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Tratamentos · Eletroterapia e neuromodulação

Estimulação elétrica nervosa percutânea (PENS): o que é e como funciona

A PENS insere agulhas finas perto de um nervo ou ponto-gatilho e entrega por elas corrente de baixa intensidade, um híbrido entre agulhamento e TENS.

Resposta direta
  • PENS (estimulação elétrica nervosa percutânea) é uma técnica de eletroterapia em que agulhas finas atravessam a pele e levam uma corrente elétrica de baixa intensidade até perto de um nervo ou de um ponto doloroso. É, em essência, um híbrido entre o agulhamento e o TENS.
  • Ela difere do TENS porque o TENS é transcutâneo: aplica a corrente por eletrodos colados na pele, sem agulha. E difere da eletroacupuntura sobretudo na lógica de onde se coloca a agulha, guiada por trajeto nervoso ou ponto doloroso na PENS, e por acupontos na eletroacupuntura.
  • É usada como recurso adjuvante na dor crônica de difícil controle, com componente neuropático ou miofascial, dentro de um plano que tem a reabilitação ativa como base.
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O que é a PENS

A estimulação elétrica nervosa percutânea, ou PENS, é um procedimento de eletroterapia que combina duas coisas que costumam andar separadas: a agulha e a corrente elétrica. Agulhas finas, semelhantes às de acupuntura, são inseridas através da pele (daí o termo “percutânea”) perto do trajeto de um nervo periférico ou de um ponto doloroso, e por elas passa uma corrente elétrica de baixa intensidade que estimula diretamente o tecido em profundidade.

É justamente essa associação que define a técnica. O TENS entrega corrente por eletrodos colados sobre a pele, e parte dessa energia se perde na resistência da própria pele. A acupuntura insere a agulha, mas sem corrente.

A PENS junta o melhor dos dois mundos: a agulha vence a barreira da pele e leva o estímulo elétrico para junto da estrutura-alvo, o que permite trabalhar com intensidades baixas e bem toleradas. Por isso ela é descrita na literatura como um híbrido entre a eletroacupuntura, ou o agulhamento, e o TENS.

Quem pesquisa por “pens fisioterapia”, “pens eletroterapia” ou por um “aparelho de choque para fisioterapia” costuma estar diante dessa família de recursos. Vale uma ressalva de vocabulário logo de início: na clínica, não se trata de “choque” no sentido leigo e assustador da palavra. A corrente da PENS é de baixa intensidade, ajustada até uma sensação de formigamento ou pulsação confortável, nada parecido com um choque doloroso. O aparelho é um eletroestimulador, e o objetivo é modular a dor, não provocá-la.

Agulha + corrente
A definição da PENS em duas palavras
Percutânea
A agulha atravessa a pele, ao contrário do TENS
Baixa
Intensidade da corrente, ajustada ao conforto
Adjuvante
Soma ao plano, não substitui a base ativa
Dr. Marcus Yu Bin Pai palestrando no pulpito com microfone em congresso médico
Em congressos Dr. Marcus Pai palestrando em congresso médico

PENS, TENS e eletroacupuntura: as diferenças

A confusão entre essas três técnicas é comum, inclusive porque todas usam corrente elétrica para tratar dor. A diferença está em dois pontos: como a corrente chega ao tecido e onde o estímulo é posicionado. A escolha entre elas depende do tipo de dor.

TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea)

O mais conhecido e o mais leve: eletrodos adesivos sobre a pele entregam a corrente sem agulha. É de fácil uso domiciliar, mas o estímulo é mais superficial, porque precisa atravessar a resistência da pele.

sem agulha

Eletroacupuntura

Insere agulhas em acupontos, segundo a tradição da acupuntura médica, e conecta a corrente entre elas.

acupontos

PENS (estimulação elétrica nervosa percutânea)

Também usa agulha e corrente, mas a colocação tende a ser guiada pela anatomia do nervo ou pelo ponto doloroso, e não necessariamente pelo mapa de acupontos.

guiada pelo nervo

Na prática clínica, a fronteira entre PENS e eletroacupuntura é tênue e muitas vezes elas se sobrepõem.

PENS, TENS e eletroacupuntura, lado a lado
AspectoPENSTENSEletroacupuntura
A agulha atravessa a pele?Sim, percutâneaNão, eletrodos na superfícieSim, em acupontos
Como a corrente chegaPela agulha, junto ao alvoTranscutânea, pela pelePela agulha, no acuponto
Onde se posicionaTrajeto do nervo ou ponto dolorosoSobre a região da dorAcupontos selecionados
Profundidade do estímuloProfundaMais superficialProfunda
Uso domiciliarNão, é procedimento em clínicaSim, aparelho portátilNão, é procedimento em clínica
Quem realizaProfissional treinadoO próprio paciente, orientadoMédico acupunturista
Em uma frase

Pense no TENS como a corrente por fora da pele, e na PENS e na eletroacupuntura como a corrente por dentro, levada pela agulha. A PENS guia-se mais pelo nervo e pelo ponto doloroso; a eletroacupuntura, pelos acupontos. As três são adjuvantes, e não tratamentos isolados.

Como a PENS modula a dor

O efeito da PENS sobre a dor é explicado por mecanismos de neuromodulação, os mesmos que sustentam o uso da corrente elétrica e das agulhas no manejo da dor. Não se trata de “consertar” o tecido, mas de mudar a forma como o sistema nervoso conduz e interpreta o sinal de dor, em três níveis que atuam juntos.

Diagrama do mecanismo do PENS: agulha levando o estímulo elétrico ao trajeto do nervo, com pulsos percorrendo o nervo (neuromodulação).
Como o PENS age: a agulha leva o estímulo elétrico ao trajeto do nervo, modulando o sinal de dor (neuromodulação periférica).

O primeiro é a modulação segmentar no corno dorsal da medula, a base da clássica teoria da comporta (gate control). O estímulo elétrico ativa fibras nervosas de grande calibre, que “fecham a comporta” e reduzem a passagem do sinal doloroso conduzido por fibras finas. É o mesmo princípio de esfregar o local de uma pancada para aliviar a dor, aqui produzido de forma controlada pela corrente na agulha.

O segundo é a ativação das vias inibitórias descendentes, circuitos que partem do tronco encefálico (substância cinzenta periaquedutal, e bulbo rostroventromedial) e descem para frear a dor na medula. O terceiro é a liberação de opioides endógenos, as substâncias analgésicas que o próprio corpo produz, como endorfinas e encefalinas. A frequência da corrente influencia esse recrutamento: estímulos de baixa frequência tendem a mobilizar mais os sistemas opioides, enquanto frequências mais altas atuam de forma mais imediata pela comporta segmentar. Quando há um ponto-gatilho miofascial envolvido, a agulha ainda contribui pelo efeito local sobre a musculatura, somando-se à neuromodulação.

No nível da medula

Teoria da comporta

O estímulo elétrico recruta fibras grossas que reduzem a transmissão do sinal doloroso no corno dorsal.

No nível do cérebro

Vias descendentes e opioides

Ativa circuitos do tronco encefálico que freiam a dor e estimula a liberação de endorfinas e encefalinas.

Para quem a PENS costuma ser indicada

A PENS é um recurso de eletroterapia voltado a quadros de dor crônica de difícil controle, em que o tratamento de base já está em curso mas a dor ainda limita o paciente. Não é primeira linha para uma dor aguda recente, nem um aparelho de uso geral para qualquer queixa. As indicações mais frequentes na prática são:

Mapa do corpo mostrando onde o PENS ajuda: dor cervical, dor lombar, dor miofascial e neuropatia nos pés.
Onde o PENS costuma ajudar: componentes neuropáticos e miofasciais da dor — cervical, lombar, miofascial e neuropatia nos pés.
  • Dor lombar e cervical crônica. Como camada adicional de neuromodulação quando a lombalgia ou a cervicalgia persistem apesar da reabilitação bem conduzida.
  • Dor neuropática. Quadros com queimação, choque ou formigamento por sofrimento de um nervo, em que o componente neuropático responde mal só à medicação.
  • Dor miofascial. Pontos-gatilho persistentes na musculatura, em que a agulha soma o efeito local à corrente.
  • Dor de difícil controle. Situações em que se busca reduzir a dependência de medicação ou em que outras técnicas não bastaram isoladamente.

Em todos esses cenários, a PENS entra como adjuvante, somada à reabilitação e às demais medidas. A definição de quem é candidato, de qual nervo ou ponto estimular e de quantas sessões fazer depende de uma avaliação médica que confirme o diagnóstico e descarte causas que peçam outra conduta.

O que diz a evidência

A PENS é uma técnica fisiologicamente bem fundamentada, mas a evidência que a sustenta é de qualidade modesta e heterogênea, com estudos pequenos e protocolos variados (número de agulhas, frequência da corrente, número de sessões). Há sinais de benefício em alguns estudos de dor lombar crônica e de dor neuropática, com melhora de dor e de função em parte dos pacientes, mas os resultados não são uniformes.

Ela é um recurso adjuvante, útil em casos selecionados, com bom perfil de segurança e baixo risco. Faz mais sentido quando integrada a um plano, somando-se às modalidades com evidência mais consolidada, como o exercício terapêutico.

Síntese da literaturaEvidência limitada

PENS na dor crônica: promissora, ainda em consolidação

Revisões sistemáticas apontam benefício possível da PENS na dor musculoesquelética e em quadros neuropáticos, com melhora de dor e função em parte dos estudos, mas a qualidade metodológica é variável e os protocolos diferem entre si (número de agulhas, frequência, sessões). A recomendação é de uso adjuvante e individualizado.

Ver referências →

Vale ainda separar a PENS, técnica não invasiva e reversível feita em consultório, da estimulação de nervos periféricos implantável (PNS, com eletrodo colocado por procedimento), reservada a quadros muito específicos e refratários. São coisas diferentes; nesta página tratamos da PENS percutânea de uso ambulatorial, dentro do arsenal não-cirúrgico.

A PENS é uma ferramenta entre várias

A PENS é uma ferramenta entre várias que se valem de agulha e corrente (TENS, eletroacupuntura, agulhamento), com mecanismos que se sobrepõem e fronteiras borradas entre si, e a evidência que a sustenta é modesta e heterogênea. Na prática isso quer dizer duas coisas. Primeira: o ganho do procedimento depende do que está ao redor dele. O mesmo estímulo rende muito ou quase nada conforme exista, ou não, um plano ativo embaixo. Segunda: por ser intercambiável com técnicas vizinhas, o que importa é o raciocínio sobre qual estímulo, em qual alvo, dentro de qual estratégia, e não o nome da técnica. Ela funciona melhor embutida em um plano de reabilitação.

PENS na dor neuropática periférica

A dor neuropática periférica é o cenário em que a PENS tem a racionalidade mais direta, porque o estímulo é aplicado próximo ao território do nervo que sofre. Fala-se aqui de neuralgias e de dor neuropática localizada refratária — queimação, choque ou formigamento confinados a um território nervoso identificável, que persistem apesar da medicação neuropática de primeira linha (como os antidepressivos duais e os anticonvulsivantes gabapentinoides) bem ajustada.

É útil situar a PENS na sequência de intensidade e invasividade das opções de neuromodulação. De um lado está a estimulação elétrica transcutânea (TENS), aplicada sobre a pele, sem agulha, de menor alcance e que o próprio paciente pode usar em casa. No outro extremo está a neuromodulação implantada por procedimento cirúrgico, como a estimulação de nervo periférico ou de medula espinhal, reservada a quadros muito específicos e refratários. A PENS ocupa a posição intermediária: leva a corrente mais perto do nervo do que a TENS, por meio de uma agulha fina, mas continua sendo ambulatorial, reversível e não implantável, sem o custo nem os riscos de um procedimento invasivo.

Na dor neuropática localizada, a PENS pode somar ao tratamento medicamentoso quando ele, isolado, não controla o sintoma. É um recurso adjuvante, escolhido para o paciente certo, com o objetivo de reduzir a intensidade e devolver função. A definição de qual nervo estimular, com que parâmetros e por quantas sessões parte da avaliação que confirma o diagnóstico neuropático.

Assista: Dores Crônicas? Conheça as Técnicas que Bloqueiam a Dor!

O que esperar das sessões

A PENS é realizada em consultório, em sessões curtas. Após a avaliação, o profissional posiciona as agulhas finas na pele, perto do nervo ou do ponto doloroso escolhido, e conecta o eletroestimulador. A intensidade da corrente é aumentada aos poucos, até uma sensação de formigamento ou pulsação confortável, nunca dolorosa. O estímulo é mantido por alguns minutos por sessão, e ao final as agulhas são retiradas.

Avaliação e indicação

Consulta confirma o diagnóstico, define se há indicação e escolhe o alvo (nervo ou ponto doloroso) a estimular.

Aplicação

Agulhas finas são inseridas na pele e conectadas ao aparelho; a corrente sobe até o formigamento confortável.

Ciclo de sessões

Em geral uma série de sessões ao longo de semanas, conforme a resposta, e não uma aplicação única.

Reavaliação

Ao fim do ciclo, mede-se o ganho de dor e função para decidir manter, ajustar ou trocar a abordagem.

O alívio costuma ser progressivo e cumulativo ao longo do ciclo, e não imediato após uma sessão. A resposta varia de pessoa para pessoa: alguns notam melhora mais cedo, outros mais tarde, e há quem responda pouco. A conduta é guiada por metas objetivas, como a intensidade da dor em uma escala de 0 a 10 e o ganho de função nas atividades do dia a dia, reavaliadas ao fim do ciclo. Quando essas metas não se movem, muda-se a estratégia: trocar de alvo, rever o diagnóstico ou abandonar a PENS, em vez de repetir mais sessões.

Segurança e contraindicações

A PENS tem, em geral, bom perfil de segurança quando feita por profissional treinado. Por usar agulha, os efeitos mais comuns são locais e transitórios: pequeno desconforto durante a inserção, dor leve no ponto por um a dois dias ou um discreto hematoma (equimose). São eventos passageiros e pouco frequentes. Ainda assim, como todo procedimento, tem situações em que exige cautela ou está contraindicado, e por isso depende de avaliação médica prévia.

Cautela ou contraindicação · informe sempre o médico

Situações que pedem avaliação antes da PENS

  • Uso de anticoagulantes ou distúrbios de coagulação, pelo risco de sangramento e hematoma no local da agulha.
  • Marca-passo ou outro dispositivo eletrônico implantado, pela possibilidade de interferência da corrente.
  • Infecção ativa ou lesão na pele do local onde as agulhas seriam aplicadas.
  • Gravidez, em que a indicação e a localização devem ser avaliadas com cuidado pelo médico.
  • Quadros de dor com sinais de alerta (febre, perda de peso, déficit neurológico, dor após trauma) que pedem investigação antes de qualquer eletroterapia.

A presença de qualquer um desses fatores não descarta o tratamento de forma automática, mas muda a conversa e, às vezes, a escolha da técnica. Comunicar ao médico o uso de medicamentos, dispositivos implantados e condições de saúde é parte de uma indicação segura.

A PENS dentro de um plano multimodal

O ponto mais importante desta página é também o mais fácil de esquecer quando se busca por um aparelho: nenhuma técnica isolada resolve uma dor crônica. A PENS é uma camada de neuromodulação que faz sentido somada às demais, dentro de um plano não-cirúrgico, individualizado e construído sobre uma base ativa. É assim que ela rende mais, e é assim que a abordamos.

Da prática clínica

Na nossa rotina a PENS raramente é a primeira coisa que se faz. Ela aparece depois de a base já estar montada (exercício orientado, ajuste de medicação quando cabe, e muitas vezes o agulhamento ou a acupuntura), quando ainda sobra uma dor neuropática ou um ponto que não cede. Quando entra cedo demais, sem nada por baixo, costuma decepcionar, e é mais a falta de plano que falha do que a técnica.

O pedido que mais ouço é uma variação de “doutor, põe a máquina que resolve”. A expectativa de um aparelho que conserta o problema enquanto a pessoa fica passiva é justamente o que tento desarmar na primeira conversa: a corrente ajuda a baixar a dor a ponto de a pessoa conseguir se mover e treinar, e é o movimento que sustenta o ganho. Combino metas de dor e de função logo no início para que “funcionou” tenha um significado combinado, e não a sensação do dia.

O que mais surpreende quem chega é descobrir que não é “choque” e quase não dói, e também que a melhora costuma ser gradual ao longo das sessões, não um alívio que se liga no primeiro dia. Quem entende isso desde o começo lida muito melhor com o ritmo do tratamento.

Reabilitação e exercício, a base

O exercício terapêutico é a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança na maioria das dores crônicas musculoesqueléticas, e o eixo de todo o resto. Ganho de controle motor, força e mobilidade, além da dessensibilização ao movimento, são o que dá ao corpo condições de tolerar a carga do dia a dia e de manter o alívio obtido. Na clínica, a reabilitação é individual, e as demais técnicas, inclusive a PENS, somam-se a ela, não a substituem. Na dor lombar especificamente, esse raciocínio é detalhado no guia de tratamento da lombalgia.

Acupuntura e eletroacupuntura

Por compartilharem a lógica da agulha e da corrente, a acupuntura médica e a eletroacupuntura são as parentes mais próximas da PENS. A eletroacupuntura, em particular, é quase indistinguível dela na bancada: também conecta um gerador de corrente a agulhas inseridas, mudando sobretudo o critério de onde a agulha entra (acuponto, no caso dela; trajeto do nervo ou ponto doloroso, no caso da PENS). Modulam a dor pelos mesmos três mecanismos descritos acima, e contam com evidência moderada para cervicalgia crônica, lombalgia e cefaleia, um patamar de evidência mais consolidado que o da PENS. O ciclo costuma combinar agulhas em pontos locais e a distância, com a frequência da corrente escolhida conforme o objetivo (baixa frequência para recrutar mais os sistemas opioides, alta para o efeito segmentar mais rápido).

Na clínica, é conduzida por médicos com formação em acupuntura médica e leitura anatômica do quadro, o que permite alternar entre acupuntura, eletroacupuntura e PENS dentro da mesma família de recursos. O tema é aprofundado em acupuntura para dor na coluna.

Agulhamento seco dos pontos-gatilho

Quando há um forte componente miofascial, o agulhamento seco (dry needling) insere a agulha diretamente na banda tensa do ponto-gatilho, sem injetar substância nem corrente. O alvo mecânico é deflagrar contrações musculares breves e involuntárias ao tocar o ponto, que se associam à redução da hiperatividade da placa motora e a alívio local e segmentar da dor. É a técnica baseada em agulha com a melhor evidência para dor miofascial, e o elo direto com a PENS: quando o gerador da dor é claramente muscular, faz sentido começar pela agulha que age sobre o músculo e, conforme a resposta, somar a corrente da PENS para o componente neuropático ou para a dor que não cede só com o trabalho miofascial. A abordagem dos pontos-gatilho é detalhada em inativação e agulhamento de pontos-gatilho.

Outras camadas e medicação

Conforme o quadro, somam-se outros recursos do arsenal não-cirúrgico: infiltração de pontos-gatilho com anestésico para o componente miofascial refratário e a toxina botulínica tipo A para casos refratários com forte componente de espasmo ou em dor miofascial intensa. No campo farmacológico, a dor crônica ou neuropática pode se beneficiar de antidepressivos em dose adequada (amitriptilina, nortriptilina ou duloxetina) ou de gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), sempre com indicação, dose e duração definidas pelo médico, com atenção a efeitos adversos e comorbidades. A medicação alivia e abre espaço para a reabilitação, mas não substitui a base ativa.

Semana 1 a 2

Avaliação e base

Confirmar o diagnóstico, iniciar a reabilitação ativa e definir, com o médico, se há indicação de PENS como camada adicional.

Semana 3 a 6

Ciclo de PENS

Sessões em série somadas ao exercício; a dor costuma começar a ceder e a função a melhorar, de forma cumulativa.

Após 6 semanas

Reavaliação por metas

Medir dor e função; manter o que funciona, ajustar ou trocar a abordagem se a resposta não vier.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

O que é PENS na fisioterapia?

PENS é a sigla de estimulação elétrica nervosa percutânea. É uma técnica de eletroterapia em que agulhas finas inseridas na pele entregam uma corrente elétrica de baixa intensidade perto de um nervo ou ponto doloroso. Funciona como um híbrido entre o agulhamento e o TENS, usado como recurso adjuvante no manejo da dor crônica, dentro de um plano que tem a reabilitação ativa como base.

Qual a diferença entre PENS e TENS?

A diferença principal é a agulha. O TENS é transcutâneo: aplica a corrente por eletrodos adesivos colados na pele, sem agulha, e pode ser usado em casa. A PENS é percutânea: a agulha atravessa a pele e leva a corrente para mais perto do alvo, em profundidade, e é um procedimento feito em clínica por profissional treinado. Por vencer a barreira da pele, a PENS costuma trabalhar com intensidades baixas e bem toleradas.

O aparelho de choque da fisioterapia dói?

Apesar do apelido de “aparelho de choque”, a corrente é de baixa intensidade e ajustada até uma sensação de formigamento ou pulsação confortável, não de choque doloroso. Pode haver um pequeno desconforto na inserção das agulhas e dor leve no local por um a dois dias. O eletroestimulador serve para modular a dor, não para provocá-la, e a intensidade é controlada durante a sessão.

PENS é a mesma coisa que eletroacupuntura?

São técnicas muito próximas, que usam agulha e corrente elétrica, e seus mecanismos analgésicos se sobrepõem. A diferença está sobretudo na lógica de onde a agulha é posicionada: na PENS, guiada pelo trajeto do nervo ou pelo ponto doloroso; na eletroacupuntura, pelos acupontos da tradição da acupuntura médica. Na prática, a fronteira entre elas é tênue e frequentemente se cruzam.

Para que serve a PENS e para quais dores?

A PENS serve para modular a dor em quadros crônicos de difícil controle, sobretudo com componente neuropático (queimação, choque, formigamento) ou miofascial (pontos-gatilho), além de dor lombar e cervical crônica. É um recurso adjuvante, somado à reabilitação e às demais medidas, e não um tratamento isolado. A indicação depende de avaliação médica que confirme o diagnóstico.

Quantas sessões de PENS são necessárias?

Não há um número fixo. A PENS costuma ser feita em uma série de sessões ao longo de semanas, com o alívio aparecendo de forma progressiva e cumulativa, e não após uma única aplicação. A resposta é reavaliada ao fim do ciclo por metas objetivas de dor e função, e o plano é mantido, ajustado ou trocado conforme o resultado. O número de sessões é definido caso a caso pelo médico.

Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências6 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Gildenberg PL. História da Neuromodulação Elétrica para Dor Crônica. Pain Medicine. 2006. ver resumo
  2. León-Hernández JV, et al. Immediate and short-term effects of the combination of dry needling and percutaneous TENS on post-needling soreness in patients with chronic myofascial neck pain. Brazilian Journal of Physical Therapy. 2016. ver resumo
  3. Plaza-Manzano G, Gomez-Chiguano GF, Cleland JA, Arias-Buria JL, Fernandez-de-Las-Penas C, Navarro-Santana MJ. Effectiveness of percutaneous electrical nerve stimulation for musculoskeletal pain: A systematic review and meta-analysis. Eur J Pain. 2020;24(6):1023 a 1044. doi:10.1002/ejp.1559. acessar
  4. Rodriguez Lagos L, Arribas-Romano A, Fernandez-Carnero J, Gonzalez-Zamorano Y, Laguarta Val S. Effects of Percutaneous and Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation on Endogenous Pain Mechanisms in Patients with Musculoskeletal Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis. Pain Med. 2023;24(4):397 a 414. doi:10.1093/pm/pnac140. acessar
  5. Mogedano-Cruz S, Lopez-Perez M, Gijon-Lago D, Romero-Morales C, Alonso-Perez JL, Villafane JH, et al. Peripheral Percutaneous Electrical Nerve Stimulation for Neuropathies: A Systematic Review and Meta-analysis. Pain Manag Nurs. 2025;26(1):93 a 101. doi:10.1016/j.pmn.2024.11.005. acessar
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Atualizado em 1 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica. Indicar a PENS, escolher o nervo ou ponto a estimular e definir o ritmo de sessões são decisões individualizadas, que dependem do exame e do diagnóstico de cada caso. A indicação de qualquer procedimento ou medicamento cabe exclusivamente ao médico assistente.

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