Posição para dormir com hérnia de disco lombar
Não existe uma única posição certa, mas o princípio é manter a lombar neutra e aliviar as raízes nervosas ao dormir. Em geral, de lado com travesseiro entre os joelhos.
Leitura e acessibilidade
- As posições que mais costumam aliviar são de lado, com um travesseiro entre os joelhos, e de costas, com um apoio sob os joelhos. Ambas mantêm a lombar em posição neutra.
- Dormir de bruços é a posição que mais força a lombar para trás e estende as raízes nervosas; é a que costuma piorar a hérnia e a primeira a evitar.
- A melhor posição é a que reduz a sua dor. Colchão de firmeza média, travesseiro na altura certa e levantar rolando de lado completam o cuidado. O sono importa porque a privação amplifica a dor.
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Por que a posição de dormir muda a dor

Na hérnia de disco lombar, o núcleo pulposo (a porção gelatinosa central do disco) rompe as fibras do anel fibroso e se projeta no canal vertebral. Quando essa projeção ocorre na região posterolateral, no recesso lateral, ela atinge a raiz nervosa que desce para o forame do nível abaixo. A posição em que você passa a noite altera tanto a pressão dentro do disco quanto a tração sobre essa raiz, e é por isso que algumas posturas aliviam e outras acordam você com dor.
A dor que desce pela perna tem dois componentes, e isso muda o que cada posição faz. Há a compressão mecânica da raiz e há a inflamação química: o material do núcleo pulposo é rico em fosfolipase A2, óxido nítrico e citocinas como o TNF-alfa, que sensibilizam a raiz mesmo quando a compressão é modesta. Por isso uma hérnia pequena na ressonância pode doer muito, e uma hérnia grande pode ser quase assintomática. A maioria das hérnias lombares ocorre em L4 a L5 e L5 a S1, justamente os discos que sofrem maior carga, e o padrão da dor segue a raiz acometida.
Esse mapa não é detalhe acadêmico: é o que separa um incômodo lombar de uma radiculopatia que precisa de avaliação. Quando a perna de cima é levantada com o joelho estendido e a dor desce abaixo do joelho entre 30 e 70 graus de elevação, o teste de Lasègue (elevação da perna estendida) reproduz a tração da raiz inflamada sobre a hérnia. O mesmo princípio mecânico explica o sono: posições que esticam o trajeto do nervo, como deitar com as pernas estendidas e a lombar arqueada, repetem em horas o que o teste reproduz em segundos.
O segundo mecanismo é a pressão intradiscal. Os estudos clássicos de medida direta da pressão no disco (Nachemson; depois Wilke) mostram que deitar é a situação de menor carga do dia: a pressão em decúbito gira em torno de 0,1 megapascal, contra cerca de 0,5 em pé relaxado e mais de 1,0 sentado inclinado para a frente. Deitar, portanto, já descarrega o disco, mas a postura ainda modula essa pressão e, sobretudo, modula a tensão sobre a raiz. Há ainda um detalhe de ritmo circadiano: durante a noite o disco se reidrata por embebição e ganha volume e pressão interna, o que ajuda a explicar por que a dor costuma ser pior nos primeiros minutos da manhã.
O alvo prático, portanto, é manter a coluna lombar em posição neutra, sem afundar nem arquear, e evitar estirar a raiz já irritada. Para a maioria das hérnias posterolaterais, isso significa fugir tanto da flexão sustentada quanto da extensão forçada, embora a direção que mais alivia varie de pessoa para pessoa e seja, ela própria, um dado clínico (ver a preferência direcional no método de McKenzie, adiante). As três grandes posições do sono respondem de formas diferentes a esse alvo, e a tabela a seguir resume o porquê de cada uma.
| Posição | Efeito na coluna lombar | Veredito |
|---|---|---|
| De lado, com travesseiro entre os joelhos | Mantém a lombar neutra e os quadris alinhados; reduz a rotação da pelve | Boa para a maioria, sobretudo com dor na perna |
| De costas, com apoio sob os joelhos | Relaxa o psoas, reduz a lordose e a tensão sobre as raízes; distribui o peso | Boa opção, em geral a mais neutra |
| De bruços | Aumenta a lordose, comprime as facetas e roda o pescoço; estende a raiz | Evitar; costuma ser a pior |
“Com hérnia de disco eu preciso ficar de repouso e dormir o máximo possível parado.”
O repouso absoluto piora a recuperação. O sono de boa qualidade ajuda, mas o objetivo durante o dia é manter-se ativo dentro do conforto. Dormir bem é um apoio ao tratamento, não um substituto do movimento.
As melhores posições, passo a passo
As duas posições recomendadas funcionam porque preservam a posição neutra da lombar. Vale experimentar as duas por algumas noites e adotar a que reduz mais a sua dor, em especial a que desce para a nádega ou a perna. O detalhe que faz a diferença está sempre no apoio que você coloca entre ou sob os joelhos.
Deite de lado com os joelhos levemente dobrados e coloque um travesseiro firme entre os joelhos e as coxas. Isso impede que a perna de cima role para a frente e torça a pelve e a lombar, mantendo o quadril, o joelho e o tornozelo na mesma linha. Se quiser, um pequeno apoio na cintura preenche o vão entre o corpo e o colchão. Em geral é a posição mais confortável para quem tem dor irradiada para a perna. Não importa muito o lado; escolha o que dói menos, costuma ser o oposto ao da perna sintomática.
Deite de costas e coloque um ou dois travesseiros sob os joelhos, deixando-os semiflexionados. Essa leve flexão relaxa o músculo psoas e reduz a lordose lombar, tirando carga das facetas e tensão das raízes. Uma toalha pequena enrolada sob a curva da lombar pode aumentar o conforto de quem prefere um apoio ali. É, para muita gente, a posição mais neutra e equilibrada, porque distribui o peso do corpo de modo simétrico.
Existe ainda uma variação útil em crises mais agudas, sobretudo quando há um componente de estenose ou dor que piora ao estender a coluna: a posição fetal, de lado e com os joelhos recolhidos em direção ao peito, abre o espaço posterior do canal e pode aliviar. Não é para usar todas as noites como hábito, porque mantém a coluna flexionada por horas, mas serve como recurso de conforto em fases de mais dor. Em todas as variações, o princípio é o mesmo: nada de torção e nada de extremos de flexão ou de extensão mantidos a noite toda.
A posição a evitar é dormir de bruços. Ela empurra a lombar para o aumento da lordose, comprime as articulações facetárias e obriga o pescoço a uma rotação prolongada para um dos lados. Para a raiz já comprimida, é a configuração que mais costuma estender e irritar o nervo. Se você só consegue pegar no sono de bruços, uma transição possível é colocar um travesseiro fino sob a pelve e a barriga, o que reduz a lordose, enquanto migra aos poucos para a posição de lado.
- Prefira: dormir de lado com travesseiro firme entre os joelhos, mantendo quadril, joelho e tornozelo alinhados.
- Prefira: dormir de costas com apoio sob os joelhos, e teste um pequeno rolo sob a curva da lombar.
- Use: a posição fetal de lado como recurso de conforto nas crises mais agudas.
- Evite: dormir de bruços, que aumenta a lordose e estende a raiz nervosa.
- Evite: travesseiro entre os joelhos macio demais ou ausente quando dorme de lado, o que deixa a pelve torcer.
No consultório, quase sempre acabo nas mesmas duas saídas: de lado com um travesseiro firme entre os joelhos para quem tem a perna doendo, e de costas com travesseiros sob os joelhos para quem se incomoda mais com a lombar do que com a perna. O de bruços é o único que peço para abandonar de fato, porque obriga a torcer o pescoço a noite inteira para respirar. O detalhe que mais surpreende as pessoas é que o ganho real vem de achar uma postura neutra e confortável e, principalmente, de dormir melhor como um todo, porque uma noite ruim costuma piorar a dor do dia mais do que qualquer ajuste fino de travesseiro. O outro ponto que repito é mecânico e pequeno: ensinar a sair da cama rolando de lado em bloco, porque é levantar torcendo a lombar de uma vez, e não a hérnia em si, que provoca aquela facada da manhã.
Colchão e travesseiro: o que realmente importa
A pergunta sobre o colchão ideal é frequente, e a resposta é que não existe um único modelo que sirva para todos. O que a evidência sugere é que um colchão de firmeza média tende a ser melhor para a dor lombar do que um colchão muito duro. A ideia antiga de que “quanto mais duro, melhor” não se sustenta: uma superfície excessivamente rígida não acompanha as curvas do corpo e deixa a lombar sem apoio, enquanto um colchão muito mole faz o quadril afundar e arqueia a coluna.
O critério prático é o alinhamento. O colchão certo é aquele que mantém a sua coluna neutra na posição em que você dorme: firme o bastante para sustentar o peso do quadril e dos ombros, macio o bastante para acomodar essas saliências sem criar vão na cintura. Quem dorme de lado costuma precisar de um pouco mais de acomodação para o ombro e o quadril; quem dorme de costas, de um pouco mais de suporte. Antes de trocar o colchão, vale testar um tapa-colchão (pillow top) sobre um colchão duro, uma solução mais barata que costuma resolver.
Alinhamento neutro acima de tudo
O bom colchão e o bom travesseiro não são os mais caros nem os mais duros: são os que mantêm cabeça, coluna torácica e lombar na mesma linha que você teria em pé, com boa postura. Tudo que cria curva extra ou afundamento na cintura tende a manter a dor.
Firmeza média; teste um pillow top antes de trocar
Altura que preenche o vão do pescoço, sem elevar nem afundar a cabeça
O travesseiro também conta, mesmo na dor lombar, porque a posição do pescoço influencia o alinhamento de toda a coluna. Quem dorme de lado precisa de um travesseiro mais alto, que preencha o espaço entre o ombro e a cabeça e mantenha o pescoço reto. Quem dorme de costas precisa de um travesseiro mais baixo, que não empurre a cabeça para a frente. O travesseiro entre os joelhos, na posição de lado, e o travesseiro sob os joelhos, na posição de costas, são tão importantes quanto o da cabeça para manter a lombar neutra.
Como levantar da cama protegendo a coluna
O momento de sair da cama é, muitas vezes, o mais doloroso do dia, porque o disco está mais hidratado e levemente mais pressurizado pela manhã, e porque o reflexo natural é sentar-se de frente, dobrando e torcendo a lombar de uma só vez. A técnica de rolar em bloco (log roll) evita esse pico de carga e deve virar hábito enquanto a hérnia incomoda.
- Role de lado em bloco
Antes de levantar, dobre os joelhos e role o corpo todo para o lado da cama de uma vez, como um tronco único, mantendo os ombros e a pelve girando juntos, sem torcer a lombar.
- Desça as pernas e use os braços
Deixe as pernas saírem para fora da cama enquanto empurra o tronco para cima com os braços e a mão de apoio. O peso das pernas descendo ajuda a elevar o tronco, poupando a lombar.
- Sente-se na borda antes de ficar de pé
Sente-se por alguns segundos na beira da cama, com os pés bem apoiados no chão, e só então levante-se empurrando com as pernas, mantendo a coluna ereta e sem se inclinar para a frente.
- Para deitar, faça o caminho inverso
Sente na borda, apoie a mão, deite de lado em bloco e só depois role para a posição final. A mesma lógica vale para qualquer mudança de posição durante a noite.
A regra que protege a coluna no dia a dia também vale na cama: dissocie os movimentos e nunca dobre e torça a lombar ao mesmo tempo, sobretudo sob carga. Rolar em bloco para levantar é um gesto pequeno que evita justamente o movimento que mais reproduz a dor radicular pela manhã.
Tratamento da hérnia além da posição de dormir

Ajustar o sono é uma peça do cuidado, não o tratamento inteiro. Vale começar por uma notícia favorável: a maior parte das hérnias de disco lombar tem história natural benigna. O fragmento herniado, em especial as extrusões maiores, sofre reabsorção espontânea por desidratação e por fagocitose mediada por macrófagos, com regressão documentada em ressonâncias de controle ao longo de semanas a meses. Por isso o objetivo, na ausência de sinais de alerta, é controlar a dor e manter a função enquanto a biologia trabalha a favor, reservando a cirurgia para a minoria com déficit neurológico progressivo, síndrome da cauda equina ou dor radicular incapacitante que não cede ao tratamento conservador bem conduzido.
O tratamento é, por princípio, multimodal, individualizado e não cirúrgico. A base é o exercício; as demais modalidades somam-se a ele para abrir uma janela de menos dor que permite reabilitar, e não para substituí-lo. A escolha e a ordem das modalidades dependem da fase (aguda hiperálgica ou subaguda), do peso do componente radicular em relação ao componente miofascial e das comorbidades de cada pessoa. As linhas a seguir descrevem as principais ferramentas, o que cada uma faz e o que esperar delas.
Exercício terapêutico e método de McKenzie
- O que é: reabilitação ativa individualizada com cinesioterapia, estabilização do core (transverso do abdome e multífidos), controle motor e, com frequência, o diagnóstico mecânico de McKenzie, que busca a preferência direcional do paciente.
- Mecanismo: a maioria das hérnias responde a exercícios de extensão, que tendem a centralizar a dor, ou seja, a fazê-la migrar da perna de volta para a lombar, um sinal de bom prognóstico que indica menor tensão sobre a raiz. Ganha-se ainda controle motor, dessensibilização ao movimento e resistência dos extensores, reduzindo a recorrência.
- Evidência: o exercício é a base do tratamento conservador da lombalgia e da hérnia, com recomendação consistente em diretrizes; o fenômeno da centralização tem valor prognóstico estabelecido. A magnitude do efeito é modesta a moderada e depende da adesão.
- O que esperar: programa mantido por semanas, com progressão de carga; a melhora é gradual e exige continuidade para prevenir novas crises.
- Indicações: praticamente todos os casos sem sinais de alerta; é a peça que se mantém depois que a dor aguda passa.
- Limitações: exercícios mal direcionados podem irritar a raiz; na fase aguda hiperálgica, começa-se de forma suave e sem forçar a direção que piora a perna.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
- O que é: inserção de agulhas finas em acupontos por médico acupunturiatra; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas.
- Mecanismo: modulação segmentar no corno dorsal da medula (a teoria da comporta), ativação de vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e liberação de opioides endógenos; a baixa frequência tende a recrutar mais os sistemas opioides. A correspondência entre a descrição tradicional por meridianos e a neurofisiologia permanece objeto de estudo.
- Evidência: um ensaio clínico randomizado publicado no JAMA Internal Medicine em 2024 (Tu et al.) indicou redução da dor e melhora da função na ciática crônica por hérnia de disco; revisões em dor lombar apontam benefício de magnitude variável. A evidência é moderada e o efeito, parcial.
- O que esperar: trabalha-se em sessões semanais com reavaliação após as primeiras, ajustando os pontos paravertebrais lombares conforme a perna responde; o alívio é cumulativo, e um ganho que interessa diretamente é a melhora do sono, porque uma noite com menos despertares pela dor baixa a sensibilização do dia seguinte.
- Indicações: componente de dor lombar e radicular, dor miofascial paravertebral associada, e quem dorme mal pela dor e quer reduzir a dependência de medicação noturna.
- Limitações: desconforto ou pequena equimose no local; cautela em pessoas anticoaguladas.
Agulhamento seco da musculatura paravertebral
- O que é: na hérnia, a raiz irritada deixa em defesa a musculatura paravertebral, e instala-se uma dor miofascial secundária no quadrado lombar, nos multífidos e no glúteo médio, mantida por pontos-gatilho. Esse componente é o que costuma fincar uma faca na lombar quando a pessoa fica muito tempo numa posição na cama. O agulhamento seco insere a agulha de acupuntura diretamente no ponto-gatilho, sem injetar substância.
- Mecanismo: ao atravessar a banda tensa, a agulha desencadeia um espasmo breve e involuntário daquele feixe, e é justamente esse espasmo que reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e a concentração local de substâncias álgicas, soltando o nó muscular e interrompendo o ciclo dor-espasmo-dor que prende a lombar à noite.
- O que esperar: a musculatura paravertebral costuma soltar logo após a sessão ou ao longo do dia seguinte, e é comum um dia de dor pós-agulhamento parecida com a de um treino; quem dormia preso numa posição costuma ganhar de volta a liberdade de rolar na cama antes mesmo de a dor da perna ceder.
- Indicações: o componente miofascial paravertebral que acompanha a hérnia, sustenta a dor lombar e atrapalha mudar de posição ao deitar.
- Limitações: dor local transitória e equimose; cautela em quem usa anticoagulante. Trata o músculo em defesa, sem agir sobre a compressão da raiz em si.
Bloqueios e infiltrações peridurais
- O que é: injeção de anestésico associado a corticoide ao redor da raiz, por via peridural ou transforaminal; uma injeção para a dor da hérnia reservada à dor radicular significativa. Feita em outro serviço, por encaminhamento.
- Mecanismo: o corticoide reduz a inflamação química perirradicular mediada por fosfolipase A2 e citocinas, e o anestésico interrompe temporariamente a condução nociceptiva, abrindo uma janela para a reabilitação.
- Evidência: as injeções peridurais de corticoide oferecem alívio de curto a médio prazo na dor radicular por hérnia, com efeito que tende a diminuir ao longo dos meses e sem mudar de forma consistente a necessidade de cirurgia a longo prazo. É uma ponte, não uma cura.
- O que esperar: alívio de semanas a poucos meses; costuma ser usada para destravar a reabilitação quando a dor na perna impede o exercício.
- Indicações: dor radicular intensa e limitante, refratária às medidas iniciais, sem indicação cirúrgica de urgência.
- Limitações: efeito temporário; riscos próprios do procedimento; faz parte de um plano e não substitui o exercício.
Quando a dor está alta demais para treinar, o médico pode indicar um remédio por tempo definido. As opções e os cuidados estão reunidos no guia de remédios para dor.
Onde o sono entra: nenhuma dessas modalidades funciona bem em quem dorme mal. A posição neutra na cama e a higiene do sono reduzem o despertar pela dor, e uma noite melhor baixa a sensibilização que amplifica a dor no dia seguinte, potencializando o exercício e as demais medidas. É por isso que organizar o sono é parte legítima do plano de conforto.
Por que o sono importa no tratamento da dor
Cuidar da posição não é só uma questão de conforto na hora de dormir: o sono em si é um regulador da dor. A relação é de mão dupla. A dor atrapalha o sono, e a privação de sono, por sua vez, baixa o limiar de dor no dia seguinte, deixando o sistema nervoso mais sensível e amplificando a percepção dolorosa. Quem dorme mal tende a sentir mais dor, a se mover menos e a se recuperar mais devagar, num ciclo que se retroalimenta.
Não há uma posição correta única para quem tem hérnia, e ficar caçando a postura perfeita pode virar parte do problema, porque a vigília ansiosa atrapalha o próprio sono. O alvo é mais simples: uma coluna apenas neutra e apoiada, numa posição que você ache confortável o bastante para adormecer e seguir dormindo. E melhorar o sono como um todo, com horários regulares e dor controlada o suficiente para pegar no sono, tende a reduzir a dor mais do que o ajuste fino entre um travesseiro e outro.
Por isso, na hérnia de disco e na dor lombar em geral, organizar o sono entra como parte legítima do tratamento, ao lado do exercício e das demais medidas. Regularizar horários para deitar e acordar, reduzir telas e cafeína à noite, manter o quarto escuro e silencioso e tratar a dor o suficiente para conseguir adormecer são medidas que, somadas à posição correta, podem melhorar a noite e o dia. Acordar sempre no mesmo horário ajuda a ancorar o ritmo circadiano; a cafeína tem meia-vida de cerca de 5 horas, então café no fim da tarde pode atrapalhar o adormecer em pessoas sensíveis; luz forte à noite atrasa a melatonina.
Vale uma ressalva importante sobre um padrão de sono específico. Dor lombar que desperta a pessoa no meio da noite de forma repetida, que é claramente pior deitado e que não alivia com nenhuma posição não é o comportamento típico de uma hérnia mecânica e precisa de avaliação, porque entra na lista de sinais que pedem investigação, descritos a seguir.
Sinais de alerta

A maior parte das hérnias de disco lombar é benigna e melhora com tratamento conservador, e ajustar a forma de dormir faz parte desse cuidado. Alguns sinais, porém, indicam que a avaliação não deve esperar por uma boa noite de sono. Procure atendimento sem demora se notar qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Dificuldade para urinar ou evacuar, perda do controle da urina ou das fezes (retenção ou incontinência).
- Dormência na região entre as pernas, em volta dos genitais e do ânus (anestesia em sela).
- Fraqueza que progride numa ou nas duas pernas, ou pé que começa a “cair” e a tropeçar.
- Dor lombar com febre, perda de peso sem explicação, história de câncer ou após trauma importante.
- Dor que piora deitado, que desperta a pessoa à noite de forma repetida e não cede em nenhuma posição.
Os três primeiros sinais, em conjunto, levantam a suspeita de síndrome da cauda equina, uma compressão grave das raízes nervosas que configura emergência e exige avaliação imediata, porque o tempo influencia a recuperação. Os demais apontam para causas que mudam a conduta. Na ausência desses sinais, a dor da hérnia costuma responder ao tratamento conservador, e a posição de dormir é uma das peças desse plano. Para entender a dor que desce pela perna, vale ver também a página sobre a dor ciática.
Perguntas frequentes
Qual a melhor posição para dormir com hérnia de disco lombar?
As duas melhores costumam ser dormir de lado com um travesseiro firme entre os joelhos e dormir de costas com um apoio sob os joelhos. Ambas mantêm a coluna lombar em posição neutra e reduzem a tensão sobre a raiz nervosa. A melhor para você é a que diminui mais a sua dor, especialmente a que desce para a perna; vale testar as duas por algumas noites.
Posso dormir de bruços com hérnia de disco?
É a posição que mais costuma piorar a hérnia lombar, porque aumenta a curvatura da lombar (lordose), comprime as facetas e tende a estender a raiz já irritada, além de torcer o pescoço. Se você só pega no sono de bruços, um travesseiro fino sob a pelve e a barriga reduz a lordose, enquanto migra aos poucos para a posição de lado.
Qual o melhor colchão para hérnia de disco?
Não há um único modelo ideal, mas a firmeza média costuma ser melhor para a dor lombar do que um colchão muito duro ou muito mole. O critério é o alinhamento: o colchão deve sustentar o quadril e os ombros sem deixar a cintura afundar. Antes de trocar o colchão, vale testar um tapa-colchão (pillow top) sobre um colchão firme.
Por que minha dor da hérnia piora pela manhã?
Pela manhã o disco está mais hidratado e levemente mais pressurizado, e o movimento de sentar dobrando e torcendo a lombar de uma vez sobrecarrega a raiz. Levantar rolando de lado em bloco, descendo as pernas e empurrando o tronco com os braços, evita esse pico de carga. Uma dor que é sempre muito pior deitado e à noite, porém, precisa de avaliação.
Dormir de lado pode piorar a hérnia?
Dormir de lado é geralmente uma boa posição, desde que com um travesseiro firme entre os joelhos. Sem esse apoio, a perna de cima rola para a frente e torce a pelve e a lombar, o que pode manter a dor. A posição fetal, de lado e com os joelhos recolhidos, ajuda em crises agudas, mas não é ideal como hábito de todas as noites por manter a coluna flexionada por horas.
Devo ficar de repouso na cama por causa da hérnia?
Não. O repouso absoluto prolongado piora a recuperação da hérnia e da dor lombar. O objetivo durante o dia é manter-se ativo dentro do conforto. O sono de boa qualidade ajuda na recuperação porque a privação de sono amplifica a dor, mas dormir bem é um apoio ao tratamento, não um substituto do movimento e do exercício.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Tu JF, et al. Acupuncture vs Sham Acupuncture for Chronic Sciatica From Herniated Disk: A Randomized Clinical Trial. JAMA Internal Medicine. 2024;184(12):1417-1424.
- Wilke HJ, et al. New in vivo measurements of pressures in the intervertebral disc in daily life. Spine. 1999;24(8):755-762.
- Kjaer P, et al. National clinical guidelines for non-surgical treatment of patients with recent onset low back pain or lumbar radiculopathy. European Spine Journal. 2017;26(9):2242-2257.
- Chiu CC, et al. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clinical Rehabilitation. 2015;29(2):184-195.
- Finan PH, Goodin BR, Smith MT. The association of sleep and pain: an update and a path forward. Journal of Pain. 2013;14(12):1539-1552.
A posição que vai aliviar a sua noite depende da raiz acometida e do que aumenta ou reduz a sua dor, então a melhor escolha é individualizada e definida com quem examina você. Como ponto de partida, se a dor desce abaixo do joelho, experimente dormir de lado com travesseiro firme entre os joelhos; se o incômodo é mais lombar e piora com a lombar arqueada, use apoio sob os joelhos. Se nenhuma posição alivia ou se a dor desperta você toda noite, isso merece avaliação. Diante de fraqueza, dormência em sela ou perda do controle da urina e das fezes, procure atendimento sem demora.













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Gostaria de saber como faço para um tratamento pois não tenho um convênio e estou com fortes dores .por favor me dê uma luc