CENTRO DE TRATAMENTO DE DOR: Acupuntura Médica, Ondas de Choque, Fisiatria e Fisioterapia.

Agendar avaliação
Coluna · Medicação

Pregabalina serve para dor na coluna?

A pregabalina é um neuromodulador para dor neuropática. Na coluna, seu lugar é estreito: ela pode ajudar quando há dor em queimação e formigamento por irritação de uma raiz nervosa, mas a evidência não sustenta seu uso na ciática nem na dor lombar mecânica comum.

Resposta direta
  • A pregabalina é um gabapentinoide que age na subunidade alfa-2-delta-1 dos canais de cálcio do nervo. Seu alvo é a dor neuropática, não a dor mecânica nem a inflamação.
  • A evidência mais forte é para neuropatia diabética e neuralgia pós-herpética. Para a dor ciática, o melhor ensaio (PRECISE, NEJM 2017) foi negativo, e para a lombalgia mecânica comum ela não é indicada. Esse é o ponto mais mal compreendido sobre o remédio.
  • Causa sonolência, tontura, edema e ganho de peso, pede ajuste pela função renal, tem potencial de dependência e exige introdução e desmame graduais. A dose é definida pelo médico assistente.
  • Na coluna, o remédio é, no máximo, uma camada. O caminho começa pelo diagnóstico e por um plano ativo e multimodal, não por um comprimido.
4,9Google5,0Doctoralia

40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual

Avaliação clínica

Dor tem Tratamento. Foco em tratamentos não cirúrgicos para dor, reabilitação.

Para que a pregabalina serve

Render 3D translucido azul de um corpo de costas com a coluna toracica e lombar em destaque vermelho
A dor de coluna pode ter origem mecânica ou neuropática, e e essa distinção que define quando a pregabalina ajuda

A pregabalina entrou no vocabulário de quem tem dor na coluna, mas seu lugar é estreito e específico. Ela não é um remédio para qualquer dor de coluna: é um remédio para um tipo de dor, e mesmo nesse tipo a evidência tem limites claros.

A pregabalina pertence à classe dos gabapentinoides, o mesmo grupo da gabapentina. São neuromoduladores que atuam sobre a forma como o sistema nervoso conduz e amplifica o sinal de dor, e não sobre inflamação ou espasmo muscular. Por isso seu alvo é a dor neuropática: a dor gerada por lesão, compressão ou irritação de um nervo, com um caráter próprio de queimação, choque, agulhada, formigamento ou dormência, muitas vezes acompanhada de alodínia (dor ao toque leve) e de hiperalgesia.

As indicações em bula e na literatura mais sólida não são da coluna: são a neuropatia diabética dolorosa, a neuralgia pós-herpética (a dor que persiste após o herpes-zóster), a dor neuropática central após lesão medular e, fora do campo da dor, a fibromialgia e o transtorno de ansiedade generalizada. É a partir desse perfil neuropático que se discute, com cautela, um eventual papel na coluna.

α2δ-1
Subunidade dos canais de cálcio a que a pregabalina se liga
neuro
O alvo é a dor neuropática, não a dor mecânica
1 camada
É um adjuvante dentro de um plano, não o tratamento
médico
Dose, ajuste renal e desmame definidos sob orientação

Na coluna, o perfil neuropático aparece na dor radicular, quando uma raiz nervosa (por exemplo L4, L5 ou S1 na região lombar, ou C6, C7 e C8 na cervical) é comprimida ou inflamada e a dor deixa de ser apenas local e passa a seguir o trajeto do dermátomo daquela raiz. O exemplo mais citado é a dor ciática, em que o desconforto desce pela nádega e pela perna, às vezes até o pé, com formigamento ou perda de sensibilidade. É tentador concluir que, por ter componente neuropático, a ciática responderia a um gabapentinoide; essa conclusão, embora lógica, esbarra na evidência.

É importante separar bem o terreno. A maior parte das dores lombares é mecânica e inespecífica, ligada a disco, articulações facetárias, sacroilíaca ou musculatura, e melhora com movimento, exercício e, quando preciso, anti-inflamatório por período curto. Para esse tipo de dor, a pregabalina não tem indicação e tende a não ajudar, tema desenvolvido em remédios para dor na coluna.

Medica apresentando aula sobre opioides em auditorio para plateia sentada
Em congressos Aula sobre opioides no auditorio

Como a pregabalina age, e o que ela não faz

Render 3D da coluna cervical com as vértebras do pescoço realcadas em vermelho dentro do contorno translucido do corpo
A pregabalina atua sobre canais de cálcio na via nervosa, útil quando a dor da coluna tem componente neuropático irradiado

A pregabalina é um ligante da subunidade auxiliar alfa-2-delta-1 (α2δ-1) dos canais de cálcio voltagem-dependentes do tipo P/Q e N, presentes nas terminações pré-sinápticas dos neurônios. Apesar do parentesco estrutural com o neurotransmissor GABA, ela não age no receptor GABA, não é convertida em GABA e não altera sua recaptação. Seu efeito vem do bloqueio funcional desses canais de cálcio em neurônios que estão hiperexcitáveis.

Ao se ligar à subunidade α2δ-1, a pregabalina reduz o influxo de cálcio na terminação nervosa quando o neurônio dispara. Menos cálcio na terminação significa menor liberação dos neurotransmissores excitatórios envolvidos na transmissão da dor: glutamato, substância P, peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) e noradrenalina. Esse efeito é mais expressivo justamente nos circuitos que estão sensibilizados, como o corno dorsal da medula na dor neuropática, e por isso o medicamento modula a dor sem se comportar como um analgésico geral.

O alvo é, portanto, a hiperexcitabilidade neuronal e a sensibilização central, o estado em que o sistema nervoso amplifica e perpetua o sinal de dor, com o fenômeno de somação temporal (o chamado wind-up). É isso que explica por que o efeito tende a aparecer na dor em queimação, choque e formigamento, e por que é pequeno ou nulo na dor mecânica de fundo da coluna, em que não há esse circuito disparando em excesso.

O que a pregabalina pode fazer

Modular a dor neuropática

Reduzir a liberação de glutamato, substância P e CGRP em circuitos sensibilizados, atenuando a dor em queimação, choque e formigamento de origem neuropática, e ajudar o sono e a ansiedade associados à dor crônica.

O que a pregabalina não faz

Não trata a dor mecânica

Não age na dor lombar mecânica comum, não é anti-inflamatório, não é analgésico simples, não é relaxante muscular e não corrige a causa: hérnia, faceta, sacroilíaca ou sobrecarga muscular.

Essa distinção evita uma frustração frequente: a de tomar pregabalina esperando que ela resolva uma dor lombar de esforço e concluir que o remédio não serve para nada. O problema não é o remédio, é a indicação. A escolha entre pregabalina, gabapentina ou outras classes, e a decisão de associá-las ou não, dependem do quadro e cabem ao médico.

O que a evidência mostra na coluna

Aqui está o ponto que costuma surpreender. A lógica de que a ciática, por ter componente neuropático, responderia a um gabapentinoide foi testada de frente, e o resultado foi negativo. É um exemplo clássico de hipótese plausível que não se confirma no ensaio clínico.

Ensaio clínico randomizado · ciáticaresultado negativo

Pregabalina não superou o placebo na dor ciática

No ensaio PRECISE, duplo-cego e controlado por placebo, publicado no New England Journal of Medicine em 2017, a pregabalina não reduziu a intensidade da dor na perna em pessoas com ciática, nem em 8 nem em 52 semanas, e ainda se associou a mais efeitos adversos, sobretudo tontura. Mathieson S e cols., N Engl J Med, 2017.

Ver referências →

Esse achado é coerente com revisões mais amplas. As diretrizes e revisões sistemáticas sobre dor lombar e radicular não recomendam gabapentinoides para a lombalgia inespecífica nem para a dor radicular de rotina, porque o benefício médio é pequeno ou ausente e os efeitos adversos são frequentes. Em outras palavras: na dor da coluna, a pregabalina costuma entregar pouco e cobrar caro em tontura, sonolência e edema.

Revisão sistemática · dor neuropáticabenefício moderado

Onde a pregabalina tem evidência consistente

Para a neuropatia diabética dolorosa e a neuralgia pós-herpética, revisões Cochrane mostram benefício de magnitude moderada: uma parcela dos pacientes alcança redução relevante da dor, com 50% de alívio em cerca de 1 a cada 7 ou 8 pessoas. O efeito existe, mas está longe de ser universal, e essas indicações não são da coluna. Derry S e cols., Cochrane Database Syst Rev, 2019.

Ver referências →

A pregabalina tem evidência para dores neuropáticas bem definidas, como a do diabetes e a pós-herpética, e não tem evidência de benefício para a ciática nem para a dor lombar mecânica. Pode haver casos individuais de dor radicular com forte caráter neuropático em que um teste terapêutico, com meta e prazo, é discutido entre médico e paciente, mas isso é uma decisão de exceção, fora da indicação de rotina, e não uma regra. A magnitude do efeito varia entre pessoas, e a ausência de resposta em poucas semanas é motivo para reavaliar, não para insistir.

Pregabalina na coluna: dois fatos decisivos

A hipótese de que a pregabalina serviria para a ciática, por ela agir na dor neuropática, foi testada de frente no melhor ensaio randomizado em ciática e o resultado foi negativo, com a pregabalina empatando com placebo no alívio da dor na perna e ainda causando mais tontura e sonolência. E, por agir no sistema nervoso central, ela não pode ser parada de uma vez: a interrupção abrupta pode desencadear uma síndrome de descontinuação.

Mito

“Pregabalina é o remédio da ciática e da dor de coluna em geral.”

Fato

O melhor ensaio em ciática foi negativo, e ela não é indicada para a dor lombar mecânica. A evidência sólida está em outras dores neuropáticas, como a neuropatia diabética e a neuralgia pós-herpética.

Da prática clínica

Algumas observações de quem atende dor na coluna todos os dias. A primeira é o quanto a pregabalina chega já prescrita para ciática e para dor lombar comum, muitas vezes em quem nunca teve um exame que confirmasse componente neuropático; é um dos medicamentos mais usados fora da indicação na dor de coluna, e isso convive mal com um ensaio randomizado que a igualou ao placebo na ciática. A segunda é o preço que ela cobra: a queixa mais comum não é de alívio, e sim de sonolência e cabeça lenta no começo, de tontura que assusta sobretudo o idoso pelo risco de queda, e de inchaço nos pés e ganho de peso. A terceira é onde ela de fato ajuda: quando a dor tem caráter claramente neuropático e bem definido, como numa neuropatia diabética ou numa neuralgia pós-herpética, o balanço pode favorecer um teste, o que é bem diferente de uma lombalgia de esforço. E a quarta é que não se larga a pregabalina de uma hora para outra: a parada abrupta pode trazer insônia, ansiedade e mal-estar, então a saída é um desmame lento e combinado com o médico assistente.

Assista: PREGABALINA – Para que serve? Aprenda mais sobre Lyrica, Prebictal, Dorene e Insit

Segurança: efeitos, ajuste renal, dependência e desmame

Mesmo quando indicada, a pregabalina exige cuidado. Boa parte dos efeitos colaterais vem da sua ação sobre o sistema nervoso central. Os mais comuns são sonolência e tontura, em geral mais intensas no início e quando a dose sobe rápido, e por isso a introdução é sempre gradual, começando baixo e subindo aos poucos conforme tolerância e resposta. Também são frequentes o edema (inchaço de pés e tornozelos), o ganho de peso, a boca seca, a visão turva, a dificuldade de concentração e uma sensação de desequilíbrio que, em idosos, aumenta o risco de quedas.

Eliminação renal
A pregabalina é excretada praticamente intacta pelos rins, sem metabolização hepática relevante. Por isso a dose precisa ser reduzida conforme a função renal (função renal de creatinina); doses habituais em quem tem doença renal levam a acúmulo, com sedação excessiva. É um ajuste obrigatório, feito pelo médico.
Dependência e uso indevido
Os gabapentinoides têm potencial de abuso e dependência, sobretudo em doses altas e em quem tem história de transtorno por uso de substâncias. Em vários contextos passaram a ser medicamentos de controle especial. Não se usa sobra de receita de outra pessoa nem se aumenta a dose por conta própria.
Interações depressoras
O efeito sedativo se soma ao de álcool, opioides, benzodiazepínicos e outros depressores do sistema nervoso central. A combinação com opioides é particularmente perigosa: aumenta o risco de depressão respiratória. Quando a associação é necessária, é feita com prudência e supervisão.
Grupos que pedem cautela
Idosos (mais sensíveis à sedação e a quedas, doses menores), gestantes e lactantes (uso só após avaliação de risco e benefício), pessoas com insuficiência cardíaca (pelo edema) e quem precisa dirigir ou operar máquinas enquanto houver sonolência.
Ponto importante · desmame

A pregabalina não deve ser interrompida de uma vez. A retirada abrupta pode provocar síndrome de descontinuação, com insônia, ansiedade, irritabilidade, náusea, sudorese, dor de cabeça e, em casos raros, convulsão. Quando chega a hora de suspender, faz-se um desmame gradual, com redução lenta da dose ao longo de pelo menos uma a duas semanas, sempre orientado pelo médico assistente.

Como pesar tudo isso na prática depende do quadro: numa dor neuropática bem definida, com sono ruim e boa tolerância, o balanço pode favorecer um teste; numa dor mecânica, sem componente neuropático, o balanço é desfavorável, porque há os efeitos adversos sem o benefício esperado.

Sinais de alerta · procure avaliação sem demora

Na dor da coluna, alguns sinais não devem ser mascarados por remédio

  • Perda de força progressiva na perna ou no pé, ou queda do pé ao caminhar.
  • Dificuldade para controlar a urina ou as fezes, ou dormência na região entre as pernas (a sela), que pode indicar compressão grave.
  • Febre, perda de peso inexplicada ou história de câncer com dor nova na coluna.
  • Dor que piora à noite, não alivia em nenhuma posição e não cede com repouso.
  • Trauma significativo recente, ou dor em quem usa corticoide por longo tempo ou tem osteoporose.

O lugar da pregabalina na dor na coluna

Resumindo o papel deste remédio: na coluna, a pregabalina é, no máximo, um adjuvante, e apenas para o componente neuropático ou radicular da dor, nunca para a dor lombar mecânica comum. Ela alivia um sintoma quando há nervo irritado; ela não corrige o que produz a dor.

A indicação mais defensável é a dor radicular com caráter claramente neuropático, com queimação, choque e formigamento seguindo o trajeto de uma raiz. Mesmo aí, a evidência na coluna é fraca, e para a dor ciática o melhor ensaio randomizado (PRECISE) foi negativo. Para a dor lombar axial mecânica, a pregabalina não tem indicação e não deve ser usada. Quando se cogita um teste em dor radicular, ele entra com meta e prazo, com titulação lenta a partir de dose baixa para reduzir sonolência e tontura, com atenção ao edema e ao ganho de peso, e com a ciência de que o gabapentinoide tem potencial de dependência e uso indevido, exigindo desmame gradual.

Em termos de classe, quando há componente neuropático nem sempre o gabapentinoide é a melhor escolha: os antidepressivos com ação analgésica (amitriptilina, nortriptilina, duloxetina) costumam ter melhor relação entre benefício e tolerância na dor da coluna, e a decisão entre eles é do médico, conforme o quadro, as comorbidades e a função renal.

Acima de tudo, a medicação é só uma camada. O que de fato muda o curso da dor da coluna é um tratamento multimodal, individualizado e dirigido à causa, definido depois de caracterizar a origem da dor, e o plano completo é detalhado nas páginas da dor lombar e da dor ciática.

Antes da consulta

O que muda o curso da dor da coluna é a avaliação que define a origem e monta o plano. Anote onde a dor começa e para onde desce, se tem caráter de queimação ou formigamento, o que melhora e o que piora, e leve a lista de todos os medicamentos que usa, incluindo os de venda livre.

Referência reconhecida em dor

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC, e é listada pelo CMBA (Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura).

SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Pregabalina serve para dor na coluna?

Seu alvo é a dor neuropática, e a evidência sólida está em dores como a neuropatia diabética e a neuralgia pós-herpética, não na coluna. Para a dor ciática, o melhor ensaio foi negativo, e para a dor lombar mecânica comum ela não é indicada. Em casos selecionados de dor radicular com forte componente neuropático, pode-se discutir um teste com prazo, sempre definido pelo médico.

Pregabalina é boa para ciática?

A melhor evidência diz que não. O ensaio PRECISE, publicado no New England Journal of Medicine em 2017, mostrou que a pregabalina não reduziu a dor da ciática mais do que o placebo, e ainda causou mais tontura. Por isso ela não é o tratamento de rotina da ciática, cujo manejo é conservador e multimodal. Veja a dor ciática.

Quanto tempo a pregabalina leva para fazer efeito?

Como a dose é aumentada aos poucos, o efeito costuma se construir ao longo de uma a algumas semanas, à medida que se chega à dose adequada. A avaliação do benefício é feita após esse período, e a falta de resposta é motivo para reavaliar a indicação, não para insistir.

Pregabalina engorda?

O ganho de peso é um efeito colateral conhecido, assim como o edema (inchaço de pés e tornozelos). Nem todos os apresentam, mas vale acompanhar o peso durante o uso e relatar inchaço ao médico, que pode ajustar a conduta.

Qual a diferença entre pregabalina e gabapentina?

As duas são gabapentinoides e agem no mesmo alvo, a subunidade alfa-2-delta dos canais de cálcio, na dor neuropática. Diferem na o modo como o corpo processa o remédio: a pregabalina tem absorção mais previsível e linear. A escolha entre elas depende do quadro, da tolerância, da função renal e da avaliação médica.

Idoso pode tomar pregabalina?

Pode, com cautela. Idosos são mais sensíveis à sonolência, à tontura e ao risco de quedas, e a função renal costuma estar reduzida, o que exige doses menores e ajuste cuidadoso. A indicação e a dose cabem ao médico.

Pregabalina trata hérnia de disco?

Ela não trata a hérnia nem corrige a compressão, e mesmo a dor neuropática que a hérnia pode causar tem evidência fraca de resposta ao remédio, como mostrou o estudo na ciática. O tratamento da causa é conservador e multimodal, com exercício na base. Veja a dor lombar.

Pregabalina é anti-inflamatório?

Não. A pregabalina é um neuromodulador da classe dos gabapentinoides, que age na liberação de neurotransmissores da dor pelo nervo, e não na inflamação. Por isso não substitui um anti-inflamatório e não age na dor mecânica comum da coluna.

Posso parar de tomar pregabalina de uma vez?

Não. A interrupção abrupta pode causar síndrome de descontinuação, com insônia, ansiedade, náusea, sudorese e dor de cabeça. A suspensão é feita com desmame gradual da dose, ao longo de pelo menos uma a duas semanas, sempre orientado pelo médico assistente.

Pregabalina causa dependência?

Há potencial de uso indevido e de dependência, sobretudo em doses altas ou em quem tem história de dependência de substâncias, o que levou os gabapentinoides a controle especial em vários contextos. Por isso o uso é orientado, com dose e prazo definidos, e a suspensão é feita com desmame, nunca de forma abrupta nem por conta própria.

Para que serve a pregabalina de 75 mg?

A apresentação de 75 mg é apenas uma das doses disponíveis e costuma ser usada no início do tratamento, dentro da titulação gradual. A dose total, o número de tomadas e os ajustes dependem do quadro, da função renal e da resposta, e são definidos pelo médico.

Posso dirigir tomando pregabalina?

Enquanto houver sonolência ou tontura, em especial no início e quando a dose sobe, dirigir ou operar máquinas fica desaconselhado, e o álcool e outros sedativos pioram o quadro. A titulação lenta ajuda a tolerar melhor o medicamento.

Dr. João Arthur Ferreira
Sobre o autor
Dr. João Arthur Ferreira
CRM-SP 19.759RQE 3.179 / 87.876

Médico com atuação em dor musculoesquelética, reabilitação e Acupuntura Médica.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Mathieson S, et al. Trial of Pregabalin for Acute and Chronic Sciatica. N Engl J Med. 2017;376(12):1111-1120. acessar
  2. Derry S, et al. Pregabalin for neuropathic pain in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2019;1(1):CD007076. acessar
Atualizado em 4 jun 2026 Leitura 8 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. Decidir se a pregabalina tem ou não lugar numa dor de coluna depende de caracterizar a dor, e essa indicação é individualizada caso a caso. O início, a dose, o ajuste pela função renal e, sobretudo, o desmame da pregabalina devem ser feitos exclusivamente pelo médico assistente, nunca de forma abrupta nem por conta própria.

Sem comentários

Deixe o seu comentário.

Equipe médica · Jardim Paulista · 40+ anos

Centro de Tratamento de Dor, Fisiatria e Acupuntura Médica.

Quatro décadas de medicina da dor não cirúrgica, tudo em um só endereço:

Na mídia Globo Folha de S.Paulo Estadão UOL Band SBT IstoÉ ESPN Vogue Marie Claire TV Gazeta