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Cefaleia · Sintoma

Zumbido na cabeça e pressão: o que pode ser

O zumbido (tinnitus) com sensação de pressão na cabeça costuma ter origem benigna, ligada à tensão do pescoço e da mandíbula.

Resposta direta
  • Zumbido na cabeça com pressão: o que pode ser? Chiado, apito ou barulho na cabeça com pressão costuma ser benigno. Além do ouvido, o zumbido pode nascer da tensão muscular do pescoço e da mandíbula, o chamado zumbido somatossensorial. Faça o teste de 10 segundos: aperte os dentes com força e depois vire a cabeça para os dois lados. Se o som muda, há um componente muscular que se trata.
  • O que fazer hoje: deixe um som baixo de fundo no silêncio, reduza o café, durma no horário e mantenha os dentes levemente separados. Se não melhorar em 1 a 2 semanas, marque consulta.
  • Alguns sinais pedem o otorrinolaringologista e uma audiometria: zumbido de um lado só, pulsátil, com perda de audição ou tontura giratória. Perda de audição de repente, ou zumbido com fraqueza ou fala enrolada, é pronto-socorro no mesmo dia.
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Zumbido com pressão: o que está acontecendo

Ilustração editorial de uma pessoa com anéis em terracota saindo de um ouvido, sugerindo zumbido.
O zumbido é um som percebido sem fonte externa, às vezes junto com pressão na cabeça.

Um chiado, apito ou zunido percebido sem uma fonte sonora externa, somado à sensação de cabeça “cheia”, apertada ou sob pressão: é uma combinação frequente no consultório de dor, e quase sempre descreve um quadro de tensão muscular associado a uma dor de cabeça comum.

O zumbido (tinnitus) é a percepção de um som na ausência de estímulo externo. Na maioria dos casos é subjetivo, ou seja, só o paciente o escuta, e reflete uma alteração no processamento do sinal auditivo no cérebro, e não necessariamente um defeito no ouvido. A sensação de pressão que o acompanha tem, com frequência, a mesma origem de uma cefaleia tensional: a dor não pulsátil, constritiva, em faixa ao redor da cabeça, gerada pelos músculos contraídos da cabeça e do pescoço.

A ponte entre os dois sintomas tem um nome: zumbido somatossensorial (ou somático). Os nervos que levam a sensibilidade do alto do pescoço e da face, incluindo o nervo trigêmeo, que cuida da mandíbula, se ligam no tronco cerebral à via que leva o som do ouvido ao cérebro. Por essa conexão, a tensão dos músculos do pescoço, da nuca e da articulação temporomandibular (ATM) pode modular o zumbido, intensificando, atenuando ou mudando o seu tom. É a mesma lógica da dor referida que faz o pescoço gerar dor de cabeça, descrita em detalhe na página sobre cefaleia cervicogênica.

A pista clínica mais útil é simples: quando o paciente consegue alterar o zumbido ao virar a cabeça, apertar os dentes ou pressionar pontos da nuca e da mandíbula, fala-se em zumbido somatossensorial. Esse sinal aponta para um componente muscular e articular tratável e desloca o foco do cuidado para o pescoço e a ATM.

O tipo de som ajuda pouco a achar a causa. Chiado, apito, zunido, barulho de grilo ou de rádio fora da estação podem vir tanto do ouvido quanto do pescoço. O que separa as origens são três perguntas: o som muda com o pescoço ou a mandíbula? É de um lado só? Bate no ritmo do coração?

10 a 15%
dos adultos convivem com zumbido em algum grau
até 2 em 3
conseguem modular o zumbido com manobras do pescoço ou da mandíbula
~1 em 2
adultos têm cefaleia tensional ao longo da vida
Dr. Marcus Pai realizando acupuntura craniana em paciente deitada na maca da clínica
Atendimento na clínica Acupuntura craniana em atendimento na clínica

As causas mais comuns

Reconhecer o padrão orienta a conduta. O zumbido com pressão tem algumas origens típicas, que podem coexistir na mesma pessoa. Saber qual predomina muda o foco do tratamento, e separa o que se resolve no consultório de dor do que precisa do otorrinolaringologista.

Zumbido com pressão na cabeça: causas comuns e pistas que diferenciam
Causa Como costuma se apresentar Pista que diferencia
Tensão muscular e cefaleia tensional Aperto em faixa nos dois lados, com chiado ou zunido difuso Sem pulsação nem perda de audição; piora em períodos de estresse e má postura
Cefaleia cervicogênica Pressão que sobe da nuca para a testa, em geral de um lado, com zumbido Zumbido e dor mudam com o movimento e a postura do pescoço; rigidez cervical
Disfunção da ATM (mandíbula) Pressão no ouvido, estalido e zumbido ligados a mastigar e apertar os dentes Dor e ruído na articulação à frente do ouvido; zumbido muda ao abrir a boca
Origem otológica Zumbido com perda de audição, sensação de ouvido tampado (inclusive por cera) ou tontura Em geral de um lado; pode vir com vertigem giratória; pede o otorrino
Zumbido pulsátil (vascular) Som que bate no ritmo do coração, em geral num ouvido só Pode piorar com a pressão alta descontrolada; pede investigação dos vasos
Ansiedade e privação de sono Zumbido mais percebido em silêncio, com cabeça pesada e tensão difusa Acompanha insônia, preocupação persistente e atenção constante ao som

A combinação mais frequente, de longe, junta tensão miofascial do pescoço e dos ombros com um zumbido somatossensorial e uma cefaleia tensional. Quando a pressão parte claramente da nuca e depende da postura, o eixo é cervical. A disfunção da ATM pede atenção à parte: a proximidade anatômica entre a articulação e o ouvido faz com que muita gente descreva como “pressão no ouvido” um sintoma que, na verdade, nasce na mandíbula.

Quando a queixa principal é o ouvido tampado, sem zumbido, veja pressão na cabeça e ouvido. Já a origem otológica, ligada à cóclea e à via auditiva, costuma vir com perda de audição ou tontura, e é a que com mais frequência exige investigação do especialista.

Alguns remédios também podem causar ou piorar o zumbido, como o ácido acetilsalicílico em dose alta e alguns diuréticos e antibióticos. Não suspenda nada por conta própria: leve a lista dos seus remédios à consulta.

Zumbido somatossensorial

Vem do pescoço e da mandíbula

Muda quando você vira a cabeça, aperta os dentes ou pressiona a nuca. Costuma vir com pressão, rigidez cervical e pontos dolorosos nos músculos. Responde ao tratamento da tensão muscular.

Zumbido otológico

Vem do ouvido e da via auditiva

Não muda com o movimento do pescoço. Costuma vir com perda de audição, ouvido tampado ou tontura giratória, em geral de um lado. Pede avaliação do otorrinolaringologista e audiometria.

Zumbido, pressão na cabeça e tontura

Tontura de girar (vertigem), com zumbido e ouvido tampado do mesmo lado, aponta para o ouvido interno, como na doença de Ménière, e pede o otorrino. Cabeça leve, instável ou “aérea”, sem o mundo girar, com nuca dura e pressão em faixa, costuma acompanhar a tensão do pescoço e melhora com o mesmo tratamento. A sinusite pode dar uma tontura leve, com ouvido tampado, que melhora junto com o nariz; veja sinusite dá tontura?.

Mito

“Zumbido na cabeça é sempre problema de ouvido, e não tem o que fazer.”

Fato

Uma parte importante dos zumbidos é somatossensorial, gerada ou modulada pela tensão do pescoço e da mandíbula. Quando o zumbido muda com o movimento, tratar a musculatura cervical e a ATM costuma reduzir o sintoma.

Quando procurar o otorrino e fazer audiometria

A maior parte do zumbido com pressão é benigna e ligada à tensão muscular. Ainda assim, alguns padrões mudam a investigação e pedem a avaliação do otorrinolaringologista, em geral com uma audiometria e, conforme o caso, impedanciometria ou exame de imagem. Alguns pedem atendimento no mesmo dia.

Marque o que você sente

  • Perda de audição de início súbito, em horas ou poucos dias (a perda auditiva súbita é uma urgência).
  • Zumbido acompanhado de sinais neurológicos que começaram de repente: fraqueza, dormência, alteração da fala, da visão ou da marcha.
  • Dor de cabeça súbita e explosiva, a pior da vida, junto com o zumbido.
  • Zumbido de um lado só (unilateral), persistente, ou claramente pior em um dos ouvidos.
  • Zumbido pulsátil, batendo no ritmo do coração (pode pedir investigação vascular).
  • Perda de audição nova ou progressiva, ou sensação de ouvido tampado que não passa.
  • Tontura giratória (vertigem), desequilíbrio ou crises com náusea.
  • Zumbido que não melhorou em 1 a 2 semanas de cuidados em casa.

Nada marcado? Siga os cuidados de casa por 1 a 2 semanas e faça o teste de apertar os dentes e virar a cabeça. Não melhorou nesse prazo? Marque consulta.

Marcou um ou dois? Marque consulta nas próximas 2 semanas, com audiometria. Zumbido de um lado só ou com perda de audição segue também para o otorrino; zumbido que pulsa com o coração, otorrino nesta semana.

Marcou item em destaque? Pronto-socorro agora ou ligue 192. Três ou mais, sem item em destaque? Consulta nesta semana.

Cada sinal aponta para uma causa que muda a conduta. O zumbido pulsátil é avaliado à parte, porque pode refletir um som vascular real transmitido ao ouvido. O zumbido unilateral com perda de audição exige afastar causas do nervo auditivo, e a perda auditiva súbita é tratada como urgência, pois a janela de tratamento é curta.

A audiometria mapeia o limiar auditivo em cada frequência e ajuda a separar o zumbido otológico do somatossensorial, em que a audição costuma estar preservada. Na ausência desses sinais, e quando o zumbido muda com o pescoço e a mandíbula, o caminho de cuidado é o do componente muscular, descrito adiante.

Pérola clínica

Zumbido que muda ao virar a cabeça ou apertar os dentes aponta para o pescoço e a ATM, e responde à reabilitação. Zumbido de um lado só, pulsátil, ou com perda de audição e tontura aponta para o ouvido, e pede o otorrino com audiometria. As duas coisas podem conviver, e a avaliação define qual predomina.

Como o quadro é avaliado

A avaliação no consultório de dor parte de uma pergunta prática: o zumbido e a pressão têm componente muscular e cervical, vêm da ATM, ou há sinais que apontam para uma causa otológica que pede o especialista? Na história, caracteriza-se o som (tom, contínuo ou pulsátil, um ou dois lados), a relação com postura, estresse, sono, mastigação e bruxismo, e o que o melhora ou piora. Em paralelo, rastreiam-se os sinais de alerta da seção «quando procurar o otorrino». O exame complementa a história e, com frequência, reproduz o sintoma.

Teste de modulação somática
→
Rotação e inclinação do pescoço, contração da mandíbula e pressão sobre os músculos da nuca e da ATM, para ver se o zumbido muda. A modulação positiva é forte indício de zumbido somatossensorial.
Palpação miofascial
→
Pontos-gatilho e bandas tensas no trapézio superior, no esternocleidomastóideo, nos suboccipitais e nos músculos da mastigação (masseter e temporal), que projetam dor e modulam o zumbido.
Coluna cervical e ATM
→
Amplitude de movimento do pescoço, sobretudo a rotação alta, e exame da articulação temporomandibular: abertura da boca, estalido, desvio e dor à mastigação, mapeando o componente cervical e de ATM.
Exame neurológico dirigido
→
Nervos da face, dos olhos e da audição, força, sensibilidade, reflexos e equilíbrio, para afastar sinais focais. Em quadro típico e sem alterações, é o que basta para orientar o tratamento e tranquilizar.

Pergunta-chave

Há perda de audição, zumbido unilateral, pulsátil, tontura ou sinais neurológicos (a seção «quando procurar o otorrino»)?

Sim

Audiometria e avaliação otológica; ressonância reservada para zumbido unilateral persistente, sinais neurológicos ou suspeita vascular. Avaliação com o especialista indicado.

Não

Em zumbido com pressão de origem muscular e cervical, a imagem não faz parte da rotina. Pedir exames cedo demais, sem indicação, costuma gerar achados sem importância e preocupação sem mudar a conduta.

Como avaliamos o zumbido com pressão aqui

Na consulta, o médico faz o teste de apertar os dentes e virar o pescoço e aperta a nuca, o maxilar e a têmpora, como no mapa acima. Se o zumbido muda, o agulhamento ou a acupuntura desses músculos pode começar no mesmo dia, e a reabilitação do pescoço e da mandíbula segue com o fisioterapeuta da equipe. Havendo sinal de ouvido, a consulta termina com a audiometria pedida e a carta para o otorrino. Revemos o plano entre a 3ª e a 6ª semana.

Assista: Antidepressivos podem dar zumbido?

Tratamento do zumbido que vem do pescoço e da mandíbula

Quando o zumbido é somatossensorial e a pressão vem da tensão muscular, o tratamento mira o pescoço, os músculos da cabeça e a ATM. A base é ativa e educativa, e as técnicas em clínica se somam conforme a apresentação e a resposta. O objetivo é reduzir a tensão e a dor, diminuir o quanto o zumbido incomoda e devolver a rotina, evitando o uso crônico de medicação e procedimentos desnecessários. A meta é reduzir a intensidade e o incômodo do zumbido; nem sempre se elimina o som por completo.

Em casa · 1 a 2 semanas

Entender o mecanismo reduz o medo e a atenção constante ao som. Som baixo de fundo no silêncio, sono regular, menos cafeína, pausa das telas a cada 45 minutos e dentes levemente separados ao longo do dia. Sem melhora em 1 a 2 semanas, suba de degrau.

Exercício e fisioterapia · 4 a 8 semanas

Exercícios para os músculos que mudaram o zumbido no teste (nuca, lateral do pescoço, mandíbula), mobilização da coluna cervical alta e cuidado da ATM. Fisioterapeuta 1 a 2 vezes por semana, exercícios diários em casa.

Agulhamento seco e acupuntura · desde a consulta

Agulhas nos músculos do pescoço, da nuca e da mastigação que modulam o zumbido somatossensorial. Podem começar no dia da consulta, junto com o exercício. Reavaliação na 3ª a 4ª sessão.

Som e manejo do incômodo · se o zumbido persiste

Terapia sonora, cuidado do sono e da ansiedade e, quando o sofrimento é grande, terapia cognitivo-comportamental, para reduzir o quanto o zumbido é percebido e favorecer a habituação.

Exercício, fisioterapia e cuidado da ATM: a base

É a intervenção com a melhor relação entre evidência e segurança. O exercício mira os músculos que mudaram o zumbido no teste: soltar os músculos curtos da nuca e o alto do trapézio, fortalecer os músculos profundos da frente do pescoço e relaxar o masseter e o temporal tira a carga que aumenta o som. Quando há bruxismo ou disfunção da ATM, o cuidado da mandíbula, por vezes com placa oclusal indicada pelo dentista, soma-se ao plano. O atendimento é individual, um paciente por sala, e a resposta é gradual, ao longo de semanas, dependente da regularidade.

Doses típicas para começar: recolher o queixo para trás, como quem faz papada, e segurar 5 a 10 segundos, 8 a 12 repetições, 1 a 2 vezes ao dia; alongar a nuca e o alto do ombro por 20 a 30 segundos, 2 a 3 vezes de cada lado; para a mandíbula, ponta da língua no céu da boca e abrir a boca devagar, sem desviar o queixo, 6 a 10 vezes, 2 a 3 vezes ao dia. O fisioterapeuta ajusta na consulta. Dê 4 a 8 semanas antes de subir de degrau. Se o masseter é o músculo que mais dói, veja dor no músculo masseter.

Agulhamento seco e acupuntura nos músculos que mudam o zumbido

A lógica aqui é tratar o pescoço e a mandíbula que modulam o zumbido. As agulhas vão ao masseter, ao temporal, aos suboccipitais e ao trapézio superior, os músculos que, no exame, mudaram o som ou reproduziram a pressão.

O que é
Agulhas finas, sem injeção de remédio. No agulhamento seco, a agulha vai direto ao ponto-gatilho; na acupuntura, a pontos da cabeça, do pescoço e do corpo; na eletroacupuntura, uma corrente fraca liga as agulhas.
Como age
Solta a banda tensa do músculo e reduz a dor da nuca e da mandíbula, que, pela ligação com a via do som, aumenta o zumbido.
O que esperar
Pode começar no dia da consulta. Agulhamento seco: 1 a 2 sessões por semana, com reavaliação após 3 a 4 sessões. Acupuntura: 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, com reavaliação na 3ª a 4ª. A pressão e a dor na nuca costumam ceder antes do zumbido. Dolorimento leve por 1 a 2 dias é comum.
Indicação
Zumbido que muda com o pescoço ou a mandíbula, com pontos dolorosos nesses músculos.
Limites
A evidência é moderada para dor cervical crônica e para profilaxia da cefaleia tensional, e mais escassa quando o desfecho é o zumbido em si: a melhora do zumbido vem por tabela quando o componente muscular é o que predomina. Se ele não se mexe com agulha nem com as manobras de pescoço e mandíbula, o componente somático é pequeno e o caminho passa a ser a investigação do ouvido.

Outras técnicas da clínica entram em casos selecionados: a toxina botulínica no masseter e no temporal quando o bruxismo é forte e não cede, e o bloqueio do nervo occipital quando a pressão é uma dor de cabeça que nasce na nuca e não melhora. O efeito delas sobre o zumbido em si é incerto; o alvo é a dor que o alimenta.

Terapia sonora e manejo do incômodo

Mesmo quando o componente muscular é tratado, parte do zumbido pode persistir, e o que mais muda a vida do paciente é reduzir o quanto ele incomoda. O som ambiente, de um ruído de fundo a aparelhos de terapia sonora, tira o cérebro da “caça” ao ruído no silêncio e ajuda a baixar o estado de alerta. Cuidar do sono e da ansiedade tem o mesmo efeito, porque o zumbido é mais percebido quando a pessoa está cansada ou tensa. Quando o sofrimento é grande, a terapia cognitivo-comportamental é a abordagem com melhor respaldo.

Se houver perda de audição associada, corrigi-la, inclusive com aparelho auditivo quando indicado pelo otorrino, costuma reduzir o zumbido. Essas frentes estão detalhadas em acupuntura e tratamento do zumbido no ouvido. Se o que sobra é o ouvido tampado, o alívio está em pressão na cabeça e ouvido.

Medicação, papel adjuvante

Não existe um remédio que “cure” o zumbido. O analgésico da crise ajuda na pressão da cabeça, mas o uso frequente pode transformar a cefaleia em diária. Quando o zumbido tira o sono ou vem com ansiedade importante, o médico pode indicar um remédio para a noite. Alguns antidepressivos, porém, pioram o zumbido em parte das pessoas (é o assunto do vídeo acima), e por isso a escolha e o ajuste são feitos na consulta, olhando o zumbido junto com a dor.

O cuidado do sono e da saúde mental faz parte do plano, porque reduz o quanto o zumbido é percebido e incomoda. Para a dor de cabeça, as opções de remédio e seus cuidados ficam no guia de remédios.

Medimos a intensidade da dor e da pressão numa escala de 0 a 10, a amplitude de movimento do pescoço e o incômodo do zumbido com um questionário próprio, como o THI (inventário de handicap do zumbido). Se o zumbido deixou de mudar com as manobras de pescoço e mandíbula, o componente somático já foi tratado, e insistir na agulha pelo zumbido rende pouco. Quando a melhora trava nesse ritmo, a conduta muda de rumo, com revisão do diagnóstico e reforço da avaliação otológica com audiometria, em vez de repetir o mesmo ciclo. Para reduzir recorrências, mantêm-se os ajustes de postura, sono e o condicionamento mesmo depois do alívio.

Da prática clínica

Algumas impressões de consultório sobre o zumbido com pressão:

O teste que mais decide a consulta dura segundos: peço para a pessoa apertar os dentes com força, depois rodar e inclinar o pescoço, enquanto presta atenção ao próprio zumbido. Quando o tom ou o volume mudam com essas manobras, fica claro na hora que há um componente da mandíbula e do pescoço, e a conversa deixa de ser “vou ter que conviver com isso” e passa a ser “há o que tratar”. Muita gente chega sem nunca ter feito esse movimento simples diante de alguém.

A pergunta mais difícil de responder é “isso some?”. Não existe um comprimido que apague o zumbido. O que muda a vida do paciente é a soma de tratar os contribuintes (a tensão cervical, a ATM, uma perda de audição quando existe), usar som ambiente para o cérebro parar de “caçar” o ruído no silêncio e, quando o sofrimento é grande, terapia cognitivo-comportamental. O alvo realista é a habituação: o zumbido perder importância a ponto de a pessoa passar horas sem notá-lo.

O que me deixa em alerta, e que não pode ser confundido com “é só estresse”, são dois padrões. O zumbido pulsátil, que bate junto com o pulso, e o zumbido de um lado só ou com piora de audição num ouvido só. Esses dois saem da rota da reabilitação e vão para o otorrino com investigação, e os trato como prioridade mesmo quando o resto do quadro parece tensional.

O que mais surpreende quem chega é descobrir que aquela “pressão no ouvido” muitas vezes nasce na mandíbula, a um centímetro dali, e que relaxar o masseter pode aliviar uma sensação que a pessoa jurava ser do tímpano.

A clínica

A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.

Conheça a clínica
SBED, Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor
SMBTOC, Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque
CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

Perguntas frequentes

Zumbido na cabeça com pressão é grave?

Na maioria das vezes, não. A combinação costuma vir de tensão muscular do pescoço e da mandíbula somada a uma cefaleia tensional, e é benigna. Os sinais que pedem avaliação sem demora são zumbido de um lado só, pulsátil, com perda de audição ou tontura giratória, conforme a seção «quando procurar o otorrino».

Barulho de grilo ou chiado na cabeça: o que pode ser?

É zumbido com outro nome, e o tipo de som não define a causa. Faça o teste de apertar os dentes e virar a cabeça e veja a lista de sinais da seção «quando procurar o otorrino».

Por que o zumbido muda quando mexo o pescoço ou aperto os dentes?

Porque as fibras sensitivas do pescoço alto e da mandíbula se conectam com a via auditiva no tronco encefálico. Isso permite que a tensão muscular module o zumbido. Quando ele muda com essas manobras, fala-se em zumbido somatossensorial, que responde ao tratamento da tensão do pescoço e da articulação temporomandibular.

O zumbido pode vir do pescoço?

Sim. Quando a pressão sobe da nuca para a cabeça, é mais de um lado e piora com a postura e o movimento do pescoço, pensa-se em origem cervical, o mesmo mecanismo da cefaleia cervicogênica. O tratamento mira a musculatura e as articulações cervicais altas.

Ansiedade dá zumbido na cabeça?

A ansiedade raramente cria o zumbido sozinha, mas aumenta o quanto ele é percebido, piora o sono e contrai a mandíbula e o pescoço.

Preciso fazer audiometria?

A audiometria é indicada quando há perda de audição, zumbido de um lado só, pulsátil ou tontura, situações que pedem o otorrinolaringologista. Quando o zumbido muda com o pescoço e a mandíbula e a audição parece preservada, o foco inicial é o componente muscular, mas a audiometria pode ser pedida para confirmar que a audição está normal.

É enxaqueca, sinusite ou pressão alta?

A pressão sem pulsação, sem náusea e que não piora com esforço sugere cefaleia tensional. A pressão arterial alta costuma ser silenciosa e raramente é a causa do sintoma; se houver dúvida, o certo é medi-la. A sinusite aguda vem com febre, secreção espessa e obstrução nasal, e dura poucos dias. Os quadros podem coexistir, e o exame ajuda a definir qual predomina.

O zumbido tem cura?

Não existe um remédio que simplesmente apague o zumbido. Quando há um componente somatossensorial, tratar a tensão do pescoço e da mandíbula costuma reduzir a intensidade e o incômodo. A meta é diminuir o quanto o zumbido aparece e atrapalha, e nem sempre eliminá-lo por completo.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Dr. Marcus Yu Bin Pai
Sobre o autor
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158.074RQE 65.523 / 65.524 / 655.241

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, com área de atuação em Dor. Doutor em Ciências pela USP e médico colaborador do Grupo de Dor do HC-FMUSP.

Atuação acadêmica e institucional
  • Diretor do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura
  • Professor Colaborador da Pós-Graduação em Dor da USP
  • Ex-membro da Câmara Técnica de Acupuntura do CREMESP
Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Prof. Dr. Hong Jin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências2 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Doi et al. Effectiveness of acupuncture therapy as treatment for tinnitus: a randomized controlled trial. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology. 2016. doi:10.1016/j.bjorl.2016.04.002.
  2. Ismail et al. Effect of acupuncture on tinnitus severity index in the elderly with non-pulsating tinnitus. Physiotherapy Quarterly. 2022. doi:10.5114/pq.2021.108662.
Leitura 20 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual.

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