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Edema do ligamento interespinhoso – O que é?

O que é um ligamento interespinhoso?

As vértebras são formadas por um osso compacto em forma de barril do qual se projetam expansões ósseas. Uma dessas expansões circunda um espaço livre, o forame vertebral, e é chamada de processo espinhoso.

A conexão dos processos espinhosos de vértebras adjacentes na parte dorsal da coluna é realizada por lâminas musculares. Cada uma delas é um ligamento interespinhoso.

Com seu formato anatômico variando de acordo com a região da coluna, o ligamento interespinhoso serve de apoio para músculos dorsais mais superficiais do que ele. O conjunto dos ligamentos interespinhosos estabiliza a coluna durante a movimentação do tronco.

Assim como os ligamentos amarelos, os ligamentos interespinhosos são inervados por terminações de nervos sensoriais. Portanto, estímulos percebidos na porção profunda da coluna são transportados para o sistema nervoso central e interpretados.

LIGAMENTO INTERESPINHOSO

Ligamentos interespinhosos e a doença de Baastrup

Por ter sido descrita pelo médico Christian Baastrup em 1933, a doença recebeu esse nome. Nessa patologia, processos espinhosos de vértebras adjacentes se aproximam e se tocam. Essa condição leva a alterações mecânicas nos ligamentos interespinhosos, que se inflamam.

O processo inflamatório provoca o aparecimento de bursas, que são compartimentos com líquido em regiões de atrito. Uma dessas regiões pode ser a superfície dos músculos dos ligamentos interespinhosos. A inflamação faz com que os ligamentos se tornem espessos, mais volumosos do que o normal.

O portador da disfunção, também conhecida como artrose interespinhosa lombar, sofre com crises de lombalgia ou coluna travada. A dor aguda acontece principalmente quando o indivíduo tenta estender a coluna.  Quando a coluna está flexionada, a sensação dolorosa diminui ou cessa.

Embora a prevalência da doença de Baastrup não seja tão baixa, especialmente em pessoas com mais de 65 anos, seu diagnóstico não é tão fácil.

Existem limitações técnicas na obtenção de imagens por ressonância magnética que dificultam avaliar se a dor é causada pelo espessamento do ligamento interespinhoso ou por disfunção em outros músculos, uma vez que a lombalgia está presente, mesmo com origens diferentes. Portanto, em muitas vezes o diagnóstico não é preciso.

 

Tratamentos indicados para a doença de Baastrup

O tratamento convencional, assim como o de outros problemas envolvendo lombalgia, inclui a prescrição de analgésicos acompanhados ou não de anti-inflamatórios não esteroidais.

Existem relatos de sucesso do uso de infiltração (injeção de corticoide diretamente sobre a bursa) guiada por imagens produzidas por aparelhos de raio-x ou por ultrassonografia.

A técnica, além de trazer alívio, auxilia no diagnóstico da doença de Baastrup. Esse tipo de aplicação é realizado com o paciente em decúbito dorsal. A área a ser submetida à injeção é previamente anestesiada. As imagens possibilitam o posicionamento da agulha exatamente sobre os processos espinhosos afetados.

É possível que o paciente sinta certo desconforto na região que recebeu a infiltração ao longo dos dias seguintes a ela. No entanto, compressas de gelo podem aliviar esse desconforto.

Já os procedimentos cirúrgicos, como os que têm o objetivo de afastar os processos espinhosos, ainda são bastante questionados.

Referências

Lamer TJ, Tiede JM, Fenton DS. (2008). Fluoroscopically-guided injections to treat “kissing spine” disease. Pain Physician, 11(4), 549-54.

Philipp, L. R., Baum, G. R., Grossberg, J. A., & Ahmad, F. U. (2016). Baastrup’s Disease: an often missed etiology for back pain. Cureus, 8(1), e465.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

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