Osteoartrose (osteoartrite): mitos e verdades
A artrose não é desgaste irreversível nem o fim da linha: é uma doença ativa que costuma responder ao tratamento, com o exercício como base.
- Osteoartrose (osteoartrite ou artrose) é uma doença da articulação inteira, não um simples “desgaste” passivo da cartilagem, e na maioria dos casos é controlável.
- O exercício orientado e o controle de peso são o tratamento de base, com evidência forte e bom perfil de segurança, mesmo quando há dor.
- A intensidade da dor nem sempre corresponde ao que o raio-x mostra. Imagem alterada não significa, por si só, indicação de cirurgia.
- Cirurgia de prótese é reservada para casos avançados e refratários, depois de um plano conservador bem conduzido.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
O que é osteoartrose

Osteoartrose, osteoartrite e artrose são o mesmo quadro: a forma mais comum de doença articular. Por muito tempo foi descrita como simples “desgaste” da cartilagem com a idade, mas hoje a entendemos como uma doença ativa de toda a articulação.
Na osteoartrose, o processo envolve a cartilagem, mas também o osso subcondral (que reage formando os osteófitos, os populares “bicos de papagaio”), a membrana sinovial (que pode inflamar), os ligamentos e a musculatura ao redor. Não é um pneu que fura e esvazia de forma linear: é um tecido vivo que tenta se reparar e, em parte dos casos, encontra um novo equilíbrio com menos dor. Essa diferença não é semântica. Ela muda o tratamento, porque um tecido vivo responde a estímulo, carga progressiva e controle de fatores de risco, enquanto um pneu furado só se troca.
A artrose é frequente: a prevalência aumenta com a idade e é uma das principais causas de dor crônica e de limitação para atividades do dia a dia em adultos. Fatores como idade, sobrepeso, sobrecarga repetitiva, lesões articulares prévias (uma ruptura de menisco ou de ligamento, por exemplo) e predisposição familiar aumentam o risco. Reconhecer isso ajuda a calibrar a expectativa: artrose é comum, costuma evoluir devagar e, na maior parte das pessoas, é manejável sem cirurgia.
Doença da articulação inteira
Cartilagem, osso, sinóvia, ligamentos e músculos. Um processo ativo que responde a estímulo e a controle de fatores de risco.
“Desgaste” irreversível
Não é um pneu que esvazia até acabar. A dor não progride de forma fatal nem em linha reta para a cirurgia.
Vale distinguir a osteoartrose da artrite reumatoide, com a qual costuma ser confundida. A artrite reumatoide é uma doença inflamatória autoimune, sistêmica, que ataca várias articulações de forma simétrica, com rigidez matinal prolongada e sinais inflamatórios marcados, e exige acompanhamento reumatológico com medicação específica. A osteoartrose é predominantemente mecânico-degenerativa e localizada nas articulações mais sobrecarregadas. Os dois quadros podem coexistir, mas o tratamento de base é diferente.
- Osteoartrose
- Doença degenerativa da articulação inteira; sinônimo de osteoartrite e de artrose. Também chamada de artropatia degenerativa.
- Osteófito
- Formação óssea na borda da articulação, o “bico de papagaio”. É uma resposta do osso, nem sempre causa dor.
- Femorotibial
- Compartimento do joelho entre fêmur e tíbia. “Osteoartrose femorotibial” é a artrose nesse compartimento, comum no joelho.
Quase todo texto descreve a artrose como um estoque finito de cartilagem que vai “acabando” com o uso, e conclui que a saída é poupar a articulação. A biologia diz o oposto. A artrose é um processo ativo: a cartilagem é um tecido vivo que responde a estímulo, e ela se nutre justamente da carga em ciclos, porque não tem vasos próprios e depende da compressão e do alívio do movimento para trocar líquido e nutrientes. Não há uma cota de passos a economizar. Carga adequada e progressiva alimenta e protege a articulação; é a imobilidade que enfraquece a cartilagem e a musculatura ao redor. Por isso a instrução intuitiva de “use menos para durar mais” costuma acelerar a perda de função, e o tratamento de base é o contrário: carregar bem, não poupar.

Mitos e verdades sobre a artrose
Boa parte do sofrimento na artrose vem menos da própria doença e mais das crenças sobre ela. Quem acredita que “se mexer vai gastar mais” se mexe menos, perde músculo, ganha peso e tem mais dor. Vamos aos mitos que mais atrapalham, e ao que a evidência de fato mostra.
“Artrose é desgaste irreversível, é o fim da linha. Só vai piorar até precisar de prótese.”
A maioria das pessoas com artrose nunca chega à prótese. A doença costuma evoluir devagar, a dor oscila e muitas vezes melhora com tratamento. O objetivo realista é controlar a dor e manter a função, não “reverter o raio-x”.
“Quem tem artrose não pode se exercitar, porque o exercício acelera o desgaste da articulação.”
É o contrário. O exercício orientado é o tratamento de base, é seguro e não “gasta” a articulação. Fortalecer a musculatura ao redor protege a articulação, reduz a dor e melhora a função. A inatividade é que piora o quadro.
“Quando há artrose, só resta cirurgia ou prótese.”
O tratamento conservador, multimodal e individualizado resolve ou controla a maioria dos casos. A prótese entra em cena apenas em artrose avançada com dor refratária e perda importante de função, depois de um plano bem conduzido.
“Estalar o joelho ou os dedos danifica a articulação e causa artrose.”
O estalo articular indolor (a crepitação) é, na imensa maioria das vezes, benigno e não causa artrose. Estalar os dedos não provoca a doença. O que merece atenção é estalo acompanhado de dor, inchaço ou travamento.
“O raio-x define a dor: quanto pior a imagem, pior a dor.”
A correspondência é fraca. Há pessoas com imagem muito alterada e pouca dor, e outras com imagem discreta e dor intensa. A imagem é uma peça, não o veredito. Quem se trata é a pessoa, não o exame.
- Exercício é remédio. Fortalecimento e condicionamento são tratamento de base.
- Movimento não gasta. A cartilagem se nutre do movimento; a imobilidade é que a prejudica.
- Peso conta muito. No joelho, cada quilo a menos reduz de forma desproporcional a carga articular a cada passo.
- Dor não é igual a dano. Sentir dor não significa que a articulação está se destruindo naquele momento.
Na prática, a frase que mais muda o curso do tratamento é simples: “doer não é o mesmo que danificar”. Quando a pessoa entende que pode mover a articulação dentro do conforto sem estar “gastando” nada, ela volta a se exercitar, recupera força e, com frequência, a dor diminui. O medo do movimento é um dos maiores obstáculos, e desfazê-lo faz parte do tratamento.
Algumas observações recorrentes do consultório, que ajudam a calibrar a expectativa (impressões clínicas, não desfechos de estudo):
- O conselho de “proteger a articulação” costuma sair pela culatra. Quem ouviu que tem “desgaste” passa a evitar escada, agachamento e caminhada; em poucos meses chega com menos músculo, mais peso e mais dor do que antes. O dano não veio do uso, veio de parar de usar.
- A surpresa diante do descompasso entre imagem e dor é quase universal. Muita gente chega com um laudo de “artrose acentuada” temendo o pior e funcionando razoavelmente bem; e há quem tenha imagem discreta com dor que limita a vida. Mostrar que se trata a pessoa, e não o laudo, costuma aliviar o susto.
- A pergunta sobre suplemento aparece em quase toda consulta. Glucosamina, condroitina e colágeno são o que mais perguntam. Explico que a evidência é fraca e inconsistente, que não recupera cartilagem e que o dinheiro rende muito mais investido em acompanhamento do exercício do que no pote de cápsula.
- O que mais surpreende é a rapidez com que força, peso e atividade mudam o rumo. Não muda o raio-x, mas em algumas semanas de fortalecimento bem conduzido a dor e a função costumam melhorar de um jeito que a pessoa não esperava de uma articulação “gasta”.
Observações para revisão editorial; refletem a experiência clínica e não substituem dados de estudos.
Artrose de joelho, quadril, mãos e coluna
A osteoartrose afeta sobretudo as articulações que mais trabalham e que mais sofrem carga ou uso repetido. Cada localização tem um padrão de queixa, mas o princípio do tratamento é o mesmo: fortalecer, mover e controlar os fatores de sobrecarga.
| Articulação | Queixa típica | O que costuma ajudar |
|---|---|---|
| Joelho (femorotibial e femoropatelar) | Dor ao subir e descer escadas, ao agachar e após ficar muito tempo sentado; rigidez ao iniciar o movimento | Fortalecimento de quadríceps e glúteos, controle de peso, condicionamento |
| Quadril (coxofemoral) | Dor na virilha ou na nádega, que pode irradiar para a coxa; dificuldade para calçar meias e cruzar a perna | Fortalecimento de glúteos e core, mobilidade, ajuste de atividades |
| Mãos (interfalângicas e base do polegar) | Nódulos e dor nos dedos, dor na base do polegar (rizartrose), rigidez matinal curta | Exercícios de mão, órteses para o polegar, proteção articular |
| Coluna (facetária e discal) | Dor lombar ou cervical mecânica, que piora com a postura mantida; rigidez; às vezes osteófitos | Exercício, controle postural, fortalecimento do core, terapias em clínica |
Joelho
É a localização mais comum e mais incapacitante. A artrose femorotibial e a femoropatelar dão dor ao subir e descer escadas, ao agachar e ao levantar de uma cadeira baixa. O joelho é também onde o controle de peso e o fortalecimento do quadríceps mostram o melhor retorno: músculo forte distribui a carga e protege a articulação. A boa notícia é que a dor do joelho artrósico costuma responder muito bem ao tratamento conservador.
Quadril
A artrose de quadril (coxofemoral) tipicamente dá dor na virilha, e não na lateral do quadril, que costuma ser bursite ou tendinopatia. Limita gestos simples, como calçar meias e cruzar a perna. O fortalecimento da musculatura glútea e do core, somado à mobilidade, é central. As causas e o tratamento detalhado estão descritos na nossa página sobre dor no quadril.
Mãos
A artrose de mãos costuma ser familiar e mais comum em mulheres após a menopausa. Forma os nódulos de Heberden (nas pontas dos dedos) e de Bouchard (na articulação do meio), além da rizartrose, na base do polegar, que dói ao fazer pinça e abrir potes. O tratamento foca exercícios de mão, órteses de repouso e estratégias de proteção articular para as tarefas do dia a dia.
Coluna
Na coluna, a artrose atinge as articulações facetárias e os discos, e é a base dos osteófitos (“bicos de papagaio”). Dá dor mecânica lombar ou cervical, que piora com a postura mantida e melhora com o movimento. Aqui também o achado de imagem precisa ser interpretado com cautela: osteófitos e desgaste são extremamente comuns com a idade, mesmo em quem não sente dor.
Por que a imagem engana e a dor nem sempre acompanha
Este é um dos pontos mais importantes e menos compreendidos. A correlação entre o que o raio-x ou a ressonância mostram e a dor que a pessoa sente é, na artrose, fraca. Estudos de imagem em pessoas sem dor encontram alterações degenerativas com altíssima frequência a partir da meia-idade: osteófitos, redução do espaço articular e desgaste aparecem em muitos joelhos, quadris e colunas de gente que não tem queixa nenhuma.
Isso tem duas implicações práticas. Primeiro, encontrar artrose na imagem não explica, sozinho, a dor: é preciso confrontar o achado com a história e o exame. Segundo, um laudo carregado de termos como “degeneração acentuada” pode assustar e levar a pessoa a se mover menos, justamente o oposto do que ajuda. A imagem orienta, mas não comanda o tratamento nem a decisão de operar.
Por isso, na consulta, a imagem entra como uma peça do quebra-cabeça, e não como o veredito. O que define a conduta é o conjunto: onde dói, o que piora e melhora, quanto a dor limita a vida, a força muscular e a função. Tratar o exame, e não a pessoa, leva a intervenções desnecessárias.
Sinais de alerta: quando não é só artrose
A artrose é benigna na maioria das vezes, mas alguns sinais sugerem outra causa, como artrite inflamatória, infecção ou outro problema, e pedem avaliação sem demora.
Procure avaliação médica se houver
- Articulação quente, muito inchada e vermelha, sobretudo com febre.
- Rigidez matinal intensa que dura mais de uma hora, ou várias articulações inflamadas de forma simétrica.
- Dor que não melhora com repouso, piora à noite ou desperta do sono.
- Perda de peso sem explicação, mal-estar importante ou história de câncer.
- Travamento da articulação, instabilidade ou bloqueio súbito do movimento.
- Dor após trauma recente, com incapacidade de apoiar o peso.
Esses achados mudam a investigação: inflamação marcada e simétrica levanta a hipótese de artrite reumatoide ou de outra doença inflamatória; articulação quente com febre exige excluir infecção; e travamento mecânico pode indicar lesão de menisco ou corpo livre. Na ausência desses sinais, o quadro costuma ser de osteoartrose e segue o caminho conservador descrito a seguir.
Como a osteoartrose se trata
O tratamento da artrose é multimodal, individualizado e não-cirúrgico na maioria dos casos. A base é ativa, com exercício e controle de peso, e as demais técnicas se somam a ela para controlar a dor e permitir que a pessoa volte a se mover. O objetivo é reduzir a dor, recuperar a função e adiar ou evitar a cirurgia; o tratamento controla os sintomas e a função, não reverte o desgaste estrutural.
Educação e controle de fatores
Entender que movimento não gasta a articulação, controlar o peso e ajustar a sobrecarga das atividades. A base de tudo.
Exercício e fisioterapia
Fortalecimento, condicionamento e mobilidade orientados, com acompanhamento. É o tratamento de primeira linha.
Terapias em clínica e fármacos
Acupuntura, agulhamento seco, analgésicos e anti-inflamatórios por períodos definidos, duloxetina em casos selecionados.
Procedimentos e, por fim, prótese
Infiltração, viscossuplementação e ondas de choque quando indicados; cirurgia reservada a casos avançados e refratários.
Exercício, força e controle de peso: a base
- Mecanismo
- o fortalecimento muscular (quadríceps e glúteos no membro inferior, por exemplo) melhora a estabilidade e distribui a carga, reduzindo o estresse sobre a articulação; o movimento mantém a nutrição da cartilagem e a amplitude; o condicionamento aeróbico melhora dor, humor e função global. No joelho, o controle de peso tem efeito desproporcional: como a carga sobre o joelho é várias vezes o peso corporal a cada passo, cada quilo perdido alivia muito mais do que um quilo na balança.
- Evidência
- exercício terapêutico reduz dor e melhora função na artrose de joelho e quadril, com magnitude comparável à de anti-inflamatórios em vários estudos, e sem os efeitos adversos destes.
- O que esperar
- a resposta é gradual, ao longo de semanas, e depende da regularidade; o programa é mantido a longo prazo para sustentar o ganho e prevenir recorrência. Inclui cinesioterapia, fisioterapia motora e, conforme o caso, Pilates clínico, com atendimento individual (um paciente por sala). Um aumento leve e transitório da dor ao iniciar o exercício não significa dano e tende a ceder com a progressão adequada.
Fisioterapia e reabilitação
- Mecanismo
- ganho de controle motor, força e amplitude, com dessensibilização ao movimento em quem desenvolveu medo de mover a articulação.
- O que esperar
- é o eixo do plano; a evolução não é linear e o programa é ajustado conforme a resposta, com metas de função: subir escadas, caminhar mais, voltar a uma atividade. A meta é função, com menos dor; “dor zero” raramente é o alvo realista na artrose.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
- Mecanismo
- modulação segmentar no corno dorsal da medula (no nível dos segmentos que inervam o joelho, L3 a L4, ou o quadril) e ativação das vias inibitórias descendentes, com participação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência sobre os músculos periarticulares (quadríceps, glúteos) reforça esse efeito e ajuda a soltar a banda muscular que acompanha o joelho ou o quadril artrósico.
- Evidência
- há ensaios e revisões mostrando redução de dor e ganho de função na artrose de joelho, com benefício que pode se sustentar por meses, e a acupuntura aparece em diretrizes como opção adjuvante em casos selecionados.
- O que esperar
- o efeito é cumulativo ao longo de algumas semanas, com reavaliação para decidir se vale manter; serve sobretudo para destravar a reabilitação e poupar anti-inflamatório em quem tem estômago, rim ou pressão sensíveis.
- Limitações
- é adjuvante, não substitui o exercício, e o alívio tende a recuar se a pessoa não avança para o fortalecimento. A acupuntura médica é ato médico e, na clínica, é feita por médicos com formação na área.
Agulhamento seco (dry needling)
- Mecanismo
- a agulha desencadeia a contração breve da banda tensa, normaliza a atividade elétrica da placa motora e reduz a liberação local de substâncias que sensibilizam a dor, com efeito analgésico local e no segmento.
- O que esperar
- o alívio do componente muscular costuma vir em poucos dias, com leve dor no local por um ou dois dias depois; o agulhamento sozinho não trata a artrose, então ele entra acoplado ao fortalecimento, que mantém o ganho.
- Limitações
- não age sobre a cartilagem nem sobre o osso; cautela em quem usa anticoagulante.
Infiltração e viscossuplementação
- Mecanismo
- o corticoide reduz a inflamação local; o ácido hialurônico melhora a viscoelasticidade do líquido articular.
- Indicações
- osteoartrose de joelho, quadril e ombro, por vezes guiada por ultrassom.
- O que esperar
- alívio que pode durar de semanas a meses; não é um tratamento isolado, e sim uma janela para avançar a reabilitação. O corticoide intra-articular é usado de forma criteriosa e espaçada, pelo risco de efeitos com aplicações repetidas.
Ondas de choque
- Mecanismo
- mecanotransdução, estímulo à neovascularização e à regeneração tecidual, além de efeito analgésico.
- Evidência e indicações
- têm melhor evidência em tendinopatias (calcária do ombro, patelar, aquileia), epicondilite e fascite plantar, e podem entrar como adjuvante na dor periarticular associada à artrose, sobretudo quando há um componente tendíneo.
- O que esperar
- ciclo de cerca de 3 a 5 sessões semanais, com melhora ao longo de semanas; desconforto durante a aplicação é comum.
Fármacos: analgésicos, anti-inflamatórios e duloxetina
O papel da medicação é adjuvante: alivia para permitir o movimento, não substitui a base ativa. As opções, incluem:
- Anti-inflamatórios tópicos. Anti-inflamatórios em gel (como diclofenaco tópico) são uma boa primeira opção na artrose de joelho e mãos, com bom alívio e menos efeitos sistêmicos.
- Analgésicos simples. A dipirona ou o paracetamol ajudam no controle pontual da dor, com perfil de segurança favorável para uso orientado.
- Anti-inflamatórios orais. Ibuprofeno, naproxeno e outros, pelo menor tempo e dose eficazes, com atenção a estômago, rins, pressão e coração, sobretudo em idosos.
- Duloxetina. Antidepressivo com ação sobre a dor crônica, útil na artrose com dor persistente ou componente de sensibilização central, por modular as vias descendentes de controle da dor.
Diante de dor crônica refratária, outras classes (como os gabapentinoides) podem ser consideradas em casos selecionados. Suplementos orais de uso popular têm evidência fraca e inconsistente e não substituem o exercício. A prescrição, a dose e a duração são definidas pelo médico assistente, com atenção a efeitos adversos e comorbidades: anti-inflamatórios de uso prolongado são uma causa frequente de problemas gástricos e renais. Para entender melhor as classes de remédios usados na dor, veja nosso guia de remédios para dor.
Controle inicial
Educação, ajuste de carga e início do exercício; analgesia adjuvante se necessário para permitir o movimento.
Progressão
Fortalecimento progressivo, condicionamento e terapias em clínica. A dor costuma começar a ceder.
Manutenção e reavaliação
Consolidar o programa para prevenir recorrência. Sem a resposta esperada, revê-se o plano e consideram-se procedimentos.
Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a amplitude de movimento, a força do quadríceps e dos glúteos e o quanto a pessoa voltou a subir escadas, agachar e caminhar. Quando a dor não cede no ritmo esperado, antes de escalar para procedimentos verificamos o básico: a carga do exercício está realmente progredindo, o peso está sendo trabalhado, há um componente miofascial periarticular sendo tratado e o medo de mover já foi abordado. Muitas vezes o que faltava era ajustar a base, não adicionar mais uma técnica.
Quando avaliar prótese
A cirurgia de substituição articular (prótese de joelho ou de quadril) é um excelente recurso, mas é o último degrau, não o primeiro. Ela costuma ser considerada quando se reúnem alguns critérios, e não com base apenas no aspecto do raio-x.
| Critério | O que se observa |
|---|---|
| Dor refratária | Dor importante que persiste apesar de um tratamento conservador bem conduzido por tempo adequado |
| Perda de função | Limitação relevante para caminhar, dormir, trabalhar e realizar atividades essenciais |
| Artrose avançada | Doença em estágio avançado, em consonância com o quadro clínico, não só com a imagem |
| Decisão compartilhada | Expectativas, riscos, benefícios e condições de saúde discutidos com a pessoa e o cirurgião |
Em outras palavras: a prótese entra quando a dor e a perda de função pesam mais do que os riscos da cirurgia, depois que o caminho conservador foi efetivamente percorrido. Por isso, mesmo quem talvez venha a operar se beneficia de chegar à cirurgia com a musculatura forte e o peso controlado, o que melhora a recuperação. A indicação é sempre individual e cabe ao cirurgião ortopedista, dentro de uma decisão compartilhada.
“O raio-x mostra artrose avançada, então preciso operar logo.”
A decisão de operar se baseia na dor e na função, não só na imagem. Muita gente com imagem avançada vive bem com tratamento conservador. A cirurgia é considerada quando a dor é refratária e limita a vida.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
Conheça a clínica

Perguntas frequentes
Osteoartrose e osteoartrite são a mesma coisa?
Sim. Osteoartrose, osteoartrite e artrose são sinônimos para a mesma doença degenerativa da articulação. Também aparece como artropatia degenerativa. Ela é diferente da artrite reumatoide, que é inflamatória e autoimune.
Quem tem artrose pode fazer exercício?
Pode e deve. O exercício orientado é o tratamento de base da artrose, é seguro e não “gasta” a articulação. Fortalecer a musculatura ao redor reduz a dor e melhora a função. A inatividade é que piora o quadro.
Artrose tem cura?
A artrose é uma condição crônica e não se fala em “cura” no sentido de reverter o desgaste. O que é totalmente possível, na maioria das pessoas, é controlar a dor e manter uma boa função com tratamento. O objetivo realista é viver bem, não zerar o raio-x.
O raio-x mostrou artrose. Significa que vou precisar de prótese?
Não. A artrose na imagem é muito comum, inclusive em quem não tem dor, e a maioria das pessoas nunca chega à prótese. A cirurgia é considerada apenas em casos avançados, com dor refratária e perda de função, depois de um tratamento conservador bem conduzido.
O que é osteoartrose femorotibial?
É a artrose no compartimento femorotibial do joelho, entre o fêmur e a tíbia. É uma das localizações mais comuns e costuma responder bem a fortalecimento do quadríceps, condicionamento e controle de peso.
Estalar os dedos ou o joelho causa artrose?
Não. O estalo indolor é benigno e não provoca artrose. O que merece atenção é estalo acompanhado de dor, inchaço ou travamento da articulação, que deve ser avaliado.
Qual a diferença entre artrose e artrite reumatoide?
A osteoartrose (artrose) é mecânico-degenerativa e atinge as articulações mais sobrecarregadas. A artrite reumatoide é inflamatória, autoimune e sistêmica, com várias articulações inflamadas de forma simétrica e rigidez matinal prolongada. O tratamento de base é diferente, e a artrite reumatoide exige acompanhamento reumatológico.
Que articulações a artrose mais afeta?
Sobretudo joelho, quadril, mãos (dedos e base do polegar) e coluna. São as articulações que mais sofrem carga ou uso repetido. O joelho é a localização mais comum e mais incapacitante.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Chen et al. Durable Effects of Acupuncture for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis. Current Pain and Headache Reports. 2024. doi:10.1007/s11916-024-01242-6.
- Witt et al. Acupuncture in patients with osteoarthritis of the knee: a randomised trial. The Lancet. 2005.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A trajetória da artrose e a resposta a cada modalidade mudam de pessoa para pessoa, conforme articulação acometida, peso, força e estágio da doença; por isso o plano é individualizado em consulta.


Sem comentários
Deixe o seu comentário.
Senhores, boa tarde!
Ficou super claro a explicação.
Tive problemas com meu joelho esquerdo e foi necessário a me submeter a cirurgia de realinhamento dos ossos. Como trabalho na área técnica e dirijo muito na Grande SP a mais de 25 anos, observei que todos os finais de tarde meu joelho esquerdo ficava super inchado e doloridos. Ao observar o que poderia estar acontecendo diferente ao direito, pude observar o esforço repetitivo que exercia de acionar a embreagem varias vezes ao dia no transito caótico da cidade.
Pergunto, apos a cirurgia, terei o risco deste tratamento não ser eficaz caso eu tenha que continuar a expor esse meu joelho esquerdo a esta esforço repetitivo na mesma prática diária ou essa cirurgia de realinhamento resolveria essa questão ?
Grato pela matéria e pela atenção
Humberto.