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Necrose da cabeça do fêmur – Osteonecrose

A necrose da cabeça do fêmur (osteonecrose) é decorrente de um problema de vascularização de células ósseas na articulação do quadril.

A necrose óssea leva ao enfraquecimento da estrutura óssea e eventualmente ao afundamento da cabeça femoral e perda da sua esfericidade.

É um quadro que costuma ter uma progressão rápida e compromete a mobilidade do paciente. Por isso, é preciso entender suas causas e as diferentes formas de tratá-la.

 

O que é?

dor no quadril

A necrose da cabeça do fêmur é uma condição clínica decorrente da supressão do aporte sanguíneo de células que compõem a cabeça femoral. Consequentemente, há a morte celular das mesmas, o que é conhecido como necrose.

Como consequência deste processo surgem microfraturas e deformidades na cabeça do fêmur, o que compromete a articulação do q como um todo e ocasiona tanto dor como perda de mobilidade para o paciente.

Mais uma característica da osteonecrose da cabeça femoral – outro nome pelo qual a condição é conhecida – é que ela acontece em estágios. Inicialmente pode, inclusive, não apresentar sintomas e, por isso, o diagnóstico precoce nem sempre é realizado.

Com a progressão do quadro, os danos à articulação são cada vez maiores. Em estágios avançados a alteração na forma da cabeça do fêmur favorece um maior atrito entre as estruturas articulares e, além disso, é comum que ocorra o seu colapso.

O resultado de ambos os processos é um desgaste e degeneração da cartilagem articular, ou seja, inicia-se a artrose do quadril, caracterizada principalmente por uma perda de funcionalidade. Logo, práticas básicas do dia a dia do paciente ficam comprometidas.

Portanto, devido à gravidade desse quadro clínico, que pode levar à destruição total da articulação do quadril em até 5 anos, é essencial entender suas causas e buscar orientação médica para iniciar o tratamento adequado.

Vale ressaltar também que a necrose avascular da cabeça do fêmur é mais frequente em homens do que em mulheres e na faixa etária entre os 30 e 40 anos de idade.

Ainda, pode ocorrer de forma uni ou bilateral afetando um ou os dois lados do quadril, respectivamente.

 

 

Causas comuns

Como já foi dito anteriormente, o processo de necrose das células da cabeça do fêmur decorre de um impedimento de irrigação sanguínea na área acometida. Porém, é importante saber o que pode promover esta perda de vascularização.

As três principais causas associadas são: traumas locais, uso de medicação corticosteroide e consumo excessivo de bebidas alcóolicas.

Em relação aos traumas, o que é comum é que uma fratura ou luxação, por exemplo, atinja diretamente os vasos sanguíneos da área e impeçam, portanto, uma irrigação adequada.

Já os corticosteroides e o álcool favorecem desde lesões celulares por mecanismos fisiológicos específicos, até a elevação da pressão no interior do osso e/ou danos diretos nos vasos.

Ressaltamos que além dessas três causas mais frequentemente associadas, outras situações clínicas que também apresentam relação com o desenvolvimento da necrose da cabeça do fêmur são:

  • anemia falciforme;
  • diabetes;
  • doença de Caisson;
  • doença de Chron;
  • doença de Gaucher;
  • embolia arterial;
  • exposição à radiação;
  • lupus erimatoso sistêmico;
  • trombose;

Destacamos que uma análise dos sintomas e da presença desses fatores de risco ajudam o médico no momento do diagnóstico da condição clínica.

 

 

Diagnóstico

necrose da cabeca do femur

O diagnóstico da osteonecrose da cabeça do fêmur inicia-se com uma anamnese e um exame clínico a partir dos quais o médico coleta uma série de informações sobre os sintomas e singularidades do paciente.

É importante, nesta etapa, compreender quais os movimentos que causam dor e o local em que esta é percebida. Quando há uma associação com a região inguinal, o médico já pode suspeitar de uma necrose da cabeça do fêmur.

Na sequência, devem ser feitos exames de imagem para confirmar ou descartar as hipóteses levantadas inicialmente.

Dentre os exames solicitados destacam-se a radiografia e a ressonância magnética do quadril. Porém, a primeira só detecta a necrose em estágios mais avançados e a segunda é capaz de identificar os casos precocemente.

 

 

Sintomas

O principal sintoma que pode surgir já no princípio da necrose da cabeça do fêmur é uma dor – de início súbito ou gradual – nas regiões da virilha e/ou glúteos e que ocorre, em geral, durante a realização de certos movimentos.

Além da dor local, é comum que ocorra uma irradiação do desconforto para as regiões da coxa e do joelho.

À medida que o quadro progride, mesmo em repouso o paciente é acometido pela sensação dolorosa que é intensa e debilitante.

E nos estágios avançados a mobilidade do quadril torna-se reduzida, assim como os movimentos dos membros inferiores.

Vale reforçar que a progressão dessa condição desencadeia a artrose articular e, portanto, todos os sintomas a esta relacionados.

 

 

Tratamento

A Fisioterapia ortopédica visa tratar disfunções osteomioarticulares e tendíneas resultantes de traumas e suas conseqüências imediatas

A necrose da cabeça do fêmur pode ser tratada por tratamento conservador ou cirúrgico. A escolha depende de fatores como estágio da osteonecrose, extensão do dano articular, idade do paciente e como os sintomas afetam sua rotina diária, por exemplo.

No tratamento conservador são indicados analgésicos e anti-inflamatórios para alívio da dor durante as crises agudas, além da mudança nos hábitos cotidianos e associação com sessões de fisioterapia.

Estas objetivam o fortalecimento e alongamento da musculatura relacionada à articulação do quadril e membros inferiores, bem como amenizar os quadros dolorosos e manter ao máximo a mobilidade do paciente.

E, vale salientar que hábitos alimentares saudáveis, redução de peso e uso de órteses são úteis para impedir a progressão da necrose da cabeça do fêmur.

Em relação ao tratamento cirúrgico ele pode ser de dois tipos: com preservação do quadril ou com a substituição total da articulação por uma prótese. Novamente, a escolha depende de condições específicas do paciente.

Destacamos que uma das intervenções com preservação articular é a descompressão da cabeça do fêmur, por meio da qual são feitas perfurações no osso que reduzem a pressão do mesmo e criam caminhos para o desenvolvimento de novos capilares sanguíneos.

Tal tratamento é indicado quando ainda não houve colapso da cabeça do fêmur e é uma maneira de minimizar as chances para que tal evento aconteça.

Porém, uma vez que o dano articular já evoluiu consideravelmente, pois a necrose encontra-se em estágio avançado, a melhor estratégia costuma ser a artroplastia, através da qual é feita a substituição total da articulação do quadril por uma prótese.

Enfim, como a osteonecrose da cabeça femoral é uma condição clínica que progride rapidamente e acarreta perda da funcionalidade do paciente, o importante é buscar suporte médico tão logo seus sintomas sejam percebidos, evitando e evolução do quadro e suas complicações.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).
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