Zolpidem (Stillnox, Patz): para que serve?
O zolpidem (Stillnox, Patz) é um hipnótico Z indicado em bula para a insônia de curto prazo. É controlado e tem risco de dependência, tolerância e parassonias. A insônia que dura pede outra conduta.
- O zolpidem (princípio ativo das marcas Stillnox e Patz) serve para o tratamento de curto prazo da insônia, sobretudo a dificuldade para iniciar o sono. É um hipnótico, não um calmante para o dia nem um antidepressivo.
- É um medicamento controlado (receita azul, lista B1), de uso pontual e por poucas semanas, com risco de dependência, tolerância e comportamentos complexos durante o sono (parassonias) como andar, comer ou dirigir dormindo.
- A insônia que persiste não se trata com comprimido para sempre: a primeira linha é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). Quando a insônia está ligada à dor crônica, tratar a dor melhora o sono.
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Zolpidem: para que serve, segundo a bula
O zolpidem é um hipnótico indutor do sono. A bula do zolpidem traz uma indicação enxuta e específica: o tratamento de curto prazo da insônia em adultos, em situações em que a dificuldade para dormir é grave, incapacitante ou causa sofrimento acentuado durante o dia.
Vale fixar uma distinção que confunde muita gente. Stillnox e Patz são nomes comerciais; o que existe dentro do comprimido, o princípio ativo, é o zolpidem (hemitartarato de zolpidem). Existem ainda versões genéricas com o mesmo princípio ativo. Ou seja, “bula do Stillnox”, “bula do Patz” e “bula do zolpidem” descrevem o mesmo fármaco. A grafia “zolpiden”, comum nas buscas, é apenas um erro de digitação do mesmo nome.
O zolpidem pertence à classe dos chamados fármacos Z (ao lado da zopiclona e do zaleplom). Eles não são benzodiazepínicos na estrutura química, mas agem em um alvo parecido: facilitam a ação do GABA, o principal neurotransmissor que “desacelera” o cérebro. O efeito prático é encurtar o tempo para pegar no sono. O zolpidem é, portanto, um remédio para dormir, e não um ansiolítico para usar de dia nem um tratamento da ansiedade ou da depressão de base.
Como médico da dor, costumo ver o zolpidem entrar na história por um caminho indireto: a pessoa tem dor crônica, dorme mal por causa da dor, recebe o hipnótico para “resolver” o sono, e o ciclo dor-insônia continua girando porque a causa nunca foi tratada. Por isso, antes de falar de doses, é preciso entender o que esse remédio faz e o que ele não faz.
Como o zolpidem age e o que esperar
O zolpidem se liga preferencialmente a um subtipo do receptor GABA-A (a subunidade alfa-1), justamente o que está mais associado à sedação e ao sono. Por isso ele induz o sono com menos efeito relaxante muscular e ansiolítico do que os benzodiazepínicos clássicos. É um fármaco de ação rápida e meia-vida curta: começa a agir em cerca de 15 a 30 minutos e dura poucas horas no organismo. Essa farmacologia explica tanto a vantagem (ajuda a iniciar o sono e tende a deixar menos ressaca pela manhã) quanto a limitação (não é o ideal para quem acorda no meio da madrugada e não consegue voltar a dormir).
O zolpidem reduz o tempo para adormecer e pode aumentar um pouco o tempo total de sono. Ele não cura a insônia e não trata a causa por trás dela, seja estresse, ansiedade, depressão, dor, apneia do sono ou maus hábitos de sono. Quando o comprimido é suspenso, a tendência é a insônia voltar como era antes, ou pior por um curto período (a chamada insônia rebote), o que muitas pessoas interpretam como “preciso do remédio para sempre”. Não é o caso: é justamente o sinal de que a causa precisa ser tratada.
Por isso o uso correto do zolpidem é pontual e por tempo limitado, em geral por poucas semanas, e quase sempre acompanhado de mudanças de comportamento do sono. Tomar todas as noites por meses, por conta própria, é o caminho mais curto para a tolerância (precisar de doses maiores para o mesmo efeito) e a dependência.
O zolpidem empurra você para o sono, mas não remove o que o tira do sono. Ele é uma ponte de curto prazo, não um tratamento de longo prazo.
Zolpidem, alprazolam e clonazepam: qual a diferença
Uma dúvida muito frequente é a diferença entre zolpidem e alprazolam, e entre zolpidem e clonazepam (este último muito buscado como “clonazepam gotas”). São fármacos de grupos diferentes, com finalidades diferentes, e não são intercambiáveis. Trocar um pelo outro por conta própria é perigoso.
| Medicamento | Grupo | Indicação principal | Observação de segurança |
|---|---|---|---|
| Zolpidem (Stillnox, Patz) | Hipnótico Z (não benzodiazepínico) | Indutor do sono, insônia de curto prazo | Ação curta; risco de parassonias; controlado B1 |
| Alprazolam | Benzodiazepínico de ação curta | Transtornos de ansiedade e do pânico | Alto potencial de dependência; não é para dormir como rotina |
| Clonazepam (em gotas ou comprimido) | Benzodiazepínico de ação longa | Ansiedade, certas crises, uso em síndromes específicas | Sedação diurna e quedas, sobretudo em idosos; controlado |
Em resumo prático: o zolpidem é feito para induzir o sono. O alprazolam é um ansiolítico, indicado em transtornos de ansiedade e pânico, e não deveria ser usado como pílula do sono. O clonazepam é um benzodiazepínico de ação mais longa, com indicações próprias, mas que tende a deixar sonolência no dia seguinte e aumenta o risco de quedas em idosos. Quanto à conversão “10 gotas de clonazepam equivalem a quantos mg”, esse é exatamente o tipo de cálculo que não deve ser feito por conta própria: a concentração varia conforme a apresentação, e qualquer ajuste de dose ou de gotas é decisão exclusiva do médico que prescreveu, registrada na receita.
Outro nome que aparece nas buscas é a quetiapina (“bula quetiapina”). A quetiapina é um antipsicótico que, em doses baixas, é por vezes usado fora de bula para insônia em situações específicas. Não é um hipnótico de primeira escolha para insônia simples e tem efeitos próprios (ganho de peso, sonolência, alterações metabólicas) que exigem indicação e acompanhamento médicos cuidadosos. Tratamos esses medicamentos em mais detalhe no guia de remédios e na página de antidepressivos, que com frequência têm papel maior do que o hipnótico quando há dor, ansiedade ou depressão associadas.
“Zolpidem, alprazolam e clonazepam são parecidos, então posso trocar um pelo outro quando faltar.”
São fármacos de grupos e finalidades diferentes, com riscos distintos. Não são intercambiáveis. Substituir, somar ou ajustar a dose por conta própria pode causar sedação excessiva, dependência e acidentes. A decisão é sempre do médico.
Riscos, dependência e parassonias
O zolpidem é eficaz no curto prazo, mas tem riscos que justificam todo o cuidado e o controle de receita.
O zolpidem foi desenhado para algumas noites, não para virar hábito de todas as noites. Em uso continuado ele perde efeito (tolerância) e cria dependência com insônia rebote ao parar, ou seja, o sono fica pior por alguns dias quando se suspende, e isso é confundido com “preciso do remédio para sempre”. Some-se a isso um efeito que muitos textos omitem: o zolpidem pode desencadear comportamentos complexos durante o sono, como dirigir, cozinhar e comer ou fazer ligações sem estar acordado e sem lembrar no dia seguinte, um alerta de segurança forte o bastante para que, se acontecer uma vez, o remédio seja suspenso. Há ainda o prejuízo no dia seguinte (sonolência, reflexos lentos, mais risco de quedas e fraturas, sobretudo em idosos). É por tudo isso que a insônia que dura não se resolve renovando a receita: a primeira linha é a TCC-I, e o hipnótico, quando entra, é ponte curta com data para sair.
Dependência e tolerância
Com o uso continuado, o corpo tende a se acostumar: o mesmo comprimido faz menos efeito (tolerância) e, ao parar, surgem insônia rebote, ansiedade e desconforto (dependência). Por isso a recomendação de uso por poucas semanas e, idealmente, de forma intermitente. A retirada de quem já usa há muito tempo deve ser gradual e orientada pelo médico, nunca abrupta, para reduzir os sintomas de abstinência.
Parassonias: dirigir, comer e andar dormindo
Um efeito que merece destaque são os comportamentos complexos durante o sono: andar, preparar e comer alimentos, fazer ligações e até dirigir, tudo sem estar plenamente acordado e sem lembrar depois. O risco aumenta com doses maiores, com o uso junto de álcool ou outros sedativos e quando a pessoa não vai direto para a cama após tomar. É um efeito grave o suficiente para que, se acontecer uma única vez, o medicamento deva ser suspenso e o caso reavaliado.
Sonolência, quedas e direção
Mesmo com meia-vida curta, pode sobrar sedação, lentidão de reflexos e prejuízo da memória na manhã seguinte, sobretudo com doses altas ou pouco tempo de sono após o comprimido. Por isso a orientação é não dirigir nem operar máquinas nas horas seguintes à dose. Em idosos, esse efeito é especialmente preocupante: aumenta o risco de quedas, fraturas e confusão; quando o uso é inevitável, costuma-se preferir a menor dose possível.
Atenção redobrada ou contraindicação ao zolpidem quando há
- Uso de álcool junto ao remédio, ou combinação com outros sedativos, opioides e ansiolíticos: risco de sedação perigosa e depressão respiratória.
- Apneia obstrutiva do sono ou doença respiratória grave: o hipnótico pode piorar as pausas respiratórias.
- História de dependência de álcool ou de outras substâncias.
- Episódio prévio de sonambulismo, dirigir ou comer dormindo com o medicamento.
- Gravidez e amamentação: uso apenas se claramente necessário e sob orientação médica.
- Doença hepática grave, miastenia gravis ou idade avançada com risco de quedas.
A combinação com álcool e com depressores do sistema nervoso central (opioides, outros sedativos, alguns relaxantes musculares) é o ponto mais perigoso: soma o efeito sedativo e pode levar à depressão respiratória. Por isso a bula é categórica em desaconselhar a bebida junto ao zolpidem. A indicação, a dose, a duração e a suspensão de um hipnótico controlado são decisões exclusivas do médico assistente, que conhece o seu histórico e as suas outras medicações.
O lugar do zolpidem no tratamento
É importante ser claro sobre onde o zolpidem se encaixa. Ele é uma opção de curto prazo para a insônia, sobretudo a dificuldade de iniciar o sono, e entra como uma ajuda pontual enquanto a causa do problema é avaliada e tratada. Não é a primeira linha do tratamento da insônia que persiste, e não é um remédio para usar todas as noites por tempo indeterminado. Quando indicado, costuma ser por poucas semanas, na menor dose eficaz e com um plano de retirada definido desde o início.
Vale repetir o ponto central: o zolpidem age sobre o sintoma do sono e deixa intacta a causa que tira o sono. Por isso a base do tratamento da insônia crônica é comportamental. As diretrizes de medicina do sono são consistentes ao colocar a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) e a higiene do sono como a primeira linha, com benefício que se mantém depois de encerrada, ao contrário do hipnótico, que perde efeito quando é suspenso. O remédio é uma ponte enquanto essas medidas se estruturam, e a meta é justamente conseguir dormir bem sem depender dele.
No nível de classe de medicamentos, há uma cautela que repito a cada paciente: o zolpidem não deve ser somado a álcool, a benzodiazepínicos, a opioides nem a outros sedativos sem avaliação, porque o efeito depressor se soma e pode levar à sedação perigosa, a parassonias e à depressão respiratória. Qualquer combinação, ajuste de dose ou troca é decisão exclusiva do médico que prescreve.
Há ainda um elo que vejo todos os dias na clínica da dor: dormir mal e sentir dor andam juntos, e a dor crônica que tira o sono à noite é, com frequência, o que mantém a pessoa acordada e dependente do comprimido. Tratar a causa da dor melhora o sono e reduz a necessidade do hipnótico, e é onde o plano completo de tratamento está detalhado na página sobre a relação entre dor crônica e distúrbios do sono. A escolha entre tratar o sono com TCC-I, controlar a dor que rouba o sono ou usar o remédio por um período curto varia entre pacientes, depende da causa da insônia, da idade e das outras medicações.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
Conheça a clínica

Perguntas frequentes
Zolpidem (Stillnox, Patz): para que serve?
O zolpidem, princípio ativo das marcas Stillnox e Patz, serve para o tratamento de curto prazo da insônia, principalmente a dificuldade para iniciar o sono. É um hipnótico indutor do sono, de uso pontual e por poucas semanas. Não é um ansiolítico para o dia nem um antidepressivo, e não trata a causa da insônia. O uso é indicado pelo médico.
O que diz a bula do zolpidem sobre a dose?
A bula do zolpidem orienta usar a menor dose eficaz, por pouco tempo, tomada imediatamente antes de deitar, e reduzir a dose em idosos e em pessoas com problemas de fígado. A dose, a frequência e a duração são definidas pelo médico que prescreve, conforme o seu caso, e seguir a receita sem ajustar por conta própria é parte da segurança do tratamento.
Qual a diferença entre alprazolam e zolpidem?
O zolpidem é um hipnótico, feito para induzir o sono, de ação curta. O alprazolam é um benzodiazepínico ansiolítico, indicado em transtornos de ansiedade e pânico, e não é uma pílula para dormir. São fármacos diferentes, com riscos diferentes, e não devem ser trocados um pelo outro por conta própria. A escolha entre eles, ou o uso de qualquer um, é decisão médica.
Zolpidem causa dependência?
Pode causar, sobretudo com uso prolongado e diário. Por isso é um medicamento controlado (lista B1, receita azul) e a recomendação é usá-lo por poucas semanas. Com o tempo, podem surgir tolerância (precisar de mais dose) e dependência, com insônia rebote ao parar. A retirada de quem usa há muito tempo deve ser gradual e orientada pelo médico, nunca abrupta.
Posso tomar zolpidem com álcool ou com clonazepam?
Não sem orientação médica, e a regra geral é evitar. Combinar zolpidem com álcool, com benzodiazepínicos como o clonazepam ou o alprazolam, com opioides ou outros sedativos soma o efeito depressor sobre o cérebro e a respiração, com risco de sedação perigosa, quedas, parassonias e depressão respiratória. Informe sempre ao médico todas as substâncias e remédios que você usa.
Se a insônia não passa, devo aumentar o zolpidem?
Não aumente por conta própria. Insônia que persiste por mais de três meses é crônica e o tratamento de primeira linha é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), não doses cada vez maiores de remédio. Quando a insônia está ligada à dor crônica, tratar a dor melhora o sono. Procure reavaliação médica para entender a causa, em vez de escalar o hipnótico.
Referências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Sateia MJ, Buysse DJ, Krystal AD, Neubauer DN, Heald JL. Clinical Practice Guideline for the Pharmacologic Treatment of Chronic Insomnia in Adults: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med. 2017;13(2):307-349. doi:10.5664/jcsm.6470. acessar
- Trauer JM, Qian MY, Doyle JS, Rajaratnam SMW, Cunnington D. Cognitive Behavioral Therapy for Chronic Insomnia: A Systematic Review and Meta-analysis. Ann Intern Med. 2015;163(3):191-204. doi:10.7326/M14-2841. acessar
- Liu et al. Acupuntura para insônia relacionada à dor crônica: revisão sistemática e meta-análise. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. 2019. ver resumo
- Zhao et al. Acupuntura para insônia primária: eficácia, segurança e mecanismos de ação. Sleep Medicine Reviews. 2024. ver resumo
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Com um hipnótico controlado como o zolpidem, decidir entre tratar o sono com TCC-I, controlar a dor que tira o sono ou usar o remédio por um período curto é uma escolha individualizada, que depende da causa da insônia, da idade, das outras medicações e do risco de quedas e de parassonias de cada pessoa.
