Dorflex / Miorrelax: composição, para que serve e por que dá sono
Dorflex e Miorrelax costumam dar sono pelo relaxante muscular de ação central, e servem só para alívio curto de dor com contratura, sem tratar a causa. Veja a composição, as interações que importam e o tratamento.
- Dá sono, sim. O componente relaxante muscular de ação central é a orfenadrina, que atua no sistema nervoso central e costuma causar sonolência, tontura e boca seca. A cafeína da associação reduz um pouco esse efeito, mas não o anula.
- Para que serve. Alívio de curta duração de dores musculares acompanhadas de contratura ou espasmo, como torcicolo, lombalgia aguda e dor cervical tensional. É um analgésico-miorrelaxante combinado, de uso pontual.
- O que não faz. Não corrige a causa da dor (postura, sobrecarga, ponto-gatilho, hérnia). Usado por conta própria e por tempo prolongado, mascara o problema e expõe a efeitos adversos.
- Quem deve evitar ou ter cautela: alérgicos à dipirona, glaucoma, retenção urinária e problemas de próstata, idosos, quem vai dirigir e quem consome álcool. Dor que não melhora pede avaliação.
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O que são e para que serve o Miorrelax e o Dorflex
São associações em dose fixa que reúnem, num único comprimido, um relaxante muscular de ação central, um analgésico e cafeína. A proposta é tratar ao mesmo tempo a dor e a contratura muscular que costuma acompanhá-la, em quadros agudos e por tempo curto.
Na prática do consultório, as perguntas “Miorrelax para que serve” e “para que serve Miorrelax” têm uma resposta objetiva: alívio sintomático de dores musculoesqueléticas em que existe um componente de espasmo ou contratura. O torcicolo agudo, a lombalgia que “trava” as costas, a dor cervical de quem passou o dia tenso na frente do computador e a dor após esforço são os cenários típicos. O relaxante reduz o tônus muscular exagerado, o analgésico controla a dor, e a cafeína entra como coadjuvante (ver «composição: o que cada componente faz»). No dia a dia, a indicação é para situações pontuais; não é tratamento de fundo de uma dor que se repete há meses.
Vale uma observação sobre nomenclatura, porque ela confunde. Existem dois grandes grupos de “relaxante muscular” em comprimido. Um deles combina um relaxante de ação central com analgésico e cafeína, como discutido aqui. O outro é o grupo da ciclobenzaprina (vendida sob marcas como Miosan), um relaxante isolado, sem analgésico associado, também sedativo e de uso por tempo curto.
São fórmulas diferentes, mas a lógica de segurança é a mesma: aliviam o espasmo, dão sono, e não tratam a causa. A escolha entre uma e outra é do médico.
É importante separar duas coisas que a propaganda costuma misturar. Esses medicamentos aliviam a dor e o espasmo, mas não tratam o que está gerando o problema. Uma contratura é quase sempre a resposta a algo: uma postura ruim mantida por horas, uma sobrecarga repetida, um ponto-gatilho miofascial, uma faceta articular irritada ou uma raiz nervosa comprimida.
Relaxar o músculo sem corrigir a origem é apagar o alarme sem apagar o incêndio. O comprimido tem lugar na fase aguda, para dar conforto e permitir voltar a se mover; o tratamento que resolve é outro, e está descrito na seção «o papel do Dorflex e do Miorrelax».
“É só um relaxante, posso tomar sempre que a dor nas costas ou no pescoço voltar.”
O componente relaxante atua no sistema nervoso central, seda, e tem uso recomendado por períodos curtos. A dor que volta sempre é sinal de uma causa não tratada, que merece avaliação, e não de uma dose a mais por conta própria.
Composição: o que cada componente faz
Pelos nomes genéricos, Dorflex e Miorrelax têm exatamente a mesma fórmula: cada comprimido reúne citrato de orfenadrina 35 mg (um relaxante muscular de ação central), dipirona 300 mg (o analgésico, também chamada metamizol) e cafeína 50 mg. Nenhum dos dois contém carisoprodol nem paracetamol.
| Componente (nome genérico) | Classe e o que faz | Por que está na fórmula |
|---|---|---|
| Citrato de orfenadrina 35 mg | Relaxante muscular de ação central; deprime vias do sistema nervoso central ligadas ao tônus muscular | Reduz o espasmo e a contratura; é o principal responsável pela sonolência |
| Dipirona 300 mg (metamizol) | Analgésico e antitérmico | Controla a dor; tem ainda leve efeito antiespasmódico |
| Cafeína 50 mg | Estimulante leve e adjuvante analgésico | Pode potencializar a analgesia e atenuar parte da sonolência do relaxante |
A orfenadrina é o coração da fórmula e a explicação para boa parte dos efeitos, bons e ruins. É um relaxante muscular de ação central, com ação anticolinérgica e anti-histamínica, o que ajuda a entender não só o relaxamento do músculo como também a sonolência, a boca seca, a visão um pouco embaçada e a retenção urinária que alguns relatam. Nela, o efeito relaxante e o sedativo caminham juntos: não dá para ter um sem o outro.
Vale um esclarecimento que confunde muita gente: o relaxante do Dorflex e do Miorrelax é a orfenadrina, e não o carisoprodol. O carisoprodol é o relaxante de outras marcas (como Mioflex e Torsilax), é metabolizado em meprobamato (uma substância sedativa, com potencial de tolerância e dependência) e não faz parte da fórmula discutida aqui.
A dipirona (metamizol) é o analgésico da associação, e controla a dor de intensidade leve a moderada; ela tem, além disso, um discreto efeito antiespasmódico, que soma ao da orfenadrina. Não há paracetamol nessas fórmulas: o analgésico é a dipirona. A cafeína não é um analgésico por si só, mas funciona como adjuvante: pode aumentar um pouco o efeito do analgésico e contrabalançar parte da sonolência. Ela não anula o sono, e em pessoas sensíveis pode causar agitação, taquicardia ou dificuldade para dormir se o comprimido for tomado à noite.
O efeito que alivia (relaxar o músculo) e o efeito que incomoda (dar sono) vêm do mesmo componente. Por isso não existe “tomar só a parte boa”: quem usa precisa contar com a sonolência.
Dorflex dá sono? Miorrelax dá sono? Por quê
A resposta curta às perguntas “dorflex da sono” e “miorrelax da sono” é: sim, com frequência. A sonolência é um dos efeitos adversos mais relatados dessas associações, e a explicação está no relaxante muscular de ação central. Diferente de um anti-inflamatório, que age sobretudo no local da inflamação, o relaxante atua no sistema nervoso central, deprimindo circuitos que regulam o tônus muscular.
Como esses circuitos se sobrepõem aos que mantêm o estado de alerta, o resultado é sedação. Em outras palavras, o sono não é um defeito da fórmula: é a outra face do mesmo mecanismo que relaxa o músculo.
A intensidade varia de pessoa para pessoa. Costuma ser mais marcada nas primeiras doses, em idosos, em quem é sensível a medicamentos e em quem associa álcool ou outros sedativos. Além do sono, o relaxante pode causar tontura, sensação de “cabeça leve”, boca seca e visão embaçada, especialmente com a orfenadrina, pela sua ação anticolinérgica. A cafeína da fórmula atenua um pouco essa sonolência, mas não a elimina, e a combinação de um sedativo com um estimulante explica por que algumas pessoas relatam um efeito “estranho”, de sono com inquietação ao mesmo tempo.
Cuidado redobrado
Álcool, ansiolíticos (benzodiazepínicos), opioides, anti-histamínicos sedativos, idade avançada e as primeiras doses do tratamento.
Não dirija nem opere máquinas
Enquanto sentir sonolência ou tontura, não conduza veículos, não opere equipamentos e evite atividades que exijam atenção plena.
Do ponto de vista prático, a sonolência tem implicações de segurança. Não se deve dirigir, operar máquinas ou realizar tarefas que exijam concentração enquanto houver sonolência ou tontura. Tomar o comprimido perto de um período de descanso pode ser mais confortável, mas isso não autoriza usá-lo “para dormir”: esses remédios não são indutores de sono nem tratamento para insônia, e usá-los com essa finalidade é um desvio de indicação que expõe a riscos sem benefício real. Se a dor está prejudicando o sono, o caminho é tratar a dor, não sedar com um relaxante muscular.
O que costumo ver no consultório
A pergunta “dá sono?” quase sempre vem de quem já tomou e foi pego de surpresa, principalmente quando foi um comprimido tomado em jejum ou de noite: o sono e a “cabeça pesada” da manhã seguinte são da orfenadrina, não cansaço comum, e em pessoa sensível a boca seca e a vista um pouco embaçada vêm junto, no mesmo pacote anticolinérgico.
O padrão mais frequente é a automedicação para dor nas costas e no pescoço: a pessoa já tem a cartela em casa, repete por conta própria a cada crise e só procura ajuda meses depois, quando o que mudou não foi a dor, mas o número de comprimidos por semana. No idoso a conversa é outra: a mesma dose que um adulto jovem tolera pode trazer confusão, desequilíbrio e risco de queda, e por isso reviso a lista de remédios e oriento não dirigir enquanto sentir o efeito.
O que costuma surpreender quem chega é descobrir que o comprimido seda mais do que de fato “relaxa” um ponto-gatilho específico, e que um curso de poucos dias serve só para destravar e voltar a se mover; quando entendem isso, fica mais fácil aceitar trocar a cartela de cabeceira por um plano que trata a origem da contratura.
Quando faz sentido e por quanto tempo
As associações de relaxante muscular com analgésico têm um espaço legítimo, porém estreito. Fazem mais sentido na dor musculoesquelética aguda com contratura, por um período curto, quando o espasmo está claramente atrapalhando o movimento e o sono. Em quadros como o torcicolo agudo, a lombalgia que trava as costas ou a crise de dor cervical tensional, um curso breve pode dar conforto suficiente para a pessoa voltar a se mexer e iniciar a reabilitação, que é o que de fato muda a evolução.
As diretrizes de dor lombar são consistentes em dois pontos. Primeiro, os relaxantes musculares podem oferecer um alívio modesto na fase aguda, mas não são primeira linha e têm efeito limitado. Segundo, o uso deve ser pelo menor tempo possível, em geral poucos dias, justamente pelos efeitos sedativos e pelo risco de dependência de alguns relaxantes.
Manter um relaxante muscular por semanas ou meses, por conta própria, é um erro comum que troca um problema tratável por uma rotina de sedação e efeitos adversos. Para a dor crônica, esses comprimidos têm papel ainda menor, e o foco passa a ser o tratamento descrito na seção «o papel do Dorflex e do Miorrelax».
Vale também desfazer a confusão com os anti-inflamatórios. Um relaxante muscular não é um anti-inflamatório: ele não reduz a inflamação, apenas o tônus muscular e a dor. Quando o quadro tem um componente inflamatório importante, a estratégia medicamentosa é outra, discutida no guia de remédios para dor na coluna e no guia geral de remédios para dor. A escolha entre uma classe e outra, a dose e a duração precisam ser definidas pelo médico, e não copiadas de uma experiência anterior ou de um conhecido.
Identifique a causa
Antes de medicar, entenda de onde vem a dor (postura, sobrecarga, ponto-gatilho, articulação, nervo). O remédio é parte do plano, não o plano.
Uso pontual e curto
Quando indicado, o relaxante com analgésico entra por poucos dias, na fase aguda, com a dose definida pelo médico, contando com a sonolência.
Movimento desde cedo
O alívio serve para voltar a se mover, não para repousar. O repouso prolongado piora a contratura e a dor.
Reavalie se não melhora
Dor que persiste, volta sempre ou vem com sinais de alerta exige avaliação, não mais comprimidos por conta própria.
Quando a dor lombar vem de um disco, de uma faceta ou de uma raiz nervosa irritada, o componente relaxante faz muito pouco pela causa: a orfenadrina age no sistema nervoso central baixando o estado de alerta, então o que a pessoa sente como “afrouxar” é, em boa parte, a sedação anticolinérgica — a mesma que traz boca seca e visão embaçada. Ela não atua na faceta nem na raiz irritada que disparam a contratura. Isso explica por que tanta gente toma, dorme melhor por uma noite e acorda com a mesma dor: a estrutura que gera o sintoma continua intocada. Por isso o relaxante tem papel curto e adjuvante, e o tratamento se dirige ao que está irritando o disco, a articulação ou o músculo.
Segurança: efeitos, interações e contraindicações
Por reunir três substâncias, a fórmula soma também os cuidados de cada uma. Os efeitos adversos mais comuns vêm do relaxante: sonolência, tontura, boca seca, visão embaçada e, às vezes, dificuldade para urinar. A dipirona, embora geralmente bem tolerada, pode causar reações alérgicas e, raramente, quedas importantes da contagem de células de defesa do sangue (agranulocitose), o que torna febre, dor de garganta e feridas na boca durante o uso sinais para procurar avaliação. A cafeína pode provocar agitação, palpitação e insônia em pessoas sensíveis.
Situações em que o uso exige atenção especial ou deve ser evitado
- Alergia ou reação prévia à dipirona, à orfenadrina ou a qualquer componente da fórmula.
- Glaucoma de ângulo fechado, aumento da próstata, retenção urinária e obstrução do trato gastrointestinal (pelo efeito anticolinérgico do relaxante).
- Doença hepática ou renal, e consumo regular de álcool (atenção ao analgésico e à sedação).
- Idosos, pelo maior risco de sonolência, confusão, quedas e efeitos anticolinérgicos.
- Gravidez e amamentação: usar somente sob orientação médica.
- Uso de outros sedativos: álcool, benzodiazepínicos, opioides, anti-histamínicos sedativos e alguns antidepressivos, que somam à sonolência.
- Atividades de risco: dirigir, operar máquinas ou qualquer tarefa que exija atenção plena enquanto houver sonolência.
As interações merecem destaque porque são frequentes no dia a dia. Associar essas fórmulas a qualquer outro depressor do sistema nervoso central, em especial o álcool, potencializa a sedação e pode comprometer a respiração e o nível de consciência. A orfenadrina pode interagir com medicamentos de ação anticolinérgica, somando boca seca, retenção urinária e confusão, sobretudo no idoso. E há um ponto que escapa a muita gente: usar ao mesmo tempo dois produtos diferentes que contenham o mesmo analgésico (por exemplo, a dipirona da associação e dipirona avulsa) pode levar a uma dose excessiva sem perceber.
A escolha do fármaco, a dose e a duração são definidas pelo médico assistente, que considera o histórico e os demais medicamentos em uso, e o relaxante não deve ser combinado com álcool ou outros sedativos.
O lugar do Dorflex e do Miorrelax no tratamento da dor
Onde esses comprimidos entram é num ponto bem delimitado: alívio sintomático de curta duração da dor musculoesquelética aguda com contratura. Não são primeira linha, não tratam a causa e não substituem um plano de reabilitação.
A associação reúne um relaxante muscular de ação central (orfenadrina), um analgésico (dipirona) e cafeína. Por isso seu papel é o de um adjuvante pontual: o analgésico controla a dor e o relaxante reduz o tônus muscular exagerado, dando conforto suficiente para a pessoa voltar a se mover na fase aguda. As diretrizes de dor lombar são consistentes em que os relaxantes musculares oferecem, no máximo, um benefício modesto e devem ser usados pelo menor tempo possível, em geral poucos dias. No dia a dia, costumam combinar-se apenas com outras medidas de alívio de curto prazo definidas pelo médico, como analgésicos simples ou anti-inflamatórios em curso breve, e não com uma sequência de procedimentos.
Vale insistir num ponto que a fórmula deixa claro. A sonolência, a tontura e a boca seca vêm sobretudo da ação anticolinérgica e sedativa da orfenadrina: o que muita gente sente como “afrouxar a contratura” é, em boa parte, a sedação do sistema nervoso central, e não a correção do que gera a dor. Por isso, passado o efeito da orfenadrina, a estrutura que origina o sintoma — uma sobrecarga postural, um ponto-gatilho miofascial, uma faceta ou uma raiz nervosa irritada — continua intocada, e a dor reaparece com a mesma intensidade da véspera.
O tratamento que de fato muda a evolução é multimodal, individualizado e dirigido à causa da contratura, montado em consulta conforme o que o exame mostra, e a medicação é só uma parte adjuvante dele. O plano completo da dor com espasmo e contratura, com o que realmente reduz as recaídas, está detalhado em espasmos e contraturas musculares na lombalgia. O médico assistente define se o Dorflex ou o Miorrelax têm lugar no caso, em que dose e por quanto tempo.
Quando a dor muscular precisa de avaliação sem demora
A maior parte das dores musculares com contratura é benigna e melhora em poucas semanas. Ainda assim, alguns sinais indicam que o problema não é “só um músculo” e que tomar um relaxante por conta própria pode atrasar um diagnóstico importante. Procure avaliação sem demora se notar qualquer um destes:
Procure avaliação médica se houver
- Dor que desce para o braço ou a perna com formigamento, dormência ou fraqueza progressiva.
- Febre, perda de peso sem explicação ou história de câncer associadas à dor.
- Dor após trauma significativo (queda, acidente).
- Dificuldade para urinar ou evacuar, ou dormência na região entre as pernas.
- Dor de cabeça intensa e súbita, dor no peito ou falta de ar junto da dor muscular.
- Dor que não melhora em algumas semanas, volta sempre ou acorda você à noite.
Cada item aponta para uma hipótese que muda a conduta, de uma compressão de raiz nervosa a causas que extrapolam a dor muscular. Na ausência desses sinais, a dor com contratura costuma responder bem ao tratamento descrito acima. A abordagem completa da dor cervical, incluindo essas bandeiras, está detalhada no guia dor no pescoço: quando você deve se preocupar, e o panorama da dor de fundo tensional, em cefaleia tensional.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
Conheça a clínica

Perguntas frequentes
Dorflex dá sono? E o Miorrelax?
Sim, ambos costumam dar sono. O componente relaxante muscular de ação central é a orfenadrina, que tem efeito anticolinérgico e anti-histamínico, deprime circuitos do sistema nervoso central e provoca sonolência, além de tontura e boca seca. A cafeína da fórmula reduz um pouco esse efeito, mas não o elimina. Por isso, enquanto sentir sono ou tontura, não dirija nem opere máquinas.
Miorrelax para que serve? Miorrelax serve para quê?
O Miorrelax serve para o alívio de curta duração de dores musculares acompanhadas de contratura ou espasmo, como torcicolo, lombalgia aguda e dor cervical tensional. É uma associação de relaxante muscular, analgésico e cafeína, de uso pontual. Não trata a causa da dor, que pode ser postural, miofascial ou de outra origem, e por isso a avaliação médica é importante quando a dor se repete.
Qual é a composição em nomes genéricos?
Dorflex e Miorrelax têm a mesma fórmula. Cada comprimido reúne três componentes: citrato de orfenadrina 35 mg (relaxante muscular de ação central), dipirona 300 mg (o analgésico, também chamada metamizol) e cafeína 50 mg. A orfenadrina reduz o espasmo e é a principal responsável pela sonolência; a dipirona controla a dor; a cafeína atua como adjuvante. Nenhum dos dois contém carisoprodol nem paracetamol, que são componentes de outras marcas de relaxante muscular.
Posso tomar para dormir ou para dor de cabeça?
Não. Esses medicamentos não são indutores de sono nem tratamento para insônia; usá-los com essa finalidade é um desvio de indicação que expõe a riscos sem benefício. Para dor de cabeça, o uso depende do tipo de cefaleia, e o consumo frequente de analgésicos pode até piorar a dor de cabeça (cefaleia por uso excessivo de medicamentos). O passo correto é avaliar a causa.
Posso beber álcool tomando o relaxante muscular?
Não é recomendado. O álcool é um depressor do sistema nervoso central e potencializa a sedação do relaxante, aumentando o risco de sonolência intensa, tontura, quedas e, em casos extremos, depressão respiratória. A mesma cautela vale para benzodiazepínicos, opioides e anti-histamínicos sedativos. Combine medicamentos apenas sob orientação médica.
Por quanto tempo posso usar?
Pelo menor tempo possível, em geral poucos dias, na fase aguda da dor com contratura. Os relaxantes musculares não são primeira linha, têm efeito limitado e alguns têm risco de tolerância e dependência com uso prolongado. Dor que persiste, volta sempre ou vem com sinais de alerta exige avaliação médica. A dose e a duração devem ser definidas pelo médico.
É a mesma coisa que um anti-inflamatório?
Não. O relaxante muscular reduz o tônus do músculo e, junto com o analgésico, alivia a dor, mas não reduz a inflamação. Um anti-inflamatório age sobre o processo inflamatório e tem outras indicações, interações e contraindicações. São classes diferentes, e a escolha entre elas, a dose e a duração precisam ser definidas pelo médico, conforme o seu caso.
Referências5 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Dorflex (citrato de orfenadrina 35 mg, dipirona sódica monoidratada 300 mg, cafeína anidra 50 mg). Bula do profissional de saúde. Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda. acessar
- Cashin AG, Folly T, Bagg MK, et al. Efficacy, acceptability, and safety of muscle relaxants for adults with non-specific low back pain: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2021;374:n1446. acessar
- Friedman BW, Cisewski D, Irizarry E, et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of naproxen with or without orphenadrine or methocarbamol for acute low back pain. Ann Emerg Med. 2018;71(3):348 a 356.e5. acessar
- Zhang et al. Eficácia comparativa dos métodos de acupuntura para dor lombar crônica inespecífica: meta-análise em rede. Journal of Orthopaedic Surgery and Research. 2024. ver resumo
- Kalichman & Vulfsons. Agulhamento Seco para o Tratamento da Dor Musculoesquelética. Journal of the American Board of Family Medicine. 2010. ver resumo
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Dor que se repete pede um plano individualizado em consulta, não a repetição do comprimido.
