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Saúde mental · Eixo dor-ansiedade

Preocupação e ansiedade: 10 diferenças, critérios e tratamento

A preocupação normal é proporcional, transitória e focada; o transtorno de ansiedade é excessivo, incontrolável e persistente, com sintomas no corpo e prejuízo na vida. O texto separa os dois pelos critérios diagnósticos, explica a neurobiologia e detalha o tratamento de primeira linha, conduzido pela psicologia e pela psiquiatria.

Resposta direta
  • Preocupação é uma resposta adaptativa a um problema concreto: proporcional à ameaça, transitória, focada num objeto e não incapacitante. Resolvida a questão, a mente sossega. É uma ferramenta de antecipação.
  • Transtorno de ansiedade (no transtorno de ansiedade generalizada, o TAG) é uma preocupação excessiva e difícil de controlar, na maioria dos dias, por 6 meses ou mais, com sintomas somáticos (inquietação, fadiga, tensão muscular, insônia) e prejuízo funcional. É uma condição com base neurobiológica, não falta de vontade.
  • O tratamento de primeira linha é psicológico e psiquiátrico: terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, quando indicado, antidepressivos das classes ISRS ou IRSN. Conduzido por essas especialidades.
  • Se há sofrimento intenso ou pensamentos de morte, procure ajuda agora: CVV 188 (ligação gratuita, 24h) ou uma emergência.
  • A clínica de dor atua de forma adjuvante e calibrada no eixo dor-ansiedade: tratamos a tensão muscular, a dor amplificada e o bruxismo doloroso.
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Preocupação adaptativa: as quatro marcas

A preocupação saudável é o trabalho que a mente faz ao se ocupar de antemão de um problema real: você pensa numa prova, numa conta a pagar ou na saúde de alguém, planeja uma saída e, resolvida a questão, o pensamento se dissolve. Tem valor adaptativo, porque mobiliza atenção e energia para o que importa.

Quatro marcas definem essa faixa normal e ajudam a contrastá-la com o transtorno. A preocupação adaptativa é proporcional (cresce e diminui com o tamanho real da ameaça), transitória (tem hora para acabar, em geral quando o problema se resolve ou se esclarece), focada (tem um objeto claro: “preciso entregar este relatório”) e não incapacitante (não toma conta do corpo nem do dia, e a pessoa consegue, com algum esforço, redirecionar a atenção). Em psiquiatria, falamos de uma resposta funcional, integrada à vida.

Estar apreensivo diante de um evento importante, como uma cirurgia marcada ou uma mudança de emprego, faz parte dessa faixa. O problema não é sentir, e sim quando o sentir não cessa, perde a proporção, se generaliza para tudo e passa a doer no corpo. É aí que a preocupação deixa de ser ferramenta e o quadro se aproxima do transtorno de ansiedade.

Sala de fisioterapia com maca azul, equipamentos de treino de marcha e janela redonda
Reabilitação na clínica Sala de fisioterapia voltada ao treino de marcha e exercícios funcionais.

Transtorno de ansiedade: critérios diagnósticos

A ansiedade, em si, é uma emoção humana e útil em doses pequenas: é o sistema de alarme que prepara o organismo para o perigo. O problema aparece quando esse alarme dispara sem ameaça proporcional, fica ligado o tempo todo e provoca sofrimento e perda de função. Quando esse padrão se mantém, falamos de um transtorno de ansiedade, categoria que reúne quadros como o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), o transtorno de pânico e o transtorno de ansiedade social.

O caso mais próximo da “preocupação que não passa” é o TAG. Os critérios diagnósticos do transtorno tornam o diagnóstico verificável, não uma impressão vaga. São, em resumo: ansiedade e preocupação excessivas, na maioria dos dias, por pelo menos 6 meses, sobre várias situações; dificuldade de controlar a preocupação; e a presença de pelo menos três de seis sintomas somáticos. Há ainda dois requisitos decisivos: o quadro causa sofrimento ou prejuízo funcional e não se explica melhor por outra condição (uso de substância, doença clínica ou outro transtorno).

Duração
Na maioria dos dias, por 6 meses ou mais (no TAG). Distingue o transtorno de uma fase ansiosa passageira.
Conteúdo
Preocupação excessiva e difícil de controlar sobre múltiplos domínios (trabalho, saúde, finanças, família).
Sintomas somáticos (3 de 6)
Inquietação ou “nervos à flor da pele”; fadiga fácil; dificuldade de concentração; irritabilidade; tensão muscular; alteração do sono (dificuldade para iniciar ou manter, ou sono não reparador).
Impacto
Sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no trabalho, no convívio e na rotina.
Exclusão
Não atribuível a substância (cafeína, estimulantes), a doença clínica (hipertireoidismo, arritmia) ou a outro transtorno mental.

Quando o estado se intensifica de forma súbita e avassaladora, com sensação de morte iminente ou de perder o controle, falamos de uma crise, popularmente uma “ansiedade atacada” ou ataque de pânico. O ataque cursa com quatro ou mais sintomas de início abrupto (palpitação, falta de ar, sudorese, tremor, dor torácica, tontura, parestesias, despersonalização), atinge o pico em cerca de 10 minutos e cede em seguida. A crise é assustadora e merece avaliação para afastar causas físicas, mas não é perigosa em si. Tanto o TAG quanto o transtorno de pânico têm tratamento eficaz, conduzido por psicologia e psiquiatria.

Mito

“Ansiedade é frescura ou falta de força de vontade. Basta se distrair e parar de pensar.”

Fato

O transtorno de ansiedade tem base neurobiológica definida (circuito amígdala-córtex pré-frontal, eixo do estresse, neurotransmissores), sintomas físicos reais e impacto mensurável. Não se resolve só com força de vontade, e tem tratamento eficaz.

A neurobiologia: por que o alarme fica ligado

A ansiedade patológica não é um defeito de caráter; é o resultado de um circuito de medo que perdeu o freio. O centro desse circuito é a amígdala, estrutura do lobo temporal que avalia ameaças em milissegundos e dispara a resposta de alarme. Em condições normais, o córtex pré-frontal (sobretudo o córtex pré-frontal ventromedial e o cingulado anterior) modula a amígdala, contextualiza o perigo e desliga o alarme quando ele não se justifica. Estudos de neuroimagem funcional em transtornos de ansiedade descrevem um padrão recorrente: hiperatividade da amígdala diante de estímulos ameaçadores e menor regulação pelo córtex pré-frontal, ou seja, um acelerador sensível demais e um freio que atua de menos.

Esse desequilíbrio se traduz no corpo pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) e pelo sistema nervoso autônomo. Diante da ameaça percebida, o hipotálamo libera CRH, a hipófise libera ACTH e as adrenais liberam cortisol e adrenalina. Quando o alarme fica cronicamente ligado, esse eixo trabalha em excesso, e o tônus simpático elevado explica o cortejo físico: coração acelerado, sudorese, tremor, tensão muscular e alteração do sono. É por isso que a ansiedade “dói” e cansa, e não apenas preocupa.

No nível dos neurotransmissores, três sistemas são centrais. O GABA é o principal neurotransmissor inibitório do cérebro, e uma sinalização gabaérgica insuficiente reduz a “frenagem” dos circuitos de medo (é o sistema que os benzodiazepínicos potencializam, com a ressalva do risco de dependência). A serotonina e a noradrenalina modulam a reatividade da amígdala e o humor, e são justamente os alvos da farmacoterapia de primeira linha. Compreender esse mapa importa por uma razão prática: os tratamentos eficazes agem sobre pontos concretos desse circuito, não sobre uma “fraqueza” imaginária.

A ideia central

No transtorno de ansiedade, a amígdala (acelerador) reage demais e o córtex pré-frontal (freio) regula de menos. O eixo HHA e o tônus simpático elevados produzem os sintomas físicos. Os tratamentos eficazes agem exatamente sobre esses pontos: reaprender o freio (TCC) e modular serotonina e noradrenalina (ISRS/IRSN).

Diferença entre preocupação e ansiedade: 10 pontos

A diferença entre ansiedade e preocupação não está em sentir ou não sentir, mas em quanto, por quanto tempo e com que custo. A tabela resume dez contrastes que ajudam a situar o seu caso. Eles não fecham diagnóstico (isso cabe a uma avaliação clínica estruturada), mas orientam sobre quando a balança pendeu para o lado que merece ajuda.

10 diferenças entre preocupação e ansiedade
AspectoPreocupação (adaptativa)Ansiedade (transtorno)
1. GatilhoProblema real e concretoMuitas vezes sem ameaça proporcional ou imaginária
2. FocoEspecífica, um tema por vezDifusa, pula de um assunto a outro
3. DuraçãoPassageira; cessa quando resolvePersistente; na maioria dos dias por 6 meses ou mais (TAG)
4. IntensidadeProporcional ao problemaDesproporcional, excessiva
5. ControleA pessoa consegue redirecionar o focoDifícil de controlar, mesmo reconhecendo o exagero
6. CorpoPouco ou nenhum sintoma físicoTensão muscular, fadiga, insônia, palpitação, falta de ar
7. FunçãoAjuda a planejar e resolverAtrapalha o trabalho, o sono e as relações
8. ComportamentoLeva à ação que resolveLeva a evitar situações e a procrastinar
9. CrisesNão cursa com ataquesPode ter crises (“ansiedade atacada”/pânico)
10. Necessidade de ajudaEm geral não precisa de tratamentoBeneficia-se de tratamento estruturado

Repare que a maioria dos pontos descreve um continuum, não uma linha rígida. Quase todo mundo transita entre as duas colunas em fases diferentes da vida. O que importa, na prática, é o conjunto: quando vários sinais da coluna da direita aparecem juntos, persistem por meses e cobram um preço na rotina, é hora de buscar uma avaliação.

O limiar: quando a preocupação vira transtorno

Há um limiar reconhecível entre a preocupação que serve e a ansiedade que adoece. Ele se cruza quando a preocupação se torna excessiva e incontrolável (você reconhece que é exagerada, mas não consegue desligar), persistente (não na véspera de um evento, mas na maioria dos dias por semanas a meses), somatizada (com tensão muscular, fadiga, insônia, palpitação) e incapacitante (prejudica trabalho, sono ou relações). Quando esses quatro eixos se somam, o quadro deixou de ser ferramenta e passou a ser um transtorno a tratar.

Para tornar esse limiar mensurável, a prática usa instrumentos de rastreio validados. O mais conhecido é o GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder 7-item), um questionário de sete perguntas sobre as duas últimas semanas, com pontuação de 0 a 21. Pontos de corte habituais classificam a ansiedade em leve (5 a 9), moderada (10 a 14) e grave (15 a 21); valores a partir de 10 costumam indicar a necessidade de avaliação aprofundada.

O GAD-7 é uma ferramenta de triagem, não de diagnóstico: ele sinaliza quem deve ser avaliado, e o diagnóstico é confirmado por entrevista clínica estruturada. Em paralelo, costuma-se afastar causas clínicas que imitam ansiedade, como hipertireoidismo, arritmias e excesso de cafeína ou estimulantes.

Limiar prático

Preocupação excessiva e difícil de controlar, na maioria dos dias, por meses, com sintomas físicos e prejuízo na vida: esse conjunto cruza o limiar. Um GAD-7 igual ou acima de 10 reforça a indicação de avaliação. Quem confirma o diagnóstico é o profissional de saúde mental, em entrevista clínica estruturada.

Assista: ACUPUNTURA – BENEFÍCIOS PARA ANSIEDADE

Tratamento do transtorno de ansiedade

Mulher deitada e relaxada recebendo acupuntura, com uma agulha fina inserida na região da testa.
A acupuntura pode integrar o tratamento da ansiedade, ajudando a reduzir a tensão e modular a resposta de alerta.

O tratamento do transtorno de ansiedade é eficaz e bem estabelecido, e seu protagonismo cabe à psicologia e à psiquiatria. A base é a psicoterapia, sobretudo a terapia cognitivo-comportamental, isolada ou combinada à farmacoterapia conforme a gravidade e a preferência da pessoa. As técnicas de regulação somam-se como apoio.

A clínica de dor entra apenas de forma adjuvante e calibrada, no componente físico do quadro, e nunca como tratamento do transtorno em si. Abaixo, cada modalidade no formato que usamos para qualquer tratamento: o que é, mecanismo, evidência, o que esperar, indicações e limitações.

Primeira linha

Psicoterapia (TCC) e, conforme a gravidade, farmacoterapia (ISRS/IRSN). Conduzidas pela psicologia e pela psiquiatria.

Apoio diário

Técnicas de regulação: respiração diafragmática, mindfulness, higiene do sono e exercício físico regular.

Componente físico (adjuvante)

Quando há dor e tensão do eixo dor-ansiedade, a clínica de dor trata a parte somática, somando-se ao cuidado de saúde mental.

Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

O que é: psicoterapia estruturada, em geral de 12 a 20 sessões semanais, com tarefas entre as consultas. É a abordagem com melhor evidência para os transtornos de ansiedade.

Mecanismo: trabalha dois eixos. A reestruturação cognitiva identifica e questiona os pensamentos catastróficos e a superestimação do perigo que alimentam a preocupação. A exposição (gradual e sistemática às situações ou sensações evitadas, inclusive a exposição interoceptiva no pânico) permite que o cérebro reaprenda que a ameaça não se concretiza, o que, no plano neurobiológico, equivale a reforçar a regulação pré-frontal sobre a amígdala. Em outras palavras, a TCC treina o “freio” que descrevemos.

Evidência: a TCC tem evidência de alta qualidade, sustentada por ensaios controlados e metanálises, para TAG, pânico e ansiedade social, com efeito que tende a se manter após o fim do tratamento. É recomendada como primeira linha por diretrizes internacionais.

O que esperar: a resposta costuma se construir ao longo de semanas; muitas pessoas notam ganhos a partir de 4 a 6 semanas, com consolidação ao término do ciclo. Exige participação ativa e prática das tarefas.

Indicações e limitações: indicada na maioria dos quadros, isolada nos casos leves a moderados e combinada à medicação nos mais graves. Depende de adesão e de terapeuta qualificado; a disponibilidade e o tempo de engajamento são as principais limitações práticas.

Farmacoterapia: ISRS e IRSN

O que é: os antidepressivos de primeira linha para os transtornos de ansiedade são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN). São exemplos de ISRS a sertralina, a escitalopram, a paroxetina e a fluoxetina; entre os IRSN, a venlafaxina e a duloxetina.

Mecanismo: os ISRS bloqueiam a recaptação de serotonina na fenda sináptica, aumentando sua disponibilidade; os IRSN fazem o mesmo com serotonina e noradrenalina. Ao longo de semanas, isso promove uma reorganização adaptativa dos circuitos de medo, reduzindo a reatividade da amígdala, ou seja, agem sobre os neurotransmissores que mapeamos na seção de neurobiologia.

O que esperar: o efeito ansiolítico é gradual, não imediato. Costuma iniciar em 2 a 4 semanas e atingir resposta plena em 6 a 12 semanas. É comum uma piora transitória da ansiedade ou inquietação nos primeiros dias, motivo pelo qual o psiquiatra inicia em dose baixa e titula conforme a tolerância. O tratamento costuma ser mantido por meses após a melhora, com retirada gradual orientada.

Limitações e efeitos: efeitos adversos comuns incluem náusea, alteração do sono e disfunção sexual; a suspensão abrupta pode causar sintomas de descontinuação. Sobre os benzodiazepínicos: aliviam rápido, mas têm risco de tolerância e dependência e não tratam a causa, por isso ficam reservados a usos pontuais e de curto prazo, sob estrita orientação. A escolha do fármaco, a dose e o ajuste cabem exclusivamente ao psiquiatra.

Técnicas de regulação: respiração e mindfulness

O que é: práticas de autorregulação que a pessoa aprende e usa no dia a dia, como apoio à terapia. As mais usadas são o treino respiratório diafragmático e as intervenções baseadas em mindfulness (atenção plena).

Mecanismo: a respiração lenta e diafragmática ativa o sistema nervoso parassimpático (tônus vagal) e reduz o estado de hiperativação simpática, ajudando a abortar a escalada física da ansiedade. O mindfulness treina observar pensamentos e sensações sem reagir a eles, o que reduz a ruminação e fortalece, de novo, a regulação top-down do córtex pré-frontal.

Evidência e o que esperar: as intervenções baseadas em mindfulness têm evidência de benefício para sintomas de ansiedade, com magnitude variável; funcionam melhor como complemento, não como tratamento isolado de um transtorno estabelecido. São seguras e de baixo custo, e o ganho costuma vir com prática regular ao longo de semanas.

Limitações: sozinhas, não substituem a TCC nem a medicação nos quadros moderados a graves; são parte do plano, não a base dele. O exercício físico aeróbico regular soma-se a essas medidas, com efeito favorável sobre humor, sono e tensão muscular.

A parte física: a tensão e a dor que a ansiedade gera

A ansiedade mantém a musculatura em tensão constante — nuca, ombros, mandíbula e lombar —, o que pode gerar dor muscular, cefaleia tensional e bruxismo. Esse componente físico, e somente ele, é onde a medicina da dor pode somar ao cuidado de saúde mental, sempre como apoio, e nunca como tratamento do transtorno em si. Aprofundamos esse cruzamento nas páginas sobre ansiedade que dá dor no corpo e sobre acupuntura para ansiedade.

Semana 1 a 2

Avaliação e início

Confirmar o diagnóstico (entrevista clínica, GAD-7), afastar causas clínicas e iniciar a primeira linha. Em paralelo, treino respiratório e mobilidade da musculatura tensa.

Semana 3 a 6

Resposta inicial

A TCC começa a render e o efeito do ISRS/IRSN aparece. A dor miofascial e o sono costumam começar a melhorar com as medidas físicas adjuvantes.

Após 6 a 12 semanas

Reavaliação

Revê-se a resposta com a equipe de saúde mental (e o GAD-7 de seguimento) e ajusta-se o plano. O tratamento de manutenção evita recaída.

Medimos a pontuação do GAD-7 ao longo do tempo, a qualidade do sono e, no componente físico, a intensidade da dor numa escala de 0 a 10. A meta é a remissão dos sintomas e o retorno da função, com um plano individualizado e conduzido de forma articulada entre a saúde mental e, quando há dor, a medicina da dor.

Quando procurar ajuda agora

A ansiedade tem tratamento e ninguém precisa atravessá-la sozinho. Alguns sinais indicam que a procura por ajuda não deve esperar.

Procure ajuda sem demora · você não está sozinho

Busque atendimento agora se houver

  • Pensamentos de morte, de se machucar ou de que não vale a pena continuar. Ligue para o CVV 188 (gratuito, 24 horas) ou procure uma emergência.
  • Crises de pânico frequentes ou ansiedade que impede trabalhar, dormir, comer ou sair de casa.
  • Uso de álcool, calmantes por conta própria ou outras substâncias para suportar o dia.
  • Dor no peito, falta de ar intensa ou desmaio em uma crise: procure avaliação para afastar causa física (ver a página sobre pontada no peito).
  • Sintomas físicos persistentes (insônia, dores, palpitações) sem explicação, mesmo após exames normais.

Reforço o ponto, sem rodeio: a clínica de dor não substitui o psicólogo nem o psiquiatra no tratamento do transtorno de ansiedade. Nosso papel é complementar, voltado às manifestações físicas dolorosas que costumam andar de mãos dadas com a ansiedade. Quando o quadro psíquico é o protagonista, o caminho é o encaminhamento, e fazemos isso de forma articulada com esses profissionais.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre ansiedade e preocupação?

A preocupação é uma resposta adaptativa, proporcional, transitória e focada a um problema real: cessa quando a questão se resolve e ajuda a planejar. O transtorno de ansiedade é excessivo, difuso, persistente (na maioria dos dias por 6 meses ou mais, no TAG), difícil de controlar e vem com sintomas físicos (tensão, fadiga, insônia, palpitação) que atrapalham a vida. A diferença é de grau e de impacto, não de presença do sentimento.

Quando a preocupação vira um transtorno que precisa de tratamento?

O limiar se cruza quando a preocupação é excessiva e difícil de controlar, persiste por semanas a meses, vem somatizada (tensão, insônia, palpitação) e prejudica trabalho, sono ou relações. Instrumentos como o GAD-7 ajudam a rastrear: pontuação a partir de 10 costuma indicar avaliação. O diagnóstico é confirmado por entrevista clínica estruturada, conduzida por psicologia e psiquiatria.

O que é uma “ansiedade atacada” ou ataque de pânico?

É uma crise súbita e intensa, com quatro ou mais sintomas de início abrupto: coração acelerado, falta de ar, tremor, suor, tontura e sensação de morte iminente ou de perder o controle. Atinge o pico em cerca de 10 minutos e cede em seguida. É muito assustadora, mas não é perigosa em si. Ainda assim, merece avaliação para afastar causas físicas e tratar o transtorno de base com a equipe de saúde mental.

Qual é o tratamento de primeira linha para o transtorno de ansiedade?

A primeira linha é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), com reestruturação cognitiva e exposição, isolada nos casos leves a moderados, e a farmacoterapia com antidepressivos das classes ISRS (como sertralina, escitalopram) ou IRSN (como venlafaxina, duloxetina) nos quadros mais graves ou conforme a preferência. O efeito da medicação é gradual, em 2 a 4 semanas. A condução cabe à psicologia e à psiquiatria.

A ansiedade pode causar dor no corpo real?

Sim. A ansiedade mantém a musculatura em tensão (nuca, ombros, mandíbula, lombar), aumenta o bruxismo e favorece a sensibilização central da dor. O resultado são dores miofasciais, cefaleia tensional e dor difusa reais, não imaginárias. Esse componente físico é tratável; veja a página sobre ansiedade que dá dor no corpo.

A clínica de dor trata ansiedade?

Não tratamos o transtorno de ansiedade em si: isso cabe à psicologia e à psiquiatria, e fazemos o encaminhamento. O que a clínica trata, de forma adjuvante e calibrada, são as queixas físicas do eixo dor-ansiedade, como tensão muscular, dor miofascial, cefaleia tensional e bruxismo doloroso, com técnicas como agulhamento seco, acupuntura e reabilitação. É um cuidado complementar.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências1 fonte citada neste artigoVerOcultar
  1. Szuhany KL; Simon NM. Anxiety Disorders: A Review. JAMA. 2022. doi:10.1001/jama.2022.22744. PMID:36573969.
Atualizado em 4 jun 2026 Leitura 12 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. O transtorno de ansiedade deve ser conduzido por psicologia e psiquiatria; a atuação da clínica é adjuvante, voltada às queixas físicas do eixo dor-ansiedade. Em caso de sofrimento intenso ou pensamentos de morte, procure ajuda imediata pelo CVV 188 ou em uma emergência.

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