CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

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Acupuntura · Oncologia integrativa

Acupuntura em oncologia: onde ela entra no câncer de mama

A acupuntura não trata o câncer de mama nem age sobre o tumor. Como cuidado de suporte somado ao oncologista, pode aliviar dor, neuropatia da quimioterapia, náusea e ondas de calor durante o tratamento.

Resposta direta
  • Em oncologia, a acupuntura é terapia de suporte adjuvante: ajuda a tolerar o tratamento do câncer de mama aliviando sintomas, mas não trata, não controla e não cura o tumor, e nunca substitui quimioterapia, radioterapia, cirurgia ou hormonioterapia.
  • O encaixe muda conforme a fase: na fase ativa, foco em náusea, dor e neuropatia; na sobrevivência, em artralgia da hormonioterapia, ondas de calor e dor crônica do ombro e da parede torácica.
  • A indicação parte do oncologista e respeita limites de segurança (plaquetas baixas, neutropenia, braço com linfedema). A clínica atua na parte de que é especialista: a dor e a neuropatia.
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40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Acupuntura médica

Centro de Referência no Brasil em Acupuntura Médica. Tratamento com base em evidências, na tradição da USP e do HC-FMUSP.

  • 0Efeito da acupuntura sobre o tumor: nenhum, em qualquer estudo sério
  • 5 a 10 anosDuração da hormonioterapia que gera artralgia e ondas de calor
  • 6 a 10Sessões no ciclo inicial, 1 a 2 por semana, com reavaliação
  • PC6Ponto no punho, o mais estudado para náusea de quimioterapia

O que é acupuntura em oncologia

Render 3D de uma cabeça humana de perfil com o cérebro destacado em cores diferentes por região.
A analgesia da acupuntura envolve áreas cerebrais e a liberação de neurotransmissores, não apenas o ponto agulhado.

Acupuntura em oncologia é o uso da acupuntura como cuidado de suporte dentro do tratamento do câncer, e não como tratamento da doença. No câncer de mama, isso significa uma ferramenta a mais para controlar sintomas e efeitos colaterais, somada ao exercício, à reabilitação e à medicação, sempre integrada à conduta do oncologista.

A oncologia integrativa é o campo que organiza essas terapias de suporte de forma criteriosa, separando o que tem respaldo do que é apenas alegação. A acupuntura é uma das poucas práticas complementares que entra nesse campo com base em ensaios clínicos, e entra por um motivo específico: ela age sobre dor e sintomas por mecanismos conhecidos, e não por uma suposta ação sobre as células tumorais. A estimulação de um ponto com a agulha ativa fibras nervosas que enviam sinais à medula e ao tronco encefálico, recrutando vias inibitórias descendentes e a liberação de opioides endógenos, com participação de mediadores locais como a adenosina. É neuromodulação, o mesmo mecanismo que sustenta o uso da acupuntura na dor crônica de qualquer origem.

A acupuntura é adjuvante e sempre integrada à oncologia. Ela existe para que a paciente consiga seguir o tratamento que de fato trata a doença, com menos sofrimento pelo caminho. Esta página olha a acupuntura por fase do tratamento; o detalhamento do que a evidência sustenta sintoma por sintoma, de forma graduada, está na página sobre acupuntura para diminuir efeitos colaterais do câncer de mama.

Mito

“A acupuntura oncológica fortalece as defesas e ajuda o corpo a combater o câncer, então posso reduzir ou adiar a quimioterapia.”

Fato

Nenhum estudo demonstra que a acupuntura combata o tumor ou reforce a imunidade contra o câncer. Adiar ou abrir mão do tratamento oncológico por terapias complementares custa chances reais de cura. A acupuntura serve para aliviar efeitos colaterais, não para tratar a doença.

Mesa de debate no CREMESP com palestrantes e telao durante sessão medica
Em congressos Mesa de debate no CREMESP

Onde a acupuntura encaixa em cada fase

O tratamento do câncer de mama tem fases distintas, e cada uma cobra um preço diferente em sintomas. A acupuntura não é igualmente útil em todas, e a indicação muda conforme o que mais limita a paciente naquele momento. Pensar por fase evita a armadilha de tratar “o câncer de mama” como um bloco e ajuda a usar a acupuntura onde ela rende mais.

Acupuntura adjuvante por fase do tratamento do câncer de mama
FaseSintomas que pesamPapel possível da acupuntura
Cirurgia e pós-operatórioDor e restrição do ombro, dor miofascial no peitoral e parede torácicaAdjuvante à reabilitação do ombro; cautela no braço com esvaziamento axilar
QuimioterapiaNáusea e vômito, neuropatia periférica, fadigaAdjuvante ao antiemético (ponto PC6) e ao manejo da neuropatia; respeitar plaquetas e neutropenia
RadioterapiaDor e fibrose locais, fadiga, boca seca se houver irradiação de glândula salivarSuporte sintomático; evitar agulhamento no leito irradiado recente
Hormonioterapia (sobrevivência)Artralgia difusa, rigidez matinal, ondas de calor, insôniaOnde a evidência é mais firme: dor articular do inibidor de aromatase e ondas de calor
Sobrevivência de longo prazoDor crônica, neuropatia residual, alterações do sono e do humorManejo da dor crônica e da neuropatia, território de fisiatria e medicina da dor

Dois momentos concentram o maior ganho. Na quimioterapia, a náusea aguda e a neuropatia por taxanos (paclitaxel, docetaxel) e platinas são as queixas mais respondentes; o ponto PC6, no punho, é o mais estudado para a náusea, inclusive em formato de acupressão, abordado na página sobre estimulação de pontos para náuseas e vômitos pós-quimioterapia. Na hormonioterapia prolongada com tamoxifeno ou inibidores de aromatase (anastrozol, letrozol, exemestano), a artralgia e as ondas de calor são onde a acupuntura tem a evidência mais consistente, e onde o alívio tem consequência prática: a dor articular é uma das principais causas de abandono dessa medicação, que protege a paciente contra a recidiva.

Em uma frase

A acupuntura não muda o tratamento do câncer; ela muda o quanto cada fase do tratamento cobra de você. O ganho é em qualidade de vida e em capacidade de completar o protocolo, não em controle do tumor.

Onde a acupuntura mais ajuda

A acupuntura ajuda mais na dor articular do inibidor de aromatase e na náusea da quimioterapia (ponto PC6). O critério de sucesso é conseguir manter o inibidor de aromatase e a quimioterapia até o fim. Em câncer de mama, completar o tratamento que reduz a recidiva vale mais do que qualquer alívio isolado.

Por que o seguimento oncológico continua no centro

A regra que não se negocia: o seguimento com o oncologista é obrigatório e não admite substituição. O tratamento moderno do câncer de mama cura ou controla a doença em grande parte dos casos, e qualquer decisão sobre quimioterapia, radioterapia, cirurgia ou hormonioterapia pertence à equipe oncológica. A acupuntura entra ao lado desse tratamento, nunca no lugar dele, e nunca interfere nele.

Há uma divisão de trabalho que torna o cuidado seguro. A oncologia conduz a doença: estadiamento, esquemas de tratamento, exames de controle e o calendário de seguimento. A fisiatria e a medicina da dor cuidam de uma fatia específica das consequências do tratamento, a dor e a neuropatia, com a acupuntura como uma das ferramentas.

Quando a paciente apresenta um sintoma novo, intenso ou progressivo, dor que muda de padrão, perda de peso inexplicada ou qualquer sinal que sugira progressão da doença, o caminho não é a terapia de suporte: é comunicar o oncologista. Suporte não investiga câncer; suporte alivia o que o tratamento do câncer provoca.

Bom encaixe com a clínica

Dor e neuropatia

Neuropatia por taxanos e platinas, artralgia por inibidor de aromatase, dor miofascial no ombro e na parede torácica após cirurgia e radioterapia: território de fisiatria e medicina da dor.

Conduzido pela oncologia

A doença em si

Diagnóstico, estadiamento, quimioterapia, radioterapia, cirurgia, hormonioterapia e seguimento são do oncologista. A acupuntura nunca os substitui, adia ou altera.

Comunicação aberta completa o quadro. A paciente deve informar, antes de cada sessão, todo o tratamento oncológico em curso; o diálogo com a equipe que conduz a doença é parte do cuidado integrado. Cuidado integrado, e não paralelo, é o que define a oncologia integrativa séria e a separa das promessas de cura sem respaldo.

Como é uma sessão integrada ao cuidado oncológico

Prof. Dr. Hong Jin Pai conduzindo aula prática de acupuntura para a equipe.
O Prof. Dr. Hong Jin Pai conduz a formação em acupuntura médica da equipe.

Uma sessão de acupuntura em oncologia começa antes da agulha, na definição do alvo. Em vez de “fazer acupuntura para o câncer”, define-se um sintoma concreto, a náusea da próxima quimioterapia, a neuropatia das mãos, a artralgia dos joelhos pela hormonioterapia, e mede-se esse sintoma para acompanhar a resposta. Sem alvo mensurável, não há como saber se a terapia ajuda.

A avaliação revisa exames recentes e a fase do tratamento, e checa os pontos de segurança com a oncologia: contagem de plaquetas, estado imune e a presença de linfedema ou esvaziamento axilar. Definido o alvo e liberada a indicação, a acupuntura é aplicada com agulhas finas em pontos selecionados, por cerca de vinte a trinta minutos, em ambiente limpo e com técnica estéril. Na eletroacupuntura, uma corrente elétrica de baixa intensidade é acoplada às agulhas para recrutar com mais força os sistemas inibitórios da dor, recurso útil sobretudo na neuropatia. Na clínica, o atendimento é individual, um paciente por sala.

A cadência depende do alvo e da fase. Para a náusea, a estimulação se concentra em torno dos dias de quimioterapia, e o sinal de que funciona é precoce, no mesmo ciclo. Para a artralgia da hormonioterapia e a neuropatia, o trabalho é mais longo: um primeiro bloco de algumas semanas para virar a curva e, em seguida, sessões espaçadas de manutenção enquanto a medicação durar.

A reavaliação é objetiva e marcada na agenda; quando o número não anda no bloco inicial, o caminho é mudar o alvo, a técnica ou a frequência, ou devolver a queixa à oncologia, e não carimbar mais sessões iguais. O alívio é gradual e raramente zera o sintoma; ele o reduz a um patamar mais tolerável, o que, num tratamento longo, pode ser decisivo para a adesão e para o bem-estar.

Definir o sintoma-alvo

Náusea, neuropatia, artralgia ou ondas de calor; medir com escala para acompanhar a resposta, em vez de tratar “o câncer” de forma vaga.

Liberar com a oncologia

Revisar plaquetas, estado imune e linfedema; alinhar a indicação com o oncologista antes de iniciar.

Aplicar conforme a fase

Para náusea, em torno dos dias de quimioterapia; para artralgia e neuropatia, um bloco de algumas semanas e depois manutenção espaçada, com técnica estéril e eletroacupuntura quando indicada.

Reavaliar por metas

Medir o ganho no fim do bloco; manter, mudar de alvo ou técnica, ou devolver a queixa à oncologia conforme a resposta e a fase.

Da prática clínica

A paciente que mais chega à acupuntura no câncer de mama não está na quimioterapia: está meses depois, em hormonioterapia, com dor nos punhos, nos dedos e nos joelhos pela manhã, convencida de que “envelheceu de repente” ou de que o câncer voltou. Nomear que aquilo é a artralgia do inibidor de aromatase, e não progressão, costuma aliviar tanto quanto a agulha.

O erro mais comum que vemos é a paciente parar a hormonioterapia por conta própria por causa dessa dor articular, sem contar a ninguém. É a medicação que mais protege contra a recidiva nos tumores hormônio-sensíveis; a conduta correta diante da artralgia é tratar a dor e conversar com o oncologista sobre a medicação, nunca abandoná-la em silêncio.

O limiar para a gente não agulhar e devolver à oncologia é baixo: febre, sinal de infecção, plaquetas que não conhecemos, dor que mudou de padrão ou um braço com linfedema. Suporte espera; investigação não. E o que costuma surpreender a paciente é descobrir que a acupuntura aqui não compete com o tratamento do câncer nem mira o tumor: ela existe para que a quimioterapia, a radioterapia e a hormonioterapia caibam na vida dela.

Segurança no paciente oncológico

Prof. Dr. Hong Jin Pai em palestra no congresso CINDOR.
O Prof. Dr. Hong Jin Pai é referência em acupuntura médica e dor.

A acupuntura é segura quando feita por médico com formação específica, mas o paciente oncológico tem particularidades que mudam a conduta. Os cuidados abaixo não tornam a acupuntura perigosa; eles definem o momento certo e a técnica correta. Alguns sinais, por outro lado, pedem avaliação médica sem demora, independentemente da acupuntura.

Cuidados e sinais de alerta · não ignore

Avalie com a equipe antes ou durante o tratamento

  • Plaquetas muito baixas ou distúrbio de coagulação: o agulhamento pode causar sangramento e equimoses; aguardar a recuperação medular.
  • Neutropenia ou febre durante a quimioterapia: o risco de infecção contraindica o procedimento na vigência do quadro.
  • Braço do lado da cirurgia axilar ou com linfedema: evitar agulhamento e garroteamento nesse membro, pelo risco de infecção e de piora do edema.
  • Leito de radioterapia recente: evitar agulhar a pele irradiada em cicatrização.
  • Sinais de infecção no local, febre, vermelhidão ou secreção: suspender e avaliar.
  • Dor nova, intensa ou progressiva, perda de peso inexplicada ou qualquer sintoma que sugira progressão: comunicar o oncologista, não tentar resolver com terapia de suporte.

A última linha merece ênfase. A terapia de suporte alivia o que o tratamento provoca, mas não é o lugar para investigar uma possível progressão da doença. Diante de qualquer sinal de alarme, a conduta é a oncologia, e a acupuntura espera. É essa disciplina que mantém o cuidado integrado seguro.

Assista: Acupuntura – Quando ela pode ser útil?

O arsenal de suporte da clínica

O cuidado de suporte aos sintomas do câncer de mama é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, e a acupuntura é uma de suas peças. O objetivo é reduzir a dor e os efeitos colaterais, preservar a função e ajudar a paciente a completar o tratamento oncológico com mais qualidade de vida. A base é ativa, com exercício orientado, e as demais técnicas se somam conforme o sintoma predominante e a fase. Nada disso atua sobre o tumor, e toda a sequência é integrada à conduta do oncologista.

Exercício e reabilitação: a base

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança no cuidado de suporte do câncer de mama, e o eixo de todo o resto. Depois da cirurgia axilar, a cinesioterapia recupera a amplitude do ombro e previne aderências e rigidez; na neuropatia, o treino de equilíbrio, marcha e propriocepção reduz o risco de queda e melhora a função das mãos e dos pés; contra a fadiga relacionada ao câncer, o exercício aeróbico e de força tem a evidência mais consistente de todas as terapias de suporte. O atendimento é individual, com a carga e a técnica ajustadas à fase do tratamento. A acupuntura e as demais técnicas se somam a essa base, não a substituem.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

Modulam a dor e alguns sintomas por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula, pela ativação de vias inibitórias descendentes (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e pela liberação de opioides endógenos e adenosina; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência tende a recrutar mais esses sistemas. No paciente com câncer de mama, é usada para a dor articular dos inibidores de aromatase (onde a evidência é mais firme), para a neuropatia por quimioterapia, para as ondas de calor e como adjuvante antiemético, com o ponto PC6 como o mais estudado para náusea. A abordagem da neuropatia está detalhada na página sobre acupuntura para polineuropatia periférica.

Na artralgia da hormonioterapia, os ensaios que mostraram benefício usaram tipicamente um bloco de seis a oito semanas com sessões semanais e, depois, manutenção espaçada enquanto durar o inibidor de aromatase; na neuropatia por taxanos e platinas, costuma-se reservar a eletroacupuntura para as mãos e os pés e medir formigamento e equilíbrio antes e depois. A escolha dos pontos e a indicação são de médico com título de especialista em acupuntura, que trabalha com os exames e o calendário da oncologia em mãos, e não de protocolo fixo.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho

A cirurgia, a radioterapia e a postura antálgica deixam, com frequência, pontos-gatilho e dor miofascial no peitoral maior e menor, no trapézio e na musculatura ao redor da escápula, que limitam o movimento do ombro do lado operado. No agulhamento seco (dry needling), a agulha atinge a banda tensa do músculo e provoca a contração reflexa que dispersa a placa motora hiperativa, com efeito analgésico local e segmentar. Quando o ponto é resistente, a infiltração com anestésico local (ou soro fisiológico) interrompe o ciclo dor-espasmo-dor.

No tórax operado a técnica exige cuidado redobrado de profundidade e ângulo pela proximidade da pleura e da reconstrução ou do expansor, e no braço do lado do esvaziamento axilar ou com linfedema essa abordagem é evitada pelo risco de infecção e de piora do edema. A dor pós-agulhamento, leve e de um a dois dias, é avisada antes para não ser confundida com uma intercorrência do tratamento oncológico.

Na neuropatia por quimioterapia a duloxetina tem a melhor evidência específica, e a indicação parte da equipe de oncologia; a acupuntura entra somada a esse plano.

Semana 1 a 2

Alinhamento e início

Definir o sintoma-alvo, checar plaquetas e o estado imune com a oncologia e iniciar exercício e as primeiras sessões.

Semana 3 a 6

Progressão

Ciclo de acupuntura e reabilitação em andamento; os sintomas costumam começar a ceder em intensidade.

Após 6 semanas

Reavaliação

Medir o ganho com escalas e função; manter, ajustar ou suspender conforme a resposta e a fase do tratamento.

Usamos medidas objetivas: a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, escalas específicas de neuropatia, a frequência das ondas de calor e a amplitude do ombro, além da capacidade de manter o tratamento oncológico sem reduções por intolerância. A meta é reduzir os efeitos colaterais a um patamar que não impeça a vida e o tratamento, não eliminar todos os sintomas nem agir sobre o câncer.

Tratamento não farmacológico: reabilitação e exercício

No câncer de mama, a reabilitação ativa, não farmacológica, é a peça com a melhor relação entre evidência e segurança em todo o cuidado de suporte, e o eixo ao qual a acupuntura e as demais técnicas se somam. Ela não age sobre o tumor; devolve função: amplitude do ombro depois da cirurgia, equilíbrio e segurança na marcha quando há neuropatia, e capacidade física diante da fadiga. O atendimento é individual, com carga e técnica ajustadas à fase do tratamento e em diálogo com a oncologia.

A lógica é a de toda reabilitação musculoesquelética: começar baixo, progredir devagar, manter a regularidade. A agulha, o laser e a terapia manual abrem uma janela de alívio; é o exercício ativo e constante que a transforma em ganho duradouro. Vale uma cautela específica do câncer de mama: o braço do lado da cirurgia axilar ou com linfedema exige técnica adaptada e atenção ao edema, mas o repouso prolongado é um erro, porque a imobilidade favorece a rigidez e o próprio linfedema.

Reabilitação ativaTerapia manual / linfedema

Cinesioterapia e reabilitação do ombro

Mobilização, alongamento e fortalecimento progressivo da cintura escapular após a cirurgia axilar; recupera amplitude e solta a rede axilar.

ForteSemanas a meses

Fisioterapia da fadiga e do equilíbrio

Exercício aeróbico e de força contra a fadiga; treino de marcha e propriocepção quando há neuropatia das mãos e dos pés.

ForteProgressivo

Terapia manual e cuidado do linfedema

Liberação miofascial e mobilização da cicatriz; linfedema tratado com drenagem, enfaixamento e malha por profissional habilitado.

ModeradaAdjuvante
Base · sempreo eixo de todo o resto
Cinesioterapia do ombroExercício aeróbico e de forçaEquilíbrio e marcha na neuropatia
Somam-se à baseconforme o sintoma e a fase
CinesioterapiaTerapia manual
Conduta especializadaquando presente
Linfedema: drenagem, enfaixamento e malha

Cinesioterapia e reabilitação do ombro

O que é
O núcleo da reabilitação neste contexto: mobilização da articulação do ombro, alongamento e fortalecimento progressivo da cintura escapular, prescritos e progredidos por fisioterapeuta a partir do pós-operatório.
Mecanismo
A cirurgia da mama e da axila, a radioterapia e a postura antálgica geram dor, aderência cicatricial e restrição do ombro, além da rede axilar (cordões fibrosos subcutâneos da axila ao braço); a mobilização precoce e o alongamento graduado recuperam a amplitude, soltam aderências e previnem o ombro congelado.
Evidência
Forte O exercício terapêutico é a intervenção mais bem sustentada para recuperar a amplitude e a função do ombro após a cirurgia da mama, com benefício consistente quando iniciado de forma orientada e mantido.
O que esperar
Programa de exercícios diários domiciliares somado a sessões supervisionadas, com ganho de amplitude ao longo de semanas a meses.
Indicações
Restrição e dor do ombro, rede axilar e rigidez após cirurgia ou radioterapia.
Limitações
Exige continuidade; em presença de seroma, deiscência ou infecção da ferida, a progressão é adiada, e no braço com linfedema a técnica é adaptada e monitorada.

Fisioterapia da fadiga e do equilíbrio

O que é
Exercício aeróbico e de força orientado para a fadiga relacionada ao câncer, somado ao treino de equilíbrio, marcha e propriocepção quando há neuropatia das mãos e dos pés.
Mecanismo
Contra a fadiga, o exercício regular reduz o descondicionamento e melhora a capacidade física e a disposição; na neuropatia, o treino sensório-motor melhora a estabilidade e reduz o risco de queda, mesmo quando a dormência persiste.
Evidência
Forte O exercício aeróbico e de força tem a evidência mais consistente de todas as terapias de suporte para a fadiga relacionada ao câncer; para o equilíbrio na neuropatia, a evidência sustenta ganho de função e segurança.
O que esperar
Programa progressivo iniciado em intensidade baixa, com aumento gradual conforme a tolerância e a fase do tratamento.
Indicações
Fadiga, descondicionamento, instabilidade e risco de queda por neuropatia.
Limitações
A carga é ajustada à anemia, à neutropenia e ao estado clínico; em vigência de plaquetopenia grave ou intercorrência, o programa é adaptado com a oncologia.
Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

A acupuntura em oncologia trata ou cura o câncer de mama?

Não. Não há evidência de que a acupuntura trate, controle ou cure o câncer, nem de que reforce a imunidade contra o tumor. O seu papel, dentro da oncologia integrativa, é de suporte: reduzir efeitos colaterais do tratamento, como dor, neuropatia, náusea e ondas de calor. Ela nunca substitui a quimioterapia, a radioterapia, a cirurgia ou a hormonioterapia, conduzidas pelo oncologista, e o seguimento oncológico é obrigatório.

O que é oncologia integrativa e onde a acupuntura entra?

Oncologia integrativa é o uso criterioso de terapias de suporte, como exercício, acupuntura e técnicas de manejo da dor, somadas ao tratamento oncológico convencional, com base em evidência e nunca no lugar dele. A acupuntura entra como uma ferramenta de controle de sintomas, porque age sobre a dor por neuromodulação, e não por uma ação sobre o tumor. Integrar não é abrir mão do tratamento que cura a doença.

Em que fase do tratamento a acupuntura ajuda mais?

Os maiores ganhos costumam aparecer na quimioterapia (náusea, com o ponto PC6, e neuropatia por taxanos e platinas) e na hormonioterapia prolongada (dor articular dos inibidores de aromatase e ondas de calor), onde a evidência é mais firme. Após a cirurgia, ajuda como adjuvante na dor e na reabilitação do ombro. O alvo é definido conforme o que mais limita você naquele momento.

É seguro fazer acupuntura durante a quimioterapia?

Costuma ser, desde que feita por médico com formação específica e alinhada com o oncologista. Há cuidados: evita-se o agulhamento quando as plaquetas estão muito baixas (risco de sangramento) ou em vigência de neutropenia e febre (risco de infecção), e não se agulha o braço do lado da cirurgia axilar ou com linfedema. Informe sempre toda a sua equipe sobre todos os tratamentos em curso.

A acupuntura ajuda na neuropatia e nas ondas de calor do câncer de mama?

Pode ajudar nos dois. Na neuropatia por quimioterapia (dormência, formigamento e queimação nas mãos e nos pés), a acupuntura e a eletroacupuntura têm sido estudadas com resultados encorajadores, somadas à reabilitação e, quando indicado, à duloxetina. Nas ondas de calor ligadas à hormonioterapia, podem reduzir a frequência e a intensidade, e são uma opção para quem não pode usar terapia hormonal. Veja a página detalhada sobre efeitos colaterais do tratamento do câncer de mama.

Quanto tempo até sentir resultado e quantas sessões são necessárias?

Depende do alvo. Na náusea da quimioterapia, a estimulação se concentra nos dias do ciclo e o resultado aparece cedo, no mesmo ciclo. Na artralgia da hormonioterapia e na neuropatia, o trabalho é mais longo: algumas semanas para virar a curva e, depois, sessões espaçadas de manutenção enquanto durar a medicação. O alívio é gradual e raramente elimina o sintoma por completo: reduz a um patamar mais tolerável. Se o número não andar no bloco inicial, muda-se o alvo, a técnica ou a frequência, em vez de repetir sessões iguais.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Prof. Dr. Hong Jin Pai
Sobre o autor
Prof. Dr. Hong Jin Pai
CRM-SP 36.399RQE 29.862

Médico com atuação em Acupuntura Médica, dor, ensino clínico e formação médica continuada. Diretor técnico da Clínica Dr. Hong Jin Pai.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Society for Integrative Oncology e ASCO. Diretriz conjunta de uso de terapias integrativas no manejo da dor em pacientes com câncer; a acupuntura é recomendada como adjuvante para artralgia por inibidor de aromatase, entre outras situações.
  2. Conselho Federal de Medicina. Acupuntura como especialidade médica e prática integrada ao cuidado; vedação a promessas de cura e à substituição do tratamento de base.
Atualizado em 2 jun 2026 Leitura 7 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A acupuntura é uma terapia adjuvante de suporte e não trata, controla nem cura o câncer; o tratamento e o seguimento oncológicos devem ser conduzidos pelo oncologista e nunca interrompidos, adiados ou substituídos por terapias complementares. O encaixe e a intensidade do cuidado de suporte mudam conforme a fase do tratamento, o subtipo do tumor e a tolerância de cada paciente, e são definidos em consulta e em diálogo com a equipe oncológica.

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