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Antidepressivos: O que são, como funcionam e efeitos colaterais

Os antidepressivos, embora utilizados principalmente no tratamento de transtornos depressivos, podem ser úteis no trato de outras doenças, como transtornos de ansiedade, transtornos alimentares, distúrbios do sono, disfunção sexual, dor crônica, adicção e mal de Parkinson1.

São medicamentos que atuam no controle de neurotransmissores do sistema nervoso central contribuindo, principalmente, para o restabelecimento do humor 2

A maioria das pessoas não se adapta com facilidade ao antidepressivo, o que faz necessária a mudança de medicamento em busca de uma opção que produza menos efeitos colaterais.

Escolher o melhor remédio e sua dose ideal dependerá muito do organismo do indivíduo, e esta análise deve ser feita por ele com auxílio do médico responsável pelo seu tratamento.

Antidepressivos são medicamentos que atuam aumentando a disponibilidade de um mais neurotransmissores na sinapse, o que produz uma melhoria do quadro geral do paciente. 

Se trata de remédios psiquiátricos recomendados para controle e combate de transtornos como depressão, ansiedade, hiperatividade, fibromialgia, dor crônica, esquizofrenia, distúrbios do sono, entre outros3

Embora trabalhem diretamente para o reestabelecimento do humor, até por isso o seu nome, não podem ser considerados “pílulas da felicidade”, como acontece em muitas situações. 

Essa ideia de que os antidepressivos servem para que nos sintamos melhor simplesmente, sem um entendimento mais a fundo de para que serve esses medicamentos e de como seus efeitos são desencadeados, leva muitas pessoas a automedicação. 

A automedicação oferece risco à saúde e pode gerar efeitos colaterais, em algumas situações até mesmo piorando o quadro que levou o paciente a ingerir o remédio. 

Você sabia, por exemplo, que esses fármacos atuam somente em pacientes com depressão comprovada? Não há comprovação de que provoquem o mesmo estado de euforia em indivíduos em condições clínicas normais. 

O fato é que os antidepressivos não trazem felicidade, apenas reduzem alguns sintomas da depressão.

Vamos entender melhor como agem em nosso organismo a seguir.

Você tem ideia de como o antidepressivo funciona?

Farmacodinâmica

Como vimos anteriormente, esses medicamentos agem diretamente sobre o sistema nervoso central regulando a liberação de alguns neurotransmissores4

Vamos mais a fundo nessa compreensão. 

Os antidepressivos aumentam a concentração de dopamina, noradrenalina, serotonina entre outros neurônios, o que aumenta a excitação das vias cerebrais que utilizam tais substâncias em sinapses relacionadas ao bem-estar emocional5

A eficácia desses medicamentos foi estabelecida por estudos empíricos originados ao longo de anos de uso experimental. Contudo, assume-se hoje em dia que os déficits de monoaminas não são suficientes para explicar o mecanismo de ação dos antidepressivos.

Alguns estudos apontam que esses fármacos modificam as ligações dos neurônios, o que é motivo de preocupação. Esse fato pode sugerir que eles resolvem permanentemente alguns problemas de desequilíbrios bioquímicos. Novas pesquisas estão sendo realizadas em busca de uma resposta mais concreta em relação ao tema. 

 

Potencial para abuso

Você já deve ter ouvido alguém dizer que se viciou em uma determinada medicação. Os antidepressivos criam dependência moderada, mas não são considerados drogas de abuso.

Este é mais um motivo para evitarmos a automedicação. O acompanhamento médico é essencial para prevenir a dependência.

Os antidepressivos podem aumentar os neurotransmissores na medula espinhal que reduzem os sinais de dor. Mas eles não funcionam imediatamente. Você pode sentir algum alívio com um antidepressivo depois de uma semana ou mais, mas o alívio máximo pode levar várias semanas.

Tipos de remédios antidepressivos

3

Um mesmo medicamento pode variar em seus efeitos de pessoa para pessoa, por isso, é comum a substituição de um por outro até que o médico identifique qual a melhor opção para cada paciente. 

Veja abaixo quais são os principais tipos de antidepressivos: 

 

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)

A maioria dos antidepressivos que você conhece são do tipo inibidores seletivos da recaptação de serotonina. São medicamentos que aumentam a quantidade de serotonina captada pelos neurônios. 

Quando a substância está em falta, leva a sintomas como: baixa autoestima, compulsão alimentar, depressão, fadiga, falta de atenção, impaciência, mau humor e irritabilidade.

Além de uma aplicação vasta, tais medicamentos possuem baixo risco de efeitos colaterais, especialmente se comparados a outros tipos de antidepressivos. Por outro lado, são pouco eficazes em casos de depressão profunda. 

Veja alguns exemplos: 

  • Sertralina
  • Citalopram
  • Escitalopram
  • Fluoxetina
  • Fluvoxamina
  • Paroxetina

 

Inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina (ISRN)

Os inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina vão agir de forma similar aos ISRS, porém, com a função voltada a noradrenalina, ou seja, eles elevam a captação da substância pelos neurônios.

Normalmente são a opção para pacientes que não respondem da forma esperada aos inibidores seletivos da recaptação de serotonina.

São exemplos o Reboxetin e a Viloxazina.

 

Inibidores seletivos de recaptação da serotonina e noradrenalina (ISRSN)

Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina e noradrenalina agem duplamente, aumentando a captura de serotonina e noradrenalina pelo cérebro

Sua ação é semelhante à dos antidepressivos tricíclicos, a primeira geração de medicamentos desenvolvidos para tratar a depressão, porém, possui menor risco de efeitos colaterais. 

São a exemplos a Venlafaxina e a Duloxetina.

 

Inibidores seletivos da recaptação de dopamina (ISRD)

Agora ficou fácil entender como funcionam os antidepressivos simplesmente ao conhecer o seu nome, certo?

Os Inibidores seletivos da recaptação de dopamina promovem maior captação de dopamina pelos neurônios. 

Tais medicamentos normalmente são prescritos para pessoas que sofrem com efeitos colaterais do ISRS, causados pelo aumento da serotonina. 

Veja alguns exemplos: 

  • Amineptina
  • Bupropiona
  • Minaprina

 

Inibidores da monoaminoxidase (IMAO)

Os inibidores da monoaminoxidase aumentam a disponibilidade de três substâncias, serotonina, noradrenalina e dopamina, por isso, são considerados medicamentos completos. 

Embora fique mais fácil acertar, já que sua ação possui maior abrangência, seus efeitos podem ser irreversíveis. Isso acontece devido a sua interação com a tiramina, substância presente em carnes, queijos e bebidas alcoólicas, combinação que pode resultar em hipertensão e em casos mais graves levar à óbito. 

Veja alguns exemplos: 

  • Iproniazida
  • Isocarboxazida
  • Tranilcipromina
  • Fenelzina
  • Clorgilina
  • Toloxatona
  • Befloxatona

 

Antidepressivos tricíclicos (ADT)

Comentamos anteriormente que os antidepressivos tricíclicos são os mais antigos, não poderíamos deixar de falar mais sobre esses medicamentos tão importantes.

Os ADT agem sobre os níveis de serotonina e noradrenalina, e de forma menos significativa, contribuem ainda para elevação da dopamina6

Os primeiros antidepressivos do mundo foram descobertos no final da década de 50, e ainda são utilizados hoje em dia por cerca de 70% das pessoas com depressão. 

Deve-se ter muita cautela ao utilizar tal fármaco, já que pode causar efeitos colaterais indesejáveis, que vão desde tremores a mal-estar, constipação e ganho de peso. 

Veja alguns exemplos: 

  • Amitriptilina
  • Clomipramina
  • Desipramina
  • Imipramina
  • Nortriptilina
  • Doxepina

 

Antidepressivos tetracíclicos (ADTC)

Os antidepressivos tetracíclicos também são bem antigos, foram desenvolvidos na década de 70 como uma evolução dos tricíclicos. Já possuem menos efeitos colaterais, e são boas alternativas para pacientes que não se adaptam aos ISRS e aos ISRN.

São medicamentos com efeito sedativo e analgésico, por isso, podem causar sonolência e ter seus efeitos potencializados pelo álcool 

Veja alguns exemplos: 

  • Maprotilina
  • Mianserina
  • Mirtazapina
  • Pirlindol
  • Setiptilina (teciptilina)
  • Trazodona

 

Antidepressivos melatoninérgicos

Temos um único remédio nesta categoria, a agomelatina. Se trata de um fármaco mais recente, descoberto em 2013. Os antidepressivos melatoninérgicos são capazes de promover a recaptação da melatonina, o que regula os ritmos biológicos do cérebro. 

Ainda existem pesquisas sendo realizadas em relação a agomelatina. Contudo, até o momento, já se sabe que o tratamento com a substância reduz a incidência de recaídas em pacientes com depressão e tem efeitos rápidos no controle da condição. 

 

Antidepressivos serotoninérgicos

Por enquanto, temos também apenas um antidepressivo serotoninérgico: a vortioxetina.

Entretanto, há muitos estudos relacionados, e ao que tudo indica essa classe de medicamentos se tornará cada vez mais comum. O efeito da vortioxetina em pacientes com depressão foi descoberto em 2018. 

Seus efeitos são semelhantes aos ISRS, ou seja, o fármaco inibe a recaptação da serotonina, aumentando a disponibilidade da substância no organismo. A vantagem é que seus efeitos colaterais são menores, especialmente em relação ao âmbito sexual.

dor na coluna
Os antidepressivos podem ser eficaz para dores crônicas no pescoço ou nas costas.

Antidepressivos para dor crônica

Vários antidepressivos têm sido eficazes no tratamento da dor neuropática crônica, incluindo os antidepressivos tricíclicos.

Os antidepressivos são a base do tratamento de muitas condições de dor crônica – mesmo quando a depressão não é um fator.

Podem ser utilizados no tratamento de fibromialgia, hérnia de disco, síndrome dolorosa miofascial, neuropatia diabética, neuralgia pós-herpética, enxaqueca, cefaléia cervicogênica, dentre outros.

 

Efeitos adversos

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Não podemos falar sobre os antidepressivos sem discorrer, mesmo que brevemente, sobre seus efeitos colaterais. 

 

Efeitos anticolinérgicos

Sem dúvidas, os principais efeitos colaterais dos antidepressivos tricíclicos tradicionais, que como vimos, são ainda os mais utilizados atualmente. 

Estamos falando em sintomas como: boca seca, visão borrosa, constipação, retenção urinária, aumento da frequência cardíaca, tremores e movimentos involuntários. 

Na maioria dos casos esses sintomas desaparecem de forma espontânea a medida que o corpo se adéqua a medicação. Também ajuda reduzir a dose do remédio. 

 

Síndrome de abstinência

A síndrome de abstinência acontece após uso prolongado de um determinado fármaco quando há uma interrupção abrupta do tratamento. Geralmente os sintomas aparecem de 1 a 10 dias depois da interrupção e podem persistir por até 3 semanas. 

O quadro é marcado por  tonturas, vertigens, descoordenação motora, sintomas de gripe, distúrbios sensoriais, insônia, sonolência, pesadelos, irritabilidade, agitação e ansiedade. 

Geralmente o efeito é mais intenso quando utilizados tricíclicos, em especial nas primeiras 48h após a retirada da medicação.  Podem ocorrer ataques de pânico, arritmias cardíacas e delirium.

Para evitar o problema, o acompanhamento médico essencial. O médico te ajudará a fazer uma redução gradativa da dose do fármaco ao longo de algumas semanas, prevenindo a síndrome. 

 

Crise hipertensiva

Como vimos, pacientes que tomam IMAOs devem evitar alimentos ricos em tiramina. Este aminoácido é precursor da dopamina, da noradrenalina e da adrenalina e pode desencadear crises hipertensivas e taquicardia.  

Quem faz uso dessa medicação deve evitar os seguintes alimentos: 

  • Queijos maturados ou envelhecidos
  • Carnes embutidas ou defumadas
  • Bebidas alcoólicas
  • Levedura e fava

Efeitos esperados

Demos alguns exemplos dos principais efeitos colaterais, que apontam a necessidade de procurar pelo profissional responsável pelo tratamento para revisão. Abaixo, descrevemos exemplos do resultado esperado pelos pacientes que fazem uso de antidepressivos. 

  • Melhora do humor
  • Regulação do sono
  • Retomada do prazer na vida
  • Diminuição de ideias obsessivas
  • Regulação do apetite
Clinica Hong Jin Pai Sao Paulo e1621991307344

RUA SAINT HILAIRE 96 – JARDIM PAULISTA – SÃO PAULO – SP

Clínica de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica

Clínica médica especializada localizada na região dos Jardins, próximo à Av. Paulista, em São Paulo — SP.

Centro de Dor, com médicos especialistas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Tratamento por Ondas de Choque, Infiltrações, Bloqueios anestésicos e Acupuntura Médica

Referências Bibliográficas

  1. Frazer A. Antidepressants. Journal of Clinical Psychiatry. 1997 Aug 5;58(SUPPL. 6):9-25.
  2. Moncrieff J, Kirsch I. Efficacy of antidepressants in adults. Bmj. 2005 Jul 14;331(7509):155-7.
  3. Frazer A. Pharmacology of antidepressants. Journal of Clinical Psychopharmacology. 1997 Apr 1;17(2):2S-18S.
  4. D’Sa C, Duman RS. Antidepressants and neuroplasticity. Bipolar disorders. 2002 Jun;4(3):183-94.
  5. Mayers AG, Baldwin DS. Antidepressants and their effect on sleep. Human Psychopharmacology: Clinical and Experimental. 2005 Dec;20(8):533-59.
  6. Dharmshaktu P, Tayal V, Kalra BS. Efficacy of antidepressants as analgesics: a review. The Journal of Clinical Pharmacology. 2012 Jan;52(1):6-17.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

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