CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

Agendar avaliação
Medicamentos · Controle da dor

Analgésicos: medicamentos para o controle da dor, por classe

Analgésico é todo medicamento que reduz a dor, e eles não são iguais: cada classe age num ponto diferente do caminho da dor.

Resposta direta
  • Analgésico é qualquer medicamento usado para aliviar a dor; o termo reúne classes muito diferentes, do paracetamol aos opioides.
  • A escolha depende do tipo de dor: dor nociceptiva (inflamatória/mecânica) responde a não-opioides e anti-inflamatórios; dor neuropática responde a adjuvantes (antidepressivos e anticonvulsivantes), não ao anti-inflamatório comum.
  • Nenhum analgésico trata a causa. O remédio é uma camada de um plano multimodal, e a dor que volta sempre pede avaliação, não dose maior.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

O que é um analgésico e quais são as classes

Diversas cartelas de comprimidos e cápsulas de cores variadas espalhadas sobre fundo escuro
As classes de analgésicos reúnem formas e princípios ativos diferentes, cada um com indicação própria

Um analgésico é qualquer medicamento cuja função é reduzir a dor. Sob esse nome cabem fármacos com mecanismos completamente diferentes, e é por isso que dizer apenas “tomei um analgésico” diz pouco: o que importa é qual classe, para qual dor e por quanto tempo.

Na prática da medicina da dor, os analgésicos costumam ser agrupados em quatro grandes famílias, definidas pelo modo como agem. Entender essa divisão é o que permite escolher o medicamento certo, em vez de tentar um atrás do outro. Cada família atua em um elo diferente da via que leva o estímulo doloroso do tecido até o cérebro.

Os não-opioides reúnem o paracetamol, a dipirona e os anti-inflamatórios não esteroides. Os adjuvantes, ou neuromoduladores, são medicamentos que não nasceram como analgésicos, mas que controlam a dor agindo no sistema nervoso: antidepressivos, anticonvulsivantes e relaxantes musculares. Os opioides agem em receptores específicos do sistema nervoso central e são reservados a situações selecionadas. E os tópicos atuam no próprio local da dor, com pouca absorção para o corpo todo.

4
Grandes classes de analgésicos
2
Tipos básicos de dor a distinguir
3
Degraus da escada da OMS
1
Camada de um plano maior

Para o detalhe de cada grupo, há páginas dedicadas: os relaxantes musculares, os opioides e o guia geral de remédios para dor, que aprofunda indicações e segurança de cada fármaco. Aqui, o foco é entender a lógica: por que existem tantas classes e como saber, em linhas gerais, qual faz sentido para qual dor.

As classes de analgésicos e a dor que costumam tratar
ClasseExemplosTipo de dor que costuma tratar
Analgésicos simples (não-opioides)Paracetamol, dipironaDor leve a moderada, nociceptiva; febre
Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)Ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, cetoprofeno, celecoxibe, nimesulidaDor com componente inflamatório (músculo, tendão, articulação)
Adjuvantes antidepressivosAmitriptilina, nortriptilina, duloxetinaDor neuropática e dor crônica difusa
Adjuvantes anticonvulsivantes (gabapentinoides)Gabapentina, pregabalinaDor neuropática (ardência, choque, formigamento)
Relaxantes muscularesCiclobenzaprina, carisoprodol, baclofenoEspasmo muscular agudo, por períodos curtos
OpioidesCodeína, tramadol, morfinaDor intensa selecionada; dor oncológica
TópicosLidocaína, capsaicinaDor localizada, neuropática periférica
Pérola clínica

O erro mais comum que vejo no consultório não é tomar o remédio errado, é insistir na mesma classe quando a dor não responde. Dor que não cede a anti-inflamatório com frequência não é inflamatória, é neuropática, e nenhuma dose maior de anti-inflamatório vai resolvê-la. Trocar de degrau é trocar de mecanismo, não de marca.

Sessão de acupuntura médica em evento do CREMESP
Em congressos Acupuntura médica em evento do CREMESP

O ponto de partida: que tipo de dor é essa

Close de comprimidos e cápsulas coloridos de tamanhos e formatos diferentes sobre superfície cinza
Cor, tamanho e formato variam conforme o tipo de medicamento e a dose, não conforme a potência analgésica

Antes de escolher um analgésico, o médico da dor classifica o mecanismo da dor. Essa etapa, e não a intensidade isolada, é o que mais orienta a escolha do medicamento. Três grandes categorias cobrem a maioria dos quadros, e muitas dores reais misturam mais de uma delas.

A dor nociceptiva nasce da ativação dos receptores de dor em tecidos como músculo, osso, articulação e pele, em geral por inflamação ou lesão mecânica. É a dor de uma entorse, de uma tendinite, de uma artrose em crise. Costuma ser bem localizada, em pontada, peso ou latejamento, e responde a analgésicos simples e anti-inflamatórios.

A dor neuropática vem de lesão ou disfunção do próprio sistema nervoso, e tem qualidade característica: ardência, queimação, choque, agulhadas, formigamento, dormência. É a dor de uma neuropatia, de uma ciática por compressão de raiz, de uma neuralgia. Aqui o anti-inflamatório comum costuma falhar, e os medicamentos de escolha são os adjuvantes, antidepressivos e anticonvulsivantes, que reduzem a hiperexcitabilidade das vias nervosas.

A dor mista combina as duas, como em boa parte das dores de coluna com componente radicular. E há ainda a dor nociplástica, em que o sistema nervoso amplifica a dor sem lesão proporcional que a explique, como na fibromialgia; nela, o pilar é a neuromodulação e a reabilitação, com papel pequeno para analgésico simples e quase nenhum para opioide.

Pista de dor nociceptiva

Pontada que piora ao mover

Dor localizada, em peso ou latejamento, que piora com o movimento ou a carga e melhora com repouso. Tende a responder a anti-inflamatório e analgésico simples.

Pista de dor neuropática

Queimação e choque

Ardência, formigamento ou choque que segue o trajeto de um nervo, às vezes com dormência. Pede adjuvante, não anti-inflamatório.

Essa distinção explica por que tanta gente “já tentou de tudo” sem sucesso: tentou tudo dentro de uma única classe. Quem tem dor neuropática e cicla entre vários anti-inflamatórios está, na prática, repetindo o mesmo mecanismo que não funciona para o seu caso. Reconhecer o tipo de dor é o que abre a porta para a classe certa.

A escada analgésica da OMS

A escada analgésica foi proposta pela Organização Mundial da Saúde para orientar o uso de medicamentos conforme a intensidade da dor, começando pela dor oncológica e hoje aplicada de forma mais ampla, com adaptações. A ideia é simples: começar pelo degrau mais leve e subir apenas se a dor não controlar, sempre com a opção de somar adjuvantes em qualquer degrau.

Degrau 1 · dor leve

Não-opioides: paracetamol, dipirona e anti-inflamatórios. É onde começa a maioria das dores agudas musculoesqueléticas.

Degrau 2 · dor moderada

Opioides fracos, como codeína e tramadol, em geral combinados com não-opioides, por tempo limitado.

Degrau 3 · dor intensa

Opioides potentes, como morfina, reservados a situações selecionadas e à dor oncológica, sob prescrição e monitorização.

Em todos os degraus · adjuvantes

Antidepressivos, anticonvulsivantes, relaxantes e tópicos somam-se conforme o mecanismo da dor, sobretudo a neuropática.

Na dor crônica não oncológica, a escada é usada com leituras importantes. A primeira é que subir de degrau não é automático: muitas vezes a resposta certa não é um analgésico mais forte, e sim mudar de classe (passar a um adjuvante) ou somar tratamento não farmacológico. A segunda é que o degrau dos opioides é o de uso mais cauteloso, pela tolerância, pela dependência e pelo risco de hiperalgesia, em que o próprio opioide passa a aumentar a sensibilidade à dor. Por isso, na dor crônica musculoesquelética, o esforço se concentra nos degraus iniciais e, sobretudo, fora da medicação.

Diretriz internacionalRecomendação consolidada

Adjuvantes como primeira linha na dor neuropática

Diretrizes de dor neuropática posicionam antidepressivos (tricíclicos e duloxetina) e gabapentinoides (gabapentina, pregabalina) como primeira linha, à frente dos analgésicos simples e dos opioides. É a tradução prática de que dor neuropática pede neuromodulação, não anti-inflamatório.

Ver referências →

Não-opioides: paracetamol, dipirona e anti-inflamatórios

São a base do primeiro degrau e os analgésicos mais usados no dia a dia. Apesar de comuns, têm mecanismos e perfis de segurança diferentes entre si, e conhecê-los evita combinações desnecessárias e uso prolongado sem critério.

Paracetamol

Mecanismo
atua predominantemente no sistema nervoso central, com efeito analgésico e antitérmico e ação anti-inflamatória mínima.
Para que serve
dor leve a moderada e febre, sendo uma boa primeira escolha quando o anti-inflamatório é desaconselhado.
O que esperar
alívio modesto e previsível na dor leve; é frequentemente combinado a outras classes.
Segurança
o ponto crítico é a dose total diária e a função do fígado, já que o excesso é hepatotóxico; cuidado redobrado com bebida alcoólica e com associações que já contêm paracetamol.

Dipirona

Mecanismo
analgésico e antitérmico de ação central e periférica, com efeito também sobre a musculatura lisa (espasmolítico).
Para que serve
dor aguda leve a moderada e febre, muito usada no Brasil.
O que esperar
bom alívio na dor aguda, com início relativamente rápido.
Segurança
em geral bem tolerada; o efeito adverso temido, ainda que raro, é uma queda importante das células de defesa do sangue (agranulocitose), o que reforça que o uso seja orientado e não indefinido.

Anti-inflamatórios não esteroides

Mecanismo
bloqueiam as enzimas ciclo-oxigenase (COX-1 e COX-2), reduzindo a produção de prostaglandinas, mediadoras da inflamação e da dor.
Para que serve
dor com componente inflamatório, como tendinites, bursites, crises de artrose, dor muscular e dor de coluna mecânica. Aqui entram ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, cetoprofeno, nimesulida e celecoxibe, este último mais seletivo para a COX-2.
O que esperar
bom alívio quando há de fato inflamação, em geral por períodos curtos.
Segurança
é a classe que mais exige cautela. Os principais riscos são gástrico (úlcera e sangramento), renal (sobretudo em desidratação, idosos e doença renal) e cardiovascular. São desaconselhados ou usados com muito cuidado em quem tem doença renal, úlcera, insuficiência cardíaca, e na gestação avançada.
Mito

“Anti-inflamatório é o remédio mais forte para qualquer dor.”

Fato

O anti-inflamatório só é “forte” quando a dor é inflamatória. Numa dor neuropática, ele costuma ser pouco eficaz, por mais que se aumente a dose, e ainda expõe ao risco gástrico, renal e cardiovascular.

Adjuvantes: os analgésicos que agem no nervo

Os adjuvantes são medicamentos que não foram criados como analgésicos, mas que controlam a dor agindo sobre a transmissão e a modulação do estímulo doloroso no sistema nervoso. São a peça central no manejo da dor neuropática e da dor crônica, e justamente por isso costumam ser subutilizados por quem tenta tratar tudo com anti-inflamatório.

Antidepressivos tricíclicos e duais

Mecanismo
a amitriptilina e a nortriptilina (tricíclicos) e a duloxetina (dual, inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina) reforçam as vias inibitórias descendentes da dor, que partem do tronco encefálico e “freiam” o sinal doloroso na medula.
Para que serve
dor neuropática, dor crônica difusa, fibromialgia e, em dose baixa, alguns quadros de cefaleia e dor cervical persistente.
O que esperar
o efeito analgésico aparece em dose menor que a antidepressiva e leva de uma a algumas semanas; a melhora é gradual.
Segurança
os tricíclicos podem causar sonolência, boca seca e efeitos cardiovasculares, exigindo cautela em idosos; a duloxetina costuma ser mais bem tolerada. A dose é titulada lentamente pelo médico.

Anticonvulsivantes (gabapentinoides)

Mecanismo
a gabapentina e a pregabalina ligam-se a uma subunidade dos canais de cálcio nos neurônios e reduzem a liberação de neurotransmissores excitatórios, diminuindo a hiperexcitabilidade que sustenta a dor neuropática.
Para que serve
dor neuropática de várias origens, como neuropatias e dor radicular com ardência e choque.
O que esperar
a dose é aumentada de forma escalonada até a faixa eficaz; o alívio é progressivo.
Segurança
tontura, sonolência e edema são os efeitos mais comuns, em geral dependentes da dose; o ajuste é necessário na doença renal.

Relaxantes musculares

Mecanismo
a maioria, como a ciclobenzaprina, age no sistema nervoso central reduzindo o tônus e o espasmo muscular, e não diretamente no músculo.
Para que serve
espasmo muscular agudo, como em uma crise de dor lombar ou cervical, por períodos curtos.
O que esperar
alívio do componente de espasmo, somado às demais medidas.
Segurança
a sonolência é frequente e limita o uso diurno e prolongado; é uma classe de papel adjuvante e tempo definido, detalhada na página de relaxantes musculares.
Assista: Saiba a diferença entre Analgésicos, Antibióticos e Anti-inflamatórios

Opioides e analgésicos tópicos

Opioides: uso criterioso, sob prescrição

Mecanismo
ativam receptores opioides no sistema nervoso central e periférico, reduzindo a transmissão e a percepção da dor.
Para que serve
dor intensa em situações selecionadas, dor aguda grave por tempo curto e dor oncológica, em que têm papel consolidado. A codeína e o tramadol são considerados opioides “fracos” (degrau 2); a morfina e similares, potentes (degrau 3).
O que esperar
alívio significativo na dor aguda apropriada, mas com benefício limitado e decrescente na dor crônica não oncológica.
Segurança
é a classe de uso mais delicado, pelos riscos de tolerância (necessidade de doses crescentes), dependência, constipação, sedação, depressão respiratória e hiperalgesia induzida por opioide. Por tudo isso, são medicamentos controlados, usados sob prescrição e monitorização, jamais por automedicação. O assunto é tratado em profundidade na página de opioides para dor.
Atenção · sobre buscar “tramadol sem receita” ou “similar ao tramadol”

Por que essa busca é um sinal para procurar avaliação, não um atalho

  • O tramadol é um opioide e medicamento controlado: o uso sem prescrição e sem acompanhamento expõe a riscos sérios, incluindo dependência e interações perigosas.
  • Não existe “similar sem receita” seguro para substituir um opioide; procurar isso costuma indicar dor mal controlada que merece um diagnóstico.
  • Dor que faz alguém buscar um opioide por conta própria é, quase sempre, dor que está pedindo um plano de tratamento, não uma dose maior.

Analgésicos tópicos: lidocaína e capsaicina

Mecanismo
a lidocaína tópica bloqueia os canais de sódio das fibras nervosas no local, reduzindo a transmissão da dor; a capsaicina dessensibiliza as terminações nervosas que expressam o receptor TRPV1 após aplicação repetida.
Para que serve
dor localizada, sobretudo neuropática periférica em uma área delimitada.
O que esperar
efeito local, útil como camada adicional, com a vantagem da baixa absorção para o corpo todo.
Segurança
reações locais como ardência e vermelhidão são as mais comuns; a aplicação segue a orientação médica.

Como encaixar o remédio, e por que ele é só uma camada

A escolha do analgésico, na medicina da dor, segue uma lógica que liga o tipo de dor à classe e à intensidade. A dor nociceptiva inflamatória aguda começa pelos não-opioides e anti-inflamatórios por tempo curto; a dor neuropática vai direto aos adjuvantes, independentemente da intensidade; a dor com espasmo associa um relaxante por poucos dias; a dor mista combina classes que cobrem cada componente; e a dor nociplástica apoia-se na neuromodulação e na reabilitação. Casar o medicamento ao mecanismo é o que faz o tratamento sair do “tentar de tudo”.

Mas há um ponto que precede o remédio e que define o resultado a médio prazo: nenhum analgésico trata a causa da dor. Ele desliga ou abaixa o alarme, não conserta o que disparou o alarme. Por isso, no nosso plano, o medicamento entra como uma camada de um plano multimodal que combina mecanismos diferentes em vez de empilhar fármacos da mesma classe, e cuja base ativa é a reabilitação.

As demais técnicas somam-se a ela conforme o caso, e o objetivo é reduzir a dor, recuperar a função e diminuir a necessidade de medicação ao longo do tempo. Abaixo, as principais frentes que costumamos combinar, cada uma com o que faz e o que se pode esperar.

Reabilitação e exercício: a base do plano

Mecanismo
a fisioterapia, a cinesioterapia, o RPG e o Pilates clínico melhoram controle motor, força e mobilidade, dessensibilizam o movimento e corrigem fatores de sobrecarga que mantêm a dor.
Evidência
o exercício é o único “analgésico” sem dose-teto e sem custo gástrico, renal ou hepático: na dor musculoesquelética crônica supera o repouso, e é a frente que mais costuma permitir baixar a dose dos anti-inflamatórios e abreviar o uso de relaxante e opioide.
O que esperar
resposta gradual ao longo de semanas, com atendimento individual (um paciente por sala); é o que mais reduz recorrência e, com frequência, a dose de remédio. Diferente do analgésico, que age enquanto está no organismo, o ganho da reabilitação permanece depois que o tratamento termina, e é por isso que ela é a base, e não um complemento.

Acupuntura médica e eletroacupuntura: o aliado contra a polifarmácia

Mecanismo
a acupuntura médica modula a dor por mecanismos segmentares no corno dorsal da medula (teoria da comporta), ativa as vias inibitórias descendentes e estimula a liberação de opioides endógenos; na eletroacupuntura, a corrente de baixa frequência reforça esse recrutamento opioide.
Por que entra numa página de analgésicos
ela atua na mesma via inibitória descendente que os adjuvantes e os opioides tentam ativar, só que sem dose, sem hepatotoxicidade e sem o teto gástrico ou renal do anti-inflamatório.
Evidência
moderada para dor cervical e lombar crônicas e para cefaleia e enxaqueca, com recomendação de diretrizes em contextos selecionados.
O que esperar
o ganho na acupuntura é cumulativo, então é avaliado ao longo de algumas semanas de sessões e não na primeira aplicação; o desfecho que mais interessa aqui não é só a nota de dor, é conseguir reduzir a dose ou o número de remédios sem que a dor volte. Na clínica, a acupuntura é integrada ao acompanhamento da prescrição, o que permite usá-la como critério para ir desmontando o esquema de analgésicos com segurança, em vez de tratá-la como um serviço à parte do tratamento medicamentoso.
Limitações
desconforto ou pequeno hematoma no ponto são os efeitos comuns; pede cautela em quem usa anticoagulante e não dispensa o tratamento ativo.

Bloqueios e procedimentos para abrir uma janela

Mecanismo
a injeção de anestésico local, por vezes com corticoide, ao redor de um nervo ou estrutura interrompe por um tempo a condução do estímulo doloroso.
Por que importa no contexto da medicação
o objetivo não é substituir um remédio por uma injeção indefinidamente, e sim baixar a dor o suficiente para a pessoa conseguir fazer reabilitação e, com isso, sair do uso contínuo de analgésico.
Indicações
quadros selecionados como neuralgia occipital e cefaleia cervicogênica refratária, dor do ombro e dor glútea, conforme a origem.
O que esperar
alívio que costuma durar de dias a algumas semanas; é um recurso pontual dentro do plano, usado quando a dor trava o progresso, e não um tratamento isolado.
Limitações
efeito temporário e dependente do diagnóstico correto da fonte da dor.

Repare na lógica do conjunto, que é o oposto da escada usada de forma automática: à medida que a reabilitação avança e essas frentes atuam sobre a fonte da dor, o papel do analgésico tende a diminuir, em vez de escalar degrau após degrau. Esse é o desfecho que perseguimos: a dose que cai com o tempo, não a que sobe. O medicamento abre espaço para o tratamento; o tratamento é o que muda o curso.

Da prática clínica

Quem chega ao consultório com dor crônica raramente está tomando um analgésico. Está empilhando vários: um anti-inflamatório de manhã, dipirona à tarde, um comprimido de farmácia que “tem de tudo” à noite, e às vezes um relaxante por cima. A soma costuma trazer mais efeito adverso do que alívio, porque muitos desses remédios atuam no mesmo ponto da via da dor e dividem os mesmos riscos gástrico e renal, sem se somarem em benefício.

O que mais surpreende as pessoas é a ideia de teto. Existe uma dose acima da qual o anti-inflamatório não alivia mais, só intoxica mais, e dobrar o comprimido na crise não dobra o efeito. Quando alguém me diz que “já tomou o dobro e não adiantou”, em geral não falta dose: falta a classe certa para aquele mecanismo de dor.

E há o momento em que subir é o erro. Diante de uma dor que não cede, o reflexo é pedir algo mais forte; mas se a dor é neuropática ou nociplástica, o opioide forte tende a decepcionar e ainda cobra a conta da dependência. Nesses casos, escalar a potência é andar mais rápido na direção errada. O ajuste costuma ser para o lado, trocando de mecanismo, e não para cima.

Segurança, interações e por que não se automedicar

Render de uma cabeça humana formada por centenas de comprimidos levando um comprimido à boca
O uso excessivo de analgésicos pode perpetuar a dor e gerar dependência, por isso a segurança exige controle de doses

Por serem acessíveis, os analgésicos passam a impressão de serem inofensivos, e não são. Cada classe tem o seu ponto de cautela, e o uso por conta própria, sobretudo prolongado, é uma fonte comum de problemas que vejo no consultório.

Combinar dentro da classe x combinar classes

A regra que circula é “não misture remédios”, e ela apaga a parte que mais importa: o perigo está em combinar dentro da mesma classe, não em combinar classes diferentes. Dois anti-inflamatórios juntos somam risco gástrico e renal sem somar alívio; já um analgésico simples com um adjuvante, ou com um tópico, são mecanismos distintos que se complementam, e essa combinação racional é justamente a base da analgesia multimodal usada para precisar de menos remédio, não de mais. O problema quase nunca é a quantidade de caixas na gaveta. É o paciente repetir o mesmo mecanismo, achando que está variando o tratamento porque trocou de marca.

  • Não somar anti-inflamatórios. Usar dois anti-inflamatórios juntos aumenta o risco gástrico e renal sem ganhar alívio.
  • Cuidado com o paracetamol “escondido”. Várias associações já o contêm; somar sem perceber pode ultrapassar a dose segura para o fígado.
  • Anti-inflamatório pede atenção a rim, estômago e coração. Doença renal, úlcera, insuficiência cardíaca e gestação avançada exigem cautela ou contraindicam.
  • Opioide não é para automedicação. São controlados, com risco de dependência e interações; buscar “sem receita” é sinal de alerta, não solução.
  • Dor que volta sempre é diagnóstico, não dose. Usar analgésico de forma crônica para mascarar uma dor sem investigá-la atrasa o tratamento certo.

Há ainda um efeito específico que merece menção: o uso frequente de analgésicos para dor de cabeça pode, paradoxalmente, gerar uma cefaleia por uso excessivo de medicamentos, em que o próprio remédio passa a sustentar a dor. É mais um exemplo de que tomar analgésico sem orientação, de forma repetida, pode piorar justamente o que se queria aliviar.

A escolha do analgésico, a dose e a duração dependem do diagnóstico, das doenças associadas e dos demais medicamentos em uso, e são definidas em consulta.

O essencial em três linhas
  • Classe certa para o tipo de dor certo: anti-inflamatório para dor inflamatória, adjuvante para dor neuropática.
  • A escada da OMS organiza a intensidade, mas subir de degrau nem sempre é a resposta; mudar de classe ou somar tratamento muitas vezes é.
  • O remédio é uma camada; a reabilitação e as técnicas em clínica são o que mudam o curso da dor.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

O que são analgésicos e para que servem?

Analgésicos são medicamentos usados para aliviar a dor. O termo reúne classes diferentes, dos analgésicos simples (paracetamol, dipirona) e anti-inflamatórios aos adjuvantes (antidepressivos e anticonvulsivantes), opioides e tópicos. Servem para reduzir a dor, mas não tratam a sua causa, por isso entram como parte de um plano, não como solução única.

Qual a diferença entre analgésico e anti-inflamatório?

Anti-inflamatório é um tipo de analgésico. O analgésico é o conjunto de remédios que aliviam a dor; o anti-inflamatório é a classe que reduz a dor agindo sobre a inflamação. Nem toda dor é inflamatória, então nem sempre o anti-inflamatório é o analgésico indicado.

Qual o analgésico mais forte para dor?

Não existe um “mais forte” universal. O analgésico certo é o que combina com o tipo de dor: na dor inflamatória, um anti-inflamatório pode ser muito eficaz; na dor neuropática, um adjuvante funciona onde o anti-inflamatório falha, por mais “forte” que pareça. Os opioides, mais potentes, são reservados a situações selecionadas e à dor oncológica, sob prescrição.

Existe remédio similar ao tramadol sem receita?

Não há substituto seguro do tramadol vendido sem receita. O tramadol é um opioide e medicamento controlado, com risco de dependência e interações. Buscar um “similar sem receita” costuma indicar dor mal controlada, que merece avaliação e um plano de tratamento, e não um atalho por conta própria.

Posso tomar analgésico todo dia?

O uso diário e prolongado sem orientação não é recomendado. Cada classe tem riscos (gástrico, renal e cardiovascular nos anti-inflamatórios; hepático no paracetamol em excesso; dependência nos opioides), e o uso frequente para dor de cabeça pode até gerar cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Dor que exige analgésico todo dia precisa de diagnóstico.

Qual analgésico é indicado para dor neuropática?

A dor neuropática (ardência, choque, formigamento) responde melhor aos adjuvantes: antidepressivos como amitriptilina, nortriptilina e duloxetina, e anticonvulsivantes como gabapentina e pregabalina. Os anti-inflamatórios comuns costumam ser pouco eficazes nesse tipo de dor. A escolha e a dose são definidas pelo médico.

Analgésico resolve dor de coluna?

Ajuda a aliviar a crise, mas não trata a causa. A dor de coluna costuma ter componente mecânico e, às vezes, radicular, e o tratamento que muda o curso é a reabilitação somada a técnicas em clínica quando indicadas. O remédio abre espaço para esse trabalho; sozinho, tende a oferecer alívio temporário.

Quando devo procurar um médico em vez de me automedicar?

Sempre que a dor for intensa, persistir por semanas, voltar com frequência, descer pelo braço ou pela perna com formigamento ou fraqueza, ou exigir analgésico quase todos os dias. Um médico fisiatra ou da dor pode definir o tipo de dor, escolher a classe certa e montar o plano.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Vargas-Schaffer G. Is the WHO analgesic ladder still valid? Twenty-four years of experience. Can Fam Physician. 2010;56(6):514 a 517. acessar
  2. Finnerup NB, Attal N, Haroutounian S, et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults: a systematic review and meta-analysis. Lancet Neurol. 2015;14(2):162 a 173. acessar
  3. Lunn MPT, Hughes RAC, Wiffen PJ. Duloxetine for treating painful neuropathy, chronic pain or fibromyalgia. Cochrane Database Syst Rev. 2014;2014(1):CD007115. acessar
  4. Toms L, McQuay HJ, Derry S, Moore RA. Single dose oral paracetamol (acetaminophen) for postoperative pain in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2008;2008(4):CD004602. acessar
  5. Argoff et al. Analgesia multimodal para dor crônica: fundamentos e direções futuras. Pain Medicine. 2009. ver resumo
  6. Helander et al. Analgesia Multimodal: Conceitos Atuais e Considerações para Dor Aguda. Current Pain and Headache Reports. 2017. ver resumo
Atualizado em 01 jun 2026 Leitura 13 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Iniciar, ajustar, combinar ou suspender qualquer analgésico cabe exclusivamente ao médico assistente.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

Quatro décadas de medicina da dor não cirúrgica, tudo em um só endereço:

Na mídia Globo Folha de S.Paulo Estadão UOL Band SBT IstoÉ ESPN Vogue Marie Claire TV Gazeta