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Tratamentos · Cefaleia e dor crônica

Toxina botulínica (Botox) para enxaqueca crônica

Aplicada em pontos padronizados da cabeça e do pescoço a cada 12 semanas, a toxina botulínica reduz a frequência e a intensidade das crises em quem convive com enxaqueca crônica.

Resposta direta
  • A toxina botulínica tipo A é um tratamento preventivo aprovado para a enxaqueca crônica, definida como dor de cabeça em 15 dias ou mais por mês, dos quais pelo menos 8 têm características de enxaqueca, por três meses ou mais.
  • A aplicação segue um protocolo padronizado com 31 pontos em 7 grupos musculares da cabeça e do pescoço, repetido a cada 12 semanas. O efeito se constrói ao longo de dois a três ciclos, não em uma única aplicação.
  • Ela reduz a dor por um mecanismo de dessensibilização das terminações nervosas (menos liberação de CGRP e substância P), e não por paralisar músculos. Não é indicada para a enxaqueca episódica.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Ilustração editorial de um rosto de perfil, olhos fechados, com uma nuvem escura de dor de cabeça se dissolvendo em ondas calmas — o alívio da enxaqueca crônica.
O objetivo do tratamento preventivo: reduzir a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca crônica ao longo dos ciclos de aplicação.

O que é o tratamento com toxina botulínica na enxaqueca

A toxina botulínica tipo A é uma proteína purificada, usada há décadas em medicina, que aqui cumpre um papel específico: reduzir a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca em quem já cruzou a fronteira para a forma crônica. Não é um analgésico para a crise em curso nem um recurso estético. É um tratamento preventivo, aplicado em intervalos regulares, cujo alvo é diminuir o número de dias de dor ao longo do mês.

A mesma substância aparece em outras indicações de dor, e isso costuma gerar confusão. Na toxina botulínica para dor miofascial, o alvo é o músculo com pontos-gatilho persistentes; a lógica ali é relaxar bandas musculares tensas. Na enxaqueca crônica, o alvo é outro: são as terminações nervosas sensitivas do território do trigêmeo, e o efeito buscado é neurológico, não muscular.

Mesma proteína, indicações e mecanismos distintos. Vale ter isso claro desde o começo, porque muda tudo — dos pontos de aplicação à forma como o benefício aparece.

Uma segunda distinção importante é entre a toxina e a discussão mais ampla sobre a substância no tratamento de dor. Quem quiser entender o panorama geral do uso da toxina botulínica na dor crônica encontra ali o contexto das várias aplicações. Nesta página o foco é estreito e prático: a enxaqueca crônica, para quem ela funciona, como é aplicada e o que a evidência sustenta.

≥ 15
Dias de dor de cabeça por mês que definem a forma crônica
31
Pontos de aplicação em 7 grupos musculares
12
Semanas entre um ciclo e o seguinte
2 a 3
Ciclos até o efeito se estabelecer

Enxaqueca crônica e episódica: a fronteira que define a indicação

A indicação da toxina botulínica depende de um limiar bem definido, e entender esse limiar é o primeiro passo. A enxaqueca é classificada pela frequência dos dias de dor. Chama-se enxaqueca episódica quando a pessoa tem menos de 15 dias de dor de cabeça por mês. Chama-se enxaqueca crônica quando são 15 dias ou mais de dor de cabeça por mês, dos quais pelo menos 8 têm características de enxaqueca (dor pulsátil, de moderada a forte, piora com esforço, náusea, incômodo à luz e ao som), por pelo menos três meses.

Essa fronteira não é um detalhe burocrático. A toxina botulínica foi estudada e aprovada como preventivo para a enxaqueca crônica. Na forma episódica, não é indicada. É uma questão de indicação, não de qualidade do paciente ou de gravidade percebida: a ferramenta certa é escolhida pela categoria correta.

Enxaqueca episódica e crônica, lado a lado
AspectoEnxaqueca episódicaEnxaqueca crônica
Dias de dor de cabeça por mêsMenos de 1515 ou mais
Dias com característica de enxaquecaVariávelPelo menos 8
Duração para o diagnósticoTrês meses ou mais
Toxina botulínica é indicada?NãoSim, é aprovada
Preventivos habituaisComprimidos oraisOrais, toxina, anti-CGRP

A transformação de episódica em crônica raramente é súbita. Costuma ser um processo, ao longo de meses ou anos, em que a frequência das crises vai subindo. Alguns fatores empurram nessa direção e merecem ser reconhecidos, porque tratá-los faz parte do plano: o uso excessivo de analgésicos para abortar as crises (a chamada cefaleia por uso excessivo de medicação, que se instala quando se toma sintomático em muitos dias do mês), transtornos de sono, sobrepeso, ansiedade e depressão não tratadas. A toxina entra num quadro em que a cronificação já se estabeleceu, e funciona melhor quando esses fatores também são tratados.

Em uma frase

A conta que decide a indicação é simples: 15 dias ou mais de dor de cabeça por mês, com pelo menos 8 de cara de enxaqueca, sustentados por três meses. Abaixo disso, o tratamento é outro; nesse patamar, a toxina passa a ser uma opção com aprovação e evidência.

Como a toxina reduz a dor: ação no nervo sensitivo

O ponto mais contraintuitivo do tratamento é este: na enxaqueca, a toxina botulínica não age relaxando músculos. Age sobre o nervo. Entender isso desfaz a maior parte das dúvidas e das expectativas equivocadas.

Na enxaqueca crônica, o sistema trigeminovascular fica sensibilizado: as terminações nervosas sensitivas que inervam as meninges e o couro cabeludo passam a disparar com facilidade e a amplificar sinais que, em uma cabeça sem enxaqueca, não gerariam dor. Nesse processo, essas terminações liberam neuropeptídeos inflamatórios, entre eles o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina) e a substância P, que promovem inflamação neurogênica e mantêm a via de dor acesa. É a chamada sensibilização periférica, e ela alimenta, mais acima, a sensibilização central que torna as crises frequentes e difíceis de abortar.

A toxina botulínica aplicada nos tecidos superficiais da cabeça e do pescoço é captada pelas terminações desses nervos sensitivos e bloqueia, nelas, a liberação desses neuropeptídeos. Menos CGRP e menos substância P liberados significam menos inflamação neurogênica e menos alimentação da sensibilização. Com o tempo, o sistema trigeminovascular fica menos irritável, e o resultado clínico é a redução da frequência e da intensidade das crises. O efeito antinociceptivo, portanto, é uma consequência da ação sobre a terminação nervosa, e não do relaxamento da musculatura, ainda que a mesma substância também reduza a atividade muscular onde é depositada.

O que estava acontecendo

Terminações sensibilizadas

Nervos do território do trigêmeo disparam com facilidade e liberam CGRP e substância P, mantendo a via de dor acesa.

O que a toxina faz

Menos neuropeptídeos liberados

Captada por essas terminações, reduz a liberação de CGRP e substância P, diminuindo a inflamação neurogênica e a sensibilização.

Essa é também a razão de a toxina conversar bem com os medicamentos anti-CGRP, um ponto que retomo adiante: os anti-CGRP bloqueiam o peptídeo ou seu receptor por uma via sistêmica, e a toxina reduz a liberação desses mesmos mediadores localmente, na terminação. São caminhos complementares para frear a mesma cascata.

É um tratamento preventivo com respaldo para a enxaqueca crônica; na forma episódica, não é indicado.

Para quem a toxina costuma ser indicada

A candidatura ao tratamento não se resume ao número de dias de dor. Ela reúne o diagnóstico correto de enxaqueca crônica, a trajetória com os preventivos já tentados e o perfil de cada pessoa. Os cenários em que a toxina mais frequentemente entra são estes:

  • Enxaqueca crônica confirmada. Quinze dias ou mais de dor de cabeça por mês, com pelo menos 8 de característica de enxaqueca, por três meses, e outras causas de dor de cabeça já descartadas na avaliação.
  • Resposta insuficiente aos preventivos orais. Quando os medicamentos preventivos de primeira linha, em dose e tempo adequados, não controlaram as crises ou não foram tolerados por efeitos adversos.
  • Intolerância ou contraindicação a medicamentos orais. Situações em que os preventivos por via oral esbarram em efeitos colaterais, interações ou comorbidades que os inviabilizam.
  • Preferência por tratamento de administração espaçada. Para quem tem dificuldade de aderir a um comprimido diário, a aplicação a cada 12 semanas pode ser uma alternativa mais sustentável no dia a dia.

Do outro lado, há situações em que a toxina não é o caminho: a enxaqueca episódica (menos de 15 dias de dor por mês), as dores de cabeça de outra natureza que ainda não foram esclarecidas e os quadros em que o uso excessivo de analgésicos é o principal motor da dor e precisa ser tratado primeiro. A definição de quem é candidato, de qual dose usar e de como conduzir os ciclos parte de uma avaliação médica que confirme o diagnóstico, revise o histórico de tratamentos e alinhe as expectativas.

Como é feita a aplicação

A aplicação segue um protocolo padronizado, com 31 pontos de aplicação distribuídos em 7 grupos musculares da cabeça e do pescoço. Esse mapa fixo é parte do que torna o tratamento reprodutível: os pontos foram definidos nos estudos que sustentam a indicação, e é esse padrão que se repete a cada ciclo. As injeções são superficiais, feitas com agulha muito fina, e depositam pequenas quantidades da toxina em cada ponto.

Testa e região frontal

Pontos na musculatura frontal, na área associada à dor da fronte.

Entre as sobrancelhas

Musculatura da glabela, no centro da fronte.

Têmporas

Região temporal de cada lado, sobre a musculatura correspondente.

Occipital

Nuca, na base do crânio, no território de dor posterior.

Cervical paraespinhal

Musculatura do pescoço ao longo da coluna cervical alta.

Trapézio

Porção superior do trapézio, de cada lado, no ombro e no pescoço.

O procedimento é rápido, feito em ambiente ambulatorial, e a pessoa vai embora logo em seguida, retomando as atividades no mesmo dia. Não exige anestesia nem preparo especial. O passo a passo, do que acontece antes ao que acontece depois, é este:

Antes: avaliação e diário

Consulta confirma o diagnóstico de enxaqueca crônica, revê os preventivos já usados e estabelece a linha de base de dias de dor por mês, idealmente com um diário de crises.

Durante: as injeções

As pequenas injeções são distribuídas pelos 31 pontos nos 7 grupos musculares, com agulha fina. Costuma durar poucos minutos e não requer sedação.

Depois: retorno imediato à rotina

Sem repouso obrigatório. Pode haver leve desconforto nos locais, e o efeito preventivo começa a se instalar nas semanas seguintes, não no mesmo dia.

Ciclo: repetição a cada 12 semanas

O tratamento é repetido a cada 12 semanas. O benefício se constrói ao longo de dois a três ciclos, e a resposta é reavaliada pela contagem de dias de dor.

Toxina botulínica na enxaqueca crônica

O que trata
Enxaqueca crônica (15 ou mais dias de dor de cabeça por mês, 8 ou mais com característica de enxaqueca, por três meses). Não é indicada para enxaqueca episódica.
Como é feita
Protocolo padronizado com 31 pontos de aplicação em 7 grupos musculares da cabeça e do pescoço, com agulha fina, em ambiente ambulatorial.
Mecanismo
Redução da liberação de CGRP e substância P nas terminações nervosas sensitivas, diminuindo a sensibilização periférica. Não é paralisia muscular.
Duração da sessão
Poucos minutos; sem anestesia, sem repouso obrigatório, retorno à rotina no mesmo dia.
O que esperar
Início do efeito em 2 a 4 semanas; benefício cumulativo ao longo de 2 a 3 ciclos; repetição a cada 12 semanas.
Recuperação
Praticamente imediata; possível desconforto leve nos pontos por um a dois dias.
Orientação
Manter o diário de crises entre os ciclos; combinar metas de dias de dor; seguir com os demais preventivos conforme a indicação médica.
Limitações
Diminui a frequência e a intensidade das crises; efeito por ciclo de cerca de 12 semanas; dose e produto definidos pelo médico; contraindicações locais e sistêmicas devem ser avaliadas.

Segurança e contraindicações

A toxina botulínica no protocolo da enxaqueca tem, em geral, bom perfil de segurança. Como as doses são baixas e distribuídas em muitos pontos superficiais, os efeitos mais comuns são locais e passageiros: dor no local das injeções, uma sensação de peso ou tensão na nuca e no pescoço, e, com menos frequência, queda temporária de uma sobrancelha ou pálpebra quando a toxina difunde além do ponto. Esses efeitos costumam ser leves e reversíveis, cedendo antes do fim do ciclo.

Sinais de alerta · procure avaliação imediata

Quando uma dor de cabeça precisa ser investigada antes de qualquer preventivo

  • Dor súbita e explosiva, que chega ao ápice em segundos e é sentida como a pior da vida.
  • Dor de cabeça com febre e rigidez de nuca.
  • Dor acompanhada de déficit neurológico — fraqueza, alteração da fala, da visão ou da consciência.
  • Primeira dor de cabeça forte após os 50 anos, ou uma dor que mudou de padrão de forma marcante.
  • Dor que começa logo após um trauma na cabeça.
Cautela ou contraindicação · informe sempre o médico

Situações que pedem avaliação antes da aplicação

  • Gravidez e amamentação, em que a indicação deve ser cuidadosamente avaliada.
  • Infecção ativa na pele dos locais de aplicação.
  • Doenças neuromusculares (como miastenia gravis e outras) que alteram a transmissão neuromuscular.
  • Alergia conhecida à toxina botulínica ou a componentes da formulação.
  • Uso de medicamentos que interferem na transmissão neuromuscular, que deve ser informado ao médico.

A presença de um desses fatores não descarta o tratamento de forma automática em todos os casos, mas muda a conversa e, por vezes, a decisão. Informar o histórico de saúde, os medicamentos em uso e episódios prévios com a substância é parte de uma indicação segura, e a escolha do produto e da dose cabe ao médico assistente.

O que esperar depois: o ritmo do benefício

O efeito preventivo começa entre a 2ª e a 4ª semana e se aprofunda ao longo do ciclo; costuma se estabelecer a partir do 2º–3º ciclo. O benefício é cumulativo, e por isso a resposta se avalia ao longo de dois a três ciclos, não por uma única aplicação.

Por isso o diário de crises é o instrumento central. Ele registra, mês a mês, quantos dias de dor de cabeça ocorreram e o quanto incapacitaram, e é a comparação dessa contagem entre os ciclos que diz se o tratamento está funcionando. Quando os dias de dor caem de forma sustentada, mantém-se o esquema.

Quando, após dois a três ciclos conduzidos corretamente, não há resposta, revê-se a estratégia em vez de repetir indefinidamente. O intervalo entre os ciclos é de cerca de 12 semanas, e é comum que, com o tempo e a boa resposta, o próprio curso da doença fique mais estável.

Semanas 2 a 4

Primeiro efeito

O efeito preventivo começa a se instalar; ainda não é o resultado final do tratamento.

Ciclo 1 a 2

Construção do benefício

A redução de dias de dor tende a se aprofundar a cada aplicação; a resposta se avalia pelo diário, não pela sensação de um dia.

Após 2 a 3 ciclos

Decisão orientada por metas

Com queda sustentada de dias de dor, mantém-se o tratamento; sem resposta apesar de conduzido corretamente, revê-se a abordagem.

A toxina dentro de um plano preventivo

A toxina botulínica não substitui o restante do tratamento da enxaqueca crônica; ela se soma a ele. O manejo da forma crônica é multimodal: combina preventivos, o controle dos fatores que cronificam a dor e as medidas não farmacológicas. A toxina é uma das camadas desse conjunto, e é assim que ela rende mais.

Toxina botulínica para dor miofascial: mesma substância, alvo diferente

Vale insistir na distinção, porque é fonte constante de confusão. A toxina botulínica para dor miofascial usa a mesma proteína, mas com outra lógica: o alvo é o músculo com pontos-gatilho persistentes e o objetivo é relaxar a banda tensa que perpetua a dor. Ali o protocolo é guiado pelos pontos-gatilho identificados no exame, não pelo mapa fixo da enxaqueca, e o efeito buscado tem componente muscular claro.

Na enxaqueca crônica, como já visto, o alvo é a terminação nervosa e o efeito é neurológico. Mesma substância, indicações irmãs mas distintas — e é o diagnóstico que define qual delas se aplica.

Preventivos orais

Os medicamentos preventivos por via oral continuam sendo a base do tratamento da enxaqueca para a maioria das pessoas, e a toxina não os dispensa. Betabloqueadores, alguns antidepressivos e certos anticonvulsivantes, entre outras classes, reduzem a frequência das crises quando usados em dose e por tempo adequados, sempre com indicação, ajuste e acompanhamento médicos. A toxina costuma entrar quando esses preventivos, bem conduzidos, não bastaram ou não foram tolerados, e pode conviver com eles: manter um preventivo oral eficaz em parte e somar a toxina é uma combinação comum e coerente, porque atuam por vias diferentes sobre a mesma doença.

Anticorpos monoclonais anti-CGRP

Os anticorpos monoclonais anti-CGRP são uma classe mais recente de preventivos, desenhada especificamente para a enxaqueca. Eles bloqueiam o peptídeo CGRP ou o seu receptor por uma via sistêmica, freando a mesma cascata inflamatória que a toxina reduz localmente. Por atuarem em pontos complementares do processo, toxina e anti-CGRP podem ser usados juntos em casos selecionados de enxaqueca crônica de difícil controle, quando um deles isolado não foi suficiente. A escolha entre iniciar por um, por outro ou combiná-los depende do quadro, do histórico de tratamentos e de fatores individuais, e é uma decisão médica.

Medidas não farmacológicas e a parceria com a reabilitação

Fechando o plano, as medidas não farmacológicas sustentam o resultado dos preventivos: regularidade de sono, atividade física, manejo do estresse e identificação de gatilhos individuais reduzem a irritabilidade do sistema e a frequência das crises. Quando há componente cervical relevante — tensão e dor no pescoço que se somam à enxaqueca — a fisioterapia é uma parceira valiosa, trabalhando mobilidade, controle motor e a musculatura cervical em complemento ao tratamento medicamentoso. A divisão de trabalho é direta: o médico define a estratégia preventiva e aplica a toxina, e a fisioterapia solta os suboccipitais, o trapézio e o elevador da escápula e devolve controle motor à coluna cervical.

Esse trabalho no pescoço é o que prolonga, ao longo dos ciclos, o efeito que a toxina começa. Para entender a enxaqueca como doença — mecanismos, gatilhos e o leque de tratamentos — vale o guia sobre enxaqueca: o que é, causas e tratamentos, e para o quadro em que a dor de cabeça se torna quase diária, o texto sobre cefaleia crônica diária.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Quantas aplicações são necessárias até ver efeito?

O efeito preventivo começa a aparecer entre a segunda e a quarta semana após a primeira aplicação, mas o benefício é cumulativo e costuma se estabelecer de fato a partir do segundo ou terceiro ciclo. Cada ciclo dura cerca de 12 semanas. Por isso, julgar o tratamento por uma única aplicação subestima o que ele pode oferecer, e a orientação é avaliar a resposta pela contagem de dias de dor ao longo de dois a três ciclos.

A aplicação dói?

As injeções são superficiais e feitas com agulha muito fina, distribuídas em 31 pontos da cabeça e do pescoço. A maioria das pessoas descreve um leve desconforto ou pontadas rápidas em cada ponto, bem toleráveis, sem necessidade de anestesia. Pode haver dor leve nos locais por um ou dois dias após o procedimento. O retorno às atividades é imediato, sem repouso obrigatório.

A toxina funciona para enxaqueca episódica?

Não. A toxina botulínica é indicada e tem evidência para a enxaqueca crônica, definida por 15 dias ou mais de dor de cabeça por mês. Na enxaqueca episódica, com menos de 15 dias de dor por mês, não é indicada, e o tratamento preventivo dessa forma é outro, geralmente por via oral. É uma questão de indicação correta, definida na avaliação médica.

Quanto tempo dura o efeito de cada aplicação?

O efeito de cada aplicação dura em torno de 12 semanas, e é por isso que o tratamento é repetido nesse intervalo. À medida que o ciclo se aproxima do fim, o benefício tende a se reduzir, o que é esperado e não significa falha. Com aplicações regulares e boa resposta ao longo dos ciclos, o controle das crises tende a ficar mais estável.

A toxina convive com outros preventivos?

Sim. A toxina pode ser usada em conjunto com preventivos orais e, em casos selecionados de enxaqueca crônica de difícil controle, com os anticorpos monoclonais anti-CGRP. Como esses tratamentos atuam por vias diferentes sobre a mesma doença, a combinação é comum e coerente, e a decisão de manter, associar ou ajustar cada um é individualizada e cabe ao médico assistente, conforme a resposta e o histórico de cada pessoa.

Quem realiza a aplicação da toxina botulínica?

A aplicação da toxina botulínica é realizada pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai (CRM-SP 158.074 · RQE 65.523), médico especialista em Fisiatria com área de atuação em Dor e colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP. A indicação é definida em avaliação individual, antes do procedimento.

Posso fazer a aplicação da toxina botulínica no mesmo dia da avaliação?

Na maioria dos casos, sim. A aplicação é feita em consultório e costuma levar menos de uma hora, contando o preparo. A confirmação depende da avaliação médica no dia.

Preciso de internação? Volto para casa no mesmo dia?

Não é necessária internação. É um procedimento ambulatorial: depois de um breve período de observação, você recebe alta e vai para casa no mesmo dia.

Preciso evitar atividade física depois?

Convém evitar esforço intenso e atividade física de impacto nos primeiros dias. As orientações específicas de repouso e de retorno às atividades são passadas pelo médico após o procedimento, de acordo com o seu caso.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências7 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Atualizado em 3 de julho de 2026 Leitura 11 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação da toxina botulínica na enxaqueca crônica, a definição da dose e do produto e a condução dos ciclos são decisões individualizadas, que dependem do diagnóstico e do histórico de cada caso. A indicação de qualquer procedimento ou medicamento cabe exclusivamente ao médico assistente.

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