CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

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Tendão e articulação · Cotovelo

Ondas de choque para epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

A terapia por ondas de choque é uma opção para a epicondilite lateral crônica e refratária que não melhorou com o tratamento inicial. Ela não substitui o exercício de carga progressiva, mas pode destravar a dor.

Resposta direta
  • As ondas de choque ajudam na epicondilite lateral principalmente quando o quadro é crônico ou refratário ao tratamento conservador inicial; não são a primeira coisa a fazer, e sim um reforço quando a reabilitação isolada não basta.
  • O mecanismo combina estímulo mecânico ao reparo do tendão (mecanotransdução), formação de novos vasos, redução da dor e gatilho para a regeneração tecidual, e não um simples “quebra-cálcio”.
  • A base do tratamento continua sendo o exercício excêntrico e de carga progressiva dos extensores do punho; a terapia por ondas de choque se soma a ele, junto a ajuste de técnica, órtese, agulhamento seco e acupuntura quando indicados.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é a epicondilite lateral

Ilustração do cotovelo em tennis elbow (epicondilite lateral): úmero, ulna e o tendão extensor inflamado destacado em vermelho no epicôndilo lateral
Na epicondilite lateral o tendão dos extensores inflama no epicôndilo lateral do cotovelo — o alvo das ondas de choque

A epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista, é uma dor na parte externa do cotovelo causada pela sobrecarga dos tendões dos músculos que estendem o punho e os dedos. Apesar do nome popular, a maioria das pessoas que a desenvolve nunca jogou tênis: o quadro aparece em quem faz movimentos repetidos de preensão e extensão do punho, do trabalho de escritório à atividade manual.

O tendão mais envolvido é o do extensor radial curto do carpo (ECRB), que se origina justamente no epicôndilo lateral do úmero, a saliência óssea na face externa do cotovelo. O nome “epicondilite” sugere inflamação (“-ite”), mas o termo mais correto hoje é tendinopatia. O que se observa no tendão doente não é uma inflamação clássica e sim uma degeneração: fibras de colágeno desorganizadas, microrrupturas que não cicatrizam bem e o crescimento desordenado de vasos e terminações nervosas para dentro do tendão, fenômeno chamado de degeneração angiofibroblástica. Entender isso muda o tratamento, porque o objetivo deixa de ser apenas “desinflamar” e passa a ser estimular o tendão a se reparar e a tolerar carga de novo.

A dor costuma ser localizada sobre o epicôndilo lateral e piora ao segurar objetos, apertar a mão de alguém, girar uma maçaneta, carregar a sacola de compras ou estender o punho contra resistência. Pode irradiar pela face externa do antebraço. Em muitos casos a queixa começa de forma insidiosa, sem um trauma único, e se instala ao longo de semanas de uso repetitivo.

ECRB
Tendão mais envolvido
13%
Prevalência estimada na população adulta
3554
Faixa etária mais comum, em anos
>3m
Quando passa a ser considerada crônica

O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame. Reproduz-se a dor com a palpação do epicôndilo lateral e com manobras de extensão resistida do punho e do terceiro dedo (teste de Cozen, teste de Maudsley). A ultrassonografia ou a ressonância podem confirmar a tendinopatia e afastar outras causas, mas não são obrigatórias na avaliação inicial de um quadro típico. Vale lembrar que alterações de imagem no tendão aparecem também em pessoas sem dor, então a imagem é lida sempre junto ao exame.

Mito

“Epicondilite é uma inflamação que passa com anti-inflamatório e repouso até a dor sumir.”

Fato

É uma tendinopatia degenerativa, não uma inflamação simples. O repouso prolongado tende a enfraquecer o tendão; o que recupera a estrutura é a carga progressiva e orientada, com as demais terapias somando a ela.

O que mais pode doer no cotovelo

Nem toda dor lateral de cotovelo é epicondilite, e nem toda epicondilite é “só” tendão. Antes de indicar ondas de choque, é importante confirmar a origem da dor, porque o tratamento muda. Algumas condições imitam ou acompanham o cotovelo de tenista e precisam ser reconhecidas no exame.

Diagnóstico diferencial da dor lateral do cotovelo
CondiçãoOnde dóiPista que diferencia
Epicondilite lateral (tendinopatia do ECRB)Face externa do cotovelo, sobre o epicôndiloPiora com preensão e extensão resistida do punho; dor à palpação local
Epicondilite medial (cotovelo de golfista)Face interna do cotoveloPiora com flexão resistida do punho; é o lado oposto
Síndrome do túnel radial / compressão do nervo interósseo posteriorUm pouco abaixo do epicôndilo, na massa muscularDor mais distal, sem o ponto típico no epicôndilo; pode haver sintoma neural
Dor referida cervical (C6-C7)Pode ser sentida no cotovelo e antebraçoAssocia-se a dor no pescoço e a sintomas no trajeto da raiz
Instabilidade ou artrose do cotoveloArticular, mais difusaTravamento, estalido ou perda de amplitude articular

A dor cervical é um diferencial relevante e às vezes esquecido: parte das queixas de cotovelo e antebraço tem componente referido da coluna cervical, sobretudo das raízes C6 e C7. Por isso o exame da dor no cotovelo costuma incluir uma avaliação rápida do pescoço. Se você tem dor no braço associada à dor cervical, vale entender quando essa combinação merece atenção em dor no pescoço: quando se preocupar.

Como as ondas de choque agem no tendão

Render 3D da estrutura do musculo esquelético mostrando o ventre muscular seccionado, os feixes de fibras e o tecido conjuntivo, ao lado de uma figura corporal translucida.
A onda de choque atua nesse nível do tecido musculo-tendíneo, estimulando a regeneração das fibras lesadas.

A terapia por ondas de choque (terapia por ondas de choque, também chamada de ondas de choque ou terapia por ondas de choque) usa ondas acústicas de alta energia aplicadas sobre o tendão doente. O efeito não é mecânico-destrutivo, como o nome poderia sugerir, e sim biológico: a onda funciona como um estímulo que reativa o reparo de um tendão que havia “parado” no meio do processo de cicatrização.

Vários mecanismos atuam em conjunto. O primeiro é a mecanotransdução: o estímulo mecânico da onda é convertido pelas células do tendão (tenócitos) em sinais bioquímicos que disparam a produção de colágeno e a reorganização das fibras. O segundo é a neovascularização, ou seja, a formação de novos vasos sanguíneos numa região naturalmente pouco vascularizada, o que melhora o aporte de nutrientes necessário ao reparo. O terceiro é o efeito analgésico: o tratamento reduz a sensibilização das terminações nervosas locais e interfere na transmissão da dor, em parte por hiperestimulação dessas fibras.

Por fim, há o estímulo direto à regeneração tecidual, com liberação de fatores de crescimento que recrutam células de reparo. Em casos selecionados de calcificação no tendão, as ondas podem ainda ajudar a fragmentar o depósito de cálcio, embora esse não seja o achado típico da epicondilite lateral.

Radial e focal: não é a mesma coisa

Existem dois grandes tipos de equipamento, e a diferença importa. A onda de choque radial é gerada por um projétil pneumático que bate em um aplicador apoiado na pele; a energia é máxima na superfície e se dissipa em profundidade, espalhando-se de forma radial. É bem tolerada, aplicada em uma área mais ampla e adequada a tendinopatias superficiais como a do ECRB.

A onda de choque focal é uma onda acústica verdadeira, gerada por fontes eletromagnéticas, eletro-hidráulicas ou piezoelétricas, que pode ser focada em uma profundidade definida, concentrando energia no ponto-alvo. Tende a ser usada em alvos mais profundos ou bem localizados, por vezes com auxílio de imagem.

Na epicondilite lateral, ambas as modalidades têm sido utilizadas com benefício. A escolha entre radial e focal, a energia aplicada e o número de pulsos são definidos pelo médico conforme a apresentação, a profundidade do alvo e a tolerância de cada pessoa.

Onda radial

Energia na superfície

Projétil pneumático, energia máxima na pele e dispersa em profundidade. Boa para tendões superficiais como o do cotovelo; cobre área mais ampla.

Onda focal

Energia concentrada

Onda acústica focalizável em profundidade definida, para alvos mais profundos ou bem localizados, por vezes guiada por imagem.

Em uma frase

As ondas de choque não “quebram” a lesão: elas reacendem um processo de reparo que estava emperrado, ao mesmo tempo em que reduzem a dor. Por isso fazem mais sentido no tendão crônico, que já passou da fase aguda e parou de evoluir.

Aplicador radial de ondas de choque Storz Medical em uso, com o console do aparelho ao fundo, na clínica
Onda radial — Storz Medical Aplicador de pulso superficial, para alvos rasos e musculatura.
Aparelho de ondas de choque focal BTL da clínica, com console e aplicador segurado por profissional de jaleco
Onda focal — BTL Aplicador de pulso profundo e concentrado, para calcificações e enteses.

O que diz a evidência

A literatura sobre ondas de choque na epicondilite lateral é heterogênea. Alguns ensaios mostram benefício claro sobre dor e força de preensão, outros não encontram diferença em relação a placebo, e parte da divergência vem de diferenças de protocolo: tipo de onda, energia, número de sessões e, principalmente, o perfil dos pacientes incluídos. O padrão que emerge das revisões é consistente em um ponto: a terapia por ondas de choque tende a ser mais útil nos quadros crônicos e refratários, em pessoas que já tentaram o tratamento conservador inicial e não melhoraram, do que nos casos recentes, que muitas vezes resolvem só com exercício e ajuste de carga.

Esse é o sentido prático da indicação: as ondas de choque não competem com a reabilitação nem a substituem; entram quando a reabilitação bem conduzida não foi suficiente. As diretrizes e revisões de tendinopatias colocam o tratamento como uma opção razoável de segunda linha nesse cenário, com bom perfil de segurança e sem os riscos de uma cirurgia. A magnitude do benefício varia: a meta é reduzir a dor e devolver função ao longo de semanas, não uma cura imediata.

Revisões de tendinopatiasEvidência variável

Ondas de choque na epicondilite lateral crônica

Revisões sistemáticas apontam benefício da terapia por ondas de choque sobre dor e função em parte dos estudos de epicondilite lateral, com efeito mais consistente nos casos crônicos e refratários e resultados heterogêneos entre protocolos. A técnica é melhor estabelecida em outras tendinopatias, como a calcária do ombro e a do tendão de Aquiles. A escolha depende do quadro individual.

Ver referências →

Vale o contexto: as ondas de choque têm evidência mais sólida em outras tendinopatias, e a experiência acumulada nesses cenários ajuda a entender o seu papel no cotovelo. Em quadros do tendão de Aquiles e na tendinite calcária do ombro, o tratamento é uma opção bem estabelecida, e o mesmo princípio biológico de estímulo ao reparo se aplica ao tendão dos extensores do punho.

Protocolo e o que esperar

A aplicação é ambulatorial e não exige anestesia. O médico localiza o ponto de maior dor sobre o epicôndilo lateral, aplica um gel de contato e posiciona o aplicador. Durante os pulsos, é comum sentir um desconforto local, descrito como pequenas batidas ou uma dor surda na região; a intensidade da energia costuma ser ajustada à tolerância da pessoa ao longo da sessão. Cada aplicação dura poucos minutos.

3 a 5
sessões, em geral, uma por semana, conforme a resposta
semanas
a melhora tende a ser progressiva, não imediata após cada sessão

O esquema mais usado envolve um ciclo de 3 a 5 sessões, com intervalo de cerca de uma semana entre elas, podendo variar de acordo com o equipamento e a resposta. É importante alinhar a expectativa: a melhora costuma ser gradual e cumulativa, percebida ao longo de semanas após o ciclo, e não como um alívio que aparece já na primeira aplicação. Nos dias seguintes a cada sessão, pode haver um desconforto leve e transitório na região, o que é esperado.

Um ponto técnico relevante: durante o ciclo de ondas de choque, costuma-se evitar anti-inflamatórios não esteroidais de uso contínuo, porque o objetivo da terapia por ondas de choque é justamente estimular uma resposta de reparo que esses fármacos podem atenuar. Analgésicos simples para conforto pontual são uma alternativa, sempre conforme orientação médica. A reabilitação ativa continua em paralelo, porque é ela que consolida o ganho.

Sessões 1 a 5

Ciclo de aplicação

Uma sessão por semana, com desconforto local durante e leve nos dias seguintes. O exercício de carga progride em paralelo.

Semana 4 a 8

Resposta esperada

A dor à preensão e ao esforço costuma reduzir de forma gradual; a força de preensão tende a melhorar conforme o tendão tolera mais carga.

Após 8 a 12 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e o plano, e consideram-se outras opções dentro da abordagem multimodal.

Quando as ondas de choque não são indicadas

O tratamento é um procedimento seguro na maioria das pessoas, mas tem contraindicações que precisam ser checadas antes da aplicação. Algumas são absolutas, outras exigem cautela e avaliação individual.

Contraindicações e cautelas · avalie com o médico

Situações em que a terapia por ondas de choque deve ser evitada ou reavaliada

  • Gravidez (não aplicar ondas de choque na gestante).
  • Distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes, pelo risco de sangramento e hematoma.
  • Infecção ativa, ferida aberta ou tumor na região a ser tratada.
  • Aplicação sobre tecido pulmonar, grandes vasos, nervos principais ou áreas com trombo.
  • Presença de marca-passo ou outros dispositivos eletrônicos implantados, conforme orientação.
  • Cautela em ossos imaturos com placa de crescimento aberta, em crianças e adolescentes.

Além das contraindicações, há sinais de alerta que pedem reavaliação do diagnóstico antes de seguir com qualquer terapia local: dor que não melhora em nada após um plano conservador completo, sintomas neurológicos no braço e na mão (formigamento, fraqueza, perda de sensibilidade), travamento articular ou dor que desperta à noite sem relação com o esforço. Nesses casos, investiga-se uma causa diferente da tendinopatia simples antes de insistir no tratamento da “epicondilite”.

Assista: Cotovelo doendo? Pode Ser Cotovelo de Tenista (Epicondilite Lateral) – Saiba Tratar!

O tratamento completo: a terapia por ondas de choque é uma parte

O tratamento da epicondilite lateral é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, e as ondas de choque são apenas uma das peças. A base é ativa, com exercício de carga progressiva; as demais técnicas se somam a ela conforme a apresentação clínica e a resposta. A boa notícia é que a maioria dos casos melhora sem cirurgia.

O erro mais comum é tratar o cotovelo só com repouso e anti-inflamatório: alivia a dor por um tempo, mas não recupera a capacidade do tendão de tolerar carga, e a queixa volta. O caminho que funciona é o oposto, carregar o tendão de forma controlada.

Educação, ajuste de carga e técnica

Entender o quadro, reduzir temporariamente os gestos que mais doem (sem repouso absoluto) e corrigir técnica de trabalho, esporte e ergonomia.

Exercício excêntrico e de carga progressiva

A base do plano: fortalecimento dos extensores do punho com progressão gradual de carga, conduzido na fisioterapia.

Terapias em clínica

Ondas de choque, agulhamento seco, acupuntura, laser de alta intensidade e órtese quando indicados, somados ao exercício.

Procedimentos e casos refratários

Infiltração seletiva e, raramente, cirurgia, reservados aos quadros que não respondem a um plano conservador completo e bem conduzido.

Exercício de carga progressiva e fisioterapia: a base

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na epicondilite lateral, e o eixo de todo o resto. O foco é o fortalecimento progressivo dos extensores do punho, com ênfase no trabalho excêntrico (a fase em que o músculo se alonga sob tensão, por exemplo ao baixar lentamente um peso com o punho), que estimula a reorganização das fibras de colágeno e a remodelação do tendão. A progressão de carga é gradual e guiada pela dor tolerável, evoluindo para exercícios de fortalecimento geral do antebraço e do ombro, já que a cadeia toda participa do gesto. O mecanismo é claro: a carga controlada é o sinal mais potente para o tendão se reorganizar e voltar a suportar esforço.

A resposta é gradual, ao longo de semanas, e o programa é mantido após o alívio para reduzir recidivas. Os princípios de progressão de carga e prevenção de lesão por sobrecarga estão detalhados no texto sobre fisioterapia para atletas.

Ajuste de técnica e órtese

Como a epicondilite é uma lesão de sobrecarga, identificar e corrigir o que gerou a sobrecarga é parte do tratamento. Isso inclui rever a técnica do gesto repetido (o backhand no tênis, a pegada de ferramentas, a postura ao teclado e ao mouse) e ajustar a ergonomia. A órtese, como a faixa ou braçadeira de contraforça aplicada logo abaixo do cotovelo, e a tala de punho em situações selecionadas, podem reduzir a tração sobre a origem do tendão e aliviar a dor durante a atividade. A órtese é um adjuvante para conforto e proteção, não um tratamento isolado, e funciona melhor combinada com o exercício.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

No cotovelo de tenista, o tendão raramente sofre sozinho. O ventre dos extensores no antebraço, sobretudo o extensor radial curto do carpo, o extensor radial longo do carpo e o extensor comum dos dedos, costuma acumular pontos-gatilho miofasciais que referem dor exatamente para a região do epicôndilo e para o dorso do antebraço, imitando ou somando-se à tendinopatia. Esse componente muscular é uma das razões pelas quais alguns cotovelos continuam doendo mesmo quando a imagem do tendão melhora: a dor tem uma camada miofascial sobreposta que o tratamento do tendão isolado não alcança. Mapear o antebraço à palpação, e não só o ponto sobre o epicôndilo, muda o que se trata.

No agulhamento seco, uma agulha fina é inserida diretamente na banda tensa do extensor para desativar o ponto-gatilho: busca-se a resposta de contração local, um espasmo breve e involuntário do feixe muscular que sinaliza o alvo correto e se associa à queda da atividade elétrica espontânea da placa motora e à liberação local de mediadores da dor. Nesses pontos do antebraço o paciente costuma referir uma dor referida reconhecível, “é essa a minha dor”, e nos dias seguintes uma sensibilidade muscular leve, parecida com a de um treino, que cede em um a dois dias. Quando o ponto reincide a cada ciclo de uso do braço, a infiltração do ponto-gatilho com anestésico local prolonga o efeito e abre uma janela com menos dor para carregar o tendão. É um recurso que descarrega a musculatura para o exercício render, não um substituto dele.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

A acupuntura modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. No cotovelo de tenista ela entra como apoio ao controle da dor enquanto a carga progride, sobretudo em quem quer reduzir o uso de anti-inflamatórios, e com frequência se aproveita a mesma sessão para tratar os pontos do antebraço extensor. Costumam-se planejar de 6 a 10 sessões iniciais, 1 a 2 vezes por semana, reavaliando ao final se vale manter, espaçar ou trocar de recurso. É conduzida por médicos com formação específica em acupuntura, e a expectativa correta é de adjuvante para a dor, não de tratamento que repare o tendão por si.

Ondas de choque e laser no cotovelo

No epicôndilo lateral, as ondas de choque atuam por energia mecânica, reativando um reparo tendíneo que estacionou, com neovascularização e remodelação de colágeno. O laser de alta intensidade entra por fotobiomodulação: a luz absorvida pelas mitocôndrias aumenta o ATP e reduz prostaglandinas, substância P e edema local. São dois estímulos diferentes sobre o mesmo tendão, e por isso os efeitos se somam em vez de se repetir.

O ganho prático aparece no exercício. O trabalho de carga progressiva para os extensores do punho é o que remodela o tendão, e ele depende de um cotovelo que consiga ser usado entre as sessões. O laser, indolor e sem impacto mecânico, ajuda a segurar a dor nas 24 a 48 horas seguintes à onda de choque e nas fases em que a região está sensível demais para tolerar bem os pulsos. Aplicamos na mesma sessão ou alternando ao longo do ciclo, conforme a resposta de cada pessoa.

Cada técnica tem base de evidência própria na epicondilite, e ensaios da combinação ainda são poucos. O detalhe da tecnologia está na página de laser de alta intensidade para dor.

Infiltração de corticoide: por que cautela

A infiltração de corticoide no cotovelo merece uma ressalva importante. Ela pode dar um alívio rápido da dor no curto prazo, o que a torna tentadora, mas os estudos mostram que, a longo prazo, o resultado tende a ser pior do que o do tratamento conservador, com maior taxa de recidiva e, em parte dos casos, recuperação mais lenta do que em quem não recebeu a injeção. Some-se a isso o risco de efeitos sobre o próprio tendão e o tecido subcutâneo com aplicações repetidas.

Por essas razões, o corticoide deixou de ser uma escolha de rotina na epicondilite lateral e, quando considerado, é reservado a situações muito específicas e pontuais, com a expectativa correta de que alivia no curto prazo, mas não resolve a tendinopatia. Esse é justamente um ponto a favor das ondas de choque e do exercício, que atuam no reparo do tendão em vez de apenas suprimir a dor.

Onde cada recurso entra no tratamento
ModalidadePara que serveQuando considerar
Exercício de carga progressivaRemodelar o tendão e devolver tolerância à cargaBase do plano, em praticamente todos os casos
Ondas de choqueEstimular reparo e reduzir dor no tendão crônicoCasos crônicos e refratários ao conservador inicial
Órtese de contraforçaReduzir a tração na origem do tendão durante a atividadeAdjuvante para conforto, combinada ao exercício
Agulhamento seco / acupunturaTratar pontos-gatilho e modular a dorComponente miofascial associado; reduzir medicação
Infiltração de corticoideAlívio rápido de curto prazoUso seletivo e pontual; pior resultado a longo prazo
Da prática clínica

Na maior parte das vezes as ondas de choque entram tarde, e de propósito: o cotovelo que chega para o procedimento já tentou semanas de exercício de extensor e ajuste de carga e não destravou. Quando a terapia por ondas de choque é a primeira coisa oferecida, antes de qualquer programa de carga sério, costumo recuar e começar pelo exercício; o tendão que nunca foi carregado direito quase sempre ainda tem margem com a reabilitação sozinha.

O que combino com o paciente é uma expectativa de adjuvante, não de cura. A onda parece reabrir uma janela: o cotovelo fica menos dolorido para carregar, e é o exercício nessa janela que consolida o ganho. Quem para de carregar achando que “a onda vai resolver” costuma estacionar; quem aproveita a folga para progredir a carga é quem mantém o resultado.

Um achado que repito no exame: boa parte da dor não está no ponto do epicôndilo, e sim na barriga dos extensores, alguns centímetros distal. Apertar essa musculatura reproduz a dor do paciente melhor do que apertar o “ponto da epicondilite”, e tratar esse componente miofascial, com agulhamento ou pressão, muitas vezes rende um alívio que o foco exclusivo no tendão não dava.

O que mais surpreende quem chega é a ordem das coisas: a sessão costuma doer um pouco, melhora pouco no mesmo dia, e o ganho aparece semanas depois. Avisar disso antes evita a conclusão precipitada, na segunda sessão, de que “não está funcionando”.

Por que a onda de choque depende do exercício

A onda de choque não é um atalho que conserta o tendão enquanto o braço fica parado. Ela é um empurrão de segunda linha para um tendão que já parou de responder à carga, e o empurrão só vira recuperação se houver carga embaixo dele: rende quando está somada ao exercício excêntrico, não no lugar dele. O que decide o resultado não é qual o aparelho de ondas de choque, e sim se o exercício de carga já foi tentado a sério antes de chamar a onda. Pular essa etapa transforma o tratamento em uma sessão cara que destrava pouco. E como ela atua estimulando o reparo, e não suprimindo a dor, faz o caminho contrário ao do corticoide: alivia mais devagar, mas trabalha a favor da estrutura do tendão, em vez de mascarar o problema enquanto ele piora.

Perguntas frequentes

As ondas de choque funcionam para epicondilite?

Podem ajudar, principalmente nos casos crônicos e refratários ao tratamento conservador inicial. A evidência é heterogênea, mas o padrão mais consistente é o benefício sobre dor e função em quem já tentou exercício e ajuste de carga e não melhorou. Não é a primeira coisa a fazer, e sim um reforço dentro de um plano multimodal.

Quantas sessões de ondas de choque são necessárias para o cotovelo de tenista?

Em geral, um ciclo de 3 a 5 sessões, com intervalo de cerca de uma semana entre elas, podendo variar conforme o equipamento e a resposta. A melhora costuma ser gradual e percebida ao longo de semanas após o ciclo, e não imediatamente após cada aplicação. O número exato é definido pelo médico no acompanhamento.

A terapia por ondas de choque no cotovelo dói?

Costuma haver um desconforto local durante a aplicação, descrito como pequenas batidas ou dor surda sobre o cotovelo, e a intensidade da energia é ajustada à sua tolerância. Nos dias seguintes pode haver uma dor leve e transitória na região, o que é esperado. Não é necessária anestesia, e a sessão dura poucos minutos.

Qual o tratamento indicado para epicondilite lateral?

A base é o exercício de carga progressiva dos extensores do punho, com ênfase no trabalho excêntrico, somado a ajuste de técnica e ergonomia. As demais terapias, como ondas de choque, agulhamento seco, acupuntura, laser e órtese, somam-se ao exercício conforme o caso. O tratamento indicado é o plano individualizado e multimodal, não uma técnica isolada. A maioria dos casos melhora sem cirurgia.

Posso fazer ondas de choque e infiltração de corticoide juntas?

São abordagens com lógicas diferentes. O corticoide alivia a dor no curto prazo, mas a longo prazo tende a ter resultado pior e maior recidiva na epicondilite, enquanto as ondas de choque e o exercício atuam no reparo do tendão. Por isso o corticoide deixou de ser rotina e, quando usado, é pontual. A combinação e a sequência devem ser decididas pelo médico que avalia o seu caso.

Quem não pode fazer ondas de choque?

Entre as contraindicações estão gravidez, distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes, infecção ou tumor na região, e aplicação sobre pulmão, grandes vasos ou nervos principais. Há cautela com marca-passo e em ossos com placa de crescimento aberta. A avaliação é sempre individual, feita pelo médico antes do procedimento.

Quem realiza o tratamento por ondas de choque?

O tratamento por ondas de choque é realizado pelos médicos Dr. Marcus Yu Bin Pai (CRM-SP 158.074 · RQE 65.523) e Dr. Andrew Park (CRM-SP 157.730). Usamos apenas aparelhos importados de alta energia, das marcas BTL e Storz; não utilizamos aparelhos de baixa energia.

Preciso de internação ou anestesia?

Não. É um tratamento ambulatorial e não invasivo, feito em sessões curtas em consultório; você retorna às atividades no mesmo dia, seguindo as orientações passadas para a região tratada.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Wong et al. Comparison of treatment effects on lateral epicondylitis between acupuncture and extracorporeal shockwave therapy. Asia-Pacific Journal of Sports Medicine, Arthroscopy, Rehabilitation and Technology. 2017. doi:10.1016/j.asmart.2016.10.001.
  2. Yao G; Chen J; Duan Y; Chen X. Efficacy of Extracorporeal Shock Wave Therapy for Lateral Epicondylitis: A Systematic Review and Meta-Analysis. BioMed research international. 2020. doi:10.1155/2020/2064781. PMID:32309425.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação das ondas de choque na epicondilite, o tipo de onda, a energia e o número de sessões, e a decisão de mantê-las, espaçá-las ou trocar de recurso, são individualizados após exame e revisados conforme a resposta de cada cotovelo.

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