A dor de cabeça (cefaleia) é um sintoma extremamente frequente em crianças e adolescentes, sendo mais prevalente nesta faixa etária do que entre adultos. Nas últimas décadas, observou-se aumento progressivo na procura por atendimento médico devido a esse sintoma, frequentemente relacionado a hábitos de vida modernos como uso prolongado de telas, alterações no sono e estresse escolar.
O diagnóstico preciso e o manejo adequado apresentam desafios específicos na pediatria, pois as crianças pequenas têm dificuldade em descrever a intensidade e características da dor. Quando não tratada adequadamente, a cefaleia pode resultar em faltas escolares frequentes, prejuízo no rendimento acadêmico e limitação de atividades sociais e esportivas, afetando a qualidade de vida de toda a família.
Classificação das cefaleias
A International Headache Society (IHS), em sua classificação atualizada (ICHD-3), divide as cefaleias em dois grupos principais:
Cefaleias Primárias: São condições próprias do sistema nervoso, sem causa orgânica identificável externa. Incluem enxaqueca (migrânea), cefaleia tensional, cefaleia em salvas (cluster) e outras cefaleias autonômicas trigeminais. Representam a grande maioria dos casos em crianças e adolescentes.
Cefaleias Secundárias: Resultam de outra condição médica subjacente, como infecções (sinusite, gripe), trauma craniano, alterações visuais (estrabismo, erros de refração) ou, raramente, condições que aumentam a pressão dentro do crânio.
Na prática clínica, também classificamos as cefaleias pelo padrão temporal (evolução ao longo do tempo):
- Aguda isolada: Surge de forma repentina, sem histórico anterior de episódios semelhantes. Geralmente associada a infecções virais ou bacterianas, mas em casos raros pode indicar condições graves que requerem investigação imediata.
- Recorrente aguda (episódica): Crises de dor separadas por períodos completamente livres de sintomas. É o padrão clássico de enxaqueca e cefaleia tensional, com intervalos variáveis entre os episódios.
- Crônica progressiva: Dor que aumenta gradualmente em frequência e intensidade ao longo de semanas ou meses. Este padrão sempre requer investigação médica detalhada para descartar causas secundárias, como aumento da pressão intracraniana.
- Crônica não progressiva: Dor frequente (mais de 15 dias por mês) por mais de 3 meses, mas estável, sem piora progressiva. Exemplo típico: cefaleia tensional crônica relacionada a estresse ou má postura.
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Avaliação clínica especializada
A avaliação médica detalhada é o pilar do diagnóstico. O médico especialista coleta informações precisas sobre:
- Características da dor: Localização (frontal, temporal, occipital ou difusa), qualidade (pulsátil, em aperto, perfurante), intensidade e duração típica dos episódios.
- Sintomas associados: Náuseas, vômitos, sensibilidade à luz (fotofobia), sensibilidade a sons (fonofobia), alterações visuais temporárias.
- Padrão temporal: Frequência dos episódios, relação com ciclo menstrual (em adolescentes), fatores desencadeantes (alimentos, sono, estresse, esforço físico).
- História familiar: Muitas cefaleias primárias, especialmente enxaqueca, apresentam forte componente genético.
- Impacto funcional: Faltas escolares, limitação de atividades, necessidade de medicação.
Em crianças menores de 10 anos, os pais ou cuidadores auxiliam na descrição, observando comportamentos como parar de brincar, buscar ambientes escuros, rubor facial ou expressões faciais de sofrimento. O exame neurológico completo é fundamental para identificar sinais que indicam necessidade de investigação complementar.
Investigação e exames complementares
A investigação com exames de imagem (ressonância magnética ou tomografia computadorizada) não é rotineira para todas as crianças com dor de cabeça. Estudos demonstram que crianças com exame neurológico normal e cefaleia primária (enxaqueca ou tensional) têm probabilidade muito baixa (menos de 1%) de apresentar alterações significativas nos exames de imagem.
Quando solicitar exames:
A neuroimagem é indicada quando há sinais de alerta (red flags) ou alterações no exame neurológico, como:
– Papiledema (inchaço do nervo óptico) observado no fundo de olho
– Assimetria de movimentos ou reflexos
– Alterações de marcha ou coordenação
– Convulsões associadas
Tipos de exames:
- Tomografia Computadorizada (TC): Rápida, útil em situações de emergência para descartar sangramentos agudos, fraturas ou hidrocefalia aguda.
- Ressonância Magnética (RM): Oferece maior detalhe anatômico do tecido cerebral, indicada quando há sinais neurológicos anormais, padrão atípico de dor ou cefaleia progressiva crônica.
- Punção Lombar: Análise do líquido cefalorraquidiano quando há suspeita de infecções (meningite), hemorragia subaracnóidea ou hipertensão intracraniana idiopática.
- Exames laboratoriais: Hemograma completo, função tireoidiana e pesquisa de anemia, quando indicados pelo contexto clínico.
Importante: A presença de achados incidentais (pequenos cistos, alterações mínimas) nos exames de imagem é comum e nem sempre relaciona-se aos sintomas da criança. A interpretação deve ser feita pelo médico especialista correlacionando dados clínicos e exames.
📊 Comparativo: Enxaqueca vs Cefaleia Tensional
Enxaqueca
- Dor pulsátil/intensa
- Piora com atividade física
- Náuseas/vômitos comuns
- Fotofobia/fonofobia marcantes
- Dura 2-72 horas
- Pode ter aura visual
Cefaleia Tensional
- Dor em aperto/pressão
- Não piora com atividade leve
- Sem náuseas (ou leves)
- Sensibilidade leve à luz/som
- Duração variável
- Bilateral (faixa na cabeça)
Principais síndromes cefaléicas
O reconhecimento do padrão clínico é fundamental para o tratamento adequado. A seguir, detalhamos as duas causas mais frequentes e suas opções terapêuticas:
Enxaqueca (Migrânea)
Caracteriza-se por episódios de dor moderada a intensa, geralmente de qualidade pulsátil, que piora com atividades físicas rotineiras. Em crianças, a dor pode ser bilateral (dos dois lados da cabeça) e os episódios duram entre 1 a 72 horas. Frequentemente acompanha náuseas, vômitos, aversão à luz (fotofobia) e aos sons (fonofobia).
A enxaqueca com aura apresenta sintomas neurológicos transitórios que precedem a dor em cerca de 20-30 minutos, como visão em ziguezague, manchas cegas temporárias, formigamento na face ou mãos, ou dificuldade de fala. Cerca de 25-30% das crianças com enxaqueca apresentam aura. Fatores desencadeantes comuns incluem: estresse, privação de sono, jejum prolongado, alimentos específicos (chocolate, queijos curados, aditivos), alterações hormonais na adolescência e, em alguns casos, esforço físico intenso.
Tratamento da Enxaqueca:
- Tratamento do episódio agudo: Analgésicos específicos prescritos pelo médico (anti-inflamatórios ou triptanos em adolescentes), administrados logo no início da crise, associados a repouso em ambiente escuro, silencioso e frio.
- Prevenção: Quando as crises são frequentes (mais de 4 por mês), incapacitantes ou duram mais de 24 horas, o médico pode indicar medicamentos profiláticos (prevenção) diários, além de regulagem rigorosa do ciclo sono-vigília, alimentação regular e hidratação adequada.
- Abordagem complementar: Biofeedback, técnicas de relaxamento e, em casos selecionados, acupuntura médica (técnica adaptada para crianças) podem reduzir a frequência e intensidade das crises.
Cefaleia Tensional
A forma mais comum em todas as idades, caracterizada por dor em aperto ou pressão, geralmente bilateral (como uma faixa circulando a cabeça), de intensidade leve a moderada, que não impede atividades cotidianas. Diferentemente da enxaqueca, raramente causa náuseas ou vômitos, embora possa haver leve sensibilidade à luz ou sons em casos crônicos.
Está frequentemente associada a tensão muscular cervical (pescoço e ombros), estresse emocional, ansiedade escolar ou má postura prolongada (uso de tablets/computadores).
Tratamento da Cefaleia Tensional:
- Abordagem não medicamentosa (primeira linha): Fisioterapia motora prescrita e supervisionada pelo médico para liberação de tensões musculares do pescoço e ombros, RPG (Reeducação Postural Global) para correção de desalinhamentos cervicais causados por postura em telas, e técnicas de relaxamento muscular.
- Manejo do estresse: Psicoterapia cognitivo-comportamental, técnicas de mindfulness, organização de tarefas escolares e atividades físicas regulares moderadas.
- Medicamentos: Analgésicos simples (paracetamol, ibuprofeno) para crises ocasionais, sempre evitando uso excessivo (mais de 2-3 vezes por semana) que poderia causar cefaleia por abuso medicamentoso.
🏥 Opções de Tratamento na Clínica Dr. Hong
Abordagem multidisciplinar para cefaleia pediátrica:
💊 Tratamento Médico Especializado
Diagnóstico diferencial completo, prescrição de analgésicos específicos para crises agudas e medicação profilática (prevenção) quando indicada.
🏋 Reabilitação Física (sob prescrição médica)
RPG para correção postural, fisioterapia motora para tensões cervicais, fortalecimento em salas individuais.
⚖ Terapias Integrativas
Acupuntura médica pediátrica (técnica adaptada), orientação sobre sono, dieta e estresse, técnicas de relaxamento.
Al. Jau 687 – Jardim Paulista, São Paulo/SP
Equipe do Grupo de Dor da Neurologia e Ortopedia – HC-FMUSP
Atendimento individualizado em salas privativas
WhatsApp (11) 99160-4480
Conclusão
A cefaleia em crianças e adolescentes é condição prevalente e frequentemente subdiagnosticada. A maioria dos casos corresponde a cefaleias primárias (enxaqueca e tensional) que, embora benignas, podem causar impacto significativo no desenvolvimento escolar e social quando não manejadas adequadamente.
O diagnóstico correto baseia-se principalmente na história clínica detalhada e exame neurológico completo. Exames de imagem e laboratoriais são reservados para casos selecionados com sinais de alerta específicos, evitando exposição desnecessária a radiação e custos.
O tratamento envolve abordagem multidisciplinar: orientação sobre higiene do sono e alimentação, manejo do estresse, reabilitação física postural quando indicada, e medicação específica prescrita pelo médico para crises ou prevenção. A intervenção precoce prevolve a cronificação dos sintomas e a dependência de analgésicos.
Localização: Al. Jau 687 – Jardim Paulista, São Paulo/SP (Região Central)
Especialidade: Clínica de Referência em Dor com equipe do Grupo de Dor da Neurologia e Ortopedia do Hospital das Clínicas da FMUSP
Tratamentos não cirúrgicos disponíveis:
✅ Acupuntura médica (técnica adaptada para crianças)
✅ Dry needling para tensões musculares
✅ Fisioterapia motora e RPG em salas individuais
✅ Pilates terapêutico individualizado
✅ Ondas de choque e laser de alta intensidade (HILT)
✅ PENS (estimulação elétrica percutânea)
✅ Mesoterapia e aplicação de toxina botulínica para casos selecionados

AL. JAÚ 687 – JARDIM PAULISTA – SÃO PAULO – SP
Clínica de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica
Clínica médica especializada localizada na região dos Jardins, próximo à Av. Paulista, em São Paulo — SP.
Centro de Dor, com médicos especialistas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Tratamento por Ondas de Choque, Infiltrações, Bloqueios anestésicos e Acupuntura Médica
Dor tem Tratamento – Centro de Dor e Acupuntura Médica em São Paulo – SP
Médicos Especialistas em Dor e Acupuntura do HC-FMUSP
Os especialistas em medicina da dor são médicos especialmente treinados e qualificados para oferecer avaliação integrada e especializada e gerenciamento da dor usando seu conhecimento único e conjunto de habilidades no contexto de uma equipe multidisciplinar.
O tratamento da dor visa reduzir a dor, abordando o impacto emocional da dor, ajudando os pacientes a se moverem melhor e aumentando o bem-estar por meio de uma variedade de tratamentos, incluindo medicamentos, fisioterapia, acupuntura, ondas de choque e procedimentos minimamente intervencionistas.
Se você está vivendo com uma dor persistente há mais de 3 meses, provavelmente está sentindo dor crônica.
Nossos médicos especialistas em controle da dor em São Paulo trabalham em estreita colaboração com outros especialistas como parte de uma equipe multidisciplinar para fornecer uma abordagem holística e um resultado ideal para a dor crônica, seja qual for a causa.
As técnicas usadas no controle da dor dependerão da natureza e gravidade da dor, mas nossos especialistas em dor têm experiência para ajudar com a dor.

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01.Tratamento conservador de dor
Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisioterapia, Infiltrações, Bloqueios Anestésicos, Toxina Botulínica. -
02.Excelência em um só lugar
A avaliação e tratamento da dor é a especialidade de nossos Médicos especialistas em Dor. -
03.Tratamento individualizado
Plano de tratamento com medicamentos, terapias minimamente invasivas e fisioterapia.
Atendemos todos os Planos de Saúde pelo Reembolso.
O reembolso ou livre escolha é uma opção de atendimento a usuários de planos de saúde que não está vinculada à rede de prestadores contratados ou cujo procedimento específico não está contratado.
Não atendemos diretamente por convênio. Nosso foco é um atendimento especializado no paciente. Assim, separamos pelo menos 60-90 minutos para consulta, exame e avaliação do paciente.
O processo na maioria das vezes é digital (pelo Smartphone, tablet ou computador) é simples. O valor reembolsado corresponde a uma tabela de valores da própria operadora e pode cobrir todo o procedimento ou parte dele. Lembrando que a parte não reembolsada pode ser abatida no imposto de renda pessoa física (IRPF).
Clínica Dr. Hong Jin Pai – Centro de Dor, Acupuntura Médica, Fisiatria e Reabilitação.
Al. Jaú 687 – São Paulo – SP
Atendimento de segunda a sábado.
REFERÊNCIAS:
ÖZGE, A. Overview of diagnosis and management of paediatric headache. Part I: diagnosis. J Headache Pain. 2011;12:13–23.
ÖZGE, A. et al. Experts’ opinion about the pediatric secondary headaches diagnostic criteria of the ICHD-3 beta. J Headache Pain. 2017;8:113.
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Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The international classification of headache disorders, 3rd Edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211.
WHITE, C. P. Headache in children and young people. Paediatrics and Child Health, 2019.
THOMPSON, A. P. et al. Relaxation training for management of paediatric headache: A rapid review. Paediatrics & Child Health, 2019.




