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Bloqueio facetário para dor na coluna

Uma injeção guiada por imagem que anestesia os pequenos nervos das articulações facetárias da coluna. Serve para confirmar que a faceta é a origem da dor e para aliviá-la por um período.

Resposta direta
  • O bloqueio facetário deposita anestésico local (às vezes com um corticoide) junto aos nervos que inervam uma articulação facetária da coluna — cervical ou lombar. O alvo mais preciso são os ramos mediais do ramo dorsal, os nervos que carregam a dor de cada faceta.
  • Tem dois papéis distintos. Como teste diagnóstico, um bom alívio depois de anestesiar os ramos mediais localiza a faceta como o gerador da dor — algo que exame de imagem e exame físico, isolados, não conseguem provar. Como tratamento, oferece alívio de duração variável.
  • É indicado na dor facetária lombar e na dor facetária cervical, quando o padrão de dor axial aponta para as facetas. Quando a resposta ao teste é boa mas o alívio não dura, a radiofrequência (rizotomia) do ramo medial é o passo seguinte para um resultado mais duradouro.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Ilustração abstrata da coluna vertebral
A região tratada: as articulações facetárias, ao longo da coluna, com um segmento em destaque — a origem da dor axial que o bloqueio confirma e alivia.

O que é o bloqueio facetário

O bloqueio facetário é um procedimento de consultório ou centro cirúrgico ambulatorial em que uma pequena quantidade de anestésico local é depositada, com agulha fina e guiada por imagem, junto à articulação facetária ou aos nervos que a inervam. A meta é interromper temporariamente a dor que nasce naquela faceta — e, ao fazê-lo, descobrir se a faceta era mesmo a origem do problema.

Convém separar desde o início a condição do procedimento. A dor facetária (ou síndrome facetária) é o diagnóstico: uma dor axial, na própria coluna, gerada pelo desgaste e pela inflamação dessas pequenas articulações. Quem quer entender a doença em si — por que a faceta dói, como ela se desgasta, os sinais que a distinguem de uma hérnia ou de uma dor muscular — encontra o quadro completo no guia sobre dor facetária (artrose das facetas). Aqui o foco é o procedimento: o que o bloqueio faz, quando ajuda, como é feito e o que a evidência sustenta.

O que torna o bloqueio facetário diferente de um analgésico comum é o seu valor de teste. A dor axial da coluna tem muitas origens possíveis que se confundem entre si — disco, músculo, ligamento, a própria faceta —, e nenhuma imagem resolve sozinha qual delas está gerando a queixa. Uma faceta pode parecer artrósica na ressonância e não doer; outra pode doer com um aspecto quase normal na imagem.

O bloqueio contorna esse impasse pela via mais direta: anestesia-se o nervo daquela faceta e observa-se o que acontece com a dor. Se ela cai de forma expressiva, a faceta era, de fato, parte do problema.

O bloqueio de Fischer, apesar do nome parecido, é outro procedimento: infiltra os tecidos paraespinhais para tratar a sensibilização de um segmento da coluna, e não a articulação facetária.

Faceta
A articulação-alvo, atrás da coluna
Ramo medial
O nervo que carrega a dor da faceta
Duplo
Papel diagnóstico e terapêutico
Guiado
Por ultrassom ou fluoroscopia

A anatomia por trás do bloqueio

Entender onde ficam as facetas e como elas são inervadas é o que explica por que o bloqueio funciona, por que a dor se distribui como se distribui e por que o alvo preferido é o ramo medial, e não a articulação em si.

As articulações facetárias (nome técnico: articulações zigapofisárias, ou interapofisárias) são as pequenas articulações pareadas que ficam na parte de trás de cada segmento da coluna, uma de cada lado. Enquanto o disco intervertebral fica na frente e suporta a carga, as duas facetas ficam atrás e guiam e limitam o movimento — funcionam como as dobradiças e os batentes de cada vértebra. Como toda articulação sinovial, têm cartilagem, cápsula e uma membrana que pode inflamar; e como toda articulação que trabalha a vida inteira, sofrem desgaste (artrose facetária), sobretudo quando a coluna perde altura de disco e a carga se desloca para trás.

A inervação é o ponto decisivo para o procedimento. Cada faceta é inervada pelos ramos mediais (ramos médios) do ramo dorsal do nervo espinhal. E há um detalhe que muda tudo na prática: cada faceta recebe inervação de dois níveis. O ramo medial de um nível cruza a base do processo transverso e sobe para inervar a faceta do nível de baixo, de modo que cada articulação é servida por dois ramos mediais — o do seu nível e o do nível acima.

Por isso, para anestesiar uma única faceta lombar, costuma ser necessário bloquear dois ramos mediais, e não um só. Na coluna lombar, esses ramos correm por um ponto anatômico previsível, na junção entre o processo transverso e o processo articular superior, o que permite alcançá-los com precisão sob imagem. Na coluna cervical, os ramos mediais contornam a “cintura” de cada pilar articular, e o mesmo princípio de dois níveis se aplica.

Há ainda o padrão da dor referida, que explica por que a dor facetária engana. A dor de uma faceta não segue o trajeto de um dermátomo, como faz a dor de uma raiz nervosa comprimida (a ciática clássica, que desce pela perna num trajeto definido). Ela é uma dor referida esclerotomal: espalha-se por mapas mais difusos e sobrepostos. As facetas lombares baixas referem dor para a região glútea, a crista ilíaca e a coxa posterior, raramente abaixo do joelho.

As facetas cervicais referem para a nuca, a região do ombro e a cabeça, num padrão que pode imitar uma cefaleia. Esse caráter difuso, sem seguir dermátomo, é justamente o que torna o exame físico sugestivo mas não conclusivo — e o que dá ao bloqueio o seu papel de árbitro.

O mecanismo do bloqueio decorre direto dessa anatomia. O anestésico local interrompe temporariamente a condução da dor pelos ramos mediais daquela faceta, silenciando o sinal doloroso enquanto dura seu efeito — essa é a base do teste diagnóstico. Quando se acrescenta um corticoide, soma-se uma ação anti-inflamatória sobre a articulação inflamada, que pode prolongar o alívio onde há um componente inflamatório ativo. E há um terceiro nível, o mesmo que explica por que às vezes o alívio dura mais do que a farmacologia do anestésico permitiria: ao cortar por um período o bombardeio doloroso vindo da faceta, o bloqueio dá ao sistema nervoso uma janela para reduzir a sensibilização mantida por aquela dor crônica.

A articulação-alvo

Faceta (zigapofisária)

Par de articulações atrás de cada vértebra que guiam o movimento e sofrem artrose quando a coluna perde altura de disco.

O alvo preciso

Ramos mediais, de dois níveis

Cada faceta é inervada por dois ramos mediais. Anestesiá-los interrompe a dor daquela articulação — e testa se ela é a origem.

Em quais dores o bloqueio costuma ajudar

O bloqueio facetário atua sobre estruturas nomeadas: as pequenas articulações facetárias que ligam uma vértebra à seguinte. Sua indicação aparece quando a dor é axial (fica na própria coluna, sem irradiar como uma ciática) e o exame aponta para essas articulações. Dois territórios concentram as indicações, e vale descrevê-los separadamente, porque a região muda a técnica e o padrão de dor referida.

Dor facetária lombar

A indicação mais frequente. Dor lombar axial, que piora ao estender a coluna para trás, ao girar o tronco e ao ficar muito tempo em pé, e melhora ao sentar ou flexionar. Costuma referir para a nádega e a coxa posterior, sem descer abaixo do joelho. É comum na artrose facetária lombar do adulto de meia-idade e do idoso.

Dor facetária cervical

Dor cervical axial na nuca e na base do pescoço, que piora ao olhar para cima e ao girar a cabeça. Pode referir para o ombro e para a cabeça (a faceta C2–C3 é uma origem reconhecida de cefaleia cervicogênica). Frequente após esforço repetitivo do pescoço e depois de mecanismos de chicote (lesão em flexoextensão).

O padrão que mais orienta a indicação é a dor mecânica e axial: piora com os movimentos que carregam a faceta (extensão e rotação) e com a posição de pé prolongada, e alivia com a descarga da articulação (sentar, flexionar). Ao exame, a dor costuma se reproduzir à palpação profunda sobre a coluna, ao lado da linha média, e à extensão combinada com rotação para o lado doloroso. Esses sinais aumentam a suspeita, mas — pela natureza referida e sobreposta da dor facetária — não confirmam sozinhos a origem; é essa incerteza que o bloqueio diagnóstico se propõe a resolver. A decisão pelo procedimento parte desse raciocínio clínico e da confirmação de que causas que peçam outra conduta foram afastadas.

  • Dor axial. Concentrada na própria coluna e na dor referida próxima, sem o trajeto definido de perna ou braço que marca a compressão de uma raiz.
  • Piora com extensão e rotação. Os movimentos que fecham e carregam a faceta reproduzem a dor habitual.
  • Resposta insuficiente a medidas iniciais. Quando reabilitação, analgesia e ajuste de atividade não bastaram para controlar a dor axial persistente.
  • Dúvida diagnóstica sobre a origem. Quando exame e imagem não decidem se a faceta é o gerador, e a resposta ao bloqueio pode decidir.

Os dois papéis: diagnóstico e tratamento

O bloqueio facetário tem dois papéis distintos, e vale entender cada um. Como teste diagnóstico, ele é o método de referência para localizar a faceta: como nenhum sinal do exame físico nem achado de imagem confirma isoladamente a faceta como origem da dor, anestesiar os ramos mediais e ver a dor cair é o que aponta o gerador. Uma resposta positiva identifica quem mais tende a se beneficiar do tratamento dirigido à faceta, sobretudo da radiofrequência.

Como tratamento, a injeção oferece alívio de duração variável e é mais valiosa como ponte: reduz a dor o suficiente para destravar a reabilitação e, quando a resposta é boa mas curta, aponta o caminho da radiofrequência do ramo medial para um controle mais duradouro. O alívio dura de semanas a meses e costuma ser feito em série, junto da fisioterapia.

O bloqueio que decide o próximo passo

O traço que distingue o bloqueio facetário de uma injeção qualquer é que a resposta a ele orienta a conduta seguinte. Quando a dor axial cai de forma clara depois de anestesiar os ramos mediais, isso é uma informação clínica de peso: confirma a faceta como origem e abre a porta para a radiofrequência (rizotomia do ramo medial), que interrompe de forma prolongada a condução da dor por esses nervos e costuma render meses de alívio nos casos bem selecionados por um bloqueio positivo. Uma resposta pobre, ao contrário, sugere procurar outra origem para a dor. Assim, mesmo quando o alívio é curto, o bloqueio pode ter cumprido seu papel mais importante — apontar o alvo certo.

Como o bloqueio é feito

O bloqueio facetário é um procedimento ambulatorial e rápido, feito com o paciente acordado, sem necessidade de internação. O que o distingue de uma injeção “às cegas” é a orientação por imagem: como as facetas e os ramos mediais são estruturas profundas e pequenas, a agulha precisa ser posicionada com precisão sob visualização, e não pela palpação isolada. Duas técnicas de imagem cumprem esse papel, descritas a seguir. O passo a passo, do antes ao depois, é este:

Antes: exame e definição do alvo

A consulta confirma o padrão axial da dor, define quais facetas testar (por exemplo, os dois níveis lombares baixos mais suspeitos) e planeja se serão bloqueados os ramos mediais ou a própria articulação. A pele é preparada e anestesiada no ponto de entrada.

Durante: a injeção guiada

Sob ultrassom ou fluoroscopia, a agulha fina é conduzida até o alvo (o ponto do ramo medial ou o interior da faceta) e o anestésico, isolado ou com corticoide, é depositado. Costuma durar poucos minutos por nível; sente-se uma pressão breve e, muitas vezes, alívio quase imediato pela ação do anestésico.

Depois: observação da resposta

Registra-se quanto a dor caiu nas primeiras horas — esse é o dado diagnóstico. Não há repouso obrigatório; a região pode ficar dolorida por um a dois dias. O efeito terapêutico se avalia ao longo dos dias e semanas seguintes.

Decisão: escalada quando indicada

Se o bloqueio confirma a faceta mas o alívio não dura, discute-se a radiofrequência do ramo medial para um resultado prolongado. Se ajudou e durou, pode ser repetido; se não ajudou, revê-se a origem da dor.

Vale descrever as duas formas de orientação por imagem, porque o paciente costuma perguntar por qual será feito. A fluoroscopia (raios-X em tempo real) é a referência clássica, sobretudo na coluna lombar profunda e quando se planeja a radiofrequência na sequência; permite documentar a posição da agulha com contraste. O ultrassom visualiza a agulha e as estruturas em tempo real sem radiação ionizante, é prático em consultório e útil especialmente na coluna cervical e em pacientes magros. As duas são técnicas válidas e a escolha depende do nível a tratar, da anatomia e da estrutura disponível; o que ambas garantem, e a palpação isolada não garante, é depositar o anestésico exatamente onde ele precisa estar.

Bloqueio facetário

O que trata
Dor axial da coluna gerada pelas articulações facetárias — dor facetária lombar e cervical —, quando o padrão de dor aponta para as facetas.
Como é feita
Injeção de anestésico local, isolado ou com corticoide, com agulha fina, junto aos ramos mediais ou dentro da faceta, sempre guiada por imagem.
Duração da sessão
Poucos minutos por nível; paciente acordado, sem anestesia geral, retorno à rotina no mesmo dia.
Recuperação
Praticamente imediata; possível dor local por um a dois dias no ponto da agulha.
Orientação por imagem
Ultrassom (sem radiação, prático e útil na cervical) ou fluoroscopia (referência na lombar profunda e para planejar a radiofrequência).
O que esperar
Alívio muitas vezes imediato pelo anestésico, que serve de teste diagnóstico; efeito terapêutico de semanas a meses, com duração variável.
Limitações
Controla a dor e responde à pergunta diagnóstica; o desgaste da faceta segue exigindo reabilitação; duração variável; o uso repetido de corticoide tem limites; contraindicações locais e sistêmicas devem ser avaliadas.

Segurança e contraindicações

O bloqueio facetário tem, em geral, bom perfil de segurança quando guiado por imagem. Por ser uma injeção de pequeno volume em um alvo bem localizado, os efeitos mais comuns são locais e passageiros: dor ou pressão no ponto durante a aplicação, sensibilidade na região por um a dois dias e, às vezes, um pequeno hematoma. Um leve aumento transitório da dor nas primeiras horas, antes de o efeito se instalar, também pode ocorrer.

A orientação por imagem reduz o risco de atingir estruturas vizinhas, como a raiz nervosa próxima ou um vaso. Ainda assim, como todo procedimento, tem situações que exigem cautela ou o contraindicam, e por isso depende de avaliação médica prévia.

Cautela ou contraindicação · informe sempre o médico

Situações que pedem avaliação antes do bloqueio

  • Uso de anticoagulantes ou distúrbios de coagulação, pelo risco de sangramento e hematoma junto à coluna.
  • Infecção ativa (na pele do local ou sistêmica), pelo risco de levar a infecção para o espaço profundo.
  • Alergia conhecida ao anestésico local ou ao corticoide a ser utilizado.
  • Diabetes descompensado, pela elevação transitória da glicemia que o corticoide pode causar.
  • Gravidez, em que a orientação por imagem com radiação e a escolha das substâncias devem ser reavaliadas (o ultrassom, sem radiação, ganha preferência).
  • Dor da coluna com sinais de alerta (febre, perda de peso inexplicada, déficit neurológico progressivo, dor após trauma importante) que pedem investigação antes de qualquer bloqueio.

A presença de qualquer um desses fatores não descarta o procedimento de forma automática, mas muda a conversa e, por vezes, a técnica de imagem ou as substâncias escolhidas. Comunicar o uso de medicamentos, alergias e condições de saúde é parte de uma indicação segura.

O que esperar depois: leitura da resposta e a escalada

A experiência mais comum após um bloqueio bem posicionado é um alívio nas primeiras horas, à medida que o anestésico age sobre os ramos mediais. Esse alívio inicial tem um duplo sentido: melhora a dor na hora e funciona como o teste — se a dor axial habitual cai muito, é forte indício de que aquelas facetas participavam dela. Quando o anestésico perde o efeito, a dor pode retornar em parte; é a partir daí que se avalia o efeito terapêutico, mais duradouro, atribuído à redução da inflamação (quando se usou corticoide) e à janela de dessensibilização.

O alívio dura de semanas a meses e costuma ser feito em série, junto da fisioterapia. Por isso o bloqueio se articula com um próximo passo claro. Quando a resposta ao teste é boa mas o alívio não se sustenta, a radiofrequência do ramo medial (rizotomia por radiofrequência) é o recurso de escalada: em vez de anestesiar o nervo por horas, ela produz uma lesão térmica controlada que interrompe a condução da dor por aqueles ramos por um período prolongado, tipicamente meses, e pode ser refeita quando o nervo regenera. Ela é indicada exatamente para quem teve um bloqueio diagnóstico positivo — o que fecha a lógica dos dois procedimentos: o bloqueio confirma o alvo, a radiofrequência o trata de forma durável.

Primeiras horas

Efeito anestésico e teste

Alívio pela ação do anestésico nos ramos mediais; a queda da dor nas primeiras horas é o principal sinal diagnóstico de que a faceta estava envolvida.

Dias a semanas

Efeito terapêutico

Após o anestésico passar, avalia-se o benefício mais duradouro; a dor pode ficar reduzida por semanas a meses, com duração variável entre pessoas.

Conforme a resposta

Repetir ou escalar

Se ajudou e durou, pode-se repetir; se confirmou a faceta mas durou pouco, discute-se a radiofrequência do ramo medial; se não ajudou, revê-se a origem da dor.

O bloqueio dentro de um plano multimodal

O bloqueio facetário raramente é a única medida, e rende mais quando é uma camada dentro de um plano não-cirúrgico, individualizado, que também trata o que sobrecarrega a faceta. Ele confirma a origem e alivia; o que sustenta o resultado ao longo do tempo é o conjunto — e, quando o alívio é bom mas curto, a radiofrequência que se segue a ele.

Da prática clínica

O maior valor do bloqueio facetário, para mim, aparece antes de qualquer alívio: é o dia em que ele resolve uma dúvida que a ressonância não resolvia. Num paciente com dor lombar axial há anos e uma imagem que mostra artrose em vários níveis, ninguém sabe ao certo o que dói. Anestesio os ramos mediais dos níveis mais suspeitos e peço que ele estenda a coluna, que faça o gesto que sempre doeu. Quando aquela dor específica desaparece por uma tarde, temos uma resposta que nenhum laudo dava: a faceta era o gerador — e é isso que aponta para onde vale investir, inclusive para uma radiofrequência se o alívio se mostrar bom mas passageiro.

Anestesiar a faceta não desfaz o que a sobrecarrega. A dor facetária piora quando a coluna trabalha em extensão o dia inteiro, quando o core não estabiliza o tronco, quando o disco perdeu altura e jogou carga para trás. O bloqueio abre uma janela sem dor; quem fecha o problema é o trabalho que redistribui essa carga. Por isso o procedimento quase nunca vem sozinho.

Reabilitação e a parceria com a fisioterapia

Na dor facetária, a reabilitação é o eixo do resultado, e o bloqueio existe em boa parte para viabilizá-la. O que sobrecarrega as facetas é um padrão de movimento e de carga: extensão repetida, pouca estabilidade do tronco e perda de mobilidade em outros segmentos que a coluna compensa. O trabalho de controle motor do core, de fortalecimento dos estabilizadores (multífidos, transverso do abdome, glúteos) e de recuperação de mobilidade do quadril e da coluna torácica reduz a carga que recai sobre a faceta a cada movimento. Esse trabalho só avança quando a dor está controlada — e é aí que o bloqueio contribui, derrubando a dor o suficiente para o exercício ser tolerável.

A fisioterapia é uma parceira essencial. A conduta médica escolhe e realiza o bloqueio para baixar a dor; a partir daí, a fisioterapia treina o controle motor do core e a estabilização que tiram carga da faceta a cada movimento. O bloqueio dá a trégua, e é o exercício mantido que fixa o resultado. Na dor lombar especificamente, esse raciocínio é detalhado no guia de tratamento da lombalgia.

Radiofrequência do ramo medial

Quando o bloqueio diagnóstico confirma a faceta mas o alívio não se sustenta, a radiofrequência (rizotomia) do ramo medial é o passo de escalada dedicado a durabilidade. Em vez de anestesiar o nervo por horas, a agulha de radiofrequência aquece de forma controlada os mesmos ramos mediais que o bloqueio testou, produzindo uma interrupção prolongada da condução da dor por aqueles nervos — o alívio costuma se medir em meses. Justamente por depender de um bom teste, ela é indicada para quem respondeu bem ao bloqueio; nesse subgrupo selecionado, é o recurso com o melhor retorno de duração dentro do arsenal facetário. É o elo direto desta página: o bloqueio aponta o alvo, a radiofrequência o silencia por mais tempo.

Agulhamento e infiltração de pontos-gatilho

A musculatura paravertebral que cerca as facetas — multífidos, longuíssimo, iliocostal, e no pescoço os suboccipitais e o elevador da escápula — costuma abrigar pontos-gatilho miofasciais que somam dor e ajudam a perpetuar o quadro axial. O agulhamento seco (dry needling) e a infiltração de pontos-gatilho com anestésico atuam sobre essa camada muscular, complementando o bloqueio — enquanto o bloqueio silencia o nervo da faceta, essas técnicas tratam o músculo que também dói e que sobrecarrega a articulação. Vale a distinção entre bloquear o nervo de uma faceta e infiltrar um ponto-gatilho: são alvos diferentes, muitas vezes usados juntos no mesmo plano. A abordagem dos pontos-gatilho é detalhada em inativação e agulhamento de pontos-gatilho.

Medicação e outras camadas

Conforme a fase e a intensidade, o bloqueio se soma ao tratamento de fundo. Em períodos de dor mais aguda, analgésicos e anti-inflamatórios podem compor o manejo, sempre com indicação, dose e duração definidas pelo médico, com atenção a efeitos adversos. Recursos de eletroterapia e neuromodulação, como o TENS, entram como camada adicional de controle da dor.

Na dor lombar, o laser de alta intensidade soma-se em fases selecionadas. Todas essas medidas orbitam o mesmo eixo — a reabilitação ativa —, e o bloqueio facetário entra para responder à pergunta certa e abrir espaço para que esse eixo funcione.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre o bloqueio do ramo medial e a infiltração dentro da faceta?

São duas maneiras de alcançar a mesma articulação. O bloqueio do ramo medial anestesia os pequenos nervos que inervam a faceta, do lado de fora da articulação; é o alvo preferido para o teste diagnóstico e é o mesmo alvo da radiofrequência, o que o torna o teste mais útil quando se pensa em escalar. A infiltração intra-articular deposita o medicamento dentro da própria faceta, o que faz sentido sobretudo quando se busca uma ação anti-inflamatória do corticoide na articulação. A escolha entre um e outro depende do objetivo — confirmar o gerador da dor ou tratar a inflamação — e é definida na avaliação.

Quanto tempo dura o alívio do bloqueio facetário?

A duração é variável de pessoa para pessoa. O alívio imediato vem do anestésico e dura horas; o efeito terapêutico mais duradouro pode se estender por semanas e, em parte dos casos, por alguns meses, sobretudo quando se associa o corticoide. Não é possível prometer um tempo fixo, e há quem responda pouco. Quando o alívio é bom mas curto, a radiofrequência do ramo medial oferece um controle bem mais duradouro, medido em meses. A duração observada em cada aplicação orienta a decisão sobre repetir ou escalar.

E se o bloqueio não funcionar?

Um bloqueio que não alivia também é informação: sugere que a faceta testada não era a principal origem da dor, e a conduta é rever o diagnóstico e investigar outras causas do quadro axial — disco, articulação sacroilíaca, componente muscular, entre outras. Repetir o mesmo bloqueio sem mudar o raciocínio não costuma fazer sentido. É o oposto do caso em que o bloqueio alivia bem mas por pouco tempo: aí a faceta está confirmada e o passo seguinte é a radiofrequência do ramo medial, para durabilidade. Cada resposta aponta um caminho diferente.

O bloqueio facetário dói?

A aplicação é feita com agulha fina e a pele é anestesiada no ponto de entrada, então costuma provocar apenas uma picada e uma sensação de pressão enquanto a agulha é posicionada sob a imagem. Muitas pessoas sentem alívio da dor habitual logo depois, pela ação do anestésico. Pode haver dor ou sensibilidade no local por um a dois dias, e um leve aumento transitório da dor nas primeiras horas antes de o efeito se instalar. Não requer anestesia geral nem repouso, e o retorno às atividades é no mesmo dia.

Posso voltar a dirigir no mesmo dia?

Na maioria dos casos, sim: o bloqueio facetário não usa anestesia geral nem sedação profunda e não afeta a força das pernas, então dirigir no mesmo dia costuma ser possível. Vale, porém, esperar passar o efeito imediato do anestésico e qualquer desconforto no local, e seguir a orientação individual dada após o procedimento — sobretudo se houver sido usada alguma sedação leve, situação em que se recomenda não dirigir naquele dia. Como cada caso tem particularidades, a orientação sobre dirigir e retomar atividades é combinada na hora, conforme o que foi feito.

Quem realiza o bloqueio facetário?

O bloqueio facetário é realizado pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai (CRM-SP 158.074 · RQE 65.523), médico especialista em Fisiatria com área de atuação em Dor e colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP. A indicação é definida em avaliação individual, antes do procedimento.

Posso fazer o bloqueio facetário no mesmo dia da avaliação?

Na maioria dos casos, sim. É um procedimento ambulatorial, feito em consultório, que costuma levar de uma a duas horas contando o preparo e um período de observação. A confirmação depende da avaliação médica no dia.

Preciso de internação? Volto para casa no mesmo dia?

Não é necessária internação. É um procedimento ambulatorial: depois de um breve período de observação, você recebe alta e vai para casa no mesmo dia.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
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Atualizado em 3 jul 2026 Leitura 12 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A indicação do bloqueio facetário, a escolha das facetas e das substâncias e a condução da série ou da escalada para radiofrequência são decisões individualizadas, que dependem do exame e do diagnóstico de cada caso. A indicação de qualquer procedimento ou medicamento cabe exclusivamente ao médico assistente.

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