CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

Agendar avaliação
Cefaleia e tontura · Dor facial

Sinusite dá tontura e enjoo?

A sinusite pode dar uma tontura leve, de ouvido tampado, que melhora com o nariz; a vertigem que gira vem do labirinto ou do pescoço, e a “sinusite” que sempre volta com enjoo costuma ser enxaqueca.

Resposta direta
  • Pode dar, mas costuma ser uma tontura leve: cabeça aérea, ouvido tampado e, às vezes, enjoo. Ela vem da congestão que fecha o canal do ouvido e do catarro que desce pela garganta, e melhora junto com o nariz, em geral em 7 a 10 dias. Hoje: lavagem nasal com soro 1 a 2 vezes ao dia, água e movimentos de engolir e bocejar. Se o ambiente gira ou a tontura passa de 10 dias, marque consulta. Olho inchado, visão dupla, fala enrolada ou fraqueza de um lado: pronto-socorro.
  • A maior parte das “crises de sinusite” recorrentes, sem secreção purulenta nem obstrução, é na verdade enxaqueca ou cefaleia, mal rotulada de sinusite. É um sobrediagnóstico clássico.
  • Tontura ou vertigem verdadeira pede outro raciocínio: a causa costuma ser vestibular (labirinto, avaliada pelo otorrino ou neurologista) ou cervicogênica (do pescoço), e não dos seios da face.
  • Rinossinusite com secreção, obstrução e febre deve ser avaliada pelo otorrinolaringologista. Aqui tratamos a dor facial, a enxaqueca e a tontura de origem cervical, e o tratamento pode começar no dia da consulta.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação médica

Agende uma avaliação com a nossa equipe médica. Diagnóstico e tratamento especializado, em São Paulo.

Atendimento particular · muitos planos reembolsam a consulta: veja como funciona.

O que a sinusite realmente causa

Sinusite, hoje chamada de rinossinusite porque a inflamação envolve nariz e seios da face ao mesmo tempo, é a inflamação da mucosa que reveste os seios paranasais. Tem mecanismo e sintomas bem definidos, e tontura e enjoo não estão entre os principais.

Os seios paranasais são quatro pares de cavidades aeradas, forradas por uma mucosa que produz muco e o transporta sempre em direção a uma abertura natural e estreita, o óstio. Os seios maxilares (os maiores), etmoidais (um labirinto de células finas entre os olhos) e frontais drenam por uma via comum, o complexo ostiomeatal; os esfenoidais, mais posteriores, drenam para o recesso esfenoetmoidal. As paredes desses seios fazem fronteira direta com a órbita (a lâmina papirácea do etmoide é fina como papel) e, no esfenoide, com a base do crânio, o seio cavernoso e o nervo óptico, o que explica por que uma infecção que se complica pode chegar ao olho.

A doença começa quando uma inflamação da mucosa, em geral viral após um resfriado (rinovírus, influenza, coronavírus sazonais), provoca edema e secreção. Esse edema estreita ou oclui o óstio, justamente onde o canal de drenagem já é estreito, e interrompe o transporte mucociliar. O muco fica retido, a pressão e a tensão de oxigênio dentro do seio caem, e esse ambiente de estase favorece a proliferação de bactérias da própria flora respiratória.

É essa sequência, edema, obstrução do óstio e estase de secreção, que define a rinossinusite. Por isso o tratamento mira a desobstrução e o controle da inflamação.

O tempo separa as formas. A rinossinusite aguda dura menos de doze semanas e quase sempre é viral (o chamado resfriado comum), que se resolve sozinha em sete a dez dias. Suspeita-se de rinossinusite bacteriana aguda, que é a minoria, quando há sinais específicos: sintomas que duram mais de dez dias sem melhora, quadro intenso com febre alta e secreção purulenta por três a quatro dias, ou a chamada dupla piora (o paciente melhora do resfriado e, em seguida, piora de novo).

A rinossinusite crônica é definida por sintomas que persistem por doze semanas ou mais, muitas vezes ligada a fatores como pólipos nasais, alergia ou desvio de septo. Há ainda a rinossinusite alérgica, em que a inflamação da mucosa é dirigida por alérgenos (ácaros, pólen), com obstrução, coriza clara, espirros e prurido nasal e ocular.

Em todas essas formas, os critérios usados pelos otorrinolaringologistas (consenso europeu, o EPOS) exigem dois ou mais sintomas, sendo pelo menos um deles obstrução nasal ou secreção (anterior, ou gotejamento posterior pela garganta). A esses se somam, com frequência, pressão ou dor na face e redução ou perda do olfato (hiposmia ou anosmia). Repare que tontura, vertigem e enjoo não fazem parte dessa lista. Isso não quer dizer que quem tem sinusite nunca se sinta tonto ou enjoado, mas significa que, quando a queixa principal é tontura ou vertigem, a sinusite raramente é a explicação direta.

Mito

“Toda vez que sinto pressão na testa e fico tonto, é a minha sinusite voltando.”

Fato

Pressão facial recorrente, sem obstrução do nariz nem secreção purulenta, é com mais frequência enxaqueca. E a tontura associada quase sempre tem causa própria, vestibular ou cervical, que precisa ser investigada à parte.

O elo entre sinusite, tontura e enjoo

Se tontura e enjoo não são sintomas centrais da rinossinusite, por que tanta gente os associa? Porque existe um elo, mas ele é indireto e tem mecanismos concretos, que vale a pena explicar para não trocar uma causa pela outra. O ponto-chave: a rinossinusite pode contribuir para uma sensação de cabeça leve, desequilíbrio e náusea, mas a vertigem rotatória verdadeira (a sensação de que o ambiente gira) quase sempre tem causa vestibular, no labirinto, e não no seio da face.

O caminho mais relevante passa pela tuba auditiva (trompa de Eustáquio), o canal que conecta a parte de trás do nariz (rinofaringe) ao ouvido médio e equaliza a pressão atrás do tímpano. Em repouso a tuba fica fechada; ela se abre por instantes ao engolir e ao bocejar, pela contração do músculo tensor do véu palatino. Na rinossinusite e na rinite, o edema da mucosa nasal e a congestão se estendem ao óstio faríngeo da tuba e prejudicam essa abertura ativa, a chamada disfunção tubária. Sem ventilação, a mucosa do ouvido médio reabsorve o ar e cria uma pressão negativa atrás do tímpano; com o tempo, pode acumular líquido e instalar uma otite média serosa (com derrame).

O resultado é plenitude auricular (ouvido “tampado”), audição abafada por uma perda condutiva discreta e uma sensação de desequilíbrio e cabeça leve, que as pessoas chamam de “tontura”. Repare que essa é uma tontura de pressão e de orelha média, não uma vertigem do labirinto: ela acompanha a manobra de Valsalva e melhora quando a congestão cede e a tuba volta a abrir.

Há ainda outros elos indiretos. A congestão nasal intensa e a respiração bucal prejudicam o sono e geram fadiga, o que por si só produz tontura inespecífica. A dor e a pressão facial de uma crise, somadas a febre e mal-estar de uma infecção aguda, alimentam náusea e indisposição. O gotejamento pós-nasal (secreção que escorre pela garganta) pode irritar e provocar enjoo, sobretudo ao deitar.

E, em uma fração dos casos, descongestionantes e o próprio quadro infeccioso contribuem para o mal-estar. Tudo isso é real, mas é inespecífico: vem do conjunto do quadro, sem ligação anatômica direta entre o seio e o sistema do equilíbrio. Para a ânsia de vômito ao deitar, ajuda lavar o nariz antes de dormir e elevar a cabeceira. A infecção também dá fraqueza geral e cansaço; fraqueza de um lado do corpo é outra coisa e vai ao pronto-socorro.

Por que a vertigem rotatória verdadeira aponta para o labirinto? Porque a sensação de giro nasce do aparelho vestibular do ouvido interno: os três canais semicirculares, que detectam a rotação da cabeça, e os órgãos otolíticos (utrículo e sáculo), que detectam a aceleração linear e a gravidade. Esses sinais alimentam o reflexo que estabiliza o olhar quando a cabeça se move. Quando há um descompasso entre os dois labirintos, o cérebro interpreta como giro e dispara nistagmo (olhos que batem para um lado) e náusea.

Nada disso depende dos seios da face, e a extensão direta de uma rinossinusite para essas estruturas é rara e grave. A labirintite (inflamação do labirinto) é um quadro distinto; a sinusite não “vira” labirintite, embora ambas possam surgir no contexto de uma infecção das vias aéreas. As complicações verdadeiras de uma rinossinusite, como a disseminação para a órbita ou para o sistema nervoso central, são incomuns e se anunciam por sinais de alarme (descritos adiante), não por uma tontura isolada. Por isso a regra prática é simples: tontura ou vertigem como queixa principal pede investigação própria, vestibular ou cervical, e não é explicada pela sinusite.

Elo indireto (existe)

Pressão e congestão

Disfunção da tuba auditiva, ouvido “tampado”, sono ruim, dor facial e gotejamento pós-nasal geram cabeça leve, desequilíbrio e náusea inespecíficos. Melhoram quando a congestão cede.

Elo direto (raro/ausente)

Vertigem que gira

A vertigem rotatória verdadeira aponta para o labirinto, não para o seio da face. A sinusite não causa vertigem rotatória nem “vira” labirintite; isso pede avaliação do otorrino.

Dois tipos de tontura com o mesmo apelido

A maior parte dos textos responde “sim” ou “não” em bloco, e os dois extremos enganam: existem dois fenômenos diferentes com o mesmo apelido. A sinusite pode, sim, deixar a cabeça leve e o estômago enjoado, por congestão, pressão e ouvido tampado, e isso passa quando o nariz desobstrui. Mas a tontura de ambiente girando quase nunca é do seio da face: ela nasce no ouvido interno, e tratar o nariz não a resolve. O erro caro é juntar as duas: a pessoa repete antibiótico e lavagem por meses para uma vertigem que era do labirinto ou do pescoço, e o diagnóstico certo só atrasa. A regra prática é casar o tipo de tontura com a causa, mesmo quando o rótulo mais familiar é sinusite.

O grande engano: “sinusite” que é enxaqueca

Este é um dos enganos mais comuns na prática clínica. Muita gente recebe, ao longo de anos, o rótulo de “sinusite crônica” ou “sinusite que sempre volta” para crises de dor e pressão na face, na testa e ao redor dos olhos. Quando se investiga com cuidado, boa parte desses casos não tem sinusite nenhuma: tem enxaqueca ou outra cefaleia primária.

A confusão tem uma explicação neurológica concreta. A dor da enxaqueca depende do sistema trigeminovascular: a ativação do nervo trigêmeo (V par craniano), que inerva a face e os vasos das meninges, e a liberação de substâncias inflamatórias do próprio nervo, como o CGRP. Esse mesmo arco aciona, por um reflexo parassimpático que passa pelo gânglio esfenopalatino, sintomas autonômicos no mesmo lado da dor: congestão nasal, coriza clara, lacrimejamento e sensação de nariz entupido (os chamados sintomas autonômicos cranianos). Para quem sente isso, a leitura intuitiva é “meu nariz está congestionado e minha testa dói, logo é sinusite”.

O estudo SAMS (Schreiber, 2004) e outros que avaliaram pessoas com autodiagnóstico ou diagnóstico prévio de “sinusite” mostraram que a grande maioria, sem secreção purulenta nem achados de imagem, na verdade preenchia os critérios da Classificação Internacional das Cefaleias para enxaqueca ou cefaleia tipo tensional. A pressão na face é real; o rótulo é que está errado.

A diferença prática é enorme, porque muda o tratamento. A “dor de sinusite” que é enxaqueca não melhora com antibiótico nem com lavagem nasal: melhora quando a enxaqueca é tratada como enxaqueca. Por isso vale conhecer as pistas que separam um quadro do outro.

Rinossinusite verdadeira x enxaqueca rotulada de “sinusite”
PistaRinossinusiteEnxaqueca / cefaleia
Secreção nasalEspessa, muitas vezes amarelada ou esverdeada, abundanteAusente ou clara e escassa (autonômica)
Obstrução do narizMarcante, sustentada por diasSensação de entupimento que vem e vai com a crise
OlfatoCostuma reduzir ou sumirPreservado
Caráter da dorPressão, peso, piora ao abaixar a cabeçaLatejante, em geral de um lado, piora com luz, som e movimento
Náusea e sensibilidade a luz/somPouco frequentesMuito sugestivas, marcas da enxaqueca
PadrãoEpisódio definido, em geral após resfriado, com febre possívelRecorrente, repetindo o mesmo padrão por anos, sem febre
Pérola clínica

Dor facial recorrente que vem com náusea, incômodo com a luz e melhora num quarto escuro e silencioso é enxaqueca até prova em contrário, mesmo que a pessoa sinta o nariz congestionado. A entrevista clínica detalhada vale mais que a tomografia para esse diagnóstico. Entenda melhor na página sobre enxaqueca: o que é, causas e tratamentos.

De onde vem a tontura, se não é da sinusite

Quando a queixa é mesmo de tontura, o primeiro passo é separar o que a pessoa quer dizer com a palavra, porque “tontura” agrupa sensações diferentes, com causas diferentes. A entrevista cuidadosa orienta toda a investigação.

  • Vertigem. Sensação rotatória, de que você ou o ambiente giram. Aponta com força para causa vestibular, no labirinto ou nas vias do equilíbrio.
  • Desequilíbrio. Sensação de instabilidade ao andar ou ficar de pé, como se fosse cair, sem giro.
  • Pré-síncope. Sensação de desmaio iminente, “vista escurecendo”, ligada à circulação e à pressão arterial.
  • Tontura inespecífica. “Cabeça leve” ou “zonza”, muitas vezes associada a ansiedade, sono ruim ou tensão cervical.

As causas verdadeiras de tontura e vertigem raramente passam pelos seios da face, e cada uma tem um exame que a confirma. A mais comum é a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): pequenos cristais de carbonato de cálcio (otocônia) que se soltam do utrículo e migram para um dos canais semicirculares, na maioria das vezes o canal semicircular posterior. Cada mudança de posição da cabeça desloca os cristais e provoca vertigem de segundos ao virar na cama ou olhar para cima. Confirma-se com a manobra de Dix-Hallpike (que reproduz a vertigem e um nistagmo típico) e trata-se com manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, que reconduzem os cristais de volta ao utrículo, em geral sem nenhum remédio.

Outras causas frequentes são a neurite vestibular (vertigem aguda e sustentada por dias, em geral pós-viral, com teste de impulso cefálico alterado de um lado), a doença de Ménière (crises de vertigem com zumbido, plenitude e perda auditiva flutuante), a vestibulopatia medicamentosa e circulatória, e a tontura cervicogênica, ligada à disfunção da coluna cervical alta. Avaliar isso é papel do otorrinolaringologista e, quando há sinais de alerta neurológicos, do neurologista. Veja o panorama completo das causas na página muita tontura: pode ser o quê?.

Diante de uma vertigem aguda e contínua, a pergunta clínica decisiva é separar a causa periférica (labirinto, em geral benigna) da central (tronco encefálico ou cerebelo, que pode ser um AVC). À beira do leito, um conjunto de testes dos olhos e da marcha ajuda nessa distinção, e um resultado de causa central muda a conduta para uma investigação de urgência no pronto-socorro: vertigem com fala enrolada, visão dupla ou desequilíbrio para andar vai direto para lá.

A tontura cervicogênica, que se liga à dor

Há um tipo de tontura que se conecta diretamente ao trabalho da clínica: a tontura cervicogênica. A coluna cervical alta (segmentos C1 a C3) é cheia de sensores de posição, sobretudo na musculatura suboccipital (reto posterior maior e menor, oblíquos), na base do crânio. Esses sinais se somam aos do labirinto e da visão para construir o senso de equilíbrio. Quando há disfunção cervical, dor miofascial e perda de mobilidade nesses segmentos, a informação fica distorcida e entra em conflito com a do labirinto e a da visão.

O resultado é uma sensação de instabilidade e desorientação, em geral acompanhada de dor e rigidez no pescoço, que piora com a postura mantida e com o movimento da cabeça. Essa mesma convergência de sinais da nuca explica por que a disfunção cervical alta também alimenta a cefaleia cervicogênica e a enxaqueca. Depois de um resfriado com dias de cama e pescoço travado, essa tontura com dor na nuca é comum.

A tontura cervicogênica costuma ser uma sensação de “flutuar” ou de desequilíbrio, não a vertigem rotatória clássica, e anda junto com o quadro cervical. É um diagnóstico de exclusão: confirma-se depois de afastadas as causas vestibulares e neurológicas, em geral com o otorrino. Quando esse é o quadro, faz sentido tratar o pescoço. Os critérios e os sintomas dessa forma de tontura estão detalhados na página sobre tontura cervical: sintomas.

Vestibular (otorrino)

Gira o ambiente

Vertigem rotatória, desencadeada por movimentos da cabeça na cama, às vezes com zumbido ou alteração auditiva. Investigação otorrinolaringológica.

Cervicogênica (dor)

Sensação de flutuar

Desequilíbrio associado a dor e rigidez no pescoço, que piora com a postura e o movimento cervical. Aqui a reabilitação da coluna cervical entra.

Sinais de alerta

A maioria dos quadros de dor facial e de tontura é benigna, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam para causas que mudam a conduta. No caso específico da rinossinusite, a preocupação é a sinusite complicada: a inflamação que rompe os limites do seio através das paredes finas que ele divide com a órbita e o crânio. São quadros incomuns, mas configuram emergência, e os sinais são razoavelmente típicos. Na tontura, a preocupação é o AVC que se disfarça de labirintite.

Marque o que você sente

  • Inchaço e vermelhidão da pálpebra, dor ao redor do olho, olho projetado para fora, dor ao mover o olho, visão dupla ou queda da acuidade visual num quadro de sinusite: a infecção pode ter chegado ao olho.
  • Dor de cabeça intensa e progressiva com febre alta, rigidez de nuca, confusão mental, sonolência, convulsão ou um inchaço mole na testa.
  • Tontura ou vertigem que vem de repente com fraqueza ou dormência de um lado, fala arrastada, rosto torto, visão dupla, dificuldade para andar ou descoordenação: pode ser AVC.
  • A pior dor de cabeça da vida, súbita e explosiva.
  • Perda auditiva súbita de um lado.
  • O ambiente gira ao deitar, virar na cama ou olhar para cima.
  • Tontura que passa de 10 dias, que volta sem nariz entupido ou que já causou queda.
  • Sintomas de sinusite por mais de 10 dias, febre alta com secreção purulenta por 3 a 4 dias ou piora depois de começar a melhorar.
  • Dor de cabeça que muda de padrão, piora progressivamente, acorda você à noite ou começou depois dos 50 anos.
  • Ouvido tampado que continua depois que o nariz desentupiu.

Nada marcado? É a tontura leve da congestão. Siga a lavagem nasal e os cuidados da ficha “Como aliviar” por 7 a 10 dias; ela deve sumir junto com o nariz.

Marcou um ou dois? Marque consulta para as próximas 1 a 2 semanas: com o otorrino se o ambiente gira, se o ouvido segue tampado ou se a sinusite passou de 10 dias; aqui, se a dor de cabeça mudou de padrão ou a tontura vem com o pescoço duro.

Marcou item em destaque? Pronto-socorro agora ou ligue 192. Três ou mais, nenhum em destaque? Consulta nesta semana; avise ao agendar, porque vários sinais juntos pedem prioridade.

Esses sinais exigem o especialista certo com rapidez, seja o otorrinolaringologista, seja o neurologista, seja o pronto-atendimento. Na ausência deles, a rinossinusite não complicada é conduzida no consultório pelo otorrino, e a dor facial de fundo de enxaqueca e a tontura de origem cervical costumam responder bem a um plano de 4 a 8 semanas, descrito abaixo.

Assista: Enxaqueca dá tontura? Enxaqueca dá náuseas? Quando me preocupar?

Tratamento: da rinossinusite à dor facial e à tontura

Homem deitado de olhos fechados recebendo agulhas finas de acupuntura na região da testa e do couro cabeludo.
A acupuntura na face e no couro cabeludo pode integrar o tratamento dos sintomas associados à sinusite, sempre dentro de um plano clínico.

O tratamento certo depende do diagnóstico certo, e aqui há dois territórios. O primeiro é a rinossinusite propriamente dita, conduzida pelo otorrinolaringologista: vale conhecer como ela é manejada, porque é isso que resolve a obstrução, a secreção e a pressão facial, destampa o ouvido e leva junto a tontura leve e o enjoo. O segundo é a cefaleia e a dor facial (incluindo a enxaqueca tantas vezes confundida com sinusite) e a tontura de origem cervical, que tratamos aqui, com base em exercício e reabilitação.

Nenhuma intervenção isolada costuma resolver sozinha: a escolha e a ordem dependem do quadro e da resposta. Para aliviar hoje, vá direto para Como aliviar a tontura e o enjoo.

O que o otorrino costuma usar na sinusite

Quem trata a sinusite é o otorrino. Estas são as medidas que ele costuma usar; dose, escolha e duração cabem a ele.

Tratamento da rinossinusite
MedidaPara que serveCuidados
Lavagem nasal com solução salinaIrrigação das fossas nasais com solução salina (isotônica ou hipertônica), feita com seringa ou frasco compressível; é medida de primeira linha em praticamente todas as formas de rinossinusite. Remove mecanicamente muco espesso, crostas e alérgenos e hidrata a mucosa; a solução hipertônica ainda reduz o edema local por osmose, ajudando a desobstruir o complexo ostiomeatal. Alívio sintomático gradual ao longo de dias a semanas de uso regular (uma a duas vezes ao dia); mantém-se enquanto houver inflamação ativa. Útil também antes do corticoide nasal, para limpar a mucosa.Usar água fervida e resfriada, filtrada ou destilada (nunca água da torneira sem tratamento) e higienizar o dispositivo. Sozinha, não trata uma infecção bacteriana.
Corticoide nasal (budesonida, mometasona, fluticasona, triancinolona)É o pilar farmacológico da rinossinusite crônica e da rinite alérgica, e adjuvante na forma aguda. Ação anti-inflamatória local que reduz o edema da mucosa e a produção de muco, desobstruindo os óstios de drenagem. Por agir topicamente, em dose baixa, tem absorção sistêmica pequena. O benefício costuma se estabelecer ao longo de uma a duas semanas de uso contínuo.Ardência, ressecamento e sangramento nasal leve são comuns; raramente perfuração septal com uso prolongado e técnica incorreta. Jato direcionado para a lateral do nariz. Não confundir com o corticoide oral, reservado a situações selecionadas (por exemplo, polipose) por curtos períodos.
Analgésicos e anti-inflamatórios (paracetamol, dipirona, ou anti-inflamatórios não esteroidais como ibuprofeno)Dor facial e febre da rinossinusite aguda, por períodos curtos. Não encurtam a doença viral, mas melhoram o conforto.Anti-inflamatórios pedem cautela em gastrite, doença renal, hipertensão e em idosos. A automedicação prolongada para “dor de sinusite” recorrente, que costuma ser enxaqueca, pode levar à cefaleia por uso excessivo de analgésicos.
Descongestionantes (oximetazolina, nafazolina; oral: pseudoefedrina)Alívio rápido, mas apenas sintomático, da obstrução nasal intensa na fase aguda; podem aliviar também a sensação de ouvido “tampado” ao reduzir a congestão em torno da tuba auditiva.O uso tópico deve ficar limitado a três a cinco dias: usado por mais tempo, causa rinite medicamentosa (congestão de rebote). Os orais podem elevar a pressão arterial e atrapalhar o sono.
Antibiótico, apenas quando a sinusite é bacterianaA maioria das rinossinusites agudas é viral e não se beneficia de antibiótico: ele age sobre as bactérias, não sobre vírus. Por isso só é indicado quando o quadro preenche critérios de provável origem bacteriana: sintomas por mais de dez dias sem melhora, quadro grave com febre alta e secreção purulenta por três a quatro dias, ou dupla piora. A primeira linha habitual é a amoxicilina, isolada ou associada ao clavulanato.Em rinossinusite aguda não selecionada, o benefício do antibiótico sobre placebo é pequeno e a maioria melhora espontaneamente; o uso indiscriminado aumenta efeitos adversos e resistência bacteriana. Por isso os consensos recomendam a espera vigilante em casos leves. Diarreia, náusea e alergias são os efeitos mais comuns; não se deve guardar ou repetir antibiótico por conta própria.
Antialérgicos de segunda geração (loratadina, desloratadina, cetirizina, fexofenadina)Reduzem espirros, coriza e prurido quando há componente alérgico, junto com o corticoide nasal e o controle ambiental (ácaros, pólen); em casos selecionados, imunoterapia indicada pelo especialista.Os de primeira geração causam sonolência e devem ser evitados.

Como aliviar a tontura e o enjoo da sinusite

O que é
Abordagem da tontura, do ouvido tampado e da náusea que acompanham a congestão, dirigida à causa. Quando a tontura vem da disfunção tubária e da pressão do ouvido médio, o eixo é descongestionar e tratar a inflamação nasal (lavagem salina, corticoide nasal, controle da alergia, descongestionante por curto prazo), associando manobras de equalização da tuba auditiva e reavaliação pelo otorrino se persistir.
Em casa
Engolir e bocejar várias vezes ao dia; manobra de Valsalva suave (soprar com o nariz tampado e a boca fechada, sem força) ou a de Toynbee (engolir com o nariz tampado); lavagem nasal antes de deitar e cabeceira elevada para a ânsia de vômito; água ao longo do dia.
Como age
Ao reduzir o edema em torno da entrada da tuba auditiva, restabelece-se a aeração e o equilíbrio de pressão no ouvido médio, o que costuma resolver a sensação de ouvido “tampado” e o desequilíbrio associado. A náusea ligada à dor, à febre e ao gotejamento pós-nasal cede conforme o quadro agudo melhora.
O que esperar
Melhora junto com a resolução da congestão, em geral em 7 a 10 dias. Tontura ou vertigem que persiste depois que o nariz desobstruiu, ou que tem caráter rotatório, deixa de ser atribuível à sinusite e pede investigação com o otorrino. Ouvido tampado com o nariz livre pode vir da mandíbula ou dos músculos do pescoço: veja pressão na cabeça e ouvido.
Indicações
Cabeça leve e ouvido tampado no contexto de congestão; náusea inespecífica da fase aguda.
Limitações
Não se deve usar remédio para labirinto (como anti-histamínicos sedativos do tipo dimenidrinato ou a betaistina) de forma prolongada para “tontura de sinusite”. Além de mascarar o sintoma e atrasar o diagnóstico de uma causa vestibular verdadeira, o uso prolongado desses remédios prejudica a compensação vestibular central, o processo pelo qual o cérebro se readapta. Quando há de fato um componente vestibular, o caminho costuma ser a reabilitação vestibular (exercícios de estabilização do olhar e de habituação).

O que a clínica de dor trata: cefaleia, dor facial e tontura cervical

Fechado o território do otorrino, fica o que de fato nos compete. Boa parte da “dor de sinusite” recorrente, sem secreção nem obstrução, é enxaqueca; e parte da tontura é cervicogênica. Para esses quadros, a base é a reabilitação ativa, somada à acupuntura e, quando indicado, a procedimentos e ao manejo medicamentoso da enxaqueca, nesta ordem:

Nariz primeiro: 7 a 10 dias

Lavagem nasal, os cuidados da ficha acima e o tratamento do otorrino. A tontura leve e o enjoo devem sumir com a congestão. Suba de degrau se passar de 10 dias, se o ambiente gira ou se a dor volta sem nariz entupido.

Diagnóstico correto na consulta

Separar rinossinusite (otorrino) de enxaqueca/cefaleia, e tontura vestibular (otorrino/neuro) de tontura cervicogênica. O tratamento depende disso e pode começar no mesmo dia.

Tratar a causa: 4 a 8 semanas

Reabilitação cervical com o fisioterapeuta, 1 a 2 vezes por semana, exercícios em casa, acupuntura para a enxaqueca e a náusea, e o remédio da crise. Suba de degrau se a frequência das crises e a instabilidade não caírem.

Sem resposta: rever o diagnóstico

Na enxaqueca que segue frequente, remédio preventivo e, na enxaqueca crônica, toxina botulínica. Na dor que sobe da nuca para a cabeça, bloqueio do nervo occipital (veja neuralgia occipital).

Reabilitação cervical e exercício: a base

Tanto na cefaleia cervicogênica quanto na tontura cervical, a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança é a reabilitação ativa. O foco é o controle da coluna cervical alta: ativação dos flexores profundos do pescoço (a chamada flexão craniocervical), estabilização das escápulas, ganho de mobilidade e fortalecimento progressivo, com terapia manual como adjuvante. A flexão craniocervical costuma começar com 8 a 12 repetições de 10 segundos, 1 a 2 vezes ao dia; o fisioterapeuta ajusta na consulta. Na tontura cervicogênica, somam-se exercícios de reposicionamento e de coordenação cervical, que recalibram a informação de posição distorcida que gera a sensação de instabilidade.

O mecanismo é direto: ao melhorar a entrada de sinais de posição vinda de um pescoço menos dolorido e mais móvel, reduz-se o conflito sensorial que produz a tontura. Na clínica, o atendimento de reabilitação é individual, um paciente por sala, 1 a 2 vezes por semana. A resposta é gradual, ao longo de 4 a 8 semanas, e o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências.

Acupuntura e eletroacupuntura

O que é
Inserção de agulhas finas em pontos definidos; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas. Pode começar no dia da consulta.
Para que serve aqui
Dois alvos concretos. O primeiro é a enxaqueca tantas vezes rotulada de “sinusite”: há evidência moderada de que a acupuntura reduz a frequência das crises, com recomendação de diretrizes internacionais como opção de prevenção, e pontos do segmento crânio-cervical somam-se ao tratamento da dor cervical crônica que sustenta a tontura cervicogênica. O segundo é a náusea: o estímulo do ponto PC6 (no antebraço, perto do punho) tem evidência razoável em enjoo pós-operatório, o que pode ser útil quando o enjoo acompanha a crise de dor de cabeça, justamente a queixa que muita gente atribui à sinusite.
Como é feita
Para o componente miofascial cervical, agulha-se a musculatura suboccipital e o trapézio superior que referem dor para a testa e a face. O número de sessões e a escolha dos pontos saem da consulta e do que predomina: enxaqueca, tensão cervical ou enjoo.
O que esperar
De 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, com reavaliação na 3ª a 4ª. O alívio tende a ser progressivo e cumulativo, e a acupuntura entra como parte do plano, ao lado da reabilitação cervical. A acupuntura praticada na clínica segue a linha de ensino e pesquisa do Grupo de Dor do HC-FMUSP.
Limitações
Não trata a sinusite nem a vertigem do labirinto. Pode deixar pequenos hematomas e sonolência depois da sessão.
Revisão sistemática · diretrizEvidência moderada

Acupuntura na profilaxia da enxaqueca

Revisões sistemáticas e diretrizes apontam que a acupuntura pode reduzir a frequência das crises de enxaqueca, com perfil de segurança favorável, sendo uma opção quando se busca alternativa ou complemento à medicação preventiva. A magnitude do efeito varia entre estudos e a indicação depende do quadro individual.

Ver referências →

Manejo medicamentoso da enxaqueca

Quando a “dor de sinusite” recorrente se confirma como enxaqueca, o manejo medicamentoso tem papel central e é conduzido pelo médico, em dois eixos. Para a crise, analgésicos e anti-inflamatórios e, em casos selecionados, os triptanos (sumatriptana, naratriptana), limitando a frequência de uso para não induzir a cefaleia por uso excessivo de medicação. Para a prevenção, quando as crises são frequentes, betabloqueadores (propranolol), o antidepressivo tricíclico amitriptilina em dose baixa (faixa habitual de 10 a 25 mg ao deitar, com ajuste conforme tolerância), ou o antiepiléptico topiramato e, em casos refratários, os anticorpos monoclonais anti-CGRP. Nomes, doses e cuidados estão no guia de remédios para dor de cabeça.

Conforme o diagnóstico, o caminho muda
QuadroQuem avalia e trataO que a clínica de dor faz
Rinossinusite (secreção, obstrução, febre)OtorrinolaringologistaNão trata; encaminha ao otorrino
Enxaqueca / cefaleia (“sinusite” mal rotulada)Médico da dor, fisiatra, neurologistaManejo da enxaqueca, acupuntura, reabilitação cervical
Vertigem vestibular (VPPB, labirintite)Otorrinolaringologista, neurologistaNão trata a causa; encaminha
Tontura cervicogênicaMédico da dor, fisiatra (após excluir o vestibular)Reabilitação cervical, acupuntura, agulhamento seco
Semana 1 a 2

Diagnóstico e controle inicial

Definir a causa (e encaminhar ao otorrino quando indicado), ajustar postura e sono, iniciar mobilidade cervical e o manejo da crise.

Semana 3 a 6

Progressão

Fortalecimento, reabilitação cervical e técnicas em clínica. A frequência das dores e a sensação de instabilidade costumam começar a ceder.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e consideram-se procedimentos ou nova investigação com o especialista.

Medimos a frequência das crises de dor de cabeça por mês (um diário de cefaleia ajuda a ver se a “sinusite recorrente” responde como enxaqueca), a intensidade da dor facial numa escala de 0 a 10 e o quanto a tontura ainda limita virar a cabeça, dirigir ou descer escadas. Se em seis semanas a dor não cede e a instabilidade persiste, o passo seguinte é revisar o próprio diagnóstico: confirmar com o otorrino se há sinusite ativa ou causa vestibular escapando, reavaliar se a dor é mesmo enxaqueca e ajustar o eixo do tratamento de acordo. A meta é reduzir a frequência e a intensidade das crises e devolver estabilidade e função.

Da prática clínica

Quando alguém chega dizendo que a “sinusite dá tontura”, a sensação descrita quase sempre é de cabeça leve, nebulosa, “embarcada”, e vem junto com nariz entupido e ouvido tampado, raramente o ambiente girando de verdade. Por isso a primeira pergunta vale mais que qualquer exame: peço a pessoa para descrever a tontura sem usar a palavra “tontura”, e o relato costuma separar sozinho o que é pressão e congestão do que é labirinto, pescoço ou enxaqueca. O que mais surpreende quem chega é descobrir que a “sinusite que sempre volta”, com peso na testa e enjoo, era enxaqueca o tempo todo, e que melhora tratando enxaqueca. Casar o tipo de tontura com a causa certa é o que mais muda o rumo do tratamento.

Como avaliamos a tontura e a dor facial aqui

Na consulta, o médico testa o equilíbrio e os movimentos dos olhos, pergunta pelo padrão da dor de cabeça (luz, barulho, náusea) e palpa a nuca e os músculos do pescoço. Se há sinusite ativa ou vertigem do labirinto, você sai com o encaminhamento ao otorrino e o prazo. Se a dor é enxaqueca ou a tontura vem do pescoço, o tratamento começa no mesmo dia: a acupuntura ou o agulhamento seco podem ser feitos na própria consulta, e a reabilitação segue com o fisioterapeuta da equipe, em sala individual.

Reavaliamos em 3 a 6 semanas. Atendimento particular, com recibo para reembolso.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Mulher deitada de olhos fechados enquanto mãos posicionam agulhas finas de acupuntura na região frontal da cabeça.
O agulhamento é feito com a paciente relaxada e o profissional guiando cada ponto, sem o desconforto que muitos imaginam.

Sinusite dá tontura?

Tontura não é um sintoma típico de sinusite. Quando aparece, costuma ser indireta: a congestão se estende à tuba auditiva (trompa de Eustáquio) e altera a pressão do ouvido médio, gerando ouvido “tampado” e sensação de cabeça leve; somam-se sono ruim, dor e febre da fase aguda. Essa tontura melhora quando a congestão cede, em geral em 7 a 10 dias. Já a vertigem rotatória verdadeira, em que o ambiente gira, aponta para o labirinto, não para o seio da face, e precisa ser investigada à parte, em geral pelo otorrino.

Sinusite dá enjoo?

O enjoo não é sintoma central da sinusite. Pode aparecer de forma inespecífica numa infecção aguda com muita secreção que escorre pela garganta, febre e indisposição. Mas náusea junto com dor de cabeça latejante e incômodo com a luz é mais sugestiva de enxaqueca, que muitas vezes é confundida com sinusite.

Quais são os sintomas reais de sinusite?

Os sintomas centrais são obstrução nasal e secreção (pelo nariz ou pela garganta), somados com frequência a pressão ou dor na face e à redução do olfato. Na forma aguda, costuma vir depois de um resfriado, com secreção que pode ficar espessa e amarelada, dor que piora ao abaixar a cabeça e, às vezes, febre. Tontura, vertigem e enjoo não fazem parte dos critérios. O diagnóstico é do otorrinolaringologista.

Como sei se é sinusite ou enxaqueca?

A sinusite costuma trazer secreção espessa, obstrução marcante e perda de olfato, em geral após um resfriado. A enxaqueca traz dor latejante, em geral de um lado, com náusea e sensibilidade a luz e som, repetindo o mesmo padrão por anos, sem febre nem secreção purulenta. Muita “sinusite que sempre volta” é, na verdade, enxaqueca. A entrevista clínica detalhada esclarece a maioria dos casos.

A clínica trata sinusite?

Não. Rinossinusite é do domínio do otorrinolaringologista, que avalia e conduz o tratamento. O que tratamos é a cefaleia e a dor facial associadas, incluindo a enxaqueca tantas vezes rotulada de sinusite, e a tontura de origem cervical, com reabilitação, acupuntura e manejo da dor. Quando o quadro é de sinusite, encaminhamos ao especialista certo.

Tontura por causa do pescoço existe?

Sim, é a tontura cervicogênica. A coluna cervical alta envia ao cérebro informações de posição que se integram às do labirinto e da visão. Quando há disfunção e dor no pescoço, essa informação se distorce e gera uma sensação de instabilidade ou de flutuar, associada a dor e rigidez cervical. É um diagnóstico de exclusão, feito depois de afastadas as causas vestibulares, e responde à reabilitação da coluna cervical. Veja tontura cervical: sintomas.

Sinusite pode virar labirintite?

São quadros distintos e a sinusite não se transforma em labirintite. A labirintite é uma inflamação do labirinto, no ouvido interno, e a rinossinusite é dos seios da face; são estruturas e mecanismos diferentes. O que confunde é que ambas podem aparecer no contexto de uma infecção das vias aéreas. Se há vertigem rotatória de verdade, com ou sem alteração auditiva, quem avalia é o otorrinolaringologista.

Pressão no rosto e na cabeça é sempre sinusite?

Não. Pressão ou peso na testa, ao redor dos olhos e na face é uma queixa que se sobrepõe entre rinossinusite e enxaqueca, e por isso é tão confundida. Quando vem acompanhada de obstrução nasal marcante, secreção espessa e perda de olfato, sugere sinusite, do otorrino. Quando é recorrente, sem secreção purulenta, e vem com náusea ou incômodo com a luz, costuma ser enxaqueca. A diferenciação se faz pela entrevista clínica.

Quanto tempo dura uma sinusite?

De modo geral, a rinossinusite aguda viral melhora em 7 a 10 dias, acompanhando a resolução do resfriado que a precedeu. Mais de 10 dias sem melhora ou uma piora depois de melhorar pedem o otorrino; acima de 12 semanas, é rinossinusite crônica. Quando os sintomas se arrastam por mais tempo ou voltam com frequência, é preciso reavaliar o diagnóstico com o otorrinolaringologista, porque boa parte da “sinusite que nunca passa” é, na verdade, enxaqueca rotulada de sinusite. A avaliação define a causa e a conduta.

Prof. Dr. Hong Jin Pai
Sobre o autor
Prof. Dr. Hong Jin Pai
CRM-SP 36.399RQE 29.862

Médico com atuação em Acupuntura Médica, dor, ensino clínico e formação médica continuada. Diretor técnico da Clínica Dr. Hong Jin Pai.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Rosenfeld RM, et al. Clinical practice guideline (update): adult sinusitis. Otolaryngol Head Neck Surg. 2015;152(2 Suppl):S1-S39. acessar
  2. Cady RK, et al. Sinus headache: a neurology, otolaryngology, allergy, and primary care consensus on diagnosis and treatment. Mayo Clin Proc. 2005;80(7):908-916. acessar
  3. Fokkens WJ, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology. 2020;58(Suppl 29):1-464. acessar
  4. Schreiber CP, et al. Prevalence of migraine in patients with a history of self-reported or physician-diagnosed “sinus” headache. Arch Intern Med. 2004;164(16):1769-1772. acessar
  5. Linde K, et al. Acupuncture for the prevention of episodic migraine. Cochrane Database Syst Rev. 2016;(6):CD001218. acessar
Leitura 30 min

Diferenciar sinusite de enxaqueca e tontura vestibular de tontura cervicogênica depende de exame presencial; este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica individual. Sinais de alerta neurológicos, oculares ou a pior dor de cabeça da vida pedem atendimento imediato.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

Quatro décadas de medicina da dor não cirúrgica, tudo em um só endereço:

Na mídia Globo Folha de S.Paulo Estadão UOL Band SBT IstoÉ ESPN Vogue Marie Claire TV Gazeta