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Cefaleia · Pediatria · Tratamento

A acupuntura ajuda na enxaqueca infantil?

A acupuntura tem papel reconhecido na profilaxia da enxaqueca: modula o sistema trigeminovascular e ajuda a elevar o limiar das crises, o que costuma reduzir a frequência e a intensidade das dores. Na criança, é uma opção não medicamentosa, bem tolerada e segura, dentro do acompanhamento pediátrico e neurológico.

Resposta direta
  • Sim, a acupuntura ajuda na enxaqueca infantil, e o lugar dela é a profilaxia: reduzir a frequência e a intensidade das crises ao longo de semanas, e não cortar a dor de uma crise já instalada.
  • O mecanismo é bem descrito: as agulhas ativam vias inibitórias da dor (comporta segmentar, sistema descendente do tronco encefálico, opioides endógenos) e modulam a excitabilidade trigeminovascular que dispara a enxaqueca.
  • Na criança isso tem valor especial: é uma opção não medicamentosa, segura, com boa aderência e sem fármaco circulando no corpo de quem ainda cresce, o que a torna uma primeira escolha atraente na prevenção.
  • A acupuntura é uma camada de um plano multimodal: regularizar o sono, hidratar, mapear gatilhos com diário, manter exercício e, quando indicado, profilaxia medicamentosa conduzida por médico.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Como a acupuntura ajuda na enxaqueca da criança

A enxaqueca é a cefaleia primária recorrente mais comum da infância e da adolescência, e costuma cobrar um preço alto: faltas à escola, abandono de atividades e ansiedade na família. A acupuntura entra nesse cenário como tratamento preventivo, com um objetivo concreto: elevar o limiar de disparo das crises para que elas venham menos vezes e mais fracas.

Vale separar dois papéis logo de início. O tratamento abortivo age na crise que já começou, em geral com analgésico simples, hidratação e repouso em ambiente escuro e silencioso. A profilaxia é o tratamento de fundo, feito também nos dias sem dor, para reduzir a carga de enxaqueca ao longo do tempo. É na profilaxia que a acupuntura tem seu lugar mais bem definido: ela alivia a enxaqueca prevenindo as crises, e não apagando uma dor já instalada.

Esse foco é especialmente valioso na infância. Uma opção preventiva segura, com boa aderência e sem fármaco circulando no corpo de uma criança em crescimento é justamente o que muitas famílias procuram, e é onde a acupuntura brilha. Ela oferece prevenção sem os efeitos sistêmicos de um remédio diário, o que a coloca com naturalidade entre as primeiras escolhas quando o objetivo é espaçar as crises e devolver a rotina da criança.

profilaxia
é o alvo da acupuntura: reduzir frequência e intensidade das crises, não cortar a crise aguda
diário
de cefaleia antes e depois é o que mostra, com objetividade, o quanto a profilaxia reduziu os dias de dor por mês
3 meses
de acompanhamento dão margem para separar o efeito do tratamento das oscilações naturais da frequência das crises ao longo do ano letivo
Mito

“Acupuntura em criança serve para cortar a dor de cabeça na hora.”

Fato

O benefício mais consistente é preventivo: feita em ciclos, ao longo de semanas, a acupuntura tende a espaçar e a abrandar as crises. Para a crise aguda, valem as medidas abortivas orientadas pelo médico.

Grupo de alunos atentos durante aula de formação em acupuntura
Ensino e formação Alunos acompanham explicação durante aula de formação.

Antes de tratar: confirmar que é enxaqueca pelos critérios pediátricos

Aula prática com manuseio de agulhas e eletrodos de eletroacupuntura.
O manuseio correto das agulhas é parte central do treinamento.

A acupuntura preventiva pressupõe um diagnóstico bem feito, e a enxaqueca infantil não copia o quadro do adulto. A Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3) reconhece particularidades pediátricas: na criança, a crise pode durar 2 a 72 horas, mas costuma ser mais curta (por vezes 1 a 2 horas), a dor é com frequência bilateral ou frontotemporal em vez de hemicraniana, e a fotofobia e a fonofobia muitas vezes precisam ser inferidas do comportamento (a criança procura o quarto escuro, larga a brincadeira, cobre os olhos). Os sintomas digestivos, como náusea, vômito e dor abdominal, podem dominar o quadro e ofuscar a própria dor de cabeça.

Pistas que ajudam a situar a dor de cabeça da criança
QuadroComo costuma se apresentarO que sugere
EnxaquecaCrises recorrentes, pulsáteis ou em aperto, pioram com esforço, com náusea e busca de quarto escuro e silêncio; duração frequentemente menor que no adultoCandidata a profilaxia (incluindo acupuntura) quando frequente ou incapacitante
Cefaleia tensionalAperto ou peso, nos dois lados, sem náusea importante, sem piora ao esforço, ligada a tensão, postura e telasManejo do estresse, do sono e do componente muscular cervical
Cefaleia secundáriaDor que acorda à noite ou é pior pela manhã, vômito sem náusea que o preceda, piora progressiva, déficit neurológico, início em criança muito pequenaSinais de alerta: investigar antes de qualquer tratamento de fundo

Há ainda um capítulo próprio da pediatria: as síndromes episódicas que podem se associar à enxaqueca. Crianças com história de enxaqueca abdominal (crises de dor abdominal periumbilical, sem cefaleia), vômitos cíclicos ou vertigem paroxística benigna da infância frequentemente desenvolvem enxaqueca típica anos depois. Reconhecer esses precursores muda o raciocínio e evita confundir enxaqueca com queixas digestivas ou labirínticas isoladas.

A avaliação detalhada da dor de cabeça na criança, com os critérios e os sinais de alerta, está reunida na página sobre cefaleia em crianças. Para entender a enxaqueca em profundidade, da fisiopatologia ao tratamento, vale a leitura do guia enxaqueca: o que é, causas e tratamentos. Aqui, o foco é o papel específico da acupuntura.

Assista: Acupuntura funciona para enxaqueca?

Sinais de alerta antes de iniciar qualquer tratamento

A grande maioria das dores de cabeça da criança é primária e benigna. Ainda assim, alguns sinais pedem avaliação médica sem demora, porque mudam a conduta e devem ser afastados antes de propor uma profilaxia, seja ela com acupuntura ou com medicação. A lógica é a mesma dos sinais de alarme usados na cefaleia: mudança recente do padrão, achado neurológico e características que fogem da enxaqueca típica.

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação médica sem demora se a criança apresentar

  • Dor de cabeça que acorda a criança à noite ou é claramente pior ao acordar.
  • Vômitos repetidos, sobretudo pela manhã, ou vômito sem a náusea que costuma precedê-lo.
  • Piora progressiva da dor ao longo de semanas, mudança recente do padrão ou dor súbita e muito intensa.
  • Fraqueza, formigamento, alteração da visão, da fala, do equilíbrio, da marcha ou da coordenação.
  • Febre com rigidez de nuca, sonolência ou confusão.
  • Início da dor em criança com menos de 6 anos, que muitas vezes não sabe descrever bem o sintoma.
  • Aumento do perímetro cefálico no lactente, alteração de comportamento ou queda do rendimento escolar associada à dor.

Na ausência desses sinais e com um diagnóstico de enxaqueca bem estabelecido, a acupuntura preventiva pode ser considerada com tranquilidade, dentro de um plano conduzido por médico. A neuroimagem não é rotina na enxaqueca pediátrica típica com exame neurológico normal: ela muda a conduta apenas quando há um desses sinais de alerta, e pedi-la sem indicação não torna o diagnóstico mais seguro.

Por que a enxaqueca dispara, e onde a agulha age

Três silhuetas humanas sobrepostas em azul, rosa e amarelo, com pontos e canais de acupuntura identificados por códigos como BL, ST, KI e RN ao longo da cabeça, pescoço e tronco.
O mapa de canais e pontos mostra onde a estimulação atua para modular a dor da enxaqueca.

Entender o mecanismo ajuda a ver por que uma técnica preventiva faz sentido. A enxaqueca não é uma dor muscular comum: é um evento neurovascular que parte de um cérebro com o limiar de excitabilidade rebaixado. Quando esse limiar é ultrapassado, ativa-se o sistema trigeminovascular, a rede de fibras do nervo trigêmeo que inerva os vasos das meninges. Essas fibras liberam neuropeptídeos inflamatórios, sobretudo o CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), além de substância P e glutamato, gerando inflamação neurogênica, vasodilatação e a dor pulsátil.

O gatilho central

Sistema trigeminovascular e CGRP

A ativação trigeminovascular libera CGRP nos vasos meníngeos. A sensibilização periférica e central que se segue explica por que a dor lateja, piora ao esforço e por que a pele do couro cabeludo pode ficar dolorida ao toque (alodínia), sinal de que a crise já avançou.

A aura

Depressão alastrante cortical

O alvo da prevenção

Elevar o limiar da crise

Quando há aura, ela corresponde à depressão alastrante cortical, uma onda lenta de despolarização que percorre o córtex e explica os sintomas visuais ou sensitivos que antecedem algumas crises. Some-se a isso a sensibilização central: com crises repetidas, neurônios do núcleo trigeminocervical e de circuitos do tronco encefálico ficam hiperexcitáveis, como se o sistema de dor estivesse com o volume aumentado, e estímulos antes inócuos passam a doer. É esse estado de hiperexcitabilidade, mais do que a crise isolada, que a profilaxia busca acalmar.

É exatamente aí que a agulha tem onde agir. O estímulo da acupuntura recruta vias que reduzem essa excitabilidade: a comporta segmentar no corno dorsal da medula, as vias inibitórias descendentes do tronco encefálico (substância cinzenta periaquedutal, e bulbo rostroventromedial) e a liberação de opioides endógenos. A correspondência entre a descrição tradicional dos pontos e essa neurofisiologia permanece objeto de estudo, mas o efeito analgésico mensurável independe dessa discussão. Por isso o ganho é cumulativo, construído sessão a sessão, e não um alívio imediato como o de um analgésico.

Tratamento: a acupuntura dentro de um plano multimodal

Aula prática de acupuntura com modelo de pontos.
O ensino dos pontos de acupuntura faz parte da formação contínua da equipe.

O tratamento da enxaqueca infantil é multimodal por necessidade, não por estilo: combina prevenção não medicamentosa, manejo de hábitos, tratamento da crise e, quando indicado, profilaxia medicamentosa conduzida pelo médico assistente. A acupuntura pode entrar como adjuvante preventivo em casos selecionados, sobretudo quando a família busca uma opção não medicamentosa e a criança tolera bem o procedimento; o objetivo é reduzir a frequência e a intensidade das crises. Abaixo, cada modalidade com o que é, como age, o que esperar, quando indicar e suas limitações.

Acupuntura médica e eletroacupuntura

O que é
Inserção de agulhas finíssimas em acupontos definidos, feita por médico com formação na técnica. Na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta algumas agulhas e potencializa o estímulo. Em pontos como GB20 (fengchi, na região suboccipital), GB21 (jianjing, no trapézio), Yintang (entre as sobrancelhas), Taiyang (têmpora) e LI4 (hegu, no dorso da mão), usados em protocolos de profilaxia da enxaqueca.
Mecanismo
Modulação segmentar no corno dorsal, ativação das vias inibitórias descendentes e liberação de opioides endógenos; a baixa frequência na eletroacupuntura tende a recrutar mais sistemas opioides. Na enxaqueca, soma-se a redução da hiperexcitabilidade trigeminovascular descrita acima.
Onde encaixa
É uma das opções não medicamentosas mais consolidadas na prevenção da enxaqueca do adulto: costuma reduzir a frequência das crises, com tolerabilidade comparável à da profilaxia medicamentosa, e é recomendada em diretrizes nos casos selecionados. Na criança e no adolescente a experiência aponta na mesma direção, com bom perfil de segurança.
O que esperar
O efeito é de fundo, não de crise: o que muda primeiro costuma ser a intensidade e a duração das crises, depois a frequência. Como a enxaqueca da criança oscila com o calendário escolar, férias e provas, o sinal de que está funcionando não é a sessão isolada, e sim a queda de dias de dor por mês no diário, sustentada ao longo de semanas. Mantém-se o ritmo de sessões enquanto a curva do diário melhora; quando estabiliza num patamar bom, as sessões são espaçadas.
Indicações
Enxaqueca frequente ou incapacitante na criança, sobretudo quando se busca evitar ou reduzir medicação contínua, ou quando a profilaxia oral não funcionou ou não foi tolerada.
Limitações e cuidados
Efeitos adversos raros e leves: desconforto na inserção, vermelhidão, equimose discreta. Cautela em quem usa anticoagulante ou tem distúrbio de coagulação. O resultado depende da colaboração da criança com a sessão e do manejo dos gatilhos em paralelo.

Agulhamento seco e infiltração de pontos-gatilho cervicais

O que é
Agulha de acupuntura inserida diretamente no ponto-gatilho miofascial, sem injeção de substância (agulhamento seco), ou com anestésico local em pequena dose (infiltração). Os alvos típicos quando há componente cervical são trapézio superior, elevador da escápula, suboccipitais e esternocleidomastóideo.
Mecanismo
O que justifica agulhar o músculo na enxaqueca é a convergência trigeminocervical: as aferências cervicais altas (C1 a C3) e o trajeto do trigêmeo terminam no mesmo núcleo no tronco encefálico. Um ponto-gatilho ativo no trapézio superior ou no suboccipital projeta dor para a têmpora e a região orbitária e mantém esse núcleo sensibilizado, baixando o limiar da próxima crise. Desfazer a banda tensa retira uma das entradas que alimentam o gerador da enxaqueca, em vez de tratar uma dor muscular qualquer.
Onde encaixa
Ajuda a dor e a função quando há componente muscular ou cervical associado, situação comum nas cefaleias com tensão de nuca e ombros. Na criança, é adjuvante, sempre adaptado e usado quando o exame revela bandas musculares tensas relevantes.
O que esperar
Na criança e no adolescente, o componente cervical costuma responder mais rápido do que a enxaqueca em si: a sensibilidade ao toque na nuca e nos ombros cede antes da frequência das crises. É comum um incômodo muscular breve depois da sessão, parecido com o de um exercício novo. O ganho só se sustenta se a causa da sobrecarga for corrigida em paralelo, postura no estudo, peso da mochila, tempo de tela, sem o que os pontos-gatilho voltam a se formar.
Indicações
Enxaqueca com tensão cervical associada e pontos-gatilho ativos, situação frequente em adolescentes com sobrecarga de telas e estudo.
Limitações e cuidados
Dor local transitória e equimose; cautela em anticoagulados. A técnica na região cervical e torácica exige domínio anatômico para evitar complicações, e por isso é feita por médico treinado.

Profilaxia medicamentosa: quando o médico a considera

O que é
Medicação de fundo, oral, escolhida pelo médico conforme frequência, impacto e comorbidades. A dose é ajustada ao peso e à idade, com titulação progressiva.
Mecanismo, por classe
Os candidatos preventivos na infância incluem o betabloqueador propranolol (reduz o tônus adrenérgico e a excitabilidade), o bloqueador de canais de cálcio flunarizina (estabiliza a excitabilidade neuronal), o antidepressivo tricíclico amitriptilina em dose baixa (modula vias descendentes serotoninérgicas e noradrenérgicas) e o anticonvulsivante topiramato (reduz a hiperexcitabilidade cortical). Riboflavina (vitamina B2) e magnésio são usados como adjuvantes de baixo risco.
Papel na infância
Na criança, o remédio preventivo tem indicação mais criteriosa do que no adulto, reservado a casos frequentes ou incapacitantes, e sempre pesando os efeitos adversos possíveis. É justamente por isso que uma opção não medicamentosa como a acupuntura ganha um lugar de destaque na prevenção: entrega o tratamento de fundo sem carregar o organismo em crescimento com um fármaco diário.
O que esperar
Quando indicada, a profilaxia oral pede semanas de titulação até a dose útil e uma janela de 8 a 12 semanas para julgar a resposta pelo diário de cefaleia, antes de manter, ajustar ou trocar.
Limitações e cuidados
Cada classe tem efeitos próprios: o topiramato pode causar lentificação cognitiva, parestesias e perda de apetite; a amitriptilina, sonolência e boca seca; o propranolol é evitado em asma; a flunarizina pode causar ganho de peso e sonolência. A decisão de iniciar, manter ou suspender é exclusivamente do médico assistente.

Tratamento da crise (abortivo)

O que é
O que se faz quando a crise já começou. A regra é agir cedo, em ambiente calmo e escuro, com hidratação e, se necessário, medicação orientada pelo médico.
Opções, por classe
Analgésicos e anti-inflamatórios simples são a base, com destaque para o ibuprofeno, que tem boa evidência na crise pediátrica, em dose ajustada ao peso. Em adolescentes com crises incapacitantes, alguns triptanos (agonistas dos receptores de serotonina 5-HT1B/1D, que reduzem a liberação de CGRP e a vasodilatação) têm aprovação para uso a partir de determinadas idades, isolados ou em associação fixa, conforme o caso.
O que esperar
O abortivo encurta ou aborta a crise pontual, mas não previne as próximas. Por isso ele não compete com a acupuntura: são papéis diferentes, e a boa prevenção justamente reduz a necessidade de abortivo.
Limitação central
O uso muito frequente de analgésico, em geral acima de 10 a 15 dias por mês, pode alimentar uma cefaleia por uso excessivo de medicação, que perpetua a dor. Esse é um dos argumentos mais fortes a favor de uma profilaxia que poupe abortivo.

Pilares de hábito: a base do limiar

Nenhuma das modalidades acima funciona bem sobre uma rotina desregulada. Pensar a enxaqueca da criança como um limiar que transborda quando vários fatores se somam ajuda a entender por que a base precisa ser ampla. Estes pilares não são conselhos genéricos: cada um age sobre um gatilho fisiológico real.

Sono regular

Horário de dormir e de acordar estável, inclusive nos fins de semana, e redução de telas à noite. Tanto a privação quanto o excesso de sono são gatilhos consistentes na infância, em parte pela ligação entre o hipotálamo e a geração das crises.

Hidratação e refeições

Não pular refeições e hidratar-se ao longo do dia. Jejum e desidratação rebaixam o limiar; o objetivo é estabilidade metabólica, não restrição alimentar ampla, que raramente ajuda e atrapalha a vida da criança.

Diário de cefaleia e gatilhos

Um diário simples mede a frequência de dias de dor, a intensidade e os possíveis disparadores. Ele transforma impressão em dado e é o instrumento que permite saber, depois, se o tratamento funcionou.

Exercício e manejo do estresse

Atividade física regular e prazerosa protege o limiar; cuidar da carga escolar e da ansiedade reduz um gatilho importante. A tensão muscular cervical associada também é tratada, com agulhamento ou terapia manual.

A acupuntura entra como a profilaxia não medicamentosa sobre essa base. Conforme a frequência e o impacto, o médico avalia também profilaxia oral, sempre com dose ajustada ao peso e à idade. A escolha entre modalidades e a ordem de introdução dependem da apresentação clínica, das comorbidades, das preferências da família e da resposta inicial. Nenhuma intervenção isolada costuma bastar na enxaqueca recorrente.

Ponto de atenção · segurança em crianças

A acupuntura tem perfil de segurança favorável quando feita por médico treinado e com material descartável, e não há fármaco circulando no corpo de uma criança em crescimento, o que afasta interações e efeitos sistêmicos. Na prática pediátrica, o cuidado vai além da técnica: a consulta é conduzida em ritmo acolhedor, com explicação simples, presença do responsável e respeito ao medo de agulha, que é natural. Quando a criança resiste, parte do plano pode começar sem agulha, por estímulos mais suaves de pontos (pressão, laser de baixa intensidade), ganhando confiança antes de introduzir o agulhamento. Material exclusivo, poucos pontos e sessões curtas adaptam a técnica ao que a criança tolera.

Semana 1 a 2

Início e diário

Primeiras sessões e ajuste fino da técnica à criança; começa o diário de cefaleia para medir a frequência das crises de forma objetiva.

Semana 3 a 6

Construção do efeito

Com o ciclo em andamento e os hábitos ajustados, as crises costumam começar a espaçar e a perder intensidade. O efeito é gradual, refletindo a queda da hiperexcitabilidade, não imediato.

Após 8 semanas

Reavaliação

Compara-se o diário antes e depois. Havendo boa resposta, espaçam-se as sessões de manutenção. Sem resposta, a primeira pergunta não é qual técnica trocar, e sim se o diagnóstico está certo e se a base foi cumprida: sono, refeições, hidratação, carga escolar e uso de abortivo. Enxaqueca que não cede com frequência tem um gatilho de rotina ou um excesso de analgésico por trás, e é isso que se corrige antes de mudar o tratamento.

Medimos a frequência de dias de dor por mês no diário, a intensidade em uma escala adaptada à idade e, sobretudo, o retorno da criança à escola, ao esporte e ao brincar. A meta é reduzir a carga de enxaqueca a um nível que não limite a rotina, e nem sempre eliminar as crises por completo.

Da prática clínica

Observações de consultório. O paciente típico não é a criança pequena, e sim o adolescente que acumulou meses de provas, telas até tarde e sono irregular, e cuja enxaqueca já vem com nuca dolorida e ombros tensos. Nesse perfil, tratar só a cabeça e ignorar o pescoço costuma render menos.

O erro mais comum que se vê não está na escolha da técnica, e sim em começar a profilaxia sem um diário de cefaleia já rodando antes. Sem a linha de base, fica difícil mostrar depois, com números, o quanto a criança melhorou; com o diário na mão, a evolução aparece clara para a família e para o médico.

O limiar para encaminhar a profilaxia, mais do que um número de crises, é o impacto na vida: faltas à escola, abandono do esporte, criança que já evita planos com medo de ter dor. E o que mais surpreende as famílias é que o alvo não é zerar as crises, e sim devolver a rotina; um mês com menos dias de dor, porém com a criança de volta às atividades, costuma ser uma vitória maior do que parece no papel.

Por que a acupuntura é uma boa porta de entrada na prevenção infantil

Na enxaqueca da criança, a decisão de tratamento pesa benefício e segurança. A acupuntura reúne os dois: é uma intervenção de baixo risco, sem fármaco circulando no corpo de quem ainda cresce, com boa aderência e um ambiente de cuidado que a própria criança costuma acolher bem. Some-se a isso um efeito de fundo real, construído sessão a sessão, e fica claro por que ela é uma porta de entrada natural na prevenção: começa-se pelo que é seguro e eficaz, medindo tudo pelo diário de cefaleia, e a profilaxia medicamentosa fica reservada, pelo médico, aos casos que a pedem. É uma escolha que protege a rotina da criança enquanto reduz a carga de enxaqueca.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

A partir de que idade a criança pode fazer acupuntura para enxaqueca?

Não há uma idade única: o que define é o diagnóstico de enxaqueca pelos critérios pediátricos, o impacto das crises e a capacidade de a criança colaborar com a sessão. A abordagem é adaptada à faixa etária, com agulhas finas, poucos pontos e ritmo acolhedor. A indicação é sempre individual, feita em consulta.

Dói? A criança aguenta as agulhas?

As agulhas de acupuntura são muito mais finas do que as de injeção, e a maioria das crianças tolera bem. Costuma haver apenas uma sensação breve na inserção. A consulta é conduzida com calma, com explicação simples e a presença do responsável, e o medo de agulha é respeitado.

A acupuntura substitui o remédio preventivo?

Em muitos casos, sim: como opção não medicamentosa segura e eficaz na prevenção, a acupuntura pode reduzir a necessidade de remédio de fundo, e às vezes dispensá-lo. Conforme a frequência e o impacto das crises, o médico decide se a acupuntura basta, se complementa ou se uma profilaxia oral também é indicada. Não há uma regra única: a escolha é individual e feita em consulta.

A eletroacupuntura é segura para crianças?

Sim, quando feita por médico treinado, com corrente de baixa intensidade e confortável, ajustada ao que a criança tolera. Ela apenas potencializa o estímulo das agulhas, recrutando mais os sistemas de analgesia endógena. A intensidade é regulada de forma gradual, sempre dentro do conforto.

Quantas sessões são necessárias para ver resultado?

Não há um número fixo: o que orienta é a curva do diário de cefaleia, não uma contagem pré-definida de sessões. Como o efeito é de fundo e a enxaqueca da criança varia muito com o calendário escolar, o resultado é julgado comparando dias de dor por mês antes e depois, ao longo de semanas, e não pela sensação de uma sessão isolada. Se o diário melhora, o tratamento segue e depois espaça; se não melhora dentro de uma janela razoável, o caso é reavaliado antes de simplesmente continuar.

A acupuntura corta a crise de enxaqueca na hora?

O papel mais bem definido da acupuntura é preventivo, não abortivo. Para a crise já instalada, valem as medidas orientadas pelo médico, como ambiente calmo, repouso, hidratação e o analgésico indicado, por exemplo o ibuprofeno em dose ajustada ao peso. A acupuntura age para que essas crises venham menos vezes.

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Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Prof. Dr. Hong Jin Pai
Sobre o autor
Prof. Dr. Hong Jin Pai
CRM-SP 36.399RQE 29.862

Médico com atuação em Acupuntura Médica, dor, ensino clínico e formação médica continuada. Diretor técnico da Clínica Dr. Hong Jin Pai.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Doll E; Threlkeld B; Graff D; Clemons R; Mittel O; Sowell MK; McDonald M. Acupuncture in Adult and Pediatric Headache: A Narrative Review. Neuropediatrics. 2019. doi:10.1055/s-0039-1695785. PMID:31466110.
  2. Raffagnato A; Rossaro MP; Piretti E; Galdiolo L; Pelizza MF; Sartori S; Nosadini M; Toldo I. Acupuncture for Prevention of Primary Headaches in Children and Adolescents: A Literature Overview for the Pediatric Neurologist. Pediatric neurology. 2025. doi:10.1016/j.pediatrneurol.2024.12.013. PMID:39938233.
Atualizado em 3 jul 2026 Leitura 11 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Na enxaqueca da criança, a frequência das crises varia entre pacientes, de modo que a indicação, a escolha das técnicas e o acompanhamento são definidos em consulta. Qualquer tratamento, incluindo acupuntura e medicação, deve ser conduzido por médico, com dose e indicação ajustadas à idade e ao peso.

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