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Avaliação · Termografia

Termografia clínica: o mapa de temperatura na avaliação da dor

Uma câmera infravermelha lê a temperatura da pele ponto a ponto e devolve um mapa colorido do corpo. Como a temperatura da pele acompanha o fluxo de sangue nos vasos superficiais, esse mapa mostra algo que a radiografia e a ressonância não mostram: como a região dolorosa está se comportando neste momento.

Resposta direta
  • A termografia registra o calor que a pele emite, sem tocar no corpo, sem radiação e sem contraste. O resultado é um mapa de temperatura da superfície, não uma imagem das estruturas por baixo dela.
  • Ela é útil porque a temperatura da pele depende da circulação nos vasos superficiais, e essa circulação é governada pelo sistema nervoso autônomo. Inflamação, contratura muscular ativa, irritação de um nervo e alteração do tônus vascular deixam marca no mapa.
  • Na clínica, entra como camada complementar: para comparar os dois lados, delimitar a área de dor referida, conferir se um bloqueio pegou o alvo e acompanhar como a região muda ao longo do tratamento. O diagnóstico continua vindo da história, do exame físico e das imagens que mostram estrutura.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Mapa térmico do dorso com o lado direito mais quente que o esquerdo sobre o trapézio superior
Mapa térmico do dorso: o corpo saudável é bastante simétrico, e é o contraste entre um lado e o outro — aqui, uma zona quente sobre o trapézio superior direito — que chama a atenção do examinador.

O que a termografia mede

Todo corpo acima do zero absoluto emite radiação infravermelha, e a pele humana é quase um emissor perfeito nessa faixa. Uma câmera termográfica capta essa emissão e a converte em temperatura, pixel a pixel, sem encostar no paciente e sem emitir nada em direção a ele. O exame é inteiramente passivo: a câmera apenas escuta o calor que o corpo já estava emitindo.

O que dá valor clínico a essa medida é o que determina a temperatura da pele. A pele tem pouca produção própria de calor; a temperatura dela é, em boa parte, o calor trazido pelo sangue que circula no plexo vascular logo abaixo da superfície. E o calibre desses vasos está sob controle do sistema nervoso simpático, que os contrai ou relaxa em resposta a temperatura, emoção, dor, inflamação e atividade muscular.

Daí decorre a natureza do exame. A termografia é um exame funcional: registra um estado fisiológico no momento em que a foto é tirada. A anatomia continua sendo o território do ultrassom, da radiografia e da ressonância. As duas informações respondem a perguntas diferentes, e é justamente por isso que uma pode acrescentar à outra.

Passivo
Sem radiação, sem contraste, sem contato com a pele
0,98
Emissividade da pele: ela emite quase como um corpo negro
Fisiologia
Mede circulação superficial, sob comando simpático
Repetível
Pode ser refeito quantas vezes o acompanhamento exigir

Como um termograma é lido

A leitura não parte de um valor absoluto de temperatura. Parte da simetria. O corpo humano saudável é termicamente bastante simétrico: pontos correspondentes de um lado e do outro ficam próximos, e o paciente funciona como o próprio controle — compara-se o ombro doloroso com o ombro do outro lado, a mão sintomática com a contralateral.

Pequenas diferenças entre os lados são normais e existem em qualquer pessoa, inclusive sem dor. Por isso uma assimetria discreta e isolada não significa doença: o que interessa é a diferença que se destaca desse ruído habitual e que coincide com a região sintomática.

E o que conta como pequeno muda conforme a região. Tronco, pescoço e face são bastante simétricos; mãos, pés e sobretudo os dedos variam naturalmente muito mais entre um lado e o outro, mesmo em pessoas saudáveis. Não existe, portanto, um número único de diferença que sirva para o corpo inteiro — a referência é a da região examinada. Essa é uma das razões pelas quais laudos que aplicam um mesmo limite a qualquer parte do corpo merecem desconfiança.

Simetria
o lado sadio é a referência, e o limite do que é normal varia conforme a região do corpo
Padrão
o formato da área alterada pesa mais que a intensidade da cor

O segundo elemento da leitura é o desenho da área alterada. Uma zona mais quente ou mais fria só ganha significado quando se pergunta a que território anatômico ela obedece. Uma área que respeita o trajeto de um nervo periférico sugere algo naquele nervo. Uma que acompanha o ventre de um músculo e a sua zona de dor referida aponta para o músculo.

Uma que se concentra sobre uma interlinha articular sugere a articulação. Uma que cobre uma mão inteira, ultrapassando qualquer território nervoso isolado, levanta a hipótese de um distúrbio do controle vascular.

Quente e frio também não significam a mesma coisa. O aumento de temperatura acompanha aumento do fluxo local — inflamação ativa, músculo em contração sustentada, região com vasodilatação por perda do tônus simpático. A redução acompanha vasoconstrição — hiperatividade simpática, comprometimento vascular, e algumas fases de quadros neuropáticos crônicos.

Vale registrar que o sentido da alteração não é fixo por diagnóstico: quadros dolorosos do ombro, por exemplo, aparecem com frequência mais frios que o lado sadio, e a mesma condição pode esfriar numa fase e esquentar em outra. É a soma do lado, do desenho e do sentido da alteração que compõe a informação útil.

Zona quente sobre um músculo
Sugere atividade muscular sustentada ou ponto-gatilho ativo quando coincide com a banda tensa palpável e com a área de dor que o paciente aponta.
Zona quente sobre uma articulação
Sugere componente inflamatório ativo naquela articulação ou na bursa vizinha, e ajuda a distinguir a articulação irritada da dor referida de outra estrutura.
Alteração no território de um nervo periférico
Levanta a hipótese de irritação ou aprisionamento daquele nervo quando o território térmico coincide com a área de formigamento relatada. Para dor irradiada de origem na coluna, o mapa não identifica a raiz nem o nível acometido.
Assimetria difusa de um membro
Levanta a hipótese de disfunção do controle vascular autonômico, achado que aparece na síndrome complexa de dor regional e em fenômenos vasoespásticos.

O que ela mostra e o que ela não mostra

Boa parte da confusão em torno da termografia vem de esperar dela o que ela não se propõe a fazer. Vale separar os dois campos com clareza.

O que aparece no mapa

Estado funcional da região

  • Diferença de temperatura entre o lado doloroso e o lado sadio.
  • Extensão e formato da área alterada, comparáveis à dor que o paciente descreve.
  • Sinais de atividade inflamatória superficial e de contratura muscular mantida.
  • Alteração do tônus vascular, incluindo a resposta a um bloqueio anestésico.
  • Mudança da mesma região entre dois momentos do tratamento.
VS

O que continua vindo de outros exames

Estrutura e profundidade

  • Integridade de tendões, ligamentos, meniscos e cartilagem: ultrassom e ressonância.
  • Disco, raiz nervosa e canal medular: ressonância.
  • Osso, alinhamento e artrose: radiografia sob carga.
  • Grau de comprometimento de um nervo: eletroneuromiografia.
  • Qualquer lesão profunda: o calor de estruturas profundas se dissipa antes de chegar à pele.

Um achado térmico isolado, portanto, não fecha diagnóstico nenhum. Ele ganha peso quando bate com a história, com o que a mão encontra na palpação e com o que os outros exames mostram — e é exatamente essa convergência que o torna útil.

Para que a termografia entra na avaliação

Na rotina da clínica, o exame é pedido para responder a uma pergunta específica que a avaliação já levantou. Abaixo estão as situações em que ele costuma acrescentar informação capaz de mudar alguma coisa na condução do caso.

Mapear o padrão da dor e comparar os dois lados

O que se procura
Uma tradução visual da área que o paciente descreve. Muitas dores crônicas são difíceis de delimitar em palavras, e a comparação com o lado assintomático dá contorno objetivo àquilo que o paciente vem tentando localizar.
Como aparece no mapa
Uma área de assimetria com contorno definido, que se sobrepõe ou não à região apontada. Quando a área térmica coincide com a área dolorosa e com o achado da palpação, três informações independentes convergem para o mesmo alvo.
O que muda na conduta
Ajuda a decidir onde concentrar o tratamento local e a hierarquizar alvos quando há mais de uma região dolorosa. Também documenta a extensão inicial do quadro para comparação posterior.
Limitações
A dor pode ser intensa com termograma simétrico, sobretudo em quadros predominantemente centrais como a fibromialgia. Mapa normal não afasta dor.

Documentar a assimetria térmica na síndrome complexa de dor regional

O que se procura
A diferença de temperatura entre o membro acometido e o contralateral. A alteração vasomotora é um dos componentes dos critérios diagnósticos da síndrome complexa de dor regional, e a assimetria térmica é o modo de registrá-la de forma objetiva.
Como aparece no mapa
Assimetria difusa de todo o segmento, que ultrapassa o território de um nervo isolado. O membro pode estar mais quente na fase inicial e mais frio nas fases mais tardias, refletindo a mudança do padrão vasomotor ao longo da evolução.
O que muda na conduta
Transforma um sinal que o examinador percebia com o dorso da mão em um registro comparável ao longo do tempo. Numa condição em que o diagnóstico precoce muda o prognóstico, ter o sinal vasomotor documentado ajuda a sustentar a decisão de tratar cedo.
Limitações
O diagnóstico é clínico e de exclusão. A assimetria térmica sozinha não confirma a síndrome, e sua ausência em um exame isolado não a afasta, porque o padrão vasomotor oscila ao longo do dia e da evolução.

Documentar atividade inflamatória em estruturas superficiais

O que se procura
O aquecimento que acompanha a inflamação ativa em articulações e tendões próximos da superfície — joelho, tornozelo, punho, dedos, cotovelo. É onde o método tem o desempenho mais consistente dentro da medicina musculoesquelética.
Como aparece no mapa
Área quente sobre a interlinha articular, a bursa ou o trajeto do tendão, mais evidente quando comparada à mesma estrutura do lado oposto. Nas artrites inflamatórias, o aquecimento acompanha razoavelmente bem o que o ultrassom com Doppler mostra de sinovite ativa.
O que muda na conduta
Ajuda a separar a articulação que está inflamada agora daquela que dói por sobrecarga mecânica ou por dor referida de outra estrutura — distinção que muda o tratamento. Em tendinopatias, o achado ajuda a confirmar que a estrutura dolorosa é mesmo o tendão apontado no exame.
Limitações
Calor não é sinônimo de inflamação: idade, sexo, índice de massa corporal e atividade recente deslocam a temperatura da região tanto quanto a doença. Articulações profundas, como quadril e ombro, ficam fora do alcance. E uma região operada permanece mais quente por meses, mesmo com recuperação normal.

Confirmar objetivamente o efeito de um bloqueio simpático

O que se procura
A elevação da temperatura no território correspondente após o bloqueio. Quando o anestésico atinge a cadeia simpática, os vasos daquele território se dilatam e a pele aquece — e esse aquecimento é a evidência mais direta de que o alvo foi alcançado.
Como aparece no mapa
Aquecimento nítido e progressivo do segmento, já visível em poucos minutos, comparado ao lado não bloqueado e ao mapa obtido antes do procedimento. No membro inferior, a planta do pé é o ponto que mais aquece e o mais confiável para essa leitura.
O que muda na conduta
Separa duas explicações que se confundem quando a dor não melhora: o bloqueio não pegou o alvo, ou pegou e a dor daquele paciente não depende da via simpática. As condutas seguintes são diferentes em cada caso, e sem o registro térmico a distinção fica no palpite.
Limitações
O aquecimento mostra que a agulha alcançou o alvo; ele não prevê quanto o paciente vai melhorar, e a correlação entre a subida de temperatura e o alívio nas semanas seguintes é fraca. Exige mapa antes e depois, na mesma sala e nas mesmas condições, e aplica-se aos bloqueios que atingem a via simpática, e não a todos os bloqueios de nervos periféricos.

Acompanhar a resposta ao agulhamento seco e à infiltração de ponto-gatilho

O que se procura
A reação vasomotora que o agulhamento provoca no território do músculo tratado, registrada antes e depois do procedimento. O diagnóstico do ponto-gatilho continua sendo feito pela palpação, que é o instrumento próprio da síndrome dolorosa miofascial.
Como aparece no mapa
Após o agulhamento seco ou a infiltração de ponto-gatilho, costuma surgir aquecimento na área correspondente, que se instala em poucos minutos e dura cerca de um quarto de hora. É a resposta autonômica ao estímulo da agulha, e não a medida do alívio.
O que muda na conduta
Documenta que o estímulo alcançou um alvo com resposta neurovascular, e dá um registro da região tratada para comparar em consultas seguintes. A decisão de repetir, mudar de alvo ou trocar de técnica continua vindo do exame e do relato do paciente.
Limitações
O ponto-gatilho não tem assinatura térmica confiável: a literatura descreve pontos mais quentes, mais frios e sem qualquer alteração, e as diferenças relatadas são menores do que a variação que o próprio método consegue distinguir com segurança. A termografia não diagnostica ponto-gatilho, e um mapa sem alteração não afasta dor miofascial. A palpação, feita depois das imagens, é quem define o alvo.

Apoiar o diagnóstico diferencial de quadros vasculares e autonômicos

O que se procura
O comportamento da circulação das extremidades, em repouso e na resposta ao frio. É a aplicação com melhor desempenho de todas: o fenômeno de Raynaud, os quadros vasoespásticos e as neuropatias com componente autonômico, como a neuropatia de fibras finas.
Como aparece no mapa
Nas mãos, a comparação entre a ponta dos dedos e o dorso da mão é especialmente informativa: dedos nitidamente mais frios que o dorso apontam para um comprometimento vascular, enquanto no Raynaud primário essa diferença é menor. Um teste de estímulo pelo frio, com registro do reaquecimento minuto a minuto, mostra a velocidade com que a circulação se recupera.
O que muda na conduta
Ajuda a distinguir um fenômeno vasoespástico isolado de um quadro associado a doença do tecido conjuntivo, que exige investigação reumatológica. No pé do paciente diabético, a comparação de temperatura entre pontos correspondentes dos dois pés é usada como sinal de alerta precoce para áreas em sofrimento.
Limitações
O achado orienta a investigação e não a substitui: a definição da doença de base depende de exame clínico, sorologias e avaliação vascular. O teste de estímulo pelo frio exige protocolo próprio e nem sempre acrescenta ao exame em repouso.

Acompanhar a evolução ao longo do tratamento

O que se procura
A comparação entre o mapa inicial e os seguintes, sempre nas mesmas condições de sala, posição e preparo. Como o exame é passivo, pode ser repetido ao longo do tratamento sem a limitação de dose que existe em exames que usam radiação.
Como aparece no mapa
Redução da área alterada, aproximação entre os dois lados, ou deslocamento da zona de alteração para outra região — cada padrão com uma leitura clínica diferente.
O que muda na conduta
Dá um segundo eixo de acompanhamento ao lado do relato de dor e das metas funcionais. É particularmente útil quando o paciente melhora da função mas mantém queixa, ou o contrário.
Limitações
A comparação só vale se o protocolo for idêntico entre as sessões. Sala mais quente, menos tempo de aclimatação ou creme na pele bastam para produzir uma diferença que não é do paciente.
Onde a termografia se encaixa no raciocínio

Em todas as situações acima, o exame entra depois da história e do exame físico, para responder a uma pergunta que já foi formulada. É assim que ele acrescenta: confirmando, delimitando ou desmentindo uma hipótese que o exame clínico levantou. Pedido sem pergunta, devolve um mapa colorido que não conduz a nada.

Como o exame é feito

A termografia é sensível ao ambiente, e é por isso que o preparo importa tanto quanto a câmera. Todo o cuidado do protocolo existe para garantir que a diferença registrada venha do paciente.

O que acontece na prática · passo a passo
  • Sala com temperatura controlada e estável ao longo de todo o exame, sem corrente de ar, sem sol direto e sem fontes de calor apontadas para o paciente.
  • A região a ser examinada fica exposta por cerca de quinze minutos antes do registro, para que a pele entre em equilíbrio com o ambiente. Menos que isso não estabiliza; muito mais que isso começa a produzir oscilações próprias.
  • Nesse intervalo, evita-se apoiar, cruzar os braços ou encostar a região na maca, porque o contato deixa marca térmica.
  • Registro das imagens em posições padronizadas, com a mesma distância e o mesmo enquadramento que serão usados nos exames de acompanhamento.
  • A palpação da região vem depois das imagens: a pressão dos dedos altera a temperatura local e essa marca pode persistir por até uma hora.

Antes do exame, orienta-se suspender cremes, pomadas, desodorante e maquiagem na região no dia; evitar café e tabaco nas quatro horas anteriores; e, nas vinte e quatro horas anteriores, não fazer fisioterapia, massagem, acupuntura, agulhamento, eletroterapia, laser, bolsa térmica, compressas nem exercício intenso. Roupas apertadas, elásticos e joias deixam marca na pele e devem ser evitados.

Nada disso é burocracia de protocolo. Uma bolsa quente aplicada uma hora antes, um creme anti-inflamatório passado de manhã ou dez minutos a menos de aclimatação produzem no mapa exatamente o tipo de assimetria que se está tentando avaliar. O rigor do preparo é o que separa um exame interpretável de um mapa bonito e sem valor.

Limites do método

A termografia tem um histórico de uso exagerado, e conhecer suas fronteiras é parte de usá-la bem.

O que a termografia não faz

Fronteiras que precisam ficar claras

  • Não enxerga profundidade. O calor de estruturas profundas se dissipa antes de alcançar a pele. Uma lesão de menisco ou uma hérnia de disco não têm assinatura térmica confiável na superfície.
  • Não substitui exame de imagem estrutural. Ultrassom, radiografia e ressonância continuam respondendo às perguntas sobre estrutura, e a termografia não compete com nenhum deles.
  • Não localiza o nível na coluna. Na dor irradiada aparecem alterações térmicas com frequência, mas elas não seguem de forma confiável o mapa de um dermátomo nem apontam qual raiz está comprometida. Essa pergunta pertence ao exame neurológico e à ressonância.
  • Não serve como exame de rastreamento. A termografia de mama não substitui a mamografia, e as agências reguladoras emitiram alertas formais contra esse uso. A liberação do método é como recurso adjuvante, somado a um exame principal.
  • Não dispensa o exame clínico. Um achado térmico só significa alguma coisa em correspondência com a história, a palpação e o restante da avaliação.
  • Depende de protocolo. Fora das condições padronizadas de sala e preparo, o exame perde comparabilidade e vira ruído.

É por essas razões que a termografia é usada aqui como camada complementar dentro de uma avaliação de fisiatria e dor. Essa é também a posição das revisões da literatura e das agências reguladoras a respeito do método: um recurso adjuvante, que soma informação a uma avaliação já em curso. Para perguntas sobre função, circulação e comparação entre os lados, ele responde bem; para as demais, há ferramentas mais adequadas. No Brasil, a termografia não integra o rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

A termografia dói ou tem risco?

Não. A câmera não encosta no corpo e não emite nada em direção ao paciente — apenas capta o infravermelho que a pele já emite naturalmente. Não há radiação ionizante, agulha, contraste nem compressão. O desconforto do exame se resume a ficar com a região exposta durante o tempo de aclimatação.

A termografia substitui a ressonância ou o ultrassom?

Não, e a razão é simples: os exames medem coisas diferentes. Ressonância e ultrassom mostram a estrutura — tendão, disco, menisco, nervo, cartilagem. A termografia mostra o estado circulatório da superfície naquele momento. Um paciente com dor no ombro pode precisar do ultrassom para avaliar o manguito rotador e da termografia para comparar os dois lados; um exame não dispensa o outro.

Um termograma alterado significa que existe uma lesão?

Não necessariamente. A assimetria térmica indica que algo está diferente na circulação daquela região, e as causas possíveis vão de um ponto-gatilho ativo a uma alteração vascular, passando por inflamação e por irritação de nervo. É o conjunto — história, localização, palpação, exame neurológico e demais exames — que define o significado. O mapa levanta a hipótese; a avaliação clínica é quem a confirma.

Se o meu termograma estiver normal, minha dor não é real?

A dor é real independentemente do que o mapa mostra. Existem quadros dolorosos importantes com termografia simétrica, especialmente aqueles em que o mecanismo predominante é de sensibilização central, como acontece na fibromialgia. Um exame normal informa que aquele mecanismo específico — alteração vasomotora ou inflamação superficial localizada — provavelmente não é o principal naquele caso, o que já orienta o tratamento em outra direção.

Preciso de algum preparo antes do exame?

Sim, e ele é determinante para a qualidade do resultado. Na região que será examinada, suspenda cremes, pomadas e maquiagem. Nas horas anteriores, evite café, bebida alcoólica e tabaco. No dia do exame, não faça fisioterapia, exercício físico, compressas, bolsa térmica, massagem nem procedimentos locais. Prefira roupas folgadas, porque elástico e costura apertados deixam marca térmica na pele.

Com que frequência o exame pode ser repetido?

Quantas vezes o acompanhamento clínico justificar. Como não há radiação nem contraste, não existe limite de dose acumulada, e essa é uma das vantagens do método para acompanhar evolução. A condição para que a comparação tenha valor é que todos os exames da série sejam feitos nas mesmas condições de sala, posição, enquadramento e preparo.

A termografia serve para dor na coluna?

Serve para a musculatura paravertebral e para a comparação entre os dois lados da região dolorosa, o que é útil na dor miofascial da coluna e no acompanhamento de tratamentos locais. Não serve para avaliar o disco, a raiz nervosa ou o canal medular, que ficam profundos demais para deixar assinatura térmica na pele — essas perguntas continuam sendo respondidas pela ressonância e pelo exame neurológico.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências16 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Atualizado em 28 jul 2026 Leitura 13 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação da termografia, a interpretação do mapa térmico e as decisões que dele decorrem são individualizadas e dependem do exame clínico de cada caso. A indicação de qualquer exame, procedimento ou medicamento cabe exclusivamente ao médico assistente.

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