Dor na coluna: causas por região e quando se preocupar
A dor na coluna tem muitas causas: mecânica, discal, facetária, sacroilíaca, óssea ou inflamatória, além de causas que não vêm da coluna.
- A maior parte da dor na coluna é mecânica (muscular, facetária ou discal), mas o mesmo sintoma pode vir de causa sacroilíaca, óssea (fratura por osteoporose), inflamatória (espondiloartrite) ou de fora da coluna.
- O que diferencia as causas é o padrão: onde a dor fica, para onde irradia, o que melhora ou piora e o ritmo (mecânico ou inflamatório), não a intensidade nem o laudo de imagem.
- Alguns sinais, como déficit neurológico progressivo, alteração para urinar ou evacuar, febre, trauma ou perda de peso, apontam causa grave e pedem avaliação sem demora.
- O tratamento depende da causa: a maioria responde a tratamento ativo não cirúrgico; cada região tem uma página específica neste blog.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
Enquanto a causa é esclarecida, estas medidas ajudam na maioria dos casos, que costumam ser de origem mecânica:
- Mantenha-se em movimento dentro do limite da dor. Reduza o esforço que reproduz a dor, mas evite ficar parado ou de repouso prolongado na cama — isso atrasa a melhora.
- Observe o padrão da sua dor. Onde ela fica, se desce para o braço ou a perna, o que piora e o que melhora, e se ela some ao mover ou piora à noite — esse padrão, descrito em «Como diferenciar pelo padrão», ajuda a situar a causa.
- Procure avaliação se a dor persistir além de quatro a seis semanas, mesmo sem nenhum dos sinais abaixo.
Avaliação sem demora se houver alteração para urinar ou evacuar com dormência na região da sela, fraqueza que progride ou formigamento que desce para o braço ou a perna, ou febre, mal-estar importante ou perda de peso sem explicação (ver «Sinais de alerta: quando não esperar», abaixo).
Dor na coluna começa por uma pergunta: onde dói
A coluna vertebral tem cerca de 33 vértebras divididas em segmentos com funções diferentes, e a região onde a dor aparece é o primeiro dado que organiza o raciocínio clínico.
São sete vértebras cervicais (o pescoço), doze torácicas (o meio das costas, presas às costelas), cinco lombares (a parte baixa, que sustenta a maior carga), além do sacro e do cóccix. Cada segmento sofre cargas distintas e adoece de jeitos distintos: a coluna cervical e a lombar são móveis e respondem pela maioria das queixas; a torácica é mais rígida e protegida pela caixa torácica, por isso dói com menos frequência e, quando dói de forma persistente, merece atenção redobrada.
Saber a região não fecha o diagnóstico, mas calibra a expectativa e o caminho. Um episódio de lombalgia mecânica costuma melhorar sozinho; uma dor que desce para a perna sugere componente de raiz nervosa (ciática) e pede um plano mais cuidadoso; uma dor torácica nova em quem tem fatores de risco exige excluir causas fora da coluna antes de tudo. A tabela abaixo resume as três regiões e por onde seguir.
| Região | O que costuma causar | Pista de alerta específica | Página específica |
|---|---|---|---|
| Cervical (pescoço) | Tensão muscular e postura, articulação facetária, raiz nervosa cervical (irradia para o braço) | Dormência ou fraqueza no braço; falta de destreza nas mãos e desequilíbrio (mielopatia) | Dor no pescoço |
| Torácica (meio das costas) | Postural, miofascial, articulação costovertebral; é a região menos comum de dor mecânica | Dor que não muda com a posição, dor visceral (coração, aorta, pulmão), fratura osteoporótica, dor em faixa | Avaliação médica direcionada |
| Lombar (parte baixa) | Lombalgia inespecífica (a maioria), disco, faceta, sacroilíaca; pode irradiar para a perna (ciática) | Alteração urinária ou intestinal e anestesia em sela (cauda equina); déficit motor progressivo | Lombalgia (dor lombar) |
As causas da dor na coluna, por mecanismo

A dor na coluna não é uma doença única: é um sintoma com muitas origens possíveis. Na maioria dos casos a causa é mecânica e benigna, mas o mesmo lugar pode doer por motivos articulares, ósseos, inflamatórios ou por algo que nem vem da coluna. Agrupar as causas pelo mecanismo é o que torna o raciocínio possível.
As causas abaixo estão organizadas em cinco grupos por mecanismo: mecânica e miofascial, discal e radicular, articular e degenerativa, óssea, inflamatória e sistêmica e os sinais de causa grave. Cada cartão traz a pista de reconhecimento, o mecanismo e o que distingue aquela causa das demais. A região onde a dor aparece refina o raciocínio, e cada uma tem sua página dedicada: cervical, torácica (meio das costas), lombar e a base (sacro e cóccix).
Causa mecânica e miofascial
Dor mecânica inespecífica
Dor axial que fica na coluna, piora com carga e movimento e melhora com o repouso relativo, sem uma lesão única identificável. Responde por cerca de 85% das lombalgias. O exame é difuso, sem déficit neurológico, e a recuperação costuma ocorrer em semanas com atividade.
Dor miofascial
Banda tensa palpável com ponto-gatilho no trapézio e elevador da escápula (cervical), romboides e trapézio médio (torácica) ou quadrado lombar e paravertebrais (lombar). A pressão reproduz a dor e gera dor referida a distância. Piora com estresse, postura mantida e frio.
Distensão e espasmo muscular
Início súbito após levantar peso, torção ou movimento desajeitado, com travamento e contratura de proteção. A dor é localizada, piora ao mudar de posição e cede em dias a poucas semanas. É a causa típica do “lumbago” e do torcicolo agudo.
Tensão postural e ergonômica
Dor que aparece ou piora ao fim do dia, ligada a horas sentado, à tela do trabalho e ao uso do celular (text neck). Predomina na cervical e na torácica média, alivia com pausa e movimento e responde a ajuste ergonômico mais do que a remédio.
Causa discal e radicular
Hérnia de disco com radiculopatia
O material do disco comprime e inflama uma raiz, e a dor desce pelo dermátomo: para o braço na cervical, para a perna na lombar (dor ciática), com formigamento, dormência ou perda de força. Piora ao sentar, tossir ou fazer esforço. Detalhe em hérnia de disco.
Dor discogênica axial
Dor profunda na linha média que piora ao sentar, ao inclinar para a frente e ao sustentar a carga, sem irradiação para o membro. Vem da degeneração do disco e das fissuras do ânulo, sensibilizadas. Difícil de localizar com o dedo e costuma aliviar ao deitar.
Estenose de canal com claudicação
Estreitamento do canal que comprime as estruturas nervosas, típico após os 60 anos. A marcha provoca dor, peso e formigamento nas pernas que melhoram ao sentar ou inclinar para a frente (carrinho de compras). Na cervical, pode evoluir para mielopatia.
Mielopatia cervical
Compressão da própria medula cervical, e não só da raiz. Causa perda de destreza fina nas mãos (abotoar, escrever), marcha instável e desequilíbrio, com reflexos vivos. Muda a urgência: não é dor de pescoço comum e pede avaliação dirigida sem esperar.
Causa articular e degenerativa
Síndrome facetária
Dor das pequenas articulações posteriores que piora à extensão e à rotação do tronco e ao ficar muito tempo em pé, e alivia ao fletir. Costuma ser localizada, com rigidez matinal curta. Comum na cervical e na lombar com a degeneração das facetas.
Disfunção sacroilíaca
Dor na nádega e na região da bacia, abaixo da linha da cintura, que piora ao levantar de sentado, ao subir escada e ao apoiar em uma perna. Frequente na gestação e no pós-parto. Os testes de provocação da sacroilíaca reproduzem a dor; raramente desce abaixo do joelho.
Espondilose e artrose da coluna
Degeneração de discos e facetas com a idade, com osteófitos e rigidez. Provoca dor axial crônica e flutuante e rigidez ao iniciar o movimento. Achados de “desgaste” no exame de imagem são comuns mesmo sem dor: o laudo isolado não fecha a causa.
Disfunção costovertebral
No meio das costas, dor das articulações entre costela e vértebra ou da junção costocondral, que piora ao respirar fundo, tossir, girar o tronco ou à palpação local. Reproduz-se mecanicamente, o que ajuda a separá-la de causa visceral.
Causa óssea, inflamatória e sistêmica
Fratura vertebral por osteoporose
Dor torácica ou lombar de início súbito em pessoa idosa ou osteoporótica, às vezes sem trauma ou após esforço mínimo, com piora ao ficar em pé e possível perda de altura ou cifose. Exige imagem e muda a conduta. Não tratar como dor mecânica comum.
Espondiloartrite axial
Dor lombar e na bacia de ritmo inflamatório em pessoa jovem (antes dos 45 anos): rigidez matinal longa (acima de 30 minutos), dor que melhora com o movimento e piora no repouso, e despertar na segunda metade da noite. Pode haver dor sacroilíaca alternante. Pede investigação reumatológica.
Dor referida visceral
A dor não vem da coluna: cólica renal, aorta, problema cardíaco, pâncreas, vesícula ou útero podem referir dor ao dorso ou à lombar. A pista é a dor que não muda com a posição nem com o movimento e que vem com sintomas do órgão de origem.
Dor crônica difusa
Dor por toda a coluna e pelo corpo por mais de três meses, com fadiga, sono ruim e múltiplos pontos dolorosos, sugerindo sensibilização central (como na fibromialgia). O exame não mostra lesão focal proporcional, e o plano foca em condicionamento, sono e educação em dor.
Sinais de causa grave
Síndrome da cauda equina
Compressão das raízes terminais: retenção ou perda do controle para urinar e evacuar, anestesia em sela (entre as pernas) e fraqueza nas duas pernas. É uma emergência cirúrgica; o tempo de compressão influencia a recuperação. Não esperar.
Infecção da coluna
Espondilodiscite ou abscesso: dor que não alivia em repouso nem à noite, febre ou mal-estar, e maior risco em diabéticos, imunossuprimidos e usuários de drogas injetáveis. A dor é constante e progressiva, e a investigação não pode ser adiada.
Causa neoplásica ou metastática
Dor noturna que não cede com repouso, perda de peso sem explicação, história de câncer e idade acima de 50 anos. A coluna é sítio frequente de metástase. Esse conjunto pede imagem e investigação dirigida em vez de tratamento sintomático.
Fratura traumática
Dor após queda, acidente ou impacto significativo, sobretudo com osteoporose ou uso de corticoide, levanta a suspeita de fratura vertebral. Déficit neurológico associado eleva a urgência. Avaliação e imagem antes de mobilizar com fisioterapia.
Como diferenciar pelo padrão
O que separa uma causa da outra não é a intensidade nem o laudo de imagem: é o padrão. Onde a dor fica, para onde irradia, o que melhora e o que piora, o ritmo (mecânico ou inflamatório) e os sinais que a acompanham orientam a conduta melhor do que a ressonância. A tabela resume os padrões típicos de cada grupo de causas e o que costuma seguir a partir deles.
| Grupo de causa | Padrão típico | Pista que distingue | O que costuma seguir |
|---|---|---|---|
| Mecânica e miofascial | Dor axial que piora com carga e movimento, alivia em repouso relativo | Ponto-gatilho palpável, sem déficit neurológico, ritmo mecânico | Tratamento ativo; melhora em semanas |
| Discal e radicular | Dor que desce pelo trajeto de um nervo, com formigamento ou fraqueza | Segue um dermátomo; piora ao sentar, tossir; manobra de tensão positiva | Plano específico; imagem se déficit ou refratária |
| Estenose e mielopatia | Dor e formigamento nas pernas ao andar; ou desajeito nas mãos e marcha instável | Alivia ao fletir o tronco (estenose); reflexos vivos (mielopatia) | Avaliação dirigida; pode indicar cirurgia |
| Facetária e sacroilíaca | Dor localizada que piora à extensão/rotação (faceta) ou na nádega ao levantar (sacroilíaca) | Não desce abaixo do joelho; testes de provocação reproduzem | Tratamento ativo dirigido à articulação |
| Óssea e inflamatória | Fratura: dor súbita no idoso. Inflamatória: ritmo noturno, rigidez matinal longa, jovem | Osteoporose/trauma; ou idade <45 anos com melhora ao mover | Imagem (fratura) ou encaminhamento reumatológico |
| Visceral e sistêmica | Dor que não muda com posição nem movimento, com sintomas do órgão | Independente da postura; acompanha sinais sistêmicos | Avaliar e referir; não tratar como dor mecânica |
Sugere causa benigna
Piora com carga e movimento, alivia em repouso. Não desperta à noite por dor pura. Rigidez matinal curta (minutos). É o padrão da maioria das dores na coluna e o que mais responde ao tratamento ativo.
Pede investigação
Dor em repouso e na segunda metade da noite, rigidez matinal longa (mais de 30 minutos) que melhora ao mover, ou dor constante e progressiva. Esse ritmo afasta a causa mecânica simples e aponta inflamação, infecção ou tumor.
Sinais de alerta: quando não esperar
A maioria dos quadros é benigna, mas alguns sinais, as chamadas bandeiras vermelhas, indicam que a avaliação não deve esperar. Eles têm prioridade sobre o resto porque podem apontar para compressão de estruturas nervosas, infecção, fratura, tumor ou uma causa fora da coluna. Procure atendimento se notar qualquer um destes:
Procure avaliação sem demora se houver
- Alteração para urinar ou evacuar (retenção ou perda do controle) e dormência na região da sela (entre as pernas): possível síndrome da cauda equina, uma emergência.
- Fraqueza que progride, dormência ou formigamento que desce para o braço ou para a perna.
- Falta de destreza nas mãos, desequilíbrio ou dificuldade para caminhar (sugere mielopatia).
- Dor após trauma significativo, como queda ou acidente; ou dor nova em pessoa com osteoporose.
- Febre, mal-estar importante, ou história de câncer e perda de peso sem explicação.
- Dor torácica que não muda com a posição, ou que vem com falta de ar, suor frio ou dor no peito.
- Dor intensa e constante à noite, que não alivia com repouso, ou que piora de forma progressiva.
Cada item muda a conduta. A síndrome da cauda equina, com retenção ou incontinência urinária ou fecal e anestesia em sela, é a emergência clássica da coluna lombar e exige atendimento imediato. Na coluna cervical, a mielopatia (perda de destreza, marcha instável) muda a urgência.
Na região torácica, o cuidado maior é excluir causa visceral e fratura osteoporótica. Febre e dor sugerem infecção; história de câncer e dor noturna pedem investigação de causa secundária.
Na ausência desses sinais, a dor na coluna costuma ser mecânica e benigna, e melhora ao longo de algumas semanas com medidas simples. A presença de qualquer item acima, porém, justifica avaliação para descartar causas que exigem conduta específica antes de qualquer tratamento.
Como a dor na coluna é avaliada
A avaliação parte de uma pergunta prática: a dor é predominantemente axial e mecânica (fica na coluna), tem componente radicular (desce para um membro) ou há sinais que apontam para algo além da coluna? A história e o exame respondem à maior parte disso, antes de qualquer imagem.
Na história, caracterizam-se a região, o tempo de evolução, o que melhora e o que piora, e o trajeto de qualquer irradiação ou formigamento, que ajuda a sugerir a raiz envolvida. Em paralelo, rastreiam-se as bandeiras vermelhas descritas acima. O exame físico então confirma o padrão.
- Inspeção, marcha e mobilidade
Postura e curvaturas (lordose cervical e lombar, cifose torácica), forma de andar e amplitude de movimento em cada segmento, observando o arco doloroso.
- Palpação dirigida
Musculatura paravertebral e pontos-gatilho conforme a região: trapézio e suboccipitais (cervical), romboides e trapézio médio (torácica), paravertebrais lombares e sacroilíaca (lombar).
- Exame neurológico do membro
Na cervical, força, reflexos e sensibilidade do braço por miótomo e dermátomo; na lombar, raízes L4 (reflexo patelar), L5 (dorsiflexão e extensão do hálux) e S1 (flexão plantar, reflexo aquileu).
- Manobras provocativas
Teste de Spurling na cervical e elevação da perna estendida (Lasègue) e teste do slump na lombar reproduzem a dor radicular; testes de provocação ajudam na dor sacroilíaca.
A imagem raramente é necessária nas primeiras semanas de uma dor mecânica sem bandeiras vermelhas. O raio-X e, sobretudo, a ressonância ficam reservados para déficit neurológico, suspeita de radiculopatia ou mielopatia, sinais de alerta, ou dor que persiste apesar do tratamento bem conduzido. Pedir imagem cedo demais costuma revelar alterações degenerativas próprias da idade, comuns mesmo em pessoas sem dor, o que pode gerar preocupação e intervenções desnecessárias.
Achados como desidratação do disco, abaulamentos e osteófitos aparecem em grande parte das pessoas sem dor a partir da meia-idade. Por isso a imagem é lida ao lado da história e do exame, e não isolada: o que trata o paciente é o quadro clínico, não o laudo.
O tratamento depende da causa
Não existe um tratamento único da dor na coluna, porque não existe uma causa única. O princípio é tratar a causa, não o sintoma: o que a faceta inflamada precisa é diferente do que a raiz comprimida ou a fratura osteoporótica pedem. Por isso o passo que mais muda o resultado é a triagem que separou os grupos acima, e não a escolha de um aparelho ou de um remédio. Na grande maioria dos casos, sem sinais de alerta, o caminho é não cirúrgico e ativo.
Causa mecânica e miofascial: fisioterapia ativa é a base
Para a dor mecânica, miofascial e facetária, que respondem pela maior parte das queixas, a base é a reabilitação ativa: cinesioterapia e controle motor da musculatura que estabiliza o segmento (flexores profundos do pescoço na cervical, transverso do abdome e multífido na lombar), com progressão de carga, e métodos estruturados como RPG e Pilates clínico conforme a preferência e a tolerância, todos individualizados, um paciente por sala. O exercício é a intervenção de primeira linha, com a melhor relação entre evidência e segurança, e a que mais reduz recorrência; manter-se ativo dentro do conforto supera o repouso prolongado. A terapia manual entra como adjuvante para abrir janela ao movimento, e o ajuste ergonômico e do sono sustenta o ganho.
Quando o componente miofascial pesa, o agulhamento seco e a infiltração de pontos-gatilho desativam a banda tensa (no trapézio e elevador da escápula na cervical, paravertebrais e quadrado lombar na lombar), e a acupuntura médica modula a dor por vias segmentares e inibitórias descendentes, ajudando a reduzir medicação. As ondas de choque têm seu lugar quando há componente tendíneo ou miofascial crônico associado. Essas técnicas existem para baixar a dor o suficiente para o exercício avançar, não para substituí-lo.
Causa neuropática, óssea, inflamatória ou sistêmica
Quando há componente radicular ou neuropático, trata-se a raiz e a causa: mantém-se a reabilitação com mobilização neural, e a medicação adjuvante usa as classes com ação sobre a dor neuropática: antidepressivos de ação dual (duloxetina) ou tricíclicos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina) e, com benefício mais variável na dor radicular, gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), sempre com indicação, titulação e prazo definidos pelo médico. Quando a causa é óssea, inflamatória ou sistêmica, o tratamento é o da doença de base: a fratura por osteoporose pede manejo da dor e tratamento do osso; a espondiloartrite é conduzida com o reumatologista; a dor referida visceral exige reconhecer e encaminhar ao serviço certo, não tratar a coluna.
A medicação é sempre adjuvante e com prazo: anti-inflamatórios em ciclos curtos e relaxantes musculares na fase aguda ajudam, mas não corrigem a causa nem substituem o exercício, e o uso contínuo sem reavaliação não é desejável. Medimos intensidade da dor de 0 a 10, amplitude de movimento e índice de incapacidade; se os números não se movem ao fim de um bloco, a conduta é reabrir o diagnóstico, e não repetir a mesma receita. A cirurgia é considerada em poucos cenários: emergência da cauda equina, déficit motor progressivo, mielopatia ou radiculopatia incapacitante refratária a 6 a 12 semanas de tratamento bem conduzido. Fora deles, operar mais cedo não costuma trazer vantagem de longo prazo, e o encaminhamento ao cirurgião de coluna se faz quando esses sinais aparecem.
A pergunta que muda o tratamento não é “o que a ressonância mostrou”, e sim para onde a dor vai e o que ela faz com a força e a sensibilidade do membro. Duas pessoas com o mesmo “abaulamento discal” no laudo podem ter planos opostos, porque a imagem mostra a anatomia, não a causa da dor. Achados de “desgaste” e “abaulamento” são comuns mesmo em quem não sente dor: por isso a triagem clínica, e não o exame, organiza o que vem depois.
A página certa para a sua dor
Esta página é um ponto de partida. Conforme a região e o padrão da sua dor, há um guia dedicado, com causas, exame e tratamento em mais detalhe. Use o roteiro abaixo para chegar direto ao conteúdo que responde à sua dúvida.
- Dor no pescoço, com ou sem dor no braço. Veja dor no pescoço: quando se preocupar, com os sinais de alerta da região cervical.
- Dor na parte baixa das costas. O guia completo está em tratamento de lombalgia (dor lombar).
- Dor que desce para a nádega e a perna, com formigamento. Pode ser dor ciática, com padrão por raiz nervosa.
- Laudo mostrou hérnia de disco. Entenda o que significa e por que a maioria melhora sem cirurgia em hérnia de disco.
Para a dor torácica (meio das costas) persistente, sobretudo se não muda com a posição ou vem acompanhada de sintomas no peito, na respiração ou no abdome, a recomendação é uma avaliação médica direcionada, já que a prioridade é excluir causas fora da coluna antes de tratar como dor mecânica.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
Dor na coluna toda, de cima a baixo, o que pode ser?
Dor difusa por toda a coluna costuma ter componente postural e miofascial, e pode estar ligada a sono, estresse e condicionamento. Quando vem com fadiga e dor em vários pontos do corpo por mais de três meses, vale considerar uma síndrome de dor mais ampla. O exame ajuda a separar o que é mecânico do que merece investigação.
Qual é a região mais comum de dor na coluna?
As regiões cervical (pescoço) e lombar (parte baixa) são as mais acometidas, por serem as mais móveis e sujeitas a carga. A dor torácica, no meio das costas, é menos frequente como dor mecânica e, quando persistente, pede um olhar mais cuidadoso.
Dor no meio das costas é mais preocupante que dor lombar?
Não necessariamente, mas a região torácica exige excluir com mais cuidado causas fora da coluna, como problemas cardíacos, da aorta, do pulmão ou da vesícula, e fraturas por osteoporose. Dor torácica que não muda com a posição, ou que vem com falta de ar ou dor no peito, deve ser avaliada sem demora.
Dor que desce para a perna é diferente de dor nas costas?
Sim. A dor que fica na coluna é chamada de axial e costuma ser muscular, facetária ou discal. A dor que desce para a perna no trajeto de um nervo sugere irritação de raiz nervosa, a dor ciática, e costuma exigir um plano mais cuidadoso.
Preciso fazer ressonância para dor na coluna?
Na maioria das vezes, não nas primeiras semanas. Sem sinais de alerta, a dor mecânica costuma melhorar com tratamento ativo antes que a imagem mude a conduta. A ressonância é indicada diante de déficit neurológico, bandeiras vermelhas ou dor que persiste apesar do tratamento bem conduzido.
O laudo mostrou hérnia ou desgaste. Preciso operar?
Na maioria das vezes, não. Alterações degenerativas e hérnias são comuns mesmo em quem não sente dor, e a maior parte dos quadros responde ao tratamento conservador. Entenda melhor em hérnia de disco. A cirurgia é considerada em situações específicas, como déficit neurológico progressivo ou síndrome da cauda equina.
Quanto tempo costuma durar a dor na coluna?
A maioria dos quadros mecânicos melhora em algumas semanas com medidas conservadoras. Episódios podem recorrer, o que torna o condicionamento e os ajustes de postura parte do próprio tratamento. Dor que persiste ou piora de forma progressiva merece avaliação.
Quando devo procurar um especialista?
Quando a dor não melhora em algumas semanas, recorre com frequência, irradia para o braço ou a perna com formigamento ou fraqueza, ou diante de qualquer sinal de alerta. Um médico fisiatra ou da dor pode definir a região e a origem do problema e montar o plano.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Griswold et al. The effectiveness of superficial versus deep dry needling or acupuncture for reducing pain and disability in individuals with spine-related painful conditions: a systematic review with meta-analysis. Journal of Manual & Manipulative Therapy. 2019. doi:10.1080/10669817.2019.1589030.
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Como a coluna que dói pode ser cervical, torácica ou lombar e o quadro varia muito de pessoa para pessoa, a definição da causa, a indicação de exames e a escolha do tratamento são sempre individualizadas em consulta.
