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Relaxantes musculares: como funcionam, indicações e os mais usados

Relaxantes musculares aliviam dor por espasmo e contratura aguda, como adjuvantes de curto prazo: não tratam a causa nem servem para uso crônico.

Resposta direta
  • Relaxantes musculares aliviam a dor ligada a espasmo e contratura na fase aguda; agem mais no sistema nervoso central do que no próprio músculo.
  • São adjuvantes de curto prazo (em geral poucos dias a 2 semanas), não tratam a causa e não devem ser usados de forma crônica e prolongada.
  • O cloridrato de ciclobenzaprina é o mais prescrito no Brasil; sedação é o efeito mais comum de quase toda a classe.
  • A escolha, a dose e a duração são definidas pelo médico assistente.
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Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que são e para que servem os relaxantes musculares

Costas de um homem com a mao no ombro ao lado de um diagrama rotulado da estrutura do musculo, mostrando fibra muscular, núcleos, miofibrila e membrana plasmatica.
O relaxante muscular age sobre a fibra muscular e o reflexo de contração, reduzindo o espasmo doloroso.

Relaxante muscular é o nome popular de um grupo heterogêneo de medicamentos usados para reduzir a dor associada a espasmo e contratura, sobretudo em quadros agudos da coluna e da musculatura. O cloridrato de ciclobenzaprina, o agente mais buscado dessa categoria, serve justamente para isso: aliviar a dor de origem musculoesquelética enquanto o quadro agudo cede.

Vale desfazer um mal-entendido comum logo de início. A maior parte desses fármacos não relaxa o músculo agindo diretamente sobre a fibra muscular, como faria um bloqueador neuromuscular usado em anestesia. Eles são, na verdade, relaxantes de ação central: deprimem circuitos do sistema nervoso central (tronco encefálico e medula) que mantêm o tônus e o reflexo de espasmo. O efeito clínico que o paciente percebe, menos tensão e menos dor, vem em boa parte da sedação e da redução desses reflexos, e não de uma ação seletiva na musculatura dolorida.

Por isso a expressão “anti-inflamatório muscular”, que muita gente usa para procurar esses remédios, é tecnicamente imprecisa. Relaxantes musculares não são anti-inflamatórios e não combatem inflamação; quem reduz inflamação são os anti-inflamatórios não esteroides, uma classe diferente que costuma ser combinada a eles. Entender essa distinção evita expectativas equivocadas sobre o que o medicamento faz.

  • Não tratam a causa. Aliviam um sintoma (o espasmo doloroso), não corrigem postura, sobrecarga ou a lesão de base.
  • Agem no centro, não na fibra. A maioria é de ação central; o relaxamento percebido se mistura à sedação.
  • São de curto prazo. O benefício se concentra nos primeiros dias do quadro agudo.
  • São adjuvantes. Somam-se ao plano principal (movimento, reabilitação, técnicas em clínica), não o substituem.
Pérola clínica

Na prática, o “relaxante muscular forte” que muitos pacientes pedem costuma ser, na verdade, o mais sedativo, e não o mais eficaz para a dor. Mais sedação significa mais sonolência e mais risco de queda e de acidente, não necessariamente mais alívio. Potência aqui não é sinônimo de benefício.

Ambiente da Clínica Dr. Hong Jin Pai
Nossa estrutura Ambiente da clínica

Quando ajudam, e quando não fazem sentido

O cenário em que os relaxantes musculares mostram seu melhor papel é a dor musculoesquelética aguda com espasmo: aquela crise de lombalgia que “trava” as costas, o torcicolo, a contratura do trapézio depois de um esforço ou de uma noite mal dormida. Nesses quadros, usados por poucos dias e quase sempre combinados a um analgésico simples ou anti-inflamatório, eles podem reduzir a dor e facilitar o retorno ao movimento. Esse é o uso amparado pela melhor evidência.

Fora desse contexto, o benefício despenca. Em dor crônica (que dura mais de três meses), o uso prolongado de relaxantes acumula efeitos adversos sem ganho proporcional, e por isso não é recomendado como rotina. A sedação contínua atrapalha justamente o que melhora a dor crônica: exercício, condicionamento e regularidade. Há exceções pontuais, como o uso de agentes específicos em quadros selecionados de fibromialgia ou de espasticidade neurológica, mas essas são decisões individualizadas do médico, não a regra geral.

Onde os relaxantes musculares costumam (ou não) ajudar
SituaçãoPapel do relaxanteObservação
Lombalgia ou cervicalgia aguda com espasmoAdjuvante de curto prazoCombinado a analgésico, por poucos dias
Torcicolo, contratura do trapézioPode aliviarAlívio do espasmo enquanto a crise cede
Dor crônica inespecíficaPouco ou nenhum papelUso prolongado acumula efeitos sem ganho
Dor radicular (raiz nervosa) puraLimitadoO alvo é a raiz, não o espasmo
Espasticidade neurológicaAgentes específicosBaclofeno, tizanidina, sob indicação
Mito

“Tomo relaxante muscular todo dia para a dor nas costas não voltar.”

Fato

O uso diário e prolongado não previne crises e expõe à sedação, à tolerância e, em alguns agentes, à dependência. A prevenção real vem do condicionamento e do manejo dos gatilhos, não do comprimido.

Relaxantes não resolvem dor que vem de uma raiz nervosa comprimida, como na hérnia de disco com irradiação para a perna ou para o braço. Ali o alvo é a raiz e o componente neuropático, não o espasmo muscular, e o plano é outro. Confundir os dois leva a semanas de medicação sem resposta.

As principais classes e agentes usados no Brasil

Sob o rótulo de “relaxante muscular” cabem fármacos com mecanismos e perfis de risco bem diferentes. Conhecer cada um ajuda a entender por que o médico escolhe um e não outro.

Cloridrato de ciclobenzaprina

É o relaxante de ação central mais prescrito no país. A ciclobenzaprina tem estrutura parecida com a dos antidepressivos tricíclicos e age no tronco encefálico reduzindo o tônus motor; daí também sua forte sonolência e seu efeito anticolinérgico (boca seca, retenção urinária). Costuma ser usada em doses baixas, à noite, por períodos curtos na dor musculoesquelética aguda. É o agente que concentra as buscas por “para que serve cloridrato de ciclobenzaprina”: alívio de curto prazo do espasmo doloroso, não tratamento da causa.

Carisoprodol (em associações)

No Brasil aparece quase sempre em combinações com analgésicos e anti-inflamatórios, em apresentações populares de venda livre. Aqui cabe cautela: o carisoprodol é metabolizado em meprobamato, uma substância com efeito sedativo do tipo ansiolítico e potencial de abuso e dependência. Por esse motivo, vários países restringiram seu uso. Não é um relaxante “inocente” só porque vem em associação de balcão, e seu uso continuado merece atenção especial.

Baclofeno

É um agonista dos receptores GABA-B na medula espinhal, o que o torna o agente de escolha para espasticidade de origem neurológica (lesão medular, esclerose múltipla), e não para a contratura muscular comum do dia a dia. Tem indicações específicas, dose progressiva e uma regra de ouro: a retirada deve ser gradual, porque a suspensão abrupta pode desencadear quadros graves. Tratamos do baclofeno em detalhe em página própria sobre baclofeno: indicações, dosagem e efeitos.

Tizanidina

Age como agonista alfa-2 adrenérgico de ação central, reduzindo o tônus muscular por uma via diferente das demais. É usada tanto em espasticidade quanto, por vezes, em dor miofascial e cefaleia, em doses ajustadas. Pode causar sonolência, boca seca e queda de pressão, e exige atenção à função do fígado e a interações relevantes, como veremos adiante.

Orfenadrina

Relaxante de ação central com propriedades anticolinérgicas e leve efeito analgésico próprio. É comum em associações para dor musculoesquelética. Por seu perfil anticolinérgico, pede cautela em idosos e em quem tem glaucoma, retenção urinária ou problemas de condução cardíaca.

Benzodiazepínicos, como último recurso

Fármacos como o diazepam têm efeito relaxante muscular, mas são, antes de tudo, sedativos com alto potencial de tolerância e dependência. Por isso ocupam o último lugar nessa fila: reservados a situações muito selecionadas, por tempo curtíssimo e sob controle estrito. Não são uma opção de primeira linha para dor nas costas, apesar de às vezes serem pedidos como “relaxante forte”.

Relaxantes musculares: agente, mecanismo e quando se usa
AgenteComo ageQuando costuma ser usado
Cloridrato de ciclobenzaprinaAção central (tronco encefálico), perfil tricíclicoDor musculoesquelética aguda com espasmo, curto prazo
Carisoprodol (associações)Ação central; vira meprobamato (sedativo)Combinações para dor aguda; cautela, risco de abuso
BaclofenoAgonista GABA-B na medulaEspasticidade neurológica; retirada gradual
TizanidinaAgonista alfa-2 de ação centralEspasticidade, dor miofascial selecionada
OrfenadrinaAção central + anticolinérgicoDor musculoesquelética, em associações
Benzodiazepínicos (ex.: diazepam)Potencializam o GABA-A; sedativosÚltimo recurso, tempo curtíssimo, sob controle

Repare que três desses agentes carregam alerta explícito de dependência ou de retirada cuidadosa (carisoprodol, benzodiazepínicos e baclofeno). Isso reforça a lógica de usar a menor dose eficaz, pelo menor tempo, dentro de um plano que não dependa do remédio para funcionar.

Cloridrato de ciclobenzaprina: o que esperar

Como é o relaxante mais buscado, vale detalhar o que se pode esperar dele. O cloridrato de ciclobenzaprina costuma reduzir a intensidade do espasmo e da dor nos primeiros dias de uma crise aguda. O benefício é modesto e de curto prazo: a maior parte dos estudos mostra vantagem sobretudo na primeira semana, com pouco ganho adicional depois disso. Por agir como um tricíclico, é frequentemente prescrito à noite, aproveitando a sonolência para favorecer o sono na fase aguda.

O que costuma ajudar

Janela curta

Usado por poucos dias, junto de analgésico e do retorno gradual ao movimento, pode aliviar o pico do espasmo agudo.

O que esperar de efeito

Sonolência e boca seca

Sonolência, tontura e boca seca são comuns. Por isso a recomendação de evitar dirigir e operar máquinas.

A escolha entre ciclobenzaprina e outro agente depende do paciente: idade, outras doenças, demais medicamentos em uso e o quanto a sedação é tolerável ou perigosa naquele contexto. Em idosos, por exemplo, o perfil anticolinérgico e o risco de queda pesam contra o uso, e a decisão precisa ser ainda mais criteriosa.

~1
semana é onde se concentra o maior benefício na dor aguda
Curto
prazo de uso recomendado; não é medicação de uso contínuo

Sedação, efeitos, interações e risco de dependência

O efeito adverso que une praticamente toda a classe é a sedação: sonolência, lentidão, tontura e redução dos reflexos. Isso tem consequência prática direta, porque dirigir, operar máquinas ou cuidar de alguém sob efeito desses remédios aumenta o risco de acidente. Some-se a isso o efeito anticolinérgico de vários agentes (boca seca, visão borrada, constipação, retenção urinária), mais relevante em idosos.

Atenção · segurança no uso

Cuidados que pedem avaliação médica antes

  • Álcool e outros sedativos. A combinação com bebida alcoólica, ansiolíticos, opioides ou indutores do sono soma sedação e pode deprimir a respiração.
  • Dirigir e operar máquinas. Evite enquanto sentir sonolência ou lentidão de reflexos.
  • Idosos. Maior risco de queda, confusão e efeitos anticolinérgicos; muitas vezes melhor evitar.
  • Risco de dependência. Carisoprodol (vira meprobamato) e benzodiazepínicos têm potencial de abuso; não prolongue por conta própria.
  • Retirada do baclofeno. Nunca suspender de forma abrupta; a interrupção precisa ser gradual e orientada.
  • Doenças associadas. Glaucoma, retenção urinária, arritmias, doença do fígado, gravidez e amamentação mudam a indicação.

As interações merecem destaque porque são frequentes e silenciosas. A ciclobenzaprina, por ser aparentada dos tricíclicos, não deve ser combinada com inibidores da MAO e pede cautela com outros fármacos serotoninérgicos. A tizanidina tem interações importantes com certos antibióticos e antiarrítmicos (que bloqueiam a enzima do fígado que a elimina), que elevam muito seu nível no sangue e o risco de hipotensão e sedação. Por isso a lista completa de medicamentos em uso, incluindo os de venda livre e fitoterápicos, precisa ser informada ao médico.

Sobre dependência, é importante separar os agentes. A ciclobenzaprina e a orfenadrina não são, classicamente, fármacos de abuso. Já o carisoprodol e os benzodiazepínicos são, e o uso prolongado pode levar a tolerância (precisar de doses maiores para o mesmo efeito) e a sintomas de retirada. É mais uma razão para que a duração do tratamento seja definida e revista pelo médico, e não esticada indefinidamente.

Assista: Posso usar relaxantes musculares em idosos? Quais são os riscos?

Onde o relaxante entra no tratamento da dor

Se o relaxante muscular alivia o sintoma, o que de fato muda o curso da dor é o plano por trás dele. O tratamento da dor musculoesquelética é multimodal, não-cirúrgico e individualizado, com uma base ativa, o movimento e o exercício, à qual as demais técnicas se somam. O medicamento entra como ponte de curto prazo para que o paciente consiga se mover e avançar nesse plano: esta página é sobre a classe dos relaxantes, e o detalhamento de cada técnica em clínica fica nas páginas próprias de cada modalidade.

Movimento e educação

Evitar o repouso prolongado, retomar a atividade dentro do conforto e ajustar postura, carga e sono. Manter-se ativo supera o repouso na dor aguda da coluna.

Reabilitação e exercício

Base do plano: fortalecimento progressivo e controle motor, com terapia manual como adjuvante. É o que reduz recorrências.

Técnicas dirigidas ao foco doloroso

Recursos aplicados na própria banda muscular tensa quando o componente miofascial é relevante, em vez de sedar o corpo inteiro.

Medicação adjuvante

Analgésicos, anti-inflamatórios e, quando indicado, o relaxante muscular por período curto. Somam-se ao plano, sem substituí-lo.

Por que a base ativa importa mais que o comprimido

A reabilitação ativa é a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na dor da coluna e da musculatura. O ganho de força, mobilidade e controle motor reduz a sobrecarga sobre as estruturas dolorosas e dessensibiliza o movimento, justamente o oposto do que a sedação prolongada de um relaxante faz. A resposta é gradual, ao longo de semanas, e depende da regularidade; por isso o medicamento ajuda mais quando libera o paciente para se mover do que quando o deixa sonolento no sofá. Esse é o eixo que detalhamos no guia de tratamento da lombalgia.

Há ainda uma diferença de lógica que vale tornar explícita, porque ela é o cerne deste tema. O relaxante atua de cima para baixo, deprimindo o sistema nervoso central inteiro para reduzir um reflexo de espasmo localizado, e cobra esse preço em sonolência e em risco. As abordagens dirigidas ao foco doloroso, da reabilitação às técnicas aplicadas na própria banda muscular tensa, atuam de baixo para cima, no elo que gerou a dor, sem sedar o paciente.

Por isso, quando a crise aguda passa, a conta de risco e benefício deixa de favorecer o comprimido e passa a favorecer o movimento e o tratamento local; insistir no relaxante além dessa janela costuma trocar um alívio que já não vem por efeitos adversos que continuam chegando. Quando o problema é uma contratura localizada, com pontos-gatilho palpáveis, tratar a banda muscular diretamente costuma render mais do que empilhar mais um sedativo sobre o quadro: as páginas sobre espasmos e contraturas musculares detalham essas técnicas em clínica.

Quando a medicação muda de alvo

Outro ponto que ajuda a situar o relaxante é entender quando o foco da medicação deixa de ser ele. Diante de dor neuropática ou de cronificação, passam a fazer sentido antidepressivos em dose baixa (amitriptilina, nortriptilina, duloxetina) ou gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), conforme o quadro, e não mais o relaxante de ação central, que age sobre o espasmo e não sobre a dor da raiz nervosa. Anti-inflamatórios e analgésicos simples seguem como apoio de curto prazo na fase aguda. Toda essa escolha, com dose e duração, é definida pelo médico, com os efeitos adversos e as comorbidades em conta.

Trocar o relaxante por um agente que age no mecanismo certo costuma ser o passo que destrava um quadro que vinha sem resposta. Para uma visão geral dos remédios usados na dor, veja o guia de remédios para dor.

Dia 1 a 7

Crise aguda

Relaxante por período curto, se indicado, junto de analgésico e do retorno suave ao movimento.

Semana 2 a 6

Reabilitação ativa

Exercício e técnicas em clínica assumem o protagonismo; a medicação adjuvante vai sendo reduzida.

Após 6 semanas

Reavaliação

Sem a resposta esperada, revê-se o diagnóstico, sem simplesmente repetir o relaxante.

A leitura geral é simples: o relaxante muscular é uma muleta útil por alguns dias, não uma terapia para se apoiar por meses. Quanto antes a base ativa assume o tratamento, melhor o resultado e menor a exposição aos efeitos adversos. Quando a dor não cede no ritmo esperado, o caminho é reavaliar a causa, e não aumentar a dose.

O alívio vem do cérebro, não do músculo

O nome “relaxante muscular” descreve o efeito que se sente, não o lugar onde o remédio age. Salvo os bloqueadores neuromusculares usados em anestesia, esses fármacos quase nunca tocam diretamente a fibra do músculo dolorido. O que eles fazem é deprimir o sistema nervoso central, reduzindo o reflexo que mantém o espasmo; o “relaxamento” que o paciente percebe é, em grande parte, a própria sedação. Isso explica três coisas.

Primeiro, por que esses remédios dão tanto sono e tanta lentidão de reflexos: a sonolência não é um efeito colateral lateral, é praticamente o mesmo mecanismo do efeito desejado. Segundo, por que são tão arriscados no idoso, em quem essa depressão central se traduz em quedas e confusão. Terceiro, por que funcionam como muleta de curto prazo e não como tratamento do espasmo: como não atuam na origem mecânica da contratura, assim que a fase aguda passa eles deixam de oferecer ganho e continuam cobrando o preço da sedação. O alívio vem de cima (o cérebro) e não de baixo (o músculo), o que define o que esperar do comprimido e por quanto tempo faz sentido tomá-lo.

Da prática clínica

Algumas observações recorrentes de consultório. Surpreende muitos pacientes saber que o “relaxante” não relaxa o músculo: quando explico que o efeito vem de uma sedação central, a frase que mais ouço é “então é por isso que eu fico tão lerdo no dia seguinte”. É exatamente isso.

O erro mais comum que vejo é o uso esticado por semanas ou meses, geralmente herdado de uma crise antiga que nunca foi reavaliada. Reservo esses medicamentos para a janela curta da crise aguda; passada essa fase, o que sustenta a melhora é o movimento, e manter o comprimido só costuma somar sonolência sem somar alívio.

No paciente idoso, costumo recuar antes de prescrever. A combinação de sedação com o perfil anticolinérgico de vários desses agentes aumenta o risco de queda e de confusão de forma que raramente compensa o ganho na dor; nessa faixa, muitas vezes a conta simplesmente não fecha a favor do relaxante.

E, quando o problema é uma contratura localizada com pontos-gatilho, tratar a banda muscular diretamente, com agulhamento seco e reabilitação, com frequência rende mais do que empilhar mais um sedativo sobre o quadro. O paciente alivia a tensão sem perder a clareza para se mover, que é o que de fato encurta a crise.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Para que serve o cloridrato de ciclobenzaprina?

Serve para aliviar a dor musculoesquelética aguda associada a espasmo e contratura, como na lombalgia que “trava” ou no torcicolo. É um relaxante de ação central, usado por período curto e, em geral, combinado a um analgésico. Não trata a causa nem é de uso contínuo, e a indicação cabe ao médico.

Qual é o relaxante muscular mais forte?

“Forte” costuma significar “mais sedativo”, o que aumenta sonolência e risco, não necessariamente o alívio. Benzodiazepínicos e o baclofeno têm efeito intenso, mas com indicações específicas e mais riscos. A escolha não é pela potência, e sim pelo quadro e pela segurança de cada pessoa.

Existe um anti-inflamatório muscular?

Tecnicamente não. Relaxantes musculares não são anti-inflamatórios e não combatem inflamação; reduzem o espasmo por ação central. Quem reduz inflamação são os anti-inflamatórios não esteroides, uma classe diferente, às vezes combinada ao relaxante na fase aguda.

Posso tomar relaxante muscular todos os dias?

Não como rotina. O benefício se concentra nos primeiros dias da crise aguda; o uso prolongado acumula sedação e, em alguns agentes, risco de tolerância e dependência, sem prevenir novas crises. A prevenção real vem do condicionamento. Qualquer uso contínuo deve ser avaliado pelo médico.

Relaxante muscular dá sono e posso dirigir?

A sonolência é o efeito mais comum da classe. Enquanto sentir sono, tontura ou reflexos lentos, não dirija nem opere máquinas. A combinação com álcool e outros sedativos aumenta esse efeito e deve ser evitada.

Relaxante muscular resolve hérnia de disco?

Não. Na hérnia de disco com dor que irradia para a perna ou o braço, o alvo é a raiz nervosa, não o espasmo, e o plano é específico. O relaxante pode, no máximo, ajudar num espasmo associado, por pouco tempo.

Qual o melhor relaxante para fibromialgia?

A fibromialgia tem um tratamento próprio, em que alguns agentes (como a ciclobenzaprina em dose baixa à noite) podem ajudar no sono e na dor, mas o eixo é outro: exercício, manejo do sono e fármacos específicos. Veja a página sobre relaxante muscular para fibromialgia.

Posso comprar relaxante muscular sem receita?

Alguns chegam em associações de venda livre, mas isso não os torna inofensivos, e há agentes com risco de abuso. O uso correto, a dose e a duração dependem de avaliação médica, sobretudo em idosos, em quem usa outros remédios ou tem outras doenças.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Cashin AG, Folly T, Bagg MK, Wewege MA, Jones MD, Ferraro MC, et al. Efficacy, acceptability, and safety of muscle relaxants for adults with non-specific low back pain: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2021;374:n1446. acessar
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  6. Liu et al. Terapia por ondas de choque extracorpóreas para dor lombar crônica: análise de 632 pacientes. Journal of Orthopaedic Surgery and Research. 2023. ver resumo
Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 12 min

Este texto tem caráter educativo e não substitui a avaliação médica. A indicação, a escolha do agente, a dose e a duração são individualizadas pelo médico assistente conforme a idade, as outras doenças e os demais remédios em uso.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

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