CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

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Acupuntura médica · Cuidado de suporte

Acupuntura ajuda a tratar ondas de calor em mulheres com câncer de mama

Ondas de calor são comuns em quem trata câncer de mama, geralmente pelo tamoxifeno, inibidores de aromatase ou menopausa induzida. Como a reposição hormonal costuma ser contraindicada, a acupuntura entra como complemento, com evidência moderada, sem tratar o câncer.

Resposta direta
  • Sim, a acupuntura pode reduzir a frequência e a intensidade das ondas de calor em mulheres tratadas por câncer de mama, com evidência de qualidade moderada e segurança boa. É um recurso complementar, não uma cura nem um substituto do tratamento.
  • Os fogachos aqui costumam ser induzidos pelo tratamento (tamoxifeno, inibidores de aromatase, menopausa por quimioterapia ou cirurgia), e a reposição hormonal em geral está contraindicada, o que dá valor às opções não hormonais.
  • O seguimento com o oncologista continua sendo o centro do cuidado. A acupuntura entra como apoio aos sintomas, nunca para tratar a doença, e qualquer mudança de medicação é decisão do médico assistente.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Acupuntura médica

Centro de Referência no Brasil em Acupuntura Médica. Tratamento com base em evidências, na tradição da USP e do HC-FMUSP.

Por que as ondas de calor aparecem após o câncer de mama

Prof. Dr. Hong Jin Pai em mesa de debate no CINDOR 2018.
Participação da equipe em congressos mantém a prática atualizada.

As ondas de calor (fogachos) nessa fase quase nunca são “menopausa comum”. Elas são, na maioria das vezes, um efeito direto do tratamento que protege contra a recidiva, e por isso costumam ser mais intensas e mais frequentes do que as de uma menopausa natural.

A maioria dos cânceres de mama é sensível a hormônios, e boa parte do tratamento adjuvante funciona justamente cortando o estímulo estrogênico. O tamoxifeno bloqueia o receptor de estrogênio na mama; os inibidores de aromatase (anastrozol, letrozol, exemestano) reduzem a produção de estrogênio nos tecidos periféricos. A quimioterapia pode levar à falência ovariana e a uma menopausa precoce, e a cirurgia ou o bloqueio dos ovários produzem o mesmo efeito de forma abrupta. O resultado comum é uma queda rápida e profunda do estrogênio, que desregula o centro de controle da temperatura no hipotálamo.

Esse centro passa a interpretar pequenas variações de temperatura como superaquecimento e dispara uma resposta de resfriamento desproporcional: vasodilatação na pele, calor súbito que sobe pelo tronco e pelo rosto, sudorese e, à noite, os suores que fragmentam o sono. Não é um sintoma “psicológico”, é uma reação neurovascular com base fisiológica clara. Estima-se que a maioria das mulheres em terapia endócrina para câncer de mama tenha fogachos, e em parte delas o sintoma é intenso o bastante para prejudicar o sono, o humor e até a adesão ao tratamento hormonal.

O que costuma desencadear

Gatilhos comuns

Calor ambiente, bebidas quentes, álcool, cafeína, alimentos apimentados, estresse e roupas que retêm calor tendem a disparar ou intensificar os episódios.

Por que pesa tanto

Impacto real

Os suores noturnos fragmentam o sono e alimentam fadiga, irritabilidade e dor; o desconforto pode levar a abandonar a terapia endócrina, o que não é seguro.

Mito

“Ter muitas ondas de calor é sinal de que o tratamento hormonal está fazendo mais efeito contra o câncer.”

Fato

A intensidade dos fogachos não mede a eficácia do tratamento. Eles são um efeito adverso esperado e podem ser manejados sem que isso reduza a proteção contra a recidiva.

Palestra na plenaria do congresso mundial de acupuntura WFAS 2014
Em congressos Plenaria do congresso mundial de acupuntura (WFAS 2014)

Por que a reposição hormonal costuma não ser opção

Na menopausa comum, a terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para fogachos. Depois de um câncer de mama, sobretudo o hormônio-sensível, essa porta em geral se fecha: repor estrogênio pode estimular o tipo de tumor que o tratamento tenta justamente conter, e por isso a reposição hormonal sistêmica costuma estar contraindicada. Quem decide qualquer exceção é o oncologista, caso a caso.

É essa restrição que muda toda a lógica do manejo. Sem o recurso mais potente, o cuidado se apoia em estratégias não hormonais: ajustes de comportamento e ambiente, alguns medicamentos com perfil específico e terapias complementares como a acupuntura. Nenhuma delas iguala o efeito do estrogênio, mas, somadas e bem indicadas, podem reduzir o sintoma a um nível que devolva qualidade de vida e ajude a manter a terapia endócrina pelo tempo recomendado.

Também não há cirurgia que trate as ondas de calor. Parte dos fogachos surge justamente de procedimentos que reduzem o estrogênio, como a retirada ou o bloqueio dos ovários no tratamento do câncer, de modo que o manejo é comportamental, medicamentoso não hormonal e complementar, sempre conduzido com o oncologista, a quem cabem a prescrição das opções não hormonais e qualquer decisão sobre hormônios.

Em uma frase

A pergunta clínica não é “como zerar os fogachos”, e sim “como reduzi-los o suficiente, por meios seguros, para que você durma, funcione e mantenha o tratamento que protege contra a recidiva”.

O que a acupuntura faz e o que não faz

A acupuntura é uma das opções não hormonais com melhor base de evidência para fogachos nesse contexto. Ensaios clínicos e revisões sistemáticas mostram que ela pode reduzir a frequência e a intensidade das ondas de calor em mulheres com câncer de mama, com benefício que tende a se manter por semanas após o fim das sessões e com poucos efeitos adversos. O alívio varia de pessoa para pessoa e não é garantido.

O mecanismo plausível é central. A inserção das agulhas em pontos específicos ativa fibras nervosas que modulam o sistema nervoso autônomo e influenciam a regulação térmica no hipotálamo, além de mobilizar opioides endógenos e outros neurotransmissores ligados ao humor e ao sono. Na prática, isso costuma se traduzir em fogachos menos frequentes e menos intensos, sono mais contínuo e, em parte das pacientes, menos irritabilidade, três frentes que andam juntas.

O limite precisa ficar claro. A acupuntura não trata o câncer, não substitui a terapia endócrina e não muda o prognóstico da doença. Ela atua sobre o sintoma, não sobre o tumor.

Toda a literatura aqui é de cuidado de suporte no câncer de mama, ou seja, melhorar a qualidade de vida durante e após o tratamento oncológico, e nunca de tratamento antitumoral. O acompanhamento com o oncologista permanece inalterado, e qualquer ajuste de medicação é decisão exclusiva dele.

O que diferencia o fogacho oncológico

Na maioria das condições em que a agulha é usada, o alvo é a dor; aqui o alvo é um termostato hipotalâmico que ficou hipersensível pela queda abrupta de estrogênio. Por isso o desfecho que importa não é uma escala de dor, e sim a contagem diária de fogachos, a intensidade de cada um e o quanto o suor noturno fragmenta o sono.

Opções não hormonais para fogachos após câncer de mama
RecursoComo atuaOnde se encaixa
Medidas comportamentais e de ambienteReduzem gatilhos e a carga térmica; melhoram o sonoBase para todas; sempre primeiro passo
Acupuntura / eletroacupunturaNeuromodulação autonômica e central, sem hormônioComplementar, evidência moderada, boa segurança
Antidepressivos em dose baixa (ISRS/IRSN)Modulam a termorregulação centralDecisão do médico; cuidado com interação no uso de tamoxifeno
GabapentinaReduz fogachos e pode ajudar o sonoOpção médica, sobretudo para suores noturnos
Terapia cognitivo-comportamentalReduz o incômodo e o impacto do sintomaAdjuvante útil, isolada ou combinada

A escolha entre essas opções e a combinação delas dependem do seu caso, do que mais incomoda (calor diurno, suor noturno, insônia) e dos demais sintomas. Os medicamentos da tabela têm indicações, contraindicações e interações avaliadas pelo médico, e há uma interação relevante entre certos antidepressivos e o tamoxifeno, que orienta a escolha do fármaco. A acupuntura tem a vantagem de não acrescentar fármacos nem interações ao seu esquema, o que a torna atraente para quem já toma vários medicamentos.

O que ajuda a decidir

A acupuntura entrega um benefício real sobre os fogachos, com um detalhe que costuma passar batido: o que mais melhora não é o calor em si, e sim o sono e o humor. Reconhecer isso evita abandonar cedo um recurso que já estava ajudando, só que numa frente diferente da que a paciente media.

Assista: Acupuntura – Quando ela pode ser útil?

Como conduzimos o tratamento de suporte na clínica

O cuidado é complementar, não hormonal e individualizado, integrado ao seu seguimento oncológico, não em substituição a ele. O objetivo é reduzir a frequência e a intensidade dos fogachos, recuperar o sono e melhorar a qualidade de vida, com técnicas de boa segurança e cuidados específicos para quem está ou esteve em tratamento de câncer. A clínica trata dor e reabilitação, e nesse contexto a acupuntura também ajuda em queixas frequentes nessas pacientes, como a dor articular dos inibidores de aromatase e a neuropatia induzida por quimioterapia, sempre como apoio e com encaminhamento mantido ao oncologista.

Avaliação e medidas de base

Mapear gatilhos, sono e os demais sintomas; ajustar ambiente, vestuário e rotina e alinhar o plano com o oncologista antes de começar.

Acupuntura médica

Bloco semanal por algumas semanas para modular a termorregulação e o sono, com técnica estéril, contagem diária de fogachos e cuidados para pele irradiada e linfedema.

Eletroacupuntura

Acréscimo de corrente de baixa frequência quando se busca reforçar o efeito, em pontos selecionados e fora de áreas de risco.

Encaminhamento e ajuste de medicação

Diante de resposta parcial, o oncologista avalia opções não hormonais; nada é iniciado ou suspenso sem o médico assistente.

Acupuntura médica

É o eixo do tratamento de suporte para os fogachos. A acupuntura modula o sistema nervoso autônomo e a regulação térmica central, com participação de opioides endógenos e de neurotransmissores ligados ao humor e ao sono, o que ajuda a explicar por que o benefício costuma ir além do calor e alcançar a insônia e a irritabilidade. Nos protocolos de fogacho dos principais ensaios, a estimulação costuma ser semanal por cerca de oito a doze semanas, com agulhamento sistêmico em pontos que dialogam com o eixo de termorregulação e com o sono; o efeito não aparece na primeira sessão, e sim se acumula ao longo desse bloco, motivo pelo qual a contagem de fogachos é registrada desde o início para julgar a resposta de forma objetiva, e não pela impressão de uma sessão isolada.

Concluído o bloco, parte das pacientes passa a sessões de reforço mais espaçadas, alinhadas à duração prevista da terapia endócrina, já que o estímulo hormonal que gera o sintoma permanece. Por se tratar de paciente oncológica, a indicação, a escolha dos pontos e a decisão de agulhar ou postergar diante de exames alterados são ato médico, não delegáveis a aplicação protocolar.

Eletroacupuntura

Em parte dos casos, acrescenta-se uma corrente elétrica de baixa frequência às agulhas (eletroacupuntura), o que tende a recrutar de forma mais consistente os sistemas inibitórios e neuromoduladores. É uma intensificação do mesmo princípio, usada quando se busca reforçar o efeito sobre os fogachos ou quando há dor associada. A indicação e os parâmetros são definidos caso a caso, e os pontos são escolhidos fora de áreas de risco.

Cuidados específicos para quem fez tratamento de câncer

A segurança aqui exige adaptações que não existem na paciente comum. No braço do lado operado, sobretudo após esvaziamento axilar ou com risco de linfedema, evitam-se punções e estímulos que possam favorecer inchaço ou infecção. Pele irradiada não recebe agulha na área tratada. Em quem está em quimioterapia, atenção redobrada a plaquetopenia (risco de sangramento) e neutropenia (risco de infecção), com a punção postergada quando os exames assim indicarem.

Técnica estéril e agulhas descartáveis são regra. Esses cuidados são o que permite oferecer a acupuntura com tranquilidade nesse grupo.

Da prática clínica

Algumas observações de consultório que costumam orientar a conversa neste cenário:

  • Quem mais chega. O perfil frequente é a mulher que tolera bem o fogacho de dia, mas é o suor noturno que a derruba: ela acorda encharcada várias vezes, dorme mal e chega exausta, e não raro já pensou em largar o tamoxifeno por causa disso. Quando se entende que o alvo principal pode ser proteger o sono, e não zerar o calor, a expectativa se reorganiza.
  • O erro mais comum. Sofrer calado e, em silêncio, espaçar ou abandonar a terapia endócrina sem contar a ninguém, tratando o fogacho como preço inevitável. É o oposto do que conviria: o sintoma quase sempre tem manejo, e a medicação que o provoca é justamente a que protege contra a recidiva.
  • Quando ajusto a rota. Se ao fim do bloco inicial a contagem de fogachos e o sono não melhoraram de forma perceptível, não insisto em mais do mesmo: revejo gatilhos, reforço as medidas de base e reabro com o oncologista a porta das opções não hormonais. Persistir com um plano que não respondeu só adia o alívio.
  • O que surpreende a paciente. Que o ganho costuma vir primeiro no sono e no humor, antes de o número de calores cair de modo claro; e que a agulha alivia sem somar mais um comprimido a uma rotina que já tem vários, sem as interações que pesam junto ao tamoxifeno.

Medidas comportamentais e de ambiente

Funcionam como base e somam ao efeito da acupuntura. Usar roupas leves e sobreponíveis, fáceis de remover, manter o ambiente fresco e ventilado, reduzir álcool, cafeína e alimentos apimentados, e cuidar do sono e do estresse diminuem o número e a intensidade dos episódios. São medidas simples, sem efeito adverso, e o ponto de partida de qualquer plano. A terapia cognitivo-comportamental, quando disponível, reduz o quanto o sintoma incomoda e melhora o sono.

Medicação, sempre com o médico

Quando o sintoma é intenso e as medidas anteriores não bastam, há opções não hormonais que reduzem fogachos, como antidepressivos em dose baixa do tipo ISRS ou IRSN e a gabapentina, indicadas e ajustadas pelo médico. Há um detalhe importante: alguns desses antidepressivos interferem na conversão do tamoxifeno em sua forma ativa, de modo que a escolha precisa considerar o tratamento oncológico em curso. O início, a troca ou a suspensão de qualquer medicamento é decisão do oncologista e do médico assistente.

Semana 1 a 2

Início

Alinhamento com o oncologista, medidas de ambiente e primeiras sessões; registro da frequência diária dos fogachos.

Semana 3 a 6

Resposta

O número e a intensidade dos episódios costumam começar a cair, com sono mais contínuo; ajusta-se o plano conforme a evolução.

Após 6 semanas

Reavaliação

Mede-se o resultado; define-se manutenção espaçada ou, se a resposta foi parcial, encaminha-se para opções não hormonais com o oncologista.

Usamos o número de fogachos por dia, a intensidade de cada episódio, o impacto no sono e um escore de qualidade de vida. Se ao fim do bloco inicial a contagem diária e o sono não mostrarem melhora perceptível, a conduta muda em vez de simplesmente repetir as mesmas sessões: revisam-se os gatilhos, reforçam-se as medidas de base e o caso volta ao oncologista para discutir as opções não hormonais. A meta é reduzir o sintoma a um nível tolerável e proteger o sono, não necessariamente eliminá-lo, e manter a paciente confortável o bastante para seguir a terapia endócrina pelo tempo recomendado.

Tratamento não farmacológico: comportamento, TCC e exercício

Antes e ao lado da acupuntura e dos medicamentos, há um conjunto de medidas sem fármacos com base de evidência própria. Convém um aviso de calibragem: ao contrário de quadros de dor ou postura, os fogachos não respondem a RPG, Pilates ou cinesioterapia, então essas técnicas não entram aqui. As estratégias que de fato ajudam são comportamentais e cognitivas, e o exercício físico tem papel mais no sono, no humor e nas dores articulares do que no número de ondas de calor em si. Nenhuma iguala o efeito que o estrogênio teria, mas, somadas, reduzem o incômodo a um nível que costuma devolver qualidade de vida.

Comportamental e exercícioCognitivo / mente-corpo

Medidas comportamentais e de ambiente

Camadas removíveis, quarto fresco e ventilado, tecidos leves e travesseiro de gel, menos álcool, cafeína e apimentados. Diminuem a frequência com que pequenas variações de temperatura cruzam o limiar do hipotálamo desregulado.

Base do plano

TCC e hipnose clínica

Programas estruturados de poucas sessões que reduzem o alerta e o incômodo do episódio e melhoram o sono, sem agir na termorregulação. A TCC costuma ser a que mais alivia o incômodo neste grupo.

Algumas semanas

Atividade física e controle de peso

Aeróbico e fortalecimento graduais; aliviam sono, humor, fadiga e a rigidez articular dos inibidores de aromatase. O excesso de peso piora os fogachos, então perder peso, quando indicado, ajuda de forma indireta — mas não trata o calor em si.

Sono e articulações
1

Frequência dos fogachos

Ambiente e comportamento reduzem de forma modesta; o exercício ajuda pouco no número de episódios em si.

→ medidas de base + acupuntura/medicação
2

Incômodo e aflição

É onde a TCC e a hipnose mais agem: mudam o quanto o calor atrapalha, mais do que quantas vezes ocorre.

→ TCC, hipnose clínica
3

Sono, humor e articulações

Exercício, controle de peso e as terapias cognitivas melhoram sono e humor; o exercício ainda alivia a dor articular dos inibidores de aromatase.

→ atividade física + TCC

Cada opção ajuda mais em uma frente: a TCC atua sobretudo sobre o incômodo do episódio, enquanto ambiente, exercício e técnicas mente-corpo agem mais sobre o sono e o desconforto do que sobre o número de episódios.

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

O que é
Programa estruturado que trabalha pensamentos, reações e o sono em torno dos fogachos, em geral em poucas sessões.
Mecanismo
Reduz a resposta de alerta e a percepção de incômodo do episódio e melhora o sono, sem agir na termorregulação. Atua sobre o quanto o sintoma atrapalha, mais do que sobre quantos episódios ocorrem.
Evidência
Consistente, inclusive em mulheres com câncer de mama, para reduzir o incômodo dos fogachos e melhorar sono e humor.
O que esperar
Benefício ao longo de algumas semanas; o ganho tende a se manter após o fim do acompanhamento.
Indicações
Útil isolada ou combinada, sobretudo quando insônia, ansiedade e a aflição com o sintoma pesam tanto quanto o calor em si.
Limitações
Depende de adesão e de profissional treinado; sozinha não elimina o episódio, e o acesso nem sempre é fácil. Conduzida por psicólogo ou profissional habilitado, fora do escopo desta clínica.

Hipnose clínica

O que é
Sugestão guiada e técnicas de relaxamento focadas na sensação de calor.
Mecanismo
Como a TCC, reduz o alerta e o incômodo do episódio e ajuda o sono, sem alterar diretamente a termorregulação.
Evidência
Reduz a frequência e a intensidade dos fogachos em ensaios controlados.
O que esperar
Benefício ao longo de algumas semanas, em programas estruturados de poucas sessões.
Indicações
Combina com a TCC quando o relaxamento e o controle da sensação de calor são o foco.
Limitações
Depende de profissional treinado; sozinha não elimina o episódio. Conduzida por profissional habilitado, fora do escopo desta clínica.

Sobre as medidas de ambiente, vale o reforço: apoiadas por diretrizes de menopausa e de cuidado de suporte oncológico como base de todo plano, com a melhor relação risco-benefício possível por não terem efeito adverso — mas raramente bastam sozinhas nos casos moderados a graves, onde complementam, e não substituem, a acupuntura ou a medicação. Já as técnicas de respiração lenta e ioga ajudam mais no relaxamento e no sono do que no controle dos fogachos em si.

Quando procurar avaliação e o que não adiar

A acupuntura é um apoio aos sintomas, e há situações que pedem o oncologista, não a agulha. Alguns sinais não devem esperar e não devem ser interpretados como “menopausa” ou efeito do tratamento sem avaliação:

Procure avaliação · não adie

Fale com o oncologista sem demora se houver

  • Nódulo novo na mama, na cicatriz ou na axila, ou mudança na pele e no mamilo.
  • Febre, sinais de infecção ou inchaço novo no braço do lado operado.
  • Dor óssea persistente e localizada, falta de ar, dor de cabeça nova e intensa ou sintomas que não cedem.
  • Sangramento vaginal em uso de tamoxifeno.
  • Tristeza profunda e persistente ou perda de prazer; nesses casos, procure ajuda e, em crise, ligue para o CVV no 188.
  • Vontade de interromper a terapia endócrina por causa dos sintomas, converse antes, há alternativas de manejo.

Cada item aponta para uma conduta própria do seguimento oncológico, que a acupuntura não substitui. O ponto prático: trate os fogachos para viver melhor, mas mantenha o calendário de consultas e exames com o oncologista, que é quem monitora a doença e ajusta o tratamento. A acupuntura soma a esse cuidado, sem nunca tomar o lugar dele.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

A acupuntura reduz mesmo as ondas de calor depois do câncer de mama?

Pode reduzir, sim. Ensaios clínicos e revisões mostram queda na frequência e na intensidade dos fogachos, com benefício que tende a se manter por semanas e com boa segurança. A evidência é de qualidade moderada e o efeito varia entre pessoas. É um recurso complementar, não uma cura, e não substitui o seguimento oncológico nem a terapia endócrina.

A acupuntura interfere no tratamento ou estimula o câncer?

A acupuntura não estimula o câncer nem reduz a eficácia do tratamento. Diferente da reposição hormonal, ela não acrescenta hormônio ao corpo e não cria as interações medicamentosas que preocupam nesse cenário. Com os cuidados específicos (evitar o braço de risco de linfedema, pele irradiada e punção em quem está com plaquetas ou neutrófilos baixos), costuma ser segura como apoio.

Por que não posso simplesmente fazer reposição hormonal?

Porque a maioria dos cânceres de mama é sensível a hormônios, e repor estrogênio pode estimular o tipo de tumor que o tratamento procura conter. Por isso a reposição hormonal sistêmica costuma estar contraindicada após o câncer de mama. Quem avalia qualquer exceção é o oncologista. É justamente essa restrição que dá valor às opções não hormonais, como a acupuntura.

Quantas sessões são necessárias e em quanto tempo melhora?

Nos estudos de fogacho, a estimulação costuma ser semanal por volta de oito a doze semanas, com avaliação ao final pela contagem diária de calores e pelo sono. A melhora é gradual e quase nunca aparece já na primeira sessão; ela se acumula ao longo do bloco. Concluído esse período, parte das pacientes segue com sessões de reforço mais espaçadas enquanto durar a terapia endócrina. O plano é individual e ajustado pela resposta medida, não pela impressão de uma sessão isolada.

A acupuntura ajuda só nas ondas de calor ou em outros sintomas também?

Por modular o sono, o humor e a dor, costuma ajudar em queixas que andam juntas dos fogachos, como insônia e irritabilidade. No contexto oncológico, também é usada como apoio na dor articular ligada aos inibidores de aromatase e na neuropatia induzida por quimioterapia, sempre como complemento e sem substituir o tratamento oncológico.

É diferente da acupuntura para ondas de calor da menopausa comum?

O mecanismo do alívio é parecido, mas o contexto muda tudo. Na menopausa natural existe a opção da reposição hormonal e não há os cuidados ligados a cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Após o câncer de mama, a reposição costuma estar fora, o seguimento oncológico é prioritário e há adaptações de segurança específicas. A abordagem da menopausa comum é descrita na página sobre ondas de calor na menopausa.

Posso parar o tamoxifeno ou o inibidor de aromatase se as ondas de calor forem insuportáveis?

Não por conta própria. A terapia endócrina reduz o risco de recidiva e a decisão sobre mantê-la, ajustá-la ou trocá-la é exclusiva do oncologista. Antes de cogitar parar, converse: há estratégias de manejo dos fogachos, hormonais não, que podem tornar o tratamento tolerável. A suspensão da terapia endócrina é decisão do médico assistente.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dra. Celia Yunes Portiolli
Sobre a autora
Dra. Celia Yunes Portiolli
CRM-SP 27.971RQE 5.148 / 19.469

Médica Especialista em Acupuntura, Dor e Pediatria. Atua com tratamentos em acupuntura, laserterapia e ventosaterapia para pacientes adultos e pediátricos.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Zhang Y, et al. Acupuncture for breast cancer: a systematic review of patient-reported outcomes. Frontiers in Oncology. 2021;11:646315.
  2. Chien TJ, et al. Acupuncture for treating menopausal symptoms in breast cancer patients: a systematic review and meta-analysis. PLoS ONE. 2017;12(8):e0180918.
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 7 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A acupuntura é um recurso complementar de suporte aos sintomas e não trata o câncer nem substitui o seguimento oncológico. O alívio dos fogachos pela acupuntura é parcial e varia de paciente para paciente, e o plano só é definido após consulta, com os cuidados de segurança próprios de quem fez tratamento de câncer.

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