TPM (tensão pré-menstrual): sintomas, causas e tratamento
A TPM, ou tensão pré-menstrual, reúne sintomas físicos e emocionais nos dias antes da menstruação, na fase lútea, e melhora com o início do fluxo. Como médico da dor, foco na cólica, na dor nas mamas e na cefaleia menstrual.
- TPM é o conjunto de sintomas físicos (cólica, dor e inchaço nas mamas, dor de cabeça, inchaço, fadiga) e emocionais (irritabilidade, ansiedade, oscilação do humor) que surge antes da menstruação e melhora quando o fluxo começa.
- A causa não é “excesso de hormônio”, mas a sensibilidade individual do cérebro às variações normais de estrogênio e progesterona na segunda metade do ciclo.
- Existe uma forma grave, a TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual), com sintomas emocionais incapacitantes. Ela é uma condição definida e tem tratamento próprio, conduzido por ginecologia e psiquiatria.
- O manejo é multimodal: a TPM não tem cura, mas é controlável. Estilo de vida e exercício como base, analgésicos para a dor, acupuntura com evidência em sintomas de TPM, e o que é da ginecologia (contraceptivos, antidepressivos na TDPM).
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O que é a TPM e quantos dias antes da menstruação começa

TPM é a sigla de tensão pré-menstrual, também chamada de síndrome pré-menstrual. Descreve sintomas que aparecem de forma cíclica na segunda metade do ciclo menstrual, atingem o auge nos dias que antecedem a menstruação e desaparecem com o início ou nos primeiros dias do fluxo. O que define a TPM não é um sintoma específico, mas esse padrão de subir e descer junto com o ciclo.
Para entender o ritmo, vale lembrar as fases do ciclo. Após a ovulação, na metade do ciclo, começa a fase lútea, que dura cerca de 14 dias até a menstruação. É nessa segunda metade que o organismo vive a maior oscilação de hormônios: a progesterona sobe e depois cai, e o estrogênio também varia. Os sintomas da TPM acompanham essa fase.
Por isso a pergunta “a TPM começa quantos dias antes da menstruação” tem uma resposta com faixa, não um número fixo: na maioria das pessoas, os sintomas surgem de 5 a 11 dias antes, e algumas notam algo já 2 a 4 dias antes da menstruação. Esse “antes de menstruar” é exatamente a janela em que o corpo dá os sinais.
A TPM é extremamente comum. Estima-se que a maioria das pessoas que menstruam tenha ao menos um sintoma pré-menstrual em algum ciclo, e uma parcela menor convive com sintomas que de fato atrapalham a rotina. Ter sintomas leves e previsíveis, que não desorganizam a vida, é parte do funcionamento normal do ciclo. O quadro passa a merecer atenção quando os sintomas são intensos, recorrentes e prejudicam o trabalho, os estudos ou as relações.
O que diferencia a TPM de outras queixas é o relógio: os sintomas aparecem na segunda metade do ciclo, pioram pouco antes da menstruação e somem quando o fluxo começa. É essa cadência cíclica que confirma a hipótese.
A TPM é definida pelo tempo, não pelos sintomas: cólica, inchaço, irritabilidade, dor de cabeça e dores musculares só contam como TPM quando se agrupam na fase lútea e somem com a menstruação. As mesmas queixas espalhadas pelo mês inteiro, ou que continuam depois do fluxo, apontam para um quadro contínuo (ansiedade, enxaqueca, dor crônica) que talvez piore antes de menstruar, mas que não é TPM. Um diário de dois ciclos mostra esse padrão. A definição pelo tempo explica duas coisas: por que um antidepressivo da classe dos ISRS pode ser tomado só nas duas semanas pré-menstruais, e por que esses mesmos dias reativam, com hora marcada, qualquer dor crônica que a pessoa já tenha.

Sintomas da TPM: físicos e emocionais
Os sintomas da TPM costumam ser divididos em físicos e emocionais, e quase sempre se combinam. A lista é longa porque a oscilação hormonal repercute em vários sistemas ao mesmo tempo; nem toda pessoa tem todos eles, e o conjunto pode variar de um ciclo para outro. Os sintomas físicos são, com frequência, os que levam a mulher a procurar atendimento, e são também a parte do quadro em que a medicina da dor mais contribui.
O componente de dor e do corpo
Cólica no baixo ventre, dor e sensibilidade nas mamas (mastalgia), dor de cabeça e enxaqueca menstrual, inchaço e sensação de retenção de líquido, distensão abdominal, dor nas costas e nas articulações, fadiga, alteração do apetite e do sono.
O componente do humor
Irritabilidade, ansiedade, tensão, oscilação do humor, tristeza ou choro fácil, dificuldade de concentração, sensação de estar sobrecarregada. Quando esses sintomas são graves e incapacitantes, é preciso pensar em TDPM (ver «TPM x TDPM: como diferenciar»).
Vale detalhar os sintomas físicos com nome próprio, porque cada um tem um manejo específico. A cólica menstrual que aparece junto da TPM e se intensifica com o início do fluxo é a dismenorreia, gerada pelas prostaglandinas que contraem o útero; ela é a queixa de dor mais comum e tem página própria (ver a seção de tratamento e os links ao fim). A mastalgia, dor e sensibilidade nas mamas, decorre da ação hormonal sobre o tecido mamário e costuma ser bilateral e difusa. A cefaleia menstrual é uma dor de cabeça que se concentra no período perimenstrual; em parte das mulheres trata-se de enxaqueca relacionada à queda do estrogênio, a chamada enxaqueca menstrual, que tende a ser mais intensa e mais difícil de tratar do que as crises fora desse período.
- Padrão cíclico. Os sintomas aparecem na fase lútea e melhoram com a menstruação. Sem esse padrão, pense em outra causa.
- Repetição. Para caracterizar a TPM, o conjunto de sintomas se repete na maioria dos ciclos; um mês isolado não fecha o quadro.
- Impacto. O que importa clinicamente não é ter sintomas, mas o quanto eles atrapalham a rotina.
- Variabilidade. Sintomas e intensidade mudam ao longo da vida, com a idade e em fases como o período próximo à menopausa.
Uma ferramenta simples e valiosa é o diário de sintomas: anotar, por dois a três ciclos, quais sintomas aparecem e em que dias, marcando o início da menstruação. Esse registro confirma o padrão cíclico, ajuda a diferenciar a TPM de quadros contínuos (como ansiedade ou enxaqueca não relacionadas ao ciclo) e é o primeiro passo para identificar a TDPM. Leve esse diário à consulta.
TPM x TDPM: como diferenciar
Diferenciar a TPM da TDPM é, talvez, o ponto mais importante deste texto. A TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual) é uma forma grave da síndrome pré-menstrual, em que predominam sintomas emocionais intensos e incapacitantes: irritabilidade ou raiva acentuadas, tristeza profunda, ansiedade marcada, sensação de descontrole, conflitos nas relações. Não é “uma TPM mais forte” no sentido coloquial; é uma condição clínica definida, com critérios próprios, que afeta de forma significativa a vida da pessoa em todos os ciclos.
A distinção tem consequência prática direta: a TDPM exige acompanhamento médico específico, conduzido por ginecologia e psiquiatria, porque o tratamento envolve estratégias que vão além das medidas gerais da TPM (entre elas, antidepressivos da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, os ISRS, e manejo hormonal). Como médico da dor, meu papel diante de uma suspeita de TDPM é reconhecer o quadro, cuidar do componente doloroso quando existe e encaminhar para quem conduz o tratamento principal. Banalizar a TDPM como “frescura” ou “exagero” é um erro: trata-se de uma condição que pode ter impacto sério, inclusive sobre o humor e a segurança da pessoa.
| Aspecto | TPM (tensão pré-menstrual) | TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual) |
|---|---|---|
| Sintomas predominantes | Físicos e emocionais leves a moderados | Emocionais graves (irritabilidade, ansiedade, tristeza intensas) |
| Impacto na vida | Incômodo, mas a rotina segue | Incapacitante: prejudica trabalho, estudos e relações |
| Frequência | Comum, intensidade variável entre ciclos | Recorrente na maioria dos ciclos, padrão consistente |
| Quem conduz | Medidas gerais; dor com o médico da dor | Ginecologia e psiquiatria, com tratamento específico |
Há ainda um terceiro cenário a considerar: a exacerbação pré-menstrual. Algumas pessoas têm um transtorno de base (depressão, ansiedade, enxaqueca, síndrome do intestino irritável) que piora na fase pré-menstrual. Nesse caso, não se trata de TPM ou TDPM puras, mas de uma condição contínua que ganha um pico cíclico.
O diário de sintomas ajuda a perceber a diferença: na TPM e na TDPM, os sintomas desaparecem por completo após a menstruação; na exacerbação, eles continuam, apenas em menor intensidade. Essa distinção muda o encaminhamento.
Procure avaliação de ginecologia e/ou psiquiatria se houver
- Sintomas emocionais intensos (raiva, tristeza, ansiedade) que prejudicam o trabalho, os estudos ou as relações.
- Sensação de descontrole, desesperança ou sofrimento marcado nos dias que antecedem a menstruação.
- Pensamentos de se machucar ou de que não vale a pena viver. Nesse caso, procure ajuda imediata e ligue para o CVV no 188 (apoio emocional, 24 horas).
- Sintomas que não desaparecem após a menstruação, sugerindo um quadro contínuo que merece investigação.
- Cólica que piora a cada ciclo, dor fora do período menstrual ou dor durante a relação, que pedem investigação de causa ginecológica como endometriose.
Causas: a sensibilidade hormonal
A causa da TPM é frequentemente mal compreendida. O exame de sangue de uma pessoa com TPM costuma mostrar níveis hormonais normais: o ponto não é a quantidade de hormônio, e sim a sensibilidade individual do cérebro às variações normais de estrogênio e progesterona ao longo do ciclo. Duas pessoas com a mesma oscilação hormonal podem reagir de formas opostas — uma quase não sente, a outra desenvolve sintomas marcados.
Por isso a TPM é entendida hoje como uma resposta aumentada do sistema nervoso central a flutuações fisiológicas. Os mecanismos abaixo explicam por que os sintomas surgem e quais agravantes os intensificam.
Sensibilidade central às oscilações
Eixo neuro-hormonal (humor e dor)
Mecanismos da dor física
Fatores moduláveis (agravam, não causam)
Separar esses mecanismos não é detalhe acadêmico: é o que permite escolher o tratamento certo para cada componente — cólica, sintomas de humor, cefaleia menstrual — em vez de tratar “a TPM” como bloco único. E são justamente os fatores moduláveis que abrem espaço para as medidas de estilo de vida descritas na seção de tratamento.
Tratamento e manejo da TPM
O tratamento da TPM é multimodal e individualizado: a TPM não tem cura, mas é controlável. O objetivo é reduzir a intensidade dos sintomas e o impacto deles na vida. Na maioria dos casos, é possível controlar bem os sintomas combinando medidas.
Como médico da dor, atuo sobretudo no componente físico e doloroso (cólica, mastalgia, cefaleia menstrual) e na neuromodulação; o manejo hormonal e o dos sintomas emocionais graves cabem à ginecologia e à psiquiatria, para quem encaminho quando indicado. A base de tudo são as medidas de estilo de vida.
Estilo de vida
Exercício regular, sono adequado, redução de cafeína, álcool, sal e açúcar e manejo do estresse. É a base, com efeito sobre sintomas físicos e de humor.
Manejo da dor
Anti-inflamatórios para cólica e cefaleia, e o manejo específico da enxaqueca menstrual quando presente.
Acupuntura e eletroacupuntura
Neuromodulação da dor e dos sintomas, com evidência em sintomas de TPM e em dismenorreia; útil para reduzir o uso de medicação.
O que é da ginecologia/psiquiatria
Contraceptivos hormonais e ISRS na TDPM. Encaminhamento quando os sintomas hormonais ou emocionais predominam.
Medidas de estilo de vida: exercício e sono
São a base do manejo e a primeira recomendação para qualquer intensidade de TPM. O exercício físico regular, sobretudo aeróbico (caminhada, corrida, natação, bicicleta) em intensidade moderada, é a medida não medicamentosa com melhor relação entre evidência e segurança. O mecanismo é múltiplo: a atividade física libera endorfinas com efeito analgésico e sobre o humor, reduz o estresse, melhora o sono e tem ação sobre a sensibilidade à dor. O que esperar: o benefício é progressivo e depende da regularidade, não de uma sessão isolada; manter de 3 a 5 sessões por semana ao longo dos ciclos costuma reduzir tanto sintomas físicos quanto emocionais.
O sono adequado e regular merece destaque próprio, porque a privação de sono amplifica a percepção de dor e a irritabilidade, fechando um círculo que piora a TPM. Completam a base o manejo do estresse (respiração, mindfulness, técnicas de relaxamento) e ajustes alimentares como reduzir cafeína, álcool, excesso de sal e de açúcar nos dias pré-menstruais.
Anti-inflamatórios para dor e cólica
Para os sintomas dolorosos, sobretudo a cólica menstrual e parte das cefaleias, os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são a medicação de primeira linha. O mecanismo é específico e elegante: eles inibem a enzima ciclo-oxigenase e, com isso, reduzem a produção das prostaglandinas que provocam as contrações uterinas e a dor da dismenorreia. É por atacarem a causa bioquímica da cólica que costumam funcionar melhor do que analgésicos comuns para esse tipo de dor. O que esperar: o alívio costuma ser bom quando o medicamento é iniciado no começo dos sintomas, e não só quando a dor já está intensa.
Em termos de princípios ativos, incluem-se ibuprofeno, naproxeno e cetoprofeno, entre outros. A escolha, a dose e a duração são definidas pelo médico, levando em conta contraindicações (como problemas gástricos, renais e alguns quadros cardiovasculares) e interações. Anti-inflamatórios não devem ser usados de forma contínua.
Acupuntura e eletroacupuntura
A acupuntura médica é uma das ferramentas em que mais atuo na dor cíclica. O mecanismo é neurofisiológico: a inserção de agulhas finas em acupontos promove modulação segmentar no corno dorsal da medula (a teoria da comporta), ativa vias inibitórias descendentes da dor e estimula a liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência conecta as agulhas e tende a recrutar mais esses sistemas. Esse é o mesmo eixo serotoninérgico e opioide que liga a TPM ao humor e à dor, o que torna o recurso atraente para um quadro em que dor e humor caminham juntos na fase lútea.
A evidência aqui é específica de cada queixa, e não de “TPM” como bloco: para a cefaleia e a enxaqueca a acupuntura é recomendada por diretrizes em contextos selecionados; para a dismenorreia (a cólica) há evidência de benefício; e para os sintomas da síndrome pré-menstrual como um todo há uma revisão Cochrane que sugere melhora, porém com qualidade metodológica baixa e poucos estudos. A indicação é para o componente físico, e não como tratamento da TPM inteira.
O resultado é diferente do que ocorre numa dor mecânica constante. Como a TPM tem janela própria, costumo programar as sessões para a segunda metade do ciclo, concentrando-as nas duas semanas pré-menstruais em que os sintomas aparecem; a leitura do resultado não se faz sessão a sessão, e sim comparando um ciclo com o seguinte no diário de sintomas, ao longo de dois a três ciclos, porque o que se busca é reduzir o pico pré-menstrual e não abolir o ciclo. Para a enxaqueca menstrual, o objetivo da acupuntura é profilático, diminuir a frequência e a intensidade das crises perimenstruais.
É um recurso útil, em especial, para quem quer carregar menos anti-inflamatório a cada mês ou não pode usá-lo, e atua sempre dentro de um plano em que o exercício regular continua sendo a base. Neste tema, o foco da acupuntura é o componente doloroso, e o manejo hormonal e dos sintomas emocionais graves segue com a ginecologia e a psiquiatria.
Manejo da cefaleia e da enxaqueca menstrual
A dor de cabeça que se concentra no período pré-menstrual e menstrual merece um olhar à parte, porque a enxaqueca menstrual (ligada à queda do estrogênio) costuma ser mais intensa, mais longa e mais resistente ao tratamento do que as crises fora desse período. O manejo combina o tratamento da crise (anti-inflamatórios e, quando indicados pelo médico, triptanos, que são medicamentos específicos para enxaqueca) com estratégias de prevenção nas pessoas com crises frequentes. A acupuntura tem papel reconhecido por diretrizes na profilaxia da enxaqueca, e o controle dos gatilhos (sono, jejum prolongado, estresse) é parte essencial. Quando a enxaqueca é frequente e incapacitante, o cuidado é compartilhado e detalhado na página dedicada à enxaqueca, ligada ao fim deste texto.
O que é da ginecologia e da psiquiatria
Há duas frentes de tratamento que não são do domínio do médico da dor. A primeira é o manejo hormonal: os contraceptivos hormonais (pílula combinada e outras formulações) podem reduzir sintomas da TPM ao estabilizar as oscilações do ciclo, e a escolha, a indicação e o acompanhamento desse tratamento cabem à ginecologia. A segunda é o tratamento dos sintomas emocionais graves, sobretudo na TDPM: os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina, antidepressivos serotoninérgicos) têm eficácia consolidada na TDPM, às vezes usados apenas na fase lútea, e sua indicação cabe a ginecologia e psiquiatria. Quando o quadro predomina por esses lados, encaminho.
Não existe, hoje, uma “cura” da TPM, no sentido de uma intervenção que faça os sintomas nunca mais aparecerem enquanto houver ciclos. O que existe, e funciona, é um plano que combina essas medidas e que é ajustado ao longo do tempo conforme a resposta de cada pessoa. A meta é reduzir os sintomas a um nível que não limite a vida.
Algumas observações de consultório:
- O que fecha o diagnóstico raramente é a lista de sintomas, é o calendário. Quando peço um diário simples por dois ciclos e os incômodos aparecem na segunda metade e somem com a menstruação, a conversa muda de “será que é TPM?” para “como reduzir o pico dessas duas semanas?”. Sem esse registro, é fácil tratar como TPM o que é, na verdade, um quadro do mês inteiro.
- A parte que mais me chega como médico da dor é a enxaqueca pré-menstrual e a forma como a fase lútea acende qualquer dor crônica de base. Pacientes com fibromialgia, cervicalgia ou lombalgia frequentemente descrevem que “tudo dói mais” nos dias que antecedem a menstruação; não é impressão, é a mesma janela hormonal amplificando uma dor que já existia, e nomear isso costuma aliviar tanto quanto ajustar o tratamento.
- Surpreende muita gente que um antidepressivo da classe dos ISRS, quando indicado pela ginecologia ou pela psiquiatria, possa ser usado apenas na fase lútea, e não todos os dias, justamente porque o problema tem hora para aparecer. Esse não é um detalhe do meu campo, mas o menciono porque mostra como a lógica do tempo guia todo o tratamento.
- Sei reconhecer o meu limite. Quando o que predomina é o sofrimento emocional intenso, o descontrole ou qualquer ideia de não valer a pena viver, isso é gravidade de TDPM e pede cuidado de saúde mental sem demora, não mais uma sessão para a dor. Encaminhar, nesses casos, é a parte mais importante do que faço.
Quando procurar avaliação
A TPM leve, previsível e que não atrapalha a rotina não exige tratamento medicamentoso; medidas de estilo de vida costumam bastar. A avaliação médica é indicada quando os sintomas são intensos, quando a cólica ou a dor de cabeça não cedem bem às medidas iniciais, quando há suspeita de TDPM (sintomas emocionais incapacitantes) ou quando algo foge do padrão cíclico esperado. O caminho de entrada depende do que predomina: a ginecologia para o eixo hormonal e a investigação de causas como endometriose; a psiquiatria para os sintomas emocionais graves; e o médico da dor para o componente doloroso (cólica, mastalgia, cefaleia menstrual) e a neuromodulação. Frequentemente o cuidado é compartilhado, e tudo começa por uma boa avaliação que diferencie o que você tem.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
Conheça a clínica

Perguntas frequentes
A TPM começa quantos dias antes da menstruação?
Os sintomas surgem na segunda metade do ciclo (fase lútea), em geral de 5 a 11 dias antes da menstruação, e algumas pessoas notam algo já 2 a 4 dias antes de menstruar. Eles atingem o auge pouco antes da menstruação e melhoram quando o fluxo começa. É esse padrão cíclico que caracteriza a TPM.
Quais são os sintomas da TPM?
Físicos: cólica, dor e sensibilidade nas mamas, dor de cabeça, inchaço e retenção de líquido, distensão abdominal, fadiga e alteração do sono e do apetite. Emocionais: irritabilidade, ansiedade, oscilação do humor, tristeza e dificuldade de concentração. Nem toda pessoa tem todos, e o conjunto pode variar entre os ciclos.
Qual a diferença entre TPM e TDPM?
A TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual) é uma forma grave da síndrome pré-menstrual, com sintomas emocionais intensos e incapacitantes (irritabilidade, ansiedade e tristeza marcadas) que prejudicam o trabalho e as relações. É uma condição clínica definida e exige acompanhamento de ginecologia e psiquiatria, com tratamento próprio. A TPM comum tem sintomas leves a moderados que incomodam, mas não incapacitam.
O que é bom para aliviar a cólica e a dor da TPM?
Para a cólica, os anti-inflamatórios são a primeira linha, pois reduzem as prostaglandinas que causam a dor; funcionam melhor se iniciados no começo dos sintomas. Calor local, exercício regular e acupuntura também ajudam.
Acupuntura funciona para TPM?
A acupuntura é um recurso útil no manejo dos sintomas, em especial os dolorosos. Tem evidência de benefício na dismenorreia (cólica menstrual), é recomendada por diretrizes na enxaqueca em contextos selecionados e há estudos sugerindo melhora de sintomas da síndrome pré-menstrual, com qualidade que ainda varia. Atua como parte de um plano multimodal.
TPM tem cura?
A TPM não tem cura, no sentido de uma intervenção que faça os sintomas nunca mais aparecerem enquanto houver ciclos, mas é controlável. O que existe, e funciona, é o controle: um plano que combina estilo de vida, manejo da dor e, quando indicado, tratamento hormonal ou de humor pela ginecologia e psiquiatria. A meta é reduzir os sintomas a um nível que não limite a vida.
Referências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Management of Premenstrual Disorders: ACOG Clinical Practice Guideline No. 7. Obstet Gynecol. 2023;142(6):1516 a 1533. acessar
- Jespersen C, Lauritsen MP, et al. Selective serotonin reuptake inhibitors for premenstrual syndrome and premenstrual dysphoric disorder. Cochrane Database Syst Rev. 2024;8(8):CD001396. acessar
- Armour M, Ee CC, Hao J, Wilson TM, Yao SS, Smith CA. Acupuncture and acupressure for premenstrual syndrome. Cochrane Database Syst Rev. 2018;8(8):CD005290. acessar
- Selva Olid et al. Acupuntura para dores na gravidez e problemas ginecológicos: uma análise científica. Medical Acupuncture. 2013. ver resumo
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. TPM e TDPM são quadros majoritariamente ginecológicos e psiquiátricos: o diagnóstico depende de um diário de sintomas e o plano precisa ser individualizado por quem acompanha você, sobretudo nas decisões hormonais e nos antidepressivos da TDPM.
