AVISO - COVID-19: Estamos com atendimento segunda/terça/quinta/sexta/sábado. Maiores informações, entrar em contato via WhatsApp

A Acupuntura e Enxaqueca Infantil

Crianças que sofrem com a popular dor de cabeça, ou mesmo enxaqueca conseguiram mais resultados no tratamento com as agulhas.

Enxaqueca Infantil Acupuntura

Os vários tipos de cefaléias e enxaquecas infantis, muitas vezes associados aos sintomas de outras doenças e distúrbios físicos e psicológicos, são verdadeiros desafios para se conseguir um diagnóstico preciso logo na primeira consulta médica. Identificar a enxaqueca na vida de uma criança encurta o caminho para conseguir um controle e até mesmo, em uma visão otimista, a cura desta doença que pode desencadear problemas no aprendizado e convívio social.

Um caso de enxaqueca infantil que tardiamente foi identificado fez o médico acupunturista Hong Jin Pai refletir tanto nos vários casos de pacientes que procuram a acupuntura como uma última alternativa, quanto na necessidade de observar e examinar a criança para se ter um diagnóstico preciso. Seu paciente, um garoto de 10 anos de idade, filho de profissional da saúde, antes de recorrer à acupuntura, tomava antidepressivo e fazia tratamento psiquiátrico há três anos, quando vários médicos constataram que seu problema era um tipo de fobia social.

Geralmente quem fala pelas crianças durante as consultas médicas são os pais, no caso deste paciente, a mãe relatou que o diagnóstico da psicóloga que o tratava foi algo parecido com “ruptura de amor”. Durante as sessões, o menino referiu ter sintomas de náuseas, vômitos, irritabilidade e impaciência em permanecer na sala de aula, fato que ocorria já no início desta.

Em razão do uso de antidepressivos e da inatividade física, o paciente adquiriu 15 quilos, e passou a ter dor na região lombar direita, resultando em uma diagnosticada “osteoartrite” do quadril, sendo indicado cirurgia de prótese do quadril direito. “Inicialmente, com exceção da cirurgia de quadril, eu não tinha dúvidas em relação ao diagnóstico, pois havia sido confirmado por vários colegas”, comenta Hong, incluindo que durante os exames físicos notou pontos dolorosos no trapézio direito, hipersensibilidade na área parietal direita e observou, também, que o menino apresentava algum incômodo em relação à luz da lâmpada da sala, chegando a confirmar a existência de sintomas de enxaqueca.

Já que a enxaqueca pode ser hereditária, outra questão considerada para concluir o diagnóstico foi o fato da mãe também ser portadora de enxaqueca. O tratamento do menino iniciou com duas sessões semanais, e logo nas duas primeiras semanas já apresentou sensível melhora clínica para ser reduzido em uma sessão semanal durante as cinco semanas seguintes. Após um ano livre de tratamentos, o paciente encontra-se bem, iniciou atividade física e não apresenta mais sintomas de enxaqueca e dor lombar. Exames radiológicos e complementares para avaliar o quadril foram solicitados por questão de segurança, e constataram absoluta normalidade.

As agulhas têm a função de estimular a produção e liberação de substâncias que atuam no Sistema Nervoso Central. Com efeito antiinflamatório e relaxante muscular, a eficácia da acupuntura é em torno de 80%, sendo por isso um tratamento adequado para as enxaquecas e cefaléias em geral. Freqüentemente os relatos dos pacientes confirmam que a ocorrência de crises diminui muito ou até desaparece por um longo período do tempo. De acordo com a pediatra Marialda Hofling de Pádua Dias, responsável pelo Departamento de Acupuntura do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo (ICr-HC), a acupuntura pode controlar as crises de enxaqueca e até mesmo eliminá-las.“Há oito anos tive um paciente de 11 anos que sofria com crises de enxaqueca que chegavam aos limites da escala de dor. Essa história me surpreende porque ele nunca mais teve problemas”. Antes de receber 12 sessões de acupuntura, o garoto foi a vários prontos-socorros e, muitas vezes, os médicos suspeitaram que ele estivesse com meningite.

Para a pediatra e acupunturista Célia Faelli, além da história familiar de enxaqueca, que está presente em até 72% das crianças afetadas, algumas comorbidades como epilepsia, síndrome do intestino irritável, labirintopatia, depressão, transtorno bipolar, transtorno do pânico, fobia social podem estar relacionada com enxaqueca. Outros fatores de importância são os alimentares, alérgicos, ansiedade e tensão emocional e funcionam como agente desencadeador da enxaqueca. “Sabe-se também que muitas crianças enxaquecosas são perfeccionistas, extremamente exigentes de si mesmas. Ensinar-lhes novas maneiras de enfrentar os desafios e diminuir a cobrança é uma forma de ajudá-las”.

As técnicas de acupuntura para tratamento da enxaqueca, ou outras doenças, incluem a auriculoterapia com sementes para aquelas crianças que têm grande temor de agulha, ou como tratamento inicial até que se consiga conquistar a criança para inserir as agulhas especiais que são mais finas, flexíveis e com a ponta romba, muito diferente da agulha de injeção que é mais grossa, inflexível e com a ponta cortada em bisel.

Dispensar um pouco de tempo para explicar o que a criança vai sentir e que tem a possibilidade de se retirar a agulha, caso o desconforto seja muito grande, deixa a criança mais receptiva para o tratamento. Geralmente, em crianças pequenas, as agulhas são inseridas, manipuladas e imediatamente retiradas. Já nas que têm mais idade, podem ser retidas por mais tempo. Com paciência, e uma boa técnica de inserção, a acupuntura é viável em crianças.

Os especialistas recomendam que a criança que tenha dor de cabeça mais de uma vez por mês seja avaliada por pediatra. Se necessário, ele a encaminhará ao neuropediatra. Sabe-se que algumas situações provocam a enxaqueca: estresse, nervosismo, excesso de exercícios físicos, distúrbio de sono e sol em excesso podem acioná-la. Também alguns componentes químicos incluídos em determinados alimentos provocam uma reação no cérebro e desencadeiam a dor.

Pesquisas identificaram o nitrito, o glutamato e a tiramina como os vilões de enxaquecas causadas pela alimentação. A salsicha, por exemplo, contém nitrito, substância química usada em seu conservante. O glutamato está, entre outras coisas, em temperos e caldos prontos, como as utilizados na culinária japonesa e chinesa. E a tiramina é encontrada em chocolates e queijos brancos. Até o momento, não se sabe como, exatamente, essas substâncias agem desencadeando a crise. No caso da enxaqueca, porém, acredita-se que uma concentração anormal de neurotransmissores leva a mensagem de dor ao cérebro, mas sem um motivo físico concreto.

Os tratamentos variam de acordo com a freqüência e a intensidade das crises. Quando fracas e espaçadas, um analgésico e algumas horas de sono resolvem. Mas quando fortes e em intervalos curtos de tempo, atrapalham o rendimento escolar e o lazer dos “baixinhos”, o mais comum é a adoção de tratamentos que duram de três a seis meses, com medicamentos capazes de espaçar e amenizar as crises. Como a maioria dos medicamentos, esses remédios também têm efeitos colaterais como ganho de peso, sonolência, baixa pressão arterial e diminuição da freqüência cardíaca. Por isso, o tratamento deve ser acompanhado de perto pelos médicos.

A acupuntura é uma boa terapia para essa doença porque muitas medicações deixam os baixinhos com efeitos colaterais, e interferem nas atividades esportivas além de aumento exagerado de peso, já no tratamento com as agulhas não há efeitos indesejáveis.

___________

Entre as doenças mais difíceis de diagnosticar em crianças estão os vários tipos de cefaléias e enxaquecas.

A partir do caso ilustrado com o menino de 10 anos, o médico Hong Jin Pai teve as seguintes conclusões:

1. Infelizmente, a Acupuntura ainda é a “última opção” do paciente ou uma opção alternativa. Desse modo chegam com mais freqüência pacientes crônicos.

2. Os pacientes crônicos apresentam mais sintomas e mais doenças associadas, o que muitas vezes dificulta o tratamento, assim como o manuseio de medicamentos.

3. Há sempre a necessidade de confirmar o diagnóstico. E estes, por serem casos crônicos, tanto os sintomas quanto a evolução clínica podem confundir o médico.

4. Nesse caso específico de AJP, 10, os sintomas eram tipicamente de enxaqueca e só foi possível de identificá-la após uma inteiração maior com o garoto, valorizando seus relatos e não só os relatos da mãe.

Saiba mais sobre enxaqueca e cefaléias:

A enxaqueca atormenta 30 milhões de brasileiros, atingindo também as crianças. Não existem números precisos, mas a experiência no atendimento ambulatorial de grandes hospitais aponta que a incidência de enxaqueca entre as crianças de 6 anos chega a 4% entre os pacientes atendidos. Os médicos acreditam que os “baixinhos” com menos de 6 anos sofram com essa intensa dor de cabeça.

Geralmente só é possível realizar um diagnóstico preciso e explicar melhor os seus sintomas quando a criança está em idade escolar. Esse não é o único problema. Identificar corretamente a enxaqueca, muitas vezes, é um desafio também para os médicos, pois esta dor não tem uma causa orgânica, sendo de difícil tratamento. É um mal com o qual é preciso aprender a conviver.

A enxaqueca é uma dor latejante, que começa em um dos lados da cabeça, podendo ser acompanhada de náuseas, vômitos, dor abdominal, hipersensibilidade à luz e aos sons, além de formigamento nos braços e pernas. Às vezes, enxergam-se estrelinhas ou o campo de visão fica limitado: pessoas e objetos são vistos pela metade. Em alguns casos, as crises podem durar até 72 horas. Mas esses incômodos não são iguais para todos os pacientes, levando a uma sucessão de consultas para se chegar ao diagnóstico correto. Visitas ao oftalmologista, otorrinolaringologista e ao dentista costumam ser as etapas iniciais da peregrinação para muitas crianças. Não há exames que detectem a enxaqueca e os médicos costumam diagnosticá-la a partir da exclusão de outras doenças.

A família pode ajudar a detalhar os hábitos, atividades e alimentação da criança. Importante informar se há parentes que sofram de enxaqueca, pois, de acordo com as estatísticas, 91% dos pacientes têm parentes com o mesmo problema; sendo na maioria casos de “herança” materna. A probabilidade dos filhos “herdarem” esse distúrbio é 12 vezes menor se, na família, o pai tiver enxaqueca.

Send this to a friend