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Dor lombar · Rins ou coluna

Dor nos rins melhora sozinha?

A maior parte da “dor nos rins” não vem do rim: é dor musculoesquelética da coluna lombar, que muda com a posição e melhora sozinha em dias a semanas.

Resposta direta
  • A maior parte da “dor nos rins” não nasce no rim, e sim na musculatura e nas articulações da coluna lombar (quadrado lombar, paravertebrais, facetas). Essa dor muda com a posição, é reproduzida pela palpação e costuma melhorar sozinha em dias a semanas.
  • A dor renal verdadeira tem outro perfil: cólica por cálculo (em ondas, intensíssima, irradia para a virilha), infecção urinária ou pielonefrite (dor no flanco com febre e ardência para urinar). Não segue a regra do “melhora sozinha” e pede avaliação.
  • O que separa as causas é o padrão: posicional e palpável aponta para a coluna; fixa, profunda, em cólica ou com sintoma urinário e febre aponta para o rim. Diante de qualquer sinal de alerta, a avaliação não espera.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Onde dói e como é a dor nos rins

Diagramas do corpo feminino de frente e de costas com os rins destacados e a área de irradiação da dor pintada de vermelho na região lombar e flanco, ao lado de cálculos renais sobre uma régua e foto de pessoa segurando a lombar.
A dor renal costuma surgir no flanco e na região lombar baixa, abaixo das costelas, e pode irradiar para baixo quando ha cálculo.

A pergunta “como é a dor nos rins” tem uma resposta que surpreende muita gente: o que a maioria das pessoas chama de dor nos rins não é, na prática, dor renal. O rim fica mais alto e mais profundo do que se imagina, e a região onde costumamos apontar a “dor nos rins” é, quase sempre, território de músculo, articulação e fáscia da coluna lombar. Por isso a primeira tarefa não é tratar, e sim mapear a origem da dor.

Os rins ficam na parte de trás do abdome, protegidos pelas últimas costelas, na altura do ângulo costovertebral, o ponto onde a última costela encontra a coluna, um pouco acima da cintura. A dor de origem renal verdadeira costuma ser profunda, num ponto fixo abaixo das costelas, de um lado só, e não muda quando você se mexe, se curva ou pressiona a musculatura. É uma dor que vem “de dentro”.

A dor muscular nas costas, ao contrário, é mais superficial e difusa, espalha-se por uma faixa da região lombar, com frequência dos dois lados, e tem uma característica que ajuda muito a reconhecê-la: ela muda com o movimento. Piora ao curvar, ao girar o tronco, ao levantar peso ou ao ficar muito tempo na mesma posição, e costuma ser reproduzida quando se pressiona a musculatura paravertebral. Essa relação com o movimento e com a palpação é a pista clínica mais útil para diferenciar uma coisa da outra.

Como é a dor nos rins versus dor muscular nas costas
CaracterísticaDor renal (rim)Dor muscular (coluna lombar)
Onde dóiPonto fixo e profundo no flanco, abaixo das costelas, em geral de um ladoFaixa difusa na lombar, muitas vezes nos dois lados
Muda com o movimento?Em geral não; independe da posição do corpoSim; piora ao curvar, girar, levantar peso ou ficar parado
CaráterProfunda, “de dentro”; na cólica, em ondas e muito intensaPeso, rigidez, fisgada que melhora ao alongar e ao caminhar
Para onde irradiaPode descer para o flanco, a virilha e a região genital (cólica)Pode descer pela nádega e perna se houver componente ciático
Sinais associadosArdência ou sangue na urina, febre, calafrio, náusea, vômitoSem sintoma urinário; piora postural e melhora com movimento

Um teste simples ajuda a orientar a suspeita em casa: se a dor nas costas muda nitidamente conforme a posição e é reproduzida quando você aperta a musculatura ao lado da coluna, ela tem origem musculoesquelética na enorme maioria dos casos. Se a dor é fixa, profunda, não responde ao movimento e vem acompanhada de febre, ardência ou alteração na urina, a hipótese renal sobe e merece avaliação. A diferenciação completa, com o que cada sintoma significa, está detalhada na página sobre como saber a diferença entre dor nos rins e dor nas costas.

Mito

“Dor nas costas embaixo das costelas é sempre dor nos rins.”

Fato

A grande maioria das dores nessa região é da musculatura e das articulações da coluna lombar. A dor renal verdadeira é menos frequente, tem perfil próprio e costuma vir com sintomas urinários ou febre.

As duas metades da resposta

Na imensa maioria das vezes a dor não é do rim, é do quadrado lombar e da musculatura paravertebral, cuja dor referida cai exatamente sobre a área renal: o assunto de fato é coluna, não néfron. E quando a dor é renal de verdade, ela não se resolve sozinha esperando. Cólica por cálculo, infecção urinária e pielonefrite têm tratamento próprio, e a pielonefrite, em particular, piora se for deixada de lado. A dor muscular costuma melhorar sozinha; a dor renal verdadeira, não.

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As causas da “dor nos rins”

A queixa de “dor nos rins” reúne origens muito diferentes na mesma região do flanco. A imensa maioria é musculoesquelética da coluna lombar, cuja dor referida cai justamente sobre a área renal. Uma parcela menor, mas que muda a conduta, é de fato urinária. E há ainda causas neurológicas e sistêmicas que entram na conta. Vale separá-las por mecanismo.

Origem musculoesquelética: a causa mais comum, confundida com o rim

São as causas que melhor explicam a “dor nos rins” do dia a dia. Têm em comum o padrão posicional: pioram ao curvar, girar, levantar peso ou ficar parado, e são reproduzidas pela palpação da musculatura ao lado da coluna. A maior parte tem evolução favorável e tende a melhorar sozinha em dias a semanas.

Aperta um ponto e dói “no rim”

Ponto-gatilho do quadrado lombar

O quadrado lombar liga a última costela à bacia bem na altura do flanco, e é um dos campeões de ponto-gatilho do corpo: sua dor referida cai exatamente sobre a área renal. Dor profunda de um lado, pior ao inclinar o tronco e ao ficar muito tempo sentado, reproduzida ao apalpar um ponto único da banda muscular. É a causa que mais manda gente ao pronto-socorro achando que é o rim.

Faixa difusa · piora ao mover

Lombalgia muscular e contratura paravertebral

Sobrecarga e espasmo da musculatura paravertebral lombar, em geral após esforço, má postura prolongada ou movimento brusco. Dor em faixa, com frequência dos dois lados, peso e rigidez que pioram ao curvar e melhoram ao caminhar e ao alongar. A lombalgia aguda inespecífica é das condições mais comuns que existem e melhora na maioria das pessoas sem tratamento específico.

Dor ao estender e girar a coluna

Dor facetária da coluna lombar

Sobrecarga das pequenas articulações posteriores da coluna lombar (facetas). Dor de um lado sobre a região paravertebral, pior ao estender e ao girar o tronco para o lado dolorido, e ao ficar muito tempo em pé. Costuma ser localizada, sem descer pela perna, e responde a reabilitação e, em casos selecionados, a bloqueio facetário.

Nádega · às vezes desce a perna

Dor sacroilíaca e do glúteo médio

A articulação sacroilíaca e a musculatura glútea referem dor para a região lombar baixa e a nádega, perto do flanco. Dor ao levantar da cadeira, ao subir escada e ao apoiar o peso numa perna só. Aponta para a base da coluna e a pelve, não para o rim, e o exame de provocação sacroilíaca ajuda a confirmar.

Origem urinária e renal: menos comum, não melhora sozinha

Aqui está a “dor nos rins” de verdade. Estas causas não seguem a regra do “melhora sozinha”, têm tratamento próprio e algumas exigem atenção rápida. A marca que as separa da dor muscular é não responderem ao movimento e virem com sintoma urinário ou febre.

Em ondas · nenhuma posição alivia

Cólica renal por cálculo (litíase)

Um cálculo (a “pedra nos rins”) que migra pelo ureter distende a via urinária. Dor em ondas, num crescendo, descrita como uma das mais intensas que existem, do flanco irradiando para a virilha e a região genital, com náusea, vômito e por vezes sangue na urina. Sua marca é não aliviar com repouso nem com mudança de posição, o oposto da dor muscular. Pede avaliação para analgesia e investigação.

Febre · calafrio · ardência · sinal de alerta

Pielonefrite, a infecção do rim

Infecção urinária que sobe e atinge o rim. Dor no flanco sobre o ângulo costovertebral somada a febre alta, calafrios e mal-estar, em geral com ardência e urgência para urinar. É uma das situações em que não se espera para ver se passa: precisa de avaliação e antibiótico sem demora, porque piora se deixada de lado.

Ardência e urgência para urinar

Infecção urinária baixa (cistite)

Infecção da bexiga, sem acometer o rim. Ardência ao urinar, urgência e vontade frequente, em geral sem dor lombar importante. Costuma confundir menos com o flanco, mas entra no raciocínio porque o sintoma urinário acende a hipótese de causa renal e pode preceder a pielonefrite.

Sangue na urina · sem cólica clara

Outras causas renais

Sangue na urina, obstrução da via urinária e, mais raramente, problemas do próprio parênquima renal podem causar dor ou desconforto no flanco. Quando a dor renal não tem o perfil clássico de cólica e há alteração na urina, a investigação dirigida (exame de urina e imagem) define o quadro. A diferenciação completa está em dor nos rins, cólica e dor nas costas.

Origem neurológica e sistêmica: imitadores a lembrar

Algumas dores no flanco não vêm do músculo nem do rim. São menos frequentes, mas precisam ser lembradas porque têm perfil próprio e mudam a conduta.

Queimação em faixa · um lado só

Herpes-zóster (cobreiro)

Reativação do vírus da varicela num nervo intercostal ou lombar. Dor em queimação ou pontadas numa faixa de um lado, no trajeto do nervo, que pode começar dias antes das bolhas. A dor é cutânea e em faixa, não muda com o movimento da coluna; o surgimento das vesículas confirma. Merece atenção precoce pelo antiviral.

Trajeto de raiz · desce a perna

Dor radicular da coluna lombar

Irritação de uma raiz nervosa lombar, por hérnia de disco ou estreitamento do canal, projeta dor da região lombar para a nádega e a perna, com formigamento ou fraqueza. Difere do rim pelo trajeto neural e pela relação com a posição da coluna. Ver lombociatalgia.

Não muda com o movimento

Dor referida visceral e vascular

Problemas de órgãos abdominais e da pelve, e raramente um aneurisma de aorta, podem referir dor para o flanco e as costas. Pista: a dor não muda com o movimento do tronco nem com a palpação da musculatura, e vem com sintomas do órgão de origem. É causa incomum, mas a lembrança evita atribuir tudo à coluna.

Mito

“Dor nas costas embaixo das costelas é sempre dor nos rins.”

Fato

A grande maioria das dores nessa região é da musculatura e das articulações da coluna lombar. A dor renal verdadeira é menos frequente, tem perfil próprio e costuma vir com sintomas urinários ou febre.

Da prática clínica

No consultório, a manobra que mais resolve a dúvida é pedir para a pessoa se mexer. Se a dor acende quando ela inclina o tronco para o lado, gira ou levanta da cadeira, e se eu reproduzo a mesma dor apertando o quadrado lombar, o caso é muscular, por mais que o paciente insista que “é o rim”. A dor de cálculo faz o oposto: a pessoa não para quieta na maca procurando uma posição, e nenhuma posição alivia.

O que costuma surpreender é a localização. Muita gente chega convencida de problema renal porque a dor é “bem fundo, do lado”, e fica aliviada ao descobrir que apertar um único ponto do quadrado lombar reproduz exatamente aquela dor que parecia vir de dentro.

A combinação que não dá para deixar passar é febre com calafrio somada à dor no flanco e ardência para urinar: nesse cenário a hipótese é pielonefrite, e o encaminhamento é para avaliação sem demora, não para a maca de agulhamento. O mesmo vale para sangue na urina ou para a cólica que irradia para a virilha. Diante de qualquer um desses, a investigação renal vem primeiro; o tratamento miofascial fica para depois de afastada a causa renal.

Como diferenciar pelo padrão

Com a lista de causas em mãos, o passo seguinte é separá-las pelo comportamento da dor. Três perguntas resolvem a maior parte da dúvida: a dor muda com a posição e com a palpação? (musculoesquelética), há sintoma urinário ou febre? (renal ou urinária), a dor segue um trajeto de nervo ou uma faixa de pele? (neurológica). A tabela liga cada origem ao seu padrão típico e ao que costuma orientar a conduta.

Padrão da dor no flanco por origem e o que costuma orientar a conduta
Origem provávelComo costuma se apresentarPista que confirmaO que costuma orientar
Muscular (quadrado lombar, paravertebrais)Dor em faixa ou ponto profundo, pior ao curvar, girar e ficar parado; melhora ao caminharReproduzida ao apalpar a musculatura ao lado da colunaObservação ativa e reabilitação; melhora em dias a semanas
Facetária e sacroilíacaDor de um lado, pior ao estender e girar o tronco, ou ao levantar da cadeiraLocalizada na coluna baixa e na nádega; sem sintoma urinárioReabilitação; bloqueio em casos selecionados
Cólica renal (cálculo)Dor em ondas, intensíssima, do flanco para a virilha; sem posição que alivieNão cede com repouso; náusea, sangue na urinaAvaliação para analgesia e investigação do cálculo
Pielonefrite (infecção do rim)Dor no flanco com febre alta, calafrios e mal-estar; ardência para urinarFebre e sintoma urinário com a dor no flancoAvaliação e antibiótico sem demora: sinal de alerta
Cistite (infecção urinária baixa)Ardência, urgência e vontade frequente, em geral sem dor lombar forteSintoma urinário predominante, sem dor no flancoAvaliação e tratamento direcionado
Herpes-zósterQueimação ou pontadas numa faixa de um lado, no trajeto de um nervoDor cutânea em faixa; surgem vesículas no trajetoAvaliação precoce: antiviral muda o curso
Radicular (raiz lombar)Dor que desce da lombar para a nádega e a perna, com formigamentoTrajeto de raiz; relação com a posição da colunaTratar a coluna; adjuvante neuropático
Visceral ou vascularDor profunda que não muda com o movimento do troncoSintomas do órgão de origem; palpação não reproduzInvestigação dirigida ao órgão; avaliar urgência

Há um teste de bancada que vale por muitos: se a dor muda nitidamente conforme a posição e é reproduzida ao apertar a musculatura ao lado da coluna, a origem é musculoesquelética na enorme maioria dos casos. Se a dor é fixa e profunda, não responde ao movimento, e vem com febre, ardência ou alteração na urina, a hipótese renal sobe e a avaliação não deve esperar. A diferenciação detalhada entre rim e coluna está em como saber a diferença entre dor nos rins e dor nas costas.

Sinais de alerta: quando não esperar

A maior parte das dores nessa região é benigna e melhora sozinha. Ainda assim, alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam tanto para causas renais que exigem tratamento quanto para causas da coluna que mudam a conduta. Procure atendimento sem demora se notar qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere para ver se passa

Procure avaliação sem demora se houver

  • Febre, calafrios ou mal-estar junto com a dor no flanco, sugerindo infecção renal (pielonefrite).
  • Dor em cólica, em ondas, muito intensa, sem posição que alivie, que pode indicar cálculo renal.
  • Ardência ao urinar, sangue na urina, urina turva ou de odor forte, ou dificuldade para urinar.
  • Dor que desce para a perna com formigamento ou fraqueza, ou perda do controle da urina ou das fezes.
  • Dormência na região entre as pernas (em sela), que pode indicar compressão grave de nervos.
  • Dor após trauma, ou em pessoa com câncer, imunossuprimida, ou que acorda à noite e não alivia com repouso.

Cada item aponta para uma hipótese distinta. Febre com dor no flanco levanta pielonefrite; a cólica que não cede sugere cálculo; sintomas urinários reforçam a origem renal; déficit de força na perna ou perda do controle do esfíncter, com dormência em sela, levanta a síndrome da cauda equina, uma urgência da coluna. Na ausência desses sinais, a observação ativa por alguns dias é segura. A presença de qualquer um deles inverte a lógica: aí o certo é procurar atendimento.

Como é avaliada

A avaliação parte de uma pergunta prática: a dor vem da coluna e da musculatura, do trato urinário ou de um nervo? A história e o exame respondem à maior parte disso antes de qualquer exame complementar. Na história, caracteriza-se o local exato (com o pedido para apontar o dedo), a relação com o movimento, e a presença de febre, calafrio, ardência ou sangue na urina. Em paralelo, rastreiam-se as bandeiras vermelhas da seção «sinais de alerta».

Provocação pelo movimento (inclinar o tronco para o lado, girar e levantar da cadeira)
A dor muscular acende com esses movimentos; a renal, não. Esse teste posicional separa a maioria dos casos.
Palpação da musculatura paravertebral e do quadrado lombar
Ponto-gatilho que reproduz exatamente a dor referida sobre o flanco: reproduzir a dor à palpação praticamente confirma a origem musculoesquelética.
Punho-percussão do ângulo costovertebral (sinal de Giordano)
Percussão sobre a loja renal que desperta dor intensa sugere acometimento do rim, sobretudo pielonefrite, e direciona a investigação para a via urinária.
Exame neurológico e da pele
Avaliam-se força, sensibilidade e reflexos da perna quando a dor desce em trajeto de nervo; inspeciona-se a pele do flanco em busca das vesículas do herpes-zóster numa faixa de um lado.

Os exames seguem a suspeita, não a substituem.

Pergunta-chave

O quadro é muscular e sem sinais de alerta, ou há suspeita renal?

Muscular, sem sinais de alerta

Diretrizes recomendam não pedir radiografia ou ressonância de rotina nas primeiras semanas, porque revelam achados de desgaste comuns mesmo em quem não sente dor.

Suspeita renal

Exame de urina (sumário e, se preciso, urocultura) e imagem da via urinária (ultrassom ou tomografia) confirmam cálculo, infecção e obstrução.

A escolha é dirigida ao caso e definida na consulta.

Assista: COMO DIFERENCIAR DOR NOS RINS DE DOR NAS COSTAS? CRISE DE CÓLICA RENAL – VEJA MAIS

O tratamento depende da causa

Não existe um tratamento único para “dor nos rins”, porque a origem é que define a conduta. O princípio que organiza tudo é simples: trata-se a causa, não o sintoma. O caminho de uma dor muscular da coluna é muito diferente do de um cálculo, de uma pielonefrite ou de uma dor de nervo.

Na causa musculoesquelética, que responde pela maioria dos casos, a base é a reabilitação ativa. O eixo é a cinesioterapia com fortalecimento progressivo e controle motor do tronco (ativação de transverso do abdome e multífidos), conduzida individualmente, um paciente por sala, com RPG e Pilates clínico conforme o componente postural. A maior parte dos quadros é benigna e tende a melhorar sozinha em dias a semanas; manter-se ativo acelera a recuperação e o repouso prolongado a atrasa. A melhora costuma se firmar ao longo de quatro a seis semanas, e o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências.

Fisioterapia e técnicas para o componente miofascial

Quando há um componente miofascial, com pontos-gatilho do quadrado lombar e da musculatura paravertebral, somam-se à reabilitação o agulhamento seco e a infiltração de ponto-gatilho: a agulha no ponto dispara a resposta de contração local e reduz a dor referida que cai sobre o flanco. A acupuntura médica modula a dor por vias segmentares e inibitórias descendentes, e é especialmente útil em quem tem doença renal e precisa poupar anti-inflamatórios. As ondas de choque entram apenas como adjuvante de poucas sessões num componente miofascial crônico, com evidência mais robusta nas tendinopatias do que na dor lombar axial. Esses recursos potencializam a base ativa, não a substituem.

Na causa urinária e renal, o tratamento é próprio e não passa por esta clínica: a cólica por cálculo pede analgesia e investigação do cálculo; a cistite e a pielonefrite pedem antibiótico dirigido, a pielonefrite sem demora. Na causa neuropática, como a dor radicular da coluna lombar ou o herpes-zóster, trata-se a origem (a raiz nervosa, ou o antiviral no zóster) e a medicação muda de classe: antidepressivos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina ou duloxetina) ou gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), titulados aos poucos. Nas causas vasculares e sistêmicas, o papel central é reconhecer e encaminhar ao especialista da causa.

A medicação para a dor muscular é adjuvante e tem prazo: analgésicos simples e anti-inflamatórios na menor dose eficaz por períodos curtos, com cautela renal, sobretudo em quem tem doença dos rins. A indicação, a dose e a duração são definidas pelo médico assistente. Quanto à cirurgia, ela praticamente não tem papel na dor muscular ou miofascial do flanco; é considerada, fora desta clínica, em situações específicas (um cálculo obstrutivo que não passa, ou uma compressão neurológica grave da coluna), que os sinais de alerta da seção «sinais de alerta» ajudam a reconhecer. As opções de remédios para dor estão no guia de remédios para dor, e o manejo completo da lombalgia no guia de tratamento da lombalgia.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Dor nos rins melhora sozinha?

Depende da origem. Quando é dor lombar muscular, o que ocorre na maioria das pessoas que sentem “dor nos rins”, ela costuma melhorar sozinha em dias a semanas, com movimento e medidas simples. Quando é renal de verdade, como cólica por cálculo, infecção urinária ou pielonefrite, não deve ser ignorada e pede avaliação.

Como é a dor nos rins?

A dor renal verdadeira costuma ser profunda e num ponto fixo no flanco, abaixo das costelas, em geral de um lado, e não muda com a posição do corpo. Na cólica renal, vem em ondas, é muito intensa e irradia para a virilha. Já a dor muscular nas costas é mais difusa, piora ao mover-se e melhora ao alongar ou caminhar.

Como saber se a dor é no rim ou na coluna?

A pista mais útil é a relação com o movimento. Se a dor muda nitidamente conforme a posição e é reproduzida ao pressionar a musculatura ao lado da coluna, ela tende a ser musculoesquelética. Se é fixa, profunda, não responde ao movimento e vem com febre, ardência ou alteração na urina, a hipótese renal sobe. A diferenciação completa está em dor nos rins e dor nas costas.

Dor no rim esquerdo ou no rim direito tem significado diferente?

O lado, isoladamente, não define a causa: tanto a dor muscular quanto a renal costumam ser de um lado só. O que orienta é o conjunto, ou seja, o caráter da dor, se muda com o movimento e se há sintomas urinários ou febre. Uma dor de um lado com febre e ardência para urinar levanta causa renal; uma dor de um lado que piora ao curvar e melhora ao mexer aponta para a coluna.

Quanto tempo posso esperar antes de procurar um médico?

Na ausência de sinais de alerta, observar a evolução de uma dor lombar muscular por alguns dias é seguro, mantendo-se ativo. Se ela persistir além de quatro a seis semanas, piorar, mudar de padrão ou surgir qualquer sinal de alarme (febre, cólica intensa, sintoma urinário, fraqueza na perna), procure atendimento sem demora.

Devo fazer exames de imagem logo no início?

Para a dor lombar muscular sem sinais de alerta, não. Diretrizes recomendam não pedir radiografia ou ressonância de rotina nas primeiras semanas, porque revelam achados de desgaste comuns mesmo em quem não sente dor e geram preocupação desnecessária. Quando há suspeita de causa renal ou sinais de alarme, a investigação é dirigida ao caso e definida na consulta.

Dr. Carlos Roberto Baba
Sobre o autor
Dr. Carlos Roberto Baba
CRM-SP 47.825RQE 12.910 / 19.925

Médico com atuação em queixas ortopédicas, articulares, tendíneas e Acupuntura Médica.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Distinguir uma dor lombar muscular de uma causa renal exige exame presencial, e a conduta para cada uma é individualizada caso a caso.

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