Anti-Inflamatórios Não Esteroidais (AINEs) para Dor
Os anti-inflamatórios não esteroidais reduzem dor e inflamação ao bloquear a enzima COX. São úteis em dores agudas, mas têm tempo de uso curto e riscos no estômago, rim e coração.
- O anti-inflamatório não esteroide reduz dor e inflamação bloqueando a enzima COX e a síntese de prostaglandinas; é mais útil em dor aguda musculoesquelética e por tempo curto.
- Não é remédio inofensivo: pode agredir o estômago, reter líquido, elevar a pressão, piorar a função renal e aumentar o risco cardiovascular.
- O anti-inflamatório alivia o sintoma, mas não corrige a causa da dor. Numa dor que não passa, o caminho é o diagnóstico e um plano de tratamento.
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Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
O que são os anti-inflamatórios não esteroidais
Anti-inflamatórios não esteroidais são uma família de medicamentos que combinam três efeitos no mesmo comprimido: analgésico (reduz a dor), anti-inflamatório (reduz a inflamação) e antitérmico (baixa a febre). Você também encontra esse grupo escrito de outras formas, como anti inflamatório, antiinflamatório, antiinflamatorios, anti-inflamatórios não esteroides ou anti inflamatório nao esteroide; todas se referem ao mesmo tipo de remédio.
A sigla anti-inflamatório distingue esse grupo dos anti-inflamatórios esteroidais, que são os corticoides (como prednisona e dexametasona). Os dois reduzem inflamação, mas por caminhos diferentes e com perfis de risco distintos. Quando alguém fala em “anti-inflamatório” para uma dor nas costas, num joelho ou numa tendinite, quase sempre está se referindo a um anti-inflamatório.
São, provavelmente, a classe de medicamentos mais usada e mais comprada sem orientação no Brasil. Justamente por estarem em qualquer farmácia e por aliviarem rápido, criam a impressão de serem inofensivos. Na prática clínica de dor, essa banalização é um problema: o anti-inflamatório tem indicações precisas, tempo de uso definido e uma lista relevante de contraindicações. Ele apaga o alarme da dor, mas não conserta o que disparou o alarme.
Bloqueia a COX
Ex.: ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, cetoprofeno, nimesulida, meloxicam, piroxicam, celecoxibe, etoricoxibe. Reduz dor e inflamação por tempo curto.
Corticoide
Ex.: prednisona, prednisolona, dexametasona. Anti-inflamatório potente por outra via, com indicações e riscos próprios. Não é anti-inflamatório.
Vale separar também o anti-inflamatório do paracetamol (acetaminofeno) e da dipirona (metamizol): ambos são bons analgésicos e antitérmicos, mas têm efeito anti-inflamatório fraco ou ausente. Por isso, numa dor com componente inflamatório claro, o anti-inflamatório costuma render mais; já numa dor leve a moderada sem grande inflamação, o paracetamol ou a dipirona podem resolver com menos risco gástrico. Essa escolha não é trivial e depende do quadro, das doenças associadas e dos outros remédios em uso.
Como os anti-inflamatórios agem: COX-1, COX-2 e prostaglandinas
Para entender por que o anti-inflamatório alivia a dor e, ao mesmo tempo, traz riscos, é preciso olhar para uma enzima chamada ciclo-oxigenase (COX). Quando há lesão ou inflamação, a COX transforma o ácido araquidônico em prostaglandinas, substâncias que sensibilizam os receptores de dor, dilatam vasos e geram inchaço, calor e vermelhidão. Os anti-inflamatórios funcionam justamente bloqueando a COX e, com isso, reduzindo a produção dessas prostaglandinas.
O ponto-chave é que a COX existe em mais de uma forma, com funções diferentes:
- COX-1. Está presente o tempo todo no corpo e cumpre tarefas de proteção: ajuda a manter a mucosa do estômago, o fluxo de sangue no rim e a função das plaquetas (coagulação).
- COX-2. É induzida principalmente onde há inflamação. Bloqueá-la é o que traz o efeito anti-inflamatório desejado.
A maioria dos anti-inflamatórios tradicionais (como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco) é não seletiva: bloqueia COX-1 e COX-2 ao mesmo tempo. Daí vem o dilema. Ao inibir a COX-2, reduz a dor e a inflamação; ao inibir a COX-1, retira a proteção do estômago e interfere no rim e nas plaquetas. É por isso que dor de estômago, gastrite e maior risco de sangramento digestivo são efeitos clássicos.
A partir dessa lógica, foram desenvolvidos os inibidores seletivos da COX-2 (os chamados coxibes, como celecoxibe e etoricoxibe). Eles poupam mais a COX-1 e, em geral, agridem menos o estômago. Em troca, ao deslocarem o equilíbrio entre as prostaglandinas dos vasos, podem aumentar o risco cardiovascular em pessoas predispostas.
Ou seja, não existe anti-inflamatório “sem efeito colateral”: o que muda é onde o risco se concentra. Essa é a razão técnica pela qual a escolha do anti-inflamatório precisa ser individual.
“Anti-inflamatório é remédio fraco, posso tomar sempre que doer.”
O anti-inflamatório age numa enzima com funções protetoras no corpo. O uso repetido e prolongado, sem orientação, aumenta o risco no estômago, no rim e no coração. É medicamento de uso curto e indicado.
Quando os anti-inflamatórios ajudam
O anti-inflamatório rende mais quando existe um componente inflamatório agudo e bem definido. Nesses cenários, usado por poucos dias e na menor dose eficaz, costuma trazer alívio consistente e ajudar a pessoa a voltar a se mover, o que por si só já favorece a recuperação.
Situações em que o anti-inflamatório costuma ter bom papel, sempre com avaliação:
- Crises agudas de dor lombar e cervical. Por períodos curtos, ajudam no alívio e na retomada do movimento, que é parte do tratamento. Veja a abordagem completa em tratamento de lombalgia.
- Tendinites e lesões musculares recentes. Quando há inflamação local clara, sobretudo nas primeiras 48 a 72 horas.
- Artrite e crises de gota. Em surtos inflamatórios articulares, conforme indicação.
- Dor pós-traumática ou pós-operatória. Como parte de um esquema de analgesia combinada.
- Algumas cefaleias e enxaquecas. Anti-inflamatórios têm papel no tratamento da crise, dentro de um plano.
Por outro lado, há quadros em que o anti-inflamatório costuma decepcionar, porque a dor não é primariamente inflamatória. É o caso da dor neuropática (queimação, choque, formigamento por lesão de nervo), da dor crônica difusa da fibromialgia e de boa parte da dor miofascial sustentada por pontos-gatilho. Nesses cenários, insistir em anti-inflamatório raramente resolve e expõe a pessoa a riscos sem benefício proporcional. O sinal de alerta prático é simples: se a dor não cede com uso curto e orientado, o problema não é a dose, é o diagnóstico.
A regra que guia o uso seguro de anti-inflamatório é “a menor dose eficaz, pelo menor tempo possível, na pessoa certa”. Dor que retorna assim que o comprimido acaba é dor que precisa de investigação e de um plano, não de uso contínuo.
Principais anti-inflamatórios e em que diferem
Existem muitos anti-inflamatórios, e a diferença entre eles não é “força”, mas sim o equilíbrio entre potência anti-inflamatória, duração do efeito, agressão gástrica e risco cardiovascular ou renal. A seguir, os mais usados, sempre pelos nomes genéricos. A escolha de qual usar, em que dose e por quanto tempo é uma decisão médica.
| Substância | Seletividade COX | Característica de uso |
|---|---|---|
| Ibuprofeno | Não seletivo | Efeito curto; opção comum em dor leve a moderada e febre |
| Naproxeno | Não seletivo | Ação mais prolongada; perfil cardiovascular relativamente mais favorável |
| Diclofenaco | Não seletivo (tende à COX-2) | Anti-inflamatório potente; mais associado a risco cardiovascular |
| Cetoprofeno | Não seletivo | Potente; usado em dor musculoesquelética aguda |
| Nimesulida | Preferencial COX-2 | Comum no Brasil; atenção à função hepática |
| Meloxicam | Preferencial COX-2 | Dose única diária; usado em quadros articulares |
| Piroxicam | Não seletivo, longa duração | Meia-vida longa; maior risco gástrico com uso prolongado |
| Celecoxibe | Seletivo COX-2 (coxibe) | Menor agressão gástrica; pesar risco cardiovascular |
| Etoricoxibe | Seletivo COX-2 (coxibe) | Dose única diária; atenção à pressão e ao coração |
Alguns pontos práticos que oriento na consulta. O naproxeno costuma ser preferido quando o risco cardiovascular pesa, por ter, em geral, perfil mais favorável nesse aspecto. O diclofenaco, embora muito eficaz, é o que mais se associa a risco cardiovascular entre os não seletivos, e por isso evito em quem tem doença do coração. O celecoxibe e o etoricoxibe poupam o estômago e são úteis em quem já teve gastrite ou úlcera, mas exigem cautela em hipertensos e cardiopatas.
O piroxicam tem meia-vida longa, o que aumenta o risco gástrico se usado por muito tempo. A nimesulida pede atenção ao fígado.
Sobre as formas de uso: o anti-inflamatório tópico (gel ou pomada, como diclofenaco gel) é uma opção interessante em dores localizadas e superficiais, como uma tendinite de joelho ou de cotovelo, porque atinge bem o local com absorção sistêmica baixa, ou seja, com menos risco para o corpo todo. Já o anti-inflamatório injetável não é “mais forte nem mais seguro” do que o comprimido: tem o mesmo perfil de risco da via oral, com a desvantagem de a dor da injeção e o risco no local de aplicação. A apresentação injetável faz sentido em situações pontuais, não como rotina. Discuto a lógica dos remédios para dor de coluna em remédios para dor na coluna e o panorama geral em nosso guia de remédios para dor.
Riscos, efeitos colaterais e contraindicações
É aqui que mora a parte que mais costuma ser ignorada por quem se automedica. Os efeitos adversos dos anti-inflamatórios decorrem, em grande parte, do bloqueio das funções protetoras da COX-1 e do deslocamento do equilíbrio das prostaglandinas. Os principais alvos são o trato digestivo, o rim, o sistema cardiovascular e a pressão arterial.
Gastrite, úlcera, sangramento
Dor epigástrica, azia, gastrite, úlcera e, no extremo, hemorragia digestiva. O risco sobe em idosos, em uso prolongado, com história de úlcera, com corticoide ou anticoagulante associados e com álcool.
Retenção e queda da função renal
Retenção de sódio e água (inchaço), e queda da filtração renal, sobretudo em desidratação, insuficiência cardíaca, idosos e em uso com diuréticos e anti-hipertensivos.
Risco cardiovascular
Uso prolongado ou em altas doses pode aumentar o risco de infarto e AVC em pessoas predispostas. Maior preocupação com diclofenaco e com coxibes em cardiopatas.
Eleva a pressão
Tendem a elevar a pressão e a reduzir o efeito de remédios anti-hipertensivos. Em hipertensos, o uso precisa ser pesado e monitorado.
Há ainda reações alérgicas e, em pessoas com asma, a possibilidade de broncoespasmo desencadeado por anti-inflamatório (a chamada doença respiratória exacerbada por anti-inflamatórios). Reações de pele e, com a nimesulida em particular, casos de toxicidade hepática também são descritos.
Evite ou use com cautela redobrada se houver
- Úlcera péptica ativa ou história de sangramento digestivo.
- Doença renal crônica ou rim único.
- Insuficiência cardíaca, infarto prévio, doença cardiovascular instável.
- Hipertensão de difícil controle.
- Cirrose ou doença hepática importante (atenção especial com nimesulida).
- Uso de anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana e outros) ou de corticoide.
- Gravidez, sobretudo no terceiro trimestre, quando os anti-inflamatórios são contraindicados.
- Asma com história de piora ao usar anti-inflamatório.
- Desidratação, idade avançada e uso de vários medicamentos ao mesmo tempo.
Um ponto importante e pouco conhecido: quando um anti-inflamatório não funciona, associar um segundo anti-inflamatório não aumenta o efeito, só soma os riscos. É um erro comum tomar, por exemplo, ibuprofeno de manhã, nimesulida à tarde e diclofenaco à noite. Isso multiplica a chance de lesão gástrica e renal sem ganho de alívio. Combinar analgésicos de classes diferentes (por exemplo, um anti-inflamatório com paracetamol) pode fazer sentido em alguns casos, mas dois anti-inflamatórios juntos, não.
Interações medicamentosas que importam
Os anti-inflamatórios interagem com remédios muito comuns, e é justamente por isso que a automedicação é arriscada: a pessoa frequentemente não associa a dor a tratamentos que já faz. As interações mais relevantes na prática:
| Associação | O que pode acontecer |
|---|---|
| Anti-inflamatório + anticoagulante (varfarina, rivaroxabana) | Aumento importante do risco de sangramento |
| Anti-inflamatório + corticoide | Risco bem maior de úlcera e hemorragia digestiva |
| Anti-inflamatório + anti-hipertensivos e diuréticos | Perda de controle da pressão e mais risco renal |
| Anti-inflamatório + outro anti-inflamatório | Soma de toxicidade gástrica e renal, sem ganho de efeito |
| Anti-inflamatório + lítio ou metotrexato | Elevação dos níveis desses medicamentos, com risco de toxicidade |
| Anti-inflamatório + AAS em dose cardiológica | Alguns anti-inflamatórios reduzem o efeito protetor do AAS no coração |
| Anti-inflamatório + álcool | Maior risco de gastrite e sangramento |
Antes de iniciar um anti-inflamatório, o médico precisa saber tudo o que a pessoa usa, incluindo remédios de uso contínuo, suplementos e fitoterápicos: o mesmo comprimido que alivia uma dor pode descompensar a pressão de um hipertensivo ou aumentar o risco de sangramento de quem usa anticoagulante.
Além do comprimido: por que tratar a causa muda o resultado
O ponto central de quem trata dor todos os dias é este: o anti-inflamatório é uma ferramenta de alívio de curto prazo, não um tratamento. Ele reduz a inflamação e a dor por alguns dias, mas não corrige a sobrecarga mecânica, o ponto-gatilho miofascial, a tendinopatia, a raiz nervosa irritada ou o padrão de sensibilização que sustenta a dor. Quando a dor não passa, repetir anti-inflamatório por conta própria só adia o diagnóstico e acumula risco.
O caminho, nesses casos, é entender de onde a dor vem e montar um plano. Esse plano costuma ser multimodal e dirigido à causa: começa por história e exame que definem se a dor é mecânica, inflamatória, miofascial ou neuropática, e, a partir daí, combina reabilitação e exercício orientado como base com as técnicas e a medicação que correspondem ao tipo de dor identificado. O anti-inflamatório, nesse arranjo, é apenas um adjuvante de uso curto dentro de um plano maior.
Quando há dor neuropática ou cronificação, o anti-inflamatório isolado quase sempre falha, e a medicação certa pertence a outras classes, definidas pelo médico. Discuto as opções de alívio na coluna em remédios para dor na coluna e o panorama das classes em nosso guia de remédios para dor.
Algumas observações que repito no consultório. Primeiro: a escolha entre um coxibe e um anti-inflamatório tradicional raramente é sobre “qual é mais forte”; é sobre qual órgão a pessoa tem para perder. Em quem já teve úlcera, costumo pensar no celecoxibe ou no etoricoxibe; em quem tem hipertensão ou doença do coração, esse mesmo raciocínio se inverte, porque o que poupa o estômago pode pesar nos vasos. O comprimido é o mesmo para os dois; o paciente é que é diferente.
Segundo: os efeitos no rim e na pressão são os pontos cegos. A gastrite avisa, dói, queima, manda a pessoa parar. Já a retenção de líquido, a perda de controle da pressão e a queda silenciosa da função renal não doem, e por isso passam despercebidas justamente em quem mais corre risco, o idoso desidratado em uso de diurético e anti-hipertensivo, que toma anti-inflamatório para uma dor no joelho sem ligar uma coisa à outra.
Terceiro: o nome “anti-inflamatório” engana na dor crônica. O paciente ouve “inflamatório” e assume que sua dor lombar de meses é uma inflamação a ser combatida indefinidamente. Na maioria das dores persistentes, o componente inflamatório agudo já passou, e o que sobrou é mecânico, miofascial ou de sensibilização, terreno em que o anti-inflamatório rende pouco. O que costuma surpreender é a inversão: quando trocamos o comprimido contínuo por reabilitação e técnicas dirigidas, muitos relatam menos dor, não mais, justamente por terem saído de um remédio que não atacava a causa.
Comparar os anti-inflamatórios por “potência”, como se houvesse um ranking do mais fraco ao mais forte, não corresponde à prática. Na dose adequada, a diferença de alívio entre eles é pequena; o que de fato os separa é o perfil de risco, ou seja, onde cada um cobra o preço. A pergunta clínica útil não é “qual o anti-inflamatório mais forte”, e sim “qual o anti-inflamatório mais seguro para este corpo, neste momento, com estas doenças e estes outros remédios”. É uma escolha de subtração de risco, não de adição de força, e é por isso que a resposta muda de pessoa para pessoa.
Controle da crise
Anti-inflamatório por tempo curto, na menor dose eficaz, se indicado, junto de medidas de proteção e retorno ao movimento.
Tratar a causa
Reabilitação como base, técnicas em clínica conforme o componente, e desmame do anti-inflamatório.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e considera-se procedimento ou investigação. Dor que só responde a anti-inflamatório contínuo precisa ser reinvestigada.
A mensagem prática que dou ao paciente é direta: o anti-inflamatório pode ser um bom aliado para atravessar uma crise aguda, com segurança, quando bem indicado e por pouco tempo. Mas se você se vê comprando anti-inflamatório repetidamente para a mesma dor, esse é o sinal de que precisa de avaliação médica. O objetivo do tratamento é recuperar função e reduzir a dor de forma sustentada, e isso vem do diagnóstico correto e de um plano, não de silenciar o sintoma indefinidamente.
Centro de Dor
Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Centro de Tratamento por Ondas de Choque
Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)
Clínica listada
Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)
Perguntas frequentes
O que são anti-inflamatórios não esteroidais?
São remédios que reduzem dor, inflamação e febre ao bloquear a enzima ciclo-oxigenase (COX) e a produção de prostaglandinas. Incluem ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, nimesulida, meloxicam, piroxicam, celecoxibe e etoricoxibe. São diferentes dos anti-inflamatórios esteroidais (corticoides).
Qual a diferença entre anti-inflamatório esteroide e não esteroide?
O anti-inflamatório não esteroide bloqueia a COX e as prostaglandinas. O esteroidal é o corticoide (prednisona, dexametasona), que age por outra via, costuma ser mais potente como anti-inflamatório e tem riscos diferentes. Os dois reduzem inflamação, mas não são a mesma coisa e não devem ser combinados sem indicação.
Qual o melhor anti-inflamatório para dor?
Não existe um melhor para todos. A escolha depende do tipo de dor, das doenças associadas e dos outros remédios em uso. Quem tem risco gástrico se beneficia mais de um coxibe; quem tem risco cardiovascular costuma evitar diclofenaco. Por isso a indicação é individual e médica.
Por quanto tempo posso tomar anti-inflamatório?
A regra é a menor dose eficaz pelo menor tempo possível, em geral poucos dias numa dor aguda. O uso prolongado, por conta própria, aumenta o risco no estômago, no rim e no coração. Dor que retorna quando o remédio acaba precisa de avaliação, não de uso contínuo.
Anti-inflamatório faz mal para o estômago e para o rim?
Pode. Os anti-inflamatórios não seletivos retiram parte da proteção da mucosa gástrica e podem causar gastrite, úlcera e sangramento, além de reter líquido e reduzir a função renal, sobretudo em idosos, desidratados e em uso de diuréticos. Quando o uso é necessário em quem tem risco gástrico, o médico pode associar uma gastroproteção.
Quem tem pressão alta pode tomar anti-inflamatório?
Com cautela e sob orientação. Os anti-inflamatórios tendem a elevar a pressão e a reduzir o efeito de vários anti-hipertensivos. Em hipertensão de difícil controle, é preciso pesar bem o uso e, muitas vezes, optar por outra estratégia de alívio.
Posso tomar dois anti-inflamatórios diferentes juntos?
Não. Combinar dois anti-inflamatórios não aumenta o efeito e soma os riscos gástrico e renal. Se um anti-inflamatório não resolve, o problema costuma ser o diagnóstico, não a dose. Associar classes diferentes, como anti-inflamatório com paracetamol, pode fazer sentido em alguns casos, mas isso é decisão médica.
Anti-inflamatório resolve dor nas costas?
Numa crise aguda, por poucos dias, costuma ajudar no alívio e na retomada do movimento. Mas não trata a causa. Dor lombar que persiste ou recorre pede diagnóstico e um plano de reabilitação. Veja tratamento de lombalgia e a hérnia de disco.
Anti-inflamatório serve para dor de nervo (neuropática) e fibromialgia?
Em geral, não. A dor neuropática (queimação, choque, formigamento) e a dor difusa da fibromialgia não respondem bem a anti-inflamatório. Nesses casos, o tratamento é outro, com medicação específica e abordagem multimodal. Insistir no anti-inflamatório só expõe a riscos sem benefício.
Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Coxib and traditional NSAID Trialists’ (CNT) Collaboration; Bhala N, Emberson J, et al. Vascular and upper gastrointestinal effects of non-steroidal anti-inflammatory drugs: meta-analyses of individual participant data from randomised trials. Lancet. 2013;382(9894):769 a 779. acessar
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- Argoff CE. Analgésicos tópicos no tratamento de dor aguda e crônica: revisão sistemática. Mayo Clinic Proceedings. 2013. ver resumo
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Bulário Eletrônico: bula do profissional do ibuprofeno (versão vigente). acessar
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Como o equilíbrio entre alívio e risco é individualizado, a conduta descrita aqui pode não se aplicar ao seu caso.
