RPG (Reeducação Postural Global): o que é e para que serve
A RPG é um método de fisioterapia que trata o corpo em cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo. Serve para dor postural e escoliose, mas a evidência não a coloca acima do exercício e do fortalecimento gerais.
- RPG (Reeducação Postural Global) é um método de fisioterapia criado pelo fisioterapeuta francês Philippe Souchard que trata o corpo por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo global sustentadas e sincronizadas à respiração.
- Serve para dor de origem postural, encurtamentos musculares, cervicalgia e lombalgia e desvios como a escoliose, sempre como parte de um plano, e não como técnica isolada.
- A evidência mostra benefício em casos selecionados, mas não a coloca acima do exercício e do fortalecimento gerais em vários desfechos; por isso ela soma, não substitui a base ativa.
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O que é a RPG, ou Reeducação Postural Global
A Reeducação Postural Global é um método de fisioterapia que parte de uma ideia simples: os músculos não trabalham isolados, e sim organizados em cadeias que se encurtam em conjunto. Em vez de alongar um músculo de cada vez, a RPG posiciona o corpo inteiro em posturas que abrem toda a cadeia ao mesmo tempo.
O método foi sistematizado nos anos 1980 pelo fisioterapeuta francês Philippe Souchard, a partir das ideias de Françoise Mézières sobre as cadeias musculares. A proposta nasce de uma crítica ao alongamento analítico, aquele que estica um músculo de cada vez: para Souchard, esticar um músculo de uma cadeia tensa faz os vizinhos compensarem, encurtando-se ainda mais. A solução do método é o alongamento ativo e global, em que o paciente sustenta uma postura cuidadosamente desenhada enquanto o fisioterapeuta corrige, em tempo real, cada compensação que o corpo tenta fazer.
Na prática, uma sessão de RPG não se parece com uma série de exercícios repetidos. O paciente assume poucas posturas, em geral mantidas por vários minutos, e o trabalho está em manter o alinhamento contra a tendência do corpo de fugir para o lado mais confortável. A respiração tem papel central: cada expiração é usada para ganhar amplitude e relaxar a musculatura inspiratória, em especial o diafragma, que o método entende como peça-chave de muitas posturas erradas. O atendimento é individual, um paciente por sala, o que permite o ajuste fino que o método exige.
Tratar a cadeia, não o músculo
A RPG corrige o conjunto de músculos que se encurtam juntos, em vez de alongar uma estrutura isolada por vez.
Postura sustentada + respiração
Posturas de alongamento ativo global mantidas por minutos, com a expiração usada para ganhar amplitude e relaxar o diafragma.
Na prática, o que diferencia a RPG de um simples alongamento não é a posição em si, e sim o trabalho ativo de impedir as compensações. É comum o paciente sentir esforço e tremor numa postura que, vista de fora, parece estática. Esse controle contra a fuga do corpo é o que o método entende como o agente terapêutico.

Base teórica: cadeias musculares, posturas e respiração
A teoria das cadeias musculares sustenta que os músculos antigravitários e tônicos, aqueles que nos mantêm de pé contra a gravidade e que têm predomínio de fibras tipo I, lentas e resistentes à fadiga, se organizam em linhas de continuidade miofascial e tendem ao encurtamento ao longo da vida. Souchard, herdando o trabalho de Françoise Mézières, descreveu o corpo em cadeias musculares estáticas. As mais trabalhadas na RPG são a cadeia mestra posterior, que corre da nuca aos dedos dos pés (suboccipitais, paravertebrais profundos, glúteos, isquiotibiais, tríceps sural e a fáscia plantar), e a cadeia mestra anterior, na qual o diafragma é o elo central, articulando os escalenos, o esternocleidomastóideo, os intercostais, o psoas e os adutores. Quando uma cadeia encurta, a postura se deforma de modo previsível, e a dor surge nos pontos de maior sobrecarga, frequentemente longe do segmento realmente retraído.
O traço que separa a RPG do alongamento comum é o tipo de contração que ela exige. Em vez de relaxar o músculo e deixá-lo ceder de forma passiva, o paciente é colocado numa postura que tensiona toda a cadeia e, então, contrai ativamente a musculatura encurtada enquanto o terapeuta amplia muito lentamente a amplitude. O músculo trabalha em contração isométrica excêntrica: gera força (isometria) ao mesmo tempo em que é progressivamente alongado (componente excêntrico). É justamente essa contração resistida durante o alongamento que se propõe a remodelar o tecido conjuntivo e a reprogramar o tônus, em vez de provocar apenas um ganho elástico transitório como o do alongamento estático passivo.
A partir disso, o método organiza o tratamento em torno de posturas de alongamento ativo global, posições padronizadas com nomes próprios. As mais conhecidas são abrir a cadeia posterior em decúbito dorsal com os membros inferiores estendidos e os quadris em flexão progressiva (a postura “rã no chão”, com pernas afastadas, e a “rã no ar”), e as posturas em pé contra a tendência de flexão e enrolamento, com os braços em abertura (“braços abertos”) ou junto ao corpo (“braços fechados”). Cada postura recruta a cadeia tensa em toda a sua extensão e expõe as compensações, que o fisioterapeuta corrige uma a uma. Duas famílias se alternam: as posturas em carga (de pé, com a gravidade), para a musculatura mais postural, e as posturas em descarga (deitado), para liberar a cadeia sem o peso do corpo.
- Cadeia muscular
- Linha de músculos antigravitários e tônicos em continuidade miofascial que compartilham função e tendem a encurtar juntos, transmitindo tensão de um segmento a outro.
- Alongamento ativo global
- Postura sustentada que abre toda uma cadeia ao mesmo tempo, com o paciente em contração isométrica excêntrica contra as compensações.
- Contração isométrica excêntrica
- O músculo gera força enquanto é lentamente alongado; é o ingrediente ativo que distingue a RPG do alongamento passivo.
- Compensação
- Desvio que o corpo cria para fugir do alongamento (rodar a pelve, elevar o ombro, prender a respiração); reconhecê-la e bloqueá-la é o cerne da técnica.
O terceiro pilar é a respiração. O diafragma é, ao mesmo tempo, o principal músculo da inspiração e o elo central da cadeia anterior; quando rígido, mantém as costelas elevadas e a coluna numa atitude inspiratória fixa, com tendência à hiperlordose e à anteriorização do tronco. O método usa a expiração prolongada para reduzir a atividade diafragmática, baixar o gradil costal e ganhar amplitude nas demais articulações sem que o corpo compense. É por isso que, numa sessão, o fisioterapeuta orienta o ritmo respiratório com tanta atenção quanto a posição dos membros: cada expiração é a janela em que a postura avança.
A descrição das cadeias e o raciocínio postural são um modelo clínico útil para organizar o tratamento, não uma explicação mecânica exata e única da dor. A relação entre desvio postural medido e dor é fraca na literatura, e a dor é multifatorial: envolve sensibilização central, sono, estresse, fatores cognitivos e condicionamento, e raramente se resume a um único músculo “curto”. O modelo das cadeias guia a mão do terapeuta dentro de um raciocínio clínico amplo.
Para que serve: indicações e benefícios da RPG
A RPG é mais usada quando há um componente postural ou de encurtamento muscular relevante no quadro de dor. As indicações típicas envolvem dores crônicas mecânicas da coluna e dos membros, em que a sobrecarga repetida de uma cadeia tensa parece alimentar o sintoma. Os benefícios mais consistentes que se observam na prática são ganho de flexibilidade, melhora da percepção corporal e da postura e, em parte dos casos, redução da dor.
- Dor postural. Quadros ligados a postura mantida, trabalho sentado e uso prolongado de telas.
- Cervicalgia e lombalgia crônicas. Quando há rigidez de cadeia posterior e perda de mobilidade associadas à dor.
- Encurtamentos musculares. Isquiotibiais, paravertebrais, peitorais e flexores do quadril encurtados.
- Escoliose e desvios posturais. Como parte do manejo conservador, sobretudo em curvas leves a moderadas e em conjunto com fortalecimento.
No caso da escoliose, a RPG é usada para trabalhar a assimetria das cadeias e melhorar a consciência postural, mas é importante calibrar a expectativa. Em curvas estruturais, nenhuma fisioterapia “endireita” a coluna de forma definitiva; o objetivo realista é flexibilizar, reduzir a dor associada e apoiar o tratamento principal. A conduta depende do ângulo de Cobb: curvas leves (até cerca de 20 graus) costumam ser acompanhadas com exercício; curvas moderadas (em torno de 20 a 40 a 45 graus) em esqueleto imaturo podem indicar colete; e curvas graves (acima de 45 a 50 graus) podem chegar à avaliação cirúrgica.
Vale notar que a base de evidência mais específica em escoliose é a dos exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose (PSSE), como o método Schroth, voltados à correção tridimensional e ao autoalongamento; a RPG entra como recurso complementar de flexibilização, não como tratamento isolado da curva. Os detalhes do diagnóstico e das opções estão na página sobre escoliose: causas, sintomas e tratamentos.
Na hérnia de disco e na dor lombar irradiada, a RPG pode entrar para reduzir a tensão da cadeia posterior e melhorar a tolerância ao movimento, mas não atua sobre o disco em si e não “recoloca” nada no lugar. Quando há dor que desce pela perna, formigamento ou perda de força, a prioridade é a avaliação médica e um plano que comece pelo controle da dor e pela reabilitação ativa, descritos no guia de tratamento de lombalgia ou dor lombar. Da mesma forma, dor cervical com irradiação para o braço merece a leitura sobre dor no pescoço e quando se preocupar antes de iniciar qualquer técnica postural.
“A RPG corrige a postura de forma permanente e cura a hérnia de disco e a escoliose.”
A RPG pode flexibilizar cadeias, melhorar a percepção postural e ajudar na dor. Ela não cura hérnia nem escoliose estrutural, e o resultado depende de manutenção e de um plano mais amplo.
Evidência: a RPG funciona?
A RPG ajuda casos selecionados, sobretudo em flexibilidade e dor de curto prazo, mas a evidência disponível não a mostra superior ao exercício terapêutico bem conduzido na maioria dos desfechos. Os ensaios são heterogêneos, com amostras pequenas, frequente ausência de um grupo de comparação convincente (difícil numa terapia tão dependente do terapeuta) e seguimento curto. Quando a RPG é comparada de forma justa com um programa de exercício, as diferenças tendem a ser modestas e, com frequência, perdem a significância no seguimento mais longo.
Olhando estudo a estudo: uma metanálise de ensaios randomizados na lombalgia crônica inespecífica (Gonzalez-Medina e cols., J Clin Med, 2021) encontrou redução de dor e incapacidade com RPG, porém a partir de poucos ensaios e com limitações no método que rebaixa a confiança no resultado. Na cervicalgia crônica, o ensaio de Pillastrini e cols. (Phys Ther, 2016) mostrou que a RPG superou um programa domiciliar simples de alongamentos. Mas, quando o comparador é à altura, o quadro muda: o ensaio de Fernandes e cols. (Eur J Phys Rehabil Med, 2023) comparou RPG a exercício específico para o pescoço em mulheres com cervicalgia crônica e os dois grupos melhoraram de forma semelhante em dor, incapacidade e controle postural, sem vantagem clara da RPG. A revisão sistemática de Ferreira e cols. (Braz J Phys Ther, 2016) sintetiza o conjunto: efeitos promissores, mas evidência ainda insuficiente para recomendar a RPG acima de outras formas de exercício.
RPG na dor crônica da coluna
Ensaios na lombalgia e na cervicalgia crônicas sugerem ganho de flexibilidade e alívio de dor, e a RPG supera o não-tratamento ou alongamentos simples. Frente a um programa de exercício comparável, porém, os resultados se equivalem, sem superioridade consistente da RPG. Estudos de qualidade limitada; interpretar com cautela.
Ver referências →Esse resultado de equivalência é o ponto central, e ele não significa que a RPG seja inútil. Significa que ela é uma ferramenta entre outras, com bom valor quando o componente postural e de encurtamento é claro, quando o paciente adere bem ao trabalho ativo e quando se integra a um plano que inclui fortalecimento. O que a evidência não autoriza é tratá-la como técnica milagrosa ou como substituta do exercício de força, que tem base de evidência mais sólida e consistente na dor crônica de coluna.
Há também um ponto prático de custo-efetividade: como a RPG exige atendimento individual, e sessões longas, faz sentido reservá-la para quem de fato se beneficia do seu diferencial, a correção postural minuciosa, e não usá-la como rótulo genérico para qualquer fisioterapia. Em muitos quadros, um programa de exercício progressivo, mais barato e mais escalável (inclusive em grupo), entrega resultado equivalente. A decisão é clínica e individualizada.
| Abordagem | Foco principal | Indicação típica | Evidência na dor crônica |
|---|---|---|---|
| RPG | Alongamento ativo global das cadeias e correção postural | Encurtamentos e dor de componente postural marcante | Limitada; sem superioridade clara sobre exercício |
| Pilates clínico | Controle motor, core, mobilidade e respiração | Dor lombar e cervical, recondicionamento | Modesta a moderada; útil como exercício orientado |
| Fortalecimento / cinesioterapia | Força e capacidade de carga progressiva | Base do tratamento conservador da dor crônica | Mais consistente; é a base recomendada |
A pergunta frequente RPG ou Pilates não tem resposta única. A RPG é mais passiva-corretiva, centrada em poucas posturas longas e na correção fina; o Pilates clínico é mais ativo e voltado a controle motor e força do core. Os dois podem coexistir num mesmo plano, em fases diferentes, e a escolha depende do quadro, da preferência e da adesão de cada pessoa.
Quando a RPG é comparada de forma justa a um programa ativo de exercício, os resultados se equivalem: o método não corrige a postura de modo definitivo nem é superior à fisioterapia comum. O valor real está em outro lugar. Algumas pessoas se engajam mais nesse formato individual e atento e, por isso, aderem; e os ganhos que aparecem vêm do que se faz dentro da sessão (o alongamento ativo das cadeias e a consciência corporal que ele treina), não de a coluna ter sido reendireitada. A RPG vale pela adesão que gera e pelo estímulo ativo que entrega, não por um efeito corretivo exclusivo que a literatura não confirma.
Na rotina do consultório, algumas observações de quem acompanha esses pacientes se repetem.
A primeira é que a RPG funciona melhor como uma das peças de um plano ativo do que como tratamento único: os pacientes que mantêm fortalecimento em paralelo sustentam o ganho por mais tempo do que os que fazem só as posturas. A segunda é que quem responde bem costuma ser quem se entrega ao trabalho dentro da sessão (sustenta as posturas, controla a respiração, percebe as próprias compensações); o resultado parece vir muito mais desse engajamento ativo e da consciência corporal do que de qualquer correção mecânica da postura. A terceira é que, comparada a outras formas de exercício, ela não se mostra superior na prática: vejo pessoas evoluírem igualmente bem com Pilates clínico ou com cinesioterapia, de modo que a escolha acaba sendo guiada pela preferência e pela aderência de cada um, e não por uma eficácia exclusiva da RPG. O que mais surpreende quem chega é descobrir que a postura observada não muda de forma permanente só com as posturas; o que muda, e isso costuma bastar para aliviar a dor, é a mobilidade das cadeias e o jeito de se mover ao longo do dia, desde que a pessoa mantenha o hábito.
Como a RPG entra num plano de tratamento da dor
O tratamento da dor mecânica crônica é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, e a base é sempre ativa: exercício e reabilitação. A RPG é uma das ferramentas dessa base ativa, voltada à flexibilidade das cadeias e à correção postural. Quando há dor que limita o movimento, outras modalidades entram para abrir uma janela de alívio e permitir que a reabilitação avance. Nenhuma delas substitui o trabalho ativo; todas se somam a ele conforme a apresentação clínica e a resposta.
Educação e ajuste de rotina
Entender a dor, ajustar postura de trabalho e sono e manter-se em movimento; a base de qualquer plano.
Exercício ativo: fortalecimento, RPG e Pilates clínico
Fortalecimento progressivo como espinha dorsal, com RPG para as cadeias encurtadas e Pilates para controle motor, conforme o caso.
Técnicas em clínica quando há dor
Acupuntura, eletroacupuntura, agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho para reduzir a dor miofascial que trava a reabilitação.
Procedimentos guiados em casos selecionados
Bloqueios em quadros refratários, sempre como adjuvantes do trabalho ativo.
Reeducação Postural Global (RPG)
- O que é
- reabilitação ativa individualizada que trata o corpo por cadeias musculares, usando poucas posturas de alongamento ativo global sustentadas por minutos.
- Mecanismo
- diferente do alongamento estático passivo, que busca um ganho elástico transitório de um músculo isolado, a RPG mantém a cadeia inteira sob contração isométrica excêntrica enquanto bloqueia as compensações, com o objetivo de remodelar o tecido conjuntivo e reduzir o tônus de músculos posturais retraídos; a expiração prolongada é usada para liberar o diafragma e avançar a amplitude.
- Evidência
- moderada a limitada na dor crônica de coluna; melhora flexibilidade, postura e dor e supera alongamentos simples, mas não demonstra superioridade frente a um programa de exercício comparável (Ferreira 2016; Fernandes 2023).
- O que esperar
- 1 a 2 sessões por semana, em ciclos de 8 a 10 sessões; alívio progressivo, dependente de constância e de manutenção dos ganhos com exercício.
- Indicações
- dor de componente postural e de encurtamento marcante, rigidez de cadeia posterior, apoio no manejo conservador de desvios como a escoliose.
- Limitações
- é trabalhosa, dependente da adesão e do terapeuta, custosa por ser individual; não atua sobre disco ou curva estrutural e não substitui o fortalecimento. Cautela em dor aguda intensa, instabilidade e nas situações de alerta descritas adiante.
Passo a passo de uma sessão de RPG
Uma sessão típica dura de 40 a 60 minutos e segue uma sequência reconhecível. Conhecer o passo a passo ajuda a alinhar a expectativa e mostra por que o método pede paciência e regularidade.
- Avaliação postural
O fisioterapeuta observa a postura de frente, de lado e por trás, mapeia as cadeias encurtadas e define quais posturas serão usadas naquele paciente.
- Escolha das posturas
Seleção entre posturas em decúbito (deitado) ou em pé, conforme a cadeia a tratar e a tolerância do paciente; em geral, duas a quatro posturas por sessão.
- Sustentação ativa e correção
Cada postura é mantida por vários minutos enquanto o terapeuta corrige, em tempo real, cada compensação que o corpo tenta fazer para fugir do alongamento.
- Trabalho respiratório
A expiração controlada é usada para relaxar o diafragma e ganhar amplitude, sincronizando respiração e progressão da postura.
- Progressão entre sessões
As posturas evoluem em amplitude e dificuldade ao longo das semanas, e o paciente recebe orientações para manter o ganho em casa.
O que esperar: a frequência usual é de 1 a 2 sessões por semana, em ciclos reavaliados a cada 8 a 10 sessões. O alívio costuma ser progressivo e depende de constância; quem espera resultado em uma ou duas sessões tende a se frustrar. Sensação de cansaço muscular e leve desconforto após a sessão são comuns nos primeiros dias e não indicam piora.
Acupuntura médica e eletroacupuntura
- Mecanismo
- a inserção de agulhas finas em acupontos modula a dor de forma segmentar no corno dorsal da medula (teoria da comporta) e ativa vias inibitórias descendentes, com liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência conecta as agulhas e tende a recrutar mais esses sistemas opioides.
- Evidência
- é moderada para dor cervical crônica, lombalgia e cefaleia, e a técnica é recomendada por diretrizes em contextos selecionados.
- O que esperar
- aplicada como adjuvante da RPG, costuma render alívio progressivo e cumulativo ao longo de algumas semanas, em sessões semanais que se intercalam com as de reeducação postural; serve também para reduzir a necessidade de analgésico durante a fase mais dolorosa.
- Limitações
- desconforto ou pequeno hematoma no local de punção, cautela em quem usa anticoagulante; não reeduca a postura por si só, de modo que sustenta a janela de alívio, mas não dispensa o alongamento ativo das cadeias.
Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho
- Mecanismo
- no agulhamento seco, a punção do ponto-gatilho desencadeia a resposta de contração local (local twitch response), reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e a concentração local de substâncias álgicas, com efeito local e segmentar que diminui a tensão da banda antes de pedir a ela que se alongue.
- O que esperar
- a resposta tende a aparecer nas primeiras horas a poucos dias após a punção, com dor leve no próprio ponto por um ou dois dias, sem que isso indique piora. Quando o ponto resiste à agulha seca, a infiltração de ponto-gatilho com anestésico local ou soro fisiológico interrompe o ciclo dor-espasmo-dor e relaxa a banda tensa; em ambos os casos o efeito só se sustenta se vier acompanhado do alongamento ativo das cadeias, que é o que mantém o ganho de comprimento.
- Limitações
- desconforto transitório e equimose no local, cautela em anticoagulados e cuidado anatômico nas regiões próximas ao gradil costal; é um recurso para abrir caminho ao trabalho ativo, sem dispensá-lo.
A medicação tem papel de apoio, por período definido e com indicação médica, para baixar a dor a um nível que permita retomar o movimento; as classes e os cuidados estão no guia de remédios para dor.
Controle inicial
Avaliação postural, controle da dor que limita o movimento e início das primeiras posturas de RPG.
Progressão ativa
Posturas mais amplas, fortalecimento progressivo e técnicas em clínica conforme a dor; a flexibilidade e a tolerância costumam melhorar.
Reavaliação
Mede-se a resposta e decide-se manter, ajustar ou encerrar a RPG, mantendo o exercício para prevenir recorrências.
Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a amplitude de movimento ganha em cada cadeia, a postura observada e o retorno às atividades. Se ao fim de um ciclo a flexibilidade e a dor não mudaram de forma significativa, vale rever a hipótese e trocar a estratégia em vez de repetir as mesmas posturas. A meta é recuperar função e reduzir a dor a um nível que não limite a rotina, mantendo o condicionamento mesmo depois do alívio para conter as recorrências.
Quando a dor exige avaliação médica antes da RPG
A RPG é segura na maioria dos contextos, mas a dor de coluna pode, em situações específicas, sinalizar algo que exige avaliação médica antes de qualquer programa postural. Procure atendimento se notar qualquer um destes sinais.
Procure avaliação sem demora se houver
- Fraqueza, dormência ou formigamento que desce para o braço ou a perna.
- Dor após trauma recente, como queda ou acidente.
- Febre, perda de peso sem explicação ou história de câncer.
- Alteração para urinar ou evacuar, ou dificuldade para caminhar.
- Dor noturna intensa que não alivia com nenhuma posição.
- Dor que piora de forma progressiva ou não melhora em algumas semanas.
Na ausência desses sinais, a dor mecânica de origem postural costuma ser benigna e se beneficia de reabilitação ativa. A presença de qualquer item acima, porém, justifica avaliação para descartar causas que mudam a conduta, antes de focar em postura. A RPG entra depois que o diagnóstico está claro e a segurança, garantida.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes sobre RPG
O que é RPG e para que serve?
RPG, ou Reeducação Postural Global, é um método de fisioterapia que trata o corpo por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo global e controle da respiração. Serve para dor de origem postural, encurtamentos musculares, cervicalgia e lombalgia crônicas e desvios como a escoliose, como parte de um plano.
Quais são os benefícios da RPG?
Os benefícios mais consistentes são ganho de flexibilidade, melhora da percepção corporal e da postura e, em parte dos casos, redução da dor. A evidência sugere benefício em casos selecionados, sem mostrar vantagem clara sobre o exercício e o fortalecimento gerais.
RPG ou Pilates: qual é melhor?
Não há resposta única. A RPG é mais corretiva, com poucas posturas longas e correção postural fina; o Pilates clínico é mais ativo, voltado a controle motor e força do core. Podem coexistir num mesmo plano, e a escolha depende do quadro, da preferência e da adesão.
RPG serve para escoliose?
A RPG pode ajudar a flexibilizar as cadeias, melhorar a consciência postural e reduzir a dor associada, sobretudo em curvas leves a moderadas e em conjunto com fortalecimento. Ela não endireita uma curva estrutural de forma definitiva. Veja a página sobre escoliose.
RPG serve para hérnia de disco?
Pode entrar para reduzir a tensão da cadeia posterior e melhorar a tolerância ao movimento, mas não atua sobre o disco em si. Quando há dor que desce pela perna, formigamento ou fraqueza, a prioridade é a avaliação médica, como no guia de tratamento de lombalgia.
RPG é boa para dor nas costas?
Pode ajudar na dor nas costas de componente postural e de encurtamento, dentro de um plano que inclua fortalecimento. Não é superior, por si só, a um bom programa de exercício; o melhor resultado costuma vir da combinação.
Quantas sessões de RPG são necessárias?
Em geral, 1 a 2 sessões por semana, em ciclos de 8 a 10 sessões antes de reavaliar. O alívio é progressivo e depende de constância; o número total varia conforme o quadro e a resposta de cada pessoa.
A RPG dói?
As posturas pedem esforço e podem causar desconforto e cansaço muscular durante e nos primeiros dias após a sessão, o que é esperado. Dor intensa ou que piora deve ser comunicada ao fisioterapeuta para ajuste do plano.
Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Gonzalez-Medina G, Perez-Cabezas V, Ruiz-Molinero C, Chamorro-Moriana G, Jimenez-Rejano JJ, Galan-Mercant A. Effectiveness of Global Postural Re-Education in Chronic Non-Specific Low Back Pain: Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med. 2021;10(22):5327. acessar
- Ferreira GE, Barreto RGP, Robinson CC, Plentz RDM, Silva MF. Global Postural Reeducation for patients with musculoskeletal conditions: a systematic review of randomized controlled trials. Braz J Phys Ther. 2016;20(3):194 a 205. acessar
- Pillastrini P, Mendes Fernandes T, Banchelli F, Burioli A, Di Ciaccio E, Guccione AA, et al. Effectiveness of Global Postural Re-education in Patients With Chronic Nonspecific Neck Pain: Randomized Controlled Trial. Phys Ther. 2016;96(9):1408 a 1416. acessar
- Mendes Fernandes T, Mendez-Sanchez R, Puente-Gonzalez AS, Martin-Vallejo FJ, Falla D, Vila-Cha C. A randomized controlled trial on the effects of Global Postural Re-education versus neck specific exercise on pain, disability, postural control, and neuromuscular features in women with chronic non-specific neck pain. Eur J Phys Rehabil Med. 2023;59(1):42 a 53. acessar
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Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação da RPG, a escolha entre ela e outras formas de exercício e a definição de quantos ciclos fazem sentido dependem do diagnóstico e são individualizadas em consulta.
