Ondas de choque para epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
A terapia por ondas de choque é uma opção para a epicondilite lateral crônica e refratária que não melhorou com o tratamento inicial. Ela não substitui o exercício de carga progressiva, mas pode destravar a dor.
- As ondas de choque ajudam na epicondilite lateral principalmente quando o quadro é crônico ou refratário ao tratamento conservador inicial; não são a primeira coisa a fazer, e sim um reforço quando a reabilitação isolada não basta.
- O mecanismo combina estímulo mecânico ao reparo do tendão (mecanotransdução), formação de novos vasos, redução da dor e gatilho para a regeneração tecidual, e não um simples “quebra-cálcio”.
- A base do tratamento continua sendo o exercício excêntrico e de carga progressiva dos extensores do punho; a terapia por ondas de choque se soma a ele, junto a ajuste de técnica, órtese, agulhamento seco e acupuntura quando indicados.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
O que é a epicondilite lateral
A epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista, é uma dor na parte externa do cotovelo causada pela sobrecarga dos tendões dos músculos que estendem o punho e os dedos. Apesar do nome popular, a maioria das pessoas que a desenvolve nunca jogou tênis: o quadro aparece em quem faz movimentos repetidos de preensão e extensão do punho, do trabalho de escritório à atividade manual.
O tendão mais envolvido é o do extensor radial curto do carpo (ECRB), que se origina justamente no epicôndilo lateral do úmero, a saliência óssea na face externa do cotovelo. O nome “epicondilite” sugere inflamação (“-ite”), mas o termo mais correto hoje é tendinopatia. O que se observa no tendão doente não é uma inflamação clássica e sim uma degeneração: fibras de colágeno desorganizadas, microrrupturas que não cicatrizam bem e o crescimento desordenado de vasos e terminações nervosas para dentro do tendão, fenômeno chamado de degeneração angiofibroblástica. Entender isso muda o tratamento, porque o objetivo deixa de ser apenas “desinflamar” e passa a ser estimular o tendão a se reparar e a tolerar carga de novo.
A dor costuma ser localizada sobre o epicôndilo lateral e piora ao segurar objetos, apertar a mão de alguém, girar uma maçaneta, carregar a sacola de compras ou estender o punho contra resistência. Pode irradiar pela face externa do antebraço. Em muitos casos a queixa começa de forma insidiosa, sem um trauma único, e se instala ao longo de semanas de uso repetitivo.
O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame. Reproduz-se a dor com a palpação do epicôndilo lateral e com manobras de extensão resistida do punho e do terceiro dedo (teste de Cozen, teste de Maudsley). A ultrassonografia ou a ressonância podem confirmar a tendinopatia e afastar outras causas, mas não são obrigatórias na avaliação inicial de um quadro típico. Vale lembrar que alterações de imagem no tendão aparecem também em pessoas sem dor, então a imagem é lida sempre junto ao exame.
“Epicondilite é uma inflamação que passa com anti-inflamatório e repouso até a dor sumir.”
É uma tendinopatia degenerativa, não uma inflamação simples. O repouso prolongado tende a enfraquecer o tendão; o que recupera a estrutura é a carga progressiva e orientada, com as demais terapias somando a ela.
O que mais pode doer no cotovelo
Nem toda dor lateral de cotovelo é epicondilite, e nem toda epicondilite é “só” tendão. Antes de indicar ondas de choque, é importante confirmar a origem da dor, porque o tratamento muda. Algumas condições imitam ou acompanham o cotovelo de tenista e precisam ser reconhecidas no exame.
| Condição | Onde dói | Pista que diferencia |
|---|---|---|
| Epicondilite lateral (tendinopatia do ECRB) | Face externa do cotovelo, sobre o epicôndilo | Piora com preensão e extensão resistida do punho; dor à palpação local |
| Epicondilite medial (cotovelo de golfista) | Face interna do cotovelo | Piora com flexão resistida do punho; é o lado oposto |
| Síndrome do túnel radial / compressão do nervo interósseo posterior | Um pouco abaixo do epicôndilo, na massa muscular | Dor mais distal, sem o ponto típico no epicôndilo; pode haver sintoma neural |
| Dor referida cervical (C6-C7) | Pode ser sentida no cotovelo e antebraço | Associa-se a dor no pescoço e a sintomas no trajeto da raiz |
| Instabilidade ou artrose do cotovelo | Articular, mais difusa | Travamento, estalido ou perda de amplitude articular |
A dor cervical é um diferencial relevante e às vezes esquecido: parte das queixas de cotovelo e antebraço tem componente referido da coluna cervical, sobretudo das raízes C6 e C7. Por isso o exame da dor no cotovelo costuma incluir uma avaliação rápida do pescoço. Se você tem dor no braço associada à dor cervical, vale entender quando essa combinação merece atenção em dor no pescoço: quando se preocupar.
Como as ondas de choque agem no tendão
A terapia por ondas de choque (terapia por ondas de choque, também chamada de ondas de choque ou terapia por ondas de choque) usa ondas acústicas de alta energia aplicadas sobre o tendão doente. O efeito não é mecânico-destrutivo, como o nome poderia sugerir, e sim biológico: a onda funciona como um estímulo que reativa o reparo de um tendão que havia “parado” no meio do processo de cicatrização.
Vários mecanismos atuam em conjunto. O primeiro é a mecanotransdução: o estímulo mecânico da onda é convertido pelas células do tendão (tenócitos) em sinais bioquímicos que disparam a produção de colágeno e a reorganização das fibras. O segundo é a neovascularização, ou seja, a formação de novos vasos sanguíneos numa região naturalmente pouco vascularizada, o que melhora o aporte de nutrientes necessário ao reparo. O terceiro é o efeito analgésico: o tratamento reduz a sensibilização das terminações nervosas locais e interfere na transmissão da dor, em parte por hiperestimulação dessas fibras.
Por fim, há o estímulo direto à regeneração tecidual, com liberação de fatores de crescimento que recrutam células de reparo. Em casos selecionados de calcificação no tendão, as ondas podem ainda ajudar a fragmentar o depósito de cálcio, embora esse não seja o achado típico da epicondilite lateral.
Radial e focal: não é a mesma coisa
Existem dois grandes tipos de equipamento, e a diferença importa. A onda de choque radial é gerada por um projétil pneumático que bate em um aplicador apoiado na pele; a energia é máxima na superfície e se dissipa em profundidade, espalhando-se de forma radial. É bem tolerada, aplicada em uma área mais ampla e adequada a tendinopatias superficiais como a do ECRB.
A onda de choque focal é uma onda acústica verdadeira, gerada por fontes eletromagnéticas, eletro-hidráulicas ou piezoelétricas, que pode ser focada em uma profundidade definida, concentrando energia no ponto-alvo. Tende a ser usada em alvos mais profundos ou bem localizados, por vezes com auxílio de imagem.
Na epicondilite lateral, ambas as modalidades têm sido utilizadas com benefício. A escolha entre radial e focal, a energia aplicada e o número de pulsos são definidos pelo médico conforme a apresentação, a profundidade do alvo e a tolerância de cada pessoa.
Energia na superfície
Projétil pneumático, energia máxima na pele e dispersa em profundidade. Boa para tendões superficiais como o do cotovelo; cobre área mais ampla.
Energia concentrada
Onda acústica focalizável em profundidade definida, para alvos mais profundos ou bem localizados, por vezes guiada por imagem.
As ondas de choque não “quebram” a lesão: elas reacendem um processo de reparo que estava emperrado, ao mesmo tempo em que reduzem a dor. Por isso fazem mais sentido no tendão crônico, que já passou da fase aguda e parou de evoluir.
O que diz a evidência
A literatura sobre ondas de choque na epicondilite lateral é heterogênea. Alguns ensaios mostram benefício claro sobre dor e força de preensão, outros não encontram diferença em relação a placebo, e parte da divergência vem de diferenças de protocolo: tipo de onda, energia, número de sessões e, principalmente, o perfil dos pacientes incluídos. O padrão que emerge das revisões é consistente em um ponto: a terapia por ondas de choque tende a ser mais útil nos quadros crônicos e refratários, em pessoas que já tentaram o tratamento conservador inicial e não melhoraram, do que nos casos recentes, que muitas vezes resolvem só com exercício e ajuste de carga.
Esse é o sentido prático da indicação: as ondas de choque não competem com a reabilitação nem a substituem; entram quando a reabilitação bem conduzida não foi suficiente. As diretrizes e revisões de tendinopatias colocam o tratamento como uma opção razoável de segunda linha nesse cenário, com bom perfil de segurança e sem os riscos de uma cirurgia. A magnitude do benefício varia: a meta é reduzir a dor e devolver função ao longo de semanas, não uma cura imediata.
Ondas de choque na epicondilite lateral crônica
Revisões sistemáticas apontam benefício da terapia por ondas de choque sobre dor e função em parte dos estudos de epicondilite lateral, com efeito mais consistente nos casos crônicos e refratários e resultados heterogêneos entre protocolos. A técnica é melhor estabelecida em outras tendinopatias, como a calcária do ombro e a do tendão de Aquiles. A escolha depende do quadro individual.
Ver referências →Vale o contexto: as ondas de choque têm evidência mais sólida em outras tendinopatias, e a experiência acumulada nesses cenários ajuda a entender o seu papel no cotovelo. Em quadros do tendão de Aquiles e na tendinite calcária do ombro, o tratamento é uma opção bem estabelecida, e o mesmo princípio biológico de estímulo ao reparo se aplica ao tendão dos extensores do punho.
Protocolo e o que esperar
A aplicação é ambulatorial e não exige anestesia. O médico localiza o ponto de maior dor sobre o epicôndilo lateral, aplica um gel de contato e posiciona o aplicador. Durante os pulsos, é comum sentir um desconforto local, descrito como pequenas batidas ou uma dor surda na região; a intensidade da energia costuma ser ajustada à tolerância da pessoa ao longo da sessão. Cada aplicação dura poucos minutos.
O esquema mais usado envolve um ciclo de 3 a 5 sessões, com intervalo de cerca de uma semana entre elas, podendo variar de acordo com o equipamento e a resposta. É importante alinhar a expectativa: a melhora costuma ser gradual e cumulativa, percebida ao longo de semanas após o ciclo, e não como um alívio que aparece já na primeira aplicação. Nos dias seguintes a cada sessão, pode haver um desconforto leve e transitório na região, o que é esperado.
Um ponto técnico relevante: durante o ciclo de ondas de choque, costuma-se evitar anti-inflamatórios não esteroidais de uso contínuo, porque o objetivo da terapia por ondas de choque é justamente estimular uma resposta de reparo que esses fármacos podem atenuar. Analgésicos simples para conforto pontual são uma alternativa, sempre conforme orientação médica. A reabilitação ativa continua em paralelo, porque é ela que consolida o ganho.
Ciclo de aplicação
Uma sessão por semana, com desconforto local durante e leve nos dias seguintes. O exercício de carga progride em paralelo.
Resposta esperada
A dor à preensão e ao esforço costuma reduzir de forma gradual; a força de preensão tende a melhorar conforme o tendão tolera mais carga.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e o plano, e consideram-se outras opções dentro da abordagem multimodal.
Quando as ondas de choque não são indicadas
O tratamento é um procedimento seguro na maioria das pessoas, mas tem contraindicações que precisam ser checadas antes da aplicação. Algumas são absolutas, outras exigem cautela e avaliação individual.
Situações em que a terapia por ondas de choque deve ser evitada ou reavaliada
- Gravidez (não aplicar ondas de choque na gestante).
- Distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes, pelo risco de sangramento e hematoma.
- Infecção ativa, ferida aberta ou tumor na região a ser tratada.
- Aplicação sobre tecido pulmonar, grandes vasos, nervos principais ou áreas com trombo.
- Presença de marca-passo ou outros dispositivos eletrônicos implantados, conforme orientação.
- Cautela em ossos imaturos com placa de crescimento aberta, em crianças e adolescentes.
Além das contraindicações, há sinais de alerta que pedem reavaliação do diagnóstico antes de seguir com qualquer terapia local: dor que não melhora em nada após um plano conservador completo, sintomas neurológicos no braço e na mão (formigamento, fraqueza, perda de sensibilidade), travamento articular ou dor que desperta à noite sem relação com o esforço. Nesses casos, investiga-se uma causa diferente da tendinopatia simples antes de insistir no tratamento da “epicondilite”.
O tratamento completo: a terapia por ondas de choque é uma parte
O tratamento da epicondilite lateral é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, e as ondas de choque são apenas uma das peças. A base é ativa, com exercício de carga progressiva; as demais técnicas se somam a ela conforme a apresentação clínica e a resposta. A boa notícia é que a maioria dos casos melhora sem cirurgia.
O erro mais comum é tratar o cotovelo só com repouso e anti-inflamatório: alivia a dor por um tempo, mas não recupera a capacidade do tendão de tolerar carga, e a queixa volta. O caminho que funciona é o oposto, carregar o tendão de forma controlada.
Educação, ajuste de carga e técnica
Entender o quadro, reduzir temporariamente os gestos que mais doem (sem repouso absoluto) e corrigir técnica de trabalho, esporte e ergonomia.
Exercício excêntrico e de carga progressiva
A base do plano: fortalecimento dos extensores do punho com progressão gradual de carga, conduzido na fisioterapia.
Terapias em clínica
Ondas de choque, agulhamento seco, acupuntura, laser de alta intensidade e órtese quando indicados, somados ao exercício.
Procedimentos e casos refratários
Infiltração seletiva e, raramente, cirurgia, reservados aos quadros que não respondem a um plano conservador completo e bem conduzido.
Exercício de carga progressiva e fisioterapia: a base
É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na epicondilite lateral, e o eixo de todo o resto. O foco é o fortalecimento progressivo dos extensores do punho, com ênfase no trabalho excêntrico (a fase em que o músculo se alonga sob tensão, por exemplo ao baixar lentamente um peso com o punho), que estimula a reorganização das fibras de colágeno e a remodelação do tendão. A progressão de carga é gradual e guiada pela dor tolerável, evoluindo para exercícios de fortalecimento geral do antebraço e do ombro, já que a cadeia toda participa do gesto. O mecanismo é claro: a carga controlada é o sinal mais potente para o tendão se reorganizar e voltar a suportar esforço.
A resposta é gradual, ao longo de semanas, e o programa é mantido após o alívio para reduzir recidivas. Os princípios de progressão de carga e prevenção de lesão por sobrecarga estão detalhados no texto sobre fisioterapia para atletas.
Ajuste de técnica e órtese
Como a epicondilite é uma lesão de sobrecarga, identificar e corrigir o que gerou a sobrecarga é parte do tratamento. Isso inclui rever a técnica do gesto repetido (o backhand no tênis, a pegada de ferramentas, a postura ao teclado e ao mouse) e ajustar a ergonomia. A órtese, como a faixa ou braçadeira de contraforça aplicada logo abaixo do cotovelo, e a tala de punho em situações selecionadas, podem reduzir a tração sobre a origem do tendão e aliviar a dor durante a atividade. A órtese é um adjuvante para conforto e proteção, não um tratamento isolado, e funciona melhor combinada com o exercício.
Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho
No cotovelo de tenista, o tendão raramente sofre sozinho. O ventre dos extensores no antebraço, sobretudo o extensor radial curto do carpo, o extensor radial longo do carpo e o extensor comum dos dedos, costuma acumular pontos-gatilho miofasciais que referem dor exatamente para a região do epicôndilo e para o dorso do antebraço, imitando ou somando-se à tendinopatia. Esse componente muscular é uma das razões pelas quais alguns cotovelos continuam doendo mesmo quando a imagem do tendão melhora: a dor tem uma camada miofascial sobreposta que o tratamento do tendão isolado não alcança. Mapear o antebraço à palpação, e não só o ponto sobre o epicôndilo, muda o que se trata.
No agulhamento seco, uma agulha fina é inserida diretamente na banda tensa do extensor para desativar o ponto-gatilho: busca-se a resposta de contração local, um espasmo breve e involuntário do feixe muscular que sinaliza o alvo correto e se associa à queda da atividade elétrica espontânea da placa motora e à liberação local de mediadores da dor. Nesses pontos do antebraço o paciente costuma referir uma dor referida reconhecível, “é essa a minha dor”, e nos dias seguintes uma sensibilidade muscular leve, parecida com a de um treino, que cede em um a dois dias. Quando o ponto reincide a cada ciclo de uso do braço, a infiltração do ponto-gatilho com anestésico local prolonga o efeito e abre uma janela com menos dor para carregar o tendão. É um recurso que descarrega a musculatura para o exercício render, não um substituto dele.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
A acupuntura modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. No cotovelo de tenista ela entra como apoio ao controle da dor enquanto a carga progride, sobretudo em quem quer reduzir o uso de anti-inflamatórios, e com frequência se aproveita a mesma sessão para tratar os pontos do antebraço extensor. Costumam-se planejar de 6 a 10 sessões iniciais, 1 a 2 vezes por semana, reavaliando ao final se vale manter, espaçar ou trocar de recurso. É conduzida por médicos com formação específica em acupuntura, e a expectativa correta é de adjuvante para a dor, não de tratamento que repare o tendão por si.
Ondas de choque e laser no cotovelo
No epicôndilo lateral, as ondas de choque atuam por energia mecânica, reativando um reparo tendíneo que estacionou, com neovascularização e remodelação de colágeno. O laser de alta intensidade entra por fotobiomodulação: a luz absorvida pelas mitocôndrias aumenta o ATP e reduz prostaglandinas, substância P e edema local. São dois estímulos diferentes sobre o mesmo tendão, e por isso os efeitos se somam em vez de se repetir.
O ganho prático aparece no exercício. O trabalho de carga progressiva para os extensores do punho é o que remodela o tendão, e ele depende de um cotovelo que consiga ser usado entre as sessões. O laser, indolor e sem impacto mecânico, ajuda a segurar a dor nas 24 a 48 horas seguintes à onda de choque e nas fases em que a região está sensível demais para tolerar bem os pulsos. Aplicamos na mesma sessão ou alternando ao longo do ciclo, conforme a resposta de cada pessoa.
Cada técnica tem base de evidência própria na epicondilite, e ensaios da combinação ainda são poucos. O detalhe da tecnologia está na página de laser de alta intensidade para dor.
Infiltração de corticoide: por que cautela
A infiltração de corticoide no cotovelo merece uma ressalva importante. Ela pode dar um alívio rápido da dor no curto prazo, o que a torna tentadora, mas os estudos mostram que, a longo prazo, o resultado tende a ser pior do que o do tratamento conservador, com maior taxa de recidiva e, em parte dos casos, recuperação mais lenta do que em quem não recebeu a injeção. Some-se a isso o risco de efeitos sobre o próprio tendão e o tecido subcutâneo com aplicações repetidas.
Por essas razões, o corticoide deixou de ser uma escolha de rotina na epicondilite lateral e, quando considerado, é reservado a situações muito específicas e pontuais, com a expectativa correta de que alivia no curto prazo, mas não resolve a tendinopatia. Esse é justamente um ponto a favor das ondas de choque e do exercício, que atuam no reparo do tendão em vez de apenas suprimir a dor.
| Modalidade | Para que serve | Quando considerar |
|---|---|---|
| Exercício de carga progressiva | Remodelar o tendão e devolver tolerância à carga | Base do plano, em praticamente todos os casos |
| Ondas de choque | Estimular reparo e reduzir dor no tendão crônico | Casos crônicos e refratários ao conservador inicial |
| Órtese de contraforça | Reduzir a tração na origem do tendão durante a atividade | Adjuvante para conforto, combinada ao exercício |
| Agulhamento seco / acupuntura | Tratar pontos-gatilho e modular a dor | Componente miofascial associado; reduzir medicação |
| Infiltração de corticoide | Alívio rápido de curto prazo | Uso seletivo e pontual; pior resultado a longo prazo |
Na maior parte das vezes as ondas de choque entram tarde, e de propósito: o cotovelo que chega para o procedimento já tentou semanas de exercício de extensor e ajuste de carga e não destravou. Quando a terapia por ondas de choque é a primeira coisa oferecida, antes de qualquer programa de carga sério, costumo recuar e começar pelo exercício; o tendão que nunca foi carregado direito quase sempre ainda tem margem com a reabilitação sozinha.
O que combino com o paciente é uma expectativa de adjuvante, não de cura. A onda parece reabrir uma janela: o cotovelo fica menos dolorido para carregar, e é o exercício nessa janela que consolida o ganho. Quem para de carregar achando que “a onda vai resolver” costuma estacionar; quem aproveita a folga para progredir a carga é quem mantém o resultado.
Um achado que repito no exame: boa parte da dor não está no ponto do epicôndilo, e sim na barriga dos extensores, alguns centímetros distal. Apertar essa musculatura reproduz a dor do paciente melhor do que apertar o “ponto da epicondilite”, e tratar esse componente miofascial, com agulhamento ou pressão, muitas vezes rende um alívio que o foco exclusivo no tendão não dava.
O que mais surpreende quem chega é a ordem das coisas: a sessão costuma doer um pouco, melhora pouco no mesmo dia, e o ganho aparece semanas depois. Avisar disso antes evita a conclusão precipitada, na segunda sessão, de que “não está funcionando”.
A onda de choque não é um atalho que conserta o tendão enquanto o braço fica parado. Ela é um empurrão de segunda linha para um tendão que já parou de responder à carga, e o empurrão só vira recuperação se houver carga embaixo dele: rende quando está somada ao exercício excêntrico, não no lugar dele. O que decide o resultado não é qual o aparelho de ondas de choque, e sim se o exercício de carga já foi tentado a sério antes de chamar a onda. Pular essa etapa transforma o tratamento em uma sessão cara que destrava pouco. E como ela atua estimulando o reparo, e não suprimindo a dor, faz o caminho contrário ao do corticoide: alivia mais devagar, mas trabalha a favor da estrutura do tendão, em vez de mascarar o problema enquanto ele piora.
Perguntas frequentes
As ondas de choque funcionam para epicondilite?
Podem ajudar, principalmente nos casos crônicos e refratários ao tratamento conservador inicial. A evidência é heterogênea, mas o padrão mais consistente é o benefício sobre dor e função em quem já tentou exercício e ajuste de carga e não melhorou. Não é a primeira coisa a fazer, e sim um reforço dentro de um plano multimodal.
Quantas sessões de ondas de choque são necessárias para o cotovelo de tenista?
Em geral, um ciclo de 3 a 5 sessões, com intervalo de cerca de uma semana entre elas, podendo variar conforme o equipamento e a resposta. A melhora costuma ser gradual e percebida ao longo de semanas após o ciclo, e não imediatamente após cada aplicação. O número exato é definido pelo médico no acompanhamento.
A terapia por ondas de choque no cotovelo dói?
Costuma haver um desconforto local durante a aplicação, descrito como pequenas batidas ou dor surda sobre o cotovelo, e a intensidade da energia é ajustada à sua tolerância. Nos dias seguintes pode haver uma dor leve e transitória na região, o que é esperado. Não é necessária anestesia, e a sessão dura poucos minutos.
Qual o tratamento indicado para epicondilite lateral?
A base é o exercício de carga progressiva dos extensores do punho, com ênfase no trabalho excêntrico, somado a ajuste de técnica e ergonomia. As demais terapias, como ondas de choque, agulhamento seco, acupuntura, laser e órtese, somam-se ao exercício conforme o caso. O tratamento indicado é o plano individualizado e multimodal, não uma técnica isolada. A maioria dos casos melhora sem cirurgia.
Posso fazer ondas de choque e infiltração de corticoide juntas?
São abordagens com lógicas diferentes. O corticoide alivia a dor no curto prazo, mas a longo prazo tende a ter resultado pior e maior recidiva na epicondilite, enquanto as ondas de choque e o exercício atuam no reparo do tendão. Por isso o corticoide deixou de ser rotina e, quando usado, é pontual. A combinação e a sequência devem ser decididas pelo médico que avalia o seu caso.
Quem não pode fazer ondas de choque?
Entre as contraindicações estão gravidez, distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes, infecção ou tumor na região, e aplicação sobre pulmão, grandes vasos ou nervos principais. Há cautela com marca-passo e em ossos com placa de crescimento aberta. A avaliação é sempre individual, feita pelo médico antes do procedimento.
Quem realiza o tratamento por ondas de choque?
O tratamento por ondas de choque é realizado pelos médicos Dr. Marcus Yu Bin Pai (CRM-SP 158.074 · RQE 65.523) e Dr. Andrew Park (CRM-SP 157.730). Usamos apenas aparelhos importados de alta energia, das marcas BTL e Storz; não utilizamos aparelhos de baixa energia.
Preciso de internação ou anestesia?
Não. É um tratamento ambulatorial e não invasivo, feito em sessões curtas em consultório; você retorna às atividades no mesmo dia, seguindo as orientações passadas para a região tratada.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Wong et al. Comparison of treatment effects on lateral epicondylitis between acupuncture and extracorporeal shockwave therapy. Asia-Pacific Journal of Sports Medicine, Arthroscopy, Rehabilitation and Technology. 2017. doi:10.1016/j.asmart.2016.10.001.
- Yao G; Chen J; Duan Y; Chen X. Efficacy of Extracorporeal Shock Wave Therapy for Lateral Epicondylitis: A Systematic Review and Meta-Analysis. BioMed research international. 2020. doi:10.1155/2020/2064781. PMID:32309425.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação das ondas de choque na epicondilite, o tipo de onda, a energia e o número de sessões, e a decisão de mantê-las, espaçá-las ou trocar de recurso, são individualizados após exame e revisados conforme a resposta de cada cotovelo.
