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Cefaleia e tontura · Dor facial

Sinusite dá tontura e enjoo, mesmo?

A sinusite raramente causa tontura ou enjoo de forma direta; o que parece dor de sinusite costuma ser enxaqueca, e a vertigem vem do labirinto ou do pescoço.

Resposta direta
  • Sinusite (rinossinusite) é inflamação dos seios da face. Os sintomas centrais são obstrução nasal e secreção; pressão e dor na face são comuns. Tontura e enjoo não são sintomas típicos e, quando ocorrem, costumam ser indiretos, no contexto de uma infecção aguda com muito congestionamento.
  • A maior parte das “crises de sinusite” recorrentes, sem secreção purulenta nem obstrução, é na verdade enxaqueca ou cefaleia, mal rotulada de sinusite. É um sobrediagnóstico clássico.
  • Tontura ou vertigem verdadeira pede outro raciocínio: a causa costuma ser vestibular (labirinto, avaliada pelo otorrino ou neurologista) ou cervicogênica (do pescoço), e não dos seios da face.
  • Rinossinusite com secreção, obstrução e febre deve ser avaliada pelo otorrinolaringologista. A clínica de dor não trata sinusite; tratamos a dor facial e a cefaleia associadas e a tontura de origem cervical.
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O que a sinusite realmente causa

Sinusite, hoje chamada de rinossinusite porque a inflamação envolve nariz e seios da face ao mesmo tempo, é a inflamação da mucosa que reveste os seios paranasais. Tem mecanismo e sintomas bem definidos, e tontura e enjoo não estão entre os principais.

Os seios paranasais são quatro pares de cavidades aeradas revestidas por epitélio respiratório pseudoestratificado ciliado, com células caliciformes que produzem muco. O batimento ciliar, em torno de 10 a 15 batimentos por segundo, transporta esse muco sempre em direção a uma abertura natural, o óstio. A topografia importa para entender a doença e suas complicações: os seios maxilares (os maiores), etmoidais (um labirinto de células finas entre os olhos) e frontais drenam para o meato médio por uma via comum, o complexo ostiomeatal; os esfenoidais, mais posteriores, drenam para o recesso esfenoetmoidal. As paredes desses seios fazem fronteira direta com a órbita (a lâmina papirácea do etmoide é fina como papel) e, no esfenoide, com a base do crânio, o seio cavernoso, a carótida e o nervo óptico, o que explica por que uma infecção que se complica encontra essas estruturas vizinhas.

A doença começa quando uma inflamação da mucosa, em geral viral após um resfriado (rinovírus, influenza, coronavírus sazonais), provoca edema e secreção. Esse edema estreita ou oclui o óstio, justamente onde o canal de drenagem já é estreito, e interrompe o transporte mucociliar. O muco fica retido, a pressão e a tensão de oxigênio dentro do seio caem, e esse ambiente de estase favorece a proliferação de bactérias da própria flora respiratória, sobretudo Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis.

É essa sequência, edema, obstrução do óstio e estase de secreção, e não uma “infecção que cai nos seios” do nada, que define a rinossinusite. Por isso o tratamento mira a desobstrução e o controle da inflamação, e não simplesmente “matar um germe”.

O tempo separa as formas. A rinossinusite aguda dura menos de doze semanas e quase sempre é viral (o chamado resfriado comum), que se resolve sozinha em sete a dez dias. Suspeita-se de rinossinusite bacteriana aguda, que é a minoria, quando há sinais específicos: sintomas que duram mais de dez dias sem melhora, quadro intenso com febre alta e secreção purulenta por três a quatro dias, ou a chamada dupla piora (o paciente melhora do resfriado e, em seguida, piora de novo).

A rinossinusite crônica é definida por sintomas que persistem por doze semanas ou mais, muitas vezes ligada a fatores como pólipos nasais, alergia ou desvio de septo. Há ainda a rinossinusite alérgica, em que a inflamação da mucosa é dirigida por alérgenos (ácaros, pólen), com obstrução, coriza clara, espirros e prurido nasal e ocular.

Em todas essas formas, os critérios usados pelos otorrinolaringologistas (consenso EPOS) exigem dois ou mais sintomas, sendo pelo menos um deles obstrução nasal ou secreção (anterior, ou gotejamento posterior pela garganta). A esses se somam, com frequência, pressão ou dor na face e redução ou perda do olfato (hiposmia ou anosmia). Repare que tontura, vertigem e enjoo não fazem parte dessa lista. Isso não quer dizer que quem tem sinusite nunca se sinta tonto ou enjoado, mas significa que, quando a queixa principal é tontura ou vertigem, a sinusite raramente é a explicação direta.

Mito

“Toda vez que sinto pressão na testa e fico tonto, é a minha sinusite voltando.”

Fato

Pressão facial recorrente, sem obstrução do nariz nem secreção purulenta, é com mais frequência enxaqueca. E a tontura associada quase sempre tem causa própria, vestibular ou cervical, que precisa ser investigada à parte.

O elo entre sinusite, tontura e enjoo

Se tontura e enjoo não são sintomas centrais da rinossinusite, por que tanta gente os associa? Porque existe um elo, mas ele é indireto e tem mecanismos concretos, que vale a pena explicar para não trocar uma causa pela outra. O ponto-chave: a rinossinusite pode contribuir para uma sensação de cabeça leve, desequilíbrio e náusea, mas a vertigem rotatória verdadeira (a sensação de que o ambiente gira) quase sempre tem causa vestibular, no labirinto, e não no seio da face.

O caminho mais relevante passa pela tuba auditiva (trompa de Eustáquio), o canal que conecta a parte de trás do nariz (rinofaringe) ao ouvido médio e equaliza a pressão atrás do tímpano. Em repouso a tuba fica fechada; ela se abre por instantes ao engolir e ao bocejar, pela contração do músculo tensor do véu palatino (com auxílio do levantador). Na rinossinusite e na rinite, o edema da mucosa nasal e a congestão se estendem ao óstio faríngeo da tuba e prejudicam essa abertura ativa, a chamada disfunção tubária. Sem ventilação, a mucosa do ouvido médio reabsorve o ar e cria uma pressão negativa atrás do tímpano; com o tempo, pode transudar líquido e instalar uma otite média serosa (com derrame).

O resultado é plenitude auricular (ouvido “tampado”), audição abafada por uma perda condutiva discreta e uma sensação de desequilíbrio e cabeça leve, que as pessoas chamam de “tontura”. Repare que essa é uma tontura de pressão e de orelha média, não uma vertigem do labirinto: ela acompanha a manobra de Valsalva e melhora quando a congestão cede e a tuba volta a abrir.

Há ainda outros elos indiretos. A congestão nasal intensa e a respiração bucal prejudicam o sono e geram fadiga, o que por si só produz tontura inespecífica. A dor e a pressão facial de uma crise, somadas a febre e mal-estar de uma infecção aguda, alimentam náusea e indisposição. O gotejamento pós-nasal (secreção que escorre pela garganta) pode irritar e provocar enjoo, sobretudo ao deitar.

E, em uma fração dos casos, descongestionantes e o próprio quadro infeccioso contribuem para o mal-estar. Tudo isso é real, mas é inespecífico: vem do conjunto do quadro, não de uma ligação anatômica direta entre o seio e o sistema do equilíbrio.

Por que a vertigem rotatória verdadeira aponta para o labirinto, e não para o seio? Porque a sensação de giro nasce do aparelho vestibular do ouvido interno: os três canais semicirculares, que detectam a aceleração angular (rotação), e os órgãos otolíticos (utrículo e sáculo), que detectam a aceleração linear e a gravidade. Esses sinais alimentam o reflexo vestíbulo-ocular, que estabiliza o olhar quando a cabeça se move.

Quando há um descompasso entre os dois labirintos, o cérebro interpreta como giro e dispara nistagmo e náusea. Nada disso depende dos seios da face. A extensão direta de uma rinossinusite para essas estruturas é rara e grave, não a regra.

A labirintite (inflamação do labirinto) é um quadro distinto; a sinusite não “vira” labirintite, embora ambas possam surgir no contexto de uma infecção das vias aéreas. As complicações verdadeiras de uma rinossinusite, como a disseminação para a órbita ou para o sistema nervoso central, são incomuns e se anunciam por sinais de alarme (descritos adiante), não por uma tontura isolada. Por isso a regra prática é simples: tontura ou vertigem como queixa principal pede investigação própria, vestibular ou cervical, e não é explicada pela sinusite.

Elo indireto (existe)

Pressão e congestão

Disfunção da tuba auditiva, ouvido “tampado”, sono ruim, dor facial e gotejamento pós-nasal geram cabeça leve, desequilíbrio e náusea inespecíficos. Melhoram quando a congestão cede.

Elo direto (raro/ausente)

Vertigem que gira

A vertigem rotatória verdadeira aponta para o labirinto, não para o seio da face. A sinusite não causa vertigem rotatória nem “vira” labirintite; isso pede avaliação do otorrino.

Dois tipos de tontura com o mesmo apelido

A maior parte dos textos responde “sim” ou “não” em bloco, e os dois extremos enganam. A nuance que falta é que existem dois fenômenos diferentes com o mesmo apelido. A sinusite pode, sim, deixar a cabeça leve e o estômago enjoado, por congestão, pressão e ouvido tampado, e isso passa quando o nariz desobstrui. Mas a tontura de ambiente girando quase nunca é do seio da face: ela nasce no ouvido interno, e tratar o nariz não a resolve. O erro caro é juntar as duas: a pessoa repete antibiótico e lavagem por meses para uma vertigem que era do labirinto ou do pescoço, e o diagnóstico certo só atrasa. A regra prática é casar o tipo de tontura com a causa, não com o rótulo mais familiar. E há um limite que nenhum texto deveria omitir: vertigem com visão dupla, fala arrastada ou fraqueza não é sinusite nem labirinto, é emergência, possível AVC, e vai para o pronto-socorro na hora.

O grande engano: “sinusite” que é enxaqueca

Este é um dos enganos mais comuns na prática clínica. Muita gente recebe, ao longo de anos, o rótulo de “sinusite crônica” ou “sinusite que sempre volta” para crises de dor e pressão na face, na testa e ao redor dos olhos. Quando se investiga com cuidado, boa parte desses casos não tem sinusite nenhuma: tem enxaqueca ou outra cefaleia primária.

A confusão tem uma explicação neurológica concreta. A dor da enxaqueca depende do sistema trigeminovascular: a ativação do nervo trigêmeo (V par craniano), que inerva a face e os vasos das meninges, e a liberação de neuropeptídeos como o CGRP. Esse mesmo arco aciona, por um reflexo parasympático que passa pelo gânglio esfenopalatino, sintomas autonômicos no mesmo lado da dor: congestão nasal, coriza clara, lacrimejamento e sensação de nariz entupido (os chamados sintomas autonômicos cranianos). Para quem sente isso, a leitura intuitiva é “meu nariz está congestionado e minha testa dói, logo é sinusite”.

O estudo SAMS e outros que avaliaram pessoas com autodiagnóstico ou diagnóstico prévio de “sinusite” mostraram que a grande maioria, sem secreção purulenta nem achados de imagem, na verdade preenchia os critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD) para enxaqueca ou cefaleia tipo tensional. A pressão na face é real; o rótulo é que está errado.

A diferença prática é enorme, porque muda o tratamento. A “dor de sinusite” que é enxaqueca não melhora com antibiótico nem com lavagem nasal: melhora quando a enxaqueca é tratada como enxaqueca. Por isso vale conhecer as pistas que separam um quadro do outro.

Rinossinusite verdadeira x enxaqueca rotulada de “sinusite”
PistaRinossinusiteEnxaqueca / cefaleia
Secreção nasalEspessa, muitas vezes amarelada ou esverdeada, abundanteAusente ou clara e escassa (autonômica)
Obstrução do narizMarcante, sustentada por diasSensação de entupimento que vem e vai com a crise
OlfatoCostuma reduzir ou sumirPreservado
Caráter da dorPressão, peso, piora ao abaixar a cabeçaLatejante, em geral de um lado, piora com luz, som e movimento
Náusea e sensibilidade a luz/somPouco frequentesMuito sugestivas, marcas da enxaqueca
PadrãoEpisódio definido, em geral após resfriado, com febre possívelRecorrente, repetindo o mesmo padrão por anos, sem febre
Pérola clínica

Dor facial recorrente que vem com náusea, incômodo com a luz e melhora num quarto escuro e silencioso é enxaqueca até prova em contrário, mesmo que a pessoa sinta o nariz congestionado. A entrevista clínica detalhada vale mais que a tomografia para esse diagnóstico. Entenda melhor na página sobre enxaqueca: o que é, causas e tratamentos.

De onde vem a tontura, se não é da sinusite

Quando a queixa é mesmo de tontura, o primeiro passo é separar o que a pessoa quer dizer com a palavra, porque “tontura” agrupa sensações diferentes, com causas diferentes. A entrevista cuidadosa orienta toda a investigação.

  • Vertigem. Sensação rotatória, de que você ou o ambiente giram. Aponta com força para causa vestibular, no labirinto ou nas vias do equilíbrio.
  • Desequilíbrio. Sensação de instabilidade ao andar ou ficar de pé, como se fosse cair, sem giro.
  • Pré-síncope. Sensação de desmaio iminente, “vista escurecendo”, ligada à circulação e à pressão arterial.
  • Tontura inespecífica. “Cabeça leve” ou “zonza”, muitas vezes associada a ansiedade, sono ruim ou tensão cervical.

As causas verdadeiras de tontura e vertigem raramente passam pelos seios da face, e cada uma tem um exame que a confirma. A mais comum é a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB): pequenos cristais de carbonato de cálcio (otocônia) que se soltam do utrículo e migram para um dos canais semicirculares, na maioria das vezes o canal semicircular posterior. Cada mudança de posição da cabeça desloca os cristais e provoca vertigem de segundos ao virar na cama ou olhar para cima. Confirma-se com a manobra de Dix-Hallpike (que reproduz a vertigem e um nistagmo típico) e trata-se com manobras de reposicionamento, como a manobra de Epley, que reconduzem os cristais de volta ao utrículo, em geral sem nenhum remédio.

Outras causas frequentes são a neurite vestibular (vertigem aguda e sustentada por dias, em geral pós-viral, com teste de impulso cefálico alterado de um lado), a doença de Ménière (crises de vertigem com zumbido, plenitude e perda auditiva flutuante), a vestibulopatia medicamentosa e circulatória, e a tontura cervicogênica, ligada à disfunção da coluna cervical alta. Avaliar isso é papel do otorrinolaringologista e, quando há sinais de alerta neurológicos, do neurologista. Veja o panorama completo das causas na página muita tontura: pode ser o quê?.

Diante de uma vertigem aguda e contínua, a pergunta clínica decisiva é separar a causa periférica (labirinto, em geral benigna) da central (tronco encefálico ou cerebelo, que pode ser um AVC). À beira do leito, o conjunto de três testes conhecido como HINTS ajuda nessa distinção: um teste de impulso cefálico normal, um nistagmo que muda de direção conforme o olhar, ou um desalinhamento vertical dos olhos (skew) apontam para causa central e mudam a conduta para uma investigação de urgência. Nenhum desses elementos remete aos seios da face, o que reforça que a tontura tem um circuito diagnóstico próprio.

A tontura cervicogênica, que se liga à dor

Há um tipo de tontura que se conecta diretamente ao trabalho da clínica: a tontura cervicogênica. A coluna cervical alta (segmentos C1 a C3) é densamente povoada de mecanorreceptores de posição, sobretudo nos fusos musculares da musculatura suboccipital (reto posterior maior e menor, oblíquos) e nas cápsulas das articulações zigapofisárias. Essas aferências proprioceptivas convergem nos núcleos vestibulares e no complexo trigeminocervical, onde se somam aos sinais do labirinto e da visão para construir o senso de equilíbrio e calibrar o reflexo cervico-ocular. Quando há disfunção cervical, dor miofascial e perda de mobilidade nesses segmentos, a informação proprioceptiva fica distorcida e entra em conflito com a do labirinto e a da visão.

O resultado é uma sensação de instabilidade e desorientação, em geral acompanhada de dor e rigidez no pescoço, que piora com a postura mantida e com o movimento da cabeça. Essa mesma convergência trigeminocervical explica por que a disfunção cervical alta também alimenta a cefaleia cervicogênica e a enxaqueca.

A tontura cervicogênica costuma ser uma sensação de “flutuar” ou de desequilíbrio, não a vertigem rotatória clássica, e anda junto com o quadro cervical. É um diagnóstico de exclusão: confirma-se depois de afastadas as causas vestibulares e neurológicas, em geral com o otorrino. Quando esse é o quadro, faz sentido tratar o pescoço. Os critérios e os sintomas dessa forma de tontura estão detalhados na página sobre tontura cervical: sintomas.

Vestibular (otorrino)

Gira o ambiente

Vertigem rotatória, desencadeada por movimentos da cabeça na cama, às vezes com zumbido ou alteração auditiva. Investigação otorrinolaringológica.

Cervicogênica (dor)

Sensação de flutuar

Desequilíbrio associado a dor e rigidez no pescoço, que piora com a postura e o movimento cervical. Aqui a reabilitação da coluna cervical entra.

Sinais de alerta

A maioria dos quadros de dor facial e de tontura é benigna, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam para causas que mudam a conduta. Procure atendimento sem demora diante de qualquer um destes:

No caso específico da rinossinusite, a preocupação é a sinusite complicada: a inflamação que rompe os limites do seio através das paredes finas que ele divide com a órbita e o crânio. A via mais comum é a órbita, a partir do etmoide através da lâmina papirácea: as complicações orbitárias seguem uma gradação (classificação de Chandler), da celulite pré-septal à celulite orbitária pós-septal, ao abscesso subperiosteal e ao abscesso orbitário, podendo chegar à trombose do seio cavernoso. As complicações intracranianas, mais raras, incluem meningite, empiema subdural, abscesso cerebral e o tumor turgente de Pott (osteomielite do osso frontal). São quadros incomuns, mas configuram emergência, e os sinais são razoavelmente típicos.

Sinais de alerta · emergência

Procure pronto-atendimento sem demora se houver

  • Sinais orbitários num quadro de sinusite: inchaço e vermelhidão da pálpebra, dor ao redor do olho, olho projetado para fora (proptose), limitação ou dor ao mover o olho (oftalmoplegia), visão dupla ou queda da acuidade visual. Indicam que a infecção pode ter ultrapassado o septo orbitário e exigem avaliação imediata.
  • Sinais de extensão ao sistema nervoso central: dor de cabeça intensa e progressiva com febre alta, rigidez de nuca, confusão mental, sonolência, convulsão ou um inchaço mole na testa (sugestivo de tumor turgente de Pott).
  • Tontura ou vertigem com sinais centrais: fraqueza, dormência, fala arrastada, visão dupla, dificuldade para andar ou descoordenação, ou um nistagmo que muda de direção com o olhar, vertical, ou com desalinhamento ocular (skew) e teste de impulso cefálico normal. Esse padrão (um HINTS “central”) pede avaliação neurológica de urgência para excluir AVC.
  • A pior dor de cabeça da vida, súbita e explosiva, ou cefaleia de início recente após os 50 anos.
  • Tontura persistente que não melhora, com quedas, ou com perda auditiva súbita de um lado.
  • Dor de cabeça que muda de padrão, piora progressivamente ou acorda você à noite.

Esses sinais apontam para causas que vão além da dor musculoesquelética e da cefaleia primária, e que exigem o especialista certo com rapidez, seja o otorrinolaringologista, seja o neurologista, seja o pronto-atendimento. Na ausência deles, a rinossinusite não complicada costuma ser conduzida ambulatorialmente pelo otorrino, e a dor facial de fundo de enxaqueca e a tontura de origem cervical costumam responder bem a um plano de tratamento conduzido ao longo de algumas semanas.

Assista: Enxaqueca dá tontura? Enxaqueca dá náuseas? Quando me preocupar?

Tratamento: da rinossinusite à dor facial e à tontura

Homem deitado de olhos fechados recebendo agulhas finas de acupuntura na região da testa e do couro cabeludo.
A acupuntura na face e no couro cabeludo pode integrar o tratamento dos sintomas associados a sinusite, sempre dentro de um plano clínico.

O tratamento certo depende do diagnóstico certo, e aqui há dois territórios. O primeiro é a rinossinusite propriamente dita, conduzida pelo otorrinolaringologista: a clínica de dor não trata sinusite, mas vale conhecer em profundidade como ela é manejada, porque é isso que resolve a obstrução, a secreção e a pressão facial de verdade. O segundo é a cefaleia e a dor facial (incluindo a enxaqueca tantas vezes confundida com sinusite) e a tontura de origem cervical, que de fato nos competem, dentro de um plano multimodal, individualizado e não-cirúrgico cuja base é ativa, com exercício e reabilitação.

As seções abaixo detalham as principais modalidades de cada território. Nenhuma intervenção isolada costuma resolver sozinha: a escolha e a ordem dependem do quadro, das comorbidades e da resposta.

Lavagem nasal com solução salina

O que é: irrigação das fossas nasais com solução salina (isotônica ou hipertônica), feita com seringa, frasco compressível ou dispositivos próprios. É medida de primeira linha em praticamente todas as formas de rinossinusite e pode ser usada com segurança por longos períodos.

Mecanismo: remove mecanicamente muco espesso, crostas e alérgenos, hidrata a mucosa e melhora a depuração mucociliar; a solução hipertônica ainda reduz o edema local por osmose, ajudando a desobstruir o complexo ostiomeatal. Não é “limpeza profunda” dos seios, e sim higiene da mucosa nasal que facilita a drenagem.

Evidência: de boa qualidade na rinossinusite crônica, onde melhora sintomas e qualidade de vida; benefício mais modesto, porém favorável, no alívio sintomático da forma aguda. É recomendada por consensos como o EPOS.

O que esperar: alívio sintomático gradual ao longo de dias a semanas de uso regular (uma a duas vezes ao dia). É adjuvante e mantém-se enquanto houver inflamação ativa.

Indicações: rinossinusite aguda e crônica, rinite alérgica, gotejamento pós-nasal; útil também antes do corticoide nasal, para limpar a mucosa.

Limitações e cuidados: ardência ou desconforto leve no início; deve-se usar água fervida e resfriada, filtrada ou destilada (nunca água da torneira sem tratamento) e higienizar o dispositivo, para evitar contaminação. Sozinha, não trata uma infecção bacteriana.

Corticoide nasal tópico

O que é: spray nasal de corticosteroide (budesonida, mometasona, fluticasona, triancinolona), aplicado diariamente. É o pilar farmacológico da rinossinusite crônica e da rinite alérgica, e adjuvante na forma aguda.

Mecanismo: ação anti-inflamatória local que reduz o edema da mucosa, a produção de muco e a infiltração de células inflamatórias, desobstruindo os óstios de drenagem. Por agir topicamente, em dose baixa, tem absorção sistêmica pequena.

Evidência: consistente na rinossinusite crônica (com e sem pólipos) e na rinite alérgica; na rinossinusite aguda, evidência de benefício sintomático adjuvante, de magnitude modesta.

O que esperar: o efeito é cumulativo e depende do uso contínuo e da técnica correta de aplicação (jato direcionado para a lateral do nariz, não para o septo). O benefício costuma se estabelecer ao longo de uma a duas semanas.

Indicações: rinossinusite crônica, polipose nasal, rinite alérgica; componente alérgico de qualquer rinossinusite.

Limitações e efeitos: ardência, ressecamento e sangramento nasal leve são comuns; raramente perfuração septal com uso prolongado e técnica incorreta. Dose, escolha e duração cabem ao médico. Não confundir com o corticoide oral, reservado a situações selecionadas (por exemplo, polipose) por curtos períodos, com indicação específica.

Analgesia e controle da dor e da febre

O que é: uso de analgésicos e anti-inflamatórios para a dor e a febre da fase aguda (paracetamol, dipirona, ou anti-inflamatórios não esteroidais como ibuprofeno).

Mecanismo: o paracetamol e a dipirona atuam predominantemente no controle central da dor e da febre; os anti-inflamatórios reduzem a produção de prostaglandinas, atenuando dor e inflamação.

O que esperar: alívio sintomático por horas, por períodos curtos, enquanto o quadro agudo se resolve. Não encurtam a doença viral, mas melhoram o conforto.

Indicações: dor facial e febre da rinossinusite aguda.

Limitações e efeitos: anti-inflamatórios pedem cautela em gastrite, doença renal, hipertensão e em idosos; respeitar dose e duração. A automedicação prolongada para “dor de sinusite” recorrente, que costuma ser enxaqueca, pode levar à cefaleia por uso excessivo de analgésicos.

Descongestionantes, por curto prazo

O que é: medicamentos que reduzem o inchaço da mucosa, tópicos (oximetazolina, nafazolina) ou orais (pseudoefedrina).

Mecanismo: vasoconstrição local por estímulo de receptores alfa-adrenérgicos, que reduz o ingurgitamento dos vasos da mucosa e melhora temporariamente a passagem de ar.

O que esperar: alívio rápido da obstrução, mas apenas sintomático. O uso tópico deve ficar limitado a três a cinco dias.

Indicações: alívio de curto prazo da obstrução nasal intensa na fase aguda; podem aliviar também a sensação de ouvido “tampado” ao reduzir a congestão em torno da tuba auditiva.

Limitações e efeitos: o descongestionante tópico usado por mais de cinco dias causa rinite medicamentosa (congestão de rebote, que se autoperpetua). Os orais podem elevar a pressão arterial, acelerar os batimentos e atrapalhar o sono; cautela em hipertensos, cardiopatas e idosos.

Antibiótico, apenas quando a sinusite é bacteriana

O que é: antibioticoterapia reservada à rinossinusite bacteriana aguda, que é a minoria dos casos. A maioria das rinossinusites agudas é viral e não se beneficia de antibiótico.

Mecanismo e critério: o antibiótico age sobre as bactérias, não sobre vírus. Por isso só é indicado quando o quadro preenche critérios de provável origem bacteriana: sintomas por mais de dez dias sem melhora, quadro grave com febre alta e secreção purulenta por três a quatro dias, ou dupla piora. Quando indicado, a primeira linha habitual é a amoxicilina, isolada ou associada ao clavulanato, conforme o caso.

Evidência: em rinossinusite aguda não selecionada, o benefício do antibiótico sobre placebo é pequeno e a maioria melhora espontaneamente; o uso indiscriminado aumenta efeitos adversos e resistência bacteriana. Por isso os consensos recomendam a abordagem de “espera vigilante” em casos leves.

Indicações: apenas a forma bacteriana definida pelos critérios acima, ou complicações, sempre com avaliação médica.

Limitações e efeitos: diarreia, náusea, alergias e seleção de resistência. A escolha, a dose e a duração são do médico; não se deve guardar ou repetir antibiótico por conta própria.

Tratamento do componente alérgico

O que é: manejo da alergia subjacente quando ela dirige ou agrava a rinossinusite, com anti-histamínicos de segunda geração (loratadina, desloratadina, cetirizina, fexofenadina), corticoide nasal e controle ambiental; em casos selecionados, imunoterapia indicada pelo especialista.

Mecanismo: os anti-histamínicos bloqueiam os receptores H1 e reduzem espirros, coriza e prurido; o controle ambiental diminui a exposição ao alérgeno; a imunoterapia modula a resposta imune ao longo do tempo.

Evidência: bem estabelecida no controle da rinite alérgica, que com frequência coexiste com a rinossinusite e perpetua a inflamação da mucosa.

O que esperar: redução dos sintomas alérgicos em dias; o controle ambiental e a imunoterapia têm benefício mais lento e sustentado.

Indicações: rinossinusite com componente alérgico, rinite alérgica associada.

Limitações e efeitos: os anti-histamínicos de primeira geração causam sonolência e devem ser evitados; preferem-se os de segunda geração. A imunoterapia é conduzida por especialista, com indicação criteriosa.

Manejo da tontura e do enjoo associados

O que é: abordagem da tontura, da plenitude auricular e da náusea que acompanham a congestão, dirigida à causa. Quando a tontura vem da disfunção tubária e da pressão do ouvido médio, o eixo é descongestionar e tratar a inflamação nasal (lavagem salina, corticoide nasal, controle da alergia, descongestionante por curto prazo), associando manobras de equalização da tuba auditiva, como a de Valsalva (assoar com nariz e boca fechados), a de Toynbee (engolir com o nariz tampado) ou a autoinsuflação com dispositivo próprio, e reavaliação pelo otorrino se persistir.

Mecanismo: ao reduzir o edema em torno da entrada da tuba auditiva, restabelece-se a aeração e o equilíbrio de pressão no ouvido médio, o que costuma resolver a sensação de ouvido “tampado” e o desequilíbrio associado. A náusea ligada à dor, à febre e ao gotejamento pós-nasal cede conforme o quadro agudo melhora.

O que esperar: melhora junto com a resolução da congestão. Tontura ou vertigem que persiste depois que o nariz desobstruiu, ou que tem caráter rotatório, deixa de ser atribuível à sinusite e exige investigação vestibular.

Indicações: cabeça leve e plenitude auricular no contexto de congestão; náusea inespecífica da fase aguda.

Limitações: não se deve usar supressor vestibular (como anti-histamínicos sedativos do tipo dimenidrinato ou a betaistina) de forma prolongada para “tontura de sinusite”. Além de mascarar o sintoma e atrasar o diagnóstico de uma causa vestibular verdadeira, o uso prolongado de supressores prejudica a compensação vestibular central, o processo pelo qual o cérebro se readapta. Quando há de fato um componente vestibular, o caminho costuma ser a reabilitação vestibular (exercícios de estabilização do olhar e de habituação), e não o remédio contínuo.

O que a clínica de dor trata: cefaleia, dor facial e tontura cervical

Fechado o território do otorrino, fica o que de fato nos compete. Boa parte da “dor de sinusite” recorrente, sem secreção nem obstrução, é enxaqueca; e parte da tontura é cervicogênica. Para esses quadros, a base é a reabilitação ativa, somada a técnicas de neuromodulação e, quando indicado, a procedimentos e ao manejo medicamentoso da enxaqueca, sempre como plano individualizado.

Diagnóstico correto primeiro

Separar rinossinusite (otorrino) de enxaqueca/cefaleia, e tontura vestibular (otorrino/neuro) de tontura cervicogênica. O tratamento depende disso.

Reabilitação e exercício

Base do plano na cefaleia cervicogênica e na tontura cervical: mobilidade, controle motor e fortalecimento da musculatura cervical profunda.

Acupuntura médica

Para o componente de enxaqueca e a náusea associada, e para a dor cervical que sustenta a tontura cervicogênica.

Manejo da enxaqueca

Tratamento medicamentoso da crise e de prevenção da enxaqueca, conduzido pelo médico, sempre individualizado.

Reabilitação cervical e exercício: a base

Tanto na cefaleia cervicogênica quanto na tontura cervical, a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança é a reabilitação ativa. O foco é o controle da coluna cervical alta: ativação dos flexores profundos do pescoço (a chamada flexão craniocervical), estabilização escapulotorácica, ganho de mobilidade e fortalecimento progressivo, com terapia manual como adjuvante. Na tontura cervicogênica, somam-se exercícios de reposicionamento e de coordenação cervical, que recalibram a informação proprioceptiva distorcida que gera a sensação de instabilidade. O mecanismo é direto: ao melhorar a entrada de sinais de posição vinda de um pescoço menos dolorido e mais móvel, reduz-se o conflito sensorial que produz a tontura.

Na clínica, o atendimento de reabilitação é individual, um paciente por sala. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e o programa é mantido depois do alívio para reduzir recorrências.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

A acupuntura médica é a inserção de agulhas finas em pontos definidos, por médico com formação específica; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas. O mecanismo analgésico é a modulação da dor em vários níveis: segmentar, no corno dorsal da medula (a teoria da comporta), e supraespinhal, pela ativação de vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos, com a baixa frequência tendendo a recrutar mais esses sistemas.

No contexto desta página, ela interessa por dois alvos concretos. O primeiro é a enxaqueca tantas vezes rotulada de “sinusite”: há evidência moderada de que a acupuntura reduz a frequência das crises, com recomendação de diretrizes internacionais como opção de prevenção, e pontos do segmento crânio-cervical somam-se ao tratamento da dor cervical crônica que sustenta a tontura cervicogênica. O segundo é a náusea: o estímulo do ponto PC6 (no antebraço) tem evidência razoável em êmese pós-operatória e por movimento, o que é diretamente útil quando o enjoo acompanha a crise de dor de cabeça, justamente a queixa que muita gente atribui à sinusite. Para o componente miofascial cervical, agulha-se a musculatura suboccipital e o trapézio superior que referem dor para a testa e a face.

Como o quadro aqui costuma misturar enxaqueca, tensão cervical e enjoo, o número de sessões e a escolha dos pontos saem da consulta e do que predomina, não de um pacote fixo, com reavaliação ao longo do caminho; o alívio tende a ser progressivo e cumulativo, e a acupuntura entra como parte do plano, ao lado da reabilitação cervical, nunca isolada. A acupuntura médica praticada na clínica segue a linha de ensino e pesquisa do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão sistemática · diretrizEvidência moderada

Acupuntura na profilaxia da enxaqueca

Revisões sistemáticas e diretrizes apontam que a acupuntura pode reduzir a frequência das crises de enxaqueca, com perfil de segurança favorável, sendo uma opção quando se busca alternativa ou complemento à medicação preventiva. A magnitude do efeito varia entre estudos e a indicação depende do quadro individual.

Ver referências →

Manejo medicamentoso da enxaqueca

Quando a “dor de sinusite” recorrente se confirma como enxaqueca, o manejo medicamentoso tem papel central e deve ser conduzido pelo médico, em dois eixos. Para a crise (tratamento abortivo), analgésicos e anti-inflamatórios e, em casos selecionados, os triptanos (sumatriptana, naratriptana), agonistas dos receptores de serotonina 5-HT1B/1D que reduzem a inflamação neurogênica; é essencial limitar a frequência de uso para não induzir a cefaleia por uso excessivo de medicação.

Para a prevenção, quando as crises são frequentes, usam-se classes com evidência consolidada: betabloqueadores (propranolol), o antidepressivo tricíclico amitriptilina em dose baixa (faixa habitual de 10 a 25 mg ao deitar, com ajuste conforme tolerância), ou o antiepiléptico topiramato, todos com indicação, dose e duração individualizadas. Em casos refratários, existem ainda os anticorpos monoclonais anti-CGRP. A escolha respeita comorbidades e o perfil de efeitos adversos (por exemplo, sonolência e boca seca com a amitriptilina).

Conforme o diagnóstico, o caminho muda
QuadroQuem avalia e trataO que a clínica de dor faz
Rinossinusite (secreção, obstrução, febre)OtorrinolaringologistaNão trata; encaminha ao otorrino
Enxaqueca / cefaleia (“sinusite” mal rotulada)Médico da dor, fisiatra, neurologistaManejo da enxaqueca, acupuntura, reabilitação cervical
Vertigem vestibular (VPPB, labirintite)Otorrinolaringologista, neurologistaNão trata a causa; encaminha
Tontura cervicogênicaMédico da dor, fisiatra (após excluir o vestibular)Reabilitação cervical, acupuntura, agulhamento seco
Semana 1 a 2

Diagnóstico e controle inicial

Definir a causa (e encaminhar ao otorrino quando indicado), ajustar postura e sono, iniciar mobilidade cervical e o manejo da crise.

Semana 3 a 6

Progressão

Fortalecimento, reabilitação vestibular cervical e técnicas em clínica. A frequência das dores e a sensação de instabilidade costumam começar a ceder.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico e consideram-se procedimentos guiados ou nova investigação com o especialista.

Medimos a frequência das crises de dor de cabeça por mês (um diário de cefaleia ajuda a ver se a “sinusite recorrente” responde como enxaqueca), a intensidade da dor facial numa escala de 0 a 10 e o quanto a tontura ainda limita virar a cabeça, dirigir ou descer escadas. Se em seis semanas a dor não cede e a instabilidade persiste, o passo seguinte é revisar o próprio diagnóstico: confirmar com o otorrino se há sinusite ativa ou causa vestibular escapando, reavaliar se a dor é mesmo enxaqueca e ajustar o eixo do tratamento de acordo. A meta é reduzir a frequência e a intensidade das crises e devolver estabilidade e função.

Da prática clínica

Quando alguém chega dizendo que a “sinusite dá tontura”, a sensação descrita quase sempre é de cabeça leve, nebulosa, “embarcada”, e vem junto com nariz entupido e ouvido tampado, raramente o ambiente girando de verdade. Por isso a primeira pergunta vale mais que qualquer exame: peço a pessoa para descrever a tontura sem usar a palavra “tontura”, e o relato costuma separar sozinho o que é pressão e congestão do que é labirinto, pescoço ou enxaqueca. O que mais surpreende quem chega é descobrir que a “sinusite que sempre volta”, com peso na testa e enjoo, era enxaqueca o tempo todo, e que melhora tratando enxaqueca, não com mais antibiótico e lavagem. E há a parte que repito sempre: vertigem rotatória intensa que vem com visão dupla, fala arrastada, fraqueza de um lado ou desequilíbrio para andar não é assunto de consultório nem de sinusite, é pronto-socorro na hora, porque a preocupação é AVC. Casar o tipo de tontura com a causa certa é o que mais muda o rumo do tratamento.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Mulher deitada de olhos fechados enquanto mãos posicionam agulhas finas de acupuntura na região frontal da cabeça.
O agulhamento e feito com a paciente relaxada e o profissional guiando cada ponto, sem o desconforto que muitos imaginam.

Sinusite dá tontura?

Tontura não é um sintoma típico de sinusite. Quando aparece, costuma ser indireta: a congestão se estende à tuba auditiva (trompa de Eustáquio) e altera a pressão do ouvido médio, gerando ouvido “tampado” e sensação de cabeça leve; somam-se sono ruim, dor e febre da fase aguda. Essa tontura melhora quando a congestão cede. Já a vertigem rotatória verdadeira, em que o ambiente gira, aponta para o labirinto, não para o seio da face, e precisa ser investigada à parte, em geral pelo otorrino.

Sinusite dá enjoo?

O enjoo não é sintoma central da sinusite. Pode aparecer de forma inespecífica numa infecção aguda com muita secreção que escorre pela garganta, febre e indisposição. Mas náusea junto com dor de cabeça latejante e incômodo com a luz é mais sugestiva de enxaqueca, que muitas vezes é confundida com sinusite.

Quais são os sintomas reais de sinusite?

Os sintomas centrais são obstrução nasal e secreção (pelo nariz ou pela garganta), somados com frequência a pressão ou dor na face e à redução do olfato. Na forma aguda, costuma vir depois de um resfriado, com secreção que pode ficar espessa e amarelada, dor que piora ao abaixar a cabeça e, às vezes, febre. Tontura, vertigem e enjoo não fazem parte dos critérios. O diagnóstico é do otorrinolaringologista.

Como sei se é sinusite ou enxaqueca?

A sinusite costuma trazer secreção espessa, obstrução marcante e perda de olfato, em geral após um resfriado. A enxaqueca traz dor latejante, em geral de um lado, com náusea e sensibilidade a luz e som, repetindo o mesmo padrão por anos, sem febre nem secreção purulenta. Muita “sinusite que sempre volta” é, na verdade, enxaqueca. A entrevista clínica detalhada esclarece a maioria dos casos.

A clínica trata sinusite?

Não. Rinossinusite é do domínio do otorrinolaringologista, que avalia e conduz o tratamento. O que tratamos é a cefaleia e a dor facial associadas, incluindo a enxaqueca tantas vezes rotulada de sinusite, e a tontura de origem cervical, com reabilitação, acupuntura e manejo da dor. Quando o quadro é de sinusite, encaminhamos ao especialista certo.

Tontura por causa do pescoço existe?

Sim, é a tontura cervicogênica. A coluna cervical alta envia ao cérebro informações de posição que se integram às do labirinto e da visão. Quando há disfunção e dor no pescoço, essa informação se distorce e gera uma sensação de instabilidade ou de flutuar, associada a dor e rigidez cervical. É um diagnóstico de exclusão, feito depois de afastadas as causas vestibulares, e responde à reabilitação da coluna cervical. Veja tontura cervical: sintomas.

Sinusite pode virar labirintite?

São quadros distintos e a sinusite não se transforma em labirintite. A labirintite é uma inflamação do labirinto, no ouvido interno, e a rinossinusite é dos seios da face; são estruturas e mecanismos diferentes. O que confunde é que ambas podem aparecer no contexto de uma infecção das vias aéreas. Se há vertigem rotatória de verdade, com ou sem alteração auditiva, quem avalia é o otorrinolaringologista, não a clínica de dor.

Pressão no rosto e na cabeça é sempre sinusite?

Não. Pressão ou peso na testa, ao redor dos olhos e na face é uma queixa que se sobrepõe entre rinossinusite e enxaqueca, e por isso é tão confundida. Quando vem acompanhada de obstrução nasal marcante, secreção espessa e perda de olfato, sugere sinusite, do otorrino. Quando é recorrente, sem secreção purulenta, e vem com náusea ou incômodo com a luz, costuma ser enxaqueca. A diferenciação se faz pela entrevista clínica.

Quanto tempo dura uma sinusite?

De modo geral, a rinossinusite aguda tende a melhorar em poucas semanas, muitas vezes acompanhando a resolução do resfriado que a precedeu. Quando os sintomas se arrastam por mais tempo ou voltam com frequência, é preciso reavaliar o diagnóstico com o otorrinolaringologista, porque boa parte da “sinusite que nunca passa” é, na verdade, enxaqueca rotulada de sinusite. A avaliação define a causa e a conduta.

Prof. Dr. Hong Jin Pai
Sobre o autor
Prof. Dr. Hong Jin Pai
CRM-SP 36.399RQE 29.862

Médico com atuação em Acupuntura Médica, dor, ensino clínico e formação médica continuada. Diretor técnico da Clínica Dr. Hong Jin Pai.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências3 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Rosenfeld RM, et al. Clinical practice guideline (update): adult sinusitis. Otolaryngol Head Neck Surg. 2015;152(2 Suppl):S1-S39. acessar
  2. Cady RK, et al. Sinus headache: a neurology, otolaryngology, allergy, and primary care consensus on diagnosis and treatment. Mayo Clin Proc. 2005;80(7):908-916. acessar
  3. Fokkens WJ, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology. 2020;58(Suppl 29):1-464. acessar
Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Diferenciar sinusite de enxaqueca e tontura vestibular de tontura cervicogênica depende de exame presencial; cada quadro tem causa, especialista e tratamento próprios, individualizados caso a caso. Sinais de alerta neurológicos, oculares ou a pior dor de cabeça da vida pedem atendimento imediato.

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