CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Dor, Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

Anti-Inflamatórios não esteroidais para Dor

O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) para tratar a dor e a inflamação associadas a diversas patologias é uma prática amplamente aceita no meio médico1.

Esse grupo inclui os AINEs não seletivos ou tradicionais e os inibidores seletivos da cicloxigenase-2 (COX-2), e no Brasil podem ser encontrados e comprados facilmente em farmácias.

No entanto, tais medicamentos possuem diversos possíveis efeitos colaterais, alguns potencialmente graves, motivo pelo qual o conhecimento dessa classe por médicos e outros profissionais de saúde se mostra de grande importância.

Como os anti-inflamatórios são medicamentos usados há décadas, e a classe inclui numerosos exemplares, os estudos sobre os seus efeitos nos diferentes tipos de dor, bem como as reações adversas provenientes de sua utilização, são realizados separadamente.

Assim, foram incluídos quatro revisões neste artigo, para abranger a totalidade dos dados atuais sobre a relevância dos anti-inflamatórios não esteroidais no manejo da dor.

Mecanismo de ação dos anti-inflamatórios

Os anti-inflamatórios não esteroidais agem inibindo a cicloxigenase (COX), responsáveis pela síntese de prostaglandinas, moléculas envolvidas na dor e na inflamação.

Eles podem ser não seletivos, agindo em todas as COX, ou seletivos, inibindo apenas a COX-2, tendo o potencial de trazer efeitos melhores para o tratamento.

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Efeitos colaterais e riscos

Entretanto, apesar de amplamente usados e disponíveis para compra sem receita médica, o uso dos anti-inflamatórios não esteroidais pode trazer uma série de riscos para a saúde1, como:
Efeitos gastrintestinais, que estão relacionados à inibição sistêmica da síntese de prostaglandina nas mucosas, além do efeito irritativo direto que o medicamento apresenta;
Efeitos cardiovasculares, que podem variar desde a elevação da pressão arterial até o aumento do risco de eventos cardiovasculares;
Retenção de líquidos e sódio, causadas principalmente pelos inibidores da COX-2.

Riscos do uso de medicamentos anti-inflamatórios

Os medicamentos anti-inflamatórios são, de longe, os medicamentos mais prescritos para dor envolvendo inflamação. A medicação anti-inflamatória se divide em duas categorias principais: esteróides e não esteróides.

Os anti-inflamatórios esteróides (corticóides), como a hidrocortisona, são muito eficazes, mas trazem vários riscos à saúde, especialmente quando usados por longos períodos.

Por outro lado, os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como a aspirina, ibuprofeno e diclofenaco, entre outros, não apresentam os riscos do uso de esteroides, sendo mais prescritos.

Isso também explica porque medicamentos anti-inflamatórios menos potentes, como aspirina e ibuprofeno, podem ser adquiridos em farmácias sem receitas. No entanto, o uso recorrente e acima de 7 a 10 dias pode aumentar o risco dos efeitos adversos, mesmo em jovens.

Anti-inflamatórios para o tratamento da dor crônica

A dor crônica, descrita como aquela que persiste mesmo após a resolução de algum ferimento ou outra patologia que danifique o tecido, é considerada como de difícil tratamento, necessário algumas vezes a combinação de diferentes abordagens para se ter um resultado satisfatório.

Inflamações de baixa intensidade, tanto local quanto sistêmica, estão envolvidas na fisiopatologia da dor crônica, evidenciando o potencial efeito dos anti-inflamatórios não esteroidais no tratamento da condição, que inclui, por exemplo, a osteoartrite e a artrite reumatoide.

Entretanto, o uso dessa classe de medicamentos é normalmente feito para tratamento de dores agudas, de características nociceptivas, além do tratamento de inflamações. Isso ocorre devido, principalmente, ao risco de efeitos colaterais, citados anteriormente.

 

Opinião dos autores: A escolha do AINE a ser usado no tratamento de dor crônica associada à inflamação deve se basear nos riscos de desenvolvimento de efeitos adversos cardiovasculares e gastrintestinais, uma vez que os medicamentos dessa classe estão associados a ambos os problemas.

Além disso, o uso de inibidores de bomba de próton, como omeprazol e pantoprazol, pode reduzir a ocorrência de efeitos gástricos.

Embora os anti-inflamatórios tenham um mecanismo de ação semelhante, os indivíduos que não respondem a um AINE podem responder a outro. A razão para isso não está clara.

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Anti-inflamatórios para o tratamento da dor neuropática

A dor neuropática é o resultado de um dano ou doença que atinge um ou mais nervos somatossensoriais, e tanto as suas características quanto o seu tratamento diferem daqueles relativos à dor “comum”, seja ela nociceptiva ou visceral.

Existe a hipótese de que o dano aos nervos periféricos é seguido de uma reação inflamatória e, consequentemente, de um aumento da produção de prostaglandinas. Isso levaria a um aumento da percepção da dor, e à sua cronificação.

Entretanto, os dados que suportem essa hipótese são escarços e mais estudos devem ser realizados para entender o papel da inflamação nesse tipo de dor.

Outro ponto a ser considerado é o amplo uso de anti-inflamatórios não esteroidais no tratamento da dor neuropática, mesmo sem evidências adequadas.

Contudo, não existem evidências de qualidade que atestem a eficácia dos anti-inflamatórios no tratamento da dor neuropática, uma vez que os estudos contém poucos pacientes, além de outros vieses metodológicos.

Além disso, mesmo considerando estudos pequenos e de baixa qualidade, os resultados não são animadores, e o que se pode perceber é não haver efetividade para o tratamento deste tipo de dor.

 

Opinião dos autores: A falta de evidências significativas que justifiquem o uso de anti-inflamatórios não esteroidais na dor neuropática dificultam a recomendação de seu uso como tratamento do problema. Desta forma, são necessários mais estudos, com metodologias mais robustas, que justifiquem esse tipo de tratamento.

Anti-inflamatórios para o tratamento da dor musculoesquelética

Dores associadas ao sistema musculoesquelético são extremamente comuns, e podem ser desencadeadas por diferentes fatores, como lesões, traumas e doenças. Por isso, o uso de medicamentos para tratar esse tipo de dor é bastante alto, e inclui principalmente os anti-inflamatórios.

Nesses casos, o efeito anti-inflamatório, associado à inibição da produção de prostaglandinas, são os responsáveis pelo efeito analgésico, e se mostram eficazes na resolução do quadro.

Na medicina esportiva, o uso de anti-inflamatórios é prescrito para controlar a inflamação, dor e inchaço associados a lesões musculares agudas. Nas primeiras 24 a 48 horas após a lesão, desenvolvem-se vários sintomas, que inclui dor com o uso muscular, rigidez e inchaço. Esses sintomas normalmente atingem o pico entre 24 e 72 horas após a lesão, geralmente desaparecendo após cinco a sete dias.

No entanto, evidências recentes sugerem que a resposta inflamatória à lesão é uma fase necessária da cicatrização dos tecidos moles, e sua inibição com anti-inflamatórios pode retardar a regeneração muscular e diminuir a força muscular após o reparo.

 

Opinião dos autores: Os anti-inflamatórios não esteroidais são uma boa opção de tratamento de dor musculoesquelética, mas sempre considerando os riscos envolvidos. Assim, a avaliação do risco-benefício deve ser feita antes de se iniciar o tratamento com essa classe de medicamentos.

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Quando evitar o uso de anti-inflamatórios?

  • 01.Idade acima de 65 anos
  • 02.Está grávida, ou tentando engravidar
  • 03.Está amamentando
  • 04.Tem asma
  • 05.Já teve reação alérgica a Anti-inflamatórios no passado
  • 06.Teve úlceras gástricas no passado
  • 07.Já teve problemas agudos ou recorrentes cardíacos, no fígado, ou rins
Conclusão

Quando utilizados de forma racional, e em situações onde os benefícios superem os riscos, os anti-inflamatórios não esteroidais demonstram ser uma boa opção para o tratamento da dor.

Entretanto, nem todos os tipos de dor podem ser tratados com essa classe de medicamentos, e sua eficácia só é demonstrada em casos de dor músculo esquelética e em alguns de dor crônica sem componente neuropático.

No caso de lesão muscular, as evidências sugerem que o uso de anti-inflamatórios pode retardar a regeneração muscular e diminuir a força e o tamanho muscular após o reparo. Esta parece ser uma consequência inevitável do fato de que a resposta inflamatória à lesão é uma fase necessária da cicatrização dos tecidos moles.

Referências bibliográficas

  1. Schellack N, Schellack G, Fourie J. A review of Non-Steroidal Anti-inflammatory Drugs. South African pharmaceutical journal. 2015 Vol 82 No 3.
  2. Ho KY, Gwee KA, Cheng YK, Yoon KH, Hee HT, Omar AR. Nonsteroidal anti-inflammatory drugs in chronic pain: implications of new data for clinical practice. Journal of Pain Research. 2018:11 1937–1948.
  3. Moore RA, Chi CC, Wiffen PJ, Derry S, Rice ASC. Oral nonsteroidal anti-inflammatory drugs for neuropathic pain. Cochrane Library. 2015, Issue 10.
  4. Atchison JW, Herndon CM, Rusie E. NSAIDs for Musculoskeletal Pain Management: Current Perspectives and Novel Strategies to Improve Safety. Journal of Managed Care Pharmacy. 2013. Vol. 19, No. 9-a.
Clinica Hong Jin Pai Sao Paulo e1621991307344

RUA SAINT HILAIRE 96 – JARDIM PAULISTA – SÃO PAULO – SP

Clínica de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica

Clínica médica especializada localizada na região dos Jardins, próximo à Av. Paulista, em São Paulo — SP.

Centro de Dor, com médicos especialistas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Tratamento por Ondas de Choque, Infiltrações, Bloqueios anestésicos e Acupuntura Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

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