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Tratamentos · Eletroanalgesia

TENS pode trazer alívio imediato para a dor

A TENS pode reduzir a dor quase de imediato enquanto a corrente está ligada, mas não cura: é um recurso sintomático e adjuvante.

Resposta direta
  • A TENS pode dar alívio imediato porque sua corrente “fecha a comporta” da dor na medula e, em frequências adequadas, ativa as vias inibitórias e libera opioides do próprio corpo. O efeito costuma durar enquanto o aparelho está ligado e por um período variável depois.
  • Ajuda em vários tipos de dor musculoesquelética e em parte das dores neuropáticas, mas o alívio é sintomático e a evidência é heterogênea. É adjuvante, não substitui o tratamento ativo (exercício e reabilitação).
  • Pode ser usada em casa com orientação, desde que respeitadas as contraindicações (sobretudo marca-passo e outros dispositivos eletrônicos implantados) e os cuidados com eletrodos e posicionamento.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é a TENS

Pessoa segura um aparelho de TENS portátil com visor e ajusta os programas enquanto eletrodos adesivos ficam fixados nas costas e no ombro
O TENS e um aparelho portátil que aplica correntes leves pela pele por meio de eletrodos adesivos posicionados sobre a região dolorosa.

TENS é a sigla para estimulação elétrica nervosa transcutânea: um aparelho portátil envia uma corrente elétrica de baixa intensidade à pele por meio de eletrodos adesivos, com o objetivo de modular a dor. “Transcutânea” significa, simplesmente, que a corrente atravessa a pele, sem agulha e sem cirurgia.

O equipamento é pequeno, funciona a pilha ou bateria, e permite ajustar três parâmetros principais: a intensidade (quão forte é o estímulo, sentido como um formigamento ou uma vibração), a frequência (quantos pulsos por segundo, medida em hertz) e a largura de pulso (a duração de cada pulso, em microssegundos). É essa combinação que define o “modo” da TENS e, como veremos, o mecanismo predominante de alívio.

Vale separar a TENS de outras técnicas de eletroterapia, porque os nomes se confundem. A TENS estimula nervos sensitivos para reduzir a percepção da dor. A estimulação elétrica funcional e a corrente russa visam contrair o músculo, com outro objetivo.

E a eletroacupuntura usa corrente, mas aplicada por agulhas inseridas em pontos específicos, descrita mais adiante. Aqui o foco é a TENS de superfície, o tipo que se usa em casa e na clínica para analgesia.

TENS convencional
Alta frequência (cerca de 50 a 100 Hz) e baixa intensidade, sentida como formigamento confortável. Atua sobretudo pela teoria das comportas; início rápido, efeito curto.
TENS tipo acupuntura
Baixa frequência (em torno de 1 a 4 Hz) e maior intensidade, com contração muscular leve. Recruta mais o sistema de opioides endógenos; início mais lento, efeito tende a durar mais.
Largura de pulso
Duração de cada pulso elétrico. Pulsos mais largos tendem a recrutar mais fibras e a tornar o estímulo mais perceptível.
Congresso de acupuntura médica com plateia em auditório
Em congressos Congresso de acupuntura médica

Como funciona: por que o alívio pode ser imediato

O alívio rápido que muita gente sente com a TENS tem uma base neurofisiológica bem descrita. O mecanismo mais conhecido é a teoria das comportas, proposta por Melzack e Wall em 1965. De forma simplificada: na entrada da medula espinhal, no corno dorsal, existe uma espécie de “portão” que regula quanto sinal de dor sobe ao cérebro. Os sinais de dor viajam por fibras finas e lentas; já o tato, a vibração e o formigamento viajam por fibras grossas e rápidas.

Quando a TENS ativa essas fibras grossas com seu estímulo confortável, elas “ocupam o portão” e reduzem a passagem do sinal doloroso. É o mesmo princípio do gesto instintivo de esfregar o local de uma pancada: o estímulo tátil compete com a dor.

Esse efeito de comporta é segmentar, ou seja, acontece no nível da medula correspondente à região estimulada, e explica por que a TENS convencional, de alta frequência, costuma aliviar enquanto está ligada e perde efeito pouco depois de desligada. Por isso ela é geralmente o ponto de partida para um alívio rápido.

Há um segundo mecanismo, recrutado sobretudo pela TENS de baixa frequência (tipo acupuntura). Esse modo ativa as vias inibitórias descendentes que partem do tronco encefálico (substância cinzenta periaquedutal e bulbo rostroventromedial) e freiam a dor de cima para baixo, e estimula a liberação de opioides endógenos, as substâncias analgésicas que o próprio corpo produz, como endorfinas e encefalinas. É um mecanismo de início mais lento, mas com efeito que tende a se prolongar após a sessão. Não por acaso, é o mesmo eixo neurofisiológico que sustenta a analgesia da acupuntura e da eletroacupuntura, tema explorado na nossa linha de pesquisa e no conteúdo sobre os benefícios da acupuntura.

Alta frequência · “comporta”

Alívio imediato, curto

50 a 100 Hz, estímulo confortável. Fecha o portão da dor na medula. Bom para o alívio rápido, durante o uso.

Baixa frequência · “acupuntura”

Início lento, efeito mais longo

1 a 4 Hz, mais intenso. Recruta vias descendentes e opioides do próprio corpo. Efeito tende a durar mais após a sessão.

Pérola clínica

Na prática, observa-se um fenômeno de tolerância: o sistema nervoso se acostuma a um padrão fixo de estímulo e a resposta cai ao longo da sessão. Variar a intensidade até o limite do conforto, alternar frequências ou usar modos modulados ajuda a manter o alívio. Por isso a orientação inicial de parâmetros faz diferença.

Para que tipos de dor a TENS ajuda

Eletrodos adesivos do TENS aplicados na frente e atrás do ombro de uma pessoa, em torno da articulação
Em dores articulares como as do ombro, os eletrodos circundam a articulação para reduzir a percepção da dor durante o movimento.

A TENS é versátil porque atua sobre a forma como a dor é processada, e não sobre uma doença específica. Isso significa que ela pode ajudar em quadros de mecanismos diferentes, sempre como recurso de alívio. Os dois grandes grupos são a dor musculoesquelética e a dor neuropática.

Na dor musculoesquelética, a TENS é usada como adjuvante em lombalgia e cervicalgia, dor miofascial, osteoartrose (joelho, por exemplo) e tendinopatias. Um uso muito buscado é a TENS no ombro: em quadros como a dor do manguito rotador, a tendinopatia e a dor miofascial periescapular, a estimulação pode reduzir o sintoma e tornar a fisioterapia mais tolerável, abrindo uma janela para mover e fortalecer. É importante o realismo: a TENS no ombro alivia, mas não trata a causa da tendinopatia, que depende da reabilitação. Aprofundamos esses quadros nos conteúdos sobre a síndrome do manguito rotador e sobre a dor miofascial do deltoide.

Na dor neuropática, que nasce de lesão ou disfunção do próprio nervo (neuropatia diabética, neuralgia, dor após herpes-zóster, dor por compressão de raiz), a TENS pode oferecer alívio em parte dos pacientes, mas a resposta é mais variável e a evidência, mais limitada. Costuma compor um plano que inclui medicação específica, como os anticonvulsivantes no tratamento da dor (por exemplo, gabapentina e pregabalina) e antidepressivos de ação analgésica, sempre prescritos pelo médico.

Onde a TENS costuma entrar e o que esperar
Tipo de dorExemplosPapel da TENS
MusculoesqueléticaLombalgia, cervicalgia, dor miofascial, osteoartrose de joelhoAdjuvante de alívio; ajuda a tolerar o exercício. Evidência variável.
Tendínea / ombroDor do manguito rotador, tendinopatias, dor periescapularReduz o sintoma e facilita a reabilitação; não trata a causa.
NeuropáticaNeuropatia diabética, neuralgia, dor pós-herpéticaAlívio em parte dos casos; resposta variável. Compõe plano com medicação.
Aguda / pós-procedimentoDor pós-operatória, dismenorreia (cólica menstrual)Pode reduzir a dor e o uso de analgésico, conforme o quadro.
Dor de fundo centralFibromialgia e dores nociplásticasResultados inconsistentes; usar com expectativa calibrada, dentro de plano amplo.
Mito

“Se a TENS aliviou a dor, então ela está curando o problema e posso deixar de lado a fisioterapia.”

Fato

A TENS controla o sintoma enquanto e logo após o uso, mas não corrige a causa. O alívio serve justamente para você conseguir fazer o exercício e a reabilitação, que são o que muda o quadro no médio prazo.

O que a evidência mostra, e os limites

A TENS é segura, barata e tem um mecanismo plausível, mas a qualidade dos estudos é heterogênea, e parte deles usou doses (intensidade) abaixo do ideal, o que tende a subestimar o efeito. As revisões sistemáticas mais cuidadosas, que separam os estudos por dose adequada, apontam um benefício de pequeno a moderado no alívio da dor de várias condições musculoesqueléticas, em geral durante e logo após a aplicação. Não há evidência de que a TENS modifique a evolução da doença de base nem de que substitua o tratamento ativo.

A leitura prática é direta. A TENS pode ser um bom recurso para reduzir a dor a um nível que permita mover-se, dormir melhor e participar da reabilitação, e às vezes diminuir a necessidade de analgésico. Mas a expectativa correta é de alívio sintomático, variável de pessoa para pessoa, e não de cura. Ela é uma camada dentro de um plano multimodal, ao lado do exercício, da terapia manual e, quando indicado, de outras modalidades da clínica.

Revisão sistemáticaEvidência baixa a moderada

TENS no alívio da dor musculoesquelética

Revisões que controlam a intensidade do estímulo encontram redução de pequena a moderada da dor durante e logo após o uso, com resultados que variam entre estudos e benefício maior quando a dose é adequada. O efeito é sintomático e não altera a doença de base.

Ver referências →

Onde a corrente é levada para mais perto do nervo, por agulhas, costuma haver um efeito analgésico mais robusto. É o caso da eletroacupuntura e do agulhamento, em que o estímulo no ponto-gatilho ou no acuponto soma neuromodulação a um efeito local. É um recurso complementar à TENS, detalhado no conteúdo sobre agulhamento seco (dry needling).

Como usar: eletrodos, parâmetros e a sessão

O resultado da TENS depende muito de como ela é usada, e o posicionamento dos eletrodos para TENS é o detalhe que mais costuma ser feito errado em casa. A regra geral é “cercar” a dor: os eletrodos de um mesmo canal são posicionados de modo que a corrente atravesse a região dolorosa. Pode-se colocá-los ao redor do ponto de dor, sobre o trajeto do nervo correspondente, ou sobre o músculo afetado. No ombro, por exemplo, distribuem-se ao redor da articulação e da musculatura periescapular, de modo que o estímulo cruze a área dolorosa.

Sobre a configuração da sessão, há alguns princípios. A intensidade deve ser aumentada até um formigamento forte, porém confortável, sem dor e sem contração que machuque; “dose” insuficiente é a principal causa de TENS que “não funciona”. As sessões duram tipicamente de 20 a 30 minutos e podem ser repetidas ao longo do dia conforme a orientação.

Começa-se em geral pela TENS convencional (alta frequência) para alívio imediato; se a resposta for fraca ou breve, ajusta-se para baixa frequência ou modos modulados. Os parâmetros ideais variam com a pessoa e o quadro, e é exatamente por isso que a primeira programação com orientação profissional vale a pena.

  • Pele limpa e seca. Sem cremes ou óleos sob o eletrodo, para garantir contato e evitar irritação.
  • Cercar a dor. Os dois eletrodos do canal posicionados de forma que a corrente atravesse a região dolorosa.
  • Subir devagar. Aumentar a intensidade até formigamento forte e confortável, nunca até a dor.
  • Reposicionar se acostumar. Se a sensação some, suba um pouco a intensidade ou varie a frequência.
  • Cuidar dos eletrodos. Trocar quando perderem aderência; eletrodo ressecado reduz o efeito e irrita a pele.
Onde não colar os eletrodos

Evite posicionar eletrodos sobre a região anterior do pescoço (seio carotídeo e nervos do coração e da respiração), sobre os olhos, sobre pele ferida, infectada ou sem sensibilidade, e atravessando o tórax de um lado ao outro. Sobre o ombro, mantenha os eletrodos na musculatura e ao redor da articulação, sem invadir a base anterior do pescoço.

Segurança e contraindicações

A TENS é uma das técnicas analgésicas mais seguras quando bem usada, e os efeitos indesejados mais comuns são leves: irritação ou alergia da pele sob o eletrodo e desconforto se a intensidade estiver alta demais. Ainda assim, há situações em que ela não deve ser usada ou exige avaliação prévia, e essas precauções precisam estar claras antes do uso domiciliar.

A contraindicação mais importante é o marca-passo cardíaco ou outro dispositivo eletrônico implantado (como cardiodesfibrilador implantável), porque a corrente da TENS pode interferir no funcionamento do aparelho. Na gestação, evita-se a aplicação sobre o abdome e a região lombossacra, sobretudo no início, salvo orientação específica (a TENS tem uso descrito no alívio da dor do trabalho de parto, mas isso é decisão obstétrica). Os demais pontos estão resumidos no quadro a seguir.

Contraindicações e cuidados · converse com o médico antes

Não use a TENS, ou use só com avaliação, se houver

  • Marca-passo cardíaco ou outro dispositivo eletrônico implantado (cardiodesfibrilador, bomba): contraindicação importante.
  • Gestação: evitar abdome e região lombossacra; uso apenas com orientação específica.
  • Epilepsia ou arritmias cardíacas: aplicar somente sob avaliação médica.
  • Eletrodos sobre a região anterior do pescoço (seio carotídeo), sobre os olhos ou atravessando o tórax.
  • Pele com ferida, infecção, dermatose ativa ou área sem sensibilidade (risco de queimadura sem perceber).
  • Trombose venosa, área de tumor conhecido ou febre / infecção em atividade na região.
  • Dor nova, intensa ou sem diagnóstico: investigar a causa antes de simplesmente abafar o sintoma.

Um ponto merece reforço: a TENS alivia, e por isso pode mascarar uma dor que precisaria ser investigada. Dor que surge de forma intensa, que muda de padrão, que vem com febre, perda de peso, fraqueza ou alteração de sensibilidade, ou que não melhora, deve ser avaliada, e não apenas tratada com o aparelho. O alívio do sintoma nunca substitui o diagnóstico da causa.

Onde a TENS se encaixa no tratamento

Na clínica, a TENS é entendida como uma camada de alívio dentro de um plano multimodal, individualizado e não-cirúrgico, cuja base ativa é o exercício e a reabilitação. As demais modalidades somam-se conforme o quadro e a resposta, e a TENS frequentemente serve para reduzir a dor o suficiente para a pessoa conseguir se mover e progredir na fisioterapia.

Educação e movimento

Entender o quadro, ajustar postura e carga e manter-se ativo. A TENS entra como recurso de alívio para facilitar esse início.

Exercício e reabilitação

Base do tratamento: fortalecimento, controle motor e mobilidade, individualizados. A TENS pode tornar a sessão mais tolerável.

Técnicas em clínica

Acupuntura e eletroacupuntura, agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho quando há componente miofascial ou neuropático.

Medicação e procedimentos

Analgésicos por períodos curtos, anticonvulsivantes ou antidepressivos na dor neuropática, e procedimentos guiados em casos selecionados.

A eletroacupuntura merece destaque ao lado da TENS porque compartilha parte do mecanismo: também usa corrente elétrica, mas aplicada por agulhas em pontos selecionados, o que aproxima o estímulo das estruturas-alvo e tende a recrutar de forma mais eficiente as vias inibitórias e os opioides endógenos, com evidência moderada em quadros como cervicalgia e lombalgia crônicas. Na dor neuropática e nas dores crônicas que não cedem só com a TENS, a medicação tem papel central, e o uso racional dela é discutido no guia de remédios para dor. A escolha de cada peça, e a ordem, é definida na consulta.

Para os quadros mais comuns que motivam a procura por TENS, vale ver a abordagem completa nos guias da clínica: o tratamento da lombalgia e a avaliação da dor no pescoço, em que a TENS aparece como um dos recursos de alívio, e não como o tratamento isolado.

Perguntas frequentes

A TENS traz alívio imediato da dor?

Pode trazer. A TENS convencional, de alta frequência, costuma reduzir a dor já durante a aplicação, por “fechar a comporta” do sinal doloroso na medula. O efeito tende a durar enquanto o aparelho está ligado e por um período variável depois. É um alívio sintomático: ajuda no momento, mas não corrige a causa da dor.

TENS no ombro funciona?

Em dores do ombro, como a do manguito rotador, tendinopatias e dor miofascial periescapular, a TENS pode reduzir o sintoma e tornar a fisioterapia mais tolerável. Os eletrodos são posicionados ao redor da articulação e na musculatura, sem invadir a base anterior do pescoço. Ela alivia, mas o que trata a causa é a reabilitação.

Onde colocar os eletrodos da TENS?

A regra é “cercar” a dor: posicione os dois eletrodos de um mesmo canal de modo que a corrente atravesse a região dolorosa, sobre o ponto de dor, o trajeto do nervo ou o músculo. Use a pele limpa e seca, e troque os eletrodos quando perderem aderência. Evite a região anterior do pescoço, os olhos e atravessar o tórax. A primeira programação com orientação profissional melhora o resultado.

Quem tem marca-passo pode usar TENS?

Não sem avaliação. Marca-passo cardíaco e outros dispositivos eletrônicos implantados são uma contraindicação importante, porque a corrente da TENS pode interferir no aparelho. Nesses casos, a indicação e a alternativa de tratamento devem ser definidas pelo médico.

Posso usar TENS na gravidez?

Evita-se aplicar sobre o abdome e a região lombossacra, sobretudo no início da gestação, salvo orientação específica. A TENS tem uso descrito no alívio da dor do trabalho de parto, mas isso é uma decisão obstétrica. Gestantes devem usar a TENS apenas com avaliação e orientação do médico.

A TENS cura a dor ou vicia?

A TENS não cura: é um recurso de alívio sintomático e adjuvante. Também não causa dependência química como um remédio. O que pode acontecer é o organismo se acostumar ao mesmo padrão de estímulo e a resposta cair, o que se contorna variando a intensidade ou a frequência. O objetivo é usar o alívio para conseguir fazer o tratamento ativo.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

O que realmente trata a dor

Aparelho de TENS preto sobre uma mesa de madeira com os cabos conectados a quatro eletrodos adesivos quadrados dispostos em fila
Um canal duplo permite usar quatro eletrodos ao mesmo tempo, cobrindo áreas maiores ou mais de um ponto de dor em uma mesma sessão.

A TENS alivia o sintoma, e isso tem valor real: dói menos, dorme-se melhor, move-se mais. Mas o que de fato muda a história de uma dor crônica não é o aparelho, e sim um conjunto de recursos ativos da clínica de dor não-cirúrgica. A TENS entra como adjuvante dentro desse conjunto, para abrir a janela em que o tratamento que corrige a causa pode acontecer. Vale, então, descrever o arsenal que faz o trabalho de fundo, porque é nele que mora a melhora sustentada.

A lógica é direta. A maior parte das dores musculoesqueléticas tem, na base, fatores que um estímulo elétrico de superfície não alcança: força insuficiente, controle motor pobre, sobrecarga repetida, um padrão de movimento que perpetua a lesão, ou a sensibilização do sistema nervoso que mantém a dor mesmo depois que o tecido cicatrizou. Reverter isso exige intervenções que reorganizam tecido, movimento e processamento da dor ao longo de semanas.

É um trabalho de reabilitação, não de analgesia pontual. A TENS ajuda a tolerar esse trabalho; ela não o faz.

Fisioterapia e cinesioterapia: a base ativa

A fisioterapia é o eixo do tratamento da maioria das dores musculoesqueléticas, e a cinesioterapia, o tratamento por meio do movimento, é o seu núcleo. Na prática, isso significa exercício prescrito e progredido: fortalecimento do músculo que estabiliza a articulação dolorida, ganho de mobilidade onde há rigidez, treino de controle motor para corrigir o padrão que sobrecarrega a região, e progressão gradual de carga para devolver capacidade ao tecido. É o oposto do repouso prolongado, que enfraquece e cronifica.

A diferença em relação à TENS é de natureza: o exercício aumenta a capacidade do corpo de suportar a demanda do dia a dia, enquanto a corrente apenas reduz a percepção do sintoma naquele momento. Por isso a frase que se repete na consulta: a TENS pode tornar a sessão de fisioterapia possível, mas é a fisioterapia que muda o quadro de 4 a 12 semanas adiante.

RPG e Pilates: postura, controle e carga

Dentro da reabilitação, alguns métodos organizam o movimento de formas úteis para perfis específicos.

RPG (reeducação postural global)

Trabalha as cadeias musculares de forma integrada, com posturas de alongamento ativo sustentado; costuma ajudar em quadros com encurtamentos e desequilíbrios posturais que alimentam a dor de coluna e de cintura escapular.

Limitadadesequilíbrio postural

Pilates

Desenvolve controle do centro do corpo, estabilidade e consciência corporal com carga graduável; recurso versátil para lombalgia e cervicalgia de fundo mecânico e para a transição entre a reabilitação e o exercício de manutenção.

Limitadacarga graduável

Nenhum dos dois é “a cura” isolada; são formas estruturadas de cinesioterapia, escolhidas conforme o corpo, a preferência e o objetivo de cada pessoa, e ambos pedem regularidade para entregar resultado.

Agulhamento seco, acupuntura e eletroacupuntura

Quando há componente miofascial, com pontos-gatilho que mantêm a dor e limitam o movimento, o agulhamento seco (dry needling) atua diretamente sobre o ponto-gatilho e pode desativá-lo, reduzindo a dor e liberando a amplitude para que o exercício avance. É um recurso com efeito mais robusto e mais duradouro do que a estimulação de superfície justamente porque leva o estímulo até o tecido-alvo. A acupuntura e a eletroacupuntura somam a esse efeito local a ativação das vias inibitórias descendentes e dos opioides do próprio corpo, o mesmo eixo neurofisiológico da TENS, porém recrutado de modo mais eficiente pela agulha, com evidência moderada em cervicalgia e lombalgia crônicas. São, em essência, primos da TENS que fazem mais, e por isso costumam compor o plano quando o aparelho de superfície alivia pouco ou por pouco tempo.

Quando procedimento e medicação entram

Há situações em que a base ativa precisa de apoio. A medicação tem papel quando a dor é intensa demais para iniciar o movimento, e na dor neuropática é frequentemente central: anticonvulsivantes como gabapentina e pregabalina e antidepressivos de ação analgésica agem sobre o mecanismo da dor do nervo, algo que nem a TENS nem o exercício resolvem sozinhos. O uso é por tempo e dose definidos pelo médico, sempre como ferramenta dentro do plano, e não como destino. Os procedimentos, como a infiltração de pontos-gatilho e os bloqueios guiados, entram em casos selecionados: quando um gerador de dor bem localizado impede a reabilitação, um procedimento pode reduzir esse foco e destravar o progresso.

A regra que organiza tudo isso é a mesma: educação e movimento primeiro, exercício e reabilitação como base, técnicas em clínica conforme o mecanismo, e medicação ou procedimento quando há indicação clara. A TENS percorre esse plano como uma camada de alívio, útil e bem-vinda, mas nunca como o tratamento isolado, porque o que sustenta a melhora é o trabalho ativo que ela ajuda a viabilizar.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Gibson W, Wand BM, Meads C, Catley MJ, O’Connell NE. Transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) for chronic pain: an overview of Cochrane Reviews. Cochrane Database Syst Rev. 2019;4(4):CD011890. acessar
  2. Johnson MI, Paley CA, Jones G, Mulvey MR, Wittkopf PG. Efficacy and safety of transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) for acute and chronic pain in adults: a systematic review and meta-analysis of 381 studies (the meta-TENS study). BMJ Open. 2022;12(2):e051073. acessar
  3. Noehren B, Dailey DL, Rakel BA, Vance CGT, Zimmerman MB, Crofford LJ, Sluka KA. Effect of transcutaneous electrical nerve stimulation on pain, function, and quality of life in fibromyalgia: a double-blind randomized clinical trial. Phys Ther. 2015;95(1):129 a 140. acessar
  4. Ahmed et al. The effect of electric stimulation techniques on pain and tenderness at the myofascial trigger point: a systematic review. Pain Medicine. 2019. ver resumo
Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A TENS é um recurso de alívio sintomático e adjuvante, e a resposta varia entre pessoas.

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  • Joaquim Martins Tomé

    Utilizo o TENS para alivio da dor neuropática (plexo braquial do membro sup. esq.);todavia, tenho obtido massa muscular, robustez do braço e não tanto o alivio da dor. Faço uma sessão de 15′. aprox., a intensidade suportável. O médico diz apenas que devo continuar. Será que estou a fazer algo mal? Estou a tomar medicamentos para alivio da dor. Numa escala de 0 a 10, centra-se em 3/4. Na mudança de tempo, por vezes, aparece a dor irruptiva( 6/7) que pode demorar horas ou mesmo dias.
    Joaquim Tomé

  • Joaquim Martins Tomé

    Utilizo o TENS para alivio da dor neuropática (plexo braquial do membro sup. esq.);todavia, tenho obtido massa muscular, robustez do braço e não tanto o alivio da dor. Faço uma sessão de 15′. aprox., a intensidade suportável. O médico diz apenas que devo continuar. Será que estou a fazer algo mal? Estou a tomar medicamentos para alivio da dor. Numa escala de 0 a 10, centra-se em 3/4. Na mudança de tempo, por vezes, aparece a dor irruptiva( 6/7) que pode demorar horas ou mesmo dias.
    Joaquim Tomé

  • O uso do Tens será se ajuda no alívio após procedimentos corporais dolorosos ?

  • Didielson barbosa lima

    Bom sou estudante de fisioterapia do 9 período tenho um amigo que está passando um processo degenerativo tens ele pode ser peça fundamental para seu tratamento de acordo com sua lesão?

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