Sumax para enxaqueca: para que serve e como tomar
O Sumax tem sumatriptana e trata a crise de enxaqueca já instalada, como abortivo específico, não como analgésico ou preventivo.
- O Sumax é sumatriptana, um triptano. Serve para abortar a crise de enxaqueca em curso: age sobre o mecanismo vascular e trigeminal da dor, diferente de um analgésico comum que só atenua o sintoma.
- Funciona melhor quando tomado cedo, logo no início da dor de cabeça, e não na prevenção: para reduzir a frequência das crises é preciso outra estratégia, a profilaxia.
- Tem contraindicações cardiovasculares importantes e risco de cefaleia por uso excessivo de medicação. A escolha e a dose são definidas pelo médico, dentro de um plano de manejo da enxaqueca.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
Sumax serve para enxaqueca? Para que serve
O Sumax serve para enxaqueca: é a marca de um medicamento cujo princípio ativo é a sumatriptana, o primeiro dos chamados triptanos. Sua função é abortar a crise de enxaqueca já em curso, ou seja, interromper o ataque depois que ele começou, e não preveni-lo.
A enxaqueca tem dois grandes momentos de tratamento. O tratamento abortivo (ou de crise) é o que você toma quando a dor aparece, para encurtar e aliviar aquele episódio. O tratamento profilático (ou preventivo) é o que se toma todos os dias, fora das crises, para reduzir a frequência e a intensidade dos ataques ao longo do tempo.
A sumatriptana pertence ao primeiro grupo: é uma medicação de crise. Tomar Sumax esperando que ele “cure” a enxaqueca ou diminua o número de crises é usar a ferramenta para uma função que não é a dela.
A sumatriptana é um abortivo específico, projetado para a fisiologia da enxaqueca, diferente de um anti-inflamatório como o naproxeno ou o ibuprofeno, que são abortivos inespecíficos e atuam reduzindo a inflamação de forma genérica. Por isso ela costuma ser considerada quando a crise é moderada a intensa, quando os anti-inflamatórios não resolvem, ou quando a náusea e a fotofobia dominam o quadro. A relação entre crise, abortivo e profilaxia é tratada em profundidade no guia completo sobre enxaqueca.
| Aspecto | Abortivo (crise) · ex.: sumatriptana | Profilaxia (prevenção) |
|---|---|---|
| Quando se usa | Quando a crise começa | Todos os dias, fora das crises |
| Objetivo | Cortar a dor daquele ataque | Reduzir a frequência e a intensidade ao longo do tempo |
| Exemplos | Triptanos, anti-inflamatórios, antieméticos | Propranolol, amitriptilina, nortriptilina, topiramato, toxina botulínica |
| Sumax / sumatriptana | Sim, é desta categoria | Não previne crises |
Quatro pontos mudam a forma de usar a sumatriptana:
- Ela é um resgate, não uma prevenção. Corta o ataque em curso e não reduz em nada a frequência com que a enxaqueca volta. Tomar mais Sumax não diminui o número de crises.
- O resultado depende do momento da dose. Tomada nos primeiros sinais, costuma cortar a crise; tomada com a dor já intensa, rende muito menos. O mesmo comprimido “funciona” ou “não funciona” em grande parte pela hora em que foi tomado.
- Usada em muitos dias do mês, ela se vira contra o paciente: o triptano em excesso provoca cefaleia por uso excessivo (rebote) e transforma uma enxaqueca episódica em dor quase diária. Crises frequentes pedem um plano de profilaxia à parte, não mais doses de resgate.
- Há um público que não pode usá-la: por ser vasoconstritora, está fora de cogitação em doença coronariana, infarto ou AVC prévios e hipertensão não controlada. Esse é um filtro de segurança da bula.

Como a sumatriptana age na crise
A sumatriptana é um agonista seletivo dos receptores de serotonina do tipo 5-HT1B e 5-HT1D. Traduzindo: ela imita a serotonina em pontos muito específicos do sistema vascular e nervoso ligado à crise de enxaqueca, e essa ação se dá por dois mecanismos complementares.
O primeiro é vascular. Durante a crise, vasos sanguíneos intracranianos e meníngeos se dilatam de forma anormal. Ao estimular os receptores 5-HT1B presentes na parede desses vasos, a sumatriptana promove vasoconstrição seletiva, devolvendo o calibre vascular a um estado mais próximo do normal. É também esse mesmo efeito vasoconstritor que explica boa parte das contraindicações cardiovasculares, descritas adiante: o que estreita um vaso dilatado da meninge pode estreitar, em menor grau, vasos em outros territórios.
O segundo mecanismo é neural. A enxaqueca envolve a ativação do sistema trigeminovascular, com liberação de neuropeptídeos inflamatórios, como o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), que sustentam a dor e a inflamação neurogênica. Ao agir sobre os receptores 5-HT1D nas terminações do nervo trigêmeo, a sumatriptana inibe a liberação desses neuropeptídeos e reduz a transmissão do sinal de dor para o tronco encefálico. É a soma da vasoconstrição com a inibição trigeminal que faz a crise ceder, e não um simples efeito analgésico de superfície.
Vasoconstrição seletiva
Agonismo 5-HT1B contrai vasos intracranianos e meníngeos anormalmente dilatados na crise.
Inibição trigeminal
Agonismo 5-HT1D reduz a liberação de neuropeptídeos como o CGRP e a transmissão da dor.
Na prática clínica, a sumatriptana costuma funcionar melhor quando tomada nos primeiros minutos a uma hora da dor, ainda na fase leve. Uma vez instalada a alodínia, aquele estado em que até o toque no couro cabeludo ou pentear o cabelo dói, a resposta ao triptano tende a cair. Esperar para ver “se passa sozinho” muitas vezes reduz a chance de o remédio cortar a crise.
Como e quando tomar
A orientação geral é tomar a sumatriptana logo no início da crise, assim que a dor de enxaqueca se reconhece. Tomar cedo é o fator isolado que mais aumenta a chance de sucesso. Há apresentações por via oral (comprimidos) e, em alguns países, formas injetável e por spray nasal, de início mais rápido, reservadas a situações específicas.
Se a crise melhora e depois retorna no mesmo dia (a chamada recorrência, comum com os triptanos), uma segunda dose pode ser considerada após o intervalo mínimo orientado, respeitando a dose máxima diária. Se a primeira dose não fez efeito algum naquela crise, repetir a dose no mesmo ataque costuma não ajudar, e a conduta é discutir alternativas com o médico, não insistir. Há um teto diário e mensal de uso que deve ser respeitado com rigor, justamente para evitar a cefaleia por uso excessivo de medicação, detalhada na seção de alertas.
- Reconheça a crise cedo
Tome ao primeiro sinal claro de enxaqueca, ainda na fase de dor leve, sem esperar a dor ficar intensa.
- Respeite a dose orientada
Use a dose e a apresentação definidas pelo médico; não aumente por conta própria se a dor não cede.
- Lide com a recorrência
Se a dor volta no mesmo dia, uma segunda dose pode ser considerada após o intervalo mínimo, dentro do teto diário.
- Não passe do limite mensal
O uso de triptano em poucos dias por mês, conforme orientação, protege contra a cefaleia por uso excessivo.
Medidas simples ajudam o abortivo a funcionar: repousar em ambiente escuro e silencioso, hidratar-se e, quando a náusea é intensa, associar um antiemético prescrito, que além de aliviar o enjoo melhora a absorção do comprimido. Identificar e reduzir gatilhos pessoais, como jejum prolongado, privação de sono, certos alimentos e estresse, diminui a necessidade de recorrer ao remédio.
O que esperar: efeitos, sono e “passar mal”
Quando funciona, a sumatriptana costuma começar a aliviar a dor entre trinta minutos e duas horas após a dose oral, com redução da dor pulsátil, da náusea e da fotofobia.
Muitas pessoas procuram saber se a sumatriptana dá sono e por que passaram mal ao tomar. Os efeitos adversos mais comuns dos triptanos formam um conjunto reconhecível, em geral leve e passageiro, conhecido como “sintomas triptânicos”:
- Sonolência e cansaço. Sensação de moleza ou sono após a dose é frequente e costuma ser leve; parte vem do próprio ataque de enxaqueca, que já cansa.
- Sensação de peso ou aperto. Pressão ou aperto no peito, na garganta, no pescoço e na mandíbula, geralmente transitório e não cardíaco, mas que precisa ser avaliado se for intenso ou recorrente.
- Formigamento e calor. Parestesias, rubor e ondas de calor, ligados à ação vascular do medicamento.
- Tontura e náusea. Mal-estar, tontura e enjoo, que se confundem com os próprios sintomas da crise.
“Tomei Sumax e passei mal” costuma corresponder a essa combinação de aperto no peito, calor, tontura e moleza, em geral autolimitada. Ainda assim, a regra de segurança é clara: dor ou aperto intenso no peito, falta de ar, dor que irradia para o braço ou a mandíbula, ou palpitações fortes não devem ser atribuídos sem mais ao remédio. Diante desses sinais, procure atendimento, porque a sumatriptana é contraindicada justamente em quem tem doença cardiovascular, e o efeito vasoconstritor exige cautela.
Alguns padrões se repetem no consultório com quem usa sumatriptana, e ajudam a entender o lugar dela no tratamento:
- O motivo de decepção mais comum não é o remédio falhar, e sim ser tomado tarde. Quem espera “para ver se passa” e só recorre ao comprimido quando a dor já está intensa, com o couro cabeludo doendo ao toque, costuma ter resposta pior do que quem toma ao primeiro sinal.
- Surpreende muita gente que o triptano corte a crise de hoje e a próxima venha igual na semana seguinte. Ele aborta o ataque, não muda a frequência. Quando o paciente percebe isso, a conversa deixa de ser “qual o melhor comprimido” e passa a ser “por que as crises são tão frequentes”.
- O dado clínico mais útil costuma ser o diário simples: quantos dias por mês a pessoa usou abortivo. Quando esse número se aproxima de dez, em geral já há cefaleia por uso excessivo embutida, e a prioridade vira reduzir dias de uso e iniciar uma profilaxia, não trocar de triptano.
- A pergunta sobre risco cardíaco quase nunca parte do paciente. Por isso vale checar ativamente pressão, tabagismo, idade e história familiar antes de manter o uso: o aperto no peito leve e passageiro é comum, mas é também o sintoma que não se pode ignorar em quem tem fator de risco.
Contraindicações e alertas de segurança
Pelo seu efeito vasoconstritor, a sumatriptana tem contraindicações cardiovasculares que não admitem improviso. Ela não deve ser usada por quem tem ou está sob suspeita de algumas condições, e há ainda interações medicamentosas perigosas.
A sumatriptana é contraindicada ou exige cautela diante de
- Doença coronariana (angina, infarto prévio) ou outras formas de cardiopatia isquêmica, e angina de Prinzmetal (vasoespástica).
- Hipertensão arterial não controlada, pelo risco de elevação adicional da pressão.
- AVC ou AIT prévios (acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório) e doença vascular periférica.
- Uso de ergotamínicos (ergotamina, di-hidroergotamina) ou de outro triptano nas 24 horas anteriores: a combinação soma vasoconstrição e é proibida.
- Risco de síndrome serotoninérgica ao associar a antidepressivos serotoninérgicos (ISRS, IRSN, IMAO): converse com o médico antes.
- Sinais de alerta na própria dor de cabeça: cefaleia súbita e explosiva, a pior da vida, com febre e rigidez de nuca, déficit neurológico, ou a primeira crise intensa após os 50 anos, que pedem avaliação antes de qualquer triptano.
O abortivo usado demais vira parte do problema
A cefaleia por uso excessivo de medicação (MOH) é uma armadilha frequente: usar triptanos em 10 ou mais dias por mês, de forma regular, pode transformar uma enxaqueca episódica em dor de cabeça quase diária. O alívio de cada crise mascara a piora do padrão de fundo. Por isso o número de dias de uso por mês é tão importante quanto a dose, e por isso quem precisa de abortivo com frequência tem indicação de avaliar a profilaxia, não de tomar mais Sumax.
Ver referências →Há ainda situações de cuidado redobrado, como gravidez e amamentação, idade avançada, e fatores de risco cardiovascular acumulados (tabagismo, diabetes, colesterol alto, histórico familiar precoce), em que o médico avalia se o benefício compensa. Tudo isso reforça uma regra simples: a sumatriptana é uma medicação de prescrição, com critérios definidos. A orientação geral sobre o uso seguro de analgésicos e abortivos está reunida no guia de remédios para dor.
“Se o Sumax não cortou a dor, posso tomar mais comprimidos até passar.”
Repetir a dose na mesma crise que não respondeu costuma não ajudar e aproxima do teto diário. Insistir no abortivo, em vez de rever o plano, favorece a cefaleia por uso excessivo.
O manejo completo da enxaqueca: muito além do abortivo
A sumatriptana resolve a crise de hoje, mas não muda o curso da doença. Quem tem enxaqueca frequente ou incapacitante precisa de um plano de manejo individualizado e multimodal, que combina o tratamento de crise bem feito com a profilaxia e com medidas não farmacológicas. O objetivo deixa de ser apenas apagar cada incêndio e passa a ser reduzir a frequência, a intensidade e o impacto das crises na vida, com menor dependência de abortivos. Esta é a parte que de fato transforma o quadro, e onde a avaliação por um médico que trata dor faz diferença.
Abortivo: triptanos x anti-inflamatórios
No tratamento de crise, duas grandes classes se complementam. Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o naproxeno, o ibuprofeno e o cetoprofeno, são abortivos inespecíficos: agem inibindo a enzima ciclo-oxigenase e a produção de prostaglandinas, reduzindo a inflamação que acompanha a crise. Costumam bastar nas crises leves a moderadas e têm a vantagem do menor custo e da ausência de efeito vasoconstritor arterial dos triptanos. O detalhamento de dose e segurança do naproxeno para enxaqueca está na página dedicada.
Os triptanos, como a sumatriptana, são abortivos específicos da enxaqueca, com a ação 5-HT1B/1D já descrita. Tendem a ser a escolha quando os anti-inflamatórios não controlam a crise, quando ela é moderada a intensa desde o início, ou quando há náusea proeminente. Em algumas crises, a combinação de um triptano com um anti-inflamatório, sob orientação, dá resultado superior a cada um isolado. A escolha entre as classes, e entre os diferentes triptanos, depende do perfil da crise, das comorbidades e, sobretudo, do risco cardiovascular.
| Classe | Como age | Quando costuma entrar |
|---|---|---|
| Anti-inflamatórios (naproxeno, ibuprofeno) | Inibem ciclo-oxigenase e prostaglandinas; ação anti-inflamatória inespecífica | Crises leves a moderadas; primeira linha em muitos casos |
| Triptanos (sumatriptana) | Agonismo 5-HT1B/1D: vasoconstrição e inibição trigeminal | Crises moderadas a intensas, ou quando o anti-inflamatório não resolve |
| Antieméticos (ex.: metoclopramida) | Controlam náusea e melhoram a absorção do abortivo oral | Quando a náusea e o vômito dominam a crise |
Profilaxia: reduzir o número de crises
Quando as crises são frequentes (em geral a partir de quatro a mais por mês), incapacitantes, ou quando o uso de abortivo já é alto, indica-se a profilaxia, tomada diariamente para reduzir a frequência ao longo de semanas a meses. As opções com melhor evidência incluem o propranolol e outros betabloqueadores; os antidepressivos tricíclicos em dose baixa, como a amitriptilina e a nortriptilina, úteis sobretudo quando há insônia ou dor associada; o anticonvulsivante topiramato; e, em casos selecionados, o candesartana e a flunarizina. A escolha é individualizada conforme comorbidades, efeitos adversos e objetivos. Reduzir a necessidade de abortivo é, em si, uma meta da profilaxia, porque protege contra a cefaleia por uso excessivo.
Toxina botulínica na enxaqueca crônica
Para a enxaqueca crônica (dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, com características de enxaqueca em pelo menos oito), a toxina botulínica tipo A tem indicação consolidada, pelo protocolo PREEMPT. Ela é aplicada em pontos padronizados da cabeça e do pescoço e age bloqueando a liberação de acetilcolina na junção neuromuscular e reduzindo a liberação periférica de neuropeptídeos nociceptivos, como o CGRP, a substância P e o glutamato, com efeito antinociceptivo que vai além do relaxamento muscular. O início costuma se dar em 2 a 4 semanas, com efeito por cerca de 3 a 4 meses e benefício cumulativo a cada ciclo. Não é tratamento para a enxaqueca episódica comum.
Acupuntura e eletroacupuntura: evidência na enxaqueca
A acupuntura médica está entre as terapias não farmacológicas com melhor evidência na enxaqueca, recomendada por diretrizes como a do NICE para a prevenção em contextos selecionados. Diferente da sumatriptana, ela não atua na crise instalada: o alvo é o limiar da próxima crise. Modula a dor por vias reconhecidas, com ativação dos sistemas inibitórios descendentes, liberação de opioides endógenos e modulação segmentar no corno dorsal. Na eletroacupuntura, uma corrente de baixa frequência conecta as agulhas e tende a recrutar mais esses sistemas opioides, perfil que interessa em quem tem crises frequentes.
Em enxaqueca, a resposta não se mede pela dor de uma sessão, e sim pela contagem de dias de dor de cabeça no diário ao longo de algumas semanas. Por isso é conduzida em série, em ciclo, com a frequência de crises e o consumo de abortivo reavaliados ao fim, e não como sessão avulsa quando a cabeça já dói. É uma opção valiosa para reduzir a frequência das crises com menos medicação, sobretudo em gestantes e em quem tem contraindicação cardiovascular aos triptanos, justamente o público que não pode usar Sumax.
Neuromodulação da dor por acupuntura
O efeito analgésico da acupuntura por ativação de vias inibitórias descendentes e opioides endógenos é uma das linhas de pesquisa da nossa equipe no Grupo de Dor do HC-FMUSP. Na enxaqueca especificamente, revisões sistemáticas e diretrizes apontam redução do número de dias de crise por mês, com magnitude variável entre estudos; o ganho aparece como prevenção, ao longo de semanas, e não como alívio imediato de um ataque, terreno que pertence ao abortivo.
Ver referências →Agulhamento seco e reabilitação cervical
Boa parte de quem tem enxaqueca carrega um componente cervical e miofascial que alimenta as crises: pontos-gatilho nos músculos suboccipitais, no trapézio superior e no elevador da escápula referem dor para a região occipital e periorbitária e baixam o limiar para o ataque. Não é a causa da enxaqueca, mas é um amplificador tratável, e costuma explicar por que tantos descrevem a dor “subindo da nuca”.
Agulhamento seco (dry needling)
Trabalha os pontos-gatilho da nuca e do trapézio: a agulha busca a resposta de contração local, que reduz a atividade elétrica espontânea da placa motora e a liberação local de substâncias álgicas, com efeito analgésico segmentar sobre a aferência cervical que se projeta no núcleo trigeminocervical. A melhora do componente cervical costuma aparecer em alguns dias após a sessão, com leve dor no local por um a dois dias; seu papel é abrir uma janela para a reabilitação, não cortar a crise de hoje.
Reabilitação cervical
Com ativação dos flexores profundos do pescoço (flexão craniocervical), estabilização escapulotorácica e correção postural, ataca a sobrecarga que perpetua esses gatilhos, sobretudo em quem passa horas em tela. Atua na frequência das crises.
São medidas que se somam ao plano e atuam na frequência das crises; não dispensam o abortivo bem indicado para o ataque em curso. O tema é detalhado em enxaqueca: o que é, causas e tratamentos.
Compõem ainda o arsenal não farmacológico as mudanças de estilo de vida com peso comprovado na enxaqueca: sono regular, hidratação, atividade física aeróbica regular, manejo do estresse e identificação de gatilhos. São intervenções de base, de baixo risco, que potencializam tudo o que vem depois. O conjunto, abortivo bem indicado, profilaxia quando necessária e medidas não farmacológicas, é o que muda o padrão da doença, algo que nenhum comprimido de Sumax isolado é capaz de fazer.
Tratamento de crise bem feito
Abortivo certo (anti-inflamatório ou triptano), tomado cedo, na dose orientada, com controle da náusea e dos gatilhos.
Medidas não farmacológicas
Sono regular, exercício, manejo do estresse, acupuntura e eletroacupuntura, reabilitação cervical.
Profilaxia quando indicada
Medicação diária preventiva (propranolol, amitriptilina, nortriptilina, topiramato) para crises frequentes.
Casos refratários e crônicos
Toxina botulínica na enxaqueca crônica, agulhamento de pontos-gatilho e procedimentos selecionados.
Abortar
Tomar o abortivo cedo, repousar, hidratar e controlar a náusea; reavaliar a resposta daquele ataque.
Mapear e ajustar
Registrar frequência, gatilhos e dias de uso de abortivo, e iniciar profilaxia ou acupuntura se indicado.
Reavaliar
Medir a queda na frequência e na intensidade das crises e na necessidade de abortivo; ajustar o plano.
Medimos o número de dias de dor de cabeça por mês, a intensidade na escala de 0 a 10, os dias de uso de medicação de crise e o impacto na rotina, por instrumentos de impacto. A meta é reduzir a frequência e o impacto das crises a um nível que não limite a vida, com uso de abortivo dentro de limites seguros.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
Sumax serve para enxaqueca?
Sim. O Sumax tem como princípio ativo a sumatriptana, um triptano, e serve para abortar a crise de enxaqueca já instalada. É uma medicação de crise, não de prevenção: ele corta o ataque do momento, mas não reduz a frequência das crises ao longo do tempo. Para isso é preciso um plano de manejo com profilaxia e medidas não farmacológicas.
Sumax serve para dor de cabeça comum?
A sumatriptana é específica para a crise de enxaqueca e para alguns tipos de cefaleia em salvas, não para a dor de cabeça tensional comum nem para qualquer dor de cabeça inespecífica. Usar triptano numa cefaleia que não é enxaqueca não traz benefício e expõe a efeitos e contraindicações. Definir o tipo de dor de cabeça é o primeiro passo, e isso é clínico.
Sumax dá sono?
Sonolência e cansaço estão entre os efeitos mais comuns dos triptanos e costumam ser leves e passageiros. Parte dessa sensação vem da própria crise de enxaqueca, que já é exaustiva. Se o sono for intenso ou atrapalhar atividades como dirigir, converse com o médico antes de manter o uso.
Por que algumas pessoas tomam Sumax e passam mal?
“Passar mal” com a sumatriptana costuma significar a combinação de aperto ou peso no peito, calor, formigamento, tontura e moleza, em geral leve e autolimitada, ligada à ação vascular do remédio. Ainda assim, dor intensa no peito, falta de ar ou palpitações fortes não devem ser ignoradas: procure atendimento, porque o triptano é contraindicado em doença cardiovascular.
Quanto tempo o Sumax leva para fazer efeito?
Pela via oral, o alívio costuma começar entre trinta minutos e duas horas após a dose, melhor quando tomado cedo na crise. Se a primeira dose não fizer efeito naquele ataque, repetir não costuma ajudar; o caminho é rever a estratégia com o médico.
Posso tomar Sumax todo dia?
Não. O uso frequente de triptanos, em 10 ou mais dias por mês de forma regular, pode causar cefaleia por uso excessivo de medicação e piorar o padrão de fundo da dor de cabeça. Quem precisa de abortivo com frequência tem indicação de avaliar a profilaxia, não de aumentar o Sumax.
Referências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Derry CJ, Derry S, Moore RA. Sumatriptan (all routes of administration) for acute migraine attacks in adults: overview of Cochrane reviews. Cochrane Database Syst Rev. 2014;2014(5):CD009108. doi:10.1002/14651858.CD009108.pub2 acessar
- Ailani J, Burch RC, Robbins MS; Board of Directors of the American Headache Society. The American Headache Society Consensus Statement: update on integrating new migraine treatments into clinical practice. Headache. 2021;61(7):1021 a 1039. doi:10.1111/head.14153 acessar
- Linde et al. Acupuntura na prevenção de enxaqueca episódica: revisão sistemática da Cochrane. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2016. ver resumo
- Zhao et al. Acupuntura previne enxaquecas a longo prazo: benefícios persistem por 6 meses. JAMA Internal Medicine. 2017. ver resumo
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A sumatriptana é medicamento de prescrição, contraindicado em doença cardiovascular e capaz de causar cefaleia por uso excessivo. A indicação do triptano, a aptidão cardiovascular para usá-lo e a decisão de associar uma profilaxia são individualizadas e dependem de exame. O início, a troca ou a suspensão de qualquer medicamento, abortivo ou preventivo, cabe exclusivamente ao médico assistente.
