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Acupuntura médica · Eixo cérebro-intestino

Acupuntura para Dispepsia Funcional: Guia Completo de Tratamento

A acupuntura pode ajudar na dispepsia funcional como recurso complementar, modulando a sensibilidade do estômago e o esvaziamento gástrico, sem substituir o gastroenterologista.

Resposta direta
  • A acupuntura é um recurso complementar (adjuvante) para a dispepsia funcional, com efeito sobre a hipersensibilidade visceral, o esvaziamento gástrico e o eixo cérebro-intestino. Atua sobre a função e o sintoma, não sobre a causa orgânica.
  • Antes de qualquer terapia complementar, a dispepsia precisa ser investigada para afastar causas orgânicas (úlcera, H. pylori, e câncer gástrico em quem tem sinais de alarme). Dispepsia funcional é um diagnóstico que se firma após essa avaliação.
  • A eletroacupuntura costuma dar o melhor resultado, como recurso adjuvante e com bom perfil de segurança. A resposta é gradual e varia entre pessoas.
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Acupuntura médica

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O que é dispepsia funcional

A dispepsia funcional é um distúrbio da interação entre o cérebro e o intestino em que há sintomas persistentes na parte alta do abdome, originados no estômago e no duodeno, sem uma lesão estrutural que os explique nos exames. É o que muita gente chama de “má digestão” ou de algia epigástrica, e é uma das queixas digestivas mais comuns na população.

Pela classificação internacional (os critérios de Roma IV), ela se divide em dois subtipos que costumam orientar o tratamento. A síndrome do desconforto pós-prandial cursa com empachamento (sensação de estômago cheio) e saciedade precoce depois das refeições. A síndrome da dor epigástrica cursa com dor ou queimação localizada na “boca do estômago”, nem sempre ligada à comida. Muitos pacientes têm os dois padrões ao mesmo tempo, e há grande sobreposição com o refluxo e com a síndrome do intestino irritável, porque os mecanismos são parecidos e ambos respondem ao mesmo eixo modulado pela acupuntura no aparelho digestivo.

O que sustenta os sintomas não é uma única causa, mas um conjunto: hipersensibilidade visceral (o estômago “sente” como dor estímulos que seriam normais), alteração do esvaziamento gástrico e da acomodação do fundo do estômago, inflamação discreta da mucosa duodenal, e uma desregulação do eixo cérebro-intestino, em que estresse, ansiedade e sono ruim amplificam a percepção do sintoma. É justamente nesse último eixo que a acupuntura encontra seu papel mais plausível como adjuvante.

Mito

“Se os exames (endoscopia, ultrassom) deram normais, então não tenho nada e a dispepsia é só nervoso ou frescura.”

Fato

Dispepsia funcional é um diagnóstico real, com mecanismos biológicos definidos (hipersensibilidade, motilidade, eixo cérebro-intestino). Exames normais confirmam que não há lesão grave, não que o sintoma seja imaginário. Ele tem tratamento.

Auditorio com instrutora apresentando aula e maca de demonstração a frente
Ensino e formação Aula em auditorio com maca de demonstração a frente.

Onde entra a acupuntura e onde ela não entra

Prof. Dr. Hong Jin Pai conduzindo aula prática de acupuntura para a equipe.
O Prof. Dr. Hong Jin Pai conduz a formação em acupuntura médica da equipe.

Como médico da dor e acupuntura, atendo esse sintoma sobretudo em dois contextos. O primeiro é quando a dispepsia aparece junto de uma dor crônica que já tratamos, em que o estresse sustentado, o sono ruim e o uso de anti-inflamatórios irritam o estômago e perpetuam a queixa. O segundo é quando o paciente, já investigado pela gastroenterologia, procura um recurso adicional porque as medidas habituais não foram suficientes para controlar o sintoma. Em ambos os casos, a acupuntura entra como peça de um plano, e não como tratamento isolado.

A acupuntura não trata uma úlcera, não erradica o Helicobacter pylori e não investiga um câncer gástrico, condições que precisam de endoscopia, exames e tratamento próprios. A acupuntura age sobre a função e o sintoma (a sensibilidade do estômago, a motilidade, a percepção da dor), não sobre uma causa estrutural. Por isso a sequência correta é primeiro investigar com o gastroenterologista, depois somar a acupuntura quando fizer sentido.

Em uma frase

A acupuntura é um adjuvante na dispepsia funcional: reduz a intensidade e a frequência dos sintomas em parte das pessoas, dentro de um plano, depois de afastadas as causas orgânicas pelo gastroenterologista.

Como a acupuntura age na dispepsia

Três cortes de ressonância magnética funcional do cérebro com áreas de ativação destacadas em amarelo e laranja.
Estudos de neuroimagem mostram que o estímulo das agulhas modula regiões cerebrais ligadas a dor e a regulação visceral.

O efeito da acupuntura na dispepsia funcional é biologicamente plausível e opera por mais de um mecanismo, todos ligados ao eixo cérebro-intestino. O estímulo de pontos como o E36 (Zusanli), na perna, e o PC6 (Neiguan), no punho, ativa fibras nervosas que chegam à medula e ao tronco encefálico e desloca o equilíbrio do sistema nervoso autônomo na direção do parassimpático (o tônus vagal), que favorece a motilidade e a acomodação do estômago.

Em paralelo, a acupuntura modula a hipersensibilidade visceral por vias inibitórias descendentes e pela liberação de opioides endógenos, o mesmo sistema analgésico que sustenta seu uso na dor. Estudos experimentais sugerem ainda efeito sobre o esvaziamento gástrico e sobre a sinalização de hormônios e neuropeptídeos digestivos. Por fim, há um componente sobre o eixo do estresse: ao reduzir a ativação simpática e a tensão, a técnica pode diminuir o quanto o cérebro amplifica o sinal vindo do estômago.

A acupuntura soma-se às medidas de base (ajuste alimentar, manejo do estresse e do sono, medicação quando indicada), e é nessa combinação que costuma render melhor.

O que a acupuntura pode modular

Função e percepção

Hipersensibilidade visceral, tônus autonômico (vagal), motilidade e esvaziamento gástrico, e o quanto o estresse amplifica o sintoma.

O que ela não resolve

Causas estruturais

Úlcera, infecção por H. pylori, doença do refluxo grave e, sobretudo, sinais de alarme para câncer gástrico, que exigem investigação e tratamento próprios.

Quais pontos de acupuntura costumam ser usados

A escolha dos pontos é individualizada e parte de uma avaliação, não de uma receita fixa. Ainda assim, há um conjunto recorrente nos protocolos de pesquisa e na prática para a dispepsia funcional. O E36 (Zusanli) e o PC6 (Neiguan) são os mais estudados, sobretudo na eletroacupuntura. Outros pontos locais e a distância são acrescentados conforme o subtipo (desconforto pós-prandial ou dor epigástrica) e os sintomas associados, como náusea, ansiedade ou insônia.

Pontos de acupuntura frequentes na dispepsia funcional
PontoLocalizaçãoPapel proposto
E36 (Zusanli)Perna, abaixo do joelhoPonto central; modula motilidade e tônus vagal, com forte uso em eletroacupuntura
PC6 (Neiguan)Punho, face anteriorNáusea, desconforto epigástrico e componente autonômico; muito usado para enjoo
VC12 (Zhongwan)Abdome, “boca do estômago”Ponto local sobre o estômago, para empachamento e dor epigástrica
BP4 / BP6Pé e pernaApoio à digestão e ao eixo digestivo, conforme o quadro
F3 (Taichong) / auricularesPé / orelhaComponente de estresse e ansiedade que amplifica o sintoma

Não existe um “ponto mágico” que dispense o resto do plano. A montagem é clínica: o subtipo, os gatilhos, o sono e o nível de estresse de cada pessoa pesam na escolha. Na dispepsia funcional o agulhamento é feito por médico, com avaliação prévia das comorbidades digestivas e da medicação em uso (sobretudo anticoagulantes), porque a punção do VC12 e dos pontos abdominais exige conhecimento da anatomia da parede e da profundidade segura. A corrente de baixa intensidade aplicada às agulhas (a eletroacupuntura), a forma com melhor sinal nesta condição, é detalhada na página sobre acupuntura para o intestino.

O que a acupuntura pode fazer pela digestão

Na prática e nos estudos, a acupuntura e, em especial, a eletroacupuntura podem reduzir os sintomas da dispepsia funcional e melhorar a qualidade de vida quando somadas ao tratamento usual. O alívio costuma ser mais nítido no desconforto pós-prandial, com pontos como E36 e PC6.

Na prática, a acupuntura entra como adjuvante da dispepsia funcional: pode aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, com bom perfil de segurança, sempre somada às medidas de base e ao acompanhamento do gastroenterologista.

O que mostram os estudos

Acupuntura na dispepsia funcional: adjuvante promissor

A eletroacupuntura reduziu sintomas dispépticos nos estudos, com alívio mais nítido no desconforto pós-prandial. É um recurso adjuvante seguro, e a resposta varia entre pessoas.

Ver referências →

Uso aqui o mesmo critério que aplico na dor: indico a acupuntura quando o benefício é plausível e o risco é baixo, defino o plano e as metas desde a primeira consulta, e reavalio por objetivos claros. Se não há resposta em um número definido de sessões, o caso volta à mesa, e o paciente é reencaminhado para aprofundar a investigação, não submetido a ciclos intermináveis sem critério.

Sinais de alarme: investigar antes

A grande maioria dos casos de dispepsia é funcional e benigna, mas alguns sinais exigem investigação pelo gastroenterologista antes de qualquer terapia complementar, porque podem indicar uma causa que muda tudo, inclusive um câncer de estômago. A investigação tem precedência sobre qualquer terapia complementar diante de qualquer um destes:

Sinais de alarme · investigar sem demora

Procure o gastroenterologista sem demora se houver

  • Perda de peso sem explicação, falta de apetite acentuada ou anemia.
  • Dificuldade ou dor para engolir (disfagia), ou vômitos persistentes.
  • Sangramento: vômito com sangue, ou fezes escuras “tipo borra de café” (melena).
  • Surgimento dos sintomas após os 45 a 50 anos pela primeira vez, ou história familiar de câncer gástrico.
  • Massa palpável no abdome, ou icterícia (pele e olhos amarelados).
  • Sintomas que não melhoram e pioram de forma progressiva, apesar de tratamento.

A presença de qualquer um desses sinais costuma indicar endoscopia digestiva alta e a pesquisa do H. pylori. Dispepsia funcional é, por definição, um diagnóstico que se firma depois de afastar essas causas. Foi a partir dessa segurança diagnóstica que a acupuntura pode entrar como camada adjuvante, com o paciente já avaliado.

Assista: Acupuntura – Quando ela pode ser útil?

O tratamento completo, em degraus

Prof. Dr. Hong Jin Pai em palestra no congresso CINDOR.
O Prof. Dr. Hong Jin Pai é referência em acupuntura médica e dor.

O tratamento da dispepsia funcional é escalonado e multimodal, conduzido em conjunto com o gastroenterologista. Começa pelas medidas de base e pela medicação dirigida, que resolvem boa parte dos casos, e avança em degraus conforme a resposta. A acupuntura e a eletroacupuntura entram como camada adjuvante, sobretudo para quem não respondeu bem às medidas iniciais, para quem tem forte componente de estresse, ou para quem quer reduzir a dependência de medicação contínua. Abaixo, o caminho na ordem em que costuma fazer sentido.

Investigação e medidas de base

Avaliação pelo gastroenterologista, pesquisa e tratamento do H. pylori quando presente, ajuste alimentar (refeições menores e mais frequentes, reduzir gordura, álcool, cafeína) e manejo do sono e do estresse.

Medicação dirigida

Conforme o subtipo: supressores de ácido para a dor epigástrica e procinéticos para o desconforto pós-prandial; em casos selecionados, neuromoduladores em dose baixa. Sempre prescritos pelo médico.

Acupuntura e eletroacupuntura

Camada adjuvante para modular a sensibilidade gástrica, a motilidade e o eixo cérebro-intestino, em ciclo com reavaliação objetiva. Útil quando o estresse amplifica o quadro.

Abordagem do eixo cérebro-intestino

Terapia cognitivo-comportamental, técnicas de relaxamento e cuidado com a saúde mental quando a ansiedade tem peso importante, em conjunto com o gastroenterologista.

Acupuntura médica e eletroacupuntura: a camada adjuvante

Mecanismo
A agulha no E36 e no PC6 ativa um reflexo somato-autonômico que aumenta o tônus vagal eferente sobre o estômago, o que favorece a acomodação do fundo gástrico e regulariza o esvaziamento (justamente as funções alteradas no desconforto pós-prandial). Em paralelo, modula a hipersensibilidade visceral por vias inibitórias descendentes, reduzindo o quanto a distensão gástrica normal é percebida como dor. Na eletroacupuntura, conecta-se uma corrente de baixa frequência às agulhas, o que sustenta esse estímulo aferente de forma contínua e reprodutível, e é a forma com melhor sinal nesta condição.
Evidência
Ensaios de eletroacupuntura no E36/PC6 mostraram redução do empachamento e da saciedade precoce e ganho em qualidade de vida na dispepsia funcional, com benefício adjuvante e bom perfil de segurança.
O que esperar
Trabalho com um ciclo de avaliação de cerca de 8 sessões, em geral 2 vezes por semana no início e espaçando conforme a resposta, porque na dispepsia o efeito sobre a motilidade e a sensibilidade é cumulativo e raramente aparece já na primeira sessão; ao fim do ciclo decido por metas objetivas (empachamento, saciedade precoce, frequência da dor epigástrica) se mantenho, espaço ou suspendo.
Indicações
Subtipo de desconforto pós-prandial, quadro com forte componente de estresse ou de náusea, e o paciente que quer reduzir a dependência de procinético ou de supressor de ácido contínuo.
Limitações e cuidados
Não trata úlcera, H. pylori nem refluxo erosivo; desconforto ou pequena equimose no local são possíveis; exige cautela em anticoagulados e cuidado anatômico na punção dos pontos abdominais. Para entender melhor a corrente aplicada às agulhas, veja a página sobre acupuntura para o aparelho digestivo.

Manejo do estresse, sono e o eixo cérebro-intestino

Como a ansiedade, a tensão e o sono ruim amplificam o sintoma, cuidar desse eixo é parte do tratamento. A acupuntura tem efeito reconhecido sobre a tensão e o relaxamento, e na clínica costuma somar-se a estratégias de higiene do sono e, quando indicado, ao acompanhamento de saúde mental. Esse é o ponto em que o tratamento da dispepsia se encontra naturalmente com o nosso trabalho na acupuntura para ansiedade e nas dores crônicas amplificadas pelo estresse. Quando a ansiedade tem peso clínico relevante, o manejo principal é psicológico e médico, e a acupuntura permanece como adjuvante.

Medicação, conduzida pelo gastroenterologista

A medicação é prescrita e ajustada pelo médico. Em linhas gerais, os inibidores de bomba de prótons (como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol) ajudam na síndrome da dor epigástrica; os procinéticos (como domperidona) podem ajudar no desconforto pós-prandial e na saciedade precoce; e há lugar para neuromoduladores em dose baixa (como amitriptilina), que atuam sobre a hipersensibilidade visceral em casos selecionados e refratários. A erradicação do H. pylori, quando ele está presente, é uma etapa específica conduzida pelo gastroenterologista. O uso prolongado de qualquer um desses medicamentos pode trazer problemas, e por isso a dose e a duração são definidas pelo médico assistente.

Acupuntura e o paciente com dor crônica

Há um encontro frequente entre os dois mundos. Pacientes com dor crônica muitas vezes desenvolvem ou pioram a dispepsia, seja pelo uso de anti-inflamatórios que agridem o estômago, seja pelo estresse e pelo sono ruim que acompanham a dor. Nesses casos, ajustar a analgésia (preferindo opções menos gastrolesivas), tratar a dor de base e usar a acupuntura sobre o eixo do estresse pode melhorar os dois quadros ao mesmo tempo. Esse manejo integrado faz parte do uso racional de remédios para dor que orientamos na clínica.

Da prática clínica: o que costumo ver na dispepsia funcional

Da prática clínica · observações de consultório

O perfil que mais chega à acupuntura por essa queixa é o de quem já fez endoscopia normal, tomou supressor de ácido por meses e segue com empachamento e saciedade precoce. Quando o relato é de plenitude logo nas primeiras garfadas, mais do que queimação, costumo esperar resposta melhor do eixo da motilidade e do tônus vagal do que de quem descreve dor epigástrica em jejum.

O erro mais comum que vejo é tratar a dispepsia como se fosse gastrite e empilhar inibidor de bomba de prótons por tempo indefinido: quando o sintoma é funcional, isso raramente resolve o empachamento e cria uma dependência desnecessária. Outro tropeço frequente é o paciente cortar drasticamente a alimentação por medo, perder peso e confundir esse emagrecimento involuntário com a doença, quando ele próprio pode ser um sinal de alarme que merece reavaliação.

Meu limiar para interromper a acupuntura e devolver o caso ao gastroenterologista é objetivo: ausência de qualquer ganho mensurável por volta da oitava sessão, ou o surgimento de qualquer sinal de alarme no meio do caminho. O que mais surpreende quem chega é descobrir que a meta não é zerar o sintoma, e sim reduzi-lo a um patamar que não governe a rotina, e que o trabalho sobre sono e estresse pesa tanto quanto a agulha.

A resposta à acupuntura varia conforme o subtipo da dispepsia

A maior parte dos textos trata “acupuntura para má digestão” como bloco único e mede sucesso pela redução geral do sintoma. O que quase nunca aparece é que o benefício não se distribui por igual entre os subtipos: o sinal mais consistente nos ensaios está no desconforto pós-prandial (empachamento, saciedade precoce), justamente porque a eletroacupuntura age sobre acomodação gástrica e tônus vagal, enquanto a dor epigástrica pura, mais ligada à hipersensibilidade visceral, tende a responder de forma menos previsível. Isso muda a indicação na prática: estabelecer qual subtipo predomina orienta a indicação melhor do que oferecer a acupuntura como solução genérica para “estômago ruim”. Reavaliar pelo subtipo, e não só pela sensação global, é o que define um plano clínico objetivo.

Antes de começar

Avaliação

Confirmar o diagnóstico de dispepsia funcional com o gastroenterologista e afastar sinais de alarme; só então somar a acupuntura.

Sessão 1 a 4

Indução

Ciclo inicial de acupuntura ou eletroacupuntura no E36/PC6, em geral 2 vezes por semana, ajustando os pontos conforme o subtipo e sintomas como náusea ou insônia.

Por volta da 8ª sessão

Reavaliação

Sem a resposta esperada no empachamento e na saciedade precoce, revê-se o plano junto ao gastroenterologista e consideram-se exames ou ajuste da medicação. Com resposta, define-se manutenção.

Medimos a intensidade e a frequência dos sintomas (empachamento, saciedade precoce, dor ou queimação epigástrica), o uso de medicação de resgate e a qualidade de vida. Quando a melhora não vem no ritmo esperado, troco a estratégia em vez de repetir o mesmo ciclo: revejo os pontos, reavalio o peso do estresse e do sono, e devolvo o caso à gastroenterologia para aprofundar a investigação. A meta é reduzir a intensidade e a frequência dos sintomas a um nível que não limite a vida.

Reconhecimento

Centro de Dor

Listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)

Centro de Tratamento por Ondas de Choque

Listado pela Sociedade Médica Brasileira de Tratamento por Ondas de Choque (SMBTOC)

Clínica listada

Listada pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

Perguntas frequentes

A acupuntura cura a dispepsia funcional?

A dispepsia funcional é uma condição crônica; o objetivo é o controle dos sintomas, não a cura. A acupuntura é um recurso complementar que reduz a intensidade e a frequência dos sintomas em parte das pessoas, modulando a sensibilidade do estômago, a motilidade e o eixo cérebro-intestino. Em geral é somada à dieta, ao manejo do estresse e, quando indicado, à medicação. A evidência, sobretudo para a eletroacupuntura, é promissora, e a resposta varia entre pessoas; a avaliação da causa é conduzida pelo gastroenterologista.

O que é dispepsia funcional e o que é algia epigástrica?

Dispepsia funcional é a “má digestão funcional”: sintomas persistentes na parte alta do abdome (empachamento, saciedade precoce, dor ou queimação no estômago) sem uma lesão estrutural que os explique nos exames. Algia epigástrica é o termo médico para a dor na “boca do estômago”, que pode ser justamente a síndrome da dor epigástrica, um dos subtipos da dispepsia funcional.

A acupuntura serve para gastrite e para refluxo?

A acupuntura para gastrite e a acupuntura para refluxo devem ser vistas com cautela. Ela não trata uma gastrite com lesão da mucosa nem a infecção por H. pylori, que precisam de diagnóstico e tratamento próprios. Pode, no entanto, ajudar como adjuvante quando o sintoma é funcional e amplificado pelo estresse, sempre depois da avaliação do gastroenterologista.

Quantas sessões de acupuntura para a dispepsia funcional?

Não há número fixo. Um ciclo inicial costuma ter cerca de 8 a 12 sessões, em geral 1 a 2 vezes por semana no começo, com reavaliação objetiva ao final (intensidade e frequência dos sintomas, uso de medicação). Havendo resposta, define-se um plano de manutenção. Sem resposta após algumas semanas, o caso é reencaminhado para aprofundar a investigação.

A acupuntura para emagrecer ajuda na dispepsia?

São objetivos diferentes e não se deve esperar que a acupuntura para emagrecer trate a dispepsia, nem o contrário. A acupuntura não é um tratamento de emagrecimento por si só; perda de peso depende de alimentação e atividade física orientadas. O que existe é uma sobreposição no eixo do estresse e dos hábitos. Sintomas digestivos persistentes devem ser avaliados pelo gastroenterologista, independentemente do peso.

A acupuntura para estresse e ansiedade ajuda quando a má digestão é “emocional”?

Pode ajudar como adjuvante. Estresse, ansiedade e sono ruim amplificam a percepção dos sintomas pelo eixo cérebro-intestino, e a acupuntura para estresse e ansiedade atua justamente sobre a tensão e o relaxamento. Ainda assim, quando a ansiedade tem peso clínico relevante, o manejo principal é psicológico e médico; a acupuntura entra somada a esse cuidado, nunca no lugar dele.

Evidência científica · resumos da nossa biblioteca

Resumos em linguagem clara de estudos revisados pelo Dr. Marcus Yu Bin Pai.

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Prof. Dr. Hong Jin Pai
Sobre o autor
Prof. Dr. Hong Jin Pai
CRM-SP 36.399RQE 29.862

Médico com atuação em Acupuntura Médica, dor, ensino clínico e formação médica continuada. Diretor técnico da Clínica Dr. Hong Jin Pai.

Revisão médica e editorial

Conteúdo revisado clinicamente por Dr. Marcus Yu Bin Pai. Tem finalidade educativa e cita fontes.

Referências4 fontes citadas neste artigoVerOcultar
  1. Stanghellini V, Chan FKL, Hasler WL, et al. Gastroduodenal Disorders (Rome IV). Gastroenterology. 2016;150(6):1380-1392.
  2. Moayyedi P, Lacy BE, Andrews CN, et al. ACG and CAG Clinical Guideline: Management of Dyspepsia. Am J Gastroenterol. 2017;112(7):988-1013.
  3. Pang B, Jiang T, Du YH, et al. Acupuncture for Functional Dyspepsia: What Strength Does It Have? A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Evid Based Complement Alternat Med. 2016;2016:3862916.
  4. Conselho Federal de Medicina (CFM). Acupuntura é reconhecida como especialidade médica no Brasil; sua prática deve seguir os princípios éticos e científicos da medicina, sem prometer cura nem assegurar desfecho terapêutico.
Atualizado em 2 jun 2026 Leitura 9 min

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual. A acupuntura é um recurso complementar; a dispepsia deve ser investigada e tratada por médico, com encaminhamento ao gastroenterologista quando indicado, e os sinais de alarme exigem avaliação sem demora.

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