Sinusite dá tontura e enjoo?
A sinusite pode dar uma tontura leve, de ouvido tampado, que melhora com o nariz; a vertigem que gira vem do labirinto ou do pescoço, e a “sinusite” que sempre volta com enjoo costuma ser enxaqueca.
- Pode dar, mas costuma ser uma tontura leve: cabeça aérea, ouvido tampado e, às vezes, enjoo. Ela vem da congestão que fecha o canal do ouvido e do catarro que desce pela garganta, e melhora junto com o nariz, em geral em 7 a 10 dias. Hoje: lavagem nasal com soro 1 a 2 vezes ao dia, água e movimentos de engolir e bocejar. Se o ambiente gira ou a tontura passa de 10 dias, marque consulta. Olho inchado, visão dupla, fala enrolada ou fraqueza de um lado: pronto-socorro.
- A maior parte das “crises de sinusite” recorrentes, sem secreção purulenta nem obstrução, é na verdade enxaqueca ou cefaleia, mal rotulada de sinusite. É um sobrediagnóstico clássico.
- Tontura ou vertigem verdadeira pede outro raciocínio: a causa costuma ser vestibular (labirinto, avaliada pelo otorrino ou neurologista) ou cervicogênica (do pescoço), e não dos seios da face.
- Rinossinusite com secreção, obstrução e febre deve ser avaliada pelo otorrinolaringologista. Aqui tratamos a dor facial, a enxaqueca e a tontura de origem cervical, e o tratamento pode começar no dia da consulta.
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O que a sinusite realmente causa
Sinusite, hoje chamada de rinossinusite porque a inflamação envolve nariz e seios da face ao mesmo tempo, é a inflamação da mucosa que reveste os seios paranasais. Tem mecanismo e sintomas bem definidos, e tontura e enjoo não estão entre os principais.
Os seios paranasais são quatro pares de cavidades aeradas, forradas por uma mucosa que produz muco e o transporta sempre em direção a uma abertura natural e estreita, o óstio. Os seios maxilares (os maiores), etmoidais (um labirinto de células finas entre os olhos) e frontais drenam por uma via comum, o complexo ostiomeatal; os esfenoidais, mais posteriores, drenam para o recesso esfenoetmoidal. As paredes desses seios fazem fronteira direta com a órbita (a lâmina papirácea do etmoide é fina como papel) e, no esfenoide, com a base do crânio, o seio cavernoso e o nervo óptico, o que explica por que uma infecção que se complica pode chegar ao olho.
A doença começa quando uma inflamação da mucosa, em geral viral após um resfriado (rinovírus, influenza, coronavírus sazonais), provoca edema e secreção. Esse edema estreita ou oclui o óstio, justamente onde o canal de drenagem já é estreito, e interrompe o transporte mucociliar. O muco fica retido, a pressão e a tensão de oxigênio dentro do seio caem, e esse ambiente de estase favorece a proliferação de bactérias da própria flora respiratória.
É essa sequência, edema, obstrução do óstio e estase de secreção, que define a rinossinusite. Por isso o tratamento mira a desobstrução e o controle da inflamação.
O tempo separa as formas. A rinossinusite aguda dura menos de doze semanas e quase sempre é viral (o chamado resfriado comum), que se resolve sozinha em sete a dez dias. Suspeita-se de rinossinusite bacteriana aguda, que é a minoria, quando há sinais específicos: sintomas que duram mais de dez dias sem melhora, quadro intenso com febre alta e secreção purulenta por três a quatro dias, ou a chamada dupla piora (o paciente melhora do resfriado e, em seguida, piora de novo).
A rinossinusite crônica é definida por sintomas que persistem por doze semanas ou mais, muitas vezes ligada a fatores como pólipos nasais, alergia ou desvio de septo. Há ainda a rinossinusite alérgica, em que a inflamação da mucosa é dirigida por alérgenos (ácaros, pólen), com obstrução, coriza clara, espirros e prurido nasal e ocular.
Em todas essas formas, os critérios usados pelos otorrinolaringologistas (consenso europeu, o EPOS) exigem dois ou mais sintomas, sendo pelo menos um deles obstrução nasal ou secreção (anterior, ou gotejamento posterior pela garganta). A esses se somam, com frequência, pressão ou dor na face e redução ou perda do olfato (hiposmia ou anosmia). Repare que tontura, vertigem e enjoo não fazem parte dessa lista. Isso não quer dizer que quem tem sinusite nunca se sinta tonto ou enjoado, mas significa que, quando a queixa principal é tontura ou vertigem, a sinusite raramente é a explicação direta.
“Toda vez que sinto pressão na testa e fico tonto, é a minha sinusite voltando.”
Pressão facial recorrente, sem obstrução do nariz nem secreção purulenta, é com mais frequência enxaqueca. E a tontura associada quase sempre tem causa própria, vestibular ou cervical, que precisa ser investigada à parte.
O elo entre sinusite, tontura e enjoo
Se tontura e enjoo não são sintomas centrais da rinossinusite, por que tanta gente os associa? Porque existe um elo, mas ele é indireto e tem mecanismos concretos, que vale a pena explicar para não trocar uma causa pela outra. O ponto-chave: a rinossinusite pode contribuir para uma sensação de cabeça leve, desequilíbrio e náusea, mas a vertigem rotatória verdadeira (a sensação de que o ambiente gira) quase sempre tem causa vestibular, no labirinto, e não no seio da face.
O caminho mais relevante passa pela tuba auditiva (trompa de Eustáquio), o canal que conecta a parte de trás do nariz (rinofaringe) ao ouvido médio e equaliza a pressão atrás do tímpano. Em repouso a tuba fica fechada; ela se abre por instantes ao engolir e ao bocejar, pela contração do músculo tensor do véu palatino. Na rinossinusite e na rinite, o edema da mucosa nasal e a congestão se estendem ao óstio faríngeo da tuba e prejudicam essa abertura ativa, a chamada disfunção tubária. Sem ventilação, a mucosa do ouvido médio reabsorve o ar e cria uma pressão negativa atrás do tímpano; com o tempo, pode acumular líquido e instalar uma otite média serosa (com derrame).
O resultado é plenitude auricular (ouvido “tampado”), audição abafada por uma perda condutiva discreta e uma sensação de desequilíbrio e cabeça leve, que as pessoas chamam de “tontura”. Repare que essa é uma tontura de pressão e de orelha média, não uma vertigem do labirinto: ela acompanha a manobra de Valsalva e melhora quando a congestão cede e a tuba volta a abrir.
Há ainda outros elos indiretos. A congestão nasal intensa e a respiração bucal prejudicam o sono e geram fadiga, o que por si só produz tontura inespecífica. A dor e a pressão facial de uma crise, somadas a febre e mal-estar de uma infecção aguda, alimentam náusea e indisposição. O gotejamento pós-nasal (secreção que escorre pela garganta) pode irritar e provocar enjoo, sobretudo ao deitar.
E, em uma fração dos casos, descongestionantes e o próprio quadro infeccioso contribuem para o mal-estar. Tudo isso é real, mas é inespecífico: vem do conjunto do quadro, sem ligação anatômica direta entre o seio e o sistema do equilíbrio. Para a ânsia de vômito ao deitar, ajuda lavar o nariz antes de dormir e elevar a cabeceira. A infecção também dá fraqueza geral e cansaço; fraqueza de um lado do corpo é outra coisa e vai ao pronto-socorro.
Por que a vertigem rotatória verdadeira aponta para o labirinto? Porque a sensação de giro nasce do aparelho vestibular do ouvido interno: os três canais semicirculares, que detectam a rotação da cabeça, e os órgãos otolíticos (utrículo e sáculo), que detectam a aceleração linear e a gravidade. Esses sinais alimentam o reflexo que estabiliza o olhar quando a cabeça se move. Quando há um descompasso entre os dois labirintos, o cérebro interpreta como giro e dispara nistagmo (olhos que batem para um lado) e náusea.
Nada disso depende dos seios da face, e a extensão direta de uma rinossinusite para essas estruturas é rara e grave. A labirintite (inflamação do labirinto) é um quadro distinto; a sinusite não “vira” labirintite, embora ambas possam surgir no contexto de uma infecção das vias aéreas. As complicações verdadeiras de uma rinossinusite, como a disseminação para a órbita ou para o sistema nervoso central, são incomuns e se anunciam por sinais de alarme (descritos adiante), não por uma tontura isolada. Por isso a regra prática é simples: tontura ou vertigem como queixa principal pede investigação própria, vestibular ou cervical, e não é explicada pela sinusite.
Pressão e congestão
Disfunção da tuba auditiva, ouvido “tampado”, sono ruim, dor facial e gotejamento pós-nasal geram cabeça leve, desequilíbrio e náusea inespecíficos. Melhoram quando a congestão cede.
Vertigem que gira
A vertigem rotatória verdadeira aponta para o labirinto, não para o seio da face. A sinusite não causa vertigem rotatória nem “vira” labirintite; isso pede avaliação do otorrino.
A maior parte dos textos responde “sim” ou “não” em bloco, e os dois extremos enganam: existem dois fenômenos diferentes com o mesmo apelido. A sinusite pode, sim, deixar a cabeça leve e o estômago enjoado, por congestão, pressão e ouvido tampado, e isso passa quando o nariz desobstrui. Mas a tontura de ambiente girando quase nunca é do seio da face: ela nasce no ouvido interno, e tratar o nariz não a resolve. O erro caro é juntar as duas: a pessoa repete antibiótico e lavagem por meses para uma vertigem que era do labirinto ou do pescoço, e o diagnóstico certo só atrasa. A regra prática é casar o tipo de tontura com a causa, mesmo quando o rótulo mais familiar é sinusite.
O grande engano: “sinusite” que é enxaqueca
Este é um dos enganos mais comuns na prática clínica. Muita gente recebe, ao longo de anos, o rótulo de “sinusite crônica” ou “sinusite que sempre volta” para crises de dor e pressão na face, na testa e ao redor dos olhos. Quando se investiga com cuidado, boa parte desses casos não tem sinusite nenhuma: tem enxaqueca ou outra cefaleia primária.
A confusão tem uma explicação neurológica concreta. A dor da enxaqueca depende do sistema trigeminovascular: a ativação do nervo trigêmeo (V par craniano), que inerva a face e os vasos das meninges, e a liberação de substâncias inflamatórias do próprio nervo, como o CGRP. Esse mesmo arco aciona, por um reflexo parassimpático que passa pelo gânglio esfenopalatino, sintomas autonômicos no mesmo lado da dor: congestão nasal, coriza clara, lacrimejamento e sensação de nariz entupido (os chamados sintomas autonômicos cranianos). Para quem sente isso, a leitura intuitiva é “meu nariz está congestionado e minha testa dói, logo é sinusite”.
O estudo SAMS (Schreiber, 2004) e outros que avaliaram pessoas com autodiagnóstico ou diagnóstico prévio de “sinusite” mostraram que a grande maioria, sem secreção purulenta nem achados de imagem, na verdade preenchia os critérios da Classificação Internacional das Cefaleias para enxaqueca ou cefaleia tipo tensional. A pressão na face é real; o rótulo é que está errado.
A diferença prática é enorme, porque muda o tratamento. A “dor de sinusite” que é enxaqueca não melhora com antibiótico nem com lavagem nasal: melhora quando a enxaqueca é tratada como enxaqueca. Por isso vale conhecer as pistas que separam um quadro do outro.
| Pista | Rinossinusite | Enxaqueca / cefaleia |
|---|---|---|
| Secreção nasal | Espessa, muitas vezes amarelada ou esverdeada, abundante | Ausente ou clara e escassa (autonômica) |
| Obstrução do nariz | Marcante, sustentada por dias | Sensação de entupimento que vem e vai com a crise |
| Olfato | Costuma reduzir ou sumir | Preservado |
| Caráter da dor | Pressão, peso, piora ao abaixar a cabeça | Latejante, em geral de um lado, piora com luz, som e movimento |
| Náusea e sensibilidade a luz/som | Pouco frequentes | Muito sugestivas, marcas da enxaqueca |
| Padrão | Episódio definido, em geral após resfriado, com febre possível | Recorrente, repetindo o mesmo padrão por anos, sem febre |
Dor facial recorrente que vem com náusea, incômodo com a luz e melhora num quarto escuro e silencioso é enxaqueca até prova em contrário, mesmo que a pessoa sinta o nariz congestionado. A entrevista clínica detalhada vale mais que a tomografia para esse diagnóstico. Entenda melhor na página sobre enxaqueca: o que é, causas e tratamentos.
De onde vem a tontura, se não é da sinusite
Quando a queixa é mesmo de tontura, o primeiro passo é separar o que a pessoa quer dizer com a palavra, porque “tontura” agrupa sensações diferentes, com causas diferentes. A entrevista cuidadosa orienta toda a investigação.
- Vertigem. Sensação rotatória, de que você ou o ambiente giram. Aponta com força para causa vestibular, no labirinto ou nas vias do equilíbrio.
- Desequilíbrio. Sensação de instabilidade ao andar ou ficar de pé, como se fosse cair, sem giro.
- Pré-síncope. Sensação de desmaio iminente, “vista escurecendo”, ligada à circulação e à pressão arterial.
- Tontura inespecífica. “Cabeça leve” ou “zonza”, muitas vezes associada a ansiedade, sono ruim ou tensão cervical.
As causas verdadeiras de tontura e vertigem raramente passam pelos seios da face, e cada uma tem um exame que a confirma. A mais comum é a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): pequenos cristais de carbonato de cálcio (otocônia) que se soltam do utrículo e migram para um dos canais semicirculares, na maioria das vezes o canal semicircular posterior. Cada mudança de posição da cabeça desloca os cristais e provoca vertigem de segundos ao virar na cama ou olhar para cima. Confirma-se com a manobra de Dix-Hallpike (que reproduz a vertigem e um nistagmo típico) e trata-se com manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, que reconduzem os cristais de volta ao utrículo, em geral sem nenhum remédio.
Outras causas frequentes são a neurite vestibular (vertigem aguda e sustentada por dias, em geral pós-viral, com teste de impulso cefálico alterado de um lado), a doença de Ménière (crises de vertigem com zumbido, plenitude e perda auditiva flutuante), a vestibulopatia medicamentosa e circulatória, e a tontura cervicogênica, ligada à disfunção da coluna cervical alta. Avaliar isso é papel do otorrinolaringologista e, quando há sinais de alerta neurológicos, do neurologista. Veja o panorama completo das causas na página muita tontura: pode ser o quê?.
Diante de uma vertigem aguda e contínua, a pergunta clínica decisiva é separar a causa periférica (labirinto, em geral benigna) da central (tronco encefálico ou cerebelo, que pode ser um AVC). À beira do leito, um conjunto de testes dos olhos e da marcha ajuda nessa distinção, e um resultado de causa central muda a conduta para uma investigação de urgência no pronto-socorro: vertigem com fala enrolada, visão dupla ou desequilíbrio para andar vai direto para lá.
A tontura cervicogênica, que se liga à dor
Há um tipo de tontura que se conecta diretamente ao trabalho da clínica: a tontura cervicogênica. A coluna cervical alta (segmentos C1 a C3) é cheia de sensores de posição, sobretudo na musculatura suboccipital (reto posterior maior e menor, oblíquos), na base do crânio. Esses sinais se somam aos do labirinto e da visão para construir o senso de equilíbrio. Quando há disfunção cervical, dor miofascial e perda de mobilidade nesses segmentos, a informação fica distorcida e entra em conflito com a do labirinto e a da visão.
O resultado é uma sensação de instabilidade e desorientação, em geral acompanhada de dor e rigidez no pescoço, que piora com a postura mantida e com o movimento da cabeça. Essa mesma convergência de sinais da nuca explica por que a disfunção cervical alta também alimenta a cefaleia cervicogênica e a enxaqueca. Depois de um resfriado com dias de cama e pescoço travado, essa tontura com dor na nuca é comum.
A tontura cervicogênica costuma ser uma sensação de “flutuar” ou de desequilíbrio, não a vertigem rotatória clássica, e anda junto com o quadro cervical. É um diagnóstico de exclusão: confirma-se depois de afastadas as causas vestibulares e neurológicas, em geral com o otorrino. Quando esse é o quadro, faz sentido tratar o pescoço. Os critérios e os sintomas dessa forma de tontura estão detalhados na página sobre tontura cervical: sintomas.
Gira o ambiente
Vertigem rotatória, desencadeada por movimentos da cabeça na cama, às vezes com zumbido ou alteração auditiva. Investigação otorrinolaringológica.
Sensação de flutuar
Desequilíbrio associado a dor e rigidez no pescoço, que piora com a postura e o movimento cervical. Aqui a reabilitação da coluna cervical entra.
Sinais de alerta
A maioria dos quadros de dor facial e de tontura é benigna, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam para causas que mudam a conduta. No caso específico da rinossinusite, a preocupação é a sinusite complicada: a inflamação que rompe os limites do seio através das paredes finas que ele divide com a órbita e o crânio. São quadros incomuns, mas configuram emergência, e os sinais são razoavelmente típicos. Na tontura, a preocupação é o AVC que se disfarça de labirintite.
Marque o que você sente
- Inchaço e vermelhidão da pálpebra, dor ao redor do olho, olho projetado para fora, dor ao mover o olho, visão dupla ou queda da acuidade visual num quadro de sinusite: a infecção pode ter chegado ao olho.
- Dor de cabeça intensa e progressiva com febre alta, rigidez de nuca, confusão mental, sonolência, convulsão ou um inchaço mole na testa.
- Tontura ou vertigem que vem de repente com fraqueza ou dormência de um lado, fala arrastada, rosto torto, visão dupla, dificuldade para andar ou descoordenação: pode ser AVC.
- A pior dor de cabeça da vida, súbita e explosiva.
- Perda auditiva súbita de um lado.
- O ambiente gira ao deitar, virar na cama ou olhar para cima.
- Tontura que passa de 10 dias, que volta sem nariz entupido ou que já causou queda.
- Sintomas de sinusite por mais de 10 dias, febre alta com secreção purulenta por 3 a 4 dias ou piora depois de começar a melhorar.
- Dor de cabeça que muda de padrão, piora progressivamente, acorda você à noite ou começou depois dos 50 anos.
- Ouvido tampado que continua depois que o nariz desentupiu.
Nada marcado? É a tontura leve da congestão. Siga a lavagem nasal e os cuidados da ficha “Como aliviar” por 7 a 10 dias; ela deve sumir junto com o nariz.
Marcou um ou dois? Marque consulta para as próximas 1 a 2 semanas: com o otorrino se o ambiente gira, se o ouvido segue tampado ou se a sinusite passou de 10 dias; aqui, se a dor de cabeça mudou de padrão ou a tontura vem com o pescoço duro.
Marcou item em destaque? Pronto-socorro agora ou ligue 192. Três ou mais, nenhum em destaque? Consulta nesta semana; avise ao agendar, porque vários sinais juntos pedem prioridade.
Esses sinais exigem o especialista certo com rapidez, seja o otorrinolaringologista, seja o neurologista, seja o pronto-atendimento. Na ausência deles, a rinossinusite não complicada é conduzida no consultório pelo otorrino, e a dor facial de fundo de enxaqueca e a tontura de origem cervical costumam responder bem a um plano de 4 a 8 semanas, descrito abaixo.
Tratamento: da rinossinusite à dor facial e à tontura

O tratamento certo depende do diagnóstico certo, e aqui há dois territórios. O primeiro é a rinossinusite propriamente dita, conduzida pelo otorrinolaringologista: vale conhecer como ela é manejada, porque é isso que resolve a obstrução, a secreção e a pressão facial, destampa o ouvido e leva junto a tontura leve e o enjoo. O segundo é a cefaleia e a dor facial (incluindo a enxaqueca tantas vezes confundida com sinusite) e a tontura de origem cervical, que tratamos aqui, com base em exercício e reabilitação.
Nenhuma intervenção isolada costuma resolver sozinha: a escolha e a ordem dependem do quadro e da resposta. Para aliviar hoje, vá direto para Como aliviar a tontura e o enjoo.
O que o otorrino costuma usar na sinusite
Quem trata a sinusite é o otorrino. Estas são as medidas que ele costuma usar; dose, escolha e duração cabem a ele.
| Medida | Para que serve | Cuidados |
|---|---|---|
| Lavagem nasal com solução salina | Irrigação das fossas nasais com solução salina (isotônica ou hipertônica), feita com seringa ou frasco compressível; é medida de primeira linha em praticamente todas as formas de rinossinusite. Remove mecanicamente muco espesso, crostas e alérgenos e hidrata a mucosa; a solução hipertônica ainda reduz o edema local por osmose, ajudando a desobstruir o complexo ostiomeatal. Alívio sintomático gradual ao longo de dias a semanas de uso regular (uma a duas vezes ao dia); mantém-se enquanto houver inflamação ativa. Útil também antes do corticoide nasal, para limpar a mucosa. | Usar água fervida e resfriada, filtrada ou destilada (nunca água da torneira sem tratamento) e higienizar o dispositivo. Sozinha, não trata uma infecção bacteriana. |
| Corticoide nasal (budesonida, mometasona, fluticasona, triancinolona) | É o pilar farmacológico da rinossinusite crônica e da rinite alérgica, e adjuvante na forma aguda. Ação anti-inflamatória local que reduz o edema da mucosa e a produção de muco, desobstruindo os óstios de drenagem. Por agir topicamente, em dose baixa, tem absorção sistêmica pequena. O benefício costuma se estabelecer ao longo de uma a duas semanas de uso contínuo. | Ardência, ressecamento e sangramento nasal leve são comuns; raramente perfuração septal com uso prolongado e técnica incorreta. Jato direcionado para a lateral do nariz. Não confundir com o corticoide oral, reservado a situações selecionadas (por exemplo, polipose) por curtos períodos. |
| Analgésicos e anti-inflamatórios (paracetamol, dipirona, ou anti-inflamatórios não esteroidais como ibuprofeno) | Dor facial e febre da rinossinusite aguda, por períodos curtos. Não encurtam a doença viral, mas melhoram o conforto. | Anti-inflamatórios pedem cautela em gastrite, doença renal, hipertensão e em idosos. A automedicação prolongada para “dor de sinusite” recorrente, que costuma ser enxaqueca, pode levar à cefaleia por uso excessivo de analgésicos. |
| Descongestionantes (oximetazolina, nafazolina; oral: pseudoefedrina) | Alívio rápido, mas apenas sintomático, da obstrução nasal intensa na fase aguda; podem aliviar também a sensação de ouvido “tampado” ao reduzir a congestão em torno da tuba auditiva. | O uso tópico deve ficar limitado a três a cinco dias: usado por mais tempo, causa rinite medicamentosa (congestão de rebote). Os orais podem elevar a pressão arterial e atrapalhar o sono. |
| Antibiótico, apenas quando a sinusite é bacteriana | A maioria das rinossinusites agudas é viral e não se beneficia de antibiótico: ele age sobre as bactérias, não sobre vírus. Por isso só é indicado quando o quadro preenche critérios de provável origem bacteriana: sintomas por mais de dez dias sem melhora, quadro grave com febre alta e secreção purulenta por três a quatro dias, ou dupla piora. A primeira linha habitual é a amoxicilina, isolada ou associada ao clavulanato. | Em rinossinusite aguda não selecionada, o benefício do antibiótico sobre placebo é pequeno e a maioria melhora espontaneamente; o uso indiscriminado aumenta efeitos adversos e resistência bacteriana. Por isso os consensos recomendam a espera vigilante em casos leves. Diarreia, náusea e alergias são os efeitos mais comuns; não se deve guardar ou repetir antibiótico por conta própria. |
| Antialérgicos de segunda geração (loratadina, desloratadina, cetirizina, fexofenadina) | Reduzem espirros, coriza e prurido quando há componente alérgico, junto com o corticoide nasal e o controle ambiental (ácaros, pólen); em casos selecionados, imunoterapia indicada pelo especialista. | Os de primeira geração causam sonolência e devem ser evitados. |
Como aliviar a tontura e o enjoo da sinusite
- O que é
- Abordagem da tontura, do ouvido tampado e da náusea que acompanham a congestão, dirigida à causa. Quando a tontura vem da disfunção tubária e da pressão do ouvido médio, o eixo é descongestionar e tratar a inflamação nasal (lavagem salina, corticoide nasal, controle da alergia, descongestionante por curto prazo), associando manobras de equalização da tuba auditiva e reavaliação pelo otorrino se persistir.
- Em casa
- Engolir e bocejar várias vezes ao dia; manobra de Valsalva suave (soprar com o nariz tampado e a boca fechada, sem força) ou a de Toynbee (engolir com o nariz tampado); lavagem nasal antes de deitar e cabeceira elevada para a ânsia de vômito; água ao longo do dia.
- Como age
- Ao reduzir o edema em torno da entrada da tuba auditiva, restabelece-se a aeração e o equilíbrio de pressão no ouvido médio, o que costuma resolver a sensação de ouvido “tampado” e o desequilíbrio associado. A náusea ligada à dor, à febre e ao gotejamento pós-nasal cede conforme o quadro agudo melhora.
- O que esperar
- Melhora junto com a resolução da congestão, em geral em 7 a 10 dias. Tontura ou vertigem que persiste depois que o nariz desobstruiu, ou que tem caráter rotatório, deixa de ser atribuível à sinusite e pede investigação com o otorrino. Ouvido tampado com o nariz livre pode vir da mandíbula ou dos músculos do pescoço: veja pressão na cabeça e ouvido.
- Indicações
- Cabeça leve e ouvido tampado no contexto de congestão; náusea inespecífica da fase aguda.
- Limitações
- Não se deve usar remédio para labirinto (como anti-histamínicos sedativos do tipo dimenidrinato ou a betaistina) de forma prolongada para “tontura de sinusite”. Além de mascarar o sintoma e atrasar o diagnóstico de uma causa vestibular verdadeira, o uso prolongado desses remédios prejudica a compensação vestibular central, o processo pelo qual o cérebro se readapta. Quando há de fato um componente vestibular, o caminho costuma ser a reabilitação vestibular (exercícios de estabilização do olhar e de habituação).
O que a clínica de dor trata: cefaleia, dor facial e tontura cervical
Fechado o território do otorrino, fica o que de fato nos compete. Boa parte da “dor de sinusite” recorrente, sem secreção nem obstrução, é enxaqueca; e parte da tontura é cervicogênica. Para esses quadros, a base é a reabilitação ativa, somada à acupuntura e, quando indicado, a procedimentos e ao manejo medicamentoso da enxaqueca, nesta ordem:
Nariz primeiro: 7 a 10 dias
Lavagem nasal, os cuidados da ficha acima e o tratamento do otorrino. A tontura leve e o enjoo devem sumir com a congestão. Suba de degrau se passar de 10 dias, se o ambiente gira ou se a dor volta sem nariz entupido.
Diagnóstico correto na consulta
Separar rinossinusite (otorrino) de enxaqueca/cefaleia, e tontura vestibular (otorrino/neuro) de tontura cervicogênica. O tratamento depende disso e pode começar no mesmo dia.
Tratar a causa: 4 a 8 semanas
Reabilitação cervical com o fisioterapeuta, 1 a 2 vezes por semana, exercícios em casa, acupuntura para a enxaqueca e a náusea, e o remédio da crise. Suba de degrau se a frequência das crises e a instabilidade não caírem.
Sem resposta: rever o diagnóstico
Na enxaqueca que segue frequente, remédio preventivo e, na enxaqueca crônica, toxina botulínica. Na dor que sobe da nuca para a cabeça, bloqueio do nervo occipital (veja neuralgia occipital).
Reabilitação cervical e exercício: a base
Tanto na cefaleia cervicogênica quanto na tontura cervical, a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança é a reabilitação ativa. O foco é o controle da coluna cervical alta: ativação dos flexores profundos do pescoço (a chamada flexão craniocervical), estabilização das escápulas, ganho de mobilidade e fortalecimento progressivo, com terapia manual como adjuvante. A flexão craniocervical costuma começar com 8 a 12 repetições de 10 segundos, 1 a 2 vezes ao dia; o fisioterapeuta ajusta na consulta. Na tontura cervicogênica, somam-se exercícios de reposicionamento e de coordenação cervical, que recalibram a informação de posição distorcida que gera a sensação de instabilidade.
O mecanismo é direto: ao melhorar a entrada de sinais de posição vinda de um pescoço menos dolorido e mais móvel, reduz-se o conflito sensorial que produz a tontura. Na clínica, o atendimento de reabilitação é individual, um paciente por sala, 1 a 2 vezes por semana. A resposta é gradual, ao longo de 4 a 8 semanas, e o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências.
Acupuntura e eletroacupuntura
- O que é
- Inserção de agulhas finas em pontos definidos; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas. Pode começar no dia da consulta.
- Para que serve aqui
- Dois alvos concretos. O primeiro é a enxaqueca tantas vezes rotulada de “sinusite”: há evidência moderada de que a acupuntura reduz a frequência das crises, com recomendação de diretrizes internacionais como opção de prevenção, e pontos do segmento crânio-cervical somam-se ao tratamento da dor cervical crônica que sustenta a tontura cervicogênica. O segundo é a náusea: o estímulo do ponto PC6 (no antebraço, perto do punho) tem evidência razoável em enjoo pós-operatório, o que pode ser útil quando o enjoo acompanha a crise de dor de cabeça, justamente a queixa que muita gente atribui à sinusite.
- Como é feita
- Para o componente miofascial cervical, agulha-se a musculatura suboccipital e o trapézio superior que referem dor para a testa e a face. O número de sessões e a escolha dos pontos saem da consulta e do que predomina: enxaqueca, tensão cervical ou enjoo.
- O que esperar
- De 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, com reavaliação na 3ª a 4ª. O alívio tende a ser progressivo e cumulativo, e a acupuntura entra como parte do plano, ao lado da reabilitação cervical. A acupuntura praticada na clínica segue a linha de ensino e pesquisa do Grupo de Dor do HC-FMUSP.
- Limitações
- Não trata a sinusite nem a vertigem do labirinto. Pode deixar pequenos hematomas e sonolência depois da sessão.
Acupuntura na profilaxia da enxaqueca
Revisões sistemáticas e diretrizes apontam que a acupuntura pode reduzir a frequência das crises de enxaqueca, com perfil de segurança favorável, sendo uma opção quando se busca alternativa ou complemento à medicação preventiva. A magnitude do efeito varia entre estudos e a indicação depende do quadro individual.
Ver referências →Manejo medicamentoso da enxaqueca
Quando a “dor de sinusite” recorrente se confirma como enxaqueca, o manejo medicamentoso tem papel central e é conduzido pelo médico, em dois eixos. Para a crise, analgésicos e anti-inflamatórios e, em casos selecionados, os triptanos (sumatriptana, naratriptana), limitando a frequência de uso para não induzir a cefaleia por uso excessivo de medicação. Para a prevenção, quando as crises são frequentes, betabloqueadores (propranolol), o antidepressivo tricíclico amitriptilina em dose baixa (faixa habitual de 10 a 25 mg ao deitar, com ajuste conforme tolerância), ou o antiepiléptico topiramato e, em casos refratários, os anticorpos monoclonais anti-CGRP. Nomes, doses e cuidados estão no guia de remédios para dor de cabeça.
| Quadro | Quem avalia e trata | O que a clínica de dor faz |
|---|---|---|
| Rinossinusite (secreção, obstrução, febre) | Otorrinolaringologista | Não trata; encaminha ao otorrino |
| Enxaqueca / cefaleia (“sinusite” mal rotulada) | Médico da dor, fisiatra, neurologista | Manejo da enxaqueca, acupuntura, reabilitação cervical |
| Vertigem vestibular (VPPB, labirintite) | Otorrinolaringologista, neurologista | Não trata a causa; encaminha |
| Tontura cervicogênica | Médico da dor, fisiatra (após excluir o vestibular) | Reabilitação cervical, acupuntura, agulhamento seco |
Diagnóstico e controle inicial
Definir a causa (e encaminhar ao otorrino quando indicado), ajustar postura e sono, iniciar mobilidade cervical e o manejo da crise.
Progressão
Fortalecimento, reabilitação cervical e técnicas em clínica. A frequência das dores e a sensação de instabilidade costumam começar a ceder.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e consideram-se procedimentos ou nova investigação com o especialista.
Medimos a frequência das crises de dor de cabeça por mês (um diário de cefaleia ajuda a ver se a “sinusite recorrente” responde como enxaqueca), a intensidade da dor facial numa escala de 0 a 10 e o quanto a tontura ainda limita virar a cabeça, dirigir ou descer escadas. Se em seis semanas a dor não cede e a instabilidade persiste, o passo seguinte é revisar o próprio diagnóstico: confirmar com o otorrino se há sinusite ativa ou causa vestibular escapando, reavaliar se a dor é mesmo enxaqueca e ajustar o eixo do tratamento de acordo. A meta é reduzir a frequência e a intensidade das crises e devolver estabilidade e função.
Quando alguém chega dizendo que a “sinusite dá tontura”, a sensação descrita quase sempre é de cabeça leve, nebulosa, “embarcada”, e vem junto com nariz entupido e ouvido tampado, raramente o ambiente girando de verdade. Por isso a primeira pergunta vale mais que qualquer exame: peço a pessoa para descrever a tontura sem usar a palavra “tontura”, e o relato costuma separar sozinho o que é pressão e congestão do que é labirinto, pescoço ou enxaqueca. O que mais surpreende quem chega é descobrir que a “sinusite que sempre volta”, com peso na testa e enjoo, era enxaqueca o tempo todo, e que melhora tratando enxaqueca. Casar o tipo de tontura com a causa certa é o que mais muda o rumo do tratamento.
Como avaliamos a tontura e a dor facial aqui
Na consulta, o médico testa o equilíbrio e os movimentos dos olhos, pergunta pelo padrão da dor de cabeça (luz, barulho, náusea) e palpa a nuca e os músculos do pescoço. Se há sinusite ativa ou vertigem do labirinto, você sai com o encaminhamento ao otorrino e o prazo. Se a dor é enxaqueca ou a tontura vem do pescoço, o tratamento começa no mesmo dia: a acupuntura ou o agulhamento seco podem ser feitos na própria consulta, e a reabilitação segue com o fisioterapeuta da equipe, em sala individual.
Reavaliamos em 3 a 6 semanas. Atendimento particular, com recibo para reembolso.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

Perguntas frequentes

Sinusite dá tontura?
Tontura não é um sintoma típico de sinusite. Quando aparece, costuma ser indireta: a congestão se estende à tuba auditiva (trompa de Eustáquio) e altera a pressão do ouvido médio, gerando ouvido “tampado” e sensação de cabeça leve; somam-se sono ruim, dor e febre da fase aguda. Essa tontura melhora quando a congestão cede, em geral em 7 a 10 dias. Já a vertigem rotatória verdadeira, em que o ambiente gira, aponta para o labirinto, não para o seio da face, e precisa ser investigada à parte, em geral pelo otorrino.
Sinusite dá enjoo?
O enjoo não é sintoma central da sinusite. Pode aparecer de forma inespecífica numa infecção aguda com muita secreção que escorre pela garganta, febre e indisposição. Mas náusea junto com dor de cabeça latejante e incômodo com a luz é mais sugestiva de enxaqueca, que muitas vezes é confundida com sinusite.
Quais são os sintomas reais de sinusite?
Os sintomas centrais são obstrução nasal e secreção (pelo nariz ou pela garganta), somados com frequência a pressão ou dor na face e à redução do olfato. Na forma aguda, costuma vir depois de um resfriado, com secreção que pode ficar espessa e amarelada, dor que piora ao abaixar a cabeça e, às vezes, febre. Tontura, vertigem e enjoo não fazem parte dos critérios. O diagnóstico é do otorrinolaringologista.
Como sei se é sinusite ou enxaqueca?
A sinusite costuma trazer secreção espessa, obstrução marcante e perda de olfato, em geral após um resfriado. A enxaqueca traz dor latejante, em geral de um lado, com náusea e sensibilidade a luz e som, repetindo o mesmo padrão por anos, sem febre nem secreção purulenta. Muita “sinusite que sempre volta” é, na verdade, enxaqueca. A entrevista clínica detalhada esclarece a maioria dos casos.
A clínica trata sinusite?
Não. Rinossinusite é do domínio do otorrinolaringologista, que avalia e conduz o tratamento. O que tratamos é a cefaleia e a dor facial associadas, incluindo a enxaqueca tantas vezes rotulada de sinusite, e a tontura de origem cervical, com reabilitação, acupuntura e manejo da dor. Quando o quadro é de sinusite, encaminhamos ao especialista certo.
Tontura por causa do pescoço existe?
Sim, é a tontura cervicogênica. A coluna cervical alta envia ao cérebro informações de posição que se integram às do labirinto e da visão. Quando há disfunção e dor no pescoço, essa informação se distorce e gera uma sensação de instabilidade ou de flutuar, associada a dor e rigidez cervical. É um diagnóstico de exclusão, feito depois de afastadas as causas vestibulares, e responde à reabilitação da coluna cervical. Veja tontura cervical: sintomas.
Sinusite pode virar labirintite?
São quadros distintos e a sinusite não se transforma em labirintite. A labirintite é uma inflamação do labirinto, no ouvido interno, e a rinossinusite é dos seios da face; são estruturas e mecanismos diferentes. O que confunde é que ambas podem aparecer no contexto de uma infecção das vias aéreas. Se há vertigem rotatória de verdade, com ou sem alteração auditiva, quem avalia é o otorrinolaringologista.
Pressão no rosto e na cabeça é sempre sinusite?
Não. Pressão ou peso na testa, ao redor dos olhos e na face é uma queixa que se sobrepõe entre rinossinusite e enxaqueca, e por isso é tão confundida. Quando vem acompanhada de obstrução nasal marcante, secreção espessa e perda de olfato, sugere sinusite, do otorrino. Quando é recorrente, sem secreção purulenta, e vem com náusea ou incômodo com a luz, costuma ser enxaqueca. A diferenciação se faz pela entrevista clínica.
Quanto tempo dura uma sinusite?
De modo geral, a rinossinusite aguda viral melhora em 7 a 10 dias, acompanhando a resolução do resfriado que a precedeu. Mais de 10 dias sem melhora ou uma piora depois de melhorar pedem o otorrino; acima de 12 semanas, é rinossinusite crônica. Quando os sintomas se arrastam por mais tempo ou voltam com frequência, é preciso reavaliar o diagnóstico com o otorrinolaringologista, porque boa parte da “sinusite que nunca passa” é, na verdade, enxaqueca rotulada de sinusite. A avaliação define a causa e a conduta.
Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Rosenfeld RM, et al. Clinical practice guideline (update): adult sinusitis. Otolaryngol Head Neck Surg. 2015;152(2 Suppl):S1-S39. acessar
- Cady RK, et al. Sinus headache: a neurology, otolaryngology, allergy, and primary care consensus on diagnosis and treatment. Mayo Clin Proc. 2005;80(7):908-916. acessar
- Fokkens WJ, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology. 2020;58(Suppl 29):1-464. acessar
- Schreiber CP, et al. Prevalence of migraine in patients with a history of self-reported or physician-diagnosed “sinus” headache. Arch Intern Med. 2004;164(16):1769-1772. acessar
- Linde K, et al. Acupuncture for the prevention of episodic migraine. Cochrane Database Syst Rev. 2016;(6):CD001218. acessar
Diferenciar sinusite de enxaqueca e tontura vestibular de tontura cervicogênica depende de exame presencial; este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica individual. Sinais de alerta neurológicos, oculares ou a pior dor de cabeça da vida pedem atendimento imediato.









