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Braço e cotovelo · Dor miofascial e tendinopatia

Dor no tríceps: por que dói a parte de trás do braço

A dor no tríceps tem várias causas: tendinopatia na inserção do cotovelo, ponto-gatilho miofascial, sobrecarga de treino, dor referida da cervical (C7 e C8) e do ombro, e quadros raros como ruptura do tendão ou bursite do olécrano. A localização e o gesto que dói separam as causas.

Resposta direta
  • A dor no tríceps tem várias causas, e a maioria é benigna e musculoesquelética: ponto-gatilho miofascial no músculo, tendinopatia na inserção do cotovelo e sobrecarga de treino respondem pela maior parte das queixas.
  • A localização e o gesto separam: dor bem na ponta do cotovelo que piora ao estender o braço aponta para o tendão; dor profunda no meio do braço que se reproduz à pressão é músculo; dor que desce do pescoço com formigamento na mão é raiz cervical (C7 e C8).
  • Preocupe-se quando houver estalo com perda de força para esticar o braço, fraqueza ou dormência progressiva na mão, inchaço com calor no cotovelo, ou dor no braço esquerdo com aperto no peito ao esforço. Aí a avaliação não deve esperar.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O tríceps e por que ele dói

Render 3D de um músculo esquelético desmembrado em fascículos e fibras musculares, com corte transversal e silhueta de um corpo humano ao lado.
O tríceps é formado por feixes de fibras envoltos em fáscia; entender essa estrutura ajuda a localizar a origem da dor.

O tríceps braquial é o grande músculo da parte de trás do braço. Como o nome diz, tem três cabeças (longa, lateral e medial) que se unem em um único tendão forte, o tendão do tríceps, que se insere no olécrano, a ponta óssea do cotovelo. Sua função é estender o cotovelo, ou seja, esticar o braço, e estabilizar a articulação em empurrões e apoios.

Essa anatomia explica onde a dor costuma aparecer. No tendão, junto ao cotovelo, a sobrecarga repetida gera tendinopatia de inserção. No ventre muscular, no meio do braço, formam-se pontos-gatilho miofasciais, bandas tensas e dolorosas dentro do músculo. Sobre o próprio olécrano, uma bolsa sinovial pode inflamar e gerar a bursite.

E, fora do braço, a dor pode ser apenas referida: nasce numa raiz nervosa do pescoço (sobretudo C7 e C8), no ombro ou em outro músculo da cintura escapular, mas é sentida na região do tríceps. A queixa de “braço pesado e doendo” entra com frequência nesse último grupo.

Diferenciar essas origens importa porque o tratamento muda. Tratar como tendinopatia uma dor que, na verdade, vem de uma raiz cervical comprimida não resolve a causa. Por isso o primeiro passo é localizar a dor e entender o que a provoca, antes de qualquer conduta.

3
Cabeças do músculo tríceps
C7 e C8
Raízes que referem dor ao tríceps
1
Tendão de inserção no olécrano
Maioria
Benigna e tratada sem cirurgia
Hall de entrada da clínica com escada de madeira, parede de tijolos e estátua dourada de pontos de acupuntura
Nossa estrutura Hall de entrada da clínica, com escada de madeira e detalhes de arquitetura oriental.

Causas musculoesqueléticas do tríceps

Diagrama do complexo do ponto-gatilho mostrando banda tensa, foco ativo do ponto-gatilho e nódulo de contração entre fibras musculares normais.
Pontos-gatilho são nódulos de contração dentro de uma banda tensa, causa muscular frequente de dor no tríceps.

A maior parte da dor no tríceps nasce do próprio braço, em quadros benignos ligados a sobrecarga e ao uso. Cada um tem um padrão que o denuncia: onde dói, o gesto que reproduz a queixa, o que piora e o que alivia. O sinal que mais orienta é simples: a palpação reproduz a dor conhecida, e em qual ponto.

Reproduz a dor à pressão

Ponto-gatilho miofascial do tríceps

Provavelmente a causa mais comum e mais subdiagnosticada. Bandas tensas no ventre muscular, com frequência na cabeça longa ou medial, abrigam pontos-gatilho que, ao serem pressionados, reproduzem a dor e a referem para o cotovelo ou o ombro. Dor profunda, em peso ou queimação, no meio da parte de trás do braço; piora ao fim do dia e após postura mantida. É a origem do clássico “braço pesado e doendo”, sem lesão de tendão ou nervo.

Pior ao estender o cotovelo

Tendinopatia insercional no olécrano

Sobrecarga do tendão no ponto em que se prende ao olécrano, em quem repete extensão com carga: tríceps na polia, supino, paralelas, mergulho, arremesso, martelar. Dor bem na ponta de trás do cotovelo, que piora ao estender o braço contra resistência e à palpação direta da inserção. É o análogo posterior da epicondilite. Não é “tendinite”: é uma falha de adaptação do tendão à carga, com desorganização do colágeno, e não uma inflamação aguda.

Relação clara com o treino

Sobrecarga de treino e dor muscular tardia

Aumento rápido de volume ou carga, técnica inadequada e descanso insuficiente sobrecarregam músculo e tendão. É a dor que surge depois de “pegar pesado” no tríceps ou voltar à academia sem progressão. Pode ser só a dor muscular tardia (DOMS), que cede em poucos dias, ou o início de uma tendinopatia, se a sobrecarga se repete sem recuperação. A pista é o erro recente de dosagem da carga.

Estalo e perda de força

Estiramento e ruptura do tendão (rara)

O estiramento muscular gera dor súbita ao esforço, que cede com repouso relativo. A ruptura do tendão distal é rara, mas é o quadro grave do grupo: contração excêntrica forçada (falhar um movimento na musculação, queda sobre a mão), às vezes em tendão fragilizado por corticoide ou anabolizante. Sinal típico: dor súbita com estalo no cotovelo, perda de força para estender o braço e, às vezes, um afundamento palpável acima do olécrano. É sinal de alerta.

Mito

“Dor no braço é sempre tendinite e melhora só com repouso e anti-inflamatório.”

Fato

Boa parte da dor no tríceps é miofascial ou referida do pescoço, não tendínea. Repouso prolongado e remédio isolado não corrigem a causa; o tratamento depende de qual das origens predomina.

Dor referida: cervical, ombro e nervo

Diagrama do músculo tríceps com pontos-gatilho (X) e a dor referida na parte de trás do braço, cotovelo e epicôndilo lateral.
Pontos-gatilho no tríceps espalham a dor pela parte de trás do braço até o cotovelo.

Nem toda dor no tríceps nasce no braço. A coluna cervical e o ombro projetam dor para essa mesma região e tratam-se de outra forma. O que as diferencia da dor local é que a palpação do músculo não reproduz a queixa, e há sinais que apontam para a fonte real: trajeto pelo braço, formigamento na mão, perda de força ou dor ao elevar o braço.

Desce do pescoço com formigamento

Radiculopatia cervical das raízes C7 e C8

Uma raiz comprimida por hérnia ou artrose cervical baixa refere dor pela parte posterior do braço, no trajeto do nervo. As raízes C7 e C8 têm relação direta com o tríceps: a lesão de C7 reduz a força de extensão do cotovelo e o reflexo tricipital. O selo é a dor que desce do pescoço com formigamento, dormência ou fraqueza na mão, e que piora com certos movimentos do pescoço. Detalhado no guia de dor no pescoço.

Pior ao elevar o braço

Dor referida do ombro e da cervical alta

Tendinopatia do manguito rotador e do cabo longo do bíceps doem na frente e na lateral do ombro e se projetam pelo braço, podendo simular dor de tríceps. O que distingue: piora ao elevar o braço acima da cabeça e ao deitar sobre o lado, com arco doloroso, e não reproduz à palpação da banda do tríceps. A cervical alta também espalha dor para o ombro e o braço sem trajeto de nervo.

Ao longo do nervo radial

Irritação do nervo radial no braço

O nervo radial corre no sulco espiral, atravessando o tríceps na parte de trás do braço. Compressão ou tração (dormir com o braço sobre o encosto, apoio prolongado) pode gerar dor e formigamento no trajeto posterior do braço e do antebraço, às vezes com fraqueza para estender o punho. Diferente do ponto-gatilho, segue o trajeto do nervo e não se reproduz por uma banda tensa única.

Esforço, peito, falta de ar

Dor referida cardíaca no braço esquerdo

Incomum, mas a mais importante de reconhecer. A dor de origem coronariana pode irradiar para o braço esquerdo, sobretudo ao esforço, acompanhada de aperto no peito, falta de ar, suor frio ou náusea, e não se reproduz ao mexer o braço nem à palpação. É emergência: dor no braço esquerdo nesse contexto exige afastar causa cardíaca antes de atribuir ao músculo.

Causas articulares e quadros raros

Por fim, a articulação do cotovelo e estruturas vizinhas ao olécrano podem produzir dor que a pessoa localiza no tríceps. São causas menos frequentes, mas algumas mudam a conduta e precisam ser ativamente procuradas.

Inchaço sobre a ponta do cotovelo

Bursite olecraniana

A bolsa sinovial que recobre o olécrano pode inflamar por trauma repetido (apoiar o cotovelo), atrito ou, em alerta, infecção. Surge um inchaço macio e bem delimitado sobre a ponta do cotovelo, às vezes doloroso, que a pessoa confunde com dor do tríceps. Vermelhidão, calor e febre sugerem bursite séptica e pedem avaliação imediata, porque a conduta muda.

Rigidez e dor ao movimento

Artrose e artrite do cotovelo

O desgaste articular ou um processo inflamatório (artrite) no cotovelo dá dor profunda na articulação, rigidez e limitação para estender ou flexionar o braço, que a pessoa pode referir como dor “do tríceps”. Inchaço articular, calor e dor que piora ao movimento e não se reproduz por uma banda tensa apontam para a articulação, não para o músculo.

Não some, piora à noite

Causa inflamatória, infecciosa ou tumoral

Rara, mas decisiva. Dor que acorda à noite, não alivia com repouso e progride, com febre, perda de peso sem explicação, suor noturno ou história de câncer, sai do escopo musculoesquelético. Pede investigação clínica e laboratorial, não tratamento como dor muscular.

Tendão, músculo ou nervo: o que decide o tratamento

Quase todo material trata “dor no tríceps” como sinônimo de tendinite e receita repouso com anti-inflamatório. Na clínica, isso erra em dois pontos. Primeiro, a dor na parte de trás do braço é, na maioria das vezes, de ponto-gatilho miofascial ou referida do pescoço, e não do tendão, de modo que o anti-inflamatório alivia pouco e o repouso não muda o quadro. Segundo, mesmo quando o tendão é a origem real, ele não está inflamado: é uma tendinopatia, uma falha de adaptação à carga, que melhora com carga progressiva bem dosada e tende a piorar com repouso prolongado, o oposto do conselho mais repetido. O passo que decide o tratamento não é qual remédio tomar, e sim diferenciar tendão, músculo, nervo e articulação antes de tratar.

Como diferenciar pelo padrão

A pergunta que organiza o diagnóstico é simples: onde exatamente dói, e o que faz piorar? A localização da dor, somada ao gesto que a desencadeia e ao que a palpação reproduz, separa as causas com boa confiabilidade já na primeira avaliação. A tabela a seguir mapeia cada origem ao seu padrão típico e à conduta.

Dor no tríceps: o padrão de cada causa e o que fazer
OrigemPadrão típicoConduta
Ponto-gatilho miofascialDor profunda no meio do braço que se reproduz ao pressionar a banda tensaTratamento conservador na clínica (ver «O tratamento depende da causa»); resposta em semanas
Tendinopatia insercionalDor na ponta do olécrano, pior ao estender o cotovelo contra resistênciaCarga progressiva e exercício excêntrico; adjuvantes conforme a resposta
Sobrecarga de treino / DOMSDor difusa após aumento recente de carga; cede em dias se for muscularAjuste de carga e progressão graduada; reavaliar se persistir
Ruptura do tendão (rara)Estalo súbito ao esforço, perda de força para estender, afundamentoAvaliação sem demora; ortopedista de cotovelo, possível reparo
Radiculopatia cervical (C7/C8)Dor que desce do pescoço com formigamento ou fraqueza na mãoExame neurológico; imagem e especialista de coluna se muda a conduta
Ombro / manguito rotadorPior ao elevar o braço e ao deitar sobre o lado; arco dolorosoAvaliação do ombro; reabilitação dirigida
Bursite / articular do cotoveloInchaço sobre o olécrano ou dor articular com rigidez ao movimentoAvaliar a articulação; urgência se calor, vermelhidão e febre
Referida cardíaca / sistêmicaBraço esquerdo ao esforço com sintomas no peito; dor noturna progressivaUrgência para afastar causa cardíaca; investigação se sistêmica
Em uma frase

Dor no cotovelo que piora ao esticar o braço é tendão; dor no meio do braço que se reproduz à pressão é músculo; dor que desce do pescoço com formigamento na mão é nervo. Quando há dúvida, o exame físico decide.

Sinais de alerta

A dor no tríceps é, na grande maioria das vezes, benigna e de origem musculoesquelética. Alguns sinais, porém, indicam que a avaliação não deve esperar, porque apontam para causas que mudam a conduta. Procure atendimento sem demora se notar qualquer um destes:

Sinais de alerta · não espere

Procure avaliação sem demora se houver

  • Fraqueza progressiva para estender o cotovelo ou para a pega da mão, sobretudo se afeta tarefas do dia a dia.
  • Dormência ou formigamento persistente na mão e nos dedos, que sugere comprometimento de raiz nervosa.
  • Dor súbita e intensa com um “estalo” durante esforço, com perda de força para esticar o braço (suspeita de ruptura do tendão do tríceps).
  • Dor no braço esquerdo associada a aperto no peito, falta de ar ou suor frio, sobretudo ao esforço, que exige descartar causa cardíaca de imediato.
  • Inchaço, vermelhidão e calor sobre o cotovelo, com ou sem febre, sugerindo processo inflamatório ou infeccioso (bursite, artrite).
  • Dor que não alivia com repouso, acorda à noite, ou vem com perda de peso e história de câncer.

Esses sinais são exceção, não a regra, mas precisam ser ativamente procurados. A dor no braço esquerdo merece atenção especial: embora a causa mais frequente seja musculoesquelética, dor que aparece ao esforço e vem acompanhada de sintomas no peito deve ser avaliada com urgência para afastar origem cardíaca. Na ausência dessas bandeiras, a dor no tríceps costuma responder bem ao tratamento conservador ao longo de algumas semanas.

Como a dor no tríceps é avaliada

A avaliação é clínica e começa pela pergunta que separa as causas: a palpação reproduz a dor? O exame busca a banda tensa no ventre do tríceps e o ponto-gatilho que, ao ser comprimido, reacende a queixa conhecida; pressiona a inserção no olécrano, dolorosa na tendinopatia; e testa a extensão do cotovelo contra resistência, que reproduz a dor tendínea e mede a força do tríceps, reduzida na lesão da raiz C7. Em seguida olha-se o que está fora do músculo: força de preensão, sensibilidade nos dermátomos cervicais e o reflexo tricipital, mais a manobra de Spurling (extensão e rotação do pescoço com leve compressão), que reproduz a dor radicular quando há raiz irritada. Inchaço sobre o olécrano levanta bursite; arco doloroso ao elevar o braço aponta para o ombro.

Na dor miofascial típica, com banda tensa que reproduz a queixa e exame neurológico normal, não é preciso imagem: ela não mostra o ponto-gatilho e raramente muda a conduta. A imagem entra de forma seletiva: ultrassonografia para confirmar e graduar a tendinopatia ou avaliar suspeita de ruptura do tendão; ressonância da cervical diante de déficit neurológico ou dor radicular que não cede, sempre interpretada junto ao quadro clínico, porque achados degenerativos são comuns e nem sempre explicam a dor; e investigação clínica e laboratorial diante de dor noturna progressiva, febre ou história de câncer. Suspeita de origem cardíaca segue para urgência, não para imagem do braço.

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O tratamento depende da causa

O princípio é tratar a causa, não a região. Definido o grupo pelo padrão e pelo exame, o tratamento toma rumos diferentes. Causa musculoesquelética (ponto-gatilho, tendinopatia, sobrecarga), a grande maioria, é o foco da clínica e responde a tratamento conservador e individualizado. Causa neuropática, uma raiz cervical comprimida, trata o nervo e a fonte da compressão. Causa vascular ou sistêmica, cardíaca ou inflamatória, não é dor muscular: o papel aqui é reconhecer e encaminhar.

Causa musculoesquelética: reabilitação, agulhamento seco e ondas de choque

A base é sempre ativa.

Reabilitação com cinesioterapia

Ajusta a carga (reduzir o gesto que dói sem parar tudo) e progride o fortalecimento do tríceps, com ênfase no trabalho excêntrico na tendinopatia: a carga controlada atua por mecanotransdução, estimulando os tenócitos a remodelar o colágeno e a tolerar mais carga. Começa por isométricos, que costumam analgesiar, e avança para excêntricos, sempre dentro de uma dor tolerável e com estabilização escapulotorácica, porque um ombro mal controlado sobrecarrega o braço.

base ativa

Agulhamento seco

Quando o ponto-gatilho miofascial domina, insere uma agulha fina na banda tensa (com frequência na cabeça longa ou medial) buscando a resposta de contração local, o twitch que sinaliza acerto e se associa à queda da atividade da placa motora; a punção é segura na parte de trás do braço, longe do plano torácico, poupando o nervo radial no sulco espiral pela técnica.

ponto-gatilho

Infiltração de ponto-gatilho

Com anestésico local, trata o ponto resistente.

ponto resistente

Acupuntura e eletroacupuntura

Ajudam quando há mais de uma fonte, somando o componente miofascial do braço ao segmento cervical C7 e C8, e poupam medicação.

multifonte

Ondas de choque

Entram como adjuvante na tendinopatia que não cede só ao exercício.

adjuvante

O atendimento é individual, um paciente por sala, e mantido após o alívio para reduzir recorrência.

Causa neuropática, sistêmica e o papel da medicação

Quando a dor é referida de uma raiz cervical comprimida (C7 ou C8), o tratamento mira o nervo: reabilitação cervical com fortalecimento dos flexores profundos do pescoço e estabilização escapulotorácica, controle da dor neuropática com classes específicas (antidepressivos como amitriptilina, nortriptilina ou duloxetina, e gabapentinoides como gabapentina ou pregabalina, sempre com indicação, dose e prazo definidos pelo médico) e, em déficit progressivo ou falha do conservador, avaliação com especialista de coluna. O raciocínio completo está no guia de dor no pescoço. Causas vasculares e sistêmicas, cardíaca ou inflamatória, saem do escopo muscular e seguem para urgência ou investigação dirigida.

A cirurgia é exceção e não trata a dor miofascial nem a tendinopatia: a indicação prática é a ruptura completa do tendão distal (estalo com perda de força para estender o braço), que o ortopedista de cotovelo costuma reparar, e a radiculopatia com déficit neurológico progressivo que não responde ao conservador. Nesses cenários, o papel do cuidado de base é reconhecer o sinal de alerta e encaminhar no tempo certo, mantendo a reabilitação como eixo antes e depois.

Na dor musculoesquelética, a medicação tem papel adjuvante e com prazo: analgésicos simples (paracetamol, dipirona) e anti-inflamatórios em curso curto na fase aguda, com a ressalva de que, na tendinopatia, o anti-inflamatório alivia o sintoma mas não muda o curso, e o uso prolongado não se justifica. Nenhum remédio desativa o ponto-gatilho nem remodela o tendão: o medicamento sustenta o tratamento ativo, não o substitui. Medimos a intensidade da dor numa escala de 0 a 10, a força de extensão e a tolerância à carga; se a melhora estaciona em torno de seis semanas, revê-se o diagnóstico (inclusive a hipótese cervical) antes de repetir a mesma técnica. A meta é reduzir a dor a um nível que não limite a vida e devolver função ao braço.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Como aliviar a dor no tríceps?

O alívio começa por ajustar a carga, reduzindo temporariamente o gesto que dói sem parar de se movimentar, e por exercício progressivo, com ênfase no trabalho excêntrico quando há tendinopatia. A esse pilar somam-se, conforme a causa, agulhamento seco e infiltração de ponto-gatilho na dor miofascial, ondas de choque ou laser na tendinopatia, e acupuntura. A medicação tem papel adjuvante e é orientada pelo médico. O alívio que dura é o que trata a causa, e ela difere entre os quadros.

Tendinite no tríceps tem cura?

A tendinopatia do tríceps costuma responder bem ao tratamento conservador, com carga progressiva e exercício excêntrico como base, somados a recursos como ondas de choque quando necessário. A maioria das pessoas recupera a função do braço sem cirurgia; a evolução depende da adesão ao programa e da correção dos fatores de sobrecarga. O objetivo é o controle dos sintomas e a recuperação da função, e o plano é reavaliado ao longo do tratamento.

Dor no braço esquerdo é tendinite ou problema no coração?

Na maioria das vezes, a dor no braço esquerdo tem causa musculoesquelética, como tendinopatia, ponto-gatilho miofascial ou dor referida do pescoço. Porém, dor que surge ao esforço e vem acompanhada de aperto no peito, falta de ar ou suor frio precisa ser avaliada com urgência para afastar origem cardíaca. A dor musculoesquelética costuma piorar ao mexer o braço e à palpação; a cardíaca costuma relacionar-se ao esforço e a sintomas no peito. Na dúvida, procure atendimento imediato.

Por que sinto o braço pesado e doendo?

A sensação de braço pesado e doendo costuma vir de pontos-gatilho miofasciais no tríceps e nos músculos do ombro, que geram dor profunda em peso, ou de dor referida da coluna cervical, quando há irritação de uma raiz nervosa (C6 a C8). Nesse segundo caso, é comum haver também formigamento ou dormência na mão. O exame clínico diferencia as duas situações e define se o foco do tratamento é o braço ou o pescoço.

Posso continuar treinando com dor no tríceps?

Em geral não é preciso parar tudo, mas sim ajustar. Na tendinopatia, mantém-se a atividade dentro de uma dor tolerável, reduz-se temporariamente o gesto que provoca a dor (como paralelas ou tríceps com carga alta) e investe-se no fortalecimento progressivo. Continuar treinando pesado por cima da dor tende a perpetuar o quadro. Um profissional ajusta carga, volume e técnica ao seu caso, e a progressão é gradual.

Quanto tempo demora para a dor no tríceps melhorar?

Varia conforme a causa e a duração do problema. A dor miofascial e a sobrecarga recente costumam responder em algumas semanas. A tendinopatia instalada pode levar de semanas a poucos meses de carga progressiva. Quando a dor é referida do pescoço, o tempo depende do tratamento da fonte cervical. A evolução não é linear, e o plano é reavaliado por volta de seis semanas se a resposta não for a esperada.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Yoon SY, Kim YW, Shin IS, Kang S, Moon HI, Lee SC. The Beneficial Effects of Eccentric Exercise in the Management of Lateral Elbow Tendinopathy: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med. 2021;10(17):3968. doi:10.3390/jcm10173968. acessar
  2. Majidi et al. Terapia de ondas de choque reduz significativamente a dor em diferentes tipos de tendinopatia. BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation. 2024. ver resumo
  3. Kietrys et al. Eficácia do agulhamento seco para dor miofascial da região superior: revisão sistemática. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 2013. ver resumo
  4. Dedes et al. Terapia por ondas de choque reduz dor e melhora função em tendinopatias. Materia Socio-Medica. 2018. ver resumo
  5. Giai Via A, Oliva F, Padulo J, Oliva G, Maffulli N. Insertional calcific tendinopathy of the triceps brachii tendon: a case report and review of the literature. Muscles Ligaments Tendons J. 2017;7(2):349-355. doi:10.11138/mltj/2017.7.2.349. acessar
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Atualizado em 31 mai 2026 Leitura 6 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual.

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