mais ajuda

“Acupuntura para que serve” é uma das buscas mais frequentes. Na nossa prática, o foco é a dor, que é onde a acupuntura tem o melhor lastro científico e onde ela se integra de forma natural ao tratamento fisiátrico. A tabela abaixo resume onde a indicação é mais sólida e onde ela entra como apoio sintomático.

Para que serve a acupuntura: papel na dor e adjacências
CondiçãoPapel da acupunturaForça da indicação
Dor lombar e cervical crônicaRecurso útil dentro do plano multimodalSólida
Osteoartrite de joelhoAdjuvante ao exercício e ao controle da dorBoa
Enxaqueca e cefaleia tensionalProfilaxia, reduz frequência das crisesBoa
Dor miofascial e pontos-gatilhoAgulhamento com efeito local e segmentarBoa, foco da nossa equipe
FibromialgiaAdjuvante para dor e sono, dentro de plano amploApoio
Náusea, ondas de calor, estresseApoio sintomático, com o especialista da áreaApoio

Repare que as indicações mais sólidas são quadros de dor, justamente o terreno da fisiatria e da medicina da dor. Em acupuntura para coluna e na dor cervical, ela ajuda a reduzir a intensidade e, com frequência, a necessidade de medicação, abrindo uma janela para a reabilitação avançar. Na enxaqueca, entra como profilaxia, para reduzir a frequência das crises. Na fibromialgia, é adjuvante, somada ao exercício e ao manejo do sono e do estresse.

Fora do território da dor, em condições que pertencem a outras especialidades, a acupuntura pode oferecer alívio de sintomas como apoio ao tratamento principal; nesses casos, encaminhamos ao especialista adequado. É a mesma postura que adotamos nas nossas páginas sobre acupuntura em quadros como menopausa, intestino e ansiedade: ajuda adjuvante possível, junto ao cuidado da causa.

  • Dor é o foco. É onde o benefício é maior e onde a acupuntura se integra à reabilitação.
  • Adjuvante, não substituta. Some-se ao exercício e à medicação quando indicada.
  • Fora da dor, apoio. Em outras áreas, alívio de sintomas junto ao especialista.
  • Escopo definido. É um recurso de dor, não de emagrecimento ou fertilidade.
Assista: Acupuntura – Quando ela pode ser útil?

Como usamos a acupuntura no tratamento da dor

Na clínica, a acupuntura é uma das ferramentas de um plano multimodal, não-cirúrgico e individualizado. A base do tratamento da dor crônica é ativa, com exercício e reabilitação, e as técnicas de agulha e os procedimentos se somam a ela conforme a apresentação e a resposta de cada pessoa. O objetivo é reduzir a dor, recuperar a função e diminuir recorrências, evitando o uso crônico de medicação e a cirurgia desnecessária. Veja como cada recurso entra, com mecanismo, evidência e o que esperar.

Avaliação e educação em dor

Diagnóstico do tipo de dor e do que a sustenta; orientação e retorno à atividade, que sustentam todo o restante.

Exercício e reabilitação

Base do plano, com fortalecimento e controle motor; a acupuntura abre janela de alívio para isso avançar.

Técnicas com agulha

Acupuntura médica, eletroacupuntura, agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho conforme o componente miofascial.

Procedimentos e tecnologia

Ondas de choque, laser de alta intensidade, mesoterapia e, em casos refratários, toxina botulínica.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

É o recurso central deste artigo. A acupuntura médica modula a dor pelos mecanismos descritos acima, segmentares no corno dorsal e descendentes a partir do tronco encefálico, com participação de opioides endógenos. Na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência aplicada às agulhas reforça a liberação desses opioides e potencializa o efeito, o que a torna preferida em muitos quadros de dor crônica. Ela tem bom suporte na dor lombar, cervical, na osteoartrite e na profilaxia da enxaqueca.

O que esperar: porque a analgesia é construída pela soma de estímulos sobre as vias inibitórias, ela raramente se decide em uma única aplicação; planejamos um primeiro bloco de cerca de oito sessões semanais e medimos a curva de resposta antes de decidir se vale manter, espaçar ou trocar de técnica. A sensação útil durante a punção é o deqi, um peso surdo ou formigamento que se irradia a partir do ponto, e que costuma sinalizar que a fibra certa foi recrutada; ele não deve ser dor aguda nem queimação. A indicação dos pontos, a frequência da corrente e a profundidade são definidas pelo médico acupunturiatra a partir do exame, e não por um protocolo fixo aplicado a todos.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

No agulhamento seco (dry needling), a agulha entra diretamente na banda tensa do ponto-gatilho miofascial e procura uma contração rápida e involuntária daquele feixe, a resposta de contração local; é esse espasmo breve que reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora, normaliza o ambiente químico local e abre uma janela analgésica que soma o efeito no próprio músculo ao efeito segmentar na medula. Não é a mesma coisa que a acupuntura clássica: aqui o alvo não é um acuponto de mapa, e sim o nó muscular palpável que reproduz a dor do paciente, o que aproxima a técnica da neurofisiologia. Quando o ponto resiste à agulha seca, a infiltração de ponto-gatilho com anestésico local em baixa concentração, ou mesmo soro fisiológico, interrompe o ciclo dor-espasmo-dor pela quebra mecânica da banda somada ao bloqueio da aferência. O que esperar: parte das pessoas sente o alívio ainda na sala, outra parte só percebe quando a leve dor pós-punção cede, em um a dois dias, como a de um exercício a que o músculo não estava habituado; a resposta é por ponto e por sessão, e o número de aplicações depende de quantos gatilhos sustentam o quadro.

Da prática clínica

Como o mecanismo é neural e não depende de crença, quem chega para a primeira sessão costuma se surpreender com a própria resposta: o alívio aparece do mesmo jeito, porque o que muda a dor é a via nervosa recrutada, não a expectativa.

O deqi é um guia útil. Quando o peso ou o formigamento aparece e se irradia no território esperado, costuma ser sinal de que o estímulo alcançou a fibra certa; quando a agulha causa apenas dor superficial em ponta, costumo reposicioná-la. No agulhamento seco, a contração local que se sente sob o dedo tende a anteceder o melhor alívio naquele músculo.

Vale separar os mecanismos por quadro. A dor miofascial localizada responde mais ao componente local da agulha, no próprio músculo; a dor crônica difusa, com sensibilização central, depende mais das vias descendentes, e é nela que costumo recorrer à eletroacupuntura. O objetivo da sessão é recrutar a via certa, não infligir um estímulo intenso.

A acupuntura e os demais procedimentos com agulha trabalham em conjunto com o resto do plano: o exercício e a reabilitação são a base, e a medicação, quando indicada e prescrita pelo médico, entra como apoio. A reabilitação ativa, que sustenta o resultado da agulha, é detalhada na seção seguinte.

Semana 1 a 2

Início

Avaliação, primeiras sessões e ajuste de gatilhos; a meta é começar a abrir janela de alívio.

Semana 3 a 6

Progressão

Ciclo de acupuntura ou eletroacupuntura associado ao exercício; a dor costuma começar a ceder.

Após 6 semanas

Reavaliação

Medimos a resposta com a mesma régua do início; quando a curva não sobe, a pergunta volta ao diagnóstico e ao alvo da agulha antes de marcar mais sessões.

Tratamento não farmacológico: exercício, RPG, Pilates e fisioterapia

Entender como a acupuntura age deixa claro o seu lugar: ela modula a dor e abre uma janela de alívio, e a reabilitação ativa recondiciona o corpo. Por isso, na dor crônica musculoesquelética, o exercício orientado é a base do tratamento, e a acupuntura se soma a ele. Esta seção descreve as ferramentas não farmacológicas que sustentam o resultado, todas conduzidas em nossa clínica, com mecanismo, evidência e o que esperar.

Há um motivo fisiológico para essa ordem. A analgesia da acupuntura, por vias segmentares e descendentes, reduz a dor o suficiente para que a pessoa volte a se mover; o movimento, por sua vez, ativa as próprias vias inibitórias descendentes da dor, melhora a tolerância ao esforço e reverte o descondicionamento que a dor crônica impõe. A agulha cria a oportunidade; o exercício consolida a mudança.

Exercício terapêutico e cinesioterapia

Reabilitação ativa individualizada, um paciente por sala: fortalecimento, controle motor, mobilidade e condicionamento, calibrados ao quadro de dor. É o pilar do plano; a agulha abre a janela, o exercício consolida.

ForteBase · manutenção

Reeducação postural global (RPG)

Fisioterapia por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo mantidas e contração isométrica de caráter excêntrico, para reduzir encurtamentos e dor de origem postural. Forma supervisionada de reintroduzir movimento.

AdjuvanteSessões semanais

Pilates clínico

Exercício de baixo impacto centrado em controle motor e estabilização do core, supervisionado por fisioterapeuta. Integra força, mobilidade e controle de forma graduada, com baixa sobrecarga articular.

BoaCiclos · progressão

Terapia manual como adjuvante

Mobilização de tecidos moles, liberação miofascial e mobilização articular pelo fisioterapeuta. Abre uma janela de conforto para avançar a reabilitação ativa; complementa o trabalho ativo.

AdjuvanteCurto prazo
Exercício terapêutico
Forte
Pilates clínico
Boa
RPG
Adjuvante
Terapia manual
Adjuvante

Exercício terapêutico e cinesioterapia

O que é
Reabilitação ativa individualizada, um paciente por sala, com prescrição de exercícios de fortalecimento, controle motor, mobilidade e condicionamento, calibrados ao quadro de dor.
Mecanismo
O fortalecimento da musculatura que estabiliza a coluna e protege as articulações reduz a sobrecarga mecânica; o exercício também produz analgesia central por ativação das vias inibitórias descendentes e reduz a sensibilização do sistema nervoso à dor.
Evidência
É a intervenção com melhor lastro no tratamento conservador da lombalgia e da cervicalgia crônicas e na osteoartrite de joelho, com benefício consistente sobre dor e função quando mantido.
O que esperar
Melhora ao longo de semanas, com progressão lenta de carga; a manutenção é o que previne recorrência.
Indicações
Praticamente toda dor musculoesquelética crônica se beneficia.
Limitações
Exige continuidade e adesão; o ganho regride se o exercício é abandonado, e a acupuntura complementa esse trabalho ativo em vez de substituí-lo.

Reeducação postural global (RPG)

O que é
Método de fisioterapia que trabalha o corpo por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo mantidas e progressivas, em vez de músculo a músculo.
Mecanismo
Por meio de posturas globais com contração isométrica de caráter excêntrico (o músculo trabalha enquanto é gradualmente alongado), busca reduzir o encurtamento das cadeias posturais, reequilibrar a postura e ampliar a consciência corporal, aliviando as zonas de maior tensão.
Evidência
A RPG entra como forma supervisionada e bem tolerada de reintroduzir movimento, dentro de um plano cujo pilar é o exercício.
O que esperar
Sessões individuais semanais, com alívio progressivo ao longo de semanas.
Indicações
Útil para quem tem muita rigidez, encurtamentos e dor de origem postural.
Limitações
Complementa o trabalho de força e o condicionamento aeróbico, e posturas mantidas em excesso podem incomodar no início, o que se ajusta com a dose.

O Pilates clínico e a terapia manual completam o leque não farmacológico e seguem a mesma lógica de adjuvância. O Pilates clínico é individualizado: a carga progride conforme a tolerância, e a resposta melhora com a adesão. A terapia manual oferece alívio que serve para destravar o movimento, e rende mais quando vem acompanhada de exercício ativo.

Semanas 1–2

Início

Avaliação e primeiras sessões; a acupuntura abre a janela de alívio para que a pessoa volte a se mover.

Semanas 3–8

Progressão

Exercício terapêutico como base, somado a RPG ou Pilates conforme o perfil; progressão lenta de carga e melhora de dor e função.

Depois

Manutenção

O trabalho ativo continua: o ganho se sustenta enquanto o exercício é mantido.

O fio condutor é o mesmo do mecanismo descrito neste artigo: a acupuntura modula a dor, e o movimento, graduado e mantido, é o que muda o curso do quadro. A escolha entre cinesioterapia, RPG ou Pilates depende do perfil, da preferência e da tolerância de cada pessoa, e essas abordagens com frequência se combinam dentro de um plano multimodal, individualizado e não cirúrgico.

O que esperar e segurança

A acupuntura médica, feita por profissional habilitado e com agulhas descartáveis e estéreis, é um procedimento de baixo risco. Os eventos mais comuns são leves e passageiros: pequeno hematoma, dor no ponto e, com menos frequência, tontura. Eventos graves são raros e, na prática, ligados a técnica inadequada. Ainda assim, há situações que pedem cautela ou contraindicam o procedimento, e por isso a avaliação médica prévia importa.

Quando procurar avaliação médica antes, e não só acupuntura

Sinais que pedem investigação da causa

  • Fraqueza, dormência ou formigamento que progride em um membro.
  • Dor após trauma recente, como queda ou acidente.
  • Febre, perda de peso não explicada ou história de câncer.
  • Dor que piora de forma progressiva ou não melhora em algumas semanas.
  • Alteração para urinar ou evacuar associada a dor na coluna.

O ponto mais importante é conceitual: a acupuntura trata a dor, e o diagnóstico da causa vem antes. Por isso ela entra depois ou junto de uma avaliação, integrada ao plano. Quando a dor vem de algo que exige outra conduta, tratamos a causa, e a acupuntura, se couber, soma-se ao plano. Avaliar antes de agulhar é o que garante um tratamento seguro e bem direcionado.

A meta é reduzir a dor a um nível que não limite a rotina e recuperar a função. A maioria das pessoas com dor crônica musculoesquelética percebe melhora ao longo de um ciclo, e a resposta varia conforme o quadro, o tempo de dor e fatores como sono e estresse.

Antes de iniciar · vale conversar com o médico se
  • Você usa anticoagulante ou tem distúrbio de coagulação.
  • Está grávida (alguns pontos são evitados na gestação).
  • Tem marca-passo (relevante para a eletroacupuntura).
  • Tem dúvida sobre o diagnóstico ou a origem da sua dor.

A avaliação define se a acupuntura é indicada para o seu caso e como ela se encaixa no plano.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Como a acupuntura alivia a dor?

A agulha estimula fibras nervosas na pele e no músculo e aciona os circuitos de controle da dor do próprio corpo: fecha a comporta da dor na medula, ativa vias inibitórias do tronco encefálico e libera opioides endógenos. Estudos de mecanismo e de imagem cerebral mostram esse efeito específico, ligado à ativação das vias da dor.

Para qual tipo de dor a acupuntura funciona melhor?

O benefício é mais sólido na dor lombar e cervical crônica, na osteoartrite de joelho, na dor miofascial e na profilaxia da enxaqueca e da cefaleia tensional. Nesses quadros ela costuma reduzir a dor e ajudar a reabilitação a avançar, sempre dentro de um plano multimodal.

Acupuntura para que serve, além da dor?

Fora da dor, a acupuntura pode ajudar como apoio sintomático em quadros de outras especialidades. Nesses casos ela complementa o tratamento principal, e o correto é manter o acompanhamento com o especialista da área.

A acupuntura tem comprovação científica?

Para a dor, sim: há revisões sistemáticas amplas e mecanismos fisiológicos bem descritos, com bom suporte em várias condições. Detalhamos a neurociência na nossa página sobre a analgesia pela acupuntura.

A acupuntura age no nervo vago e no cérebro?

Parte dos efeitos autonômicos da acupuntura, sobretudo da auriculoterapia, envolve a modulação do sistema nervoso autônomo, com participação de reflexos que incluem o nervo vago. A neuroimagem também mostra modulação de áreas cerebrais da dor. É um campo promissor, que usamos como apoio quando faz sentido para o quadro.

Acupuntura dói? Quantas sessões são necessárias?

As agulhas são muito finas e a sensação costuma ser o deqi, um peso ou formigamento que se irradia do ponto, e não dor aguda; veja a página sobre se a acupuntura dói. O número de sessões não é fixo: começamos com um primeiro bloco de algumas semanas e medimos a curva de resposta para decidir se vale manter, espaçar ou trocar de técnica.

A acupuntura cura a dor?

O objetivo é o controle da dor. A acupuntura reduz a dor e melhora a função, com resposta que varia de pessoa para pessoa, e ajuda mais quando somada a exercício e reabilitação. A meta é controlar a dor a um nível que não limite a rotina.

A acupuntura substitui os remédios?

Ela pode ajudar a reduzir a necessidade de medicação em alguns casos, e trabalha junto com os remédios essenciais quando eles são indicados.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Prof. Dr. Hong Jin Pai
Sobre o autor
Prof. Dr. Hong Jin Pai
CRM-SP 36.399RQE 29.862

Médico com atuação em Acupuntura Médica, dor, ensino clínico e formação médica continuada. Diretor técnico da Clínica Dr. Hong Jin Pai.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências3 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Vickers AJ, Vertosick EA, Lewith G, et al. Acupuncture for Chronic Pain: Update of an Individual Patient Data Meta-Analysis. J Pain. 2018;19(5):455-474.
  2. Qaseem A, Wilt TJ, McLean RM, Forciea MA. Noninvasive Treatments for Acute, Subacute, and Chronic Low Back Pain: A Clinical Practice Guideline From the American College of Physicians. Ann Intern Med. 2017;166(7):514-530.
  3. Conselho Federal de Medicina (CFM). Acupuntura é reconhecida como especialidade médica; a prática deve seguir os princípios éticos da medicina.
Atualizado em 3 jul 2026 Leitura 11 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação da acupuntura e qualquer alteração de medicamento são definidas em consulta, pelo médico assistente.

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