Fisiatria e fisioterapia: as diferenças e a atuação de cada um
A diferença é direta: o fisiatra é médico, diagnostica, prescreve e coordena; o fisioterapeuta executa a reabilitação. Não são concorrentes, e sim complementares. Veja a formação de cada um e como os dois se articulam no tratamento da dor crônica.
- Fisiatra é médico: forma-se em Medicina, faz residência em Fisiatria (Medicina Física e Reabilitação), diagnostica, pede e interpreta exames, prescreve medicamentos e faz procedimentos.
- Fisioterapeuta é um profissional de saúde de nível superior, não-médico: forma-se em Fisioterapia e executa a reabilitação (exercício terapêutico, terapia manual, recursos físicos). Não prescreve medicamento nem faz diagnóstico médico.
- Os papéis são complementares: o fisiatra define o diagnóstico e o plano; o fisioterapeuta conduz boa parte da reabilitação. Quem trata é a equipe, não uma profissão sozinha.
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Quem é o fisiatra e quem é o fisioterapeuta
A confusão começa pelos nomes parecidos, mas a distinção é de categoria profissional. O fisiatra é um médico especialista; o fisioterapeuta é um profissional de saúde com graduação própria em Fisioterapia. São formações diferentes, conselhos profissionais diferentes e atribuições legais diferentes.
O fisiatra cursa seis anos de Medicina e, depois, uma residência médica de três anos em Fisiatria, também chamada de Medicina Física e Reabilitação. Como qualquer médico, registra-se no conselho regional de medicina e, ao concluir a especialização reconhecida, recebe um registro de qualificação de especialista. A fisiatria é a especialidade médica voltada ao diagnóstico, ao tratamento não-cirúrgico e à reabilitação de quadros que afetam o movimento e a função: dor crônica, doenças da coluna, lesões musculoesqueléticas, sequelas neurológicas (como após um AVC) e reabilitação de amputados, entre outras.
O fisioterapeuta cursa de quatro a cinco anos de graduação em Fisioterapia, com registro no conselho da própria profissão. É o profissional que conduz a parte prática da reabilitação no dia a dia: avalia a função do ponto de vista cinético-funcional, define e progride o exercício terapêutico, aplica terapia manual e recursos físicos, e reeduca o movimento. É quem costuma estar ao lado do paciente sessão após sessão, ajustando a carga e a técnica.
Há ainda um detalhe de vocabulário que confunde. “Fisioterapia” é, ao mesmo tempo, o nome da profissão e o nome de um conjunto de tratamentos (a reabilitação física). Já o “tratamento fisiátrico” é o cuidado médico conduzido pelo fisiatra, que pode incluir a prescrição de fisioterapia, mas também medicação, infiltrações e outros procedimentos. Quando alguém diz que vai “fazer fisioterapia”, costuma se referir às sessões de reabilitação; quando diz que vai “ao fisiatra”, refere-se à consulta médica.
“Fisiatra e fisioterapeuta são a mesma coisa, só muda o nome.”
São profissões distintas. O fisiatra é médico e responde pelo diagnóstico, pela prescrição e pelos procedimentos; o fisioterapeuta executa a reabilitação física. Atuam juntos, em papéis que não se substituem.
Quem diagnostica, quem prescreve, quem reabilita
A diferença prática aparece na divisão de tarefas dentro do tratamento. O diagnóstico médico, a prescrição de medicamentos, a indicação e a leitura de exames de imagem e a realização de procedimentos invasivos são atos médicos: cabem ao fisiatra (ou a outro médico). A execução do programa de reabilitação física, o exercício terapêutico e a terapia manual são, em boa parte, o terreno do fisioterapeuta.
| Atribuição | Fisiatra (médico) | Fisioterapeuta |
|---|---|---|
| Diagnóstico médico da causa da dor | Sim, é responsabilidade dele | Não; faz avaliação cinético-funcional |
| Pedir e interpretar ressonância, raio-X, exames laboratoriais | Sim | Não prescreve exames de imagem |
| Prescrever medicamentos | Sim | Não |
| Infiltração, bloqueio, agulhamento, toxina botulínica | Sim, são procedimentos médicos | Não realiza procedimentos invasivos médicos |
| Conduzir exercício terapêutico e terapia manual | Prescreve e coordena | Sim, é o eixo da sua atuação |
| Recursos físicos (eletroterapia, recursos de reabilitação) | Indica dentro do plano | Aplica e progride |
| Atestado e relatório médico | Sim | Emite relatório fisioterapêutico, não atestado médico |
Na coluna da esquerda concentram-se os atos privativos do médico; na da direita, o trabalho prático de reabilitação. Um exemplo torna a diferença concreta. Diante de uma dor lombar que desce pela perna, o fisiatra investiga a história, faz o exame neurológico, decide se há indicação de imagem, define se a dor tem componente de raiz nervosa, prescreve a medicação adequada por tempo limitado e indica a reabilitação com objetivos claros.
O fisioterapeuta, então, conduz esse programa: ativa a musculatura profunda do tronco, progride o fortalecimento, dessensibiliza o movimento e reporta a evolução. Se a dor não cede como esperado, o caso volta ao médico, que reavalia o diagnóstico e considera um procedimento.
O fisiatra responde à pergunta “o que você tem e qual é o plano”; o fisioterapeuta executa boa parte desse plano e o ajusta na prática. Os dois trabalham sobre o mesmo paciente, em momentos e funções diferentes.
Vale separar o fisiatra de duas outras especialidades médicas com as quais ele às vezes é confundido. O ortopedista também cuida do sistema musculoesquelético, mas tem o centro de gravidade na cirurgia e no trauma ósseo e articular; o fisiatra trabalha do lado não-cirúrgico, na função e na reabilitação, e costuma encaminhar ao ortopedista os casos com indicação cirúrgica. O reumatologista cuida das doenças inflamatórias e autoimunes das articulações (como artrite reumatoide e lúpus). Não raro o mesmo paciente passa por mais de um deles, em fases distintas do problema.
Fisiatria, dor e o médico da dor
Boa parte de quem procura por “fisiatra” está, na verdade, buscando ajuda para dor: dor na coluna, dor articular, dor crônica que não passa. A fisiatria tem afinidade natural com esse campo, e muitos fisiatras desenvolvem área de atuação em Dor, uma qualificação adicional reconhecida que aprofunda o manejo de quadros dolorosos persistentes.
A medicina da dor parte de uma ideia que muda a conduta: a dor crônica não é apenas o sintoma de uma lesão, e sim, com frequência, uma condição em si, sustentada por alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso, o que se chama de sensibilização central. Por isso o tratamento raramente se resume a “consertar” uma estrutura na imagem. Ele combina o controle da dor, a recuperação da função e o cuidado com sono, atividade e fatores emocionais, num plano que o fisioterapeuta ajuda a executar na ponta. O detalhamento dessa abordagem está no guia de tratamento de dor crônica.
É também aqui que se entende por que tantas técnicas de reabilitação se cruzam com técnicas médicas. O exercício terapêutico, conduzido pelo fisioterapeuta, e os procedimentos analgésicos, conduzidos pelo médico, atacam mecanismos diferentes da mesma dor. Não competem: somam-se. A próxima seção mostra esse arsenal não-cirúrgico em detalhe.
O tratamento multimodal e o papel de cada um
O tratamento da dor crônica e dos quadros musculoesqueléticos é multimodal, não-cirúrgico e individualizado. A base é sempre ativa, com exercício orientado, e as demais técnicas se somam a ela conforme a apresentação clínica e a resposta. O objetivo é reduzir a dor, recuperar a função e diminuir recorrências, evitando o uso crônico de medicação e a cirurgia desnecessária. Olhar quem conduz cada peça deixa claro como fisiatra e fisioterapeuta se articulam na prática.
Diagnóstico e plano
Consulta médica com o fisiatra: história, exame, definição da causa da dor, indicação criteriosa de exames e desenho do plano de tratamento com metas.
Reabilitação ativa
Conduzida pelo fisioterapeuta: exercício terapêutico, controle motor, fortalecimento progressivo, terapia manual e reeducação do movimento. É o eixo do tratamento.
Técnicas em clínica
Procedimentos médicos como acupuntura médica, agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho, quando há componente miofascial relevante.
Procedimentos guiados
Bloqueios, neuromodulação ou toxina botulínica em casos selecionados que não respondem ao plano inicial bem conduzido.
A base ativa do plano, conduzida pelo fisioterapeuta, é o exercício terapêutico, a RPG e o Pilates clínico; por ser o eixo de tudo e o terreno próprio do fisioterapeuta, ela é detalhada à parte, na seção seguinte. As técnicas abaixo são os procedimentos médicos que o fisiatra agrega ao redor dessa base, somando-se ao exercício em vez de substituí-lo.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
Modulam a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. Ajudam a reduzir a dor e, com frequência, a necessidade de medicação. Costuma-se programar um primeiro ciclo de seis a dez sessões, uma a duas por semana, com a resposta reavaliada ao final para decidir entre encerrar, manter ou redirecionar.
O ponto que interessa a este texto: a acupuntura médica é, no Brasil, especialidade ou área de atuação reconhecida, ou seja, um ato médico. Quando quem agulha é o mesmo médico que fez o diagnóstico, a técnica entra integrada ao raciocínio clínico e não como um procedimento solto.
Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho
A musculatura tensa desenvolve pontos-gatilho que somam dor ao quadro e perpetuam o ciclo dor-espasmo-dor. Vale separar dois gestos que parecem iguais e não são. No agulhamento seco (dry needling), a agulha mecânica busca a banda tensa e dispara a resposta de contração local — aquele repuxão involuntário que reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e gera analgesia local e segmentar, sem injetar nada.
Na infiltração de ponto-gatilho, usada quando o nódulo resiste, acrescenta-se anestésico local (ou soro fisiológico) à mesma agulha, interrompendo o ciclo diretamente no foco. As duas são procedimentos médicos. O que o fisioterapeuta faz sobre o mesmo músculo é diferente: liberação miofascial com as mãos, não inserção de agulha.
A resposta ao agulhamento não é imediata por regra: pode aparecer logo na sessão ou surgir em um a três dias. Uma dor surda no local por um ou dois dias é comum e não significa piora — é a reação esperada do tecido ao estímulo.
Bloqueios e neuromodulação
Quando a dor não cede ao plano de base, os bloqueios anestésicos (injeção de anestésico, por vezes com corticoide, ao redor de uma estrutura) interrompem temporariamente a condução nociceptiva e abrem uma janela para avançar a reabilitação. O alívio pode durar de dias a semanas. O PENS (estimulação elétrica percutânea) é uma opção de neuromodulação para componentes neuropáticos ou miofasciais selecionados, aplicada em ciclos com a resposta reavaliada. São recursos médicos pontuais, e não substituem o tratamento ativo conduzido na reabilitação.
Médico (fisiatra)
Diagnóstico, definição do plano com metas, prescrição inicial e indicação da reabilitação.
Reabilitação ativa
Fisioterapeuta conduz o exercício e a terapia manual; o fisiatra agrega técnicas em clínica conforme o caso.
Decisão conjunta
Sem queda clara da dor após cerca de 6 semanas de reabilitação bem conduzida, o caso volta ao médico, que revê o diagnóstico antes de considerar um procedimento; havendo melhora, mantém-se o programa para prevenir recaída.
Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a amplitude de movimento, índices de incapacidade funcional e o retorno às atividades. É aqui que a divisão de papéis vira segurança para o paciente: quando as sessões de reabilitação não trazem a melhora esperada no prazo combinado, o fisioterapeuta sinaliza e o caso retorna ao médico, que reexamina o diagnóstico antes de mudar a conduta, em vez de simplesmente prescrever mais do mesmo. A meta é reduzir a dor a um nível que não limite a rotina e recuperar a função. O detalhamento dos recursos da especialidade médica está na página sobre fisiatria e medicina física e reabilitação, e a frente prática da reabilitação, na página sobre fisioterapia ortopédica.
Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia
Esta é a frente que o fisioterapeuta conduz no dia a dia, a partir da prescrição médica, e é também o eixo de todo o tratamento da dor crônica musculoesquelética: a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança. Não é “fazer exercício” de forma genérica. É um programa individualizado, com um paciente por sala, que recupera o controle motor, corrige déficits de força e dessensibiliza o sistema nervoso ao movimento. As modalidades a seguir são maneiras diferentes de organizar essa progressão; a escolha depende da apresentação clínica e da preferência de cada pessoa, porque a adesão ao longo do tempo é o que de fato sustenta o resultado. Onde o procedimento médico abre uma janela de alívio, é aqui que essa janela é convertida em função.
Cinesioterapia e exercício terapêutico
Exercício prescrito e progredido pelo fisioterapeuta, com foco em controle motor, força e condicionamento — a base do tratamento conservador da dor lombar e cervical crônica.
Reeducação Postural Global (RPG)
Trabalha o corpo por cadeias musculares com posturas de alongamento ativo global e contração isométrica excêntrica, reequilibrando encurtamentos que sobrecarregam a estrutura dolorosa.
Pilates clínico
Com indicação e supervisão, organiza o ganho de controle motor e estabilização do tronco, do solo aos aparelhos, com carga controlada — benefício semelhante ao de outras formas de exercício.
Terapia manual
Mobilização articular e liberação miofascial que abrem uma janela de menos dor e mais movimento — usada como adjuvante do exercício, com benefício de curto prazo, não como tratamento isolado.
Programa individualizado, um paciente por sala
Cinesioterapia e exercício terapêutico
- O que é
- Exercício terapêutico prescrito e progredido pelo fisioterapeuta, com foco em controle motor, força e condicionamento, e não em uma sequência de alongamentos isolados.
- Mecanismo
- Reeduca a ativação dos estabilizadores profundos (como o transverso do abdome e os multífidos na coluna), fortalece a musculatura que descarrega a estrutura dolorosa e melhora a tolerância dos tecidos à carga; soma-se a redução da cinesiofobia pela exposição gradual ao movimento.
- Evidência
- É a base do tratamento conservador da dor lombar e cervical crônica, com evidência de qualidade moderada para dor e função. Nenhuma modalidade de exercício é claramente superior às demais, o que reforça a regularidade e a progressão como os fatores decisivos.
- O que esperar
- Resposta gradual ao longo de semanas, não de dias, com carga bem dosada; o ganho se mantém enquanto o programa é mantido.
- Indicações
- Praticamente toda dor musculoesquelética crônica sintomática e a prevenção de recorrência.
- Limitações
- Exige constância; começar com carga excessiva pode exacerbar a dor. Antes de iniciar, é preciso descartar os sinais de alerta listados acima (febre com a dor, déficit neurológico, trauma recente) — por isso a avaliação médica costuma vir primeiro.
Reeducação Postural Global (RPG)
A reeducação postural global trabalha o corpo por cadeias musculares, não músculo a músculo. Em vez de fortalecer um grupo isolado, usa posturas de alongamento ativo global, mantidas e progressivas, em que a pessoa realiza contração isométrica excêntrica contra a tensão da própria cadeia — com frequência a cadeia posterior —, enquanto a respiração ajuda a vencer as resistências. A proposta é reequilibrar encurtamentos e compensações posturais que sobrecarregam as estruturas dolorosas, em vez de tratar apenas o ponto onde dói.
A evidência aponta benefício em dor e função na lombalgia crônica comparável ao de outros programas de exercício estruturado, sem superioridade clara sobre eles — o que a torna uma boa opção para quem se adapta melhor a um trabalho postural e global. As sessões são individuais, com reavaliação periódica. Os ganhos dependem de constância e de execução tecnicamente correta, o que torna a supervisão parte do tratamento, não um detalhe.
Pilates clínico
O Pilates clínico, com indicação e supervisão, organiza o ganho de controle motor e estabilização do tronco. O trabalho enfatiza o recrutamento dos estabilizadores profundos, o alinhamento da coluna sob carga controlada e a coordenação entre respiração, centro de força e movimento dos membros, com progressão do solo para os aparelhos. O mecanismo é o da reabilitação ativa: melhorar o controle neuromuscular e a tolerância à carga, devolvendo confiança ao movimento.
A evidência aponta benefício em dor e função na dor lombar crônica semelhante ao de outras formas de exercício — não há base para apresentá-lo como superior, e sim como mais uma maneira eficaz e bem tolerada de manter a pessoa ativa. A resposta é gradual, ao longo de semanas. Exige regularidade; na fase mais dolorosa, a carga precisa ser adaptada antes de progredir.
Terapia manual
- O que é
- Técnicas de mobilização articular e liberação miofascial aplicadas pelo fisioterapeuta.
- Mecanismo
- Combina efeitos neurofisiológicos (modulação segmentar da dor, redução transitória do tônus muscular) com melhora momentânea da mobilidade, mais do que um “reposicionamento” de estruturas.
- Evidência
- Sustenta seu uso como adjuvante do exercício, com benefício de curto prazo na dor e na mobilidade, e não como tratamento isolado.
- O que esperar
- Abre uma janela de menos dor e mais movimento, dentro da qual a cinesioterapia progride; o ganho duradouro vem do programa ativo.
- Indicações
- Adjuvante na dor musculoesquelética com restrição de mobilidade, para destravar a progressão do exercício.
- Limitações
- A manipulação de alta velocidade exige critério em idosos com desgaste avançado ou osteoporose, situações em que se preferem técnicas de mobilização mais suaves.
A meta é reduzir a dor a um nível que não limite o dia a dia e recuperar a função, com resposta gradual ao longo de semanas.
É exatamente nesta frente que a divisão de papéis fica mais visível: o médico define o diagnóstico, o alvo e as metas; o fisioterapeuta traduz isso em carga, técnica e progressão, sessão a sessão, e reporta a evolução para que o plano seja ajustado.
Qual deles procurar primeiro
Para a maioria dos quadros de dor que não estão claros, o caminho mais seguro é começar pela consulta médica. O médico estabelece o diagnóstico, descarta causas que exigem conduta específica e define se a reabilitação é o melhor próximo passo, com objetivos claros. Iniciar pela reabilitação sem diagnóstico corre o risco de tratar o alvo errado, ou de deixar passar um sinal que pedia avaliação.
A maioria das dores musculoesqueléticas não tem nada de grave por trás e responde bem à reabilitação. Alguns sinais, porém, pedem consulta médica sem esperar pela fisioterapia, porque mudam a conduta:
- Febre que acompanha a dor.
- Perda de peso sem dieta nem explicação.
- Dor que começou após trauma significativo (queda, acidente).
- Fraqueza progressiva em um braço ou perna.
- Dormência que se espalha ou desce pelo membro.
- Dificuldade nova para urinar ou evacuar, ou anestesia na região da sela (entre as pernas).
Diante de qualquer um deles, procure avaliação médica no mesmo dia. A abordagem ampla desses sinais, no contexto da coluna, está no guia de tratamento da lombalgia.
Saber a hora de encaminhar também faz parte do papel do médico. A fisiatria é a medicina do tratamento não-cirúrgico da dor e da função; quando o quadro passa a exigir cirurgia ou a condução de outra especialidade, como na compressão de raiz incapacitante que não respondeu ao tratamento conservador ou nas doenças inflamatórias acompanhadas pelo reumatologista, o papel do fisiatra muda de tratar para reconhecer, encaminhar e seguir acompanhando, sem que isso represente falha do cuidado conservador. Vale lembrar que achados de imagem como artrose e protrusões discais são frequentes mesmo em quem não tem dor e, por isso, não bastam sozinhos para indicar cirurgia: a decisão depende da correlação entre a imagem, o exame e a incapacidade.
Quando o diagnóstico já está estabelecido e a indicação é manter ou retomar a reabilitação, faz todo sentido seguir com o fisioterapeuta, idealmente com reavaliações médicas periódicas para acompanhar a evolução e ajustar o plano. Os dois caminhos não se excluem: o cuidado bem feito costuma alternar entre a consulta médica e a sala de reabilitação ao longo do tratamento.
A comparação quase sempre é apresentada como uma escolha — “qual dos dois eu procuro” —, quando na prática raramente é um ou outro. O desenho mais comum para quem tem dor persistente não é decidir entre as duas profissões, mas passar pelas duas em momentos diferentes: médico para diagnosticar e definir o plano, fisioterapeuta para executar a reabilitação, com idas e vindas entre os dois ao longo do tratamento. O que muda o resultado é menos a porta de entrada e mais a comunicação entre quem prescreve e quem executa.
Diagnóstico incerto ou dor nova: comece pelo médico. Diagnóstico estabelecido, continuando a reabilitação: o fisioterapeuta é a peça central do plano. Em ambos os casos, os dois profissionais trabalham sobre o mesmo paciente — em papéis que se complementam, não se substituem.
O equívoco mais frequente é tratar fisiatra e fisioterapeuta como concorrentes, como se escolher um descartasse o outro. Na prática eles atuam em momentos e funções diferentes do mesmo cuidado, e o atrito que às vezes se imagina entre as duas profissões raramente aparece quando o plano e as metas estão claros para ambos.
Surpreende muitos pacientes descobrir que “fazer fisioterapia” não dispensa o diagnóstico médico, e que a consulta com o fisiatra não termina numa receita, mas costuma encaminhar para a reabilitação. A separação entre quem prescreve o tratamento e quem o executa sessão a sessão é, no dia a dia, mais nítida do que a confusão entre os nomes sugere.
Quando o caso ainda não tem diagnóstico fechado, começar pela avaliação médica costuma poupar tempo: evita semanas de reabilitação mirando o alvo errado e abre a chance de flagrar, logo no início, o sinal que pedia outra conduta.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre fisiatra e fisioterapeuta?
O fisiatra é médico: forma-se em Medicina, faz residência em Fisiatria, e responde pelo diagnóstico, pela prescrição de medicamentos e pelos procedimentos. O fisioterapeuta é um profissional de saúde de nível superior, não-médico, que executa a reabilitação física (exercício terapêutico, terapia manual, recursos físicos). São profissões complementares, não concorrentes.
Fisiatra é médico?
Sim. Fisiatria é uma especialidade médica, também chamada de Medicina Física e Reabilitação. O fisiatra é um médico com graduação em Medicina e residência na especialidade, com registro no conselho de medicina. Pode diagnosticar, pedir exames, prescrever remédios e realizar procedimentos.
O fisioterapeuta pode prescrever remédio ou pedir exame de imagem?
Não. Prescrever medicamentos e pedir exames de imagem como ressonância e raio-X são atos médicos. O fisioterapeuta faz a avaliação cinético-funcional, define e conduz o programa de reabilitação e emite relatório fisioterapêutico, mas não prescreve medicação nem solicita exames de imagem.
Preciso de pedido médico para fazer fisioterapia?
Na prática, a maioria dos quadros se beneficia de uma avaliação médica primeiro, que fecha o diagnóstico e direciona a reabilitação com objetivos claros. Isso evita tratar o alvo errado e garante que um sinal de alerta não passe despercebido. Convênios e clínicas costumam, além disso, pedir o encaminhamento médico.
Qual a diferença entre fisiatra e ortopedista?
Ambos são médicos e cuidam do sistema musculoesquelético, mas com focos diferentes. O ortopedista tem o centro de gravidade na cirurgia e no trauma ósseo e articular. O fisiatra atua no lado não-cirúrgico, na função e na reabilitação da dor e do movimento, e encaminha ao ortopedista os casos com indicação cirúrgica. É comum o mesmo paciente passar pelos dois em fases distintas. Veja também a página sobre o fisiatra de coluna.
Qual deles devo procurar para dor crônica?
Para dor crônica sem diagnóstico definido, o caminho mais seguro é começar pelo médico, de preferência um fisiatra com área de atuação em dor, que estabelece a causa e monta o plano. A reabilitação com o fisioterapeuta costuma ser parte central desse plano, conduzida em paralelo e ajustada nas reavaliações. Quem trata é a equipe.
O fisiatra também faz acupuntura e infiltração?
Pode fazer, quando tem formação específica. Acupuntura médica, agulhamento seco, infiltração de pontos-gatilho, bloqueios e aplicação de toxina botulínica são procedimentos médicos que integram o arsenal não-cirúrgico da fisiatria voltada à dor, sempre dentro de um plano multimodal e com a reabilitação como base.
Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.221, de 23 de novembro de 2018: aprova a relação de especialidades e áreas de atuação médicas, na qual consta Medicina Física e Reabilitação. Diário Oficial da União. 2018. acessar
- Brasil. Decreto-Lei nº 938, de 13 de outubro de 1969: provê sobre as profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional (art. 2º, profissionais de nível superior; art. 3º, atividade privativa de executar métodos e técnicas fisioterápicos). Diário Oficial da União. 1969. acessar
- Scascighini et al. Tratamento multidisciplinar para dor crônica: o que a evidência científica mostra sobre resultados. Rheumatology. 2008. ver resumo
- Foster NE, Anema JR, Cherkin D, Chou R, Cohen SP, Gross DP, et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. Lancet. 2018;391(10137):2368 a 2383. acessar
- Hayden JA, Ellis J, Ogilvie R, Malmivaara A, van Tulder MW. Exercise therapy for chronic low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2021;9(9):CD009790. acessar
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual: definir quem você deve procurar primeiro e qual plano seguir depende de uma consulta, em que a conduta é individualizada para o seu caso.
