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Coluna lombar · Direitos e benefícios

Quais são os direitos de quem tem hérnia de disco?

Quem tem hérnia de disco pode ter direito a afastamento e ao auxílio por incapacidade do INSS. A hérnia, por si só, não é automaticamente incapacitante: o que decide é a repercussão funcional do caso, avaliada por médico e perícia.

Resposta direta
  • Os direitos de quem tem hérnia de disco no Brasil incluem atestado e afastamento, o auxílio por incapacidade temporária (INSS) quando há incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias, a perícia médica para avaliar essa incapacidade e, em parte dos casos, a reabilitação profissional.
  • O critério não é “ter hérnia”, e sim estar incapaz para a sua atividade. A hérnia de disco não é, por si só, uma doença automaticamente incapacitante: a maioria dos casos é tratada sem cirurgia e retorna ao trabalho.
  • Este conteúdo é informativo e não é consultoria jurídica. Para o seu caso, procure o INSS, um advogado previdenciário e o seu médico assistente.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que fazer agora

Se você acabou de receber o diagnóstico e está preocupado com o trabalho, estes são os primeiros passos práticos, independentemente de qual direito acabar se aplicando ao seu caso:

  • Comece o tratamento sem demora. É a recuperação da função, e não a imagem da hérnia, que pesa na avaliação do afastamento — quanto antes o tratamento começar, mais cedo essa função tende a voltar.
  • Peça ao médico um atestado que descreva a limitação (quanto tempo consegue ficar sentado, quanto peso tolera, se há perda de força), não só o diagnóstico. É essa descrição que pesa na perícia.
  • Guarde tudo desde já: atestados, laudos, exames de imagem, receitas e relatórios de fisioterapia ou reabilitação.
  • Se a incapacidade ultrapassar 15 dias, o pedido de auxílio ao INSS é feito pelo Meu INSS ou pelo telefone 135.

Procure um pronto-socorro no mesmo dia se houver perda do controle da urina ou das fezes, dormência na região da sela (períneo, genitais, parte interna das coxas) ou fraqueza que piora rápido em uma ou nas duas pernas — sinais de compressão da cauda equina, detalhados em «Sinais de alerta», mais adiante.

O ponto-chave: hérnia não é sinônimo de incapacidade

Duas ressonâncias magneticas sagitais da coluna lombar com setas vermelhas apontando para o disco herniado que comprime o canal vertebral
A ressonância confirma a hernia e a compressão nervosa, base objetiva para atestados e pericias

Ter o diagnóstico de hérnia de disco no laudo não significa, automaticamente, estar incapacitado para o trabalho nem ter direito garantido a um benefício. O que a lei previdenciária avalia é a incapacidade laboral, e não o nome da doença no exame.

Imagens de ressonância mostram hérnias e protrusões discais em uma grande parcela de pessoas que nunca sentiram dor nenhuma. A degeneração e a herniação do disco fazem parte, em muitos casos, do envelhecimento normal da coluna. Por isso, o achado isolado na imagem não basta: o que importa é a repercussão funcional, ou seja, o quanto a dor, a perda de força ou a alteração de sensibilidade limitam, de fato, a sua capacidade de exercer a atividade. Uma hérnia pequena num trabalhador braçal pode incapacitar; uma hérnia grande em alguém com trabalho sentado e dor controlada pode não gerar afastamento algum.

Há ainda um segundo ponto que pesa na perícia e na decisão sobre o benefício: a resposta ao tratamento. A maioria das hérnias de disco, mesmo as sintomáticas, melhora de forma substancial com tratamento conservador ao longo de semanas a poucos meses. O afastamento, quando existe, costuma ser temporário, e o objetivo do tratamento é justamente recuperar a função e favorecer o retorno ao trabalho. É por essa lógica que o benefício previdenciário típico para esse quadro é o de incapacidade temporária, com reavaliações periódicas.

Mito

“Tenho hérnia de disco no exame, então tenho direito garantido a afastamento e ao auxílio do INSS.”

Fato

O direito depende de haver incapacidade para o seu trabalho, comprovada por documentação médica e pela perícia, e não do achado na imagem. Muitos casos com hérnia trabalham normalmente; o benefício acompanha a repercussão funcional, não o diagnóstico.

O que pesa de fato nos direitos da hérnia de disco

O que gera direito a auxílio, aposentadoria ou estabilidade é a incapacidade funcional comprovada e avaliada pela perícia do INSS, não o nome da doença no exame. Duas pessoas com ressonâncias quase idênticas podem receber decisões opostas, porque uma está incapaz para a sua função e a outra não. Por isso a descrição clínica da limitação (perda de força, alteração de marcha, restrição para carregar peso, resposta ao tratamento ao longo do tempo) costuma pesar mais do que a própria classificação da hérnia. O diagnóstico abre a conversa; quem decide o direito é a incapacidade documentada.

Dr. Marcus Yu Bin Pai ministrando palestra no congresso VIII CINDOR ao lado de slide sobre patologias da coluna
Em congressos Dr. Marcus Pai em aula sobre patologias da dor no CINDOR

Atestado e afastamento do trabalho

O primeiro direito, e o mais imediato, é o atestado médico. Diante de uma crise de dor com limitação funcional, o médico pode atestar a necessidade de afastamento das atividades pelo tempo que julgar adequado. O atestado deve trazer a data, o tempo de afastamento e, quando o paciente autoriza, o código da doença (CID). Os CID mais usados para hérnia de disco são o M51 (hérnia em outros segmentos, como a lombar) e o M50 (hérnia cervical), além do M54.4 para a lombociatalgia, quando a dor desce pela perna.

Na carteira assinada (regime CLT), os primeiros 15 dias de afastamento por incapacidade são pagos pelo empregador. Se a incapacidade ultrapassa esse período, o caso passa a ser do INSS, e é aí que entra o pedido de benefício. Os dias de afastamento não precisam ser corridos: períodos próximos pela mesma doença podem ser somados dentro da regra dos 60 dias, o que é importante para quem tem crises repetidas. As regras específicas e os prazos são confirmados junto ao empregador, ao RH e ao próprio INSS, porque mudam conforme a situação contratual.

Em uma frase

Guarde toda a documentação: atestados, laudos, exames de imagem, receitas e relatórios das terapias. É esse conjunto, e não um único papel, que demonstra a incapacidade e a evolução do caso para o médico e para a perícia.

Auxílio por incapacidade temporária e perícia (INSS)

Cinco silhuetas femininas de costas com áreas em vermelho mostrando a distribuição da dor das raízes L1 a L5
O mapa de dermátomos liga a raiz comprometida ao trajeto da dor, útil para documentar limitação funcional

Quando a incapacidade para o trabalho passa de 15 dias, o trabalhador segurado pode solicitar ao INSS o auxílio por incapacidade temporária, nome atual do antigo auxílio-doença. Para ter direito, em regra é preciso ter qualidade de segurado (estar contribuindo ou dentro do período de manutenção) e cumprir a carência de 12 contribuições mensais, dispensada em alguns casos, como acidentes. O pedido é feito pelo aplicativo ou site Meu INSS, ou pelo telefone 135.

O ponto central do pedido é a perícia médica. O perito do INSS não avalia se você tem hérnia, e sim se essa hérnia o torna incapaz para a sua atividade, por quanto tempo e se essa incapacidade é temporária ou permanente. Por isso a documentação organizada faz diferença: laudo do médico assistente descrevendo o quadro funcional (e não só a imagem), exames, histórico de tratamento e relatório da fisioterapia. Quando há lesão de nervo com perda de força ou alteração de marcha, isso deve estar registrado, pois é o que traduz a repercussão funcional que a perícia avalia.

O benefício não é automático e nem todo pedido é deferido. Se o quadro está controlado e a função preservada, a perícia pode concluir que não há incapacidade, mesmo com hérnia no exame. Em caso de indeferimento, existem caminhos como o pedido de reconsideração, o recurso administrativo e, se for o caso, a via judicial, com orientação de um advogado previdenciário. Em situações de incapacidade permanente para toda e qualquer atividade, discute-se a aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez), mas essa é uma hipótese restrita e bem menos comum nesse contexto.

Importante

A concessão depende da situação contratual, das contribuições e do quadro clínico, avaliados pela perícia. Procure o INSS, um advogado ou defensor público e o seu médico assistente para o seu caso específico.

Panorama de direitos e a quem procurar

A tabela abaixo resume os principais direitos que costumam ser discutidos por quem tem hérnia de disco, quando cada um tende a se aplicar e a quem recorrer. Os critérios exatos, os prazos e a concessão dependem da avaliação individual e dos órgãos competentes.

Direitos comumente discutidos na hérnia de disco
Benefício / direitoQuando costuma se aplicarA quem procurar
Atestado e afastamentoCrise com incapacidade para a atividade; primeiros 15 dias pagos pelo empregador (CLT)Médico assistente; RH da empresa
Auxílio por incapacidade temporária (INSS)Incapacidade para o trabalho por mais de 15 dias, com qualidade de segurado e carênciaMeu INSS / telefone 135; perícia médica; advogado previdenciário
Reabilitação profissional (INSS)Quando não é possível voltar à mesma função, mas há capacidade para outraINSS, durante o acompanhamento do benefício
Estabilidade / nexo acidentário (B91)Quando a hérnia se relaciona ao trabalho (doença ocupacional ou acidente)Médico do trabalho; advogado trabalhista; INSS
Auxílio-acidenteQuando resta sequela definitiva de origem acidentária/ocupacional que reduz a capacidade de trabalho (indenizatório, não impede trabalhar)INSS; perícia; advogado previdenciário
Aposentadoria por incapacidade permanenteIncapacidade total e permanente para qualquer atividade (hipótese restrita)INSS; perícia; advogado previdenciário
Saque do FGTS / PIS-Pasep e isenção de imposto de rendaReservados a doenças graves definidas em lei; hérnia de disco, em regra, não consta nessas listasCaixa / banco; Receita Federal; contador; advogado tributarista

Vale um esclarecimento direto sobre dúvidas muito buscadas: a hérnia de disco com a isenção de imposto de renda e o saque do FGTS e do PIS-Pasep. Tanto a isenção de IR sobre proventos de aposentadoria e pensão quanto o saque do saldo do FGTS e do PIS por motivo de saúde são previstos em lei apenas para listas específicas de doenças graves, como neoplasia maligna, cardiopatia grave e doenças neurológicas graves. A hérnia de disco, isoladamente, em regra não consta dessas listas e, portanto, não dá direito automático a esses saques nem à isenção. Pode haver discussão em situações muito particulares, com quadro neurológico grave associado, porém isso é exceção e exige análise individual por um profissional do direito.

Há ainda o auxílio-acidente, que confunde muita gente: ele não é um afastamento e não exige incapacidade total. É uma indenização mensal devida quando, depois de consolidada a lesão de origem acidentária ou ocupacional, sobra uma sequela definitiva que reduz a capacidade para o trabalho habitual; a pessoa segue trabalhando e recebe o valor como compensação. Aplica-se a quadros com nexo acidentário comprovado e sequela permanente, não a uma hérnia que melhorou com tratamento. Por ser hipótese técnica e ligada ao nexo, é avaliada caso a caso com a perícia e com orientação jurídica.

Reabilitação profissional e retorno ao trabalho

Mãos de um profissional inserindo agulhas finas de acupuntura na pele das costas de um paciente
Técnicas como acupuntura integram a reabilitação e ajudam a controlar a dor durante o afastamento

Quando o afastamento se prolonga, ou quando a pessoa não consegue voltar à mesma função (por exemplo, um trabalho que exige carregar peso), entra um direito menos conhecido: a reabilitação profissional do INSS. É um programa que avalia a capacidade residual e, quando indicado, prepara o segurado para outra atividade compatível com a sua condição, podendo incluir capacitação e adaptação. O foco não é eternizar o afastamento, e sim devolver a pessoa, com segurança, a uma atividade produtiva.

Há também a discussão do nexo com o trabalho. Quando a hérnia ou o seu agravamento se relacionam à atividade laboral, o caso pode ser enquadrado como acidentário (benefício B91), o que muda direitos como a estabilidade no emprego após o retorno e o recolhimento do FGTS durante o afastamento. Esse enquadramento depende de avaliação do médico do trabalho e, frequentemente, de orientação jurídica trabalhista. A definição do nexo e dos direitos dele decorrentes é técnica e individual, tratada com os profissionais competentes.

15 diasAfastamento pago pelo empregador antes de o caso ir ao INSS (CLT)
> 90%Das hérnias lombares sintomáticas tratadas sem cirurgia, com retorno funcional
12Contribuições mensais de carência, em regra, para o auxílio (com exceções)
Da prática clínica

Muitos pacientes chegam convencidos de que o diagnóstico de hérnia, por si, garante o afastamento ou o benefício; a conversa quase sempre precisa começar por aí, separando o achado da imagem da incapacidade real para a função. A maioria das pessoas que atendo com hérnia continua trabalhando, com a dor controlada e ajustes pontuais, e não chega a precisar de benefício previdenciário.

O que mais faz diferença na perícia é a qualidade da documentação: laudos que descrevem o que a pessoa não consegue fazer (sentar por quanto tempo, quanto peso tolera, se há perda de força ou alteração de marcha) pesam mais do que repetir o tamanho da hérnia. A situação muda quando há um componente ocupacional claro, em trabalho que exige carga ou postura forçada: aí entram a discussão de nexo e, às vezes, a readaptação para outra função, temas que encaminho ao médico do trabalho e à orientação jurídica. Recuperar a função, e documentar essa evolução, ajuda tanto a voltar ao trabalho quanto a sustentar o pedido enquanto a incapacidade existe.

Assista: HERNIA DE DISCO – Que doença é essa? Preciso me preocupar?

O tratamento que recupera a função e favorece o retorno

Se o que define o direito ao afastamento é a repercussão funcional, então o melhor caminho, do ponto de vista do paciente, é o tratamento que reduz a dor, recupera a função e encurta o tempo de afastamento. Esse tratamento é, na imensa maioria dos casos, multimodal, não-cirúrgico e individualizado. Não se trata uma hérnia para “sumir com a imagem”, e sim para resolver a dor e devolver a capacidade de trabalhar. A base é ativa, com exercício, e as demais técnicas se somam conforme a apresentação e a resposta de cada pessoa.

Controlar a crise e manter-se ativo

Analgesia adequada, orientação postural e retomada gradual do movimento; o repouso prolongado piora o quadro e atrasa o retorno.

Reabilitação ativa

Exercício terapêutico, estabilização do tronco e fortalecimento progressivo: a base que recupera função e tolerância à carga.

Técnicas em clínica

Acupuntura, eletroacupuntura, agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho para o componente miofascial e neuropático.

Procedimentos e cirurgia seletiva

Bloqueios guiados em casos selecionados; cirurgia reservada a indicações específicas, descritas adiante.

Reabilitação, fisioterapia, RPG e Pilates clínico: a base

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na hérnia de disco e o eixo de todo o resto. O foco é o controle motor e a estabilização do tronco: ativação da musculatura profunda (transverso do abdome e multífidos), fortalecimento de glúteos e da cadeia posterior, e dessensibilização ao movimento, para que a pessoa volte a confiar na própria coluna. A Reeducação Postural Global (RPG) e o Pilates clínico, com indicação médica, corrigem padrões que sobrecarregam o disco.

Na clínica, o atendimento é individual, um paciente por sala. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e é justamente essa recuperação funcional que sustenta o retorno seguro ao trabalho.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Modulam a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. Há evidência moderada para a lombalgia e a dor radicular crônicas, com recomendação de diretrizes em contextos selecionados. No contexto específico desta página, há um ganho prático que importa para quem trabalha e para a perícia: reduzir a dor com menos medicação ajuda o paciente a manter atenção, dirigir e tolerar a jornada, e cada reavaliação de resposta vira um registro objetivo da evolução funcional, que é exatamente o que o laudo precisa documentar. A acupuntura é conduzida por médicos com formação específica e entra como adjuvante da reabilitação ativa, não como tratamento isolado da hérnia.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

A dor de quem tem hérnia raramente vem só do disco: a musculatura paravertebral, o quadrado lombar e os glúteos costumam desenvolver pontos-gatilho que somam dor e perpetuam o ciclo dor-espasmo-dor, limitando ainda mais a função. Esse componente miofascial é parte do que o paciente sente como incapacidade no dia a dia, e é também o mais tratável de forma rápida. No agulhamento seco, a agulha fina inserida no ponto-gatilho provoca uma contração muscular involuntária breve e reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora, com efeito analgésico local e segmentar; quando o ponto é resistente, a infiltração de anestésico local na banda tensa interrompe o mesmo ciclo. Na prática da coluna lombar, é uma técnica de apoio: solta a musculatura que trava o movimento e cria uma janela com menos dor para o paciente progredir nos exercícios, não um tratamento que corrige a hérnia em si.

Medicação, papel adjuvante

Analgésicos simples e anti-inflamatórios por períodos curtos ajudam a controlar a fase aguda; relaxantes musculares têm papel limitado e causam sonolência. Quando há um forte componente neuropático, com dor que desce pela perna (radiculopatia), podem-se considerar antidepressivos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina ou duloxetina) ou gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), sempre com indicação, dose e duração definidas pelo médico, com atenção a efeitos adversos e comorbidades. Um corticoide oral por curto período pode ser usado em crises selecionadas.

A medicação alivia e abre espaço para a reabilitação, mas não substitui a base ativa. A dose e a escolha do fármaco são definidas pelo médico assistente.

Bloqueios guiados e quando pensar em cirurgia

Quando a dor radicular não cede ao tratamento de base bem conduzido, os bloqueios anestésicos guiados (como a infiltração peridural ou transforaminal, por vezes com corticoide) podem reduzir a dor e a inflamação ao redor da raiz, abrindo uma janela para avançar a reabilitação. A cirurgia tem indicação restrita e bem definida: síndrome da cauda equina, déficit motor importante ou progressivo, e dor radicular incapacitante que persiste apesar de um tratamento conservador completo.

Sinais de alerta — procure atendimento de urgência

A maioria das hérnias de disco não tem gravidade e melhora com tratamento. Alguns sinais, porém, indicam pressão sobre a cauda equina e exigem avaliação no mesmo dia, antes de qualquer discussão sobre benefício ou afastamento:

  • perda do controle da urina ou das fezes (escape ou retenção);
  • dormência na região da sela (períneo, genitais, parte interna das coxas);
  • fraqueza que piora rápido em uma ou nas duas pernas, ou dificuldade para levantar o pé;
  • dor que aumenta de forma intensa e progressiva apesar do repouso e da medicação.

Diante de qualquer um deles, vá a um pronto-socorro: a descompressão precoce protege a função.

Para a maioria das pessoas, porém, o caminho é o oposto da cirurgia: controlar a dor, fortalecer e recuperar a função sem operar. O detalhamento das indicações está na página dedicada à hérnia de disco.

Semana 1 a 2

Controle da crise

Analgesia, orientação e retomada gradual do movimento; afastamento, se necessário, costuma começar aqui.

Semana 3 a 6

Progressão e função

Reabilitação ativa e técnicas em clínica; a dor tende a ceder e a função a melhorar, abrindo caminho para o retorno.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e consideram-se procedimentos guiados, prolongamento do afastamento ou reabilitação profissional.

Acompanho a evolução com a dor numa escala de 0 a 10 e um índice de incapacidade funcional, além do retorno ao trabalho. São justamente esses registros que traduzem, de forma objetiva, a repercussão funcional que a perícia avalia, e a sua melhora ao longo do tratamento.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Quais são os direitos de quem tem hérnia de disco?

Conforme o caso, os principais direitos são: atestado e afastamento do trabalho; auxílio por incapacidade temporária do INSS (antigo auxílio-doença) quando a incapacidade passa de 15 dias, com qualidade de segurado e carência; perícia médica para avaliar a incapacidade; e, em parte dos casos, reabilitação profissional. Nenhum deles é automático pelo diagnóstico: dependem de haver incapacidade para o trabalho. Este conteúdo é informativo e não é consultoria jurídica.

Existe benefício para quem tem hérnia de disco?

O benefício mais comum é o auxílio por incapacidade temporária do INSS, destinado a quem fica incapaz para o trabalho por mais de 15 dias. Ele exige qualidade de segurado, carência (em regra 12 contribuições) e aprovação na perícia médica. A concessão não é garantida e depende do quadro funcional, não apenas do exame de imagem. O pedido é feito pelo Meu INSS ou pelo telefone 135.

Hérnia de disco dá isenção de imposto de renda?

Em regra, não. A isenção de imposto de renda é prevista em lei apenas para uma lista específica de doenças graves, e a hérnia de disco, isoladamente, não consta dessa lista. Pode haver discussão em situações muito particulares, com quadro neurológico grave associado, mas isso é exceção e exige análise individual por um advogado tributarista ou contador. Não trate a isenção como direito garantido pelo diagnóstico.

Existe lei para quem tem hérnia de disco?

Não há uma lei específica “da hérnia de disco”. O que se aplica é o conjunto de normas previdenciárias e trabalhistas gerais: as regras do INSS sobre incapacidade temporária e reabilitação, e as normas trabalhistas sobre afastamento, estabilidade e doença ocupacional quando há nexo com o trabalho. A análise é sempre individual; um advogado previdenciário ou trabalhista pode orientar o seu caso.

A perícia pode negar mesmo com hérnia no exame?

Pode. A perícia avalia se você está incapaz para o seu trabalho, e não apenas se há hérnia na imagem. Se o quadro está controlado e a função preservada, o pedido pode ser indeferido. Por isso a documentação que demonstra a repercussão funcional (perda de força, limitação, evolução do tratamento) é decisiva. Em caso de negativa, há reconsideração, recurso administrativo e a via judicial, com apoio de um advogado.

O tratamento ajuda a voltar ao trabalho?

Sim, e esse é o objetivo. O tratamento multimodal e não-cirúrgico (reabilitação ativa, acupuntura, agulhamento seco, infiltração e medicação adjuvante) reduz a dor e recupera a função, encurtando o tempo de afastamento na maioria dos casos. A meta não é eternizar o afastamento, e sim devolver, com segurança, a capacidade de trabalhar.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Tu JF, et al. Acupuncture for chronic sciatica from herniated lumbar disc: a randomized clinical trial. JAMA Internal Medicine. 2024.
  2. Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Auxílio por incapacidade temporária e perícia médica federal. Meu INSS / telefone 135.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não é consultoria jurídica nem garante a concessão de qualquer benefício, isenção ou afastamento: a decisão depende da análise individualizada do caso, da situação contributiva e dos órgãos competentes (INSS e sua perícia médica, Justiça, Receita Federal). Não substitui a avaliação médica nem a orientação de um advogado previdenciário para a sua situação concreta. Qualquer decisão sobre afastamento, laudo ou medicação cabe ao médico assistente que acompanha o caso.

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