Acupuntura para zumbido no ouvido
A acupuntura pode reduzir o incômodo do zumbido e a ansiedade que costuma acompanhá-lo, ajudando na convivência com o sintoma, no bem-estar e no sono. É um recurso complementar de baixo risco, dentro de um plano que começa investigando a causa com o otorrinolaringologista.
- A acupuntura pode ajudar a conviver melhor com o zumbido: reduzir o incômodo, a ansiedade e a interferência no sono, melhorando o bem-estar. A maioria dos zumbidos é subjetiva e reflete uma reorganização do cérebro após perda auditiva, às vezes pequena.
- Hoje: durma com um som ambiente suave. Se o zumbido já passa de 2 semanas e você ainda não fez audiometria, marque o otorrino. O ciclo de acupuntura costuma ser de 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana; na 3ª ou 4ª sessão já dá para saber se está ajudando.
- Ela age por neuromodulação, reduzindo a reatividade do sistema nervoso ao som, e por isso soma bem às demais frentes do plano: amplificação ou aparelho auditivo quando há perda, terapia sonora, retreinamento do zumbido (TRT) e terapia cognitivo-comportamental (TCC).
- A acupuntura e a auriculoterapia entram como complemento de baixo risco, voltadas ao incômodo, à ansiedade e ao sono, e ajudam a pessoa a tolerar melhor o zumbido.
- O primeiro passo é a avaliação otorrinológica com audiometria, que investiga a causa. Zumbido pulsátil (no ritmo do coração) ou unilateral progressivo tem investigação própria, vascular ou de imagem. Perda de audição de repente, em um ouvido, é urgência: procure atendimento no mesmo dia.
40+ anos · HC-FMUSP · USP · 30 salas · 1.500 m² · Fisioterapia e Pilates individual
Centro de Referência no Brasil em Acupuntura Médica. Tratamento com base em evidências, na tradição da USP e do HC-FMUSP.
Atendimento particular · muitos planos reembolsam a consulta: veja como funciona.
Enquanto a causa é investigada com o otorrino, estas medidas ajudam a reduzir o incômodo do zumbido no dia a dia:
- Se o zumbido passa de 2 semanas, marque a avaliação otorrinológica com audiometria. É o primeiro passo, e é ele que direciona todo o resto do plano.
- Evite o silêncio total, sobretudo à noite. Um som ambiente suave (ventilador, rádio baixo, chuva) reduz o contraste entre o zumbido e o fundo e ajuda a dormir.
- Não fique “testando” se o som ainda está lá. Checar o zumbido no silêncio alimenta o ciclo de atenção que o torna mais incômodo.
- Proteja os ouvidos de ruído alto (protetor auricular em ambientes barulhentos), para não somar uma nova perda auditiva à que já existe.
Procure avaliação sem demora se o zumbido for pulsátil, tiver início súbito em um ouvido só ou vier acompanhado de vertigem, tontura intensa ou sintomas neurológicos (ver «Sinais de alerta», mais abaixo).
O que é o zumbido e por que ele incomoda

Zumbido, ou tinnitus, é a percepção de um som (apito, chiado, cigarra, pulsação) sem uma fonte sonora externa correspondente. Não é uma doença, mas um sintoma. A primeira divisão que muda toda a conduta é entre zumbido subjetivo, ouvido só pelo paciente, que responde pela imensa maioria dos casos, e zumbido objetivo, raro, em que um som real (em geral vascular ou muscular) pode ser captado também pelo examinador.
O modelo neurocientífico atual entende o zumbido subjetivo como um fenômeno gerado sobretudo no sistema nervoso central, e não apenas na cóclea. O gatilho mais comum é uma perda de aferência auditiva: lesão das células ciliadas da cóclea (por ruído, idade ou ototoxicidade) reduz o sinal que chega ao tronco encefálico. Em resposta, as vias auditivas centrais elevam compensatoriamente sua sensibilidade, um fenômeno descrito como aumento do ganho central: a orelha manda menos sinal e o cérebro aumenta o próprio volume para compensar, como um rádio fora da estação.
O cérebro interpreta esse ruído de fundo interno como um som. Por isso tratar o zumbido raramente significa “desligar” algo no ouvido: significa modular como o sistema nervoso gera, amplifica e atende esse sinal.
Há uma segunda camada, decisiva para a qualidade de vida: o quanto o zumbido incomoda. A intensidade medida (acufenometria) correlaciona-se mal com o sofrimento; dois pacientes com o mesmo volume medido podem ter experiências opostas. O que define o incômodo é o quanto redes não auditivas se acoplam ao sinal: as áreas ligadas à emoção (sistema límbico), o eixo de estresse e as redes de atenção.
Quando essas redes “etiquetam” o zumbido como ameaça, instala-se um ciclo de hipervigilância, ansiedade e insônia em que quanto mais se foca no som, mais ele se torna intrusivo, alimentado também pela facilitação em silêncio. É justamente sobre essa camada de reatividade central que intervenções como terapia sonora, TCC e a acupuntura têm algo a oferecer.
“A acupuntura silencia o zumbido do ouvido de quem faz o tratamento.”
A acupuntura raramente silencia o som. Ela ajuda a conviver melhor com ele. O que ela auxilia é o incômodo, a ansiedade e o sono associados, dentro de um plano que investiga e trata a causa com o otorrino.
Se o que mais incomoda é a sensação de ouvido tampado e cabeça pesada, sem um som constante, veja pressão na cabeça e ouvido.
Por que tudo começa no otorrinolaringologista
Antes de começar a acupuntura, a auriculoterapia ou qualquer outra terapia para o zumbido, o passo inicial é a avaliação otorrinolaringológica. O zumbido é um sintoma final comum a causas muito distintas, e algumas exigem conduta específica e tempestiva. É o otorrino quem investiga o ouvido e conduz o tratamento da causa; a acupuntura entra depois, como complemento.
As causas mais frequentes se concentram na via auditiva, mas não só. Identificá-las orienta o tratamento de base, ao qual a acupuntura se soma:
A investigação parte da história e do exame otoscópico e tem como exame central a audiometria tonal e vocal, complementada por imitanciometria (avaliação da orelha média) e, quando útil, pela acufenometria, que mede o tom e o volume do zumbido. A imagem não é rotineira: a ressonância magnética do conduto auditivo interno é indicada sobretudo no zumbido unilateral ou assimétrico e na perda auditiva neurossensorial assimétrica, para afastar causas retrococleares como o schwannoma vestibular, um tumor benigno do nervo da audição; no zumbido pulsátil, a investigação é vascular, com exames dos vasos (Doppler, angio-TC ou angio-RM). Mapeada a causa, monta-se o plano de manejo, no qual a acupuntura pode somar como complemento.
Procure o otorrino antes de qualquer terapia se o zumbido vier com
- Início súbito, em um ouvido só, ou perda auditiva rápida associada. Mesmo dia, no otorrino ou no pronto-socorro: a perda súbita de audição é tratada como urgência.
- Caráter pulsátil, batendo no ritmo do coração. Marque o otorrino nesta semana.
- Tontura, vertigem intensa ou desequilíbrio. Tontura forte: ligue 192.
- Sintomas neurológicos: alteração da face, da fala ou da visão: ligue 192.
- Dor de ouvido, secreção ou sensação de ouvido tampado persistente. Com febre, otorrino em 1 a 2 dias; sem febre, em até 2 semanas.
- Sofrimento emocional intenso, insônia grave ou ideias de desesperança ligadas ao zumbido. Com ideia de se machucar, ligue 188 (CVV) ou vá ao pronto-socorro hoje.
Esses sinais não significam, por si sós, algo grave, mas indicam que a causa precisa ser esclarecida por quem é responsável pelo ouvido. A acupuntura é uma camada complementar de neuromodulação e de manejo do incômodo; ela soma ao diagnóstico otorrinológico e ao tratamento da causa de base, sem substituí-los.
Como a acupuntura age no zumbido

A acupuntura para zumbido no ouvido não age “consertando” a cóclea nem repõe as células ciliadas perdidas. Ela age por neuromodulação: o estímulo das agulhas recruta vias do sistema nervoso que modulam como o sinal do zumbido é gerado, amplificado e, sobretudo, percebido.
Na prática, isso aparece de duas formas. A primeira é acalmar o sistema de alerta: menos ansiedade, menos tensão e um sono melhor, o que tira o zumbido do centro da atenção. A segunda vale quando o zumbido muda com a mandíbula ou o pescoço: soltar esses músculos pode baixar o próprio som.
Esse mesmo efeito de modulação central e ansiolítica é o que sustenta o uso da acupuntura em quadros de ansiedade e insônia, frequentemente associados ao zumbido incômodo. Quem quiser aprofundar pode ler sobre o efeito ansiolítico da acupuntura e os benefícios da acupuntura como neuromodulação. A lógica é convergente: agir sobre o incômodo e o estado de alerta, mais do que sobre o som isolado.
A acupuntura ajuda a reduzir a reatividade do sistema nervoso ao zumbido, diminuindo o incômodo, a ansiedade e a interferência no sono, dentro de um plano maior conduzido pelo otorrino.
O que a acupuntura ajuda a melhorar no zumbido
O ganho da acupuntura no zumbido tem alvo definido: ela ajuda no incômodo, na ansiedade e no sono, e não na intensidade medida do som. Parte dos pacientes relata melhora em escalas de incômodo e de qualidade de vida, o que faz sentido diante da neurobiologia do zumbido: o sofrimento mora nas redes de estresse e de atenção, justamente as que a acupuntura modula. Por isso ela é uma terapia complementar de baixo risco, oferecida como parte de um plano, com a expectativa realista de auxiliar a convivência com o zumbido.
A decisão de somar a acupuntura é compartilhada, com critérios de reavaliação definidos desde o início. Como o desfecho relevante aqui é o incômodo, a reavaliação se ancora no questionário de incômodo do zumbido (THI), com 25 perguntas sobre o quanto o som atrapalha a vida, e em escalas de sono.
Benefício no incômodo e na qualidade de vida
Parte dos pacientes melhora em escalas de incômodo e de qualidade de vida. A acupuntura ajuda a conviver melhor com o zumbido e com a ansiedade associada. É um complemento de baixo risco, dentro de um plano conduzido pelo otorrinolaringologista, que investiga a causa do som.
Ver referências →Vale uma nota prática: no zumbido, o que se mede muda a leitura do resultado. Um estudo que afere intensidade (acufenometria), outro que mede incômodo (THI) e um terceiro que pergunta sobre sono respondem a perguntas diferentes. A acupuntura mira o incômodo e o estado de alerta, onde a plausibilidade e o ganho são maiores, e não a intensidade do som, e é por esse alvo que ela é indicada.
Tratamento do zumbido: as frentes do plano e onde entra a acupuntura
O cuidado do zumbido que incomoda quase nunca se resume a uma técnica. A ordem importa: primeiro se trata a causa identificada pelo otorrino e se corrige a perda auditiva; em seguida vêm as intervenções que trabalham o incômodo (terapia sonora, TRT e TCC); a acupuntura e a auriculoterapia somam a esse conjunto como complementos de baixo risco.
Investigar e tratar a causa (otorrino)
Audiometria, imitanciometria e exame otológico; tratar perda auditiva, disfunção da ATM ou cervical, ototoxicidade e fatores reversíveis. É o primeiro passo.
Amplificação e terapia sonora
Aparelho auditivo quando há perda; enriquecimento sonoro para reduzir o contraste com o silêncio e a saliência do zumbido. O aparelho pede semanas de adaptação.
TRT e TCC
Retreinamento (habituação) e terapia cognitivo-comportamental, que trabalham diretamente o sofrimento ligado ao zumbido. Ganhos em semanas a poucos meses.
Acupuntura e auriculoterapia
Camada complementar de neuromodulação, com metas no incômodo e no sono e reavaliação definidas: 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, reavaliar na 3ª ou 4ª.
Tratamento da causa e aparelho auditivo
É a base do plano e a camada com lógica mais direta. Tratada a causa, o próprio zumbido pode atenuar; e, quando há perda auditiva associada, a amplificação tende a ser a intervenção isolada de maior impacto.
Benefício ao longo de semanas de adaptação; o ganho maior é na audição e na comunicação, com redução variável do incômodo do zumbido. Para quem: Zumbido com perda auditiva associada, mesmo leve; é o primeiro recurso a considerar nesse cenário.
Terapia sonora e retreinamento do zumbido (TRT)
A terapia sonora parte de um princípio fisiológico: no silêncio, o sistema auditivo “sobe o volume” e o zumbido fica mais saliente.
Processo de meses (a habituação é gradual), em geral com acompanhamento e ajuste; resposta progressiva, não imediata. Ajuda mais quem tem zumbido crônico que piora no silêncio e à noite.
Terapia cognitivo-comportamental e manejo da ansiedade e do sono
O sofrimento do zumbido mora, em grande parte, no ciclo de atenção, ansiedade e insônia, e é nesse alvo que a TCC atua com força.
É a intervenção com melhor e mais consistente respaldo para reduzir o impacto do zumbido na qualidade de vida; diretrizes a recomendam. Reduz o sofrimento, e o som pode permanecer. Ganhos ao longo de semanas a poucos meses, acompanhados por instrumentos como o THI; o som pode permanecer, mas deixa de comandar a atenção. Para quem: Zumbido com incômodo relevante, ansiedade, insônia ou humor deprimido associados; deve ser oferecida cedo nesses casos.
Acupuntura e eletroacupuntura
Aqui entra a camada complementar. A acupuntura não trata a cóclea; seu alvo é o incômodo, a ansiedade e o sono, e é justamente nesse componente que ela costuma ajudar as pessoas a conviver melhor com o zumbido.
- O que é
- Inserção de agulhas finas em acupontos, em geral acompanhada de pontos para ansiedade e sono, já que é nesse componente que a expectativa de ganho se concentra no zumbido; na eletroacupuntura, uma corrente de baixa intensidade conecta as agulhas (veja os benefícios da eletroacupuntura). Embute-se num plano que começa pelo otorrino e pelas terapias de base.
- Mecanismo
- O estímulo das agulhas acalma a resposta de alerta e de estresse do sistema nervoso. O eixo mais forte para o zumbido é a redução da reatividade central ao som, que se traduz em menos incômodo.
- O que sustenta o uso
- A base é a neurofisiologia da neuromodulação e o benefício observado sobre o incômodo, a ansiedade e o sono, componentes onde a plausibilidade é maior. Por isso a acupuntura é oferecida como complemento voltado a esse alvo, dentro de um plano conduzido pelo otorrino.
- O que esperar
- As agulhas ficam de 15 a 30 minutos; a sensação é de peso ou formigamento leve. No zumbido o desfecho é incomodar-se menos com o apito: por isso a reavaliação se ancora no THI e em escalas de sono. Costuma-se combinar um ciclo de 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, e reler esses instrumentos na 3ª ou 4ª; uma queda relevante no THI ou no impacto sobre o sono sustenta seguir, e a ausência de movimento nesses marcadores é o sinal de rever a estratégia.
- Indicações
- Caso selecionado, em geral com ansiedade ou insônia associadas, dentro de um plano que já contempla as terapias de base; decisão compartilhada.
- Limitações
- Efeitos adversos raros e leves (desconforto, pequena equimose); cautela com anticoagulação. Soma ao tratamento da causa e às terapias de primeira linha, sem substituí-las.
Quais pontos de acupuntura são usados no zumbido
Não existe um ponto único que desligue o zumbido. Os pontos mais usados nos estudos e na prática ficam ao redor da orelha e na nuca, somados a pontos de relaxamento para ansiedade e sono. Entre parênteses vai o código do ponto (letras do meridiano e número):
- Na frente da orelha: Ermen (TA21), Tinggong (ID19) e Tinghui (VB2), em fila na frente do trago (a saliência na entrada do ouvido), do alto à base dele. Ficam mais acessíveis com a boca entreaberta.
- Atrás do lóbulo: Yifeng (TA17), na depressão entre o ângulo da mandíbula e o osso atrás da orelha.
- Na nuca: Fengchi (VB20), logo abaixo da base do crânio, útil quando o zumbido muda com o pescoço.
- Na mandíbula e na têmpora: pontos no masseter e no temporal, quando o zumbido muda ao apertar os dentes.
A escolha final sai do exame: quem tem o zumbido ligado à mandíbula e à nuca recebe mais pontos nesses músculos; quem tem ansiedade e insônia fortes recebe mais pontos de relaxamento.
Auriculoterapia
Variante complementar, pouco invasiva, feita na clínica e frequentemente combinada à acupuntura corporal para o componente de ansiedade.
- O que é
- Estimulação de pontos no pavilhão da orelha com agulhas ou sementes, baseada numa representação somatotópica do corpo na orelha. Inclui pontos clássicos de relaxamento, como o Shen Men.
- Mecanismo
- A orelha tem inervação rica, com o ramo auricular do nervo vago; postula-se modulação autonômica e do estado de alerta. A correspondência entre os pontos e mecanismos neurofisiológicos segue em estudo.
- O que sustenta o uso
- O objetivo é auxiliar o incômodo e a ansiedade, aproveitando a mesma modulação autonômica da acupuntura corporal.
- O que esperar
- Bem tolerada; quando usada, segue o mesmo ciclo e a mesma lógica de reavaliação da acupuntura corporal. Ver os pontos da acupuntura auricular usados nesse contexto.
- Indicações
- Complemento ao plano em pacientes com ansiedade associada que preferem uma abordagem pouco invasiva.
- Limitações
- Desconforto local, risco de irritação no ponto da semente. Complemento, combinado à acupuntura corporal.
Remédios: papel de apoio
Não existe, até hoje, remédio aprovado para abolir o som do zumbido. O manejo farmacológico é de apoio e dirigido às comorbidades que amplificam o incômodo.
Trata a comorbidade que sustenta o ciclo de hipervigilância; ao reduzir ansiedade ou melhorar o sono, diminui-se indiretamente o quanto o zumbido incomoda. Quando ansiedade, humor deprimido ou insônia pesam, o médico pode indicar um remédio para esse problema; as opções, doses e cuidados estão no guia de remédios.
Avaliação otorrinológica
Investigar a causa, audiometria e exame otológico. Definir o que será tratado e quais comorbidades existem.
6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana, com THI no início e na 3ª ou 4ª
Acupuntura / auriculoterapia somadas à terapia sonora e ao manejo da ansiedade e do sono. O alvo é a queda no THI e no impacto sobre a noite.
Decisão compartilhada
Com benefício no incômodo, mantém-se o plano; sem resposta clara, ajusta-se a estratégia em vez de insistir indefinidamente na agulha.
Observações recorrentes no consultório. O paciente que procura acupuntura para o zumbido costuma chegar depois de já ter ouvido “não há nada a fazer” e de noites mal dormidas; a ansiedade e a privação de sono frequentemente pesam tanto quanto o som, e é justamente nesse alvo que a conversa avança melhor.
O equívoco mais comum é buscar a agulha pulando a audiometria, na esperança de “tirar o apito”. Quando isso acontece, o primeiro passo no consultório é encaminhar ao otorrino, sobretudo diante de zumbido em um ouvido só ou pulsátil. Outro ponto de decisão prático: zumbido que muda ao apertar a mandíbula, virar o pescoço ou cerrar os dentes aponta para um componente somatossensorial (ATM ou cervical), que tende a responder melhor quando se trata essa origem em vez de insistir só na orelha; detalhamos em zumbido na cabeça e pressão.
O que costuma surpreender quem chega é a inversão da meta. A pergunta deixa de ser “quando o som some” e passa a ser “há quanto tempo você não reparava nele”. Quando o sono melhora e o zumbido sai do centro da atenção, muitos relatam alívio mesmo com o apito ainda presente, e é esse deslocamento que sustenta a sensação de melhora.
O alvo em que a acupuntura mais ajuda no zumbido é claro: o incômodo, a ansiedade e o sono, justamente o que o THI captura e o que mais pesa na vida de quem convive com o apito. Começar pela audiometria e pela TCC, e somar a agulha para trabalhar esse componente, é o caminho que costuma render mais no dia a dia.
O que esperar de cada estratégia

A tabela resume o papel de cada peça do plano, deixando explícito o alvo de cada uma. Todas miram, de ângulos diferentes, o incômodo e a tolerância ao som.
| Estratégia | Alvo | Papel e expectativa realista |
|---|---|---|
| Avaliação otorrinológica + tratar a causa | Causa de base do zumbido | Passo inicial; define todo o restante do plano |
| Amplificação / aparelho auditivo | Repor a aferência quando há perda auditiva | Recomendado quando há perda; reduz a percepção do zumbido |
| Terapia sonora / TRT | Habituação: desacoplar o som das redes de alerta | Abordagem consolidada para o zumbido crônico incômodo |
| TCC / manejo da ansiedade e do sono | Reduzir o impacto do zumbido na vida | Respaldo consistente; reduz o sofrimento |
| Acupuntura / eletroacupuntura | Complemento: incômodo, ansiedade e sono | Ajuda a conviver melhor com o zumbido; baixo risco |
| Auriculoterapia | Complemento pouco invasivo | Bem tolerada; foco no incômodo e na ansiedade |
| Medicação | Ansiedade, depressão ou insônia associadas | Adjuvante; alivia o incômodo pela comorbidade tratada |
A força do plano está na soma. A acupuntura para zumbido no ouvido rende mais quando integrada a essa estrutura, com a causa investigada pelo otorrino e o incômodo trabalhado por várias frentes ao mesmo tempo.
Como avaliamos o zumbido aqui
Na consulta, o médico pergunta como é o som, se está nos dois ouvidos, se pulsa e o que piora: silêncio, estresse, noite mal dormida. Depois faz o teste de modulação: você aperta os dentes e vira o pescoço, e o médico pressiona os músculos da mandíbula e da nuca, para ver se o zumbido muda. Conferimos a sua audiometria; se você ainda não fez e o zumbido passa de 2 semanas, pedimos o exame e indicamos o otorrino.
Você responde ao questionário de incômodo (THI), que vira a régua do tratamento. Se você já passou pelo otorrino e não há sinal de alerta, a primeira sessão de acupuntura pode começar no mesmo dia, e a auriculoterapia com sementes entra na mesma sessão, quando indicada. Se o zumbido muda com a mandíbula ou o pescoço, sem perda de audição nem sinal de alerta, as agulhas nesses músculos também podem começar no mesmo dia, junto com os cuidados de casa, e o fisioterapeuta da clínica conduz a reabilitação da mandíbula e do pescoço.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
Conheça a clínica


Perguntas frequentes
Como a acupuntura ajuda no zumbido do ouvido?
Ela ajuda a conviver melhor com o zumbido, aliviando o incômodo, a ansiedade e a interferência no sono. Age por neuromodulação, reduzindo a reatividade do sistema nervoso ao som. É uma terapia complementar de baixo risco, oferecida dentro de um plano que começa pela avaliação otorrinológica.
A auriculoterapia serve para o tratamento do zumbido?
A auriculoterapia é usada como camada complementar no manejo do incômodo do zumbido e da ansiedade que o acompanha, por ser pouco invasiva e bem tolerada. Assim como a acupuntura corporal, seu alvo é o incômodo e o bem-estar, ajudando a pessoa a tolerar melhor o som. Os pontos mais usados são o Shen Men, o Rim, o Ouvido interno e o Subcórtex; as sementes ficam alguns dias na orelha e você as pressiona em casa. Veja os pontos da acupuntura auricular usados nesse contexto.
Quantas sessões de acupuntura são necessárias para o zumbido?
Em geral, 6 a 10 sessões, 1 a 2 por semana. Quando indicada, propõe-se um bloco de sessões semanais e relê-se o THI e o sono no fim dele: é o tamanho do incômodo que cai (ou não), não a contagem de sessões, que decide se vale seguir. Se esses marcadores não se movem, ajusta-se a estratégia.
A acupuntura faz o zumbido sumir?
O foco da acupuntura não é silenciar o som, e sim ajudar a conviver melhor com ele: reduzir o incômodo e a ansiedade e melhorar o sono. Muitas pessoas relatam que o zumbido deixa de comandar a atenção, mesmo quando o apito ainda está presente.
Preciso ir ao otorrino antes de fazer acupuntura para o zumbido?
Sim, e isso é importante. O zumbido tem muitas causas, algumas com conduta específica, e algumas exigem investigação sem demora (zumbido pulsátil, unilateral progressivo, com perda auditiva súbita ou sintomas neurológicos). A acupuntura é complementar e entra depois de mapeada a causa, somada à terapia sonora e ao manejo da ansiedade. A exceção é o zumbido que muda ao apertar os dentes ou virar o pescoço, sem perda de audição nem sinal de alerta: os cuidados de casa e o tratamento desses músculos podem começar logo, e o otorrino entra se o zumbido passar de 2 semanas (veja zumbido na cabeça e pressão).
A acupuntura ajuda na ansiedade e na insônia que vêm com o zumbido?
É justamente nesse componente emocional e de sono que a acupuntura tem mais a oferecer, pelo seu efeito de modulação da ansiedade e do estado de alerta. Como o sofrimento do zumbido mora muito nesse ciclo, atuar sobre ele reduz o quanto o ruído incomoda. Veja o efeito ansiolítico da acupuntura.
Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.
Ver a biblioteca científica completaReferências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- Tunkel DE, Bauer CA, Sun GH, et al. Clinical practice guideline: tinnitus. Otolaryngol Head Neck Surg. 2014;151(2 Suppl):S1-S40.
- Fuller T, Cima R, Langguth B, et al. Cognitive behavioural therapy for tinnitus. Cochrane Database Syst Rev. 2020;1:CD012614.
- Kim JI, Choi JY, Lee DH, et al. Acupuncture for the treatment of tinnitus: a systematic review of randomized clinical trials. BMC Complement Altern Med. 2012;12:97.
- Henry JA, Roberts LE, Caspary DM, Theodoroff SM, Salvi RJ. Underlying mechanisms of tinnitus: review and clinical implications. J Am Acad Audiol. 2014;25(1):5-22.
O zumbido deve ser investigado por um otorrinolaringologista antes de qualquer terapia, e o plano de manejo é sempre individualizado após consulta. No zumbido, a meta realista é conviver melhor com o som, reduzindo o incômodo.









