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Efeito ansiolítico da Acupuntura reduz ansiedade

Quem teve a sorte de não ser contaminado pela Covid, pode estar lidando com outra epidemia – a da ansiedade. Antes mesmo do aparecimento do coronavírus, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já tinha feito o alerta: o Brasil é o país com o maior número de indivíduos com ansiedade do mundo, condição que acomete cerca de 19 milhões de brasileiros, o equivalente a quase 10% de toda a população.

O isolamento social, o medo de uma ameaça real, e a incerteza em relação ao futuro não só aumentaram essa estatística como podem ter agravado esse estado emocional.

Soma-se a isso a falta dos possíveis tratamentos relacionados à ansiedade, que podem ter sido adiados com o pretexto da quarentena mas também decorrem do estigma e do tabu dos problemas de saúde mental.

O primeiro passo em direção a uma maior qualidade de vida é obter informações confiáveis sobre as suas emoções e sobre como elas funcionam.  As melhores práticas médicas sugerem que a terapia dos transtornos de ansiedade deve ser sempre personalizadas.

Em alguns casos, pequenas mudanças no estilo de vida, acompanhamento psicológico e abordagens da MTC (Medicina Tradicional Chinesa), como a acupuntura, trazem bem-estar físico e mental duradouro, mesmo em tempos difíceis como os atuais.

 

 

Entenda a ansiedade

O seu corpo foi projetado para reagir ao estresse, mecanismo pode ser benéfico em situações específicas, como quando você está diante do perigo. Nesse momento você fica mais alerta e se prepara para agir. Assim, é natural sentir-se ansioso e amedrontado diante de desafios como uma entrevista de emprego ou uma prova.

Contudo, para alguns indivíduos, tais emoções são difíceis de serem controladas. A APA (sigla em inglês para Associação Americana de Psiquiatria) define esse estado como uma preocupação constante relativa a alguma circunstância futura, e que está associada à tensão muscular e ao comportamento de evitação.

Quando esse quadro se instala, o medo e a ansiedade alcançam limites extremos, e logo os  prejuízos aparecem. Eles começam com a tentativa de evitar as situações que agravam essas sensações, e tal prática passa a influenciar, negativamente, a performance profissional,  estudantil e as relações sociais.

 

De onde vem esse medo?

A ansiedade é o principal sintoma de várias doenças emocionais, chamadas genericamente de transtornos de ansiedade.  Até o momento não sabemos porque eles se manifestam. Cogita-se que sejam o resultado da combinação de fatores genéticos, ambientais, psicológicos e de desenvolvimento. Assim, é comum observar a presença de algumas das seguintes condições:

  • Histórico familiar de ansiedade
  • Comportamentos temperamentais ou timidez já na infância
  • Exposição a estresse, eventos ou ambientes negativos na infância, ou na idade adulta
  • Enfermidades como problemas na tireoide ou arritmia
  • Consumo de cafeína ou substâncias que desencadeiam ou agravam os sintomas da ansiedade

 

Um sintoma, várias enfermidades

Quando a ansiedade é considerada patológica, ela se classifica em várias modalidades, como o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), a síndrome do pânico, fobias social e específicas, transtorno obsessivo compulsivo e do estresse pós-traumático, entre outras.

Saiba como reconhecê-los:

  • 01.Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) – Pessoas com transtorno de ansiedade generalizada apresentam ansiedade e medo intensos, grande parte do tempo e pelo menos por 6 meses. E suas preocupações se referem à saúde pessoal, o trabalho, interações sociais e circunstâncias da vida cotidiana. Esse quadro afeta negativamente as várias áreas da vida. Entre esses indivíduos é comum sintomas como cansaço, sensação de estar no limite, irritação, dificuldade de concentração, tensão muscular, dificuldade de controlar temores, problemas de sono;
  • 02.Transtorno de pânico – Relaciona-se ao medo e à ansiedade, mas também provoca sintomas físicos. As crises acontecem de forma rápida e inesperada, e são uma resposta a algum fator desencadeante como o medo de algum objeto ou situação, alcançando seu pico em alguns minutos. Palpitação, sudorese, tremor e tontura, respiração curta ou sensação de sufocamento, bem como de falta de controle são alguns dos sintomas vivenciados por essas pessoas. Entre elas, há sempre apreensão pela próxima crise, o que leva a comportamentos evasivos que repercutem nas várias esferas da vida;
  • 03.Fobias – São definidas como o medo intenso ou a aversão fora do razoável a situações ou objetos. Pacientes com fobias são hábeis em evitá-los, apresentam ansiedade intensa ao saber que poderiam se deparar com essas circunstâncias , caso não seja possível driblar a confrontação, reagem com intensa ansiedade;
  • 04.Fobias específicas – O medo se dirige a objetos ou situações determinadas como voar, altura, animais específicos (cachorros, animais, aranhas etc.), sangue;
  • 05.Transtorno de ansiedade social – Aqui, o medo e a ansiedade se dirigem para situações sociais ou de performance. A preocupação é a avaliação negativa, por parte dos outros, das ações e comportamentos associados à ansiedade, o que leva a um estado de desconforto. Pode manifestar-se em ambientes profissionais e escolares;
  • 06.Transtorno de ansiedade de separação – Imagina-se que esta modalidade está mais relacionada à população pediátrica, mas ela também pode acometer adultos. O medo, aqui, é distanciar-se das pessoas às quais se tem apego. A preocupação é que algo de mal aconteça aos entes queridos durante a separação, o que faz que esses indivíduos evitem o distanciamento e o estarem sós. Pesadelos e sintomas físicos podem aparecer diante da possibilidade desse evento.
  • 07.Transtorno obssessivo compulsivo – Conhecido pela sua sigla TOC, caracteriza-se por pensamentos, idéias e imagens que se apresentam como dúvidas que sempre retornam e precisam ser resolvidas, o que a pessoa faz repetindo padrões de comportamentos dos quais se torna dependente.
  • 08.Transtorno de estresse pós-traumático – Decorre de um evento grave e leva o indivíduo a temer situações semelhantes, mesmo que ocorram no dia a dia.

Em busca de alívio

Caso observe que alguns desses sintomas atrapalham o seu cotidiano, a melhor coisa a fazer é procurar ajuda. O ideal seria passar por uma avaliação médica para descartar a existência de algum outro problema de saúde. Uma vez constatada a ausência de doenças, você será encaminhado para um especialista, em geral, o psiquiatra.

Embora existam vários tipos de ansiedade, a maioria dos pacientes responde bem à combinação de duas estratégias terapêuticas – a psicoterapia e medicamentos. Mas atenção: a própria APA declara que uma estratégia depende da outra, porque não existe pílula mágica que resolva o problema: “os fármacos não curam a ansiedade, embora sejam efetivos no controle dos sintomas”.

As medicações mais usadas são algumas classes de antidepressivos. Os betabloqueadores, indicados para doenças do coração, também ajudam no controle dos sintomas físicos.

Um detalhe importante dessa abordagem médica é que as medicações que combatem a depressão demoram para começar a fazer efeito. Assim, jamais desista do tratamento porque não percebe em si uma melhora substancial. Aliás, esses fármacos jamais devem ser descontinuados sem orientação médica. A razão para isso é a possibilidade de efeito rebote, ou seja, o agravamento dos sintomas da ansiedade, o que não é desejável.

 

 

O papel da acupuntura

De modo geral a acupuntura estimula o Sistema Nervoso Central (SNC) para que ele libere moléculas neuroquímicas. Isso resulta em mudanças bioquímicas capazes de influenciar os mecanismos de equilíbrio do organismo, além de promover o bem-estar físico e emocional e reduzir efeitos colaterais dos medicamentos.

As pesquisas científicas mais recentes têm mostrado que a prática pode até ser comparada à Terapia Cognitivo Comportamental, intervenção muito útil no gerenciamento da ansiedade, especialmente quando a iniciativa de se submeter à acupuntura parte do paciente. Uma explicação para esse benefício são as várias frentes nas quais essa técnica atua. Confira:

Áreas cerebrais conhecidas por reduzirem a sensibilidade à dor e ao estresse, além de promover relaxamento e a desativação do “cérebro analítico”, responsável pelo medo e a ansiedade;

Regulação dos níveis de neurotransmissores (ou seus moduladores) e hormônios como a serotonina, noradrenalina, dopamina, GABA, neuropeptídeos Y e ACTH, além de alterar a química cerebral que auxilia no combate combate de estados afetivos negativos;

Estímulo de analgésicos endógenos que afetam o Sistema Nervoso Autônomo. O estresse ativa o sistema nervoso simpático, enquanto a acupuntura ativa o sistema nervoso parassimpático, encarregado de iniciar a resposta de relaxamento;

Reversão de mudanças patológicas nos níveis de citoquinas (mediadoras da resposta de defesa do corpo) inflamatórias associadas à ansiedade;

Reversão de mudanças induzidas pelo estresse no comportamento e na bioquímica orgânica.

 

 

O que diz a ciência

O Centro Nacional para a Saúde Complementar e Integrativa (na sigla em inglês, NCCIH), do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, está em constante monitoramento das evidências científicas sobre práticas da medicina complementar e integrativa, o que inclui a MTC (Medicina Tradicional Chinesa).

Em agosto de 2020, as informações sobre a acupuntura no tratamento da ansiedade foram atualizadas. Os destaques são uma revisão de 32 estudos de 2012, e uma meta-análise (tipo de pesquisa que analisa resultados de estudos independentes) de 2014. Os cientistas encontraram resultados positivos, especialmente para o transtorno de ansiedade generalizada.

Apesar disso, os pesquisadores criticaram a qualidade dos estudos, seja pelo número de participantes, seja pela metodologia utilizada. É preciso ressaltar que tais conclusões não significam que a acupuntura não seja eficaz. É justamente porque a prática milenar beneficia muitas pessoas que as pesquisas continuam avançando, especialmente para avaliar seu efeito em tipos específicos de ansiedade.

Quando o objetivo é equilibrar corpo e mente, potencializar o tratamento combinado, ou mesmo colaborar para a redução de efeitos colaterais e das doses dos medicamentos usados para tratar os transtornos de ansiedade, a acupuntura pode ser sua grande aliada. Aliás, o NCCIH garante a sua segurança, desde que praticada por um profissional habilitado: “relatos de eventos adversos são raros”.

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524 | Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorando em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).  

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  • Estou fazendo acunputura para tratar Labirintite .Sinto que melhorou sem sl tomar nenhum remédio.Gostaria de saber quanto tempo e necessário para melhora total

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