Dor no romboide
A dor no romboide, aquela fisgada entre as escápulas, quase sempre é síndrome miofascial dos romboides e do trapézio médio, não lesão da coluna. Veja o padrão de dor, como diferenciar da dor cervical e de costela e o tratamento.
- A dor no romboide costuma ser miofascial: pontos-gatilho nos romboides e no trapézio médio, disparados por postura e sobrecarga, e não desgaste da coluna.
- O padrão é uma dor em queimação ou peso entre a coluna e a borda interna da escápula, que piora ao fim do dia sentado e ao manter os braços à frente.
- O tratamento é multimodal e não-cirúrgico: agulhamento seco e infiltração do ponto-gatilho, acupuntura e eletroacupuntura, e reabilitação postural como base.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.
O que é a dor no romboide
Os romboides, maior e menor, são dois músculos chatos que vão das vértebras da base do pescoço e do alto do dorso até a borda interna da escápula. A função deles é retrair e estabilizar a escápula contra a parede do tórax. Quando ficam sobrecarregados, desenvolvem o quadro que o paciente descreve como “dor no romboide” ou dor entre as escápulas.
Trabalham em par com o trapézio médio, que ocupa a mesma região e cumpre função semelhante de aproximar as escápulas da coluna. Por isso, na prática clínica, dor no romboide e dor no trapézio médio costumam vir juntas e formar uma só queixa no meio das costas. Por baixo, ainda há o serrátil posterior superior e os músculos que se inserem nas costelas, o que ajuda a explicar por que essa dor às vezes confunde com algo torácico ou pulmonar.
Entre os romboides e o serrátil posterior superior há um plano de deslizamento cuja perda produz o peso interescapular característico, e a hidrodissecção miofascial trata essa interface sob ultrassom.
O mecanismo central é a síndrome dolorosa miofascial. Sob sobrecarga sustentada, surgem no músculo bandas tensas palpáveis e, dentro delas, os pontos-gatilho: pequenas zonas hiperirritáveis que doem à pressão e referem dor para longe. No romboide e no trapézio médio, o ponto-gatilho refere uma dor superficial, em queimação, ao longo da borda interna da escápula, exatamente a área que o paciente aponta com o dedo. Não é o disco, não é a vértebra: é o músculo que sustenta a postura por horas seguidas.
Vale esclarecer o termo “tendinite romboide“, que muita gente pesquisa. O romboide tem uma inserção muscular larga na escápula, não um tendão longo isolado como o de aquiles ou o do supraespinhal, então tendinite no sentido clássico é incomum ali. O que se sente como “tendinite romboide” quase sempre é, na verdade, esse quadro miofascial de banda tensa e ponto-gatilho, ou uma sobrecarga da inserção (entesopatia) por mau posicionamento da escápula. O rótulo muda, o gerador da dor e o tratamento não.
Por que dói: postura e sobrecarga
O romboide e o trapézio médio são músculos de resistência, feitos para sustentar a escápula em postura por longos períodos, não para gerar grande força. É justamente por isso que eles sofrem com o trabalho moderno. A postura à frente do computador, com a cabeça projetada e os ombros enrolados para a frente, alonga e mantém esses músculos sob tensão constante: eles trabalham em desvantagem mecânica para reter as escápulas que tendem a deslizar para os lados. Horas nessa posição, dia após dia, são o gatilho número um da dor romboide.
Há um desequilíbrio clássico por trás disso, às vezes chamado de síndrome cruzada superior. O peitoral e a musculatura anterior do tórax ficam encurtados, enquanto os retratores da escápula (romboides e trapézio médio) ficam alongados e fracos. O resultado é a escápula mal posicionada, “alada” ou rodada, e a sobrecarga recai sobre os romboides, que tentam compensar. Some-se a isso o uso prolongado do celular com a cabeça baixa, dormir em posição que torce o tronco, carregar bolsa pesada de um lado só e o estresse, que aumenta o tônus do trapézio, e o terreno para o ponto-gatilho está formado.
Gestos repetitivos também contam. Remar, puxar cargas, trabalhos manuais acima da linha do ombro ou esportes com movimento repetido de retração escapular podem sobrecarregar o romboide de forma aguda. Nesses casos a dor tende a aparecer ligada à atividade. No dia a dia do consultório, porém, o cenário mais comum é o postural e cumulativo: a dor que se instala devagar em quem passa o dia sentado.
“Dor forte entre as escápulas significa que tem algo errado com a minha coluna ou com o coração.”
Na maioria dos casos é dor miofascial dos romboides e do trapézio médio por postura e sobrecarga. Causas graves existem, mas têm sinais próprios que o médico investiga, descritos mais adiante.
O padrão de dor e o ponto-gatilho
A dor romboide tem uma assinatura clínica reconhecível. Costuma ser uma queimação superficial ou um peso entre a coluna e a borda interna da escápula, de um lado (com frequência o lado dominante) ou dos dois. Muita gente descreve como “um nó”, um ponto que pede para ser pressionado ou massageado. Tende a piorar ao fim do dia, depois de horas sentado, e a aliviar ao mudar de posição, alongar os ombros para trás ou deitar.
No exame, a palpação reproduz a queixa. Encontra-se a banda tensa correndo na direção das fibras do músculo e, dentro dela, o ponto-gatilho que, ao ser comprimido, devolve a dor familiar referida para a área da escápula. Às vezes é possível sentir a resposta de contração local, um pequeno solavanco do músculo quando o ponto é estimulado, um sinal clássico do gatilho miofascial. Em alguns casos a dor referida sobe um pouco para o ombro ou para a base do pescoço, pela superposição com o trapézio.
Algumas pistas ajudam a confirmar que a origem é muscular e postural. A dor não desce pelo braço em trajeto de nervo, não há formigamento nem fraqueza na mão, e ela varia com a postura e o uso, não com a respiração profunda de forma intensa. Reconhecer esse padrão é o que separa um tratamento eficaz de meses de analgésico sem foco.
- Onde. Entre a coluna e a borda interna da escápula, no meio das costas.
- Como. Queimação superficial ou peso, com sensação de “nó” que pede pressão.
- Quando piora. Ao fim do dia sentado, com ombros à frente e braços projetados.
- Reproduz à palpação. A pressão sobre o ponto-gatilho devolve a dor referida.
Se a dor entre as escápulas piora ao fim do expediente, melhora ao alongar os ombros para trás e reaparece quando você comprime aquele ponto, ela tem cara de dor miofascial dos romboides, não de problema na coluna.
Diagnóstico diferencial
Embora a causa mais comum seja miofascial, a dor entre as escápulas pode ter outros geradores, e parte do trabalho médico é justamente afastá-los. Dois diferenciais merecem destaque porque imitam o quadro: a dor cervical referida e a dor de origem na costela.
A coluna cervical baixa, em especial as raízes de C7 e C8 e as articulações facetárias do pescoço, pode referir dor para a região interescapular, o que confunde com dor romboide. A diferença está nos sinais de comprometimento do nervo: dor que desce pelo braço seguindo um trajeto, formigamento, dormência ou fraqueza na mão apontam para a coluna cervical, não para o músculo. Por isso, em toda dor entre as escápulas, o exame do pescoço faz parte da avaliação. O tema é aprofundado no guia sobre dor no pescoço e quando se preocupar.
A costela e suas articulações com a coluna (articulações costovertebrais e costotransversais) também geram dor nessa região, em especial a disfunção costovertebral, que dá uma dor mais profunda, às vezes em pontada, que piora com a respiração profunda, a tosse ou a rotação do tronco. A dor miofascial pura tende a não variar tanto com a respiração. Outras possibilidades incluem a articulação facetária torácica, alterações posturais estruturais como a escoliose, e, mais raramente, causas que não vêm dos músculos nem da coluna.
| Origem | Padrão típico | Pista que diferencia |
|---|---|---|
| Miofascial (romboides / trapézio médio) | Queimação ou peso na borda interna da escápula | Banda tensa e ponto-gatilho à palpação; piora com a postura mantida |
| Cervical referida (C7, C8, faceta cervical) | Dor interescapular que pode descer para o braço | Formigamento, dormência ou fraqueza na mão; piora com o movimento do pescoço |
| Costela / disfunção costovertebral | Dor profunda, em pontada, junto à coluna torácica | Piora com respiração funda, tosse e rotação do tronco |
| Faceta torácica | Dor localizada paravertebral no dorso | Piora ao estender e girar o tronco; reproduzida à pressão sobre a articulação |
| Causas não musculoesqueléticas | Dor que não muda com postura ou movimento | Sinais de alerta associados (ver «Sinais de alerta»); exige avaliação dirigida |
Esses geradores não são excludentes e com frequência coexistem: uma sobrecarga postural pode irritar ao mesmo tempo o músculo, a faceta e a costela. Por isso a avaliação é clínica e integra história e exame, e a imagem (radiografia ou ressonância) só entra quando há suspeita de causa estrutural ou sinal de alerta, não de rotina para dor muscular típica.
Sinais de alerta
A grande maioria das dores no romboide é benigna e muscular. Ainda assim, alguns cenários pedem avaliação sem demora, porque a dor entre as escápulas pode, em situações específicas, ser a forma de apresentação de problemas que não vêm dos músculos. Procure atendimento se notar qualquer um destes sinais:
Procure avaliação sem demora se houver
- Dor no peito, falta de ar, sudorese ou dor que irradia para o braço esquerdo ou para a mandíbula, sobretudo aos esforços.
- Dor entre as escápulas que aparece de forma súbita e muito intensa, em quem tem fatores de risco vascular.
- Formigamento, dormência ou fraqueza progressiva nos braços ou nas pernas, ou alteração para urinar e evacuar.
- Febre, perda de peso sem explicação, suor noturno ou história de câncer.
- Dor que não muda com a postura nem com o movimento, acorda à noite e não alivia com o repouso.
- Dor após trauma significativo, ou em pessoa imunossuprimida ou em uso de corticoide.
Esses itens não servem para alarmar, mas para orientar. A dor torácica com características cardíacas e a dor súbita e intensa com risco vascular precisam de avaliação de urgência; déficit neurológico progressivo, febre, perda de peso ou história de câncer pedem investigação dirigida. Na ausência desses sinais, a dor entre as escápulas que varia com a postura e reproduz à palpação tem altíssima probabilidade de ser miofascial e responde bem ao tratamento conservador.
Tratamento da dor no romboide
O tratamento da dor romboide é multimodal, não-cirúrgico e individualizado. O objetivo é duplo: desativar os pontos-gatilho que doem agora e corrigir a sobrecarga postural que os criou, para que não voltem. A base é ativa, com reabilitação e correção postural; as técnicas em clínica se somam a ela para acelerar o alívio e quebrar o ciclo dor-espasmo-dor. Nenhuma modalidade isolada resolve um problema postural: é a combinação, ajustada à resposta de cada pessoa, que sustenta o resultado.
Reabilitação postural e exercício
Base do plano: alongar a cadeia anterior encurtada e fortalecer os retratores da escápula (romboides e trapézio médio).
Agulhamento seco
Agulha fina no ponto-gatilho da banda tensa, buscando a resposta de contração local entre coluna torácica e escápula.
Infiltração de ponto-gatilho
Anestésico local (ou soro) no ponto resistente; rompe o ciclo dor-espasmo-dor e abre janela para reabilitar.
Acupuntura e eletroacupuntura
Modula a dor por vias segmentares e inibitórias descendentes; útil quando a tensão sobe pelo trapézio até o pescoço.
Toxina botulínica
Recurso pontual para casos refratários com forte espasmo; não é primeira linha na dor romboide comum.
Educação e ajuste postural
Reorganizar o posto de trabalho, fazer pausas, reduzir a cabeça projetada e os ombros enrolados; manter-se ativo.
Controle inicial
Desativar os pontos-gatilho mais dolorosos, ajustar o posto de trabalho e iniciar mobilidade suave dos ombros e do dorso.
Progressão
Fortalecimento dos retratores da escápula e técnicas em clínica; a dor costuma começar a ceder em intensidade.
Reavaliação
Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico (cervical, costela) e consideram-se outras opções.
A meta é reduzir a dor a um nível que não limite a rotina e devolver à cintura escapular o controle e a resistência para tolerar o dia sentado. Se por volta da quarta a sexta semana a banda continua reformando o ponto na mesma intensidade, refaz-se o raciocínio: confere-se se o pescoço não está mandando uma dor referida que se disfarça de romboide, se não há uma costela travada por trás, e se o fortalecimento escapular de fato saiu do papel, porque agulhar de novo um músculo que volta a ser puxado por uma escápula fraca é insistir no efeito sem mexer na causa.
A maior parte dos textos trata o romboide como um músculo que precisa ser alongado, e sai receitando alongamento de “abraçar o próprio corpo” para a região entre as escápulas. Na dor romboide postural isso costuma ser o conselho errado. O romboide já está cronicamente alongado e fraco por causa dos ombros enrolados; insistir em alongá-lo ainda mais alivia por minutos e perpetua o problema. O que de fato muda o quadro é encurtar e fortalecer o romboide e o trapézio médio puxando as escápulas para trás, e reservar o alongamento para o peitoral e a frente do tórax, que são os tecidos verdadeiramente encurtados.
Tratamento não farmacológico: RPG, Pilates e fisioterapia
As técnicas de agulha desativam o ponto-gatilho que dói agora; é a reabilitação ativa que sustenta o resultado e impede que o romboide reforme o ponto. RPG, Pilates clínico, cinesioterapia e terapia manual não competem com o agulhamento e a acupuntura: dão a eles força, controle motor e a correção postural que retira a sobrecarga. São abordagens conduzidas dentro da clínica, sempre individuais, um paciente por sala, e desenham o programa que mantém a cintura escapular apta a tolerar o dia sentado.
A lógica é comum a todas: o romboide e o trapézio médio reformam o ponto-gatilho porque seguem alongados, fracos e mal controlados diante de uma escápula mal posicionada. Devolver força, controle e posicionamento à escápula, e encurtar a cadeia anterior que enrola os ombros para a frente, é o que retira o terreno onde o ponto se reinstala. Por isso a progressão importa mais do que a intensidade, e o programa é mantido depois do alívio, justamente para reduzir recorrências.
Reeducação postural global (RPG)
Trabalha o corpo por cadeias musculares, com posturas de alongamento ativo mantidas e progressivas. Por meio de contração isométrica de caráter excêntrico, reduz o encurtamento da cadeia anterior do tórax e dos peitorais, normaliza o tônus e reorganiza a postura da cintura escapular, aliviando a tração que reativa os pontos-gatilho dos romboides e do trapézio médio. Limitações: não substitui o fortalecimento progressivo dos retratores nem as técnicas que desativam o ponto; posturas mantidas em excesso podem incomodar no início, o que se ajusta com a dose.
Pilates clínico
Exercício terapêutico de baixo impacto centrado em controle motor e estabilização do tronco e da escápula, adaptado por fisioterapeuta. Trabalha músculos profundos do tronco, coordenação entre respiração e movimento e a estabilização escapulotorácica, reduzindo a sobrecarga sobre trapézio e elevador da escápula. Limitações: precisa ser clínico e individualizado; carga avançada cedo demais provoca piora e abandono.
Cinesioterapia e fisioterapia
A reabilitação ativa propriamente dita: alongamento da musculatura anterior encurtada e fortalecimento progressivo dos retratores da escápula (romboides, trapézio médio e inferior, serrátil anterior), com baixa carga e alta repetição e treino de controle motor. Uma escápula mais forte e bem posicionada deixa de reformar pontos-gatilho. É o pilar mais bem sustentado. Limitações: o resultado depende de continuidade; terapias puramente passivas não sustentam o ganho.
Terapia manual como adjuvante
Mobilização de tecidos moles, liberação miofascial e mobilização da coluna torácica sobre a banda tensa e a fáscia interescapular. A pressão sustentada reduz a tensão local, melhora a mobilidade do tecido e dessensibiliza a área, criando janela de conforto para avançar a reabilitação ativa. Limitações: efeito de curto prazo e passageiro se não vier acompanhada de exercício ativo; não é tratamento isolado.
O fio condutor é claro: na dor romboide, o movimento supervisionado e graduado é tratamento, e a melhor reabilitação é a que o paciente consegue manter. A escolha entre RPG, Pilates ou cinesioterapia depende do perfil, da preferência e da tolerância de cada pessoa, e com frequência se combinam ao longo do tempo.
Tratamento cirúrgico e opções fora da clínica
O que não faz parte do tratamento da dor romboide e o que, em situações específicas, é conduzido por outros especialistas fora da nossa clínica. Delimitar essa fronteira evita procedimentos desnecessários e direciona o paciente para o cuidado certo quando ele é preciso.
Conservador · regra
Dor miofascial do romboide
- A dor nasce na placa motora e no músculo, em pontos-gatilho dentro de bandas tensas.
- Não há lesão estrutural a operar: nem disco, nem nervo comprimido, nem tecido a ressecar.
- Caminho que muda o curso: tratamento dirigido ao ponto-gatilho somado à reabilitação ativa.
Cirúrgico · não se aplica
Por que não operar
- A dor miofascial do romboide não tem tratamento cirúrgico.
- Operar dor de origem miofascial não resolve e pode piorar: o trauma cirúrgico é mais um estímulo nociceptivo sobre um músculo já sensibilizado, com risco de novos pontos-gatilho na cicatriz.
- Qualquer indicação cirúrgica diante de dor puramente miofascial deve ser vista com muita reserva.
O cuidado decisivo é outro: investigar uma causa subjacente quando a dor entre as escápulas não se comporta como dor miofascial típica. A dor interescapular pode ser referida por estruturas que não são o músculo, e é a causa de base, não o ponto-gatilho, que eventualmente exige tratamento de outro especialista. Se a dor segue o trajeto de um nervo, há déficit neurológico, surge dor referida de origem visceral ou cardíaca, ou aparecem sinais de alerta, a investigação por imagem e o encaminhamento mudam a conduta. Essas opções não são realizadas em nossa clínica e fazem parte do mapa de cuidado quando a causa de base as exige.
| Quando considerar | Conduta / especialista | O que esperar |
|---|---|---|
| Dor que irradia pelo trajeto de um nervo, com dormência, formigamento ou fraqueza na mão (suspeita de radiculopatia cervical ou torácica) | Investigação por imagem; avaliação de coluna (ortopedia / neurocirurgia) | Afastar hérnia ou compressão radicular cervical/torácica; o ponto-gatilho pode ser reativo à doença de base, que é o alvo de eventual tratamento |
| Dor torácica, falta de ar, sudorese ou irradiação para o braço esquerdo ou a mandíbula, sobretudo aos esforços | Atendimento de urgência / cardiologia | Afastar causa cardíaca de dor referida ao dorso antes de atribuir a dor ao músculo |
| Dor profunda persistente que piora com a respiração, suspeita de causa visceral ou pleuropulmonar | Avaliação clínica dirigida (clínica médica / pneumologia) | Investigar dor referida de víscera torácica ou abdominal alta; a dor miofascial varia com a postura, não com a respiração |
| Febre, perda de peso, suor noturno ou história de câncer com dor que não muda com a postura | Investigação dirigida (oncologia conforme o caso) | Afastar causa sistêmica ou neoplásica; ajusta o diagnóstico, não opera a dor miofascial |
Vale a contrapartida: não há indicação, na dor romboide, para procedimentos invasivos com promessa de cura, implantes ou cirurgias para a dor muscular. A literatura não os sustenta e eles expõem o paciente a risco sem benefício. O caminho que muda o curso do quadro continua sendo o tratamento dirigido ao ponto-gatilho somado à reabilitação ativa, com o encaminhamento a outros especialistas reservado para confirmar diagnósticos ou tratar uma causa subjacente quando ela existe.
Tratamento medicamentoso
Os medicamentos têm papel adjuvante na dor romboide, não de base. O tratamento é sobretudo manual e fisioterápico; os fármacos servem para abrir uma janela de alívio que permita avançar a reabilitação, e nunca substituem o exercício e a correção postural. São usados por períodos curtos e definidos, em dose individualizada, e a escolha depende da fase e do perfil de cada pessoa.
| Classe | Para quê | Evidência | O que esperar / cuidados |
|---|---|---|---|
| Analgésicos simples e anti-inflamatórios (paracetamol, dipirona; ibuprofeno, naproxeno) | Controlar a dor na fase aguda; anti-inflamatórios quando há componente de sobrecarga inflamatória | Limitada | Efeito sobre o ponto-gatilho em si é limitado, porque ele não é inflamação clássica. Anti-inflamatórios pedem cautela em uso prolongado pelos riscos gástrico, renal e cardiovascular. Períodos curtos. |
| Relaxantes musculares (ciclobenzaprina) | Rigidez e sono, por curtos períodos e sobretudo à noite | Limitada | Causa sonolência e não trata a causa; não é base do tratamento. Adjuvante pontual, não solução. |
| Antidepressivos tricíclicos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina) | Dor que cronifica ou atrapalha o sono; têm efeito analgésico próprio em dose abaixo da antidepressiva | Moderada | Atenção a boca seca, constipação, sonolência; cuidados em idosos e em quem tem alterações de condução cardíaca. |
| Duloxetina (IRSN) | Componente crônico ou mais difuso; reforça as vias inibitórias descendentes da dor | Moderada | Vigiar náusea no início, boca seca, alteração do sono; não suspender de forma abrupta. |
Um ponto firme: os opioides não têm lugar na dor romboide comum, por não tratarem o mecanismo e trazerem riscos de tolerância e dependência que não compensam. Quando o manejo medicamentoso se torna mais complexo, ou quando há componente importante de humor, ansiedade ou sono, a prescrição pode ser compartilhada com a psiquiatria, em trabalho conjunto com a equipe de dor.
Referência reconhecida em dor
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).
Perguntas frequentes
O que causa dor no romboide?
Na maioria das vezes, sobrecarga postural. Os romboides e o trapézio médio seguram a escápula por horas em quem trabalha sentado com a cabeça projetada e os ombros enrolados. Sob essa tensão constante surgem bandas tensas e pontos-gatilho, que doem entre a coluna e a borda interna da escápula. Gestos repetitivos de puxar ou remar também podem disparar o quadro.
Tendinite romboide existe?
O termo é muito usado, mas o romboide tem uma inserção muscular larga, não um tendão longo isolado, então tendinite no sentido clássico é incomum ali. O que se sente como “tendinite romboide” quase sempre é dor miofascial (banda tensa e ponto-gatilho) ou sobrecarga da inserção por mau posicionamento da escápula. O tratamento é o mesmo da dor miofascial.
Como diferenciar dor no romboide de problema na coluna cervical?
A dor miofascial do romboide é superficial, varia com a postura e reproduz quando se comprime o ponto-gatilho. A dor de origem cervical costuma descer pelo braço em trajeto de nervo e vir com formigamento, dormência ou fraqueza na mão, e piora com o movimento do pescoço. Por isso o exame do pescoço faz parte da avaliação. Veja o guia sobre dor no pescoço.
Dor entre as escápulas pode ser do coração ou do pulmão?
Pode, em situações específicas, e por isso existem os sinais de alerta. Dor no peito, falta de ar, suor frio ou dor que irradia para o braço esquerdo ou para a mandíbula, sobretudo aos esforços, pedem avaliação de urgência. A dor que piora com a respiração funda pode vir da costela. Já a dor que varia com a postura e reproduz à palpação tem cara de muscular.
Quanto tempo leva para a dor no romboide melhorar?
Varia entre pessoas. Com técnicas em clínica, parte do alívio pode vir já nas primeiras sessões, mas a correção do problema postural que gera a dor costuma levar algumas semanas de reabilitação consistente. A evolução não é linear, e manter o exercício depois do alívio é o que reduz a recorrência.
O agulhamento seco entre as escápulas é seguro?
Feito por médico com treinamento, sim. A região exige cuidado anatômico porque o pulmão fica logo abaixo, e por isso a técnica não deve ser improvisada. Os efeitos esperados são uma dor leve no local por um a dois dias e, eventualmente, uma pequena equimose. Há cautela em pessoas anticoaguladas, avaliada caso a caso.
Dor no romboide tem cirurgia?
Não. A dor miofascial do romboide não tem tratamento cirúrgico, porque a dor nasce no músculo e no ponto-gatilho, e não há lesão estrutural a operar. A cirurgia entra apenas quando se identifica uma causa subjacente que a exige, como uma compressão de raiz nervosa cervical ou torácica, e aí o alvo é a doença de base, não o músculo. Na ausência disso, o caminho é o tratamento conservador dirigido ao ponto-gatilho somado à reabilitação.
Preciso tomar remédio para a dor no romboide?
Nem sempre. O tratamento é sobretudo manual e fisioterápico; os medicamentos têm papel adjuvante. Analgésicos e anti-inflamatórios por períodos curtos ajudam na fase de dor, e os relaxantes musculares têm papel limitado e causam sonolência. Em quadros que cronificam, antidepressivos em dose baixa podem ajudar. A indicação, a dose e a duração são definidas pelo médico, porque o uso prolongado de anti-inflamatórios tem riscos gástrico, renal e cardiovascular.
Referências7 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Kietrys et al. Eficácia do agulhamento seco para dor miofascial da região superior: revisão sistemática. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 2013. ver resumo
- Lew et al. Agulhamento seco vs terapia manual em pontos-gatilho para dor miofascial do pescoço: ambas técnicas são eficazes. Journal of Manual & Manipulative Therapy. 2021. ver resumo
- Ong J, Claydon LS. The effect of dry needling for myofascial trigger points in the neck and shoulders: a systematic review and meta-analysis. J Bodyw Mov Ther. 2014;18(3):390 a 398. acessar
- Hamzoian H, Zograbyan V. Trigger point injections versus medical management for acute myofascial pain: a systematic review and meta-analysis. Cureus. 2023;15(8):e43424. acessar
- Kibler WB, Ludewig PM, McClure PW, Michener LA, Bak K, Sciascia AD. Clinical implications of scapular dyskinesis in shoulder injury: the 2013 consensus statement from the ‘Scapular Summit’. Br J Sports Med. 2013;47(14):877 a 885. acessar
- Yamato TP, Maher CG, Saragiotto BT, Hancock MJ, Ostelo RWJG, Cabral CMN, et al. Pilates for low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2015;(7):CD010265. acessar
- Pergolizzi JV, Raffa RB, Taylor R, Rodriguez G, Nalamachu S, Langley P. A review of duloxetine 60 mg once-daily dosing for the management of chronic musculoskeletal pain. Pain Pract. 2013;13(3):239 a 252. acessar
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Quanto a dor entre as escápulas responde, em quantas sessões e com quais técnicas depende do seu padrão postural, da força da sua escápula e dos diferenciais afastados no exame, então o plano só ganha forma depois de uma consulta individualizada.
